Mr. Black Cat Seguir historia

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Porque Itachi era como um gato solitário que insistia em enfrentar sozinho o mundo lá fora o máximo que podia, e quando se sentia esgotado voltava para Kisame em busca de aconchego.


Fanfiction Anime/Manga Sólo para mayores de 18.

#ua #itachi #kisame #tatuagens #kisaita #slice-of-life #258 #lemon #yaoi #naruto
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Capítulo Único

Kisame espalmou a mão sobre os lençóis ainda de olhos fechados à procura de Itachi. Ele não estava lá. Só então se lembrou de que voltara a dormir momentos depois do companheiro ter ido embora, pouco antes do sol nascer.

Preguiçosamente, rolou para o outro lado da cama. O cobertor deixando seu corpo e a brisa gélida da manhã que entrava pela porta de vidro entreaberta, que dava para o seu jardim vertical, fazendo-o perceber que sequer vestira a cueca antes de cair morto de sono.

Abriu os olhos pesados devagar. Não demorou para que a visão embaçada ficasse nítida e narrasse com lentidão o que acontecera na noite anterior.

Ele flagrou garrafas de cerveja pelo chão junto de embalagens vazias de fast-food. Avistou suas roupas jogadas perto do sofá-cama, e sobre a pequena mesa logo ao lado enxergou o rolo de plástico-filme, as suas luvas e máscara, além dos vários lenços umedecidos amassados e manchados de tinta preta. Sua máquina portátil descansando sobre o coldre improvisado que ele mesmo projetara na lateral da mesa.

Sim. Agora ele se lembrava de tudo.

Na noite anterior, Itachi tinha ligado segundos depois de Kisame ter voltado do estúdio, e se esparramado no sofá da sala, avisando-o que estava indo para sua casa porque queria o acabamento final na última tatuagem que fizera na região da lombar. E com isso deixando claro para um Kisame tristonho que aquela seria sua última sessão.

Não havia mais espaço em seu tronco e braços para nenhum outro desenho além dos preenchimentos e interligações que faziam com que todas as figuras aleatórias se mesclassem, tornando-se uma só.

Uma arte única e que tinha uma mensagem subliminar. Sem que Itachi percebesse tal façanha, onde Kisame soube camuflá-la muito bem. Lidando com destreza cada nuance daquela pele branca e abusar do contraste com a tinta preta para criar degradês estonteantes nos desenhos originais que criou inspirado em Itachi. E este fora o quadro mais bonito que pintara, levando ao todo cinco anos para que fosse finalizado... Para no fim, o autor da obra sequer se lembrar do resultado final por causa do sono.

Frustrado, Kisame voltou a rolar sobre os lençóis, dando as costas para o sofá-cama e olhando agora para seu jardim vertical na varanda do outro lado do quarto.

Em sua mente veio a imagem de um Itachi de bruços sobre o sofá-cama preto, enchendo seus olhos com suas curvas e a forma esbelta e sensual de suas costas; mais o olhar felino lançado a ele pelo canto do olho. Um olhar que podia significar mil coisas e coisa alguma, dependendo do momento. Porque Itachi nunca lhe pedia nada. Sendo tal troca de informações desnecessária por Kisame já conhecê-lo tão bem a ponto de saber com apenas um olhar o que ele desejava ou como desejava.

Tal visão deslumbrante também o fez lembrar de que, momentos antes de começar a tatuá-lo, enquanto ainda limpava sua lombar, tendo Itachi deitado sobre almofadas à sua frente, com as pernas abertas mantendo Kisame sentado entre elas para melhor visão da região em que ia trabalhar, ele simplesmente desistiu da ideia de apenas ferir sua pele pelo bem da arte naquela noite, e tirou com um lenço umedecido o creme esfoliante de sua lombar para então se inclinar e beijar suas costas, sentindo-o estremecer com o contato. Subiu, deslizando os lábios para sua nuca e tirando os cabelos longos do caminho para lhe tocar a orelha com sua língua.

Itachi estava mesmo querendo aquilo pela maneira como levantou a cabeça e o puxou afoito para que o beijo frenético fosse trocado. Um beijo um tanto desconfortável que Kisame tratou logo de melhorar ao virar o corpo escultural para si e se embrenhar entre suas pernas, roçando ambas as ereções meio acordadas por sobre o tecido da cueca. O beijou com mais anseio, bebendo de sua boca enquanto apertava sua coxa firme, conduzindo a mão vagarosamente para sua virilha e adentrando a cueca.

Sexo antes das sessões era quase como um ritual. Itachi relaxava e sofria menos com a dor nos músculos uma vez que estes estavam cansados demais para protestar. E Kisame sentia-se mais inspirado. As cenas ainda frescas em sua mente de um Itachi gemendo seu nome e ejaculando sobre seus dedos, fazendo fluir ideias para futuros desenhos.

Desenhos estes que agora não sairiam mais do papel, uma vez que já tinha completado sua obra-prima em Itachi, e que jamais ousaria tatuar qualquer uma de suas preciosidades na pele de outra pessoa. Isso seria um sacrilégio. Assim como era quase um crime ser tirado de seus devaneios por um despertador barulhento.

E por mais tentador que fosse ficar ali deitado só pensando em Itachi, ele ainda tinha que trabalhar. Sua agenda mental o lembrando de que tinha duas clientes para aquele dia.

Pelas tatuagens negociadas, cada sessão iria durar de três a quatro horas. Em uma ainda estava na fase de contorno, ele sequer tinha terminado de traçar o desenho completo, sendo obrigado a parar durante a sessão porque a garota tinha começado a passar mal pela ansiedade, e a corajosa tinha voltado para que ele terminasse o serviço. Quanto a outra, já estava em fase de acabamento, porém o assombreado delicado da tatuagem desta tomava e muito do seu tempo.

O que era bem irritante pois mesmo se dedicando ao máximo, Kisame não conseguia salvar ou gostar daquela porcaria brega que era forçado a tatuar só porque a cliente queria.

Era raro ele não se estressar com algum cliente. Sendo ele um artista orgulhoso, chegava a querer esmurrar a cara de algum imbecil que lhe pedia para desenhar algo medíocre e horrendo, que não agregasse em nada ao formato da região do corpo em que decidira tatuar a obra de arte. E ele só faltava morrer quando tinham a audácia de pedir para que seguisse o traço de outro artista.

Por vezes, Kisame pedia a opinião do cliente. Chegava a implorar em pensamento para a pessoa lhe dar liberdade com a máquina, mas na maioria das vezes só o que recebia era um belo e sonoro Não. E ele tinha de engolir a raiva; aguentar firme no seu canto. Afinal, tinha contas para pagar todo mês.

Itachi, entretanto, nunca exigiu nada dele.

Nunca disse uma única vez o que queria que ele desenhasse em seu corpo ou como queria. Apenas dizia vez ou outra o local onde desejava, dando total liberdade para que tentasse o quisesse. E Kisame podia dizer com orgulho que aquele executivo todo pomposo que Itachi se tornara era sua mais bela experiência.

Foi em Itachi que ele testou as diversas técnicas que aprendeu nos incontáveis cursos que tinha feito. Ficando eufórico cada vez que notava sua evolução e consequentemente conseguindo deixar o corpo do companheiro ainda mais deslumbrante.

Itachi podia até não querer saber de significados bobos, preocupando-se apenas em ter algo bonito gravado à pele. Mas era inegável o fato de que havia toda uma história por trás de cada imagem gravada em sua pele.

Ele era a única inspiração de Kisame.

E sabia que o que quer que o companheiro desenhasse era pensando nele. No entanto, diante de tamanha devoção, Itachi só conseguia fingir indiferença quando na verdade Kisame já tinha captado seu nervosismo, suas orelhas vermelhas e o olhar fujão.

O mesmo Itachi inseguro de cinco anos atrás. De quando o conhecera no segundo ano da faculdade.

Na época, Kisame estava quase desistindo do curso de Psicologia. As aulas eram tediosas. E ele não se via no futuro enfurnado num consultório tentando consertar a mente de alguém, como sempre taxava a profissão escolhida por ele sabe-se lá porquê. Sempre que queria um tempo de tudo aquilo, fugia para a biblioteca para mergulhar em seus desenhos sem que ninguém o atrapalhasse.

Pela sensação boa que o invadia sempre que acabava uma caricatura, ele se perguntava se havia alguma forma de ganhar dinheiro com aquilo, mas quem lhe deu a resposta para tal pergunta foi Itachi que em um fatídico dia entrou em seu campo de visão do outro lado da biblioteca.

Ele parecia ver tudo em câmera lenta. Era simplesmente perfeita a maneira como Itachi andava em sua direção, passando direto por ele sem o olhar nos olhos uma única vez e indo se sentar numa poltrona próxima à janela. E, com toda graça e elegância, cruzar as pernas e abrir um livro sobre estas. As mãos de Kisame coçaram para rascunhá-lo.

E foi o que fez.

Kisame passou a desenhar Itachi, mesmo sem seu conhecimento. Dia após dia. Seguindo-o pelo campus discretamente e enchendo seu pequeno caderno de rabiscos com diversos perfis de Itachi. Ora de corpo inteiro, delineando suas curvas sutis e atraentes; ora apenas um retrato de seu rosto com os cabelos longos esvoaçantes, lhe dando um ar majestoso.

Não importava a forma em que era desenhado, Itachi ainda continuava sendo absurdamente cativante. Cativando-o de tal maneira que Kisame se via desligado de tudo ao seu redor.

Mas a coragem para chegar nele só veio após semanas de observação e dezenas de folhas preenchidas com a silhueta refinada de Itachi.

Depois de finalmente ter conseguido calar a voz irritante em seus ouvidos que o azucrinava dizendo que ele só iria aborrecer aquele cara concentrado no livro que lia, Kisame parou diante de Itachi, sentindo dedos invisíveis apertarem sua traqueia, o impedindo de respirar por alguns segundos quando teve os olhos desconcertantes dele sobre si.

Pateticamente embasbacado, e com as mãos suadas e trêmulas, Kisame lhe estendeu seu caderninho e aguardou em silêncio enquanto Itachi estreitava as sobrancelhas a cada novo desenho sobre sua pessoa que visualizava. Com sua voz melodiosa, perguntou se fora ele o autor dos desenhos. Kisame se viu tenso ao concordar. Porém surpreso logo em seguida quando Itachi sorriu e elogiou seu traço com o comentário que fez uma onda súbita de adrenalina atravessar seu corpo, fazendo-o descobrir finalmente sua profissão dos sonhos.

Fazendo-o desejar naquele momento, em que tinha Itachi admirando suas criações, tomar as rédeas de sua vida desleixada e traçar rumo para o que de fato queria fazer pelo resto da vida.

Itachi provavelmente não sabia o quanto fora essencial para Kisame e para seu sucesso profissional ao dizer que alguns de seus desenhos dariam uma ótima tatuagem. E na certa não sabia também o quanto Kisame o amou desde aquele dia. Colocando-o sobre um pedestal e se esforçando ao máximo em cursos diversos sobre desenhos, técnicas, anatomia, só para tê-lo sorrindo e elogiando seu trabalho.

E Kisame não precisava de muito para se sentir extasiado.

O fascínio que sentia por Itachi era tamanho que este não precisava de muito para transparecer a ele como se sentia, uma vez que Kisame se mostrava profundamente empenhado em aprender e gravar suas ações e o seu modo de falar sempre comedido e educado. Um cara que não saía para beber após a aula e que sequer tinha vida social apesar da boa aparência. Limitando-se apenas a seus estudos e aos desejos um tanto controladores de seu pai, sob a visão particular de Kisame.

E assim como agora divagava sobre o quanto os dois tinham evoluído desde que eram apenas amigos de faculdade, enquanto fazia o assombreamento em uma flor na panturrilha de sua última cliente, Kisame se perguntava se em algum momento de seu dia agitado, numa empresa cheia de escritórios e de velhos engravatados, Itachi parava para pensar sobre o assunto também.

Se reservava para ele um tempinho e pensasse naquele relacionamento estranho que tinham.

O relógio na parede do estúdio marcava seis da tarde. E com uma pontada de tristeza, Kisame voltou ao trabalho.

Itachi quase nunca o visitava duas noites seguintes. Preferindo não manter uma rotina, e fugindo para seu próprio apartamento solitário sempre antes do sol iluminar o quarto. Kisame fingia não estar acordado quando o sentia se desvencilhar de seu corpo, vestir suas roupas caras e sair de modo furtivo, deixando para atrás apenas o seu cheiro. Porque Itachi era como um gato solitário que insistia em enfrentar sozinho o mundo lá fora o máximo que podia, e apenas quando se sentia esgotado voltava para Kisame em busca de aconchego.

O que o deixava ainda mais ansioso para tê-lo em seus braços mais uma vez. Se vendo torcer quase que suplicante para que o companheiro valente decidisse buscar por ele mais cedo. Mesmo sabendo lá no fundo que Itachi só o procurava depois de duas semanas.

Após duas semanas ele vinha com seu jeito particular de seduzi-lo com tão pouco, ou quando sequer estava tentando cativá-lo. Como que acorrentando à sua existência a alma insignificante e submissa de Kisame.

E este não tinha escolha a não ser permanecer à sua mercê e à sua boa vontade. Esperando pacientemente que as duas semanas passassem voando.

Ele podia sobreviver a isso. Já estava nessa rotina há mais de cinco anos, afinal.


Aquele blockbuster genérico era tão chato que Kisame nem se dava mais ao trabalho de prestar atenção. Mal lembrou em que momento do filme ele acabou pegando no sono para despertar num sobressalto ao ouvir a porta ser destrancada e aberta.

Por ser impossível avistar da sala a porta de entrada, bloqueada pela parede do genkan, ele apenas espiou as horas no monitor da televisão só para saber o óbvio: Itachi podia não vir para casa regularmente mas ainda assim continuava pontual. Oito horas da noite. Em ponto.

Sentindo o estômago remexer-se de ansiedade, Kisame voltou a olhar para a televisão sem real interesse naquele filme ruim e tentou mostrar-se tranquilo, esparramando-se no sofá e alcançando a cerveja na mesa de centro, passando a prestar atenção nos mínimos ruídos que Itachi fazia ao tirar seu sobretudo e pendurá-lo no cabideiro embutido à parede, e desligar o celular, colocando-o junto das chaves no recipiente de vidro sobre o balcão próximo ao genkan.

Por estar de costas para o pequeno corredor que dava do genkan para a sala, Kisame manteve-se imóvel, agora ouvindo os pés de Itachi protegidos apenas por meias virem em sua direção e passar direto por ele a caminho do banheiro. Numa lançada rápida de olhar para seu rosto, Kisame flagrou seu semblante fechado e sombrio, os cabelos repartidos ao meio e perfeitamente alinhados, presos num rabo-de-cavalo baixo e apertado, lhe dando um ar ainda mais carregado.

Acompanhou aquele corpo elegante que trajava um terno caro, feito sob medida, desfilar para o banheiro e se trancar lá dentro. Seu perfume tão caro quanto seu terno impregnou toda a sala, atiçando Kisame que se imaginou invadindo aquele banheiro e se desfazendo ele mesmo das roupas de Itachi, tomando-o em seus braços sob o chuveiro. Afinal, ele estava morrendo de saudades.

Já fazia treze dias que Itachi não vinha para a casa.

Mas Kisame limitou-se a um suspiro triste enquanto voltava a bebericar sua cerveja. Aquele momento era só de Itachi. Aquela era a hora em que ele se despia de toda uma imagem social fajuta e deixava escorrer junto da água do chuveiro o estresse acumulado em sua rotina. Era sensato respeitar o seu momento particular, uma vez que Itachi sabia como ninguém recompensá-lo quando se sentia relaxado.

Porque Itachi era assim.

Era para Kisame que ele sempre voltava quando estava difícil lidar com o trabalho ou com a família conservadora. E Kisame o amava tanto que chegava a ser doloroso desejar com todas as forças querer protegê-lo e superar suas expectativas. Em todos os seus momentos juntos. Desde a primeira vez em que tomara coragem e lhe roubara um beijo durante um festival noturno na cidade. Quase saindo correndo entre as pessoas e gritando eufórico por Itachi correspondê-lo.

O primeiro dos poucos encontros que tiveram fora do campus.

Itachi saiu do banheiro. O que fez Kisame perceber que estava sorrindo feito um idiota com as lembranças, tratando logo de fingir concentração no filme irritantemente longo. Mas não resistiu a uma espiada em Itachi que secava os cabelos com uma toalha. Ele estava vestido apenas com uma calça moletom larga. Os cabelos úmidos agora eram jogados para trás, desalinhados, deixando à mostra as laterais da cabeça raspada. Seu torço coberto por tatuagens bonitas trazendo à tona novamente aquela sensação de orgulho a Kisame.

Itachi olhou para a televisão e logo depois para Kisame, os olhos estreitando enquanto o julgava, enojado, por ele ter um péssimo gosto para filmes. Mas Kisame apenas deu de ombros, mostrando-se superior à acusação do companheiro. E mesmo detestando aquele filme, ele não mediria esforços para defendê-lo das duras críticas do amigo cinéfilo. Porque ver um Itachi perder a linha e quase lhe acertar um soco era muito divertido.

E, levantando-se do sofá, ainda de nariz em pé enquanto olhava pelo canto do olho para o companheiro que franzia os lábios para não sorrir e manter a expressão dura no rosto, Kisame caminhou para a cozinha. Itachi provavelmente estava com fome. Ele quase nunca jantava na empresa. Sentia-se tão deslocado naquele lugar cheio de gente séria quanto no próprio apartamento vazio, preferindo comer algo menos saudável na rua.

Mas algo impediu que Kisame chegasse à cozinha. Ao olhar para trás viu Itachi segurar seu braço e em seu rosto um pedido desesperado para que pulasse toda aquela baboseira e fosse logo para a parte onde o agarrava e o fazia esquecer de como seu dia tinha sido uma droga.

Compartilhando da mesma angústia, Kisame o puxou para seu corpo, beijando-lhe os lábios e o erguendo com facilidade do chão. As mãos apalpando com vontade as laterais de seu corpo e descendo ansiosas para suas nádegas.

Ele andou em passos cegos para a cama no cômodo mais amplo e aberto de seu apartamento de estilo rústico, as luzes noturnas iluminavam o seu jardim que por sua vez dava uma atmosfera erótica ao quarto.

Kisame colocou Itachi sobre os lençóis claros e voltou a se levantar, puxando a calça moletom no processo. Deixando-o completamente exposto aos seus olhos que admiravam aquele corpo, a pele nua, a maneira como a luxúria interceptava toda a timidez de Itachi. Este ofegante, chamando por ele com um brilho devasso no olhar.

E Kisame foi, sugando seus lábios e acariciando a pele tatuada, com a intenção de aninhar e suprir a carência de Itachi. Mas com o toque das mãos dele sobre suas costas, subindo para sua cabeça raspada ao mesmo tempo que o envolvia com as pernas, apertando-o gostosamente ao seu corpo, Kisame flagrou-se tão carente quanto ele. Aquela sensação confortável se expandia em seu peito e fazia suas bochechas esquentarem.

Teve todo o seu preparo cuidadoso logo em seguida. O preservativo sobre dois de seus dedos; o lubrificante frio derramado sobre a entrada de um Itachi visivelmente aborrecido; e o toque preciso contra seu reto, movimentando-se tão delicadamente que só fazia a impaciência de Itachi crescer com o tempo que Kisame levava no preparo desnecessário. E este pouco se importava com o olhar raivoso sobre si, ciente de que, se Itachi conseguia andar sem dificuldade pela manhã, era porque Kisame tinha uma paciência invejável.

Ele nunca se deu ao luxo de perder o controle. De colocar seu prazer acima do de Itachi. Por diversas vezes teve de se aliviar no banheiro após Itachi cair no sono, consolando-se por estar prezando pelo bem-estar dele. Mas o que Kisame não sabia era que o companheiro já estava farto de tudo aquilo.

E alheio ao sorriso ardiloso que tocou os lábios dele, Kisame se viu caindo sobre a cama ao ser chutado e dobrou os olhos de tamanho com a visão de um Itachi sério o puxando pelas pernas para o meio da cama e se sentando sobre sua barriga. Abriu a boca para lembrá-lo do preservativo, mas foi calado pelo seu olhar reprovador.

Itachi agarrou seu pênis dolorido e começou a se sentar sobre ele. Abrigando cada centímetro dentro de si, sentindo cócegas no estômago e uma onda de prazer transpassá-lo quando sentiu-se chegar à base. A fisgada de dor sendo ignorada. Itachi sorriu, como nunca antes, contraindo-se ao redor de Kisame. Brincando com fogo.

Sua última tatuagem também selava o fim de toda uma proteção exagerada para com seu corpo. E era a partir daquele momento que ele iria mostrar que de delicado ele não tinha mais nada.

Espalmando as mãos sobre o peitoral de Kisame, Itachi subiu devagar, seus músculos sugando o membro pulsante do companheiro, formigando suas paredes, para logo descer na mesma velocidade torturante. As sobrancelhas franzidas e o lábio sendo mordiscado quando sentiu sua próstata ser acariciada.

Kisame sentia os dedos já dormentes tamanha a força que fazia ao apertar os lençóis. Seus olhos capturando cada detalhe do ato impudico do companheiro, sentindo a tentação de jogá-lo de volta na cama e castigá-lo, como ele parecia implorar por isso entre os cabelos caídos sobre seus ombros, emoldurando o rosto suado e vermelho.

Mas só ficou fora de si quando Itachi tocou a própria barriga e sorriu, dizendo gostar quando o estômago ficava tempestuoso pela excitação; de como adorava a sensação de fraqueza e delírio momentâneo toda vez que seu pênis largo atingia sua próstata; e o quanto iria amar ver aquela fera aprisionada e de olhar febril solta para saciá-lo da forma que merecia.

Porque Itachi merecia tudo o que Kisame tinha a lhe oferecer.

O beijo delicado nos lábios entreabertos de um Kisame pasmo, e o sorriso devasso voltando a aparecer no rosto delicado quando tornou a subir e a descer sobre ele, foram como a fagulha minúscula mas significante o suficiente para ascender o fogo dentro de si. A lucidez dando lugar àquela selvageria incontrolável e voraz. Itachi foi pego agradavelmente de surpresa ao ter a cintura agarrada e ir parar num piscar de olhos embaixo do corpo enorme de Kisame.

Ele sorria. Ambos sorriam. Compartilhando do mesmo fogo. Esfregando os corpos quentes um no outro. Kisame ia fundo com intensidade, com a paixão ardendo no peito, tentando gravar na mente a sensação indescritível do contato com o íntimo quente e macio do companheiro ao mesmo tempo que abocanhava a pele de seu pescoço, marcando-o ali com seus dentes e inalando seu cheiro.

Itachi lhe feria as costas largas, arranhando-o sem pudor toda vez que sentia-se colapsar, os espasmos levando descargas elétricas através de cada célula de seu corpo. Cada vez mais forte, mais prazeroso, mais enlouquecedor. O orgasmo o atingiu. Naqueles segundos, em que mantinha o corpo de Kisame colado ao seu com as pernas fortes, Itachi enxergou estrelas num céu branco. Sentiu-se flutuar para longe ao mesmo tempo que tinha a impressão de afundar naqueles lençóis macios e ser tragado para um poço sem fundo.

A sensação era boa. E tornava-se melhor com os beijos castos de Kisame contra seu rosto e o cuidado que ele teve em apoiar sua cabeça num travesseiro e puxar um cobertor para cobri-los ali mesmo, com os pés voltados para a cabeceira.

O sono veio rápido, aninhando-o a Kisame. E aquela foi a primeira vez que dormira tão profundamente que só acordou quando o companheiro já fazia o almoço. Por um instante, sentiu alívio por ser sua folga naquele dia, mas logo sentiu-se encolher em nervosismo. O aperto no peito lhe causando um mal-estar por saber que teria de encará-lo após a noite que tiveram.

Era aterrorizante o quanto sua insegurança o obrigava a cogitar mil e uma rejeições em milésimos segundos. E o coração acelerou quando Kisame o avistou, abrindo um sorriso estonteante ao vê-lo acordado. Sem saber o que dizer, Itachi apenas se sentou lentamente, sentindo os músculos protestarem de dor.

Sorrindo matreiro, Kisame foi até ele com o celular em mãos e pediu para que permanecesse parado por um instante enquanto tirava uma foto de suas costas agora cicatrizadas por completo. Itachi tinha um ponto de interrogação enorme pintado no rosto e mesmo depois de Kisame lhe entregar o celular para que visse as tatuagens finalizadas não teve sua curiosidade saciada... Não até olhar mais atentamente.

Foi gracioso o modo como Itachi inclinou levemente a cabeça para o lado surpreso e ao mesmo tempo intrigado quando finalmente percebeu. Ele olhou para Kisame que não parava de sorrir e voltou a analisar aquela figura oculta cobrindo todo o centro de suas costas, entre as outras diversas imagens menores. Delineada destacadamente pelo assombreamento nos desenhos ao seu redor.

Era imponente. Um tanto infantil. Maravilhoso. Com um mistério instigante nos olhos brilhantes e negros.

De certo modo, um mistério que lhe era familiar.

— Um gato?

— Um gato.

29 de Agosto de 2018 a las 20:52 1 Reporte Insertar 1
Fin

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Caramelo Sama Caramelo Sama
SENHOR! PAI AMADO! MISERICÓRDIA! Que Fanfic foi essa? Sério, eu estou completamente sem palavras por que foi simplesmente incrível. A leitura é gostosa, fluente. A escrita da água na boca de tão bela e as cenas... Ah, as cenas! Foi simplesmente maravilhoso. O modo como o Kisame descrevia o Itachi, como ficava claro o jeito que ele o admirava; o estimava. E a beleza que é imaginar aquela pele branquinha do Uchiha toda cheia de desenhos coloridos e maravilhosos... Aaaah! Eu realmente amei muito. Sabe, eu encontrei essa história por que uma leitora estava alucinado com ela no Facebook. E, sendo KisaIta, não teve como eu não vir catar e ler. É muito complicado achar histórias dos dois, principalmente uma tão sensacional. Não me arrependo de ter vindo. Valeu muito a pena. Sério, amei! Obrigada por essa fanfic 💜
30 de Octubre de 2018 a las 19:57
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