Jasmim Seguir historia

nathymaki Nathy Maki

"– Por que você sempre cheira a jasmim? – Por que o jasmim significa sorte, doçura e alegria. Todas as coisas que eu ganhei por ter uma assistente tão habilidosa me ajudando com as flores."


Cuento No para niños menores de 13.

#original #drama #angst #tiposdepai
Cuento corto
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Capítulo Único

Pai adotivo: aquele que nem é seu pai, mas te trata como um filho.

***

Lábios se moviam, palavras sem som. Olhares se desviavam, medo e receio presentes na ação. A garganta seca rasgava, enquanto os dentes se ocupavam de prender a pele macia dos lábios, destroçando-a. Em cada canto, por todos os lugares, eu podia ouvir os sussurros. Mesmo sozinha eles ecoavam em meu corpo, preenchendo os pensamentos que deviam ser felizes com veneno. Monstro. Aberração. Fique longe.

Em minha cabeça, lágrimas despontavam copiosamente dos olhos, uma torrente inacabável que poderia vir a salvar o mundo se não fossem salgadas e temperadas com desespero. Por fora, não havia nada além de uma casca, mantendo as aparências, cumprindo seu dever, observando os demais, um após o outro, serem levados para um lugar melhor, mais feliz e completo, enquanto eu era sempre a que ficava para trás.

Retornei as sombras e me fechei em meu mundo, balançando isolada no brinquedo. Não importava. Nada mais.

Até que um dia, uma voz me atingiu. Seu tom tão límpido e bondoso que por um momento eu pensei ter morrido e alcançado o céu como as madres haviam ensinado. Apertei as pálpebras mais forte, rezando com a última gota de esperança que ainda vivia em mim que não acordasse dali. O mundo, em sua escuridão sob os cílios, rodopiou e a voz continuou a me chamar:

- Ei, garotinha, você está bem? Precisa de algo? Quer que eu chame alguém?

Perguntas atiradas ao vento, arrastadas como as folhas e com cheiro de jasmim. Abri os olhos e pisquei. O senhor barbudo, carregando uma tesoura de poda, sorriu ao me ver encará-lo. Cicatrizes decoravam o espaço da garganta e desapareciam pela gola da camisa.

- Você não é um anjo. - Constatei, decepcionada. Ele riu, uma risada contagiante, daquelas que a cabeça se inclina para trás e tapas são dados nos joelhos.

- Anjo? Eu? O que ensinam para essas crianças nesse orfanato? - Ele se levantou, pegando o chapéu jogado no chão ao seu lado e cobriu os espessos cabelos castanhos. - Não devia ficar muito tempo no sol, pode acabar com uma insolação e ficar de cama por vários dias.

Afastou-se assobiando, enquanto minha voz emudecia de espanto. Algo estava errado, sentia isso em meu âmago. Mas o quê?

Voltei ao balanço no dia seguinte, esperando. Pura teimosia, sabia. Mas algo em sua postura me intrigava. O som ritmado indicou sua chegada e eu respirei fundo, de repente ansiosa.

- Ah, é você! - Ele sorriu, como se fossemos velhos amigos, e se abaixou em uma das roseiras para podá-las. - Não vai me assustar como ontem de novo, não é? - Neguei com a cabeça, as mãos se fechando em torno das correntes do brinquedo. - Bom, bom. - Voltou a se concentrar nas flores e cortou uma, retirando os espinhos. - Aqui.

Estendeu-a para mim, seus dedos roçando na minha pele ferida. Pude ver o brilho de alegria em seu olhar e as pequenas manchinhas que se espalhavam por suas bochechas. Tranquilidade se espalhou pelo meu corpo e então eu entendi.

- Você não tem medo?

- De quê? - Seus olhos me encararam, surpresos.

- De mim. Dessas feridas em minha pele. De que elas passem para você e te deixem como eu, feio também.

- Não vejo por que devia ter medo. Até mesmo entre as flores, as mais belas têm espinhos. E nada impede que as pessoas continuem a desejá-las, e muito menos fazem pouco delas por isso. - Ele sorriu e começou a caminhar, voltando ao trabalho. Apertei a flor entre os dedos e pela primeira vez as vozes em minha mente se calaram.

Os dias se passaram e todas as manhãs eu o acompanhava em sua rotina de vistoriar as plantas e aparar aquelas que cresciam além da conta. Ensinei-o sobre a minha doença, que descamava a pele do meu corpo deixando feias feridas vermelhas, e, em troca ele me ensinava sobre as flores.

Aos poucos, sua presença se tornou uma constante em meus dias. Ele me visitava quando as feridas pioravam e as madres não me permitiam sair. Deixava de lado o trabalho para me trazer sopa quando adoecia e contar as histórias que as flores lhe sussurravam durante o dia. Enxugava minhas lágrimas no balanço ao ouvir as outras crianças me afastarem e ao ver os olhares daqueles que vinham ao resgate me lançavam. Ele me fazia rir, correndo preocupado ao me ouvir chorar sempre que um espinho entrava em minha pele e fazendo caretas para me distrair da dor enquanto o removia com cuidado.

– Por que você sempre cheira a jasmim? – Eu perguntara uma vez e ele sorrira, abaixando a voz como se me contasse um grande segredo.

– Por que o jasmim significa sorte, doçura e alegria. Todas as coisas que eu ganhei por ter uma assistente tão habilidosa me ajudando com as flores. – E afastava os arbustos, mostrando os brotos que havíamos plantado e que começavam a florescer.

Eram dias mornos, o cheiro floral parecia afastar tudo aquilo que antes me atormentava, fazendo com que eu me perguntasse se aquele não era o verdadeiro céu. Mas o céu não podia desmoronar de repente, podia? Pois era exatamente o que acontecia agora.

- O orfanato está falindo. - Eu disse, acariciando as pétalas das rosas enquanto caminhava ao seu lado.

- É, vou precisar arrumar outro trabalho.

- Vai ser bom para você. Não vai ter mais a mim para atrapalhar. - As palavras que vinham rondando minha mente escaparam sem permissão. Assisti enquanto seu corpo enrijecia e o choque se espalhava em sua expressão. Contei, aguardando: um, dois, três batimentos. A boca se torceu e uma risada escapou de seus lábios. Olhei-o atônita. Por que ele ria? Estava tão feliz assim por se livrar de mim? Decepção se enroscou em meu coração e ele tornou a se encolher em seu lugarzinho reservado.

- Entendo. Então não te contaram ainda? - O sorriso brincou em seus lábios, evidenciando um segredo ali escondido.

- Contaram o quê?

- Você vai comigo quando esse lugar fechar. - Ele coçou os cabelos espessos, agora envergonhado. - Isso é se quiser...

Naquele momento o mundo implodiu, um turbilhão de emoções me englobou e eu arfei, perdida. Em algum lugar, encontrei forças para dizer antes que sucumbisse a alegria completa:

- Eu estava errada, você é mesmo um anjo! - Minha voz falhou e as lágrimas que suprimira por tanto tempo caíram, dessa vez não mais temperadas a desespero, e sim límpidas de alegria, mais puras do que já haviam sido.

- Claro que não, sua boba. - Ele riu e me abraçou, acariciando meus cabelos e depositando um beijo em minha testa. Agarrei-me a ele e a seu cheiro de jasmim, abrindo o que restava do meu coração. - A partir de hoje eu sou seu pai.

19 de Agosto de 2018 a las 21:23 7 Reporte Insertar 6
Fin

Conoce al autor

Nathy Maki Leitora voraz desde que tenho idade para segurar um livro em mãos. Sagitariana e um poço de emoção e muuita indecisão. Amo um clichê bem escrito e um suspense que te prende, mas fantasias e ligações são especialidade. Sou fã daqueles finais inusitados. Até mesmo os tristes! Lema: Colecionar sonhos, ideias e magia e depois transformá-los em palavras é o que torna bela a vida.

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Camy <3 Camy <3
Olá! Venho em nome do Sistema de Verificação do Inkspired. Sua história foi verificada, mas seria interessante que você usasse travessões nas falas em vez de hifens. Além disso, em "por que o jasmim significa sorte...", deveria ser "porque o jasmin...", visto que este porquê pode ser substituído por "pois" (junto e sem acento). Obrigada pela atenção e parabéns pela sua história! <3
1 de Diciembre de 2018 a las 16:56
Di Angelo Di Angelo
O que falar dessa fic com uma narrativa linda, sentimentos intensos e uma nova família linda que você criou. Contudo essas poucas palavras não descrevem tudo que essa estória é, então espero pelo menos ter expressado algo.
11 de Noviembre de 2018 a las 14:44
Inkspired Brasil Inkspired Brasil
Olá, tudo bem? Meu Deus do céu, que perfeição mais linda! ♥️ Começarei, após meu surto, algo decente... Primeiro que narrativa linda que me deixou perdida. Os sentimentos da personagem estão todos lá, sabe? O desespero, a culpa por ser uma “aberração”, a síndrome de se desculpar, depois a alegria mesmo sutil por encontrar alguém que a ame do jeito que ela é. E eu não esquecerei de jeito algum da gratidão. Tudo tão presente de forma tão clara que surpreende mais do que qualquer coisa. O jeito que você construiu a história em meio ao tipo de pai escolhido faz com que eu tenha a certeza de que você absorveu o desafio por inteiro. A história é muito fofa e coerente, coerente com o tema escolhido e com a situação em si. Se pudesse classificar com apenas uma palavra, seria impecável! Parabéns! Isso é incrível de verdade, me deu até um calorzinho gostoso. Espero que tenha lido muita coisa delícia nesse desafio e que tenha se divertido! Beijinhos 😘
4 de Septiembre de 2018 a las 00:34
Sonne Sonne
Eu acabei de terminar essa história com lágrimas nos olhos e tô bem feliz de ter pego pra ler. Eu nem imaginava pelo sumário o que seria, mas poxa, que tema mais delicado e trabalhado de uma maneira tão bonita e tocante! De verdade, é o tipo de história que deixa a gente com um sorriso no rosto quando terminamos de ler. Parabéns por transportar essa emoção pelas palavras. ♥
25 de Agosto de 2018 a las 18:28

  • Nathy Maki Nathy Maki
    Olá <3 Aaaaa eu sou ruim com sinopses, perdoa! Mas vou melhorar! Fico muito feliz que tenha gostado! Mesmo com umas lágrimas no final, confesso que quando reli também fiquei, e sim temas assim têm que ser tratados com delicadeza,, é para ser algo especial e tocante! Eu fico nas nuvens ao saber que consegui passar isso a você! Muito obrigada por ter lido e por esse comentário muito lindo, mas perdoa a demora em responder! A vida tava uma loucura! Beijinhos <3 16 de Septiembre de 2018 a las 09:39
Ellie Blue Ellie Blue
Meus deuses, eu não tenho palavras para descrever o que senti lendo essa história. É como se ela tivesse grudado em meu coração e fizesse dele sua propriedade. A verdade é que eu comecei a ler esse conto sem saber que ele fazia parte do desafio e, pelos deuses, ele me ganhou já no primeiro parágrafo. Tudo que tem a ver com flores me atrai e foi o título que me trouxe até aqui, fiquei perdidamente apaixonada com a escrita, você me ganhou com ela. A história é muito linda! Eu realmente a amei.
20 de Agosto de 2018 a las 14:39

  • Nathy Maki Nathy Maki
    Olá <3 Ownnt, não sabe o quanto ouvir isso me deixa feliz! A história veio do nada na minha cabeça (baseada numas coisinhas que eu ouvi de um parente) e eu queria deixar uma marca, uma lição de vida. Fico extasiada que tenha gostado! Eu amo muito as flores e não resisti a colocá-las hahaha Muito obrigada de novo e perdão pela demora para responder! Um beijão <3 16 de Septiembre de 2018 a las 09:33
~