sftkyungsoo maria clara

Kyungsoo era um garoto recém dezessete anos que sofria com um relacionamento paternal abusivo e que tinha, como seu maior objetivo, o sonho da atuação. Apaixonado por arte e teatro, conheceu Chanyeol, um adolescente observador e divertido, que rapidamente cria um vínculo de amizade entre os dois e se dispõe a melhorar o relacionamento dos Do e realizar o sonho do baixinho a participar de uma peça escolar de final de ano.


Fanfiction Bandas/Cantantes No para niños menores de 13.

#chansoo #chanyeol #kyungsoo #exo
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One

              Kyungsoo era como uma ave prestes a voar.


    Passou pela porta da sala onde seu pai permanecia sentado no sofá desde que saíra para a aula. Ele lia alguns papéis enquanto, com a outra mão, segurava uma garrafa de álcool da qual bebia um longo gole em intervalos de segundos.

Temia a reação dele ao saber que, sem aviso ou permissão, seu filho entrou em um clube de teatro e em dois dias se apresentaria como um dos coadjuvantes de uma peça escrita por seus colegas de classe.

Nunca teve um relacionamento saudável com seu pai. Abandonado com uma criança pela sua mulher - mulher da qual o garoto nunca soubera o nome e a conhecia apenas por A Puta Que Te Abandonou —, culpava Kyungsoo de todos os males que sofreu. Afogou-se no alcoolismo e jogou sua cria em uma escola pública qualquer e além disso, o negligenciava fisicamente falando e com palavras ofensivas. O Do mais novo, por sua vez, nunca o odiou de fato, ele o amava e se esforçava para ser um filho melhor, sofria com a rigidez do velho que colocava em sua cabeça que tudo aquilo era para seu bem.

— Pai… — chamou, apertando a alça rasgada de sua mochila velha.

O homem, por trás dos óculos de lentes sujas, estreitou os olhos. Hesitante, o adolescente tirou de seu bolso um convite.

— Eu tenho uma apresentação. — disse, um pouco intimidado.

Largou as contas no estofado e pegou de supetão o pequeno papel das mãos do garoto, lendo-o com dificuldade.

— Vou pensar em seu caso, garoto.— falou com embargo.

Soltou a respiração que nem percebeu ter segurado, o alívio se propagou por seu corpo. Talvez estivesse embriagado demais para ter noção do que estava fazendo.

— Você vai estar ocupado?

Não o respondeu. Kyungsoo sabia que seu pai não tinha ocupação alguma além de jogos de futebol a serem transmitidos pela televisão antiga e chiada daquele cômodo.

Olhou para o chão e caminhou até o seu quarto — se aquilo podia ser o seu quarto, já que era um cubículo único no apartamento; na maioria das vezes dormia no sofá da sala e deixava que o Do mais velho, exalando uma ressaca dolorosa, se acomodasse na cama —, colocou sobre a mesinha seus materiais escolares e sentou-se no carpete desgastado. Puxou debaixo das almofadas largadas no chão um roteiro de dez páginas, com todas as suas falas e ações. Seus olhos brilhavam ao ler cada palavra ali escrita. Sempre quis filiar-se ao teatro do colégio, e em seu primeiro papel atuaria como principal e não conseguia conter-se de ansiedade.

Colocou sua cabeça para fora das cortinas, procurando pelo pai entre o aglomerado de pessoas ali presentes assistindo à apresentação. Desânimo. Ele não estava em nenhum dos assentos reservados aos familiares. Voltou para o camarim improvisado em uma sala pelos auxiliares onde a movimentação estava turbulenta. Foi parado por Nayun, uma das garotas responsáveis pela caracterização da peça, que colocou em sua cabeça uma coroa de galhos e folhas e o entregou uma capa marrom.

— É a sua hora, Tarjei.

Kyungsoo sorriu com nervosismo e juntou-se à fila de atores abotoando o sobretudo com os dedos frios e suados. Achava divertido a maneira livre dos estudantes, que faziam barulho, mexiam braços e pernas, alongavam-se, pulavam, tudo pelo meio artístico, em forma de aquecimento.

O som do microfone, das músicas de fundo e da multidão se misturavam, o deixando levemente confuso. Seus acompanhantes de cena faziam agora gritos de guerra e citavam, com gestos exagerados, frases motivacionais. Toda aquela energia o contagiava e um sorriso que nunca dera antes o entregava facilmente.

Desceram da pequena escada do palco dois garotos vestidos com roupas infantis, e as congratulações foram inevitáveis. Entrou em ação Seojong e Chinhae, donos dos personagens que incluiriam Do à história. Os outros esperavam por sua vez na entrada, empolgados.

E então, um puxão repentino em seus galhos. O movimento brusco chamou a atenção de todos que ficaram tensos com os acontecimentos seguintes. O homem desferiu um tapa em seu rosto e ordenou que tirasse a fantasia.

— Vamos embora.

Kyungsoo, envergonhado, obedeceu e deixou ser levado pelos dedos firmes que envolviam seu braço com força, o fazendo gemer de dor.

Arrastado pelas ruas até em casa, escutando reclamações e todos os palavrões presentes no dicionário imaginário de seu pai com tom de voz elevado, o Do mais novo articulou, baixo como um sussurro, pedidos de desculpa frenéticos. Muitas vezes tentara se soltar dele, recebendo em troca, apertos ainda mais fortes. Os vizinhos que andavam pelas calçadas, já acostumados com a situação, olhavam-o com indiferença, deixando o filho em agonia ao perceber que ninguém estava disposto a lhe tirar dali.

O soltou na entrada, um vão separava os dois que se encararam — o homem que cheirava a cigarro e cachaça e o garoto que se tornava vulnerável diante dele.

— Eu só queria que você me visse. — com olhos marejados, seu lábio inferior tremia e lutava para manter a voz firme e não transbordar em sua frente.

O homem o assistiu com tédio e aquilo só deixava Kyungsoo mais intrigado. Só queria que o velho escutasse a ele, não só ouvisse e deixasse passar.

— Você vai dormir fora hoje, mocinho. — despertou um franzir de cenho do mais novo e bateu a porta com força, trancando-o do lado de fora.

Incrédulo, o adolescente forçou a maçaneta enferrujada desesperadamente, bateu diversas vezes na madeira e o chamou alto o bastante para que pudesse, de qualquer cômodo daquela casa minúscula, atender ao seu pedido. Ele implorou, sua garganta arranhava a cada grito dado e seus olhos ardiam pelas lágrimas que correram por suas bochechas vermelhas contra sua vontade.

Aceitou a derrota e cogitou passar a noite na escada de madeira da entrada que rangia a cada movimento sobre ela. Sentou na mesma e apoiou seu rosto nas próprias mãos, soluçava e sentia que não seria mais possível chorar, as gotas secavam em sua pele.

Ele só queria ser um bom filho para seu pai, e desejava a reciprocidade do mais velho mais que tudo no mundo. Só tinha a ele — mal conhecia sua família, não tinha mãe e em vínculos sociais, apenas conhecidos que conversava de vez em quando —, do mesmo jeito que o Do mais velho só tinha as garrafas. Queria que o apoiasse em tudo que fizesse, mesmo não concordando. Nunca recebeu nem mesmo um aperto de mãos, e o fiasco de afeto que foi dado a ele, um álbum pirateado de Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band com algumas músicas do Abbey Road que ganhara quando pequeno, estava arranhado e a única coisa que podia escutar ali era um loop de All You Need Is Love. Nessa época, seu pai tentava dar o seu melhor já apresentando indícios do alcóolatra que no futuro não faria o mínimo de esforço para manter uma relação saudável com o próprio filho.

De longe, ouviu vozes que reconheceu rapidamente como seus companheiros de turma. Eles estavam em grupo andando logo ao lado e Kyungsoo esfregou o rosto tentando parecer um pouco melhor do que realmente estava. O bando de amigos riam e bebiam em latinhas de refrigerante e energéticos baratos — provavelmente pela pouca idade, não teriam permissão para comprar bebidas com álcool e acharam como uma opção de comemorar a apresentação que, deduziu, foi um sucesso. Um deles, um alto que já viu várias vezes mas nunca de fato soubera sua utilidade, segurava a mochila velha de Do e a coroa de galhos de seu personagem.

— Ficamos preocupados. — Seojong, um garoto de cabelos descoloridos que mais cedo usava roupas cobertas por plantas secas, disse. Não parecia preocupado, quem sabe estivesse, mas seu semblante era indecifrável.

Alguns se sentaram na grama destruída por perto da escada e Booyoung, com os fios curtos e desgrenhados, ofereceu um gole de Pepsi ao baixinho que estava bastante abalado, mesmo cuidando para parecer bem perto daqueles que lutavam para levantar um pouco de seu ânimo.

— A peça foi ótima, Tarjei — Nayun comentou — Achei uma pena você ter ido embora. Tivemos que procurar alguém para te substituir e Chanyeol se ofereceu.

O garoto encostado na cerca sorriu de canto para o outro.

— Vamos ter a segunda apresentação semana que vem, você vai estar lá, certo?

Ele sabia que depois de tudo aquilo, por mais que quisesse, não poderia mais participar do teatro. Franziu os lábios e acenou em negativo.

Lamentaram em conjunto. Um deles falou que Do tinha talento e não deveria desperdiçá-lo. Pediu por perdão e tentou explicar o quanto atuar era importante para si mas que nada daria certo, foi interrompido com um “relaxa” soltado por Chinhae.

Se levantaram da grama e decidiram seguir o caminho, despedindo-se e desejando boa sorte. O adolescente que segurava suas coisas e lhe fora apresentado como Chanyeol pediram para ir em frente e avisou que os encontrariam lá, onde quer que fosse lá. Se dirigiu a Kyungsoo e se juntou a ele na escada. Abriu o zíper e enfiou a coroa por entre aquele amarrotado de papéis.

— Qual é o lance com o seu pai? — entregou a mochila ao baixo que a acomodou sobre suas pernas. Achou que aquele foi direto demais ao perguntar sobre o velho mesmo sem obter intimidade alguma com o próximo. Não respondeu além de um “nada” seco. Ele o olhou por alguns segundos e deu de ombros com um sorriso de lado. Bebericando o refrigerante — Ele deve ser um louco. Você não me parece um filho ruim.

Aquele papo o deixou desconfortável. Nunca foi capaz de falar com ninguém sobre o assunto, e não seria agora e nem com ele. Do não mantinha contato visual com o alto e sua atenção era dedicada ao movimento dos carros à frente.

— Talvez eu seja.

Chanyeol amassou a lata, suspirou em satisfação e arranhou com os dentes o metal ainda inteiro; gostava de ser irritante, concluiu.

— Você sabe por que eu te escolhi como Tarjei? — Soo, com seus olhos um pouco arregalados, direcionou sua visão para o garoto ao lado. Não sabia que era ele quem selecionava os personagens, e ficou bastante curioso pela pergunta repentina. — Ele é o principal e o mais importante para a história. Assim como você, Tarjei vivia em confronto com seu guardião, fazia coisas contra sua vontade e sofria com as consequências da irresponsabilidade dele. Bom, é claro que seu pai não é como um deus da tempestade ou algo assim. No final ele cansa de ser passivo em relação à isso e se torna independente, talvez o final da sua história seja assim também.

Estático, não conseguia formular uma mísera frase em resposta àquele diálogo. Se perguntou como, raios, ele soube de tudo aquilo.

— Sou observador. — sorriu — Consigo imaginar a vida inteira de uma pessoa só com o olhar dela. É como um dom: chute minhas bolas e verei o seu futuro.

Despertou um pequeno riso arfado do menor. Pôs-se de pé da madeira que reclamou com o movimento, Chanyeol parecia temer que aquilo quebrasse a qualquer instante. Bateu os jeans que estavam um pouco sujos de terra e posicionou uma das mãos no ar, como um oferecimento de ajuda para que o outro levante.

Kyungsoo ignorou o gesto porém o garoto insistiu e teve de ceder. Agarrou os dedos grandes e ficou de pé, colocando a mochila nas costas. Não sabia ao certo onde pretendia o levar mas, portanto que se afastasse daquela casa por um tempo, para ele estava tudo bem. Precisava relaxar um pouco, assim como Chinhae disse minutos atrás.

Atravessou a pista junto à ele e andou com discrição pelas ruas. Park acomodava suas mãos nos bolsos e, olhando daquele ângulo, era possível ver algumas poucas espinhas estouradas abaixo do queixo. Do manteve-se calado por todo o caminho percorrido enquanto enquanto o outro tagarelava como um louco.

Chegou em um prédio relativamente pequeno e branco que adquiriu um tom alaranjado devido à luz poente da tarde. Seguiu o adolescente pelas escadas escorregadias em corredores compridos, seus tênis faziam um barulho arranhado que ecoava por todo o estreito.

Entrou em um dos apartamentos onde o grupo de momentos atrás se reuniam em círculo e jogavam jenga. Não sabia qual deles residia ali e sentiu como se estivesse invadindo a propriedade de outrem. Tímido, sentou no sofá com uma postura rígida.

— Não se preocupe. — Chanyeol, como se lesse sua mente, acalmou-o — Eu moro aqui. Fique à vontade, mas não demais, minha mãe está no quarto.

Era um lugar bonito e bem arrumado. Além do estofado em que estava, mais duas poltronas, uma de cada lado e em frente, uma televisão suspensa na parede da qual sustentava, também, quadros com paisagens em preto e branco. Do outro lado, um balcão que servia de mesa, como as cozinhas americanas. Jarros com plantas espalhados pelo cômodo, alguns com flores pendurados no teto do terraço que tinha uma porta de vidro refletindo os raios solares no chão de cerâmica.

Observou os outros retirando os blocos de madeira da pequena pilha com muita cautela para que o mesmo não desmoronasse. Mantinham uma expressão engraçada no rosto concentrado.

Já fazia um bom tempo que estava ali e recusou muitas vezes copos de água, batatas chips e goles de refrigerante.

Permaneceu sentado enquanto os adolescentes iam embora aos poucos. Já havia anoitecido, já batia nas 20 horas e Kyungsoo não podia voltar para casa — não lembrava o percurso de sua casa até a dele e não sabia onde Park tinha se enfiado. Batia nos joelhos em tédio e corria os olhos pelo aposento em tédio.

Finalmente, como se escutando aos seus pedidos, o garoto com orelhas peculiares e — algo que não havia reparado antes — desenhos feitos a canetinha pela extensão do pescoço apareceu, com seu típico sorriso estampado no rosto.

— Quer que eu te leve para casa?

28 de Julio de 2018 a las 17:23 0 Reporte Insertar 0
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