Para sempre, Lu Seguir historia

kroth Ashley Mei

Movido por um amor de juventude, Baekhyun consegue convencer o jovem Oh Sehun a permitir que veja seu pai, o florista Lu Han, mesmo com plena consciência de que o encontro pode não ser como deseja. Cinquenta anos e uma distância de países não eram o maior perigo neste encontro, mas uma notícia cujo o pintor não esperava: o grande amor de sua vida convive agora com o Alzheimer.


Fanfiction Bandas/Cantantes Todo público.

#yaoi #baekhyun #luhan #baekhan #baeklu #lubaek #exo
Cuento corto
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Único;

— Você tem certeza do que veio fazer aqui? — Era a voz do rapaz mais novo a fazer o raro uso de seu coreano, repetindo em um tom nervoso a mesma pergunta pela terceira vez. A mão lentamente depositou o bule de chá de volta a mesa e ele se ajeitou, vendo o outro assentir antes de libar o primeiro gole.


— Eu tenho certeza. — Respondeu, encarando tranquilamente os olhos brilhantes. Ocultou um suspiro e olhou o jardim em volta, sentindo o aroma doce das orquídeas chocolate a agraciar o ar típico da época do ano.


Era primavera, tudo era doce. O clima de 20 graus era agradável e ele estava ali, exatamente onde deveria estar. Pouco preocupado com as rugas em suas mãos ou a fraqueza em suas pernas após subir todos aqueles degraus apenas para fazer a tão esperada visita. Já Sehun, do alto de seus ombros largos e por trás postura impecável, ainda o encarava com o canto dos olhos felinos, sustentando suas palavras com mais força do que lembrava ter.


— Mas desde já, esteja ciente. — Cortou o silêncio, atraindo o olhar do mais velho. — Pode ser que as coisas não aconteçam como você quer. Ele pode ter mudado, pode não ser mais quem você espera ver. Então, por favor, tente compreender se esse for o caso. — Ameaçou levantar-se da cadeira, sendo seguido pelo homem a sua frente, que não apenas ergueu o corpo como sorriu, fazendo as rugas no canto dos olhos mostrarem-se salientes conforme os olhos tornaram a encará-lo, pleno.


— Seja como for, tudo será perfeito.


Sehun o encarou nervoso, e ainda hesitante, deu a deixa para que a cuidadora até então prostrada ao pé da porta lentamente viesse ao jardim, trazendo consigo, a passos lentos e dificultosos, o verdadeiro dono da visita recém-chegada e motivo dos temores do jovem Oh.


Baekhyun — o homem antes sentado a sua frente — era um pintor viúvo muito famoso, e naquela semana havia voltado a Londres tanto em busca de inspiração no Chelsea Flower Show quanto para rever Lu Han, o amigo de longa data, como dissera. E Sehun hesitou muito desde a primeira vez em que aquele senhor identificara-se na porta, mas após algum tempo de conversa com o coreano e com a descoberta de algumas fotos antigas no baú abandonado no porão, o Oh conseguiu confirmar que ele não mentia e decidiu que sim, Baekhyun tinha o direito de realizar seu sonho e passar um dia inteiro ali, com seu pai.


Mas era tudo muito frágil. Aquele dia, aquela confiança. Sehun fizera de tudo para confirmar a história por mais que seu pai já tivesse lhe contado muitas e muitas vezes sobre sua passagem pela juventude, sobre as viagens a Toulon, Paris e até mesmo sobre aquele tal coreano, mas toda aquela precaução era por questão de amor ao Han. E amor era o que seu pai mais precisava agora, no auge de sua idade aflorada e dividida lado a lado ao Alzheimer.


O senhor de idade que antes era tomado por uma alegria intensa ao recordar momentos de sua juventude fizera o jovem Oh achar graça de quando começou a perder as chaves, encontrá-las minutos depois mas não saber direito o que queria com elas, mas após a morte de Katherine — a mãe de Sehun —, tudo aquilo apenas se agravou, e agora Luhan via-se, às vezes, afirmando que Sehun era seu próprio pai.

Aquilo doía tanto no peito do rapaz que seus temores quanto a desconhecidos as vezes o cegavam. Sehun tinha medo de que o pai reagisse de forma inapropriada e acabasse magoando tanto a terceiros quanto a si mesmo, portanto, aquela visita era um grande voto de confiança não apenas em Baekhyun, mas em seu pai também.

Aos poucos, saindo de seus devaneios ao lado do pintor, o foco foi direccionado ao homem certo. Lu Han estava com duas camisas sobrepostas e ambas mal abotoadas, e seus cabelos estavam penteados de lado, bem como costumava usar em seus vinte. A pele manchada pela idade e a postura curvilínea eram bem mais marcadas do que em Baekhyun, que assim que o viu se aproximar, pôs-se em uma posição impecável e o reverenciou com uma curva baixa, mesmo sabendo que o chinês não o retribuiria devido à confusão criada em sua mente com o ato.


— Appa, este é Baek Hyun. Ele era seu amigo quando novo, e veio aqui especialmente para visitá-lo. — Sehun falou carinhosamente, tocando os ombros do pai para que prestasse atenção no estranho de mão estendida a sua frente, mas o olhar de Luhan batia principalmente sobre as flores do jardim, para onde logo apontou com a mão trêmula e magra, focando nas orquídeas recém-florescidas.


Baek abaixou a mão e desviou o olhar para a direção com o cenho franzido. Já Sehun apenas sorriu, pois mesmo que não compreendesse bem a situação toda, não achou necessário explicar sobre a dificuldade na fala do pai. Luhan costumava ficar agitado quando mencionavam aquilo em sua frente e o nervosismo fazia com que a comunicação se tornasse quase impossível.


Deu de ombros, e ainda incluso no mesmo clima que o pai, Sehun sorriu.


— Estão bonitas hoje, não é, appa? — Perguntou ao mais velho, logo olhando a mulher. — Por que ele está vestido assim?


Me desculpe senhor Oh, mas ele insistiu em colocar a segunda camisa. Preferi deixá-lo assim porque ficou menos agitado... — A cuidadora respondeu em inglês, enquanto Sehun inutilmente tentava fechar os botões restantes da camisa do pai. Aquilo vinha acontecendo bastante nos últimos dias.


— Appa, que tal fecharmos isto direito? — Perguntou baixinho uma, duas vezes. E na terceira, ainda que as mãos de Luhan estivessem sobre as de Sehun, a tentar impedi-lo, o rapaz insistiu, sussurrando algo ao pai por alguns minutos até que este assentiu, deixando que terminassem de abotoar o tecido azul celeste enquanto Baekhyun permanecia em silêncio, sentindo suas mãos gradativamente mais frias.


— Se precisar de algo, Baekhyun, nós estamos lá dentro — Sehun limpou a garganta assim que arrumou a postura, falando sem desviar o olhar de seu pai. — Daqui uma hora ele tem que tomar o remédio... mas não se preocupe, a cuidadora vira no horário.


— Certo. — Assentiu Baekhyun, sentindo o ar voltar a passar tranquilamente por seus pulmões enquanto a cuidadora sorria de canto, pegando uma das flores do jardim e entregando a Luhan. — E, Sehun, obrigado.


Sehun nada disse após ouvir aquelas palavras vindas em um tom tão doce que o fizera sentir um aperto em seu peito. Sabia bem o que aquela palavra significava mas, naquele momento, após tantos anos, Baekhyun dera a ela mais sentimento do que esperava encontrar. E pode jurar, por menor que fosse o tempo de convivência com o coreano, que aquela palavra tão pequena carregava em si tanto amor que transbordava.


— N-não tem o que agradecer — Coçou a nuca, nervoso — Eu fico feliz que meu pai ainda tenha amigos que l-lembram de si.


Sehun contorceu o rosto em um sorriso e tocou o ombro do coreano, depositando ali dois tapas fracos antes de se afastar em uma postura intimidada. Seus ombros baixos deixavam claro a quem quisesse ver o quão aquele encontro também o afetava. Afinal, Kyungsoo, seu marido, sempre o dissera que um dia aquilo iria acontecer.


Luhan poderia ter esquecido, mas o tal Byun Baekhyun foi, era e sempre seria o amor de sua juventude, e agora ele estava de volta.


A meio caminho da entrada dos dois ingleses, dando-os a chance de matarem a sós a saudade de anos, Baekhyun apenas sentiu seu coração parar quando Luhan abandonou as flores e voltou para perto de si, caminhando timidamente. Exatamente igual a antes.


— Sua casa é linda. — O chinês então sorriu, estendendo a mão — Eu me chamo Lu Han , é um prazer conhecê-lo.


E mais uma vez, o coração de Baek parou. Não exatamente pela pequena confusão quanto ao lugar ou por ele ter apresentado-se a si como se fossem realmente dois estranhos, mas pela fala embolada que Luhan usava. O tom de voz era o mesmo, já a entonação das palavras era feita com um ar de dificuldade impossível de camuflar.


— Eu sou Baekhyun. E o prazer é meu. — O Coreano apertou a mão macia com delicadeza, ignorando o pequeno erro quanto a casa e logo sentando-se na cadeira outra vez, acompanhado agora pela pessoa certa. Era ele, como sempre fora, como sempre seria. Era Luhan em sua essência, por mais que suas memórias não fossem mais tão perfeitas quanto os traços em seu rosto bonito. E aquilo o deixava tão feliz que cada detalhe em Luhan o tornava mais especial, por mais que o chinês estivesse mais interessado em observar as flores de longe do que olhar em seus olhos e ver o quão marejados estavam.


— O dia está realmente bonito hoje, não acha? — Novamente Luhan percorreu o olhar ao coreano, um tanto quanto indiferente a qualquer coisa além de uma resposta para sua pergunta, visto que ignorou o gesto de mão feito por Baek ao afastar as lágrimas de suas bochechas.


— Quando nos conhecemos, não era um dia tão bonito assim. Você lembra? — O coreano o encarou o chinês em silêncio, vendo-o menear um não com a cabeça que o fez sorrir fraco — Tudo bem. Você pode não lembrar, Luhan, mas nós nos conhecemos há cinquenta anos atrás.


Baekhyun deteve a vontade de abraçá-lo e agarrou a mão de Luhan suavemente, e ainda sorrindo ajudou-lo a sentar no lugar a sua frente, sentindo suas memórias renovadas de acordo com o cheiro doce do perfume do chinês, assim como os olhos brilhantes o fitando, curioso.

Exatamente igual.


— X —

Paris, ano de 1967.

Era quase o grande dia e Baekhyun estava assustado. Dentre todos os concorrentes, o coreano era o único artista que ainda não havia começado obra alguma e o tema não estava o ajudando. Sua mente estava em um incêndio total nos últimos dias graças a vergonha que passara ao se declarar a uma mulher — esta que além de humilhá-lo ainda o rejeitou publicamente por um outro — e o fim do mês próximo fazia seu corpo tremer. O aluguel do estúdio venceria pelo segundo mês consecutivo e ele acabaria sendo despejado por não ter como pagar. Estava distante de casa, comia mal e pouco entendia do idioma, mas mesmo com todas as dificuldades não queria sair dali. No auge de seus vinte e dois anos, ele já sabia o quão importante o concurso era para sua carreira. Droga, poderia ganhar notoriedade internacional com ele, se não fossem seus malditos dedos em protesto nas últimas semanas, e dentre seus inúmeros problemas, aquele era o maior deles.


Como viveria de sua arte se ela recusava-se a dar a cara à luz do dia?


Novamente havia levantado pela madrugada para nada. E após pensar até a cabeça doer levantou, cobriu o quadro no cavalete e abriu as cortinas, apreciando a visão do bairro romântico pela manhã. O sol saia preguiçosamente, assim como os poucos comércios da rua começavam a abrir, organizando mesas nos cafés e flores em frente as lojas. Era uma visão tranquila a se ver, bem diferente da região de Pequim, onde viveu dois anos com sua mãe. Movimento intenso a qualquer momento, pessoas sem tempo a perder, em um caminhar robótico em direção aos mais diversos locais, variando de escolas aos empregos. Montmartre, por sua vez, era tranquila a ponto de aliviá-lo um pouco de suas obrigações.


Baekhyun respirou fundo aquele ar frio restante da madrugada, sentindo sua mente finalmente esvaziar um pouco e deixá-lo mais compreensivo consigo mesmo. Reconheceu que estava se forçando demais e precisava parar com aquilo imediatamente, as coisas não iriam melhorar sob tanta pressão. Estava em uma bela cidade, com belas moças e belas histórias poderiam ser escritas. Por que gastar tanto tempo reclamando ao invés de correr atrás da inspiração? Talvez até mesmo fosse certo o que Minseok — seu único amigo na cidade — o aconselhara: artistas precisam adicionar amor a receita. E se Baek nunca tivera ao menos dado um beijo, como saberia retratar em uma tela as sensações de amar?


Sem mais delongas pegou o cachecol e o casaco, e ainda desajeitado saiu apressado do pequeno apartamento, a caminhar pelas escadas como se estivesse atrasado para um compromisso previamente marcado.


Colocou os pés na rua e tomou o lado esquerdo, dando bom dia ao casal que passara ao seu lado e o cumprimentou gentilmente. Gostava daquela sensação de calor humano, que mesmo não sendo tão frequente quanto comentavam em seu país, era bem mais comum do que na Asia. Franceses eram fechados, exceto no momento de cumprimentar estrangeiros — momentos estes nos quais viravam poços de amistosidade e patriotismo. Havia aprendido aquilo na primeira semana no país, juntamente com algumas palavras sujas dentro de um bistrô. Seguiu a rua com as mãos nos bolsos, olhando tudo o que estivesse em volta. O céu, as casas, os vendedores, as pessoas, estas sendo turistas ou não. E fora exatamente assim que encontrara sua primeira refeição do dia, assim como avistou aquele que prendeu sua atenção.


Deitado no chão, batendo as pernas, um jovem garotinho chorava para que lhe comprassem algo que Baekhyun não compreendera por ter repentinamente voltado sua atenção ao vendedor do crepe que estava em sua mão. Mas vira que ali, junto ao pequeno garoto, seu responsável — talvez seu pai — tentava consolá-lo em um idioma do qual bem se lembrava.


— Vamos, Yifan, levante-se! — O rapaz falou em um tom de voz firme, ignorando os olhares alheios enquanto finalmente conseguira levantar o garoto. — Está quase começando a chover, sua mãe não vai gostar de ver suas roupas sujas.


— Você prometeu! Você prometeu! — O garoto esperneou, agora de braços cruzados e sem encarar o adulto. Os cabelos castanhos estavam abrigando gentilmente alguns grãos de areia do chão, estes que Baekhyun sem medo removeu com um acariciar suave no topo da cabeça do pequeno.


— Não grite com ele. — Disse o coreano, usando o mandarim que aprendera com a mãe, mesmo sem ter esperanças de precisar usá-lo depois de ir embora de Pequim, onde a mulher poderia se comunicar em seu lugar. Havia pago o vendedor apressadamente para chegar até os dois desconhecidos antes que o crepe extra esfriasse, e agora, com o olhar brilhante do garoto em suas mãos, não conteve o sorriso ou muito menos o ato de ajoelhar-se para ficar em sua estatura — Era o que você queria? comprei este para você. — Perguntou mesmo sendo óbvio, logo entregando o doce ao pequeno, que não tardou a aquecer os lábios em tom rosa chá.


— Obrigado!


— Disponha. — Sorriu de volta, logo sendo atraído pelo tom de voz do loiro a sua frente. Aquele que o questionara como se tornara fluente em chinês, e tão logo assim o perguntara de onde havia vindo. Luhan era seu nome, tão bonito quanto o rosto macio, e quando a chuva fina começou a cair pelas ruas de Paris, Baek fora convidado a dividir consigo o guarda-chuvas de tom marrom, assim como cedera o colo ao pequeno e seu crepe quente que aqueceram as engrenagens de sua mente artística, mesmo no meio de toda aquela chuva.

— X —


— Naquele dia eu soube, que amor era muito mais do que beijar alguém ou ter quem me ajudasse nas contas. Amar era... exigia dar tudo de si, de bom grado, mesmo que minhas costas estivessem doendo e seu primo fosse um garotinho bem pesado.

Baek sorriu minimamente enquanto lembrava ao outro sobre aquele dia tão vivo em sua memória, vendo seus dedos baterem suavemente sobre a mesa branca que os separava. Cada detalhe naquele primeiro encontro era importante para si, já que ele havia originado um de seus quadros favoritos, o qual estampava na sala de sua casa até os dias atuais e trazia a tona olhares curiosos e comentários tanto positivos quanto negativos.


"La pluie de printemps", o tal quadro, havias ido terminado dois dias após aquele encontro, e com ele Baekhyun havia ganhado em primeiro lugar no tal concurso, assim como havia atraído o olheiro que abriu as primeiras portas que o levaram até onde estava agora. E tudo aquilo graças a Luhan e Yifan, os personagens principais da primeira família que Baek retratou e apresentou como sendo a sua.


— Eu espero que não se importe com isso, mas na época, foi um escândalo para alguns críticos. Eram dois homens cuidando de uma criança, e assim como era absurdo para eles, o juri fixo avaliou como inovador. — Ele explicou, e assim que terminou de falar tomou o último gole de seu chá servido e suspirou, admirando o olhar perdido de Luhan enquanto o vento movia seus cabelos finos suavemente. Era uma visão airosa e nostálgica, graças a imagem vívida do jovem Han sempre refletida naquele homem de idade. Com toda a sua beleza, elegância, e agora experiência de seus pouco mais de setenta.


Segundo uma rápida olhada em seu relógio de pulso, a conversa quase solitária — a julgar pelas poucas palavras e exclamações do chinês — havia durado por mais tempo do que o esperado, mas ao contrário do que temia, o outro apenas continuava a brincar com a flor que havia ganho da cuidadora, como se estivesse atento para que Baekhyun voltasse a falar consigo, sem pausa, sem pressa. Atraindo o coreano como um imã atrai o metal, e trancando-o dentro de seu coração intacto.


Admirando as feições bonitas do chinês, sem emitir qualquer som, o coreano sorriu para os fios em um quase tom de ouro tão bem penteados. Ele estava bem arrumado, as roupas sem amasso e o perfume amadeirado suave não deixavam de esconder aquilo. Tão lindo, ele pensava. Era como olhar para o passado e enxergar o mesmo homem que conhecera.

Baekhyun sabia muito bem o quão vaidoso Lu Han fora na juventude, e graças a isso era o alvo de todas as mulheres em volta. Ele era incontrolavelmente belo como um dia de verão, do tipo que transformava suas pretendentes em sorvetes gourmet derretendo-se em questão de segundos. Boa lábia, bons lábios também. Luhan assim havia conseguido adentrar nos pensamentos de todas as jovens francesas, e mesmo sem querer, no coração de Baek também.


Porque a primavera de 1967 havia sido lenta e o verão fora gostoso de se passar ao lado do chinês, conhecendo-o e matando a saudade de ter alguém para desabafar — visto que Minseok não era a melhor pessoa para se pedir conselhos. Mas assim que o outono veio o coreano notou que não foram apenas as folhas das árvores que ganharam um tom mais vermelho, pois suas bochechas ficavam cada vez mais coradas quando Luhan vinha até si, chamando-o para passar a noite em alguma de suas festas costumeiras.


— Sabe, em outro tempo, esse silêncio não aconteceria. Você odiava isso, quando eu ficava calado demais. — O coreano desceu o olhar, encarando a flor nas mãos do chinês.


— Sério? — Luhan perguntou curioso, ao que Baek assentiu e apoiou os cotovelos na mesa, voltando a manter contato visual com o mais velho e devolvendo o sorriso gentilmente.


— Você me dizia "Yah, Baekhyun, se quer ficar em silêncio precisa me ensinar os segredos da sua mente antes". — imitou a voz do mais velho, ficando com um tom rouco e nada parecido com o dele, porém, acabou se surpreendendo ao ver então uma das coisas mais lindas do dia.


Luhan esboçara um curto, porém lindo sorriso em seus lábios.

— X —


Montmartre, Paris. Ano de mil novecentos e sessenta e oito.

— Ya, Baekhyun, ande logo com isso! — Luhan o puxara pela mão mais alguns centímetros, parando em frente a porta da casa de dança. — Ande, volte e fale com ela!


— Não consigo. — O coreano choramingou, batendo o pé de maneira infantil contra o chão úmido pela chuva que a pouco havia parado.


— Ya... você é quieto demais! — Luhan reclamou com as mãos na cintura, fazendo Baekhyun aliviar um pouco a mente e rir da cena.


Aquela era uma das noites de festa em Montmartre, Baek havia conseguido se sair bem nos últimos dias e estava livre para sair. Mulheres bonitas dançavam por todos os lados, e até mesmo havia avistado, escondidos pela cortina carmesim dois homens trocando algumas carícias, e ainda assim Baekhyun recusava-se a puxar qualquer uma delas para dançar, já que por mais que ainda estivesse disposto a provar do tal amor como nunca estivera antes, sabia que não levava muito jeito em encantá-las ou puxar assunto como os outros homens. Mesmo quando queria falar com alguma mulher que não fosse de sua família, sempre acabava enrolado em meio a palavras difíceis e aquilo era constrangedor a ponto de traumatizá-lo.


Nada muito positivo visto que não era o único homem no lugar, e ao contrário de si, os outros não temiam em convidar, uma a uma, suas preferidas para dançar.


— Acho melhor ir embora. — Comentou baixinho com o amigo assim que cessaram as risadas, lembrando-se de que sua última candidata da noite havia sido convidada para dançar momentos depois de ter saído correndo do lugar em um ataque de pânico momentâneo.


Estava a dar o terceiro passo para longe do lugar quando Luhan segurou seu braço outra vez, o puxando.


— Você não vai a lugar nenhum! — O chinês afirmou, soltando o outro apenas quando este o encarou com o semblante triste e se abaixou, sentando de qualquer jeito na calçada úmida. — O que houve, Baekhyun?


O coreano fechou os olhos quando sentiu uma das pernas de Luhan encostar na sua conforme sentou-se a seu lado, tratando de encarar o poste de luz a sua frente com uma devoção quase religiosa. O coração de Baekhyun ainda batia tão forte que temia que o outro pudesse escutar o som. Já que o toque de Luhan nada mais era do que a causa daquela alteração.


— Como você consegue, falar com elas? Parece tão fácil com você. —A pergunta viera tão baixa que quase soara como um pensamento alto do coreano, o que fez o jovem Han sorrir fraco, passando o braço por seus ombros.


O fato era que por mais que aquela fosse uma desculpa para tentar se tranquilizar, Baekhyun sabia que Luhan realmente tinha facilidade com as garotas, ele era tão natural que chegava a ser invejável. Mesmo que o chinês dissesse que era sem querer, todas estavam a seus pés. Aquilo, no fundo, deixava Baekhyun nervoso e curioso.


— Não há qualquer dilema nisso, Byun. Apenas vá até uma moça que agrade seus olhos, mostre que é tão bom quanto ela e faça com que queira tê-lo a seu lado em uma dança. — Luhan suspirou, pondo-se de pé a frente de Baek. — Vamos, tente comigo.


— O quê?! — Baekhyun arregalou os olhos quando o outro sugeriu aquilo, logo pondo-se a mexer em seus cabelos e colocando as mãos na cintura, por baixo do casaco marrom.


— Eu sou uma bela moça, e você virá me chamar para dançar. — Continuou como se fosse óbvio, deixando o rosto de Baekhyun completamente quente e envergonhado. Estavam no meio da rua, e por mais que fosse tarde da noite, ainda assim o coreano sentia milhares de olhares sobre os dois, o que apenas piorou quando o mais velho começou a pigarrear, ensaiando uma voz aveludada.


— Isso é engraçado. — O coreano comentou sincero, vendo o outro revirar os olhos, ainda com as mãos marcando a cintura sem curvas.


— Ande logo, ou serei obrigada a falar com aquele belo chinês do outro lado do salão.


O Han parecia realmente focado na personagem naquele momento, mesmo que ainda alimentasse seu ego através dele. Não havia muito o que fazer ali além de rir e tentar evitar aquela situação, mas Baek decidira dar uma chance ao momento, colocou as mãos no bolso e tentou ser o mais charmoso possível.


Era sua chance de fazer diferente, além do que a tal moça a sua frente lhe parecia realmente atraente como as estrelas no céu.


—Certo... Olá.


Olá, monsieur. Como vai? — A resposta de Lu Han fora rápida, assim como sua simulação de dança mal ensaiada, sem tropeçar uma vez sequer ou perder o foco do coreano que já sentia seu estômago revirar quando abriu um sorriso em direção ao mais velho.


E fora assim que, mesmo sem querer, Luhan também perdera-se da primeira vez naquele sorriso retangular.


A brisa fria que batera contra os corpos em seguida pouco fora sentida, afinal, a atenção inteira de Lu Han estava bem acomodada em avaliar os traços ainda mal descobertos no rosto do coreano. Como aquela pinta no lábio inferior, ou a pálpebra única e os olhos preguiçosos que davam-no um charme quase meticulosamente projetado para deixar o chinês sem piscar os olhos.


E do outro lado, em uma explosão de cores e preso no perfume amadeirado, Baekhyun lutava bravamente para conter seus sentimentos e suas mãos geladas e molhadas de suor. Lu Han nunca havia sido alguém que gostava de encarar, então por quê aquele contato estava durando tanto? Por quê ele não conseguia cortar aquele olhar, virar e ir para casa sozinho?


— Você é muito linda. — Ainda sem pensar direito, apenas encarou o par de olhos escuros enquanto elogiava-o, fazendo Luhan rir quando em um passo rápido, girou os corpos em uma dança embalada pelo som abafado vindo da festa.


E ali não haviam passos errados. Mas se houveram, Lu Han também não os sentiu. Estava ocupado demais descobrindo o quão atraente Baekhyun pareceu, pela primeira vez em quase seis meses. Os cabelos castanhos caídos sobre os olhos o deixavam tão inocente que se não o conhecesse diria que era muito novo do que realmente era. Os olhos brilhantes então... eram a perdição do Han. Assim como seu pomo de Adão marcado a cada gole que dava em meio ao nervosismo pareceu tão bonito aos olhos de Baekhyun que, pela primeira vez, o coreano assumiu que achava adorável aquele detalhe em alguém.


E no meio daquele clima, daquela dança e das respirações tão próximas, Baek apenas sentia os pés abandonarem o chão, levando consigo todo o medo de pedir, de conversar, de amar. Afinal, ali não era outra garota como as da festa, e sim Lu Han, o amigo que o deixava nervoso mas que sabia que poderia confiar.


— O que acha de dançar a noite inteira comigo?


Porém, o chinês o trouxe de volta ao dar uma risada baixa, e o encarando com um ar superior, largou a mão do Byun e o olhou de cima a baixo.


— E por que eu dançaria com você?


O sorriso de Baek Hyun se desfez tão rápido quanto a dança de mentira.


— Como? — Incrédulo, o mais novo encarava a pose desfeita daquele homem a sua frente.

O Han dera uma risada mais alta enquanto encarava a expressão fechada do amigo. Ele ficava realmente adorável quando se zangava, e naquele dia, Luhan fez questão de decorar cada passo de Baek quando este ameaçou atravessar a rua e ir para casa sozinho. Dramático.


— Vai desistir tão fácil? — Perguntou. Dessa vez, usando seu timbre de voz natural enquanto correu na direção de Baek, que apenas virou para si e assentiu, juntando as mãos enquanto se explicava.


— O que posso fazer? ela, você — Corrigiu. — Não quer.


A expressão triste do coreano muito pouco dizia sobre a real sensação em seu peito, que, na verdade, nada tinha a ver com ela. Era ele. Lu Han estava tão próximo, tão alcançável e tão bonito, mesmo com aqueles suspensórios que seu coração simplesmente gritava para que fosse adiante e deixasse que seus sentimentos tomassem a frente do momento. Era aquilo era o que o atingia.


Quando Lu Han deixara de ser um homem bonito para se tornar um homem atraente justo a seus olhos? Se soubesse a resposta, teria voltado no tempo e fechado os olhos.


O estômago de Baek revirava em uma confusão sem fim, e ainda sem ajudar em nada, Luhan apenas piorou tudo quando, em um impulso, pôs-se a sussurrar rente ao ouvido do castanho.


— Então insista, Byun Baekhyun. Mostra-me o seu melhor.


O corpo do coreano arrepiara-se involuntariamente com o sopro da voz. Ele fechou os olhos, apoiando outra vez as mãos nos malditos suspensórios do Han. Tão lindo.


— Dance comigo. — Sussurrou de volta, em uma quase súplica, ao que Luhan aproximou-se ainda mais, entrelaçando seus dedos e mantendo as testas quase coladas.


— Ainda não. — Resistiu no mesmo ponto. Sua respiração estava pesada como a do amigo, mas não permitiria a si mesmo dar o braço a torcer. Luhan era orgulhoso demais para comentar que também estava se sentindo diferente naquela noite. — Vamos, dê-me mais.


Eu quero dançar com você. — Frisou Baek, segurando os pulsos do Han. Mas ao senti-lo desvencilhar-se do toque e encarando-o com um olhar diferente o coreano sentiu o rosto queimar por culpa daquele maldito impulso.


— Não é assim que funciona. — Luhan apenas se afastou outra vez, encarando o outro com uma expressão um pouco espantada e deixando Baekhyun ainda mais constrangido com a cena conforme passaram a caminhar de volta para dentro da festa.— Você quer uma parceira ou uma prisioneira? Seja sutil. Doce, mas não a engasgue. Seja natural, mas surpreendente. — Estalou a língua. — Ande, deixe-me tentar.


A momentânea mudança em Lu Han fez com que o mais novo despertasse outra vez, fazendo uma careta engraçada e parando ao pé da porta.


— Não quero ser a garota para você. — Luhan riu baixo, vendo o amigo cruzar os braços com a declaração e tornando a aproximar os rostos.


— Seja o garoto então, e dance comigo a noite inteira.


— Como o casal estranho naquele canto?


— Como duas pessoas que se merecem.


— Isso é um pouco difícil... — Murmurou ao primeiro passo, encarando os olhos condenadamente castanhos de Luhan em sua direção.


— Se fosse fácil, não teria graça alguma.


Baek teve vontade de balbuciar algumas palavras, mas sua garganta estava tão seca que engolia com dificuldade. Luhan não parava de encará-lo com quele olhar analítico por um segundo sequer, e tudo o que se passava em sua mente era o desejo de aproximar-se novamente do amigo e despejar em si tudo o que sentia.


— Então você gosta de coisas difíceis? — Perguntou ainda dificultoso, encarando a festa e as pessoas entretidas com o som da música alta.


— São elas quem tornam o mundo um lugar interessante de se conhecer. — Luhan sorriu. O sorriso mais confiante que já tinha dado em toda sua vida. — Agora vamos, quero ver se sua dança é melhor do que sua lábia.— Concluiu em seguida. E mesmo que tudo aquilo ainda revirasse seu estômago, Baekhyun acabou aceitando a mão estendida a sua frente, apertando seus dedos contra os do chinês enquanto ele o puxava em direção ao salão.


Naquela noite, de fato, Baekhyun pisou mais vezes do que deveria nos pés do Han. Assim como o fez rir, chorar e elogiar seu perfume depois de tantos goles de Daikiri. Fez com que desabasse em seus pés e pedisse colo de uma forma que nunca imaginou que o veria. E depois de tudo aquilo também o fez conhecer uma noite inteira na cama em seu quarto, já que não sabia onde ele morava. E no outro dia, descobriu que gostava de Lu Han ainda mais, com todas as fraquezas e forças, ele o amava. Um amor de dois homens que se mereciam muito, e que agora, sabia que era tão recíproco quanto difícil de proteger.


Mas quem se importava? as coisas difíceis também estavam deixando seus dias mais doces.



— X —

— Beba tudo, certo? Pode ter um gosto ruim no início mas logo você se acostuma.


— Obrigado.


Minseok, o amigo de Baek, tentava amenizar a ressaca de ambos com uma sopa, aliviando a sensação de fraqueza e sono que tomava os corpos franzinos.


Ele havia chegado ainda pela manhã e encontrado aqueles dois abraçados sobre a cama, o que o deixou um pouco sem graça na hora de acordá-los e devolver um dos casacos que o Baek Hyun havia lhe emprestado, e embora a situação exigisse uma análise melhor, acabou ignorando tudo ao ver o quão preocupado ele havia se portado com aquele estranho desde que acordara.


Tocando o seu rosto a todo instante, perguntando como se sentia e se desculpando por algo. E ele nem mesmo usava o idioma local ou inglês como intermédio. Era tudo dito em um mandarim o qual Minseok não sabia que o amigo aprendera.


Quando ficaram no campo de visão um do outro, Lu Han e Baekhyun pareciam não ver mais nada ao seu redor, muito menos o olhar pesado de Minseok, cheio de um desejo incontrolável de por aquele estranho para fora e fazer com que nunca mais ficasse entre si e o outro coreano.
E aquilo tudo era tão difícil que seu estômago revirou várias vezes enquanto tentava medicá-los e fazê-los tomar banho e comer. Portanto, logo que Baek terminou de se alimentar e caminhou sozinho até a cozinha, Minseok não pensou duas vezes antes de ir atrás e questioná-lo.


— Você pode me explicar o que está acontecendo aqui? — Sem qualquer rodeios e em seu idioma nativo, Minseok lançou a pergunta como se lança uma flecha, acertando em cheio Baekhyun, que virou-se ainda com as mãos lotadas pela espuma de sabão.


— Luhan e eu saímos pela noite, e acabamos relaxando demais com as bebidas. — Disse baixinho, logo voltando a pia. Baekhyun estava com dor de cabeça o suficiente para querer evitar lembrar de tudo da noite passada, inclusive, das declarações que ouvira antes de dormir.


As quais ainda não sabia se acreditaria ou fingiria terem sido fruto de um sonho. De qualquer forma, um sorriso adornou seus lábios ao lembrar delas.


— Não falo disso. Falo sobre vocês dois.


O corpo inteiro de Baekhyun arrepiou com aquela frase.


— Como assim? — Juntou forças e secou as mãos, ousando suportar o olhar do coreano de madeixas escuras sobre si. O modo como ele o encarava fazia Baekhyun pensar que Minseok não se daria por satisfeito tão logo.


— O que esse cara é para você, e a quanto tempo vocês estão desse jeito?


E ele havia acertado em cheio.


Minseok apoiava os cotovelos na bancada da cozinha, esperando uma resposta convincente para tudo o que havia presenciado, e na direção atrás de si, Baek conseguia vislumbrar Luhan a comer tranquilo, alheio a tudo o que estava acontecendo na cozinha.


Ele sabia que Minseok não costumava ser alguém curioso, então quando perguntava por algo ele já tinha plena certeza do que acreditava ser a real resposta. E embora fosse seu melhor amigo, já tinha a sensação de estar em um verdadeiro interrogatório. Sua garganta estava seca e sua cabeça latejava em busca do que dizer ao amigo, mas ao fim, o Byun apenas decidiu passar direto por si e dar a conversa por finalizada. O que teria concluído com sucesso caso Minseok não tivesse o segurado pelo antebraço quando tentou passar a seu lado.


— Ainda não terminamos.


— Para mim, sim. Pare com isso — Sussurrou, batendo na mão do outro para que lhe soltasse. — Não sei do que você está falando.


— Não sabe? Pois estou falando de você estar envolvido com aquele homem. Isso está na cara, Baekhyun. A forma que vocês olham um ao outro, como conversam... vocês até mesmo dormiram juntos. EU VI! — Falou Minseok um tom mais alto, explodindo totalmente todo o rancor que havia adquirido naquele pouco tempo em que descobrira aquela situação. Baekhyun ergueu o punho fechado para acertá-lo, sem sucesso, já que o Kim desviou, esbarrando a mão em uma pilha de pratos que fez Luhan erguer-se da mesa.


— Baekhyun, o que houve?


— Minseok deixou a louça escorregar. — Sorriu para a sala, em seguida dando um olhar mortal para o coreano a sua frente. Teria que controlar a vontade de, pela primeira vez, fazê-lo calar a boca.


— E qual o problema em dormir com Luhan, Minseok? a vida é minha — Baekhyun bravejou, ainda que em um tom quase sussurrado — Entendo que você se preocupe e agradeço por se importar, mas você não pode controlar ou criticar a minha vida!


— Não estou fazendo isso, apenas quero alertá-lo. — Sussurrou de volta, nervoso. — Se fosse qualquer outro a vir aqui e dar de cara com aquela cena, você não estaria vendo esse cara comendo tão tranquilamente à mesa. Você o ama, Baekhyun. Eu sei disso porque é a primeira vez em que o vejo agir assim. — Falou sincero, mesmo que soubesse que não era a seu favor dizer aquilo. Luhan havia tornado oficialmente seu rival.


Baekhyun não se forçou a muito mais do que desviar o olhar direito ao chinês, admirando outra vez o homem que o fazia sentir coisas tão estranhas. Ele estava apaixonado, pela primeira vez? Mesmo que compreendesse a dimensão do que sentia, tudo ainda parecia tão confuso.


— O que faço agora, Umin? — um fio de voz saiu de sua boca, o tom era quase choroso, desesperado. Amar exigia demais de si, mesmo que estivesse cada segundo mais disposto a se sacrificar.


Minseok o observou incrédulo, segurando seus ombros, aquilo não era exatamente o que esperava. Como conforto, o mínimo que desejava era uma negação por parte do Byun.


— O que te fizer mais feliz do que essa situação toda. — sugeriu ácido, e ainda em um tom hesitante, saiu apressadamente da cozinha e pegou seu casaco ao lado da porta. — Eu preciso ir para casa, foi um prazer, Luhan. — Foi tudo o que disse antes de sair, deixando que a corrente de ar frio do corredor chegasse até o cômodo e escondendo suas mãos nos bolsos do casaco.

E do lado de dentro, assim que as mãos grandes e pouco confortadoras abandonaram seus ombros, Baekhyun sentiu o chão mais frágil abaixo de si. O que o faria mais feliz do que amar Luhan de todas as formas que fosse capaz? De beijá-lo, fazê-lo sorrir, dividir consigo uma vida inteira?


Não sabia responder. Graças a aquela sugestão martelando sua mente, tudo o que enxergou pelo resto daquela semana foram os lados negativos em ficar ao lado do chinês. Na semana seguinte, sentiu medo de fazê-lo sofrer e acabar tornando sua vida mais complicada.
E quando a terceira semana chegou, tudo mudou. Enquanto Luhan tentava compreender porquê a porta do apartamento estava trancada, Baekhyun enxugava as lágrimas e torcia para que ele encontrasse sua carta só depois que o trem em que estava tivesse partido daquela cidade. Assim como torceu, por longos anos, para que tudo o que as cartas de Minseok lhe diziam fossem mentiras para que não voltasse. Em 1992, torceu também para que aquela tal namorada de Luhan fosse um pretexto para que o esquecesse de vez, e no ano seguinte, para que aquela criança sendo gerada não fosse de Luhan, mesmo que isso fosse completamente egoísta.


Torceu, e torceu por anos. Até que um dia Minseok foi atrás de si, e oferecendo todo o amor que dizia sentir, se propôs a ajudar Baekhyun a esquecer o selo repetido de floralies orleans, assim como o florista que roubou seu coração.

— X —


— O dia estava tão bonito, não acha, Baekhyun? — Perguntou o chinês, sorrindo e mordendo os lábios de forma que o coração de Baek ameaçou derreter.


O Byun não conseguia tirar o olhar do sorriso de Luhan, tanto que não lembrava quando haviam se levantado ou quando a cuidadora havia chegado até eles, logo pondo-se enfim a convencer o Han de retirar a camisa azul e tomar os dois comprimidos de tom laranja em sua mão. No início ele hesitou, disse que não precisava, que não sentia sede e não queria de jeito algum. Mas Baekhyun o fizera beber os comprimidos e, em seguida, voltaram a ficar a sós.


Lu Han, após algum tempo em silêncio, passou a se abrir mais ao outro conforme as horas se passavam. E assim que Sehun decidiu pôr alguns dos discos favoritos do pai para tocar, o chinês pareceu se tornar outra vez no rapaz de cinquenta anos atrás e, sem medo algum, puxou o Byun para dançar consigo.


E Baekhyun sorria para o Han por mais que não recebesse um sorriso de volta. Assim como Sehun e Kyungsoo, recém chegado do escritório, os observavam em silêncio, tentando controlar a sensação de aperto que sentiam, lembrando-se de cada uma das histórias de Luhan sobre seu primeiro amor. Dizendo o quanto o amou a vida inteira e que o receberia de braços abertos caso algum dia decidisse voltar. Mas agora o dia estava chegando ao fim, e Lu Han nem mesmo lembrava-se mais quem era aquele homem.


— Está lindo, Lu. Muito lindo. — Concordou Baekhyun, vendo o sorriso do outro se abrir enquanto dançavam lentamente em meio ao jardim.


— Esta é a sua casa? — Os olhos brilhantes do Han o prenderam por alguns minutos antes de conseguir responder. A casa era dele a mais ou menos vinte anos. Aquilo doera tanto no peito do Byun que seus olhos lagrimaram quando finalmente conseguiu responder.


— Estamos na nossa casa, Lu. — Praticamente sussurrou, abraçando o outro e aproximando os lábios de seu ouvido. — Você, Han Lu, vive aqui a mais tempo do que eu. E Sehun, aquele rapaz que estava conosco mais cedo... — apontou — Bem, ele cuidou de você enquanto eu não estava aqui.


Para o coreano, aquilo era como conversar com uma criança. Baekhyun havia sido tão delicado com suas palavras que temeu soar infantil, mas para Luhan aquela resposta havia sido excelente, já que os dois homens na janela coraram ao serem notados e logo sumiram outra vez, deixando-os a sós.


— Sehun é muito educado. É um rapaz bonito também.


— E ele parece muito com você quando era jovem. — Baekhyun sorriu, recebendo um aceno positivo de Baek, que tirou a flor de suas mãos e afastou seu cabelo, prendendo-a atrás da orelha. — Você era mais lindo do que imagina, Lu.


— Você me conhecia? — Perguntou, curioso.


— Sim, muito. — Respondeu o Byun, colocando ambas mãos no rosto do Han. — E eu sei tudo sobre você. O que gosta, o que come, o que odeia. Tudo.


O coreano encarou aqueles olhos castanhos com intensidade, como se tentasse a todo custo fazê-lo lembrar de si naquele dia. Enquanto isso, Luhan sentia suas bochechas quentes, totalmente encantado com algo em Baekhyun além do fato de estar usando o perfume que considerava seu favorito. Não lembrava bem da primeira vez em que o sentiu, mas tinha a vaga imagem de uma pessoa com fios castanhos deitada em seu peito, em uma cama onde aquele mesmo perfume era evidente. Tinha certeza que não se tratava de Katherine, mas nunca teve coragem de sanar a dúvida. A primeira vez em que sentira aquele perfume fora naquela cama, e a última, em Baekhyun. Seus anos como florista jamais o permitiriam confundir aquele aroma cítrico.


— Eu gosto de muitas coisas.


— Sim, é verdade.


— Mas e você, do que gosta? — O Han praticamente sussurrou, preso nos olhos de Baekhyun.


Aquela era uma pergunta difícil. Baekhyun poderia dizer que gostava de sua vida em Toulon, que gostava do sucesso que adquirira ao longo de sua carreira, ou que gostava de vir todos os anos a Londres, apenas para procurar Baekhyun no Chelsea Flower Show e admirá-lo de longe, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, os lábios de Luhan pressionaram-se contra os seus, cortando aquela distância que a tanto tempo o atormentava, o fazia sentir dor. Era um toque quente e carinhoso o qual sonhara por muitos anos em dar, apenas a Lu Han, para que sentisse o quanto o amava e o queria como seu.


Baekhyun o amava tanto que seu peito doía, e quando aquele beijo acabou, não hesitou em colar as testas e manter os olhos fechados, tal como o Han também o fez, sentindo seu coração acelerar estranhamente.


— Eu gosto de você, Lu Han. E sempre, para sempre vou gostar. — A lamúria na voz do coreano era compreendida a muitas e muitas milhas. Eram anos amando alguém que não podia tocar, e tudo por sua própria culpa. Como gostaria de ter lutado mais, de ter agido mais.


De ter amado mais. Da forma que Baekhyun merecia.


— Eu te amo, Lu. — Sussurrou, sentindo sua garganta finalmente se livrar de todo aquele bolo de remorso que sentira por anos. — Eu vou te amar para sempre, mesmo que eu precise todos os dias lembrar a você quem sou, e fazê-lo apaixonar-se por mim muitas e muitas outras vezes.


Aquela altura, as lágrimas já desciam pelas bochechas de Baekhyun sem qualquer medo de parecer fraco. Seu coração doía e pesava tanto, mas estava feliz ao mesmo tempo. Não sabia direito o que sentia e isso o frustrava, porém, quando Luhan subiu uma das mãos até sua bochecha e secou suas lágrimas, por mais que não as compreendesse, o coreano sorriu.


— Eu vou lembrar disso. — Luhan respondeu em um fio de voz, ao que Baekhyun lhe sorriu gentil, retirando a flor que prendera em seus cabelos.


— Eu sei que vai, Baekhyun.

Não importava quantos anos haviam se passado, o que Sehun havia dito ou o que os médicos diagnosticavam. Com lembranças ou não, para Byun Baekhyun, o grande amor de sua vida seria sempre o mesmo. Sem mudanças.

Para sempre, Lu.

20 de Julio de 2018 a las 17:02 0 Reporte Insertar 0
Fin

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Ashley Mei mum. That means silent, keep quiet, mute, reticent. Ficwriter from Fanfic France. Aries. 22. Language student.

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