Um romance (não) autobiográfico Seguir historia

des_colonizada Nanda

(...) não é como se alguém precisasse saber que aquele seu romance era um tantinho — talvez muito — autobiográfico. Certo? [Fluffy | Baeksoo]


Fanfiction Bandas/Cantantes No para niños menores de 13.

#fluffy #lgbt #baeksoo #exo
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Um romance nada autobiográfico

Um romance (não) autobiográfico

Por des_colonizada



Frustrado era um eufemismo muito do vagabundo para definir a atual situação de Kyungsoo. Fazia exatas duas horas que tinha se sentado em frente ao computador para dar sequência a seu livro e, durante todo esse tempo, havia conseguido escrever míseras dez linhas — linhas essas que ele estava achando uma bela de uma porcaria, diga-se de passagem.

Escrevia romances desde que conseguia se lembrar e esses surtos criativos eram relativamente comuns. Apesar disso, nunca soube muito bem como lidar com eles. Já não sabia o que fazer, há dias que a inspiração vinha fugindo, o impedindo de dar sequência ao trabalho atual e, por mais que se esforçasse e tentasse pra valer, as palavras insistiam em não vir. Preocupante. Tinha prazos a cumprir, seu editor não parava de apressá-lo e nada dele conseguir escrever algo minimamente decente e publicável.

As coisas ao seu redor também não pareciam cooperar para sua situação. Do lado de fora da janela, um barulho constante de carros e buzinas se fazia presente em seus ouvidos. Também havia um burburinho constante de vozes pertencentes aos transeuntes. Sabia que não devia ter se mudado pra um apartamento tão próximo do parque municipal. E logo no primeiro andar, por Deus!

Do lado de dentro, as circunstâncias não eram assim tão diferentes. O vazio do apartamento gritava em todas as coisas. O relógio que tiquetaqueava constante, como se fizesse questão de deixá-lo ainda mais aflito com o passar das horas, o farfalhar das cortinas quando o vento transpassava por entre a janela aberta e, em algum canto, o miado de suas duas gatinhas de estimação — Lola e Minnie — se faziam presentes também.

Suspirou cansado. Na tela do computador, o cursor ainda piscava sem parar, como se o julgasse e declarasse o quão perdedor era por não conseguir fazer o que tanto ama. Passou a mão pelos cabelos há muito bagunçados e deitou a cabeça sobre o tampo da mesa, se permitindo um momento de autopiedade.

Sinceramente, não sabia mais o que fazer. Já tinha tomado meia dúzia de xícaras de café, já tinha olhado umas imagens na internet pra ver se ajudava, mas nada dava certo. Estava empacado como uma mula velha e não sabia nem como sair daquilo tudo.

O celular começou a tocar, mas Kyungsoo não fez questão de sequer verificar de quem se tratava, que ligassem depois. Ou nunca mais, não se importava. Acontece que o “depois” não durou nem um minuto inteiro. Praguejando até a última geração do filho da mãe, levantou o rosto da mesa e pegou o aparelho, soltando mais um suspiro ao ler o nome de Baekhyun brilhando constante na tela.



— Merda. Tinha que ser logo agora? — Não que não gostasse de receber ligações do namorado, longe disso, mas acontece que Baek era perceptivo. Até demais, pro gosto de Kyungsoo. E é claro que ele ia perceber algo na sua voz, não é como se fosse bom em disfarçar as coisas também. Resignado, atendeu a chamada antes que caísse na caixa postal novamente. Baekhyun odiava quando sabia que estava em casa e não o atendia.



Alô, Baek. — Tão seco quanto um deserto. Se estapeou mentalmente. Merda. Merda, merda, merda.



Oi, meu amor. Tá tudo bem? — Perguntou com aquele tom todo preocupado dele.



Tá sim, só um pouco cansado. Não era de todo mentira, realmente estava cansado. Talvez muito além do considerado saudável. Merda.



Tem certeza que é só isso mesmo? Quer que eu vá até aí te fazer uma massagem, um carinho?



Era bem a cara de Baekhyun mesmo, procurar uma desculpa pra ir até a sua casa e lhe encher de carinhos e beijinhos ao pé do ouvido. Kyungsoo era um puta de um sortudo por ter alguém como ele do lado pra dar aquela levantada nos ânimos.



— Não precisa Baek. Eu sei que você precisa estudar, não quero te atrapalhar. Vou tomar um banho e dormir um pouquinho, amanhã tô novinho em folha.



Ah, mas nada disso! Cê sabe que nunca me atrapalha, amor. E, além do mais, eu já estudei mais que o suficiente, se eu precisar abrir mais uma vez esse livro de anatomia hoje eu juro que me jogo da janela.



Kyungsoo soltou uma risada pouco contida. Ninguém conseguia ser mais exagerado que o Byun. Resistiu um pouco mais à oferta do outro, porém não com tanta ênfase quanto julgava necessário. Acontece que estava precisando mesmo do colo do outro, ainda que fosse difícil admitir pra si mesmo — e pra ele. Além disso, sabia que o loirinho arranjaria um jeito — qualquer um — de convencê-lo do que queria. Afinal das contas, essa era mais uma das especialidades dele, além de ter beijos gostosos e fazer uma massagem divinamente relaxante, é claro.



Então tá. Estamos combinados assim e em vinte minutos no máximo eu tô chegando. Sai desse computador, que eu sei que você deve estar escrevendo e vai tomar um banho bem gostoso e me esperar.



Baekhyun era mesmo um belo de um filho da mãe que sabia de tudo. Pra falar a verdade, às vezes, essa intuição dele irritava um pouco, mas não podia fazer nada, era quem ele era afinal das contas. Encerrou a ligação, levantou-se da cadeira e rumou até o banheiro para tomar um banho quente e demorado e esperar o outro, como sugerido por ele.

De banho tomado e devidamente vestido no pijama mais confortável que encontrou no meio da bagunça que era seu guarda-roupas, Kyungsoo se encontrava jogado de qualquer jeito no sofá cor de vinho de sua sala de estar. Já tinha se passado uns bons quinze minutos desde que finalizara a ligação com o namorado, então era provável que ele já estivesse por perto. Resolveu ligar a TV — a qual não dava tanta importância e não ligava há tempos — para tentar se distrair um pouco enquanto aguardava a chegada do Byun.

Menos de cinco minutos e muitas zapeadas de canais depois, finalmente pôde ouvir o barulho das chaves na fechadura da porta de seu apartamento. Baekhyun tinha a chave, então não era como se precisasse de sua autorização ou de tocar a campainha antes de entrar, há muito já tinham passado dessa fase do relacionamento — aquela em que se pisa em ovos, em constante questionamento sobre a opinião do outro, aquela em que a intimidade não é tão presente.



●●●



Foi com um desinteresse muito do fingido que aguardou a entrada do loiro na mesma posição em que se encontrava antes. Como se não ligasse ou se importasse o suficiente para se dignar a levantar — uma bela de uma mentira, que fique claro. Conseguiu ouvir de onde estava o momento exato em que o outro passou pela porta e a trancou novamente pelo lado de dentro. Alguns passos e ele estava ali atrás de si, depositando um daqueles beijinhos castos por detrás de sua orelha. Simples que só, mas que deixou Kyungsoo todinho arrepiado e com as bochechas coradinhas de uma vergonha que não lhe era tão conhecida assim. Esse era apenas mais um dos efeitos que Byun Baekhyun possuía sobre si.



— Ei, docinho. Um passarinho verde me contou que tinha alguém precisando de uns beijos e de uma massagem bem gostosa aqui nesse endereço. Isso procede? — Filho de uma mãe. Baekhyun era um provocador nato e Kyungsoo era facilmente moldado e convencido a qualquer coisa que ele propusesse, tudo por conta daquela sua voz aveludada sussurrada assim, coladinha em sua orelha.



— Ah, procede sim. E como procede. — Já tinha desistido de tentar parecer indiferente. Sua voz era fraca ao responder, era difícil pensar com tanta clareza e agir de um modo minimamente coerente quando se tinha o amor da sua vida respirando leve no seu pescoço.



— Então tira essa camisa, senta direito e me deixa trabalhar, vai.



E foi o que fez. Arrancou a parte de cima do pijama com um pouco de pressa e se ajeitou melhor sobre o sofá, abrindo espaço para que Baekhyun se ajeitasse sentado atrás de si, e se deixou levar pelos toques que ele havia começado em seus ombros. Era quase que instantâneo sentir os músculos das costas relaxando, um atrás do outro. Dava até pra esquecer um pouco de toda a frustração com o capítulo não concluído de seu livro.

Nenhuma palavra era trocada naquele momento, tudo que se ouvia eram os barulhos externos, os quais antes incomodavam e atrapalhavam Kyungsoo, mas que agora pareciam irrelevantes e até serviam como uma espécie de trilha sonora para o momento tranquilo. Baekhyun tinha mãos espetaculares — era o que todos que tinham oportunidade de ter contato com elas diziam sobre o estudante de fisioterapia—, que faziam um trabalho maravilhoso de deixá-lo todo molinho e relaxado.

Os lábios de Baekhyun passaram a fazer companhia às mãos e entraram em contato com a pele desnuda das costas do moreno. Kyungsoo deixou um suspiro deleitoso escapar por entre os lábios.



— Tá gostoso assim? Tá se sentindo melhor? — Não entendia o porquê dele fazer perguntas tão óbvias. Estava transparente em toda sua postura corporal que sim, estava gostoso e sim, estava se sentindo bem demais. Deixou um resmungo afirmativo escapar e deu por encerrado o assunto.



O silêncio voltou a recair sobre o recinto e nenhum dos dois se esforçou para quebrá-lo. Foram mais alguns minutos nessa de apertão em um ponto especialmente tenso e beijinho logo em seguida, até que Kyungsoo se deu por satisfeito e resolveu encerrar a sessão. Achou que era hora de retribuir a dedicação do mais velho. Girando sobre o sofá, tentou deixar o mais claro possível em suas feições o quão agradecido estava pela dedicação do outro. Preferiu não usar palavras. Ainda que ganhasse a vida fazendo uso delas, não se sentia confiante o bastante para declarar seus sentimentos com tamanha transparência. Preferia a sinceridade e simplicidade de um olhar mais demorado.

E foi com toda simplicidade que cabia no momento que se inclinou sobre o loiro e encostou seus lábios aos dele. Não se moveu, apenas ficou ali sentindo o calor do outro e permitindo que ele associasse aquele gesto à todas as palavras não ditas. E se o sorriso que ele abriu ao se afastarem também pudesse falar, Kyungsoo diria que ele entendeu direitinho o recado.

Passaram mais algum tempo — nenhum dos dois saberia dizer quanto — ali, jogados no sofá, pernas e braços enroscados, trocando beijinhos e partilhando do calor do corpo um do outro. Já era alta noite quando Baekhyun pegou no sono e Kyungsoo se levantou, tomando o devido cuidado para não acordá-lo. Dirigiu-se à mesa na qual se encontrava seu computador, retomando a escrita do capítulo inacabado. Baekhyun tinha feito muito mais do que apenas livrá-lo da tensão e do cansaço: ele tinha trago, junto daqueles lábios doces e mãos bonitas — talentosas também —, uma bela de uma inspiração. E não é como se alguém precisasse saber que aquele seu romance era um tantinho — talvez muito — autobiográfico. Certo?

8 de Julio de 2018 a las 15:25 2 Reporte Insertar 2
Fin

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Nanda Escrevo sem nenhum propósito, escrevo o que me vem na mente e se derrama entre os dedos sem me preocupar ou pensar demais no que estou fazendo. EXO | Chanbaek | Baeksoo

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Anna Luisa Anna Luisa
Amei aaaa <3 <3, ficou ótimo, beijos :3
10 de Julio de 2018 a las 23:11

  •  Nanda Nanda
    Aaaaa que bom que gostou ♥♥ Beijinhos 26 de Julio de 2018 a las 19:18
~