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playkook jeonggie

YOONSEOK (fem!hoseok;)— Hoseok era livre, eu não entendia isso. Era uma longa estória o qual eu amava. Eu não queria deixá-la ir. Porque tudo era ela. Dia, noite. Música. Literatura. Rádio, televisão. Tudo é ela. Mesmo se não for sobre ela, será.


Fanfiction No para niños menores de 13.

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Cuento corto
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Anata ga inai to sabishii desu.

Eu sou um escritor, e eu não gosto mais disso. Eu escrevo, adoro escrever. Mas eu não sei se isso é uma boa coisa. Não sei se escrever irá me fazer bem ou me destruir totalmente. Mas desde que eu não saiba fazer outra coisa além de compor, eu fico me lamuriando por bebidas ruins, saudades dos amigos que eu tinha, coração partido, dor no corpo e a minha série que até agora não saiu do hiatus.


— Uh — ela bebia uísque, e eu a observava religiosamente — Então você é escritor?


— Exatamente — engoli o drink de amora.


— Wow, então eu estou falando com um autor. Irá me desenhar nas tuas estórias?


— Não... Na verdade, eu escrevo poemas, tecnicamente.


— Todo poema conta uma estória, Yoongi. Eu amo poemas.


Ela, com seus cabelos ruivos tingidos, é pura beleza. Ela parecia uma das obras que acabara de sair da pintura. Tão bela. Ela poderia ser minha. Hoseok carregava o jeito delicado, mas tão singular. Ela era a garota perfeita. Sob medida para mim. E lá estava ela, ouvindo-me, sorrindo calidamente, como seu eu não fosse um perdedor. Ela estava sorrindo para mim encantada. Sorria como se eu fosse a coisa mais interessante daquele bar.


— E você, Seok — cruzei meus braços naquele balcão — Qual a sua estória?


Ela olhou para mim e riu. Riu como se eu tivesse contado uma piada sem graça, mas que todo mundo ri só por não parecer desagradável.


— Você não vai querer saber sobre mim — Ela mexia o cabelo e me encarava — Eu sou uma longa estória, Yoongi.


Ela voltou a beber o drink. Acho que era de morangos. Ela tinha me dito que ama morangos. A fruta favorita dela. Ela poderia não se achar a garota mais linda daquele bar, da cidade, do planeta. Até mesmo do universo. Mas pra mim, era só olhá-la e meu mundo inteiro parava para observar o que Jung Hoseok iria fazer. Seja só tirar as mãos do bolso do casaco, pintar as unhas num vermelho ardente. Não importava. Ela é glamour. É intensa.


Hoseok, por onde passa, chama atenção. Todos param para olhá-la. Apesar de ser bela como pintura, ela não destratava ninguém. Com um olhar, você se apaixonava por ela. Com uma palavra, você sorria. Ela é gentil, doce como alfajor, delicada e meiga. Não só é mulher simples, mas uma mulher livre, responsável.


— Eu morava na Austrália. Meu pai me ensinou a pescar, caçar e atirar para eu estar preparada quando homens errados viessem. Eu nunca ligava, mas chegou a hora em que eu tinha que me apaixonar. Eu me apaixonava e errava. Talvez o cupido gostasse que uma mulher bonita amasse homens que não tinha interesse nelas — sorria, mas esse não se parece com o sorriso dela, parecia algo triste. Era como se lembrasse de algo. Como se doesse, machucasse. Quase amargo — Enfim, eu decidi parar de amar de quem não me amasse também. E passei a pensar mais em mim, cuidar de mim. Choveu paixões, diria um dilúvio. Eu até me interessava, mas eles não queriam uma foda ou um beijo. Queriam mais. Queriam um relacionamento, e eu me magoei tanto, que não queria. Eles não gostavam, agiam como se me domassem, como se fossem meus donos. Eu pulava fora.


— E como veio parar aqui?


— Eu estava fazendo intercâmbio até que resolvi mudar-me, agora trabalho como secretária.


— Você é diferente, Seokie.


— Diferente você quis dizer esquisita?


— Não, diferente de um jeito bom. Interessante.


— Ah, não se engane. Eu sou a solidão disfarçada de boa moça.


— Então eu sou a tristeza disfarçada de menino decente.



Em instantes a porta do motel fora aberta. Eu a beijava e ela me segurava com medo de que eu fosse evaporar ou talvez sumir, ir embora. Mas eu a agarrava forte, beijava-a. Eu a amava.


Aquele corpo delicado que meus dedos dedilhavam, eu segurava o cabelo dela. Ela estava em meu colo. Eu podia ver ela se entregava verdadeiramente a mim. E eu era totalmente devoto a ela. Eu encarava a pinta perto de seus lábios e sorria. Eu beijava a obra de arte mais bela já existente.


— Yoonie — Ela arfava — Você é meu primeiro, por favor, seja gentil.


Eu sorri, acenei. Jamais faria algo para machucá-la. Ela gemia, eu a beijava. Ela rebolava, e eu dava leves mordidas em sua pele. Ela sorria, e eu queria beijá-la mais vezes. E assim começou uma estória de amor. Em um motel, um homem e uma mulher. Uma secretária e um escritor.


Eu a observava acordar. Graciosa, ela cobriu o seu corpo com o lençol. Ela se levantou, tentava, de maneira mais cuidadosa o possível. Ela olhava para os lados e me procurava, ela devia pensar que eu não iria ficar, que deveria ir embora. Logo, eu me apressei e saí da escuridão, abrindo as janelas. O dia estava claro. Ela olhou para mim e parou. Hoseok iria chorar. Ela também tremia. Eu a abracei. Não iria embora de modo algum. Eu não queria ir embora.


Ela se levantou. Tão bela quanto o dia, ela se maquiava. Só iríamos descer. Eu fui o primeiro homem a ver nua. Nua sem maquiagem. Sem a máscara de menina forte. Nua sem vestir a mulher decente. Ela estava sendo ela mesma comigo. Sem as muralhas, sem proteção, sem barreiras. Ela desarmou tudo por mim.


— Isso é mesmo necessário? Você não precisa se maquiar para tomar um café. És bela sem — beijei-a, surpreendendo-a.


— Bem, eu preciso trabalhar daqui a pouco.


— E quando poderei te ver de novo?


Ela desviou o olhar e foi pegar sua bolsa. Observei-a. Ela corria como vento, e finalmente me entregou o papel.


— Meu número. Você pode me ver sempre que quiser.


Eu sorri. Eu quero torná-la a senhorita Min Hoseok. Ter filhos. Um casamento tradicional. Ou não, tanto faz. Ela poderia escolher. Tudo bem por mim. Eu quero estar com ela todo o momento. Jung Hoseok me desmascarava e me tornava a pessoa mais babaca do mundo. Ela me doma do modo que qualquer pessoa jamais me domou. Odeio, porém eu a sigo. No primeiro momento que ela surgiu, na primeira conversa. Ela me fez de gato e sapato e me jogou nessa prisão de sentimentos. Era conflitante.


E ela me vive a cada dia que passa.


— Então, a sua ideia de encontro perfeito é passar o tempo em uma galeria.

— Você me lembra uma dessas pinturas muito bem feitas. E eu queria te trazer aqui porque gosto de arte. Cada quadro, assim como poemas, conta uma estória. Me permita contar alguma para ti?


— Permito, senhor engomadinho.


Eu ri. Ela é pura arte viva. Andamos pela galeria, procurando qualquer quadro que pudesse contar sobre. Ela me ouvia, prestava atenção em cada coisa. Eu a fiz amar pinturas, mas ela não sabia que era a mais bonita. A única que me fazia parar, olhar e admirar.


— Esse é o Van Gogh, Noite Estrelada.


— Eu já tinha visto esse quadro, mas nunca soube o pintor. Como ele era?


— Bem... Ele não tinha uma orelha.


— Devia ser difícil ouvir de um lado só.


Eu ri. Hoseok tinha essa aura tranquila, ela é inocente. Ela passou a rir também. E ficamos assim, admirando o quadro.


— Van Gogh não fazia sucesso — do canto do olho eu pude ver os olhos de Hoseok em mim — Só depois de morto ele passou a ter as pinturas apreciadas e leiloadas por um valor exorbitante.


— Wow — ela me encarou — Isso é tão triste. Ele nunca poderá ver quantas pessoas ele fez chorar, admirar. Ele nunca poderá ver o quão ele é culturado.


— Por que as pessoas são valorizadas assim que morrem ou quando alguém as perde?


— Eu acho que tudo se trata de ponto vista. Às vezes realmente não damos valor ao que tínhamos, e outras vezes nós acreditamos que a culpa fora nossa. Às vezes nem é. Às vezes só não deu certo mesmo. Não era pra ser.


Ela sorria gentilmente. Eu acho que ela sabia todos os segredos do universo. Ela parecia saber. Ela talvez tivesse decifrado tudo. E eu caí por ela ainda mais. Tudo o que sou é um bobo apaixonado mesmo.


Andamos pela calçada. Estava escuro, o céu estrelado, frio, algumas pessoas circulavam naquele bairro. Não estava muito tarde.


— É aqui que eu moro — ela apontava para o edifício. Nós estávamos em frente.


— Legal.


— Você poderia me visitar um dia desses. Seria legal.


— Talvez eu venha.


— Eu estarei te esperando.


Eu coloquei minhas mãos no bolso. Não sabia como continuar a partir dali. Ela esperava alguma coisa de mim. Eu acho. Nunca tive a certeza.


— Então... — ela começou.


— Então...


Hoseok iria falar alguma coisa, mas não deu tempo. Eu a beijei. Um selinho. Ela tocou nos lábios e sorriu. Eu não conseguia desviar meus olhos dela. Mesmo se me queimasse e eu estivesse envergonhado demais. Talvez eu nem devesse ter feito aquilo.


— Eu gostei.


— Gostou?


— Eu pensei que teria que te beijar. Você é um cavalheiro, Min Yoongi — ela pegava as chaves do apartamento — Tenha cuidado ao voltar para casa.


A porta foi fechada.


Eu sorri e tirei as mãos do bolso.


Eu gritei de felicidade.


A caminhada para casa mais alegre que já tive.


— O que está fazendo, Yoonie? — ela chegou por trás, abraçando-me, enquanto eu escrevia meu livro.


— Escrevendo, amor — eu a beijei.


— Escrevendo sobre o quê?


— Sobre você.


— Eu? — ela colocou a mão no peito, estupefata.


— Você. Seus lindos lábios. Seu corpo. Sua voz. E o quão eu sou apaixonado pela mulher mais linda do universo — ela riu e se sentou em meu colo.


— “Amor não é sobre flutuar e pensar nessa pessoa vinte e quatro horas por dia. É flutuar quando ainda está em terra firme, voar e ter onde cair. Nem sempre pensar o dia inteiro sobre, às vezes precisamos ter um tempo dos nossos próprios sentimentos. É ter com quem partilhar seus pensamentos mais profundos e até mesmo os mais entediantes e mais desnecessários. É confiar sem medo do minuto seguinte.” — ela saiu do meu colo rapidamente. E eu temi ter feito uma besteira. Não queria uma briga entre nós.


— Essa é a sua confissão? De que está apaixonado por mim? — ela deu um passo atrás.


— Não. Essa é a minha confissão de que estou perdidamente apaixonado por você — dei um passo à frente — É a minha confissão de que te amo — mais um passo à frente — Mas diferente de todos os caras, eu sei que sou diferente. Caso contrário, você não estaria aqui — e mais um passo — Mas diferente dos outros, eu quero um romance. Um romance em que nós dois somos feitos um para o outro. Quero você — ela não se moveu para trás. Nenhuma vez. Ela me ouvia e vacilava em tomar algum passo — E quero fazer dar certo.


Eu toquei as mãos delas, fazendo um leve carinho. Ela fechou os olhos. Ela estava num conflito interno. Eu a deixa num conflito interno. Ela mordeu os lábios. Aqueles lábios que eu tanto amava. Cheguei um pouco mais perto. Ela abriu os olhos, não estava assustada, tampouco brava. Eu dei um beijinho. Ela cedeu. Hoseok sorriu e deixou-me beijá-la mais, até as nossas línguas encostarem.


E a partir dali, um namoro começou. Os meses mais intensos de minha vida. Um namoro entre um menino indecente e uma boa moça. Dois amantes.


— Uhul! Yoonie, vamos dançar! — ela me puxava para cima do sofá.


— Ok, amor, você não acha que pegou um pouco pesado nas bebidas? — eu dizia com cuidado.


— O que quer dizer com isso?


— Não acha melhor descansar um pouco?


— Eu não quero dormir!


— Amanhã temos que sair.


— Podemos ir conhecer meus pais!


— O quê? Seokie, vamos para a cama.


— O que tem de mais? Yoongi, nós moramos juntos. Eu só quero que conheça a sua sogra, não estou pedindo para você me engravidar — Hoseok bebeu mais um pouco da bebida — Jesus, nem parece que eu quem tem o trauma de relacionamentos aqui.


— Seokie, por favor, desça daí. Podemos conversar sobre isso amanhã.


— Oh, eu entendi o que está acontecendo — ela descia do sofá. A minha sorte é que ela estava descalça.


— Entendeu?


— Sim. Você quer que eu conheça os seus pais! Que tolice a minha! Mas eles moram na Austrália. Será que tem vôos agora?


— Seok, vamos dormir. Agora é sério. Amanhã resolvemos isso.


Eu detestava quando ela bebia. Hoseok era responsável, mas quando bebia, ela se tornava impulsiva demais, às vezes violenta, às vezes briguenta e às vezes vulnerável demais. E eu sobrava para botá-la na cama. Algo que ela nunca queria. Eu odiava isso. Eu nunca tive uma paciência muito longa, eu sou quieto. Ela era barulhenta, e quando estava bêbada, pior ainda. Ela gritava, chorava, fala sem parar. Não parecia ela.


— Hoseok, você pode ir para a maldita cama? — Gritei. Meu fio de paciência tinha acabado.


— Mas que droga, Yoongi. Eu quero dançar, quero ficar com você. Quero fazer coisas diferentes. Você não quer fazer porra nenhuma. Só se importa com esse livro estúpido.


— Meu livro é estúpido? Então eu deletarei as duzentas páginas que escrevi sobre você. Sobre nós. Que droga, Hoseok. Por que toda as vezes que você bebe você fica assim? Eu cuido de você. Esse livro está quase pronto. Os editores estão me apressando com um prazo. Que merda.


— Então, foca em mim, e eu não precisaria beber assim!


— O que há de errado com você?


— Você me ama como diz me amar?


— Mas é claro que eu te amo. Eu digo isso a você todo o tempo.


— Então pare de me deixar de lado. Pare um pouco esse seu livro. Essas idas no meio da noite para conversar com sua editora.


— O que você quer dizer com isso?


— Você está tendo algum caso com essa mulher? — ela questionou seriamente.


— Não, Hoseok, que droga! Eu. Não. Tenho. Interesse. Em. Ninguém. Além. De. Você.


— E por que sai em qualquer horário para vê-la?


— Porque ela viaja demais. Ela tem marido. Semana passada ela voltou da lua de mel na madrugada para trabalhar!


— Ela não está dando em cima de você?


— Não, ela é casada! E mesmo que se desse, eu não ligaria. Eu não importo. Eu gosto de você. Não importa, Hoseok. Tudo é você. É sempre você. E sempre será.


Ela se calou. Eu me calei. Eu estava nervoso, com raiva. Ela, envergonhada, cansada. Eu já estava cheio das acusações de traição. Eu sempre mostrei a ela que meu mundo era ela. Eu me dedico a essa relação com tudo o que posso. Eu fiz diferente com ela. Todos os meus relacionamentos eram frios. Muita compatibilidade. Era triste, sem graça. Hoseok era quente. Trazia excitação.


— Yoonie — sussurrou — Leve-me para a cama.


Peguei em sua mão, até mesmo delicado. Demos as mãos. Ela se apoiou em meu ombro. Andamos pelo corredor de casa juntos. Essa era a sua maneira de dizer desculpa. Eu não gostava, mas tinha que aceitar.


— Yoonie — ela sussurrou de novo, quando eu ajeitava o travesseiro e o cobertor — Desculpe. Eu tenho medo de te perder.


— Eu tenho medo de te perder também.


— Eu te amo.


— É a primeira vez que você diz isso. Espero que não se esqueça amanhã.


— Eu não irei. Agora me diga que me ama também.


— Ah, mas você já sabe.


— Eu só quero ouvir.


— Eu te amo.


Ela fechou os olhos, sorriu. E eu também sorri. Ela tinha se desculpado e tinha dito que me ama. Ela realmente estava arrependida de fato. E assim como eu, ela estava se esforçando para o nosso relacionamento dar certo. Eu queria. Talvez amanhã nós iremos para a Austrália conhecer seus pais. Talvez amanhã ela também conheça meus pais. Ou de manhã. Agora é uma da madrugada. Talvez amanhã eu dê um anel de relacionamento sério. Ou amanhã eu a peço em casamento. Não importa. Ainda temos tempo. Talvez um dia chegue a nossa vez de termos filhos.


— Eu adoro vir aqui e observar as estrelas com você.


— Eu acho que cada estrela conta uma estória.


Estávamos deitados no chão de gelo, olhando para o céu. Ela, com seus cabelos ruivos, admirava-me. Voltou a encarar o céu.


— Você acha que quando morremos voltamos para as estrelas?


— A que brilha mais é a que morreu recentemente.


Ela riu.


Eu sorri.


— O que acha de nos levantarmos e corremos?


— No gelo, Hoseok? — ela se levantava.


— É. Vai ser divertido. Temos que ter memórias para contar aos nossos filhos o que nós fizemos.


Ela realmente me mudava, tirava-me do sério. Levava-me a fazer coisas que nunca pensei. Tirava-me do meu conforto. Ela me fazia cometer as coisas mais idiotas. E quando menos percebi, estávamos correndo um atrás do outro naquele chão de gelo. Eu tinha medo de cair, daquele chão se quebrar. Mas por um momento, eu estava excitado, alegre demais para se importar com isso. Acho que é isso que dizem sobre felicidade. Não importa o momento, seus medos, suas preocupações, tudo vai embora.


Corríamos feito crianças, igual vento. De lá para cá. Eu quase a peguei. Mas ela era livre demais. Liberta. Hoseok era o sol, o dia, à noite. Ela estava em tudo.


— Vamos, Yoongi! Você está muito velhinho para brincadeiras.


Ajeitei meus óculos, estava ofegando. Apoiei minhas mãos no joelho. Eu não queria que aquele momento acabasse. Eu não queria que a felicidade fosse embora.

— Yoonie? Você está bem, amor?


Ela chegava mais perto, preocupada. Então, agarrei-a, rapidamente. Ela gritou. Beijei-a.


— Agora está com você, amor — corri o mais rápido que pude.


— Isso não vale, Min Yoongi! Eu estava realmente preocupada com você!


Ela corria atrás de mim. Eu ria, era divertido. Eu a enganava tantas vezes, quase perdi naquele joguinho bobo. Ela agarrou minha mão finalmente, e nós caímos no gelo. Estávamos rindo alto. Minha bunda doía, acho que iria formar um roxo enorme. Mas, por incrível que pareça, valia a pena. Valia porque Jung Hoseok estava comigo.


— Já reparou que quando estamos felizes engordamos?


— Você quer dizer isso porque eu sou gorda?


— Não! Eu só estou dizendo que ganhei uns cinco quilos desde que começamos a namorar.


— Isso é porque eu cozinho bem — ela ria. Hoseok se apoiou em meu peito. Ela me encarava com aqueles olhos castanhos, como se soubesse os meus segredos mais íntimos. Ela me decifra. E eu a deixo.


— Você é a melhor cozinheira, namorada. Você é a garota.


— A garota? O que você tem? Catorze anos? Isso é tão clichê.


— Disse a mulher que tem o relacionamento mais clichê.


— Idiota! — ela me deu um soco no meu estômago. Doeu. Eu gemi de dor — Oh, desculpa, Yoonie — ela beijava meu rosto.


— Eu gosto de quando você se preocupa. Eu digo que você é a garota, porque você parece ser a mais certa para mim.


— Estúpido. Eu gosto de ouvir suas frases clichês. Acho que é coisa de escritor.


— Provavelmente — beijei-a mais uma vez —Desculpe se a sua primeira vez foi num motel, Seok, e me desculpe por você ainda não ter conhecido meus pais.


— Eu não importo com isso. A pessoa com quem eu estou faz até mesmo o lugar mais desagradável ser o mais belo. De repente pareceu ser certo ser sua. Pareceu ser certo estar ali.


— Está dizendo que eu sou o certo para você?


— Se está dizendo...


— Eu sou o certo para você. Jung Hoseok, você é clichê! — Deduzi.


— Pare, Yoongi.


— Jung Hoseok é clichê! — gritei o mais alto que pude.


Eu levantei, sentindo aquela maldita dor na bunda. Ela foi atrás, pulando, tentando me fazer parar. Eu olhei para ela e sorri.


— Minha bunda dói, eu não vou correr mais atrás de você.


— Dói mais do que aquela outra vez?


— Oh, definitivamente não.


— Então por que não ter a nossa primeira vez de novo?


— E qual a diferença?


— É que nos amamos.


E naquela noite tivemos nossa noite de amor. A diferença que não era sexo. Era amor. Eram dois jovens apaixonados um pelo outro. Não naquele chão de gelo, chegamos a nossa casa, fizemos amor. E no final da madrugada, vimos o pôr do sol. Ela me beijou, ajeitou meus óculos.


— Eu amo ver que você usa óculos ao invés de lentes.


— Por quê?


— Você fica sexy. Parece um desses homens mais velhos, sensuais, que fazem as meninas tremerem e suspirarem por onde passam.


Risos. Típico de Jung Hoseok. A verdade que não só eu era um clichê. Hoseok também é um clichê. Um grande e enorme clichê. Ela só não gosta de admitir, mas eu a decifrei. Ri. Ela é um clichê com a bunda mais linda que já existiu.


— Mas que merda foi aquela, Min Yoongi? — Ela gritava enquanto fechava a porta, o barulho era alto.


— Que merda foi aquela? Eu te pergunto, Jung Hoseok, que merda foi aquela?

— Eu não queria namorar ele!


— Você sorriu quando ele tocou sua mão! — eu gritava mais alto ainda.


— Eu não tinha percebido!


— Por que não conta essa história para outro, huh? Seria ele, não seria?


— Yoongi, para.


— Se ele tivesse chegado primeiro, conhecido você no bar em que nós nos conhecemos, vocês estariam namorando, não estariam?


— Yoongi, para — ela dizia baixo, mantendo sua voz firme.


Aquele não era eu, Seokie. Era meu ciúmes falando alto. Eu tenho medo de te perder.


— Responda! — Eu gritei mais alto ainda, jogando o vaso na parede.


Eu descontei minha raiva na parede, Seokie. Desculpe se te assustei.


— Não! Não! E não! Eu não iria.


Eu estava louco de ciúmes, eu também não estava me reconhecendo, Seokie.


— A verdade! — eu gritei mais alto ainda.


Perdoe-me, Seokie. Eu não queria que você visse esse lado. E eu queria saber como controlá-lo.


— Essa é a merda da verdade. Eu não quero ninguém além de você, Min Yoongi. Você é a primeira pessoa que eu penso quando acordo e a última quando eu vou dormir. Mas que merda. Que porra você está fazendo?


Eu não sei. Eu não sei o que estou fazendo comigo. Com você. Com nós. Eu não queria, eu juro. Mas eu não consigo me controlar.


— Desculpe, amor — eu abaixei o tom. Ela estava sentada no sofá. As mãos no rosto. A pele bronzeada não estava mais ali. Ela estava pálida — Hoseok, olhe para mim.


Desculpe não perceber que você estava chorando. Desculpe não ter te decifrado tão bem quanto você faz.


— Amor? — eu dizia manso, caminhando em curtos passos.


Um grunhido.


Ela estava chorando, desabando. E eu tinha feito isso a ela. Se eu pudesse voltar, eu iria desfazer. Eu juro que iria.


Ela estava chorando. Seu rosto estava vermelho, as lágrimas por todo canto. Ela tremia. Grunhia alto. E eu abraçava fortemente. Eu sou um louco que magoou uma mulher e quebrou o coração de uma garotinha.


A minha boa moça.


— Eu não posso continuar com isso, Hoseok. Eu não posso.


Desculpe. Eu sou um idiota que partiu seu coração em cacos.


— Eu não posso mais. Você explode em diferentes dias, momentos que não sei. Eu tenho medo que você me machuque. Eu quero conversar com meus amigos. Mesmo eles sendo homens.


Eu quero colocá-los de volta no lugar, por favor. Eu colo pedaço por pedaço para nunca mais te ver chorar.


— Confie em mim quando eu disser que não existe alguém mais importante que você pra mim. Confie em mim quando eu digo que não quero outro além de você. Confie em mim quando eu disser que não teve nada.


Eu confio, Seok. Eu só não confio naqueles que também te querem.


Estava tudo ali. O amanhecer estava chegando. Essa é a nossa pior briga. Eu quero desfazer tudo. Eu quero voltar horas atrás e fazer tudo certo. Mas nem eu sei que eu iria ou não iria me descontrolar.


Estava tudo ali. Só eu não percebi. Não era a primeira grande briga que tivemos pelo mesmo motivo. Ela sorria, e eu fingia não desabafar. Ela fingia não me ver chorar, e eu suplicava por socorro. Eu fingia não a ver abalada, e ela seguia em frente com um novo retoque na maquiagem.


Dois cegos, tentando fazer esse relacionamento dar certo.


Hoseok, confie em mim quando eu te digo que tive medo de perder. Ciúmes e essa maneira doentia a qual eu me comporto e me comportei não explicam nada. Só mostram o quão eu sou um provável maluco. Mas a verdade é que eu te amo. E que tenho medo de te perder. Você é uma das melhores coisas que já me aconteceu. Eu nunca tive um relacionamento assim, e também não quero um. Nenhuma mulher é você. Nenhuma mulher é especial como você. Nenhuma mulher consegue me decifrar como você.


Ninguém chega aos seus pés.


Nem chegará.


Eu pensei que você fosse louca, mas você é excêntrica. A melhor coisa que já me aconteceu.


— Você é igual a todos os outros, Yoongi. Quer me prender. Eu sou livre.


— Hoseok, desculpe. Eu prometo melhorar. Eu prometo mudar. Por você. Por nós. Por mim.


Ela chorava. Ela chorava alto. Eu peguei as mãos dela. Ela desabou completamente. Sentados naquele sofá velho roxo. A chuva era forte lá forte apesar de ser manhã.


— Eu não te amo mais.


O meu mundo parou.


— Pense nos nossos filhos, Seok. Lembre. O Jimin nós levaríamos para Austrália, ficar com seus pais enquanto fazíamos farra. Pensa no nosso Seokjin. Ele iria ser o cérebro da família. Iria ser um cientista, um médico. O que ele quisesse.


— Yoongi — ela me olhava. Seu olhar estava tão... Quase... Frio. Não parecia ser Hoseok que eu conheci — Eu quero terminar.


— É melhor darmos um tempo.


— Não, Yoongi. Eu quero terminar. Não quero ver o que você irá se tornar daqui para frente.


— Eu posso melhorar. Você sabe que posso.


— Tudo tem o seu fim... E o nosso chegou mais cedo.


Eu travei ali. Ela dizia todas essas palavras com determinação, seriedade. Eu nunca tinha visto ela tão disposta. Como se eu fizesse mal a ela. Como se eu fosse tóxico. Eu sei que ela não queria isso. Mas as palavras dela...


Amor, quando você se tornou tão fria a ponto de congelar meus ossos?


— Eu não te amo mais. Adeus.


Agora eu desejaria ter feito tudo diferente.


— Muito bem, Min Yoongi! Conseguiu escrever o livro, não foi, seu bastardo?! Jurava que você não ia conseguir. O tempo estava acabando.


— É... Eu também achei que não iria conseguir a tempo.


— Muito bem, “O Sol se Põe às Quatro” será publicado em breve.


Sorri. Agora meu livro finalmente será vendido.


— Admito, eu li um pouco. Brilhante livro. Sobre o amor que você descreve, é Hoseok o nome dela, não é?


— Era. Éramos. Não estamos mais juntos.


— Oh, eu sinto muito, Yoongi!


— Tudo bem. Acho que as coisas estão melhores assim, separados — dei um longo suspiro — Eu já vou indo.


— Yoongi!


Olhei para a minha editora. Ela digitava rapidamente naquele laptop LeNovo. Ela tinha cigarro na boca, tendinite, uma insônia e um casamento à beira de um divórcio. Deve ser uma barra para ela. Acho que amor não é para todos como pensei que fosse. Talvez Eros devesse estar de mal com os humanos.


— Fighting! — ela dizia, vibrante, levantando o punho para cima.


Levantei o punho para o alto. Ela sorria, e eu não. Acho que se afundar no trabalho dela é o que ela fazia para superar seus problemas. Antigamente eu não sabia se escrever salvaria ou me mataria. Agora entendo. Escrever não é minha salvação. É a minha destruição. E a minha punição é escrever a vida inteira sobre Hoseok. Porque eu tenho medo de saber o que será superá-la.


— “O seu corpo, a sua voz. Tudo nela me atrai. Se ela fosse gorda ou não, tanto faz. Amor não vê rosto. Quando você o conhecer, saberá quem é o certo para você” — ela citava meu poema. Claro que é sobre ela. Sentou-se em meu colo, sorrindo, rindo com aquela risada escandalosa — Meu Deus, Min Yoongi, que clichê! — ela alongava “clichê”. Selou nossos lábios, balançou as pernas rapidamente. Ela estava agitada — Eu adorei! Escreva mais!


Ela é independente demais para alguém como eu. Eu olho para o céu, olho para aquele céu estrelado e me pergunto se ela também está pensando em mim como eu estou nela. Se ela fala de mim, assim como eu falo dela. E me pergunto ainda mais se ela sente a minha falta como eu sinto a dela. Mas o problema é que sempre será ela. Dia, noite. Música. Literatura. Rádio, televisão. Tudo é ela. Mesmo se não for sobre ela, será.


— Eu acho que minha bunda vai ficar roxa para sempre, Yoongi. Deus, como eu odeio aquele gelo. Acho que preciso ir ao médico para ver o quebrou. Será que foi o gelo ou será que foi Min Yoongi? — Ela riu mais alto.


Existem resquícios dela por toda essa casa. Por todo lugar. Memórias, em mim, colchão, sofá. Eu olhava por todo nosso apartamento, que agora é meu. Eu sinto tanta falta dela.


— Yoongi — ela sussurrou baixinho — Conte-me uma dessas histórias de amor. Eu quero saber no que vamos nos tornar quando formos velhinhos.


— Bem — eu ri — Jimin será o mais revoltado, ele terá uma família linda, uma esposa adorável e uma filha rebelde. A filha segue os passos do pai. O Seokjin não pensa em relacionamentos, ele quer fazer novas descobertas. Ele será um sucesso. Será tão rico quanto o Bill Gates e irá nos bancar na casa de idosos — Nós riamos.


Agora tudo parecia longe, distante. Aquela voz... A risada dela, a pele bronzeada dela, aquele perfume que me lembrava o verão. As piadas, os hábitos estranhos dela. Tudo. Tudo é ela, eu a respiro. Ela é tudo o que eu quero e me tornei. Ela se destaca, ela é diferente. A única que consegue roubar o coração com só um sorriso, um olhar. Mas eu acho que já disse isso.


— Vamos, Yoongi. É só uma onda, eu quero nadar com os peixes! — ela corria para o mar.


Eu a perdi. Nunca mais tive contato algum com ela. Depois da nossa briga, ela pegou as malas com suas roupas e pertences. Ela foi embora com o carro. Nunca mais voltou. Ela não vive mais no antigo endereço. Não está com os amigos dela. Nem com nossos amigos. Ela sumiu do mapa. Sabem sobre ela, mas não querem me contar. Eu entendo.


Pergunto-me se algum dia nos veremos de novo. Se ela leu os meus poemas que fiz sobre ela. Eu não serei mais um louco ciumento. Ela será livre, bela. Ela me conquistará a primeira vista, e eu a conquistarei à primeira vista também. Ela me roubará. E eu a roubarei. Será tudo como uma primeira vez. Uma nova chance. Talvez um dia sejamos dois estranhos nos conhecendo de novo algum dia, sob o mesmo teto. O mesmo céu. Talvez até no mesmo bar. E as estrelas estarão lá para observar a estória de amor entre uma boa moça e um menino decente. Um escritor e uma administradora. Um homem e uma mulher. Dois amantes, que se encontram e se reconhecem de novo, de novo, de novo.


De novo.


E de novo.

3 de Julio de 2018 a las 02:24 0 Reporte Insertar 0
Fin

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jeonggie as noites esfriam e os dias não vêm.

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