Sociedade Desigual. Seguir historia

callmetrouxiane Larissa Gabrielli

Vocês limitam minha liberdade. Vocês minimizam todas minhas capacidades. Vocês debocham da minha independência. Vocês me dão nojo por pensar que eu sou manipulável; um boneco; um ser que só serve para os caprichos de vocês. Vocês conseguem ser hipócritas e ignorantes em níveis inacreditáveis. Vocês devem e precisam mudar.


Fanfiction Bandas/Cantantes No para niños menores de 13.

#bts #bangtan-boys #jeon-jungkook #ABOAU #Critica-ao-ABO #universo-ABO #JkCentric #Jungkook-Omega
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Me Respeite.

Olhar ao redor e notar que vivemos em uma sociedade alfista, hipócrita e preconceituosa não é uma coisa difícil. O pior de tudo isso, é que muitos ali não possuem nem a decência de disfarçarem ou ao menos deixar isso mascarado, deixando tão, mas tão descarado esse preconceito, que fui capaz de notar isso quando criança — mesmo que, na época, eu ainda não conseguisse compreender; entender muito bem as diferenças distintas entre as classes.

Por pura ironia do destino, eu, Jeon Jeongguk, faço parte da classe mais afetada por isso, que — novamente — ironicamente, também é a classe mais populosa, sendo aproximadamente 43% da população. É isso mesmo, os ômegas. Aqueles que são conhecidos como, frágeis; submissos; donos da casa; mães de família; somos chamados no feminino mesmo não gostando e sendo um ômega macho; que, novamente, independente do gênero, devemos usar roupas femininas, delicadas e dentre várias outras picuinhas alfistas. Mesmo dentro do nosso universo — Alfa, Beta e Ômega — com toda hierarquia de classes, essas coisas continuam sendo ridículas. A hierarquia de classes é uma puta coisa ridícula do caralho.

E, por favor, não me interpretem errado. Em nenhum momento eu quis dizer que um ômega — independente do gênero — não pode fazer ou agir de alguma das maneiras que descrevi. Longe disso, se for da vontade do ômega, isso não é nenhum empecilho em sua vida. Foque bem nas palavras “são conhecidos como” que usei, ali engloba todos os ômegas — independente de suas vontades — como se fossem obrigados a serem assim, fossem obrigados a seguir esse mesmo padrão. E é exatamente assim que a sociedade nos vê, ela nos faz engolir isso.

“Não se deve falar palavrões, ômegas não podem falá-los.”

“Não se vista tão desleixado, lembre-se ômegas devem ser delicados e femininos.”

“Se você quer ser um ômega de respeito, não pode passar seus cios com alguém e sim dopado.”

"Não namore ou beije tantas pessoas, ômegas devem ser recatados e terem o devido respeito, não se dando para qualquer um.”

“Tenha filhos, ômegas independente de tudo darão filhos ao seus alfas ou betas, é o seu futuro.”

“Você não pode contrariar a palavra de alguém com uma classe maior, você é um ômega, cale-se.”

“Um ômega perfeito, aceita tudo o que lhe é imposto.”

Poderia ficar o resto da vida aqui, ditando cada coisa que já escutei, escuto até hoje e o que irei escutar. Sim, exatamente, o que irei escutar. Já que, não é como se essas frases – ditas até mesmo por próprios ômegas mais velhos, que seguem essas “leis de como ser um bom ômega para seu cônjuge” à risca — fossem parar de serem proferidas, não preciso ser um vidente para saber disso. Apenas pelos meus trejeitos, que para a maioria, não são modos de um ômega se portar e do modo como não me calo para ninguém que tente me menosprezar, me desrespeitar ou me humilhar por ser um ômega, eu recebo frases e julgamentos constantemente, que no meu ponto de vista, são julgamentos errôneos. Afinal, a única coisa que precisa ser revista, julgada e ser cortada da raiz é essa merda de cultura alfista e sexista que vivemos.

Me faz asco falar sobre o quão sexista a sociedade consegue ser, pois a hipocrisia nessa parte é gritante. Oras, como um ômega pode vestir saias curtas, blusas decotadas e tudo, extremamente, colado ao corpo, em um comercial de máscaras de hidratação, mas se esse mesmo ômega sair na rua com as mesmas roupas para comprar a máscara, ele vai receber olhares de julgamento, pensarão coisas do como “quando um alfa necessitado estupra, não sabem o porquê, olhem o tamanho desse decote”, “se fosse meu ômega, nunca iria deixar que saísse com algo assim”, e não podemos esquecer que teriam muitas frases pejorativas também, como se a roupa definisse alguém ou justificasse algo, não é mesmo?

O sexismo está tão presente na sociedade, que até mesmo em coisas sem o menor sentido e com pegadas, até mesmo infantis, ele aparece — como em MV’s de grupos, tanto de betas, alfas e ômegas; comerciais de diferentes tipos, como já citei anteriormente; em novelas, nas cenas mais inusitadas possíveis, filmes e em livros também. Em music videos, focam nas cinturas finas, saias curtas e coreografias com partes um tanto quanto sexy demais para o que a música fala, seja da personagem que está participando do MV de um grupo alfa ou beta, ou as(os) próprias(os) cantoras(es).

Propagandas mostrando mais o corpo do que o produto, é o que mais tem e não pense que a sociedade julga isso errado, pois se vende, eles acham lindo naquele outdoor; em filmes, romantizam momentos ridículos como o ciúme obsessivo de um alfa, um romance onde o ômega é o submisso sem nem questionar. Sempre mostrando o quão frágil e dependente um ômega é do seu alfa ou até mesmo do pretendente. Muitas vezes, mostrando que ômega que se valoriza, não acatando ordem de terceiros, usa o que quer, se porta como quer são ômegas para passar um cio, são ômegas de uma transa. Ômegas que não sabem agir como um ômega perfeito.

Não irei mentir falando que nunca li ou vi algo relacionado a isso, simplesmente por curiosidade de saber como o livro acabava, entretanto aquela raiva, que das ações de ambos os personagens sempre existiu e, inconscientemente, acabava passando isso para a minha vida. Além de ficar com raiva — imaturamente — de alfas e betas no geral, por pensar que ninguém das duas classes fosse compartilhar dessa mesma ideologia de igualdade que eu.

Até mesmo, acabava me sentindo, de certa forma, deslocado — já que muitos ômegas tem receio, e até mesmo, medo de se imporem a toda essa humilhação, que inconsequentemente acabamos passando — como se pudesse ser um dos únicos sem venda e que estivesse conseguindo enxergar a porra que tudo isso é e estivesse sozinho quando o querer mudar isso, aparecia.

Mudar, ou melhor, tentar mudar isso sozinho, no ensino médio, era difícil. Encarar alfas querendo lhe obrigar a aceitar tudo calado, querendo mostrar a superioridade que eles acham que tem na escola, foi uma das piores fases da minha vida. Pois, na escola, eles — desde a creche — ensinam errado.

“Ômegas não devem correr, vocês têm que se comportarem como ômegas, brinquem de casinha.”

“Os alfas fizeram descobertas, ajudaram e criaram muitas coisas para esse mundo. Os alfas são a classe mais importante dentro da nossa hierarquia.”

“Ômegas não brigam, você não pode debater com uma alfa porque ela falou que seu lugar era na cozinha.”

Aulas extracurriculares, diferentes para ambas as classes, ômegas podem fazer costura, bordado, culinária, literatura; alfas podem fazer mecânica, parte de clubes dos mais variados esportes. Ômegas não podem ser líderes de algum desses clubes, não podem fazer parte de nenhuma liderança, no geral, para falar a verdade. E você pode se questionar, o que os betas fazem? Eles são ignorados no meio disso tudo?

Na verdade, não é assim, betas são tratados com respeito, mais respeito que ômegas, porém, existem alfas, que se acham superiores a eles, do mesmo modo, e a sociedade os ignora como se nem existissem. Alguns betas, mesmo que, de certa forma, eles terminem sofrendo preconceito, ainda nos tratam com preconceito também. É algo incrustado na cultura de uma maneira desgraçada.

Nessa época do ensino médio, eu pude conhecer pessoas que me ajudaram a não virar um hipócrita, daqueles que quer que os alfas lambam o caminho por onde se passa qualquer ômega, me trouxeram para o lado da igualdade de classes, e não o extremismo de querer que ômegas sejam superiores a alfas. O grupo de dois ômegas, três betas e um alfa era até mesmo, no mínimo, peculiar naquele colégio, e em uma confusão, onde eu interpretei errado o único alfa dali, me rendendo uma detenção de duas horas ao lado do mesmo, pude ver que Kim SeokJin era o primeiro alfa que lutava pela igualdade, que eu iria conhecer.

Tivemos um começo de amizade conturbado, de desconfianças — todas da minha parte, devo confessar — digamos, que bobas, que ao ser apresentado para o resto do grupo, morreram instantaneamente. Pois, ao ver que lutávamos pelas mesmas causas, eu percebi que tinha muito o que aprender sobre tudo isso e o hyung sempre esteve ali para me ajudar, a partir dali; Jinie hyung, lutava pelo direito que ele mesmo tinha de poder ser carinhoso com todos à sua volta — incluindo seu ômega —, lutava para acabar com o alfismo, com os esteriótipos de que alfas eram sempre sem coração, sem emoção, duro com tudo e todos.

Os dois ômegas eram Jung Hoseok e Kim Namjoon, os ômegas mais lindos e fortes que eu tive a honra de conhecer. Nam hyung, lutava para crescer e ser respeitado no underground; Hobi hyung lutava para ser respeitado nas rodas de danças de rua, que haviam espalhadas por Seoul. Os três betas eram um tanto quanto peculiares, digamos assim, eram: Kim Taehyung, Min Yoongi e Park Jimin. Taetae hyung não era ômega, mas sofreu e sofre tanto preconceito quanto um, por ser diferente perante a sociedade, por ser um garoto trans — sim, ele era beta, nasceu com um corpo feminino, mas sua essência sempre fora de um garoto —, que luta pelo fim da transfobia e alfismo.

Yoonie hyung entrou nessa causa por ser namorado de Taehyung — eram melhores amigos e namorados, desde antes mesmo das cirurgias do mais novo —, e ver cada coisa que o mais novo passava o fez embarcar nessa luta com o mesmo; Jimin-ah não tinha um porquê grande para estar ali nesse movimento, ele estava ali apenas porque sempre achara um injustiça as coisas que ômegas — e, às vezes, até mesmo betas — tinham que engolir e… Ah, meu hyung me ensinou coisas que achava que sabia, ele foi e é tão forte que dá orgulho vê-lo agindo em protestos, palestras, reuniões e em coisas que a causa fala mais alto, mas isso não vem ao caso, não é mesmo? Enfim, eu, Jeon Jeongguk, luto pelos meus direitos, pela igualdade, pelo fim do alfismo e todos os outros preconceitos que estão disfarçados dentro dessa cultura.

A sociedade — incluindo alguns leitores, que não se dão conta da hipocrisia que fazem ao exaltarem certos momentos em algumas estórias — precisa entender que: classe, gênero e sexualidade são coisas completamente diferentes.

Fazer parte de uma classe não é algo que alguém escolha, você apenas é. Nisso, não tem nada a mais ou a menos para se questionar. Fazer parte de quaisquer classes não implica e nem difere em nada, além de cheiros.

Ser ômega macho não me faz uma garota trans, fale comigo tendo sempre em mente, que tenho um baita de um caralhão no meio das pernas e aceito isso. Eu nasci um homem me aceito como homem, use pronomes masculinos.

Minha sexualidade não tem haver com minha classe. Uma ômega pode, sim, ser homossexual, ela apenas irá se atrair por mulheres, sejam betas, alfas e, até mesmo, ômegas. Um ômega pode sim ser heterossexual, ele se sentirá atraído por mulheres, sejam alfas, betas ou até mesmo ômegas. A sexualidade não é algo que se mude de um dia para o outro, independente de sua classe, você nasce sendo atraído por X, Y ou até mesmo os dois. Sendo assim, eu não sou gay apenas por ser ômega, eu sou gay porque nasci assim e descobri que sou atraído por um corpo masculino.

Ômegas não são, unicamente, um objeto sexual, um empregado ou donos de casa. Ômegas não são submissos como descrevem por aí. Ômegas não são as mulheres da relação, simplesmente por serem ômegas. Ômegas são seres vivos, são humanos e merecem o mesmo respeito que todas as outras classes recebem; Ômegas são dignos daquilo que almejam — seja um trabalho, um curso, uma roupa ou sua liberdade. Vocês precisam, precisam não, vocês devem parar de inflar a masculinidade dos alfas, devem parar de ignorar os betas e, por último, e não menos importante, devem parar de pensar que o ômega é frágil. Somos todos da mesma espécie, o que nos difere são as classes, e uma classe não pode e nem deve dizer se eu mereço ou não respeito e valor.

Vocês limitam minha liberdade.

Vocês minimizam todas minhas capacidades.

Vocês debocham da minha independência.

Vocês me dão muito nojo por pensar que eu sou manipulável; um boneco; um ser que só serve para os caprichos de vocês. Vocês conseguem ser hipócritas e ignorantes em níveis inacreditáveis. Vocês devem e precisam mudar.

Quero ter a liberdade de escolher não me casar, sem ser visto com maus olhos, sem ser julgado como se eu fosse um qualquer; quero ter a liberdade de escolher ter filhos ou não, sem receber uma resposta falando que eu sou quase que obrigado engravidar; quero ter a liberdade de me dedicar aos estudos e a carreira que eu decidir seguir, sem ser visto como incapaz. Eu sou ômega, e não inferior a nada e nem ninguém.

Alfas, betas e ômegas são seres humanos. Alfas, betas e ômegas devem ter os mesmo deveres perante a sociedade; devem ter os mesmos direitos perante a sociedade. Pois, nenhuma classe é melhor que a outra; nenhum ser humano é melhor que outro.

Todas as classes devem ser vistas como semelhantes. Todas as classes deveriam lutar contra essa cultura de tratamentos diferenciados. Não é pedir muito. Igualdade, é isso que eu e todos os ômegas que estão cansados de serem inferiores, queremos. Eu quero meu direito de escolha, meu direito de ser ou não aquilo que me taxam.

Dentro do universo ABO, ômegas não são todos mulheres. Então, por que dentro de muitos universos ABO’s que criam, os ômegas podem ser considerados a “mulher” da relação, como se todas as mulheres fossem submissas e frágeis? Por que eles precisam ter esse esteriótipo fodido?

2 de Julio de 2018 a las 05:43 0 Reporte Insertar 2
Fin

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Larissa Gabrielli Eu sou cinza. Amo absolutamente todos os shipps dentro do Bangtan, eu vejo intera��o e amor exalando em todos os sete. otp's: Yoonmin, 2seok, Hopekook, Minjoon e Vmin.

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