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[CHANBAEK] [LOVExHATE] Chanyeol e Baekhyun eram adversários. Rivais. E todas as palavras que um dicionário poderia trazer quando se tratava de opostos. E os dois precisaram aguentar uma maldita detenção juntos.


Fanfiction Bandas/Cantantes Sólo para mayores de 18.

#exo #chanyeol #baekhyun #chanbaek
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1. O Capitão

.

we know very well who we are
so we hold it down when summer starts
what kind of dough have you been spending?

.

Caralho, como Park Chanyeol odiava aquele garoto.


Ódio era uma palavra muito forte, mas mesmo assim ele a utilizava para denominar o que nutria por aquele outro garoto pequeno e insuportável da escola que ficava no extremo da cidade. Os professores diziam, com vozes altas e apáticas, que era primordial o espírito em equipe e que não seriam toleradas quaisquer brigas em função de um esporte, porque a disputa precisava ser limpa e clara. Mas era óbvio que todos discordavam e todos queriam, mais do que nunca, conseguir obter sucesso na partida e garantir o primeiro lugar no campeonato das escolas municipais. E a escola de Chanyeol sempre estava em uma das primeiras colocações.


Ele, como LÍDER da equipe – e ele sempre falava aquilo estufando o peito e sempre escrevia com letras maiúsculas – era o responsável pelas vitórias e, consecutivamente e principalmente, pelas derrotas. Chanyeol até se considerava insuportável, algumas vezes, mas era necessário e ele já conseguira ter o respeito e a consideração dos colegas, o que não foi fácil quando se levava conta que ele era bolsista em um colégio particular. Ele havia ganhado absolutamente tudo o que possuía ali dentro: a matrícula na escola 100% de graça, os materiais e até mesmo os uniformes que eram caríssimos. Assim que entrou para o time da escola e mostrou o quanto era talentoso no esporte, uma das professoras o presenteou com as melhores chuteiras que ele já tinha visto e com roupas novas para jogar. Consequentemente, com o passar dos anos, acabou se tornando o LÍDER e todos os outros ficaram satisfeitos com a escolha. Era o que tinha que ser.


Chanyeol realmente levava a sério esse lance de ser o melhor no futebol porque estava trazendo prestígio para a escola através do esporte. Ele estava ali sem pagar nada e todos os professores depositavam muita esperança em cima dele, e sempre eram benevolentes com determinados assuntos para que ele conseguisse se concentrar na questão do futebol. E ele gostava de retribuir sempre carregando o troféu de primeiro lugar.


Só havia um único e pequeno empecilho.


Byun Baekhyun.


Era um garoto rico da escola rival. Chanyeol, desde que se tornara capitão e muito antes disso, quando era somente um jogador sem qualquer nomenclatura dentro da equipe, já odiava Baekhyun porque o garoto era como um resumo de todas as coisas que ele mais odiava no mundo: era arrogante, mimado, rico e se achava melhor do que todo mundo. E o pior de tudo era que ele realmente conseguia ser o melhor. O garoto era perfeito em tudo o que fazia, em tudo o que se dispunha a fazer e não parecia fazer o mínimo esforço para isso. Na verdade, a única coisa que Baekhyun parecia se esforçar para fazer era rir com escárnio e erguer uma das sobrancelhas numa clara e cínica expressão de deboche.


Naquela última partida Chanyeol havia treinado até a exaustão. Quando o time reclamava de dor, ele orientava todos a descansarem por 10 minutos e então voltava ao treino com força redobrada, sempre pensando em todas as possíveis estratégias que o time vizinho poderia optar. Após diversas mudanças na equipe e muito suor, ficou satisfeito com o resultado final e estava quase confiante quando fitava a equipe, antes do jogo, no vestiário.


– Nós nunca ganhamos deles, é verdade... – Chanyeol começou a falar, caminhando de um lado para o outro no vestiário. Parou no meio do time e assentiu algumas vezes com a cabeça antes de dar alguns pulinhos para afastar o nervosismo. – E eles até podem ganhar novamente alguma partida da gente. Mas não hoje. Hoje nós vamos lutar. E vamos vencer.


Chanyeol quase sentiu o vestiário tremer pela intensidade dos gritos de incentivo da equipe, e não pôde deixar de experimentar o sentimento de alguma coisa crescendo dentro dele e quase o engolfando: esperança e determinação. Ele queria e iria ganhar naquela noite. Simples assim. Ele queria que a equipe tivesse o prazer de levantar aquele troféu e queria dar uma gostosa gargalhada ao perceber que Byun Baekhyun não sairia vitorioso daquela vez.


E quando saíram do vestiário, ainda fazendo barulho e gritando, entraram no salão fechado e enorme onde seria a partida com os olhos em chamas. Ele olhou para a arquibancada onde estavam os professores, pais e alunos e acenou de longe. A própria mãe estava lá, sorrindo para ele, parecendo genuinamente emocionada. E um monstro rugiu dentro de Chanyeol, exigindo que ele desse para a mãe aquela alegria. Ele não se permitiria sair derrotado naquela noite.


O time adversário entrou logo em seguida. Era o time da casa, o que prejudicava um pouco Chanyeol, já que não estavam acostumados com aquele ambiente, mas não seria empecilho algum para que obtivessem a vitória. Baekhyun foi o último a entrar. Ele estava com os cabelos cortados diferentes da última vez que o vira. Estava com um corte bem mais masculino, com a lateral raspada quase que completamente e pouco cabelo na parte de cima. Provavelmente tinha cortado na noite anterior, porque o corte ainda estava perfeito. Ele tinha uma pele branca imaculada, sem nenhuma mínima marca exceto algumas pintinhas espalhadas pelo pescoço e uma bem pequena e quase imperceptível no cantinho direito da boca. Ele conseguia ser perfeito até mesmo na aparência. Inferno...


Os dois se encontraram no meio do salão e, como pedia o protocolo, apertaram as mãos. Os líderes se olharam nos olhos por longos segundos, nenhum cedendo ou desviando, e a tensão no ar era perceptível à km de distancia.


– Chanyeol. – Baekhyun disse.


– Baekhyun. – Chanyeol respondeu.

Por diversos motivos, Chanyeol queria ficar à direita do campo. A equipe nunca tinha perdido nenhum jogo quando estavam à direita, e poderia ser até superstição, mas não queria arriscar. Não estavam em condição de arriscar. Mas quando o juiz se aproximou e usou uma moeda para decidir quem iria escolher o lado que queriam jogar, Baekhyun ganhou.


Merda. Merda. Merda.


– Quero a direita. – Baekhyun respondeu de imediato, voz firme e melodiosa.


Caralho. Baekhyun só poderia ter nascido com a bunda virada para a lua, era a única explicação plausível. E Chanyeol, mesmo puto por dentro, tentou fingir indiferença e que não se importava se iriam jogar pela direita ou pela esquerda, somente ergueu o braço e fez um sinal para que a equipe toda viesse para o lado no qual foram destinados. Inferno. O jogo nem tinha começado ainda e já estavam perdendo. Mas não iria permitir que aquilo definisse o restante da partida.


Baekhyun conversou rapidamente alguma coisa sussurrada com o juiz do jogo e parecia, pela primeira vez na vida, incomodado com alguma coisa. Logo em seguida olhou uma última vez para Chanyeol antes de se afastar e correr em direção à direita, até o seu time que já começava a se preparar. Ele ajeitou o cordão de capitão em seu braço e se alongou uma última vez enquanto o juiz colocava a bola em campo para o chute inicial.


Um apito e o jogo começou.


Chanyeol nunca sabia muito bem discernir o que acontecia durante as partidas. Conseguia lembrar-se dos gritos, das ordens para a equipe, do suor e do sangue correndo com força nos ouvidos. Tudo funcionava a base de adrenalina, e quando o sentimento passava sobrava apenas alguns lampejos de memória e a constatação de que amava aquilo mais do que qualquer outra coisa que já havia feito na vida. Enquanto jogava futebol tinha a concepção de que era bom naquilo como nunca seria em mais nada no mundo e aquele era seu cenário, seu lugar, seu ponto de estabilidade.


O primeiro tempo de jogo acabou com 0 x 1 para o time de Baekhyun.


No vestiário, Chanyeol jogou água no rosto e tentou respirar. Estavam perdendo. Precisava pensar em alguma estratégia para virar o jogo e fazer com que o time conseguisse virar o placar porque não iria aceitar perder. Não hoje.


– O Byun tá machucado. – Junmyeon disse de repente, chamando a atenção de todo mundo no time. – Eu e o Jongin notamos. O cara tá tentando disfarçar, mas ele tá mancando e sentindo dor, porque não tá conseguindo marcar nada e o pessoal do time fica cercando ele, como se pra ter certeza que ninguém vai tentar nada. Acho que essa é a nossa chance. Marcar o Baekhyun o máximo possível porque ele não vai conseguir fazer muita coisa. Jogar perto dele, porque se alguém errar e a bola acabar com o Byun, ele vai perder fácil a posse.


– Não faz sentido. Ele não ia vir jogar se estivesse machucado. – Chanyeol imediatamente respondeu, mas então se lembrou de Baekhyun sussurrando alguma coisa para o juiz antes da partida começar. Será que ele era mesmo estúpido o suficiente para jogar uma partida de futebol lesionado? Caralho, ninguém seria assim tão retardado. – Escutem, pode ser verdade ou pode não ser. O Baekhyun é o melhor jogador do time, então se nós formos dar um tiro no escuro e marcar perto do Baekhyun e ele não estiver machucado ou, pior ainda, estiver só fingindo, vamos acabar na merda. Continuaremos com a estratégia original que não tem erro e vamos jogar na direita agora, não temos mais desculpas. Ainda podemos e vamos virar o jogo!


Quando voltaram para o salão, a autoconfiança de Chanyeol estava redobrada. Ele estava com a certeza de que iriam virar aquele jogo e finalizariam a partida ganhando de virada, e durante o período que ficaram no vestiário tentou motivar a equipe para que eles ficassem com o mesmo sentimento de que iriam vencer. E eles iriam, sim, com certeza.


E, bom, Baekhyun estava mesmo machucado.


Conforme o segundo tempo do jogo ia transcorrendo, Chanyeol avistou Baekhyun parado no canto da quadra com o corpo ligeiramente debruçado e segurando um dos joelhos com os olhos apertados. Ele sempre era um poço de autocontrole e indiferença, então concluiu que o cara deveria mesmo estar com dor para demonstrar tão abertamente. Porém, assim que um dos caras do time tocou o ombro dele e perguntou algo, Baekhyun imediatamente se ergueu com a expressão mais impenetrável possível e assentiu com a cabeça para alguma pergunta que ele fizera. E aquele momento de fraqueza sumiu como se nunca tivesse existido e o rosto do capitão, branco como papel, se mostrou indiferente enquanto corria até o outro extremo da quadra para ficar na marcação da bola.


Junmyeon cercou Baekhyun com a posse da bola e correu em direção ao gol, e Baekhyun ficou no encalço, disposto a recuperar a bola a qualquer custo antes que ele pudesse alcançar o objetivo final. Num passe errado, o capitão do time adversário conseguiu a posse e chutou para o outro extremo do salão, afastando-a da direita do campo com uma expressão tão intensa de dor no rosto que Chanyeol correu até onde ele estava.


– O que você tem? – Chanyeol perguntou entredentes cerrados. – Você tá louco de jogar lesionado? Você não aprendeu porra nenhuma durante esses anos, Byun? Se uma lesão não for tratada direito você pode se prejudicar permanentemente.


O cabelo de Baekhyun estava molhado e as gotas de suor desciam pelo pescoço, perdendo-se na camiseta do time que cobria o peito firme. Ele estava com as bochechas vermelhas pelo esforço físico e os olhos faiscaram ameaçadoramente na direção de Chanyeol antes que ele começasse a rir.


– Eu não tô machucado. E mesmo se tivesse isso não é da sua conta. Vai cuidar dessa merda que você chama de time, Park. Não sei como que conseguiram te colocar como capitão se você não sabe nem mesmo ter estratégia. Esse teu time é tão previsível que chega a me deixar enjoado. Cuide da sua vida.


Nem mesmo teve tempo de responder, porque ele imediatamente saiu em disparada para o outro extremo do campo. Chanyeol sentiu um ódio descomunal crescendo dentro dele, experimentando uma vontade quase nauseante de empurrar a cabeça de Baekhyun contra alguma parede até ver sangue escorrendo ou até que ele parasse de ser tão imbecil. Caralho, por que ainda se dava ao trabalho de ser minimamente decente com um ser humano de merda daqueles? Era mais do que óbvio que jamais receberia qualquer educação vinda de alguém como Byun Baekhyun. Melhor assim. Mais motivos para odiá-lo, mais motivos para ter aquela vontade ferrenha de vencê-lo.


A motivação e esperança de Chanyeol rapidamente foi se transformando em ódio e desespero. O time estava perdendo e cada vez estavam mais próximos do final da partida. O time adversário parecia conseguir prever todas as estratégias tão bem montadas pelo capitão, e mesmo que Baekhyun não estivesse no seu melhor dia, todo o time da escola tinha uma sincronia que daria inveja a qualquer um. Eles pareciam ensaiar todos os mínimos movimentos como se estivessem em uma pista de dança. E era destoante e óbvio que a equipe de Chanyeol agia muito mais na emoção do que na estratégia propriamente dita.


Um urro da torcida adversário soou no estádio e Chanyeol procurou a bola com os olhos e percebeu que, no outro extremo do salão, Baekhyun tinha a posse dela. Todos sabiam que quando ele pegava a bola na linha do campo não havia ninguém no mundo capaz de impedi-lo de fazer o gol. Os cabelos dele brilhavam nas luzes fortes no salão e ele estava com o lábio inferior preso nos dentes quando olhou para o goleiro e então, certeiro e perfeito, chutou a bola.


– GOOOOOOOOOOOOOL. – O narrador do jogo urrou. – ESSE É BYUN BAEKHYUN, A ESTRELA E CAPITÃO DO TIME. E AGORA TEMOS 2 x 0 PARA O TIME DA CASA.


Estavam perdidos. Chanyeol levou as mãos até os cabelos e tentou rapidamente reunir o time enquanto os pensamentos iam a milhão na tentativa de tentar virar a partida. Só tinham mais 19 minutos e dificilmente o juiz daria alguma prorrogação.


– MARQUEM O BAEKHYUN. – Chanyeol gritou para o próprio time, o rosto vermelho, a veia da testa pulsando enquanto suor escorria e embaçava a visão do capitão. – Nós precisamos virar. Ainda temos tempo. Não deixem o Baekhyun pegar de novo a maldita bola.


Mas Baekhyun, quase como se rindo de Chanyeol e do time, cinco minutos depois dos gritos, estava em posse da bola outra vez. O capitão do time adversário chutou para o gol e eles perderam a esperança que há tão pouco tempo estava queimando dentro do time.


Era a última partida do ano. A decisão final.


O jogo terminou e o time da casa ganhou o campeonato. Baekhyun, capitão e responsável por 2 dos 3 gols da partida, foi abraçado pela equipe e erguido no ar e ele estava com um sorriso tão grande no rosto que os olhos, espremidos pelas bochechas, não passavam de uma linha fina. A arquibancada urrava em contentamento com o resultado e Chanyeol retirou a camiseta molhada de suor e se sentou no meio do campo com as mãos no rosto.


– Nós ficamos em segundo lugar. – Junmyeon aproximou-se de Chanyeol e tocou seu ombro nu. – Não fica assim. Fizemos nosso melhor, mas você sabe...


– Não é exatamente um consolo saber que nunca conseguimos ganhar deles porque eles são melhores. Caralho, que vergonha. Não acredito que chamei minha mãe pra cá só pra ela ver meu time perdendo. Só pode ser mesmo brincadeira.


Porra, não dava para acreditar.


Colocaram um pódio no meio do salão e Baekhyun e Chanyeol se aproximaram juntos para a entrega dos troféus. Os diretores das respectivas escolas estavam juntos dos professores de educação física e treinadores, e tudo parecia ter sido ensaiado até a perfeição. Com a cabeça erguida, o capitão alto, forte e moreno destoava completamente do outro capitão que era baixo, magricela e loiro.


O primeiro a receber o troféu foi Chanyeol. Ele subiu em cima do pódio denominado de segundo lugar e agradeceu enquanto recebia a medalha por meritocracia. Todos do time, inclusive os reservas, também receberam iguais e era difícil não fingir que estava nauseado e puto com toda aquela situação. Não queria mais participar de porra nenhuma daquela maldita premiação, só queria se enfiar embaixo da ducha do vestiário e ficar lá até os pensamentos pararem de doer. Levava o futebol muito a sério, e por mais que fosse apenas um campeonato municipal queria estar em primeiro lugar na classificação.


Baekhyun estava com uma camiseta branca molhada de suor que delineava todos os músculos frágeis do tronco e aceitou o troféu do diretor, ainda sorrindo e se curvando para agradecer. Assim que subiu no pódio do primeiro lugar, ergueu o troféu para o alto e toda a arquibancada gritou mais alto e mais forte e começaram a entoar a canção do time em um brando tão alto que Chanyeol, o mais silenciosamente que pôde, desceu e correu para o vestiário com o resto do time.


Queria mais é que tudo explodisse.

♛ ♛ ♛

O primeiro dia de aula amanheceu estranhamente frio. Mesmo que o inverno já tivesse se despedido há algumas semanas, ainda costumavam acordar com um friozinho atípico para aquela época do ano e Chanyeol xingou baixinho quando precisou correr para dentro da escola com os amigos por uma chuva que começou abruptamente. Era quase um ritual de iniciação que todos eles se encontrassem no pátio da escola no primeiro dia para conversar como havia sido o recesso de fim de ano. Eles faziam aquilo desde o segundo ano do fundamental e depois de tanto tempo não dava mais para fugir dos velhos hábitos.


– Meu pai quer que eu fique noivo da Sora. – Jongin disse enquanto tentavam empurrar todos os livros para dentro dos armários no corredor. – Ele tá dizendo que eu preciso passar alguma imagem de seriedade e preocupação com a família, mas eu só tenho 17 anos e não suporto a garota. Mas papai diz que casamento por amor é uma piada da sociedade e que tudo se trata só de vantagem.


– Não é exatamente mentira. – Chanyeol interveio. – Casamento é pura e simplesmente um contrato. Não entendo por que ficam romantizando tanto, cara. E a garota é bonita e é rica, e ainda vai deixar teu pai feliz. Casa logo com ela.


– Mas a garota é insuportável, seu otário. Você não tem ideia do quanto eu fico enjoado quando ela começa uma lista interminável de tudo o que eu faço de errado e do quanto eu preciso amadurecer e mimimi. Chata do caralho.


– Então termina com ela e arranja outra filha dos amigos vereadores do teu pai, Jongin. Impossível que todas elas sejam chatas desse jeito. – Junmyeon, após finalmente conseguir guardar todo o material, se aproximou dos dois. – Mas interrompendo esse teu papinho boiola... Chanyeol, quando que você vai abrir as vagas pro time esse ano?


– Ainda não sei, cara. – Chanyeol estava apanhando para conseguir organizar todos os livros no armário. Muitas matérias do último ano eram optativas, e ele estava se sentindo Hermione Granger em O Prisioneiro de Azkaban quando achou que seria uma excelente ideia se inscrever em mais aulas do que poderia dar conta. E ele não tinha nenhum vira-tempo pendurado no pescoço para conseguir se organizar e voltar no tempo quando duas aulas estavam acontecendo no mesmo período. – Mas esse ano eu só vou ter os melhores. É nosso último ano na escola e eu quero sair daqui com a vitória, carregando aquele maldito troféu do primeiro lugar. E se você pretende continuar no time, Junmyeon, espero que já esteja se preparando psicologicamente porque vamos treinar até a alma sair do corpo.


– Esse ano vai ser o nosso ano. – Jongin concordou após fechar a mochila e recodificar a senha do armário.


– Porra, vai mesmo. Eu passei as férias tentando montar estratégias.


Jongin começou um monólogo sobre como deveriam ser as etapas para escolha do time naquele ano quando o sinal soou pela escola anunciando o início da primeira aula. Chanyeol empurrou a mochila pesada nas costas e caminhou ao lado dos amigos até a sala de aula ainda parcialmente vazia. A professora de História estava tentando ligar o computador e os garotos escolheram um lugar no fundão, como todos os anos. Apesar de costumar bagunçar muito na sala de aula, Chanyeol não se deixava envolver muito pelos amigos porque era bolsista e precisava manter notas acima da media para permanecer na escola.


– Espero que alguém novo apareça querendo disputar a vaga de goleiro. Já faz muito tempo que o Yifan parece que entregou na mão de Deus. Todos os chutes pro gol ele perde.


Chanyeol riu e concordou com a cabeça, porque era parcialmente verdade. Estava pensando muito na escala do time durante as férias e decidiu que todos entrariam e permaneceriam apenas por meritocracia, pura e simplesmente. Não estava mais em condição de ser condescendente se não estavam conseguindo alcançar o objetivo que era obter o primeiro lugar.


A sala de aula estava ficando cada vez mais cheia e Chanyeol, se espreguiçando demoradamente na cadeira e batendo o lápis na capa do caderno, demorou algum tempo para perceber a presença de uma pessoa inesperada na sala de aula. Sentiu um solavanco na altura do umbigo quando olhou para frente e, em pé ao lado da professora, estava Byun Baekhyun.


– Caralho, o que ele tá fazendo aqui? – Ouviu Junmyeon perguntou ao seu lado.


Baekhyun estava usando um jeans escuro apertado e rasgado nas coxas e camiseta branca parcialmente escondida pela jaqueta jeans. O cabelo estava maior na parte de cima, mas meticulosamente raspado nas laterais. Ele estava com a típica expressão vazia de sempre, sussurrando alguma coisa para a professora de História com desinteresse óbvio em cada um dos movimentos, a mão presa no cordão da mochila que levava pendurada em um dos ombros. Ele assentiu quando a mulher mais velha disse algo e Baekhyun sutilmente revirou os olhos quando ela virou para a classe com um sorriso.


– Temos alguém novo esse ano. – Ela apontou para o garoto ao lado, o sorriso ainda maior. – Esse é o Byun Baekhyun e ele é aluno novo. Qualquer coisa que você precisar eu tenho certeza que os veteranos vão te ajudar, ou pode pedir a mim ou a qualquer outro professor.


– Tá bom. – Baekhyun resmungou e andou displicentemente entre as carteiras.


Chanyeol não conseguia desviar os olhos dele. Todos estavam olhando para o garoto, e Byun vasculhou cuidadosamente a sala de aula com indiferença até esbarrar os olhos nos do capitão. Conseguiu sentir o choque daquele encontro e Baekhyun abriu um sorrisinho enviesado no canto da boca, os olhos brilhando daquele jeitinho ameaçador, antes de puxar a cadeira de duas mesas à frente de Chanyeol e sentar. Ele largou a mochila aos pés da mesa e bocejou antes de apoiar o queixo na mão com tédio quando a aula começou. Percebeu que ele não fez nenhuma anotação e nem ao menos pareceu estar ouvindo a professora, mesmo que estivesse com a atenção toda voltada na direção dela.


No intervalo para a segunda aula, Chanyeol percebeu que Jongin estava digitando furiosamente no celular com o lábio inferior preso entre os dentes e uma expressão de quem estava tentando descobrir a cura para alguma doença ou a fórmula da coca-cola.


– Baekhyun foi expulso. – O amigo disse, sem desviar os olhos do celular. Chanyeol olhou ao redor apenas para ter certeza absoluta que o citado não estava por perto, mas ele tinha puxado a bolsa assim que o sinal tocou e sumido de vista tão rápido quanto chuva de verão. – Ah. Nada demais. Só pegaram ele fumando maconha na escola. Meu amigo que estuda lá acabou de me mandar mensagem.


fumando maconha. – Chanyeol frisou.


– Ele era reincidente, por isso. Pensei que tivesse sido alguma coisa mais catastrófica, tipo transar no banheiro ou algo assim. Mas talvez não seja de todo ruim, né? Se ele quiser entrar para o time...


Mas era exatamente disso que Park Chanyeol tinha medo. E seus temores se mostraram com fundamento quando fixou a data e horário para a seletiva do time de futebol da escola no ano de 2018 e Byun Baekhyun apareceu no horário, com short, camiseta, chuteiras e uma mochila pendurada no ombro. Naquele ano havia muito mais pessoas na seletiva, e Chanyeol estava com a faixa de capitão no braço quando parou na frente de todos, no ginásio da escola, e olhou rapidamente para os presentes. De forma geral, era os mesmos jogares que compunham o time no ano anterior, mas também havia muitos rostos novos.


A estratégia de Chanyeol era extrair o limite de todos eles naquela seletiva. Se fossem fracos e desistissem de primeira, seriam imediatamente descartados. Formou um time para uma partida de 20 minutos, apenas para que pudessem esquentar o sangue e também para que Chanyeol fizesse uma revisada geral em cada um e em como eles funcionavam em grupo.


Nos primeiros dez minutos de jogo, Baekhyun marcou 2 gols.


Riscou o nome do goleiro do time adversário ao de Baekhyun da lista de possíveis jogadores efetivados para a equipe. Só podia ser culpa dele não conseguir defender o gol direito. Sentiu uma coceira incômoda quando Byun, a cada gol feito, ria ligeiramente debochado na direção de Chanyeol, como se o desafiasse a recusá-lo na equipe. E aquela era a vontade que queimava no peito do capitão, mas precisava agir com calma e com sabedoria. Principalmente, não podia deixar que questões particulares ameaçassem suas decisões lógicas. Com Baekhyun no time eles seriam invencíveis. Porém... Com Baekhyun no time, Chanyeol nunca mais teria sossego. Por diversas questões que não ousava nem considerar...


Chanyeol levou duas horas para terminar a seleção. Ele agradeceu individualmente cada um pela participação e, quando chegou à Baekhyun, também apertou a mão dele como pedia o protocolo. Mesmo que compartilhassem de quase todas as mesmas aulas, nunca haviam se falado exceto por um “sai pra lá” ou “você tá atrapalhando a aula” que Baekhyun normalmente soltava em um sibilar irritado. Bem. Nada novo sob o sol.


– Sua gestão é uma merda, espero que saiba disso. – Baekhyun não soltou a mão dele. – Tipo, sério, uma merda. Sorte a sua que agora eu cheguei, porque posso tentar dar um jeito no time. Vocês não bagunçados e não têm estratégias. Ugh, tenho arrepios só de pensar em como vocês parecem um bando de cachorros perdidos quando tão jogando.


– Como sempre você é um amor. – Chanyeol forçou um sorriso na direção de Baekhyun e soltou a mão dele. – Você nem sabe se vai ser escalado pra equipe, Byun.


– Só se você for um otário. Mas... ah, eu esqueci. Você é. Se for deixar essa tua raivinha te impedir de ser o campeão no último ano da escola...


E foi exatamente aquilo que pesou na consciência de Chanyeol enquanto fitava o cursor de seu notebook. Havia começado a criar a planilha de todos que passaram na seletiva. Ele precisava enfiar Byun Baekhyun lá, a qualquer custo. Porque o time precisava dele, por mais que Chanyeol jamais fosse admitir isso em voz alta. Nunca. Ele não queria nem ao menos cogitar essa possibilidade para si mesmo, mas era inevitável.


Com dedos trêmulos, digitou o nome da pessoa que mais odiava no mundo.

♛ ♛ ♛

– Porra, você por acaso é burro? Não tá vendo que as coisas não tão funcionando desse jeito? O Junmyeon precisa jogar pela lateral, porque ele não é bom no meio de campo. O Jongin precisa permanecer sendo artilheiro ou não vamos pra lugar nenhum.


– Será que você pode calar essa maldita boca? Byun, você quer que eu tire minha faixa de capitão e te entregue? – As palavras escaparam ácidas e carregadas de ironia.


– Não sei por que até agora você não fez isso, Park. – Baekhyun respondeu imediatamente. Os dois estavam em mais um treino depois da aula. – Nossa, por que não aceita de uma vez que não sabe como comandar um time?


Aquelas brigas eram frequentes. Quando os dois começavam, demorava minutos até pararem de discutir. Junmyeon e uma boa parte da equipe reviraram os olhos e foram se jogar no chão gelado do ginásio com as respectivas squeezes apenas para observar mais uma das intermináveis discussões dos dois. Eles já estavam até acostumados, porque tudo o que Chanyeol fazia estava errado e tudo o que Baekhyun fazia estava errado. E os dois ficavam nessa até enlouquecer o resto da equipe.


– O time sempre funcionou muito bem assim, mas desde que você entrou ninguém mais tem paz! Não é possível, porra. Lá na sua escola antiga deveria ter alguma aula específica ensinando os alunos a como serem insuportáveis...


– Escuta aqui, Park, você não tem moral pra falar porra nenhuma de mim porque não existe ninguém mais insuportável. Aliás, por que não entrega um currículo lá para ser professor da matéria? Você com certeza tem tanta experiência em ser insuportável que pode dar aula!


Por que os dois pareciam criancinhas quando começavam a discutir? Junmyeon ergueu uma das sobrancelhas e concluiu que até mesmo os sobrinhos de 6 anos conseguiam discutir de uma forma mais madura e não com aquelas ofensas saídas diretamente da terceira série. Mas os dois, quando começavam, se esqueciam de todas as pessoas ao redor e era como se só existisse os dois e nada fosse mais importante do que xingar um ao outro.


– Até quando eles vão ficar nessa? – Jongin perguntou, retirando a camiseta ensopada de suor e deitando no chão gelado. – Porque eu não aguento mais.


– Eu já desisti deles. – Junmyeon respondeu no mesmo tom cansado. Simplesmente passou a mão nos cabelos molhados e suspirou pesadamente, erguendo os olhos para observar a maneira como Baekhyun estava apontando um dedo no peito de Park, como se ele não fosse muito menor e muito mais magro e Chanyeol não pudesse acabar com ele só com um soco. – Não tem jeito. Eu já cansei.


– Ei, vocês dois, chega! – Yifan, que no fim das contas voltou como goleiro do time, usou a voz alta e grossa para interromper a briga que dava indícios de que iria acabar em algum tipo de agressão física. – Olha, vamos fazer assim... Somos uma equipe e por isso precisamos levar em consideração a opinião de todo mundo. Vamos experimentar do jeito que o Byun falou, o Junmyeon na lateral e o Jongin como artilheiro. Se não funcionar, voltamos como era antes. Simples assim.


Contra a vontade, Chanyeol cedeu porque estava começando a ficar com dor de cabeça e a dor de cabeça só foi se intensificando com o passar dos minutos, até o latejar insistente deixá-lo tão mal humorado que gritou com um dos garotos do time quando ele veio perguntar as horas porque precisava chegar em casa antes das 18h. O garoto, ofendido e ligeiramente magoado, pegou as próprias coisas e saiu do ginásio arrastando as chuteiras nos ombros e xingando Chanyeol com uma carreira de nomes feios.


– Caralho... – O capitão respirou fundo. – Todo mundo dispensado. Pode ir todo mundo pra casa. Quero todos longe das minhas vistas AGORA.


Ninguém nem mesmo hesitou antes de recolher as próprias coisas. Como não tinha chuveiro para que todos tomassem banho ao mesmo tempo, eles costumavam correr até o vestiário para serem os primeiros. Chanyeol, porém, ficou para trás e começou a recolher as bolas e os acessórios que utilizaram daquele dia, consciente de que o papel de líder envolvia até os últimos e mínimos detalhes, como manter o ginásio limpo ao término de cada um dos treinos. Respirou profundamente quando pegou a squeeze e jogou o resto da água gelada em cima da própria cabeça, como se assim fosse conseguir amenizar, mesmo que um pouco, a dor de cabeça. Não funcionou.


Enquanto fazia hora do lado de fora, só porque queria utilizar o banheiro sozinho, observou lentamente o time saindo do vestiário com roupas secas e cabelos molhados, mochilas apoiadas nos ombros, em direção à saída. Eles estavam saindo em grupos, conversando e rindo, e Chanyeol costumava ser um líder realmente muito bom e participativo e nunca, jamais, brigavam entre si. Mas, por algum motivo, quase todo mundo do time andava saindo de perto quando o capitão se aproximava, principalmente se Baekhyun estava nas redondezas.


Suspirou e caminhou até o vestiário. Alguém ainda estava tomando banho, mas parecia ser a última pessoa lá dentro àquele horário. Tirou a mochila do armário e fisgou roupas secas antes de começar a retirar a própria camiseta encharcada de suor. Lentamente a dor de cabeça estava cedendo e ele sentou no banco para retirar a chuteira e as meias, e o som do chuveiro cessou abruptamente. Não estava com vontade de conversar com ninguém, muito menos com o garoto que saiu envolto a um vapor de água quente e uma toalha precariamente amarrada na cintura.


Baekhyun olhou para ele com uma sobrancelha erguida enquanto usava outra toalha para secar os cabelos curtos, e Chanyeol precisou ter algum autocontrole para manter os olhos fixos nos dele e não acabar tortuosamente desviando para outras áreas de pele exposta e molhada. Talvez fosse exatamente esse o maior problema de todos: Chanyeol desejava Baekhyun na mesma proporção que o detestava. E não era como se pudesse fugir daquela tensão sexual que praticamente consumia o capitão por inteiro.


Parando para pensar... quando que tudo aquilo começou mesmo?


Chanyeol sempre quis acreditar que aquela atração por meninos fosse só fruto de uma confusão típica da adolescência, porque ele não queria acreditar que poderia mesmo ser gay e gostar do mesmo sexo. Porém, com o passar dos anos, percebeu que sexualidade não era bem uma escolha. Era uma orientação. E, bem, se mantivesse bem escondido ninguém precisaria saber. E fingia que tudo bem sentir aquelas coisas pegajosas e o desejo intenso explodindo dentro dele se mantivesse em um lugar bem escondido e inóspito onde ninguém jamais poderia acessar.


Todos os objetos de desejo de Chanyeol se resumiram a ocasionais homens inalcançáveis, como atores ou cantores. Até conhecer Byun Baekhyun.


Byun Baekhyun já era capitão do time da escola adversária quando Chanyeol ainda nem sonhava com a possibilidade. E a atração pelo garoto menor não foi exatamente muito diferente de suas outras paixões inalcançáveis. Porém, assim que Baekhyun abriu a boca pela primeira vez perto dele, todo o encantamento de Chanyeol acabou como se ele levasse um daqueles banhos com água fria. Ele era estonteante e insuportável. E arrogante. E prepotente. E mimado. E com síndrome de se achar dono do mundo.


Caralho. Quantos defeitos numa pessoa só.


– Boa noite, Park. – A voz de Baekhyun soou incrivelmente mansa, e o capitão empurrou as meias para dentro da chuteira sabendo que coisa boa não estava por vir. Ele ergueu os olhos para o baixinho e percebeu que ele estava com aquele irritante sorrisinho enviesado enquanto procurava por roupas secas na mochila. – Não precisa agradecer pela ajuda.


– Gratidão não é nem de longe o que eu sinto por você. – Park se levantou do banco para retirar o short, a voz grossa e rouca reverberando pelo vestiário silencioso onde só os dois permaneciam. Toda a escola estava silenciosa àquele horário, porque não tinham o período letivo noturno. Se matasse Baekhyun naquele momento talvez ninguém percebesse ou sentisse falta. – Eu sou o capitão do time, Byun. Você precisa começar a entender que não tá mais na sua escola antiga. Eu quem mando aqui.


– Ai, Chanyeol! – Após encontrar uma camiseta branca e uma cueca, Baekhyun se virou para o capitão e colocou as peças em cima do banco com uma risada. – Você deveria acordar e fazer uma oração, agradecendo por eu ter sido expulso. Pelo menos agora você sabe que vamos ser campeões no final do ano. E eu nem ligo se você levar os créditos pelo trabalho que eu vou fazer.


Desse jeito? Nem em sonho. Você reparou que a equipe inteira tá estressada e fugindo de mim toda vez que eu chego perto, só por que você fica me pentelhando a vida e eu acabo descontando em todo mundo?


– Não tenho culpa se você não sabe controlar o seu mau humor. – Baekhyun deu de ombros enquanto colocava a cueca por baixo da toalha ainda amarrada na cintura. Naquele momento Chanyeol percebeu que ele tinha uma aliança de prata no dedo anelar da mão esquerda. – E eles não precisam gostar de você. Só precisam respeitar e obedecer. Você acha mesmo que minha equipe gostava de mim? Eles me queimariam vivo, se pudessem. Mas eu ganhei todos os campeonatos.


– Eu te queimaria vivo, se pudesse. – Chanyeol voltou a se sentar no banco, cansado e com a dor de cabeça dando indícios de que iria voltar. Observou Baekhyun enfiar as pernas dentro da calça de moletom, a toalha jogada por cima do ombro. Os cabelos dele ainda estavam pingando, e Chanyeol não conseguia parar de olhar para ele. – Ninguém te suporta.


– Ah, que pena. – Baekhyun não parecia se importar nem um pouco. – Deixe o Junmyeon jogando na lateral e o Jongin de artilheiro e depois você me agradece. Estou adorando a conversa e sua companhia mais do que adorável, mas tô atrasado pro jantar. – Ele colocou a mochila no ombro, todo transpirando ironia, e caminhou até a saída do vestiário, porém estacou antes de sair e olhou por cima do ombro. – Ah, e Chanyeol... Você tá precisando de uma boa transa.

♛ ♛ ♛

O sol estava entrando pelas frestas da janela e tocando vertiginosamente a pele branca como leite de Byun Baekhyun. Era um dia muito quente de verão, e ele estava de regata e os jeans mais justos que Chanyeol já havia visto alguém vestir. Naquela roupa, a bunda dele ficava quase insuportavelmente gostosa e era absurdo o que ele era capaz de fazer com a cabeça do capitão.


A professora de física estava ensinando um cálculo. Mas sobre o que se tratava mesmo? Caralho, era cada vez mais difícil se concentrar na aula quando Baekhyun estava lá, duas cadeiras à sua frente, tocando a própria nuca com os dedos pornográficos e lindos. Por causa da regata, uma boa parte da nuca branquinha dele estava exposta e tudo o que Chanyeol queria era poder deslizar a língua naquela pele e descobrir se o gosto dele era tão bom ou parecido com o cheiro doce que ele exalava. Ele estava recebendo uma secada tão descarada que nem foi surpresa quando o menor procurou uma garrafinha de água na mochila.


– Chanyeol, você tá bem, cara?


– Eu... o quê?


Chanyeol olhou para Junmyeon, sentado ao seu lado, e percebeu que estava inclinado sobre a carteira e rapidamente voltou a encostar as costas no encosto da cadeira, pigarreando para limpar a garganta.


– Tá. Tá tudo bem sim. Só tô com dor de cabeça.


– Sei. – Junmyeon olhou uma última vez para Chanyeol antes de voltar à atenção para o próprio caderno, rapidamente fazendo anotações e circulando números e fórmulas.


Demorou menos de dois minutos para Chanyeol voltar o olhar para Byun Baekhyun.

♛ ♛ ♛

Toda a escola estava excitada por que naquele dia iria ocorrer a primeira partida de futebol do ano. Chanyeol, que já havia tirado o coro de todo mundo do time, estava num puta mau humor e querendo destroçar alguém. Estava esperando só o primeiro que iria aparecer. E ao mesmo tempo em a quadra ia enchendo de gente, o capitão se adiantou para conversar com o juiz que apitaria a partida somente para fazer presença e deixá-lo ciente de que não aguentaria qualquer tipo de favoritismo para o time adversário.


Estava voltando quando esbarrou com Baekhyun parado em frente à porta do vestiário, a mão no quadril de uma garota bonita que estava sussurrando alguma coisa com um sorriso no canto da boca. Considerando que o rosto era totalmente novo, com certeza não era da escola, mas os dois usavam alianças idênticas de compromisso e um bolo gelado desceu até o estômago de Chanyeol, antes que pudesse evitar.


Baekhyun estava sério, encarando a garota com desinteresse óbvio, e sussurrou rispidamente uma resposta antes de se inclinar para beijar a boca pintada de batom. Chanyeol sentiu a raiva exponencialmente crescendo dentro dele por Baekhyun ser a merda de um idiota e mesmo assim ter uma vidinha perfeita. Rico, cheio de dinheiro, com uma namorada perfeita que com certeza deveria fazer todas as suas vontades... Pensando em tudo isso, entrou no vestiário e olhou par o time que terminava de se vestir. Junmyeon estava terminando de levantar a meia quando Chanyeol o chamou.


– Mudança de planos. Vamos todos voltar com a estratégia anterior. Junmyeon, você já sabe... Jongin, volte a jogar no meio de campo.


– Mas...


– Sem mas! – Chanyeol praticamente gritou no vestiário. – Eu sou o capitão do time e eu decido como é melhor pra equipe.


– Onde que tá o Byun? – Algum deles sussurrou.


– Foda-se o Byun! Ele não vai jogar hoje, vai ficar sentado no banco de reserva até aprender que se não me obedecer não vai fazer parte do time.


– O que você disse, Park? – Baekhyun estava entrando no vestiário, já completamente vestido e com os olhos sérios fixos no capitão do time. Ele cruzou os braços no peito e estreitou ameaçadoramente os olhos. – Repete, porque acho que eu não entendi bem.


– Você entendeu. – Chanyeol disse pausadamente. – Você tá fora da partida. Vai sentar no banco de reserva até aprender que o capitão sou eu. E que sou eu quem manda nessa merda. Eu já me cansei de você querendo que tudo seja do teu jeito, e eu não aguento mais ouvir a tua voz querendo insinuar que o nosso time não presta. Caralho, você é tão irritante que eu não quero mais olhar pra sua cara hoje.


– Vai se foder, Chanyeol! Você é um merda, isso sim. Muito pior do que eu imaginei que fosse já que vai colocar a porra do time inteiro pra se foder só por que quer fingir que tem algum controle aqui dentro. Nós temos tudo pra ganhar se fizermos do jeito que eu falei.


– VOCÊ NÃO É A MERDA DO CAPITÃO DO TIME! – Chanyeol gritou, o ódio crescendo dentro dele cada vez mais e tornando seus pensamentos irracionais e confusos. O sangue estava correndo com força nos ouvidos, tornando-o surdo pra todas as consequências que aquelas decisões podiam trazer. – Você vai ficar no banco. Kyungsoo vai assumir seu lugar. Entenderam? Fui claro o bastante com todo mundo?


– Seu filho da puta! – Baekhyun estava com linhas vermelhas de raiva no rosto e avançou em cima de Chanyeol com tanta força que o capitão quase não conseguiu detê-lo. Os dois caíram no chão e rolaram. – Você é um ser humano de merda, Park.


Baekhyun acertou um soco em cheio nas costelas de Chanyeol, e o capitão do time estava tão puto que tudo o que conseguiu fazer foi retribuir o golpe e empurrá-lo contra o chão do vestiário, enxergando em branco e vermelho. Sentiu alguém tentando separar a briga, mas imediatamente empurrou a pessoa e voltou para cima de Baekhyun com força, experimentando o gosto metálico de sangue na boca quando ele acertou seu maxilar com punhos fechados. O garoto tinha muito mais força do que parecia, e os dois voltaram a rolar aos chutes e socos.


Estava fervendo por dentro e a adrenalina fazia com que Chanyeol se tornasse cego e surdo pra tudo ao redor. Queria continuar esmurrando Baekhyun até que conseguisse controlar a raiva que queimava dentro dele, mas três pares de braços o seguraram e o capitão olhou para Baekhyun uma última vez, a camiseta coberta de sangue enquanto cuspia sangue no chão do vestiário.


– Vocês não podem entrar sangrando para jogar. – O professor de educação física disse mortalmente pálido. – Estão suspensos. Os dois. Por tempo indeterminado. E de detenção. Terças e quintas depois da aula, por um mês.


Chanyeol voltou a cuspir sangue no chão. Estava mortificado pela própria atitude e descontrole, mas não disse mais nada. Somente puxou a mochila e saiu do vestiário com uma toalha na bochecha para estocar o sangue de um corte feito pela aliança de Byun Baekhyun.


Suspenso por tempo indeterminado.


E de detenção por um mês.

♛ ♛ ♛

Não olhou para Baekhyun quando entrou na sala de aula do quinto andar para cumprir a detenção. Sentou-se o mais longe possível dele e jogou a mochila no chão, ainda sentindo o rosto doer todas as vezes que tentava mexer qualquer músculo facial. Estava com um belo de um olho roxo e a parte inteira da boca cortada, mas estava satisfeito porque havia deixado o outro bem pior. Baekhyun mal conseguia abrir o olho direito e estava andando curvado, e Chanyeol chegou à conclusão que ele deveria estar no mínimo com uma das costelas doloridas. Melhor assim.


Porém não podia ficar se dando a esse luxo. Era bolsista e agora estava suspenso do time de futebol e teria que passar um mês cumprindo detenção, mas era melhor do que ser expulso faltando tão pouco para se formar... Era o último ano do ensino médio e a esperança de Chanyeol era obter uma bolsa na faculdade através do futebol, mas não iria conseguir se continuasse agindo como um maldito maníaco. Ainda não conseguia acreditar que tinha mesmo sido capaz de sair aos socos com Byun Baekhyun... Porra.


– Eu ia dar um sermão nos dois, mas acho que vocês já se arrependeram do que fizeram. – O professor destinado para a detenção começou a falar. – Porque, primeiro, pela cara de vocês eu sei que ainda estão sentindo dor. E, segundo, nosso time perdeu o primeiro jogo do ano. Espero que isso não volte a acontecer. Principalmente você, Chanyeol, que é capitão e precisa ser o exemplo para o resto do time...


Baekhyun, no fundo da sala, soltou uma risadinha debochada.


Chanyeol fechou as mãos em punho em cima da mesa e ignorou.


– Quero uma redação à mão, de 1.500 palavras, sobre o porquê jamais devemos usar a violência para resolver algum conflito.


– Caralho, mil e quinhentas palavras?


– E você tem sorte de não ser ainda mais, considerando o que fizeram... Vou voltar em 1 hora e meia, meninos, e quero que esteja pronto. Em uma letra legível, ou terão que refazer com outro tema. E com duas mil palavras.


– Que inferno... – Chanyeol resmungou para si mesmo quando puxou uma caneta dentro da mochila e escreveu um título mal elaborado no início da folha, após ver o professor saindo da sala e a porta batendo, denunciando que agora os dois estavam sozinhos.


Mil e quinhentas palavras. Só podia mesmo ser brincadeira. E tudo por causa daquele imbecil do Baekhyun.


– Satisfeito, Park? – Baekhyun, em algum momento, havia se levantado da cadeira no fundo da sala e estava caminhando entre as carteiras. Novamente tinha os cabelos bem curtinhos e, pela primeira vez, estava com o uniforme da escola. Ele ficava indiscutivelmente bonito de social, e a camiseta estava com os primeiros botões abertos. – Agora estamos aqui, eu e você, por duas horas inteiras. Realizou seus sonhos eróticos.


– Cala a boca, Byun. – Chanyeol puxou a folha para mais perto, forçando a cabeça a funcionar porque precisava começar a elaborar o texto. – Melhor você começar logo ou não vai conseguir terminar a tempo.


– Eu deveria te obrigar a fazer o meu, porque se estamos aqui a culpa é toda sua.


Minha? Você avançou em cima de mim no vestiário. – Chanyeol interveio. – É sua culpa.


– Você disse que ia me colocar no banco de reserva. – Ele riu com escárnio. – Eu? Byun Baekhyun no banco de reserva? Prefiro mesmo ser suspenso. E ainda colocaram o babaca do Junmyeon como capitão interino... – Aproximou-se da mesa de Chanyeol com um riso debochado. – E eu pensando que não tinha como escolherem alguém pior do que você...


Estava mais do que claro que era um daqueles dias que Baekhyun estava particularmente inspirado e com vontade de encher o saco, porque ele caminhou pela sala inteira até sentar na carteira ao lado de Chanyeol com os braços cruzados no peito. E o capitão não conseguiria se concentrar naquela maldita redação se o outro estivesse tão perto, com aquele cheiro almiscarado tão bom que deveria ser crime. Mas por que diabos ele precisava ser tão insuportável o tempo inteiro? Com um grunhido baixo, largou a caneta em cima da mesa e olhou para Baekhyun nos olhos.


– O que você tem contra mim, afinal de contas? – Não se lembrava quando que os insultos começaram.


– Nada. – Baekhyun respondeu na mesma hora. – Não é com você. É com todo mundo, não sei se ainda não reparou. Não precisa se sentir importante e nem nada disso, Park. Não é exclusividade sua. Mas você consegue se destacar um pouquinho, acho que por ser mais burro que a maioria.


– E mesmo assim você tá aqui falando comigo... – Chanyeol observou o óbvio.


– Você me faz perceber o quanto eu sou inteligente. – O garoto menor sorriu de lado, um daqueles sorrisos que enervavam Chanyeol até quase deixá-lo insanamente fora de controle, e então se inclinou um pouquinho na direção do capitão. – E que vai ser muito, muito fácil eu conseguir assumir o lugar de capitão da equipe.


Chanyeol se ergueu da cadeira e imediatamente avançou em cima de Baekhyun, o sangue correndo forte nos ouvidos e o corpo inteiro tremendo de raiva. Conseguiria aceitar qualquer provocação, qualquer insinuação, qualquer xingamento, mas não iria permitir que ele cogitasse a possibilidade de roubar seu posto de capitão. Sabia que não deveria estar agindo irracionalmente de novo, mas antes que pudesse perceber estava rolando no chão com Baekhyun por cima, mas ele parecia estar se divertindo tanto com o descontrole óbvio de Chanyeol que alterar as posições se mostrou incrivelmente fácil. Estava com a respiração ofegante quando prendeu as duas mãos de Baekhyun acima da cabeça dele, a expressão anormalmente séria e os olhos fixos nos dele.


– Você não vai ser capitão do time. – Chanyeol quase cuspiu as palavras. Ser capitão era tudo o que ele possuía naquela escola. – Nem que eu tenha que te surrar inteiro até você entender que não é a porra do dono do mundo, Byun. Nem que eu tenha que te colocar sentado no banco todas as partidas da temporada. Vou te fazer entender quem é que manda nessa merda, você entendeu?


Chanyeol havia perdido o ar de deboche e agora estava com as sobrancelhas franzidas e os lábios entreabertos, uma tensão quase imperceptível no corpo. Ele era muito bom em esconder quando sentia alguma coisa, mas o capitão passara tanto tempo observando-o que já conseguia notar pequenas alterações e mudanças no rosto bonito.


– Tá, Park. Entendi. Sai de cima de mim, caralho. – Baekhyun estava se debatendo no chão, tentando puxar as mãos e Chanyeol apenas engrossou o aperto, mantendo-o refém e tentando ignorar a fricção dos quadris a cada vez que o corpo abaixo do seu se debatia. – Porra, me solta!


Chanyeol, após perceber que ele realmente estava falando sério, afrouxou o aperto nos pulsos presos acima da cabeça e os corpos se esfregaram quando o capitão tomou impulso para se erguer do chão e, com incredulidade, percebeu que Byun Baekhyun estava com uma ereção por baixo da calça social. Era tão nítido e claro quanto era surpreendente. E o garoto menor nem mesmo o olhou nos olhos quando se ergueu do chão, limpou a roupa com a mão e foi atrás da mochila no fundo da sala.


– Foda-se essa detenção. – Baekhyun vociferou. – Foda-se você também, Park Chanyeol.

 

O capitão permaneceu no mesmo lugar por longos segundos após Baekhyun sair com estrépito da sala de detenção. Parado no chão de linóleo da sala, o coração estava batendo com tanta força nos ouvidos que não se surpreenderia se todos daquele prédio pudessem ouvir o sangue correndo em suas veias.


Caramba.

♛ ♛ ♛

Chanyeol bateu uma punheta atrás da outra depois do primeiro dia de detenção. Todas as vezes que pensava em Byun Baekhyun, enraivecido e submisso abaixo dele, o pau ficava duro sem que pudesse evitar. Nunca nem achou que pudesse ser possível ter tantas ereções num mesmo dia, mas descobriu que era possível sim. E a cada vez que a mão encontrava apressadamente o pau por baixo dos lençóis, fechava os olhos e pensava no outro garoto com os lábios entreabertos e as sobrancelhas franzidas, implorando para que Chaneyol o soltasse porque tinha medo do capitão perceber o que estava acontecendo.


Na aula do dia seguinte, Baekhyun entrou na sala sem olhar para ninguém. Mas não era nenhuma surpresa, considerando que ele nunca olhava para ninguém. Era como se ninguém fosse digno o suficiente para A Realeza Byun. No entanto, nada conseguia apagar da mente de Chanyeol tudo o que havia acontecido na noite anterior e duvidava que algum dia pudesse esquecer.


Mas não tinha pretexto algum para falar com Baekhyun agora que os dois estavam indefinidamente suspensos do time. Mas havia alguma coisa formigando insistentemente na cabeça de Chanyeol: talvez aquela tensão sexual fosse recíproca, e não unilateral. Mas então o capitão se lembrava da aliança no dedo de Byun e se forçava a parar de criar qualquer tipo de expectativa em cima daquela constatação impossível.


Byun Baekhyun jogava no time adversário ao de Chanyeol.


E mesmo que os dias parecessem se arrastar, não pôde deixar de sentir o coração acelerado no peito quando chegou na sala para o segundo dia de detenção. Porém, não encontrou ninguém além do professor sentado na cadeira giratória, lendo algum artigo no jornal local e com os pensamentos aparentemente longe.


– Boa tarde, professor.


– Tá na lousa. Só estou esperando o senhor Byun chegar.


Quinze minutos depois, Baekhyun chegou na sala de aula com os cabelos molhados e sem o uniforme da escola. Usava calça de moletom e camiseta branca grudada ao corpo pelo banho recente. Ele estava de mau humor, pela maneira como jogou a mochila em cima da mesa sem nem ao menos cumprimentar o professor ou Chanyeol. Não que qualquer um dos dois esperassem algo diferente.


– Ainda bem que nos deu o ar da graça, Byun. – A voz do professor era tranquila e serena, e Baekhyun somente ergueu uma das sobrancelhas em resposta. – Você agora tem mais uma semana de detenção, espero que use o tempo pra reflexão.


– Claro que sim, professor. – A voz estava carregada de ironia.


O professor saiu da sala não muito tempo depois e os dois caíram em um silêncio mórbido. Chanyeol forçou a mente para trabalhar no novo tema proposto pelo professor e organizar os pensamentos em palavras, mas era difícil porque o corpo estava tenso e os pensamentos muito longe – na verdade, não tão longe assim. Os pensamentos estavam há alguns metros de distância, do outro lado da sala, escrevendo furiosamente numa folha de caderno.


– Para de me olhar. – Baekhyun disse de repente.


– Você não manda em mim. Quantas vezes já te disse isso?


– Para com isso, porra. Não me olha desse jeito, Chanyeol. Não sei qual é a sua, mas eu não vou entrar no teu joguinho.


– Não sei do que você tá falando. – O capitão revirou os olhos e tentou voltar a atenção para a própria redação, consciente de que precisava tirá-lo da cabeça ou não conseguiria se concentrar em mais nada.


Porém, antes que pudesse voltar a escrever, ouviu o estrépito quando uma caneta caiu no chão e a cadeira raspou no piso de linóleo. Ergueu os olhos exatamente no momento em que Baekhyun estava em cima de seu corpo, e por alguns segundos teve certeza absoluta que ele estava vindo socá-lo novamente. No entanto, o garoto menor passou uma das pernas pelas coxas de Chanyeol e sentou no colo do capitão do time, os olhos enraivecidos e a boca deliciosamente vermelha.


– Fica quieto. – Baekhyun rosnou.


Chanyeol imediatamente levou as mãos pesadas e grandes para o quadril dele, puxando o corpo menor para mais perto e encarou-o de perto um segundo antes de grudar as bocas em um beijo tão esperado que nada mais estava fazendo sentido na cabeça do capitão exceto a necessidade por mais. Baekhyun mordeu o inferior dele com força o suficiente para machucar, e puxou a carne até permitir que ela escapasse sozinha e as bocas se afastaram com um som molhado no silêncio absoluto daquela sala. Porra, Baekhyun jogou a cabeça para trás quando Chanyeol empurrou o quadril contra o dele e percebeu que ambos já estavam duros quase que no momento que os corpos se juntaram.


– Vem cá. – Chanyeol exigiu, erguendo-se da cadeira com o garoto ainda no colo e empurrando tudo da mesa para colocar Baekhyun sentado. Encaixou-se nas pernas do garoto e afundou o rosto no pescoço dele, mordendo e chupando a pele muito branca e vendo-o se contorcer, encaixando as pernas ao redor do quadril do capitão e puxando-o para mais perto. O corpo inteiro ficou tenso, e Chanyeol desceu os olhos para ver o contorno do pau dele naquela calça cinza de moletom. – Porra, quero comer você. Agora.


– Você tá louco? – Baekhyun riu com escárnio, mas não combinava mais com as bochechas vermelhas e aquela boca gostosa toda inchada pelos beijos. – Nem sonha, Park. Você não vai enfiar esse pau em mim nem se eu tiver morto.

– Shh... – Chanyeol voltou a grudar os lábios e Baekhyun já estava de boca aberta, e as línguas dos dois se esbarraram no meio do caminho. – Preciso gozar. Já bati tantas punhetas pra você, se tivesse alguma ideia...


– Eu sei, capitão. – Chanyeol foi puxado para mais perto pelas pernas de Baekhyun que estavam ao redor de seu quadril, e soltou um gemido assim que os paus roçaram por baixo das roupas. – Eu sou irresistível. E eu vi todas as vezes que você olhou pra minha bunda...


Baekhyun moveu o quadril de cima para baixo, esfregando as ereções com força uma contra a outra. O capitão segurou a cintura dele com as duas mãos e soltou ruidosamente o ar pelos lábios, sentindo a fricção dos membros juntos e sentindo que estava surpreendentemente perto de gozar. Desceu as mãos até a bunda de Baekhyun e encheu os palmos na carne farta, aproveitando para obrigá-lo a rebolar mais forte e aumentar a intensidade com a qual se moviam.


Baekhyun era tão lindo que doía. Estava quase debruçado na carteira, a cabeça para trás e o pescoço exposto, uma expressão intensa de prazer e um vinco entre as sobrancelhas que denunciava o quanto ele também estava deliciosamente perto de ter um orgasmo. Caralho, não dava para acreditar que ia gozar com Byun Baekhyun na sala de detenção, correndo o risco de serem flagrados a qualquer momento. E como se lendo os pensamentos do capitão, o garoto menor abriu os olhos alguns segundos antes de tremer muito forte e contrair o corpo inteiro em um orgasmo que desencadeou o de Chanyeol.


Moveram-se por mais alguns segundos, juntos, no mesmo ritmo, até a tensão diminuir consideravelmente e tomarem consciência de onde exatamente estavam.


Baekhyun foi o primeiro a recuperar a consciência e testou as pernas antes de empurrar Chanyeol e se erguer. Estava arrumando os cabelos quando sentou na cadeira novamente e puxou para perto a folha da redação.


– Termina aí essa merda logo antes que o professor apareça.


Chanyeol, dando de ombros e com um sorriso satisfeito nos lábios, apenas concordou com a cabeça e ignorou o incômodo molhado dentro da calça.

♛ ♛ ♛

– PORRA, CHANYEOL!


Baekhyun estava correndo no meio do campo e tentando organizar o time. De novo. Chanyeol revirou os olhos quando se aproximou do outro e observou os olhos dele faiscando de raiva enquanto apontava para Junmyeon, no outro extremo do ginásio. Prevendo uma nova briga, o restante do time tomou distância dos dois.


Era normal que os dois brigassem. Mesmo após a detenção e a suspensão temporária do time, nada tinha adiantado para amenizar o ânimo dos dois. O que o restante do time não sabia, no entanto, era que eles conseguiam descontar a frustração um no outro de uma outra maneira, quando estavam sozinhos.


– O que foi dessa vez?


– O Junmyeon não tá dando uma dentro, caralho. Manda ele aprender a chutar uma bola ou então pegamos o Kyungsoo e colocamos ele como titular. Juro que eu tô quase desistindo dessa merda de time e entrando pro teatro. Pelo menos me estresso menos.


– Deixa que eu resolvo com o Junmyeon. – Chanyeol afastou os cabelos do rosto e ia se afastando. Porém, lembrou-se de alguma coisa e virou o pescoço para encarar o outro. – Ah, e Baekhyun... Você tá precisando de uma boa transa. 

1 de Julio de 2018 a las 19:10 2 Reporte Insertar 22
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Giovanna Romanini Giovanna Romanini
6 de Noviembre de 2018 a las 05:59
Lais Rodrigues Lais Rodrigues
Chega deu um alívio quando tava fuçando o site e achei essa maravilha de história. Pensava que não ia mais ler essa beldade, até ergui as mãos pro alto e agradeci kkkkkkkk
26 de Octubre de 2018 a las 19:27
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