Inseguranças Seguir historia

lolly nico f

Jimin se lamentava por não ser notado pela garota pela qual estava apaixonado e culpava a si mesmo. Jungkook era só o amigo que estava lá para ele e acabou falando demais.


Fanfiction Bandas/Cantantes Todo público.

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Por baixo dessas inseguranças

— Hoje eu a vi outra vez.

Jungkook, que estava no sofá da sala, me fitou, pausando seu jogo.

— E como foi?

Suspirei, largando minha mochila no corredor e seguindo para perto de si. Era terça-feira, o único dia da semana em que meus pais não podiam me buscar no colégio por terem que fazer hora extra no serviço. Também por esse motivo, eu ficava na casa de Jungkook até eles chegarem, pois normalmente o faziam tarde.

Naquele dia, após ser liberado da educação física, o único motivo para eu ficar até as duas e meia no campus, fui até o mercado mais próximo para comprar um refresco. Nem pensei quando caminhei até lá, o calor me tomava toda a atenção. Eu não sabia que ela ainda estava trabalhando naquele lugar.

— Achei que tinha superado — falei com sinceridade. — Não a via desde o oitavo ano, meus sentimentos já deviam ter desaparecido no ano que se passou.

A garota era um ano mais velha que eu, e enquanto eu estava na oitava série, ela estudava na nona. Quando passei de ano, ela mudou de escola, já que aquela não ensinava para o segundo grau. 2015 se foi e eu me obriguei a superá-la.

— O que mais? — insistiu no assunto.

Dei de ombros. Eu me encontrava em um estado estranho de torpor depois daquela tarde, então estava sendo difícil organizar as ideias.

— Todos os caixas estavam cheios, mas aquele, em especial, tinha menos gente. Foi lá que fui — contei. — Só percebi quando chegou a minha vez de pagar. Ela estava bem ali, sabe, me olhando, provavelmente reconhecendo.

— Ela estava empacotando naquele caixa?

Balancei a cabeça em concordância.

— E o que você fez? — ele continuou.

Jeon Jungkook, meu melhor amigo, tinha 14 anos, completado tal idade em setembro do ano passado, enquanto eu fiz 15 em outubro. Agora que tinha mudado de colégio para fazer o ensino médio, também já não o via mais com tanta frequência, nossos horários não batiam. Além de que o meu ensino era integral, e o dele, não. Podem pensar que 14 anos é muito pouco, mas Jungkook tinha muito mais cabeça que muita gente que eu conheço.

— Paguei pelo refresco e saí, sem sequer olhar para ela ou pegar uma sacola. Devo ter passado a pior das impressões.

O garoto riu baixinho, se virando no sofá de modo que ficasse de frente para mim. Apoiou o queixo na mão e o cotovelo no encosto do móvel.

— Você estava nervoso, Jimin. Não te culpo.

Passei a mão pelos cabelos, frustrado.

— Sim, e é isso que não entra na minha cabeça. Eu já devia ter superado, Jungkook. Tanto tempo sem ter notícias dela…

— Ei. — Me tirou dos meus devaneios, colocando a mão no meu ombro. Me virei de frente para ele também. — Sentimentos fortes assim requerem tempo para passar, você sabe disso. Lembra quando acabei gostando da namorada do Tae aquela vez?

Aquela era uma história cômica. Taehyung, seu outro melhor amigo, tinha começado a namorar havia um bom tempo. Jungkook nunca tinha olhado para Joohyun daquela forma, pelo menos não até sonhar com a coitada. Não, não pensem besteira, foi um sonho bonito, até, onde ela entrava na igreja e ele era o noivo. Era um sentimento puro demais. Jungkook nunca pôde fazer nada, pois Taehyung realmente gostava da morena, e a recíproca era verdadeira.

— É diferente — respondi. — Seus sentimentos giravam ao redor de uma ilusão da sua mente, Jungkook. O que eu senti pela Seulgi por dois anos e, aparentemente, continuo sentindo, é bem real, te garanto. Eu só não queria que doesse tanto assim.

— Nunca pensou em pedir o número dela ou, sei lá, só dizer um oi? — Jungkook questionou. — Basta dar boa tarde.

Dei um sorriso triste. Eu nunca teria coragem de fazer aquilo.

— Que tal, da próxima vez que for àquele mercado, você estar pronto para puxar assunto?

— Não, nunca — rapidamente neguei.

— Por que, Jimin? — Fiquei calado. — Eu posso te ajudar com isso, posso até ir contigo. Como você é meio tímido, não me importo em ensinar alguns truques infalíveis para chegar na gata e…

— Você ainda não entendeu, Jungkook? — Olhei para ele, sentindo os olhos meio úmidos. — Eu simplesmente não posso interagir com ela, olhar para ela ou sequer pensar nisso, pois só me machuca mais. Acha que Seulgi um dia me veria como a vejo? Jungkook, olhe para mim. Estou acima do peso, na puberdade, tenho várias espinhas na testa e coxas flácidas. Minhas bochechas também não colaboram, já estão tão grandes que meu lábio inferior vai para frente sozinho. Antigamente ainda estava pior, antes de eu tirar o aparelho, mas não houve tantas mudanças assim. Sem falar nesses óculos de descanso que devo usar no colégio ou quando for forçar a vista… já viu como meu rosto fica estranho com eles? Não vou nem falar do quão bobão eu me torno diante de situações de nervosismo. Eu sempre, sempre, consigo estragar as coisas, de um jeito ou de outro. Por favor, não tente me fazer ser como você, que tem amigos para dar e vender e não precisa cuidar da alimentação por estética, já que não engorda. A sua confiança, Jungkook, sequer se compara à minha. É tão difícil assim de entender?

Prendi um soluço. Nem percebi quando algumas lágrimas escaparam, rolando pelas maçãs do meu rosto. Poxa, por que o amor dói tanto?

Jungkook, aparentando preocupação, passou o polegar por onde as lágrimas haviam passado. Ele já tinha me visto chorar, mas eu ainda odiava estar tão frágil para os outros.

— Jimin, ei. — Segurou meu queixo, me impedindo de virar o rosto. Olhei nos seus olhos, respirando fundo e tentando ignorar o bolo na garganta. — Droga, não sei nem por onde começar. Você não está acima do peso e não tem nada de errado com as suas coxas ou com a sua testa. Seu corpo só é mais modelado que o dos outros caras da sua idade, há problema nisso? Esse beicinho que você diz ser causado pelas bochechas avantajadas, cujas quais eu acho lindas e sinto vontade de apertar o tempo todo, está longe de ser algo ruim. Usar óculos também não te faz pior ou melhor, não muda praticamente nada na sua aparência, você continua o mesmo para mim. E, por último, você não é um bobão. Todos erram, não há nada mais comum, é o que nos torna humanos. Infelizmente, você não escapou disso e é tão propício a errar quanto eu ou até mesmo a Seulgi. Se sua confiança está baixa é porque você não se valoriza o bastante, não se vê como eu vejo. Merda, Jimin, como pode não ver que todas as características suas que você considera defeitos apenas te deixam mais perfeito? Você inteiro é perfeito, apaixonante do jeitinho que é, acredite quando digo que não precisa mudar nada. Se a Seulgi não vê quem você é de verdade por baixo dessa insegurança toda, quem perde é ela.

Quis desviar o olhar, porém não consegui. Eu já não era o único a chorar. O que tudo aquilo significava?

— Jungkook, eu…

— Eu só queria que entendesse que você não é pior que ninguém, que não precisa se rebaixar dessa forma. Dói tanto te ver desse jeito, Jimin, você não tem noção…

Baixei a cabeça, fungando. Estava confuso, não sabia o que pensar e isso me assustava. Por que ele tinha que ser daquele jeito?

Ficamos em silêncio por alguns instantes. Eu, focado nas minhas lágrimas secas, e Jungkook, nos seus soluços. Esperei que se acalmasse, o que levou um tempo.

— Falei demais, não falei? — ele se pronunciou, já calmo. — Eu sei como é gostar de alguém e a pessoa sequer dar moral, como se não percebesse, o que é bem provável. Desculpa se te assustei ou…

— Está tudo bem — assegurei. Ele soltou meu rosto e aproveitei para lhe dar um abraço. — Posso te perguntar uma coisa? — Ele assentiu com a cabeça. — De quem você gosta? Quem faz o seu coração doer?

Ele ficou quieto. Aguardei.

— É você, Jimin. — Jungkook se afastou e me olhou nos olhos, colando nossas testas. Acariciou minha bochecha. — Desculpa por não ter te contado, mas eu descobri que sou bissexual há uns meses e, bem, você não é. Sei que não gosta de mim como gosto de ti e essa é a pior dor do mundo. Por favor, não se afaste, eu não suportaria perder a tua amizade.

Suspirei algumas vezes, sem acreditar no que tinha ouvido. Jungkook gostava de mim. Meu melhor amigo gostava de mim. Alguém gostava de mim.

Talvez eu soe egoísta ao dizer isso, mas é bom se sentir amado. É bom pensar que o coração de alguém bate descompassado por você. Eu não brincaria com ele, jamais, mas não daria a palavra final. Não ainda.

Eu não gostava de Jungkook daquela forma, realmente, mas era errado pensar em dar uma chance àquela possibilidade? À possibilidade de gostar de alguém e ser retribuído? Era errado querer um pouquinho de carinho, para variar?

— Eu não vou a lugar algum, Jungkook — finalmente encontrei minha voz. — Talvez eu aprenda a sentir por você o que você sente por mim, mas não agora. Não é justo com você, não é justo comigo, pelo menos não quando eu ainda tenho outra pessoa em mente. Está disposto a esperar por mim?

Ele sorriu pequeno, colando nossos narizes e assentindo. Se aproximou mais, porém recuou antes que nossos lábios se tocassem. Ainda era surreal pensar que alguém me desejava como eu desejava Seulgi, sem ser no sentido sujo da palavra.

Respirei fundo, tomando, pela primeira vez na vida, uma decisão certa. Em um movimento rápido, dei um selinho desajeitado em Jungkook, me afastando logo em seguida, envergonhado. Mesmo não tendo sido nada de mais, aquele ato mínimo pareceu alegrar o meu melhor amigo de maneira inexplicável.

É, talvez Jungkook fosse o que eu precisava para consertar meu coração despedaçado pelo primeiro amor platônico. Isso só o tempo diria. Mas o que eu sabia naquele momento era que, com ele, todas as minhas inseguranças desapareciam, e nenhuma sensação de igualava.

7 de Julio de 2018 a las 01:28 0 Reporte Insertar 0
Fin

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nico f "i'm on a curiosity voyage and i need my paddles to travel. these books are my paddles. i need my paddles!" wattpad: intohobi spirit: intojk

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