A Teoria do Nosso Amor Seguir historia

mikokira Annie Hyeshi

Não que Sesshoumaru Taisho fosse um teimoso de marca maior, ele apenas não ia muito com a cara das estrelas, porque achava-as superestimadas demais. Um bom astrônomo sabe que, uma vez que você desconhece o céu — porque jamais possuímos conhecimento completo do infinito que nos abrange —, você encontra variações muito mais interessantes do que células mortas cósmicas. Por falar em astros imponentes, dois em especial chamavam a atenção do futuro astrônomo: Saturno e Netuno. Ora, se toda a atenção que o céu recebe é pelo o que conseguimos ver a olho nu, onde está a importância de dois dos quatro gigantes? Uma verdadeira injustiça. A única coisa que o estudante de astronomia não conseguia teorizar era por que Netuno passara a assumir um significado além para si.


Fanfiction Anime/Manga No para niños menores de 13.

#linguagem-imprópria #insinuação-de-sexo #heterossexualidade #romance #fluffy #família #comédia #shortfic #universo-alternativo #Peixes-x-Capricórnio #Astronomia-x-Astrologia #Suikyou #Mirsan #Sesshygome #SessKag #inuyasha
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Os anéis de Saturno estão fechados para Netuno

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Notas: Gostaria de avisar desde já que esta história também está postada no site Spirit com o mesmo nickname: MikoKira

Link: https://www.spiritfanfiction.com/historia/a-teoria-do-nosso-amor-12757906

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CAPÍTULO I


Primavera, Março de 2016.

Tóquio – Japão.




Notas: Página 1 de 8

“Saturno é o sexto planeta a partir do Sol e o segundo maior do Sistema Solar, atrás de Júpiter. Pertencente ao grupo dos gigantes gasosos, possui um pequeno núcleo rochoso, circundado por uma espessa camada de hidrogênio metálico e hélio. A sua atmosfera, também composta principalmente de hidrogênio, apresenta faixas com fortes ventos, cuja energia provém tanto do calor recebido do Sol quanto da energia irradiada de seu centro. Entretanto, estas bandas possuem aspecto pouco proeminente, com coloração que varia do marrom ao amarelado, devido à espessa névoa que envolve o planeta, além das camadas de nuvens. Sazonalmente surgem grandes sistemas de tempestades, além de vórtices permanentes existentes nos polos e sua magnetosfera gera, dentre outros fenômenos, auroras nos mesmos”.

“Uma das origens de seu campo magnético é a rápida rotação do planeta (menos de onze horas para dar uma volta completa), que ainda faz com que Saturno seja o planeta mais achatado do Sistema Solar. Modelos sugerem que o planeta teria se formado mais perto do Sol mas, devido à interação gravitacional com outros corpos celestes, migrou para longe. Uma das características mais notáveis de Saturno é seu complexo e proeminente sistema de anéis, formados por gelo, poeira e materiais rochosos”.

“Visto da Terra, Saturno aparenta ser uma estrela brilhante no céu, facilmente visível. Somente após a invenção do telescópio, entretanto, descobriu-se seus anéis e satélites. Sua complexidade fora motivo o suficiente para motivar o envio de um orbitador e uma sonda, que acabou por pousar na superfície de Titã”.


E assim estavam as informações sobre Saturno — nomeado “o Senhor dos Anéis” —, no pequeno caderno de anotações. Sem nenhuma vírgula a mais ou a menos. A jovem estudante de astronomia fechou calmamente o objeto em suas mãos, mordeu o lábio inferior e ponderou por longos minutos até decidir que faria sim aquela pergunta.

Sesshoumaru-senpai, você gosta de Astrologia? — ela indagou, um tanto receosa. Afinal, a resposta para aquela pergunta era quase sempre a mesma.

As pessoas tinham o costumeiro hábito de ver a Astrologia como uma piada. Geralmente diziam que quem acreditava naquela pseudociência era alguém sem um pingo de estrutura mental e incapaz de participar de um debate coerente.

— Não — ele respondeu secamente, como sempre.

Kagome Higurashi entrou para a Universidade de Tóquio, cursando Astronomia, e já havia duas semanas em que estava frequentando o lugar, além de adorar as aulas, de verdade. Entretanto, tinha vezes que a jovem sentia-se excluída por seus colegas pelo simples fato de acreditar em certas coisas que as pessoas não acreditavam. Astrologia era uma delas, por exemplo.

Não que Sesshoumaru Taisho fosse tão diferente assim de seus colegas, mas ele não era o tipo de pessoa que apontava o dedo para qualquer um, ressaltando seus defeitos ou gostos por puro prazer pessoal.

A morena não sabia explicar ao certo, mas durante aquelas duas semanas, percebera uma aura diferente no aspirante a astrônomo. Era um dos mais inteligentes da sua turma, isso era fato. No entanto, ele parecia não querer se gabar sobre isso. Quando os outros alunos vinham bajulá-lo ou elogiá-lo, ele simplesmente dava-lhes um olhar de desprezo — que por sinal ele usava com bastante frequência — e afastava-se sem dizer uma palavra sequer. Não importava quem quer que fosse, sempre deixava-os em um vácuo pior do que o do próprio espaço.

Rude? Bastante. Mas a jovem Higurashi admitia, nunca em voz alta, que o achava interessante.

Kagome já considerara como um hobbie particular o seu ato mais que comum de analisar as pessoas ao seu redor. E o que todos os seus alvos tinham em comum eram as suas próprias divergências. Quanto mais complexas e distintas entre si, melhor para sanar o seu desejo por melhor entendimento da mente humana.

Dentre este grupo de indivíduos específicos estava ele, Sesshoumaru Taisho, este que, por mais que não fosse uma das pessoas mais bem-humoradas que já conhecera, não conseguia evitar que ele roubasse sua atenção. Estaria mentindo caso negasse que ele era no mínimo, um tanto intrigante. Sesshoumaru, em sua perspectiva, era o tipo de pessoa que o mundo poderia estar se desintegrando ao seu redor, mas se ele houvesse um bom livro em mãos, nada mais importava para si.

Os fios de cabelo prateados que lhe eram relativamente grandes sempre recaiam na frente do rosto do rapaz enquanto ele fixava os olhos âmbares em sua leitura. Poderia estar em lugares diferentes, com livros diferentes, mas permaneceria o mesmo olhar frígido e sem brilho que tanto fazia a Higurashi se inquirir a respeito.

— Por quê? Algum motivo em especial? — voltou a perguntar.

Ele parou de ajustar o telescópio que havia no observatório e analisou sua Kouhai. A jovem estava de pé, parada a uns poucos metros de distância dele. Ela tinha seu caderno de anotações em mãos e tamborilava sua capa repetidamente com as pontas dos dedos. Os olhos azul-piscina da morena brilhavam em curiosidade, como se fosse realmente necessário saber os motivos de Sesshoumaru.

A Astrologia é algo infundado. Não há cálculos e informações confiáveis para chamá-la de ciência — a resposta veio direta e fria como gelo.

Kagome pareceu um tanto decepcionada com o que seu Senpai lhe disse, porém, logo sorriu, pois fora consumida por um sentimento de: “Tenho que provar que ele está errado!”.

— E se eu o fizesse acreditar? — Ela arqueou a sobrancelha fina, em claro tom de desafio.

O Taisho voltou a concentrar-se no telescópio na esperança de que ela compreendesse que ele não dava a mínima para toda aquela baboseira sobre signos, entretanto, a Higurashi permanecia na mesma posição de antes, com uma certa gota de esperança em seu olhar.

Ele revirou os olhos e voltou a respondê-la:

Jamais me fará acreditar em algo que não existe. Desista.

— Qual é a data do seu aniversário? — Kagome questionou, ignorando completamente a resposta que seu veterano lhe dera.

Devo lembrá-la de que temos um trabalho para terminar ainda hoje? Me passe o caderno. — Ele estendeu a mão, no entanto, ela nem ao menos moveu-se. Somente cruzou os braços na frente dos seios, claramente dizendo que não lhe entregaria nada enquanto não obtivesse sua resposta. — O caderno, Higurashi.

— Vamos lá, Senpai, apenas a data e o horário do seu nascimento! — insistiu novamente.

O albino revirou os olhos novamente. Já o fizera tantas vezes na presença dela que estava começando a ficar com receio de que seus globos oculares ficassem presos do lado contrário de sua cabeça. Por fim, Sesshoumaru suspirou.

— 22 de dezembro de 1997 e o horário foi às 23:30. Feliz? — Ele fez o gesto com a mão, pedindo o objeto mais uma vez.

— Você é capricorniano! Mas é claro, agora tudo faz sentido! — a morena exclamou e, em seguida, foi em sua direção, finalmente entregando-lhe o que ele tanto desejava.

O aspirante a astrônomo estava completamente alheio à onda de excitação que se instalara na garota. Para ele não fazia diferença alguma saber a que signo ele pertencia. Uma bobagem, pensou. Simplesmente abriu seu caderno e começou a folheá-lo à procura da anotação desejada.

— Seu Mapa Astral eu farei quando chegar em casa — Kagome continuou, levando o dedo indicador até a ponta de seu queixo. — A propósito… Sabe qual é o planeta que rege Capricórnio? vendo que ele nem ao menos se dignara a olhá-la, prosseguiu: — S.a.t.u.r.n.o. — repetiu pausadamente.

Ok, ela finalmente conseguira que ele a olhasse, no entanto, fora somente um breve levantar de olhos até que o rapaz voltasse ao que estava fazendo anteriormente. Mesmo só com aquilo, a garota havia ficado feliz. Ele estava meramente interessado, ela sabia e era exatamente o que buscava com aquela conversa. E, agora que sabia qual era seu signo, a moça não descansaria enquanto não provasse que a Astrologia era, sim, interessante.

— Você também gosta de Netuno, não é? — Ela sentou-se sobre a mesa de madeira que estava próxima ao grande telescópio. Sobre ela havia alguns papéis e anotações que ambos fizeram durante a tarde em que ficaram ali. — Bom, eu sou de Peixes e o planeta que o rege é ele. — Ela sorriu orgulhosa.

— Uau. Que informação maravilhosa. Desvendou todos os mistérios do universo. — Após o albino destilar seu veneno de ironia, Kagome fez uma careta. — Agora que já terminou, por favor, saia de cima da mesa. Não quero que amasse nenhum dos papéis.

Era fato que o Taisho tinha certa admiração por aqueles dois planetas, todavia, repudiava a ideia de ter dois de seus astros preferidos “violados” por uma pseudociência ridícula como aquela. Chegava a ser quase uma blasfêmia.

— É um tanto irônico, não acha, Senpai? — a jovem ignorou seu último comentário e continuou. — Você gostar tanto desses planetas e eles representarem nós dois.

Kagome mirou a cúpula do observatório, um tanto sonhadora demais, Sesshoumaru pensara. Entretanto, ele não pôde deixar de notar aquele brilho nas íris azuis.

Higurashi amava Astronomia, disso ele não tinha dúvidas, pois sempre que a garota falava sobre os planetas, universo e afins, as orbes dela cintilavam, fazendo-o lembrar o próprio planeta Netuno — que tanto admirava — com sua cor azulada.

Mas o fato de ela acreditar na pseudociência fazia com que ele perdesse o pouco do respeito que sentia por ela. Para começar, nem mesmo estariam ali por outro motivo se não fosse pelo trabalho que o professor Nakamura passara três dias atrás.

— Uma mera coincidência — e lá estavam suas respostas curtas.

“Maldito Capricorniano! Deve ter ascendente em Virgem, esse chato! Agora, mais do que nunca, quero fazê-lo acreditar!”



***



No dia posterior, Kagome correu como uma condenada para chegar a tempo na faculdade e não perder o horário, pois a entrega do trabalho ocorreria logo na primeira aula. Felizmente ela chegara às sete e quarenta e cinco. Ou seja, ainda restariam quinze minutos para organizar as etapas junto ao seu parceiro.

Ao chegar em sua sala — situada no terceiro andar do prédio —, a jovem avistara seu parceiro sentado no mesmo lugar de sempre: fileira do meio. A Kouhai foi na direção do mesmo, porém, alguém passou batido por ela, sem nem mesmo pedir desculpas por quase ter derrubado seus livros e espalhado as anotações que ficara organizando durante uma hora. Kagome já estava pronta para gritar impropérios para a pessoa que a atropelara quando viu que tratava-se de uma garota. Kagura Hirano.

Kagura estava no terceiro ano do curso de psicologia e, que isso não chegasse aos ouvidos dela, mas Kagome tinha pena de seus futuros pacientes, pois a moça não fazia exatamente o perfil de alguém que sentava para ouvir seus pacientes e dava-lhes conselhos sobre a vida. Estava mais para alguém que dava dicas de como ser uma megera perfeita.

Hirano havia — descaradamente — sentado na mesa de Sesshoumaru, com as pernas cruzadas, com boa parte das coxas à mostra, pois a mesma estava de saia, e com um decote que, pelo amor de Einstein, aquilo não poderia ser considerado uma blusa.

Mesmo estando próxima a porta, Kagome conseguiu ouvir um pouco da conversa. Algo sobre Kagura querer que Sesshoumaru fosse com ela a uma festa que teria em sua casa no fim de semana.

A jovem foi se aproximando com cautela, até porque se seu Senpai gostava da garota, ela que não iria interromper. Por mais que Hirano tivesse sido mal-educada, não faria o mesmo ao se intrometer no assunto dos dois. Quando chegou a uma distância que a morena considerara razoável, ela pigarreou e, com isso, ambos olharam em sua direção.

— Desculpe interromper sua conversa, Senpai, mas eu precisava falar com você sobre o trabalho.

— Não está vendo que estamos conversando, garota? — perguntou Kagura rudemente. — Está atrapalhando, saia.

Kagome encolheu-se um pouco devido a rudeza das palavras da estudante de psicologia, no entanto, quando cogitou a ideia de afastar-se dali, Sesshoumaru interveio.

— A única que está atrapalhando é você. — Ele fitou a mulher com seu costumeiro olhar gélido. — Não irei à festa alguma, então faça o favor de sair de cima de minha mesa, preciso colocar o trabalho sobre ela.

Certo, depois daquela resposta a jovem não pode evitar o pensamento de que Kagura havia recebido o que merecia. Só que, infelizmente, a garota deixou aquilo transparecer por uma leve risada que vazou de sua garganta. Hirano não gostou nada da atitude da garota e a mirou com um olhar fulminante de ódio. Embora estivesse insatisfeita pela rejeição, optou por não contrariar o mais velho. Levantou-se da mesa fula da vida e, por fim, deixou a sala.

— Me passe logo as anotações — disse o albino enquanto estendia a mão para a morena sem dizer uma palavra sobre o assunto anterior.

E assim, ambos usaram os minutos restantes para terminar de organizar os últimos detalhes do trabalho que, por sinal, ambos apresentaram muito bem.



Ao final dos dois primeiros períodos, os alunos ganharam alguns minutinhos até que o próximo professor chegasse, então alguns deles ficaram espalhados pela sala. Kagome apressou-se para retirar uma folha de dentro de seu fichário. Levantou-se de sua cadeira que por sinal ficava na última fileira — e foi até o poço de cinismo, mais conhecido como: Sesshoumaru.

— Eu fiz seu mapa ontem, Senpai — disse enquanto estendia a folha para ele com um largo sorriso em seu rosto.

O albino a olhou de esguelha, demonstrando estar entediado com aquela informação.

— Vamos, você vai gostar, leia-o! — Dessa vez ele a ignorou completamente, voltando a atenção para o celular sobre sua mesa.

Kagome emburrou a cara, porém não desistiria apenas com aquilo. Ela sentou-se ao lado dele, não importando-se com a proximidade exagerada. Ignorou o olhar enviesado do Taisho e pôs a folha sobre a mesa.

— Este aqui é o seu signo solar, ou seja, Capricórnio — começou a explicar enquanto apontava para o local onde encontrava-se tal informação. — Vou te explicar o que significa isso e te passar as informações básicas sobre ele, certo? — A morena o observou e viu que ele continuava não dando a mínima. Estava entretido com algo que lia no aparelho telefônico.

Não suportando mais ser ignorada, a estudante de astronomia tomou o objeto de suas mãos e o colocou dentro do bolso direito de sua calça jeans. Sesshoumaru agora a fuzilava com o olhar.

Como aquela Kouhai tivera a audácia de tomar-lhe o seu telefone? E o pior de tudo era que as pessoas na sala estavam os observando e, talvez, perguntando-se como a novata havia tido coragem o suficiente para enfrentar Sesshoumaru Taisho daquela maneira. Bom, ele também estava intrigado quanto a isso.

— Devolva-o — o rapaz disse entredentes.

Uma pessoa com um mínimo de bom senso faria o quê? Isso mesmo, devolveria o celular e nunca mais pensaria em dirigir a palavra a Sesshoumaru, contudo, Kagome Higurashi não tinha ou, se tinha, não fazia muito bom uso desse tal de bom senso.

— O signo solar é o que conhecemos popularmente como sendo o nosso signo. É o mais fácil de descobrir, pois é aquele que todos sabem de acordo com o dia e mês em que se nasceu — a morena iniciou sua explicação ignorando completamente as tentativas, falhas, de ele tentar pegar o aparelho de volta a qualquer custo. — Em relação à personalidade e potenciais energéticos que a pessoa pode desenvolver, o signo solar representa como nos mostramos para o mundo. Que é a energia que temos facilidade para emanar para os outros. — Ela o observara e, percebendo que ele ainda permanecia com a mesma expressão de raiva, comentou: — É. A sua não é das melhores. Precisa melhorar isso urgentemente, Senpai.

Se matar não fosse proibido por lei, o Taisho já teria cuidado pessoalmente daquela garota e a jogado em um buraco qualquer, enchendo-o de cimento, apenas por garantia.

— Agora, vamos falar do seu signo! — Kagome voltou a ler as informações contidas na folha. — Capricórnio, assim como os signos Virgem e Touro, é regido pelo elemento Terra. Isso faz com que sejam muito pés no chão e pouco sonhadores. São realistas e bastante práticos. Preferem viver o que é certo e seguro, do que se jogar nas aventuras e o que é arriscado. Dificilmente saem da sua zona de conforto.

— Meus parabéns — ele a interrompeu

— Pelo quê?

— Por falar o óbvio.

— Você vai me deixar terminar ou não? — A Kouhai estava começando a ficar enraivecida com aquela atitude do mais velho.

Eu estou sendo obrigado a ficar aqui por que uma certa novata mal educada que aparentemente roubou meu celular e você ainda quer que eu aja como se estivesse superinteressado em suas explicações fantasiosas? — ele perguntou, cruzando os braços em seguida.

— Ou você presta atenção ou eu não devolvo mais o seu celular. — A Higurashi sorriu, mostrando claramente que aquilo era um desafio.

A de olhos azuis observou a cara irritadiça do mais velho e, durante alguns segundos ela jurara que aquela havia sido uma das expressões mais fofas que já tinha visto em um homem. Quer dizer, não que Sesshoumaru não fosse um homem bonito, pelo contrário, ele era até demais. O fato era que: ela nunca o tinha visto fazer qualquer outra expressão além de puro tédio. E, pelos boatos que ouvira sobre o albino, descobrira que ele não era muito de demonstrar seus sentimentos.

Pode até parecer presunção, mas a Higurashi sentiu-se especial por presenciar algo tão raro como uma simples expressão irritada.

— Engraçado. Você age como se eu realmente ligasse para tudo isso — o comentário fez com que ela saísse de seu transe e piscasse os olhos algumas vezes. — É uma total perda de tempo tentar me explicar sobre essas bobagens, pois eu não estou interessado em descobrir qual é a cor do meu signo, minha pedra ou até mesmo meu número da sorte. Eu trabalho com exatidão, Higurashi.

Certo. Aquilo com toda certeza fora uma das coisas mais grosseiras que ela já ouvira. Ele poderia ter sido educado e dito: “Por favor, eu não quero ouvir sobre, devolva meu celular”. Ela com certeza entenderia, no entanto, não precisava ser daquele jeito.

Aqueles malditos comentários desprovidos de conhecimento sempre a irritaram de tal maneira que a faziam perder toda e qualquer animação.

Em que momento ela falara sobre pedras e números da sorte? Aquilo era ridículo! Qualquer pessoa com o mínimo de inteligência saberia que a Astrologia não se tratava de ler seu horóscopo em um jornal qualquer ou descobrir se você e seu parceiro combinam. Era algo muito mais amplo do que isso. Mas, como sempre, as pessoas preferiam fazer seus julgamentos com base no que viam. De certa forma ela não estava nem um pouco surpresa com o que o veterano lhe dissera.

Com uma expressão séria, Kagome encarava Sesshoumaru. Pensou no quanto a beleza e inteligência daquele ser não serviam de nada se comparadas ao seu caráter desagradável. Praguejou mentalmente por ter achado aquele cretino fofo em algum momento.

— Pois bem — a jovem comentou enquanto levantava-se da cadeira. — Eu já entendi. — Ela retirou o aparelho telefônico do bolso onde ele estava e o entregou para o Taisho cuidadosamente enquanto deslizava-o por sobre a mesa. — Não irei mais incomodá-lo com essas bobagens, Taisho-senpai. — O sorriso que se desdobrara nos lábios da morena fora tão falso que até uma pessoa com disfunção visual teria percebido que havia algo errado.

Por alguns breves segundos, o prateado ficara se questionando do porquê de aquilo lhe parecer um mau sinal, contudo, apenas ignorou e pegou o aparelho de volta. Com uma leve olhada de canto, ele observara a morena recolher suas coisas sobre sua mesa e retornar para a própria carteira, praticamente jogando os pertences sobre a superfície de madeira.

Após isso, o professor finalmente chegara na sala e todos foram para seus respectivos acentos. Kagome Higurashi deu graças a Deus pela matéria daquele dia ser tão interessante a ponto de fazê-la esquecer um pouco de seu mau humor. (Ênfase no “um pouco”).

A matéria era sobre as principais constelações astronômicas que existiam no universo. Ao todo são nove.

1: Andrômeda; 2: Cruzeiro do Sul; 3: Ursa Maior; 4: Ursa Menor; 5: Cão Maior; 6: Cão Menor; 7: Pégaso; 8: Fênix; 9: Constelação de Órion.

Era um assunto do qual ela gostava muito de falar, mas não por conta dos signos, até porque ambos não tinham muito a ver. Tratava-se do simples e puro gostar.

— Professor! — Um rapaz moreno, com o cabelo curto e de olhos verdes, levantou a mão. Este era Takashi Sato.

— Pois não, Sato?

Se eu fosse o senhor deixaria a Higurashi falar sobre este assunto — ele sorriu cinicamente —, por que, sabe, ela pode pedir ajuda aos signos. Sabia que ela consegue dizer quem o senhor é só pelas estrelas e posições dos planetas? — O garoto riu com desdém, juntamente de alguns dos amigos que estavam do seu lado e outros alunos da classe.

Kagome apenas sorriu.

— Com licença, professor. — Ela elevou sua mão e todos olharam em sua direção. — Primeiramente, eu gostaria de saber de onde o Sato-senpai tirou essa ideia absurda de que as principais constelações têm algo a ver com os doze signos comuns que a maioria de nós conhece. Quer dizer, a não ser que ele esteja vendo muito Saint Seiya, não é? — Alguns alunos riram e ela prosseguiu: — O fato é que o Sato-senpai deve estar ocupado demais em seu mundinho de preconceitos para não perceber que a aula em si aborda uma temática completamente diferente dos animes que ele assiste. Mas tudo bem, eu explicarei seu mapa, certo? Por exemplo, observando sua atitude neste exato momento, eu diria que você tem Sol em Retardus Mentales, ascendente em Burricius e Lua em Idioticius. Será que consegui explicar o suficiente sobre a sua personalidade?

Ao fim da piada, a sala toda já estava aos risos, gritando vaias para o aluno enquanto o pobre professor tentava — inutilmente — conter aquela algazarra. A de olhos azuis teve a impressão de que vira Sesshoumaru colocar a mão fechada em punho na frente da boca para rir. Porém, com seu estresse atual, aquela atitude parecia-lhe mais uma ofensa.



***



Residência Higurashi, 19:30.



Quando chegara em casa, após o trabalho de meio período no supermercado, Kagome expressou seu terrível mau humor batendo com força a porta atrás de si, além de ter retirado os sapatos com violência e andado pelo corredor da residência, resmungando algo que somente ela mesma conseguiria entender.

— Nossa, mas o que é isso? Estão derrubando a casa agora?! — gritou uma voz feminina de dentro da cozinha.

A universitária jogou sua mochila sobre o sofá, não dando a mínima se a mesma cairia no chão ou não, e foi até o cômodo de onde havia saído a voz.

— Ele é um idiota! — Kagome gritava enquanto batia na mesa de madeira com a mão fechada.

A mulher de longos cabelos negros teve um mini-infarto, pois seu vaso preferido quase fora de encontro ao chão. Ela respirou fundo, retirou o avental que usava — que por sinal já estava um tanto sujo devido a massa que estava preparando —, e foi até a mais nova. Pegou sua mão calmamente, para que a mesma não destruísse mais nada, e em seguida, sentou-se à mesa.

Kikyou era a irmã mais velha de Kagome. Ela tinha vinte e cinco anos e, apenas com aquela idade, já era uma das melhores advogadas de Tóquio. As duas viviam sozinhas em um apartamento relativamente grande e que ficava próximo tanto do escritório em que Kikyou trabalhava quanto da faculdade da universitária.

Graças ao trabalho da irmã mais velha, ambas podiam ter um certo conforto em suas vidas. Mas não era motivo para que a Higurashi mais nova se gabasse sobre isso, muito pelo contrário. A futura astrônoma tinha muito orgulho da irmã, isso era fato, porém, Kagome era o tipo de mulher que preferia conseguir as coisas com seus próprios esforços. Um exemplo disto foi o caso da bolsa em Astronomia na Universidade de Tóquio.

Mesmo com os inúmeros apelos de Kikyou para que a irmã a deixasse pagar todas as despesas, a caçula recusou completamente, dizendo-lhe que estudaria como um demônio para passar naquele vestibular.

— Certo, certo. Agora me conte o que aconteceu — a de madeixas longas sorriu, pedindo gentilmente para a irmã.

A mais nova lhe relembrara sobre o garoto da faculdade que ela havia achado interessante e então a mais velha pôde compreender melhor a situação. Após Kagome lhe explicar detalhe por detalhe sobre o ocorrido na sala de aula, Kikyou suspirou e deu início a mais um de seus sábios conselhos.

— Primeiramente, gostaria de deixar bem claro que, sim, eu achei que ele foi um tremendo mal-educado — ela continuou quando viu a irmã mais nova balançar a cabeça afirmativamente —, porém, você também foi.

Kagome observou a irmã, perplexa com tal afronta. Como assim ela não estava do seu lado? Estava traindo-a?

Vendo que a estudante de astronomia não havia entendido seu ponto, ela resolvera explicar-se logo de uma vez para não haver transtornos futuros (leia-se: ataques de Kagome Higurashi sobre o quanto sua irmã, Kikyou Higurashi, era uma tirana e não importava-se com ela).

— Veja, o que estou querendo dizer é que não foi nada educado você sentar na cadeira do rapaz, pegar seu celular e praticamente obrigá-lo a saber sobre algo que ele claramente não queria, Kagome. — A universitária cruzou os braços e fez bico. — Vamos, não fique brava. A mais velha sorriu novamente, bagunçando de leve o cabelo da caçula.

— Maldita irmã advogada. Kikyou riu. — Eu te odeio.

— Eu fiz massa italiana.

— Kikyou, você é a melhor irmã do mundo! — A de madeixas curtas ergueu os braços para cima em um ato de comemoração.



Residência Taisho, 20:00.



— Mãe! O antissocial, que você me obriga a chamar de irmão, chegou! — bradou seu irmão caçula do corredor.

Sesshoumaru retirou os sapatos e, tranquilamente, fechou a porta atrás de si. Seguiu para o corredor e posteriormente para a cozinha, onde deu um beijo na testa de sua mãe para comprovar sua chegada em perfeito estado.

Após responder as costumeiras perguntas da mulher, comer um maravilhoso salmão grelhado e irritar seu irmão caçula por alguns minutos dizendo que ele não seria ninguém na vida se somente ficasse em casa jogando videogame, o mais velho rumou para o quarto onde jogou a mochila sobre a cama e retirou o celular do bolso de sua calça.

O jovem lembrara de quando a Higurashi pegara o aparelho para tentar ameaçá-lo. Um ultraje, pensou ele novamente. Mas foi só recordar a resposta que a jovem dera para o tal Takashi que Sesshoumaru sorriu. Um mero sorriso de canto de lábio, mas que, para alguém como ele que era considerado “sem sentimentos”, já era grande coisa.

Seu sorriso logo morreu ao ouvir batidas atrás da porta.

— Sou eu, filho — ao ouvir a doce voz atrás da madeira maciça, o Taisho disse-lhe um mero “entre” e, logo após, a mulher o fez. — Por que demorou tanto hoje? Foi hora extra de novo ou… alguma namorada? — a mulher perguntou em tom malicioso.

— Hora extra — o rapaz disse secamente. Ele pôde ver o momento exato em que a felicidade nos lábios da mulher murchara completamente.

— Ah, sinceramente, Sesshoumaru! Você já tem dezenove anos e nunca trouxe namorada alguma para que eu conhecesse!

O universitário revirou os olhos e seguiu na direção do banheiro que se encontrava em seu quarto.

— Não ouse me deixar falando sozinha, Sesshoumaru Taisho! — ela bradou.

Izayoi não era sua mãe legítima, mas com toda certeza era melhor do que a sua biológica. Ele ainda lembrava-se de quantas vezes sua progenitora o abandonara sozinho em casa para ir às festas e só voltava tarde da noite. O pai de Sesshoumaru ficara realmente furioso quando o apartamento de ambos pegou fogo pelo simples fato de a mulher ter esquecido a panela no fogo porque havia caído bêbada no sofá. O garoto lembrava do quanto ficara apavorado com a cena, achou que morreria de verdade, mas, por sorte, os bombeiros chegaram a tempo e ele teve apenas algumas queimaduras leves nos braços. Nada que o tempo não resolvesse.

Depois daquele dia, Inu no Taisho decidira separa-se da mulher de vez. Claro que a mesma havia ficado com uma parte do dinheiro dele, mas o importante era que a irresponsável já não estava mais em suas vidas. Sesshoumaru também nunca teve o menor interesse em procurara-la. A mulher havia morrido para ele há muito tempo.

A atual mulher de seu pai era, sem dúvidas, alguém por quem ele tinha o máximo de respeito e (acreditem ou não) carinho. Ele a amava como uma verdadeira mãe.

Porém, contudo, no entanto, todavia…. Ela viera com um pacote chamado: InuYasha. Ou como o mais velho prefere chamá-lo carinhosamente: Pináculo da Desgraça.

Para resumir, Izayoi era uma ótima mulher, com exceção dos momentos em que resolvia fazer aquelas perguntas desagradáveis que toda mãe fazia.

— Eu não estou interessado em ninguém — o rapaz respondeu, fechando a porta atrás de si.

— Eu vou começar a fazer rituais para que você arranje logo alguém! — Irritada, a mulher saiu a passos largos e pesados, fechando a porta com força ao sair do quarto.

A única coisa que o albino pode fazer foi rir com o pensamento tão infantil da mulher.

Sesshoumaru Taisho jamais iria se apaixonar por alguém. Sua própria companhia já bastava. E que o mundo se desfizesse em caos se um dia isso acontecesse. Relacionamentos apenas serviam para trazer dor de cabeça aos envolvidos. Sem falar que a probabilidade de as pessoas terem um relacionamento duradouro durante a vida universitária é quase nula. Então, se era para começar algo que fosse terminar logo, que ficasse sozinho.

Com este pensamento o rapaz ligou o chuveiro e apenas deixou que a água morna escorresse pelo seu corpo.



Residência Higurashi, 21:30



Durante sua adolescência, Kagome se perguntara várias vezes do por que de ter tanto interesse na personalidade humana e em suas diferentes características, mas, ao mesmo tempo, em que divagava sobre isso, ela pensava no quanto gostava de estudar o universo e todo o seu infinito.

Fora um grande desafio para ela, descobrir em qual carreira queria seguir: Psicologia ou Astronomia. Acabou que “A ciência que trata do universo sideral e dos corpos celestes, com o fim de situá-los no espaço e no tempo e explicar sua origem e seu movimento.” Chamou mais sua atenção e a Astrologia ficou como um hobbie, porém uma atividade ainda muito interessante.

A Higurashi mais nova adorava o fato de poder saber sobre as personalidades de outras pessoas apenas fazendo seus Mapas Astrais e juntando todo o conhecimento que tinha sobre o assunto e tendo respostas que, não agradavam somente ela, mas aos que queriam saber mais sobre ou tinham certo preconceito. Que foram os casos de alguns de seus amigos mais próximos. Não que acreditassem fielmente na Astrologia, pois até ela mesma admitia que nela haviam falhas, no entanto, seus amigos a respeitavam e entendiam o quanto a garota gostava daquilo.

Astrologia não envolvia pedras da sorte, cores ou aquelas porcarias de previsões que os jornais e revistas para garotas sempre faziam. Foram esses tipos de coisas que trouxeram uma má fama para pseudociência, tornando-a uma espécie de piadinha entre os pseudointelectuais.

Sendo uma estudante sobre o assunto, a de olhos azuis achava uma completa falta de respeito, pois a Astrologia antecedeu a Astronomia. Sem uma, não existiria a outra. A diferença é que a primeira era desmerecida por não ser comprovada, apenas. E, certamente, não havia nada que irritasse mais a morena do que pessoas desinformadas falando sobre o que não sabiam.

Kagome era, de fato, uma das pessoas mais compreensivas e gentis do mundo, mas por tudo que era mais sagrado, que não pisassem em seu calo.

— Taisho — ela disse, em um grunhido baixo. — Aquele ignorante — repetia inúmeras vezes enquanto tentava, inutilmente, responder as questões de seus livros, com calma.

Você terá um infarto se continuar estressada assim. Se acalme, mulher — soou a voz grave e masculina que saia do aparelho telefônico por meio da opção de viva voz.

— Não consigo! Simplesmente não suporto a ideia de ele ser tão inteligente para umas coisas e ser tão estúpido para outras! — reclamou e logo em seguida pôde ouvir um suspiro do outro lado da linha.

Achei que já soubesse que nem todos são iguais, Kagome — o homem fez uma pequena pausa e continuou. — Certo, ele não acredita, mas e daí? Você vai ficar estressada só por isso? Na minha opinião, você está exagerando, não que você já não seja exagerada — quando percebeu que ela diria algo, tratou logo de interrompê-la. — Foi você quem quis fazer um mapa sem ele pedir. Foi você que o incomodou para que ele se interessasse por algo que ele claramente não queria.

A universitária ficou quieta durante alguns segundos e logo bufou, cruzando os braços no processo.

— Odeio o fato de você e Kikyou estarem certos. — Ela pôde ouvir uma risada do outro lado.

Sabe o que me deixa curioso? É o fato de você se irritar tão facilmente com ele. Uma semana atrás ele era superinteressante, hoje ele é um albino desgraçado. — Riu novamente.

— Ele continua sendo interessante, pelo menos sua personalidade. Mas também é um albino desgraçado. A vontade que tenho é de arrancar todos aqueles fios platinados a mão e deixá-lo careca.

O tempo passa e Kagome Higurashi nunca muda. Ai, ai.

— Calado, Naraku! Em vez de ficar esfregando na minha cara o quanto estou errada, diga algo para me tirar o estresse.

Vamos jogar Elsword.

— Você me conhece tão bem. Diga-me, por que foi que terminamos mesmo? — Ele riu alto dessa vez, contagiando a jovem com sua risada.



No dia subsequente, ao chegar na faculdade, Higurashi seguiu à procura do sujeito de cabelos platinados para, segundo ela mesma, terem uma conversa civilizada e resolverem as coisas de forma pacífica.

Enquanto caminhava pelos longos corredores da universidade, a jovem repetia mentalmente a conversa que teria com o mais velho, como um roteiro. Kikyou e Naraku deram-lhe várias dicas de como ela poderia abordá-lo sem parecer mal-educada ou invasiva como fora no dia anterior. Porém, havia um fator que não podia ser ignorado por ela e que poderia arruinar aquele plano: Sesshoumaru era um Capricorniano, quase puro, não fosse seu ascendente em leão. Graças a essa informação que ela obteve ao ler o Mapa Astral do dito cujo, a morena esteve preparando-se mentalmente para lidar com o portador daquele signo.

As pessoas nascidas em capricórnio tinham uma fama bastante clichê, na qual dizia que todos os portadores daquele signo eram “Corações de Gelo”, a “Elsa do Frozen”, o “Monte Everest”, “O Iceberg do Titanic”, entre outros. E, bom, não que de certa forma não fosse verdade, mas algo que a Higurashi sabia muito bem — e que Naraku fizera-lhe o favor de lembrar-lhe ontem — era que as pessoas não eram iguais umas as outras. A probabilidade de existir uma outra pessoa com um mapa igual ao seu, existe, caso nasça na mesma hora e local daqui ha mais ou menos 3 bilhões de anos.

E, apesar de ter lido o mapa de Sesshoumaru, ela ainda não sabia o que esperar, não era como se ela pudesse prever todas as ações dele apenas lendo aquelas informações, pois não fazia ideia da forma que o rapaz fora criado, o que ele viu ou passou. Eram esses poucos detalhes que faziam a diferença na personalidade de uma pessoa.

Então, mesmo que ela fosse de Capricórnio, ainda seria completamente diferente dele. Não seria nada fácil, ela admitira, contudo, ela era uma mulher que, de certa forma, gostava do desafio.

“Maldito ascendente em sagitário”, ela pensara.

Após quase quinze minutos procurando Sesshoumaru, Kagome começou a cogitar a possibilidade de que, talvez, ele não tivesse ido à universidade no dia, no entanto, tal pensamento fora chutado para longe quando, de uma das janelas do segundo andar, ela avistara o albino lendo algum exemplar — que não conseguira identificar por estar a uma distância que certamente não facilitava em nada para sua visão — debaixo de uma das árvores de cerejeira do campus.

O vento soprava gentilmente do lado de fora, fazendo com que as pétalas róseas sobrevoassem toda a área e deixassem um lindo cenário que contrastava com a beleza de Sesshoumaru. Os fios prateados levemente bagunçados devido a ação do vento e os olhos âmbares, apenas serviam para dar ao rapaz um ar de algum ator de um dorama famoso.

“O maldito é realmente bonito, não da ‘pra negar isso.” Fora o último pensamento da morena antes que ela descesse as escadarias e fosse até onde o seu veterano estava.

— Senpai, posso falar com você? — indagou a jovem assim que ficara diante do rapaz.

Ele nem ao menos se dera ao trabalho de desviar o olhar de sua leitura para poder respondê-la. Continuou quieto e concentrado. Como se houvessem ele e aquele livro no mundo.

Kagome respirou profundamente e soltou o ar de seus pulmões lentamente, contendo a raiva que começava a surgir em seu interior. Estava determinada a não cometer um homicídio em plena luz do dia, então precisava engolir alguns sapos.

— É sobre ontem… Gostaria de pedir desculpas pela forma como me comportei. Realmente não deveria ter feito aquilo, por isso, me desculpe. — Ela curvou-se, fazendo uma pequena reverência, mostrando o quanto seu pedido de desculpas era verdadeiro.

Fez-se silêncio.

Novamente, ele não a olhara.

“Esse maldito está realmente me ignorando?! Capricorniano desgraçado! Espero sinceramente que morra e que tenha seu corpo atropelado cem vezes por um caminhão!” — Enquanto explodia em pensamento, a de olhos azuis notara o nome do livro que Sesshoumaru tinha em mãos e o reconhecera rapidamente. — Uma Breve História do Tempo… — ela havia falado mais para si mesma do que para ele, entretanto, com tal comentário, ele finalmente dera atenção que a mesma desejara.

Com a sobrancelha levemente arqueada, o rapaz perguntou:

— Conhece?

— “Contanto que o universo tenha tido um início, podemos supor que houve um criador. Mas, se o universo fosse de fato absolutamente contido em si mesmo, sem contorno nem borda, ele não teria início nem fim: ele simplesmente seria. Nesse caso, qual é o papel de um criador?” Acha que só porque sou uma Astróloga não posso ser inteligente? — Kagome recitou perfeitamente uma das frases contidas no livro, com um certo tom de amargura em sua voz. Afinal de contas, ele visivelmente a ignorara minutos atrás e parecia duvidar de sua capacidade intelectual em vários momentos.

Sesshoumaru estudara cautelosamente as expressões faciais da Kouhai a sua frente e, mais uma vez, notou o quão interessante ela ficava quando dava respostas como aquela. Ele deixou escapar algo que parecia ser um riso, fechou calmamente o exemplar que tinha em mãos e fez menção de respondê-la, mas infelizmente o som do aparelho celular da jovem os interrompeu e ela teve que atender. Ao colocar o aparelho próximo ao ouvido, a universitária fez um sinal com o dedo indicador, pedindo para que ele esperasse um momento, no entanto ela esquecera-se de um único detalhe: Sesshoumaru Taisho não espera ninguém.

Aproveitando que a garota estava entretida em sua ligação, o estudante de astronomia deixou o local e seguiu para sua sala.



Nem é preciso dizer o quanto a Higurashi ficara indignada com a falta de educação do mais velho. Ela fora sincera em seu pedido de desculpas e ele nem sequer dissera algo quando ela voltara para a sala naquele dia. Kagome fora ignorada o dia todo e aquilo a estava irritando de tal forma que, nem mesmo ouvir BTS, estava acalmando-a. Seus lápis quebrados jogados na lixeira ao lado que o digam.

— E então, como foi a conversa? — perguntou Kikyou ao entrar no quarto da irmã caçula.

— Não foi — respondeu secamente.

— Como assim não foi? Kagome, você não o agrediu, né?

— Não, Kikyou. Mas faltou isso aqui! — fez um pequeno espaço entre o dedo indicador e o polegar.

A mais velha suspirou pesadamente.

— Olha só, eu vou sair com o Suikotsu agora, então mais tarde eu converso com você, certo?

— Usem camisinha.

— Eu realmente não quero ouvir isso de você.

As duas riram e Kikyou se despediu da irmã, saindo logo em seguida.

Não haviam se passado nem cinco minutos após a saída da mais velha e a morena mais nova tinha recebido uma mensagem em seu celular. Era de sua amiga Sango.

“Você vem ou não?”

“Não sei Sango, estou me sentindo muito cansada…” — respondera.

“Mais um motivo para vir! Saia dessa fossa e vamos nos divertir! Estarei em frente ao seu prédio em vinte minutos, então arrume-se!”

A de olhos azuis sorriu levemente. Sango era o tipo de amiga alto-astral que Kagome fazia questão de ter ao seu lado. Ariana como só ela, a mais velha era do tipo que não levava desaforo para casa e ai daqueles que falassem ou fizesse algo de ruim com algum de seus amigos.

Higurashi ainda lembrava-se muito bem do que acontecera com o último cara que passara a mão em Sango. O individuo foi parar no hospital com algumas fraturas, a de olhos castanhos somente alegou legitima defesa e pode ir para casa tranquilamente. Afinal, quem desconfiaria de uma sargento da polícia?

Já pronta, Kagome desceu o elevador do prédio e em menos de dois minutos já estava aguardando a amiga na portaria.

Como previsto, Sango chegara bem na hora, em sua caminhonete preta, junto de um noivo sentado no banco do carona e recentemente estapeado. Miroku tinha a marca da dor em sua face direita, mas aquilo era algo com que ele já estava devidamente habituado. Muitas vezes, a de olhos azuis chegara a pensar que ele era algum tipo de masoquista.

“A força entre dois corpos será atrativa se os mesmos tiverem cargas opostas, e será repulsiva se eles possuírem carga de mesmo sinal”. — recitou Kagome em pensamento, rindo, antes de entrar no carro com sua amiga, que deu a partida logo depois.

— Não nos falamos muito durante essa semana, não é? Como você está? Como vai a faculdade? — questionou a de olhos castanhos.

— Ah, eu estou bem, apenas um pouco sobrecarregada demais. Estou gostando muito de estudar naquele lugar, nunca tive tanta certeza do que quero fazer da vida! Porém, como nem tudo são flores de cerejeira, há também a parte ruim daquele lugar.

— Como assim? Alguém anda incomodando você? Se for o caso, me fala, posso dar um jeito de prender todo mundo! — Kagome riu com a resposta da amiga.

— Ah, Sango, o mesmo de sempre. Uns babacas “Que nem o Sesshoumaru Taisho” achando que só porque estudo Astrologia, sou automaticamente burra.

— Miroku, abra agora mesmo um processo contra todos os babacas que a Kagome citar os nomes.

— Amor, você sabe muito bem que eu não posso fazer isso. — disse o noivo.

— Droga, de que serve um marido advogado, então?

— Eu vou fazer de conta que você não disse isso e acreditar fielmente que casou comigo por amor.

— As pessoas são livres para acreditarem nas mentiras que elas quiserem, meu bem. — ele a olhou indignado.

Depois de algumas seções de risadas, os três chegaram no local. Tratava-se de um karaokê no qual a jovem ia bastante com seus amigos na época do colegial e ensino médio. A de madeixas negras adorava aquele lugar, pois já dizia o ditado, não é mesmo? “Quem canta, seus males espanta.”

Ao entrar na sala que Sango indicara, Kagome viu todos os seus grandes amigos da época de escola, sentados no sofá que havia ali e não pode evitar de abrir um enorme sorriso.

— Kagomeeee! Quanto tempo, menina! — gritou Jakotsu, vindo na direção da morena e abraçando-a. Junto dele estavam Kouga, Ayame e Bankotsu, que também a cumprimentaram.

— Oi Jak, quanto tempo, que saudades! — Acaba retribuindo o abraço.

— Miga, tô a fim de um boy maravicherry e queria muito que você fizesse o mapa dele pra ver se eu dou muito ou não, é isto.

Aquele comentário de Jakotsu acabou desencadeando uma onda de risadas de todos que estavam presentes no local, mas somente as barrigas de Kagome, Sango e Ayame doeram.

— Certo, certo! Hoje quem escolhe a primeira música é a Kagome! — gritou Sango.

— Só vai! — completou Jakotsu.

— Certo, depois não reclamem! — a jovem começa a procurar o nome da música na grande tela que havia na sala e depois de alguns segundos ela acha a música desejada: The Eve – EXO

— Minha música! Ninguém sai! — disse Jakotsu, levantando-se em um pulo e indo para o lado da amiga, tratando logo de pegar o microfone. – É hoje que esse Karaokê pega fogo!

30 de Junio de 2018 a las 19:03 0 Reporte Insertar 2
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