Filhos do sol Seguir historia

tayfofanms Taynã Silva

KyungSoo sempre gostou de invadir sistemas e encontrar segredos em computadores alheios - até ser descoberto enquanto invadia o sistema interno da NASA. Para fugir da punição, aceita acompanhar os mais jovens astronautas da agência americana numa viagem suicida que pode mudar para sempre a vida na terra. Então descobre coisas que o fazem repensar esse acordo. Apaixonado por JongIn, um dos astronautas, deve morrer ao seu lado ou desistir da missão e tentar evitar que aquela nave atinja seu destino e leve para sempre a vida dele? HISTÓRIA POSTADA POR MIM TAMBÉM NO NYAH! E NO SPIRIT FANFICS.



Fanfiction Bandas/Cantantes Sólo para mayores de 18. © Alguns personagens são baseados em pessoas reais, o restante do conteúdo imaginativo me pertence.

#pwp #Sehun-Luhan #TaeHyung-NamJoon #Suho-Chen #Tao-Kris #Chanyeol-BaekHyun #Kai-KyungSoo #exo #bts
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Contrato de um bilhão de dólares

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“Alienígenas podem devastar o planeta e aniquilar a raça humana, mas a humanidade, ainda assim, continua a buscar a vida extraterrestre”.


22 de Abril de 2015, 10:38

Centro Espacial Lyndon B. Johnson - Houston, Texas


― Merda! ― Reclamava Wo YiFan, um dos melhores engenheiros mecatrônicos da NASA e chefe de equipe de um projeto que talvez fosse cancelado, mas a confusão do lado de fora só parecia aumentar ― Merda! Merda! Merda!

A multidão em frente à entrada principal de um dos prédios abertos ao público geral, formada de jornalistas e repórteres que se empurravam em busca da posição perfeita para o anúncio, era para ele semelhante a um monstro de sete cabeças.

Não que sentisse medo, pelo contrário, tinha toda a coragem para continuar, mas a ideia de dar uma resposta plausível para a invasão de computadores da NASA e tradução de arquivos confidenciais de origem duvidosa por um hacker desconhecido parecia absurda. Ele não tinha boas respostas para as perguntas daquelas pessoas e já sabia bem como era lidar com a imprensa.

Suspirou. Bebeu um copo d’água pela décima vez nos últimos quarenta minutos e tentou se acalmar sem xingar alguém por não lhe mandarem um assessor de imprensa para lidar com o caso.

― Sr. Kris? ― o engenheiro olhou para o homem que o chamava pelo apelido que, de trajes sociais, se aproximava em passos lentos. ― Sou Aaron Daves, assessor de imprensa. Me desculpe pelo atraso! Fui mandado para ajudar com sua tarefa apresentando-o aos jornalistas, mas terá que dar o veredito sobre o ocorrido o senhor mesmo. ― olhou para fora através das paredes de vidro que circulavam o hall de entrada do prédio. ― Está na hora. Queira me acompanhar, por favor, e respire fundo, tenho certeza que o senhor consegue.

― Está aqui para me dar apoio moral também? ― perguntou Kris com um sorriso debochado no rosto.

― Não, mas ganho mais se conseguir.

Kris o seguiu até o lado de fora, alegando a si mesmo em pensamento que era capaz de dar o comunicado sem ter de arcar com consequências graves mais tarde, embora não acreditasse muito nisso.

Por um momento, chegou a xingar o assessor de imprensa que chegara no último instante, enquanto subia no púlpito previamente preparado para seu discurso sobre o ocorrido, mas decidiu que se saísse ileso e tirasse a NASA da má situação, pediria um aumento de salário considerável.

Ao ser apresentado, o engenheiro decidiu não responder todas as perguntas, mas apenas aquelas que julgassem adequadas. Quando o assessor de imprensa se afastou alguns passos, YiFan sentiu o olhar do público em si, o que agravou um pouco seu nervosismo.

Começou o discurso previamente decorado com a voz trêmula e de repente, notou não lembrá-lo de todo. Precisou improvisar mais algumas palavras para completar o que conseguia recordar e suava frio com incontáveis microfones direcionados a ele e fotos sendo tiradas o tempo todo.

Quando finalmente terminou e o assessor de imprensa autorizou perguntas, muitas delas foram pronunciadas ao mesmo tempo, embora uma tenha lhe chamado mais a atenção:

― Sr. YiFan, o que pretende com seu atual projeto? ― perguntara uma moça. Segurava o celular em sua direção, provavelmente gravava um áudio de sua pronúncia.

― Não acho que meu projeto tenha a ver com a pauta levantada aqui.

― Deixe-me colocar a questão de outra forma, senhor. ― apressou-se ela antes que outro pudesse fazer uma pergunta em seu lugar ― Já que esses documentos que deveriam, por opção do governo, se manter confidenciais foram adquiridos por um hacker desconhecido após uma invasão de computadores da NASA, que ninguém sabe como aconteceu, levanta a hipótese de algo errado estar se passando na organização. Isso me leva a questão: o que exatamente visa o seu projeto?

Kris estava pronto para responder à pergunta, quando – talvez por precaução – Aaron interrompeu a discussão. Alegou ter surgido um compromisso, uma reunião de emergência sobre o ocorrido, e que por isso não tinham mais tempo para perguntas.

Um dos seguranças que aguardavam ao lado do púlpito se aproximou para acompanhar o engenheiro, que saiu escoltado por mais alguns homens de terno e gravata até o hall do prédio. Outros seguranças se aproximaram da multidão da imprensa e formaram uma corrente humana quando os jornalistas e repórteres começaram a avançar além da área permitida.

Kris viu mais fleches sendo disparados contra ele através da parede de vidro, mas só pôde sair dali quando os outros homens de terno que o acompanharam pediram que ele os seguisse para manterem as aparências.

Levaram-no por um corredor estreito, o qual o engenheiro conhecia muito bem, já que passava ali todos os dias a caminho de seu setor, e lhe explicaram que ele devia voltar às suas atividades e que tudo seria resolvido dali em diante com a assessoria de imprensa da NASA.

Por um breve momento, YiFan acreditou que poderia descansar mais tarde.


22 de Abril de 2015, 10:46

Centro Espacial Lyndon B. Johnson - Houston, Texas


― É isso que você precisa fazer ― dissera o homem, e o rapaz coreano de moletom cinza apenas suspirou ao olhar pela janela do carro mais uma vez.

Havia um homem de camisa social e calça jeans no banco de trás ao lado de uma mulher bonita, ambos americanos e que, segundo o jovem, tinham olhares acusatórios, mas não deu muita importância.

A confusão estava armada do lado de fora, quase como se uma fofoca incrível da celebridade do momento houvesse sido revelada, o que era bem o contrário: só mais uma das confusões nas quais ele mesmo se metia por invadir sistemas de computadores – que, nesse caso, era cem vezes pior do que as suas aventuras anteriores.

Apesar de não ser todo dia que alguém se atreve a roubar arquivos da NASA, KyungSoo gostava do perigo.

― Então... Se eu aceitar sua proposta eles vão saber que fui eu?

― Essa é a ideia, meu jovem. ― disse o velho ao seu lado ― A NASA precisa ter um bom motivo para te aceitar como membro da equipe e este é o melhor que temos se quisermos salvar alguém nessa sujeira toda. Prometemos ser rápidos e te compensar pelo esforço, mas preste atenção ― o homem se ajeitou no banco do motorista e KyungSoo voltou a olhar para ele ― Em hipótese alguma deve contar sobre mim. Se aceitar a proposta, terá um bilhão de dólares para gastar como quiser, mas nada deve ser dito ou insinuado sobre mim, o dinheiro ou nosso acordo. Você entendeu?

O rapaz observou mais uma vez o lado de fora – a confusão só piorava à medida que o homem de jaleco para quem as câmeras e microfones apontavam saía de trás do púlpito acompanhado de seguranças.

Respirou fundo. Pegou-se pensando se teria de lidar com aquelas coisas se aceitasse o dinheiro e de repente, quis negar, até lembrar que seus amigos dependiam dele e que o aluguel dos quatro últimos meses precisava ser pago antes que fossem finalmente despejados.

― Não vou me envolver com nenhum deles. ― disse mais para si mesmo ― Não quero criar nenhum tipo de laço sabendo que não vou ficar.

― Concordo, é melhor assim. Dizer adeus é doloroso e você já conhece um dos astronautas, não é? ― KyungSoo o observou de soslaio imaginando o que ele poderia saber sobre isso ― Não pretendo usar essa informação contra você, se é o que está pensando, mas é sempre bom saber mais sobre as pessoas com quem se fecha contrato.

Voltou-se para o homem e estendeu a mão direita sem pensar duas vezes. Aquela parecia sua única e melhor opção, mesmo que aceitar significasse rever aquele que não via há muito tempo.

― Foi bom fazer negócio com você ― afirmou o homem e KyungSoo não se deu o trabalho de sorrir. ― O dinheiro será depositado na sua conta pessoal em poucas horas: meus homens já descobriram qual é. Agora saia do carro, vou apresentá-lo ao chefe da equipe. Não se preocupe, eu digo tudo o que precisar e não se incomode com isso, mas uma vez que for aceito, é com você. E lembre-se de confirmar a história de que descobri que era você e ofereci um cargo na NASA, nada mais, entendeu?

― Sim senhor. ― e antes que o assunto morresse, KyungSoo tratou se perguntar ― Tenho direito de saber seu nome?

O velho limpou a garganta.

― É Allan.

A imprensa ainda estava em frente ao prédio e tiveram que desviar com o carro até a entrada lateral especial para funcionários daquele complexo. O casal que estava no banco de trás saiu primeiro, seguindo para a porta de vidro e KyungSoo apenas observou quando um dos seguranças abriu a porta por dentro para que os dois entrassem.

― É por aqui que vai entrar, se eu conseguir que seja aceito na equipe. ― disse o homem ao seu lado fora do carro ― Se está curioso sobre o casal, saiba que ambos são meus seguranças e estão disfarçados para o caso de alguém perguntar o motivo de você ter vindo. É só confirmar a história de que você é filho deles e pronto, o segurança do prédio permite sua entrada. Vamos?

KyungSoo assentiu antes de sair do carro.

Por um breve instante, sentiu como se suas pernas amolecessem. Nunca lhe havia passado pela cabeça que toda essa brincadeira de se arriscar invadindo sistemas o obrigaria a entrar em uma das mais renomadas agências dos Estados Unidos, e que isso podia ser ainda mais perigoso do que se aventurar de forma anônima na internet.

Concentrou-se em andar até a porta de vidro onde o casal de seguranças os esperava. Um passo após o outro, entrou pela pequena porta de vidro ao lado de seus pais fictícios e só então notou que a mulher tinha leves traços orientais, quase imperceptíveis.

Ninguém precisou lhe dizer para fingir não entender muito do que acontecia e agir como um adolescente americano normal – embora estivesse longe de ser um – e KyungSoo tratou logo de interpretar.

Foi quando depois de percorrerem alguns longos e largos corredores e subirem dois lances de escadas, chegaram à uma porta cuja madeira tinha esculpida uma nave, que KyungSoo conheceu seu destino. De início, o homem que olhava pela janela através da persiana parecia passivo ao que acontecia.

Não se preocupou em dizer oi, mas ouviu atentamente cada palavra de Allan, enquanto dizia que o casal que viera junto fingia ser os pais do garoto, quando não passavam de seguranças.

Ao ouvir isso, se virou para KyungSoo, mostrando o semblante cada vez mais tomado de uma expressão que ele chamava de “enjoo do trabalho”, se apresentando contra a vontade como Wu YiFan, pedindo que o rapaz o chamasse de Kris, seu apelido.

Allan contou que ele era o mais renomado engenheiro mecatrônico da NASA, que assumira o cargo do pai quando este morrera há alguns meses. Mas não parecia de bom humor ao saber que KyungSoo era o hacker mais famoso da semana por invadir o sistema da NASA e usurpar arquivos confidenciais de seu projeto atual.

Talvez pra ele, pensou o rapaz, fosse uma intromissão em seu espaço.

― ...ele conseguiu traduzir parte dos arquivos numa sequência que só ele entendeu até agora. É um garoto prodígio, você sabe...

― Então quer que eu o aceite como membro da equipe? ― interrompeu Kris o que o velho dizia.

― Eu não diria com essas palavras, mas acho que pode ser a melhor saída, nesse caso. Pense bem nas opções que você tem: revelar a identidade dele e deixar que seja preso, o que, sinceramente, eu não sei se garante que ele não se intrometa nos negócios outra vez; ou deixar que ele trabalhe por perto e observá-lo. O que acha?

O engenheiro respirou fundo e desviou o olhar para a janela novamente. Dava para ouvir a confusão de jornalistas do lado de fora, embora tudo estivesse fechado e aquele fosse o segundo andar. Já KyungSoo estava farto daquela situação, falavam dele como se não estivesse ali ouvindo tudo sem poder se intrometer.

― Kris? ― chamou Allan. Kris olhou pra ele com os ombros tensos e olheiras de cansaço. Talvez uma noite de sono resolvesse parte de seus problemas.

― Tudo bem. Ele fica. ― Allan sorriu.

― Muito boa escolha, meu rapaz. Tenho certeza que ele fará direito e se não fizer-

― Se não fizer... Eu mesmo me encarrego de puni-lo. E não se preocupe, vou mantê-lo são, salvo e vigiado enquanto cumprir minhas ordens.

― Sem problemas, você é o chefe dele agora. KyungSoo será de bom uso para seu projeto. Mas tenho que ir, estou atrasado. Me avise se precisar de algo ou tiver problemas.

― KyungSoo... ― chamou YiFan enquanto Allan saía de seu escritório sem se despedir, como se o engenheiro pudesse voltar atrás em sua palavra a qualquer momento ― Quero que saiba que só vou te manter aqui como parte da equipe porque o velho tem razão sobre você ser o único que achou uma forma de tradução, então esse será seu trabalho aqui. O artefato que encontramos em Saturno, do qual deriva esses documentos, é em parte tecnológico, como deve saber. As entradas não são USB como gostaríamos, afinal é coisa extraterrestre, mas demoramos a achar uma forma de salvar esses arquivos em computadores, então não estrague tudo.

KyungSoo não entendia como e porque seu tom de voz havia mudado tão rápido, mas permaneceu calado apenas ouvindo:

― Vou te dar acesso livre aos demais documentos, mas antes vai assinar um termo de responsabilidade. Vou pedir que o líder da missão se encarregue da papelada. Agora venha comigo, vou te apresentar à equipe. E lembre-se: um passo fora da linha e eu acabo com você.


✦✧ ✦


KyungSoo fora levado por mais alguns corredores e três andares acima por um elevador. Estranhamente, o humor de Kris parecia ter mudado enquanto falava sobre o projeto e o trabalho do pai com entusiasmo. Quando as portas do elevador se abriram, o assunto tornou-se as instalações tecnológicas daquele andar, que iam desde máquinas que simulavam luta corpo a corpo até os alvos de locomoção, algo muito mais rápida do que os criados pela raça humana antes de estudarem parte da tecnologia do artefato encontrado em Saturno.

O hacker realmente não entendia o porquê de todo aquele aparato se, aos olhos dele, a NASA era uma empresa intelectual e não formadora de lutadores, mas ignorou a dúvida quando entraram no que parecia ser uma quadra de esportes, embora maior e com braços robóticos que se locomoviam presos ao teto e em três das paredes.

― Esse é um dos treinamentos físicos que os astronautas dessa missão realizam. ― KyungSoo olhava atentamente para os braços robóticos e para as pessoas que pareciam manipulá-lo através de computadores protegidos por uma parede de vidro na outra extremidade da quadra, de onde viam o treinamento.

Parecia muito mais interessado em descobrir como funcionavam os equipamentos do que o treinamento em si. Quando voltou sua atenção para o exercício e reconheceu quem treinava com pesos presos por todo o corpo, para o que julgou ser uma simulação em alta gravidade, engoliu em seco.

― Aquele é Kim JongIn. Ele começou os treinamentos e testes bem cedo, aos cinco anos. Foi um dos poucos que o programa infantil admitiu como possível astronauta e, com o tempo, se tornou o melhor em qualquer tipo de luta, velocidade em gravidade zero e ainda tem QI acima da média. O que não quer dizer muita coisa aqui porque todos nós somos.

O engenheiro riu. Dava para notar que estava empolgado. Já KyungSoo, apenas fingiu um sorriso, arriscando suas primeiras palavras em seguida:

― O que exatamente vocês pretendem com essa missão? Quer dizer, pelos arquivos que eu vi, estão seguindo um tipo de rastro deixado por uma possível civilização antiga extraterrestre, mas em momento algum esse detalhe foi revelado para a mídia.

O rapaz olhou para Kris, que o observava com olhar acusatório e sorriu de novo, como se realmente não fizesse noção do que estava falando:

― Entendo que não queiram divulgar, mas qual o motivo desse tipo de treinamento? Porque isso não me parece uma simulação de troca de equipamento externo de um veículo espacial. ― voltou a olhar para JongIn, que terminara o treinamento e tirava os pesos do corpo desconfiado, olhando para ele.

― Você deveria ser jornalista por fazer tantas perguntas. ― desdenhou Kris e o rapaz deu de ombros ― Espero que não pense em divulgar essa informação, porque isso não foi escolha minha. Os arquivos que você vazou eram relatórios da empresa e, apesar de ter visto boa parte do que conseguimos extrair do artefato, guardou essa informação. Mas ligue os fatos. Se agora temos certeza de que um dia houve vida em outro planeta, como garantir que essa mesma civilização ou mesmo outra não possa existir no fim do rastro deixado? Nós precisamos nos preparar pra tudo, não sabemos com o que estamos lidando.

― Em outras palavras, ― disse baixinho quando JongIn finalmente pareceu tê-lo reconhecido e começou a se aproximar ― Quer encontrar o pote de ouro no fim do arco-íris.

― Exatamente.

Quando JongIn se aproximou e cumprimentou Kris, o assunto e os olhares de ambos voltaram-se para KyungSoo. O engenheiro explicou o motivo pelo qual o rapaz estava ali e pediu que o astronauta o levasse para conhecer o restante da equipe, já que sua tarde estava livre e ele tinha assuntos para tratar.

JongIn não disfarçou seu olhar sobre o novo integrante da equipe nem o sorriso de canto. Ambos já se conheciam de encontros casuais anteriores, coisas como boates, cafés com wi-fi e celulares descartáveis.

Kai, como gostava de ser chamado, nunca teve acesso à vida pessoal de KyungSoo, que conhecia pelo apelido de D.O, e nunca entendeu o motivo de ele sempre carregar dois notebooks e tentar esconder o rosto em locais públicos. Para o astronauta, reconhece-lo era estranho pelo fato de encontrá-lo logo ali, mas ao saber o motivo, era como ganhar na loteria, já que, na cabeça dele, poderia descobrir mais sobre os mistérios e encantos de D.O, inclusive seu nome verdadeiro, que por acaso Kris esquecera-se de dizer.

― Então... ― começou Kai quando viu Kris sair da quadra ― Você por aqui...

― Eu não vou responder esse tipo de pergunta.

― Você era grosso comigo, exceto quando estávamos na cama. Será que precisamos conversar em uma pra ser gentil? Eu tenho uma no meu qua-

― Quer ficar quieto? ― implorou em sussurros, usando as próprias mãos para calá-lo. ― O que aconteceu entre a gente não precisa ser lembrado, muito menos aqui. Entendeu? ― Kai apenas assentiu e KyungSoo soltou-o bufando.

― Er... Eu posso pelo menos saber o seu nome verdadeiro?

― Continue me chamando de D.O.

― Já vi que vai dar trabalho descobrir, se depender de você... Tudo bem, tudo bem. Gosto de desafios ― e antes que o outro pudesse lhe dizer mais alguma coisa, continuou, abaixando-se para amarrar um de seus cadarços ― Sabe, você vai gostar daqui. Do jeito que parece gostar de computadores, é como querer ser rico e ganhar a galinha dos ovos de ouro. ― levantou-se e sorriu. Algo em D.O o deixava de bom humor ― Vamos?

Subiram mais dois lances de escada até chegarem ao andar seguinte que, para a surpresa do hacker, não era mais algum tipo de local para treinamento físico. Logo que saíram das escadas, depararam-se com mais braços robóticos, dessa vez de tamanhos e modelos diferentes, que iam desde aqueles iguais à quadra de treinamento a outros mais humanoides.

― Esse é o andar em que o Kris trabalha ― comentou Kai o guiando por um corredor de paredes de vidro que permitia a visão de salas que D.O julgou serem de robótica, até chegarem a uma em que o engenheiro trabalhava num maquinário em cima de uma mesa de aço.

Ele falava com um rapaz de costas atrás dele sobre o que fazer com os fios soltos no que parecia ser uma cabeça mecânica.

― KyungSoo! ― foi a primeira coisa que disse o rapaz quando se virou após encontrar a ferramenta que procurava no armário.

Era seu amigo Byun BaekHyun, o único entre todos os seus amigos que D.O podia contar seus segredos. KyungSoo sorriu forçado como se desse a entender que o outro não devia ter feito aquilo, ao mesmo tempo que acenava de leve para Kai sem que ele visse, dando a entender que o motivo do sorriso falso seria ele.

― Vocês já se conhecem? ― perguntou Kai incrédulo ― E esse é seu nome? Quer dizer... De verdade?

Kris deu de ombros. Àquela altura, BaekHyun já havia lhe falado que admitir KyungSoo era a melhor opção e que “podia pôr a mão no fogo por ele”, o que o fez ter que contar como o conheceu e que tipo de relação mantinham, além de jurar que não tinha ajudado na invasão da NASA ou enfrentaria problemas por isso.

― Somos amigos ― revelou D.O ao olhar para os olhos saltados de JongIn ― Nos conhecemos quando eu cheguei nos Estados Unidos. E sim, esse é meu nome.

― Eu perdi alguma coisa? ― indagou BaekHyun mais para si mesmo do que para os outros ao notar o olhar perdido de KyungSoo.

BaekHyun era o tipo de cara que falava sem pensar e D.O ainda estava se acostumando com isso, além de ser esse o principal motivo de ele não ter falado sobre seus planos da invasão do sistema. Não que ele desconfiasse de seu amigo astronauta engenheiro, mas gostava dele a ponto de não querer metê-lo em encrencas.

― Vocês podem ter esse tipo de conversa depois ― interrompeu Kris antes que qualquer um continuasse ― Agora precisam trabalhar. Já que os dois já se conhecem, que tal pular essa parte e partir para o próximo membro da equipe, Kai? Tenho certeza que ainda não visitaram todos.

JongIn pigarreou. Detestava quando YiFan o repreendia por um motivo mínimo, mas a ideia de saber mais sobre KyungSoo longe dele e de seu amiguinho lhe parecia melhor. Além do mais, ele ainda queria saber que tipo de coisas os dois faziam juntos porque, até onde ele sabia, BaekHyun não tinha vida além de se dedicar ao projeto como engenheiro de voo ou, em como gostava de chama-lo, o sabe-tudo-e-mais-um-pouco de tecnologia.

Sorriu travesso ao sair da sala e imaginar que não se surpreenderia se visse no noticiário que ele poderia criar um robô e casar com ele um dia.


✦✧ ✦


O tempo pareceu demorar mais para passar naquele dia.

Para KyungSoo, era como se o relógio estivesse com preguiça ou a tentação de olhar para os lábios de Kai fosse intensa o suficiente para se manter alerta sobre o seu comportamento. O astronauta, por outro lado, não poupou esforços em tentá-lo, mas notou sua fome e o levou para conhecer o refeitório principal da agência no térreo.

Talvez tenha sido o relaxamento breve sobre seu trabalho na NASA que o tenha feito prestar atenção aos detalhes daquele andar, que iam desde a uma escultura de um astronauta pairando acima de suas cabeças aos corredores com painéis informativos das missões e projetos mais renomados da empresa, além de condecorações de cientistas e astronautas.

Kai explicou que aquele espaço funcionava como um museu, aberto para visitação do público geral e que por isso era o seu caminho preferido para o refeitório. Dizia que é cansativo ver sempre as mesmas pessoas, já que trabalha e mora naquela unidade, mas que ver rostos novos o fazia se esquecer da rotina.

KyungSoo já conhecia o lado sonhador dele, mas era como se aquela fosse a primeira centelha de um sonho antigo e colorido, de naves espaciais e estrelas nos olhos dele. E, pela primeira vez, teve certeza de que ele nascera para ser astronauta.

Depois de comerem e o assunto girar em torno da missão, encontros antigos e casos engraçados da equipe, JongIn o levou para conhece-los. O primeiro deles foi Oh Sehun, o bioquímico. Ele estava num laboratório e, pelo que KyungSoo entendeu, avaliava amostras de seu próprio sangue, um projeto antigo que vinha desenvolvendo em conjunto com o bioquímico chefe do setor de experimentos.

Sehun explicou que participara como cobaia de um teste de um soro que a NASA, em conjunto com outras organizações da área da saúde, testava em longo prazo. Segundo o bioquímico, ele não tinha total acesso à pesquisa, mas sabia que o soro havia sido criado a partir de amostras de diferentes substâncias químicas encontradas no solo de Saturno, o que servia apenas para saber se o ser humano teria alguma reação a elas.

Kai riu enquanto contava que, quando o conheceu, achava que ele viraria um zumbi ou ganharia poderes. O hacker achou engraçado.

No caminho do escritório de Park Chanyeol, o comandante da missão, JongIn falou sobre como ele era. O descreveu como um homem sistemático que visa o trabalho antes de si próprio e vive falando sobre responsabilidade, exceto quando estava perto de BaekHyun, o que lhe parecia dar à ele um motivo para sorrir.

Quando entraram no escritório pequeno decorado com quadros de seus próprios desenhos, que retratavam sempre o universo, já de início o líder lhe passara confiança, embora ao mesmo tempo sua voz soasse como se no mínimo deslize teria em troca a pior das consequências.

Era sistemático, de verdade. Começou com uma apresentação formal, lhe entregou uma cópia de seu contrato e pediu que KyungSoo assinasse o mais breve possível, já que iniciaria oficialmente suas atividades no dia seguinte, dizendo que todas as suas possíveis dúvidas seriam respondidas ao ler suas cláusulas.

Em seguida, começou a dizer que conhecer o espaço e estar naquela missão era o sonho de qualquer grande adorador das estrelas e, novamente, D.O pôde ver o brilho que vira nos olhos de Kai.

Chanyeol pediu que JongIn voltasse às suas atividades, visto que já era fim de tarde e ele tinha treinamento físico com os outros. Contra gosto, ele foi.

O comandante começou a falar sobre a ousadia de KyungSoo em invadir o sistema da NASA, mesmo com tantos hackers fazendo sua segurança, mas o parabenizou pelo feito. Segundo ele, provava sua inteligência.

Fora ele quem mostrara ao novo integrante da equipe o seu novo quarto no prédio-dormitório da agência, que ficava ao lado do centro de treinamento e pesquisas e deixou-o sozinho depois de lhe lançar um sorriso torto junto de um “seja bem-vindo à equipe”.

Sozinho e sem saber ao certo o que fazer, KyungSoo olhou em volta, como se aquele quarto com uma cama de solteiro, uma televisão e uma cômoda fossem sua cela numa penitenciária.

Sentou na cama, cansado, e leu alguns trechos do contrato, sendo pego de surpresa ao reparar na segunda delas, que expressava em letras maiúsculas que ele deveria embarcar no veículo espacial.

Riu incrédulo. Até onde ele sabia, o trato era servir a NASA como os pés bem firmes na Terra, não em gravidade zero a caminho de uma bola de fogo.

De repente, se pegou pensando se valeria à pena arriscar a própria vida nisso, se os sistemas de segurança daquela droga de foguete o manteriam vivo e o trariam de volta.

Mas sua frustração só piorou quando seu celular tocou no bolso avisando-o de uma mensagem. “Embarque na viagem ou perderá um bilhão de dólares” foi o suficiente para tirar seu sono. Tentou ligar para o número desconhecido, mas a mensagem sonora repetia “Esse número não existe, verifique se discou corretamente e tente de novo”.

Riu descrente. Devia ter reconhecido o truque mais barato de um hacker.

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26 de Julio de 2019 a las 00:00 0 Reporte Insertar 0
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