Dear Teacher Seguir historia

kazuno Lari

Baekhyun é um professor de ciências biológicas com três gatos e um casamento fracassado na bagagem. Como o homem sério que era, fica sem saber o que fazer quando percebe os olhares de um de seus alunos fixos em si por mais vezes do que seria considerado normal. Park Chanyeol deveria saber que um relacionamento como esse estaria fadado ao fracasso.


Fanfiction Bandas/Cantantes Sólo para mayores de 18.

#yaoi #drama #kazuno #exo #chanbaek
Cuento corto
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Limites

O sol estava para nascer quando Baekhyun foi acordado por um de seus gatos. O Byun sempre levantava cedo para se arrumar para mais um dia de trabalho — o despertador felino era apenas um bônus.


Bônus esse, acompanhado de mais dois, frutos de um casamento que não deu muito certo.


Baekhyun estava separado de Taeyeon já fazia um tempo — dois anos, sendo exato — e da união a única coisa que o Byun ainda sustentava era a amizade com a mulher e três dos seis gatos que ambos adotaram. Infelizmente o casamento estava fadado ao fracasso desde o início.


Taeyeon e Baekhyun se conheceram no ensino médio, mais especificamente por conta de um trabalho em dupla. Os pais do garoto adoraram a menina, e sempre que algum evento acontecia entre os Byun, Taeyeon era convidada. Por conta da convivência e amizade entre as famílias, a pressão por um relacionamento entre os dois foi inevitável, acabando por acontecer dois anos depois de terminarem a escola.


O casamento durou cinco anos e foi até bom para ambas as partes, mas quando as cobranças por netos se tornaram insustentáveis, Taeyeon soube que era o momento de colocar um fim naquilo tudo. A garota sempre soube que Baekhyun não era completamente feliz consigo, pois apesar da amizade forte com o Byun, tudo mudava quando estavam na cama. Baekhyun raramente conseguia se satisfazer e como consequência, Taeyeon sentia-se frustrada por não conseguir dar prazer ao marido da mesma forma que recebia — a língua do Byun era realmente habilidosa.


Resultado de toda essa frustração foi um divórcio amigável, onde antes de assinar os papéis os dois tiveram uma conversa sincera, onde Taeyeon expôs todos os seus motivos para tal e confessou que talvez a pessoa certa para Baekhyun fosse até mesmo alguém do mesmo sexo que o Byun. Baekhyun não era idiota, também havia notado que as coisas não estavam muito bem, tanto que os últimos dois anos de casamento eram resumidos a filmes e cafuné ao invés de sexo. Taeyeon era uma mulher incrível por não reclamar nem exigir coisas inviáveis a ele, mas ela também merecia ser feliz com alguém que a completasse de todas as formas — além de que ele também sempre sentiu-se atraído por ambos os sexos apesar de nunca ter ficado com outro homem.


Somando todos os prós e contras, os dois decidiram pela separação.


Logicamente que a notícia abalou muito as famílias Byun e Kim, e até hoje a mãe de Baekhyun torce por uma volta do casal mesmo depois de dois, quase três, anos de divórcio.


Mas, Baekhyun não parou sua vida por conta disso, continuou trabalhando e estudando, escolhendo a carreira de professor em uma das melhores faculdades do país. Todo o esforço empregado em lecionar era revertido em uma legião de alunos que o adoravam — mesmo que ele falasse demais e suas aulas fossem quase maçantes por serem repletas de conteúdos importantes do início ao fim. Baekhyun era o queridinho da turma de Ciências Biológicas.


Entretanto não é como se o Byun fosse alguém muito cômico, na verdade, era um professor muito sério e até mesmo intimidante apesar da pouca altura e rosto bonito. Muitos tinham receio de se aproximar ou falar algo errado próximo a si — esse último sendo uma coisa que o professor não entendia muito bem o motivo.


Tudo teria continuado assim se não fosse o início daquele novo semestre e chegada dos calouros. Entre os alunos novos estava Park Chanyeol.


Chanyeol era um garoto sério e inteligente, mas muito ambicioso. Quando queria uma coisa, focava nisso até conseguir. O problema foi ter se interessado naquilo que não poderia ter: Baekhyun.


— Certo, o trabalho fica para daqui duas semanas — Baekhyun ouviu os murmúrios dos alunos. — "Ah", nada — brincou, vendo os burburinhos diminuírem aos poucos. — A data está na lousa e qualquer dúvida que tiverem podem vir falar comigo ou mandar um e-mail, ok? Por hoje é só. — finalizou a aula com o rosto sério, sentando-se em sua mesa e organizando os papéis enquanto seus alunos saíam da classe já se organizando para o trabalho em dupla. Todos saíram, exceto Park Chanyeol.


Baekhyun já tinha notado que o aluno sempre era o último a sair — sem contar os olhares que recebia do mais novo. Chanyeol nunca chegou em seu professor para exigir alguma coisa dele, mas a intensidade de todas as olhadelas somando com a tensão que sempre prevalecia quando a sala se esvaziava, deixava bem claro sua intenção.


A verdade é que Chanyeol rascunhava todo o corpo de Baekhyun com os olhos desejando-o, mas era sensato o suficiente para permanecer atrás da linha que demarcava o limite aluno-professor.


O Park guardou os materiais e seguiu seu caminho após um cumprimento rápido ao mais velho, deixando enfim Baekhyun sozinho na sala com seus próprios pensamentos.


Seria loucura sua ter visto um sorrisinho no rosto alheio antes de ficar só? Por que, exatamente, estava penando nisso ainda? Era o professor de Chanyeol, deveria se colocar em seu lugar.


Pensar nisso o distraiu e o Byun fez seu caminho rotineiro até cumprir suas funções docentes e seguir para sua casa. Seus gatos deviam estar famintos.



•°*•°*•°*•°*•



Mais um dia árduo de trabalho chegava ao fim, Baekhyun não via a hora de suas tão sonhadas férias finalmente chegarem, entretanto, deveria se contentar com os meses de trabalho que ainda lhe faltavam a serem cumpridos. A aula hoje havia sido puxada, e só em pensar que teria de carregar aquele amontoado de livros até sua sala dos professores o deixava ainda mais cansado.


Ajeitou suas coisas dentro da bolsa à tiracolo, os livros nos braços e teria seguido até seu destino se não fosse aquele esbarrão. Quando ergueu o olhar, viu Chanyeol ali.


Baekhyun andava pensando demais no aluno e se odiando por isso. Fazia tanto tempo que não saia com alguém, talvez fosse esse o motivo de sentir-se tão desconfortável próximo a ele. O Byun expirou em surpresa e evitou encarar Chanyeol com outros olhos.


— Me desculpe — Baekhyun assentiu, se preparando para desviar e continuar seu caminho. Por sorte seus livros não haviam caído. — Quer ajuda? — o maior perguntou com uma feição séria, apesar do sorriso pequeno no rosto.


Baekhyun se viu tentado a dizer não, mas os livros estavam realmente pesados, então acabou aceitando e entregando metade dos que carregava para o Park — este que aceitou prontamente.


Chegaram à sala dos professores e o mais velho agradeceu pela gentileza, ganhando um sorriso largo e de tirar o fôlego.


— Senhor Byun- — Baekhyun tinha uma careta enquanto trancava os livros carregados dentro do armário pertencente aos mesmos, deixando o Park meio sem saber como se dirigir ao mais velho. O professor até ia pedir para que ele lhe chamasse apenas de Baekhyun, mas em sua cabeça não era uma boa ideia, por isso só o incentivou a continuar falando. — Bem… está ocupado agora? Abriu uma nova cafeteria na rua da faculdade e eu pensei que seria ótimo visitar acompanhado por alguém.


Baekhyun ficou pensativo no mesmo instante. Não seria estranho aceitar tal convite do mais novo?


— Na verdade eu tenho de ir para casa alimentar meus gatos. Desculpe, Chanyeol — viu o garoto lhe encarar sem mudar a expressão de ar sorridente. — Outro dia, quem sabe?


— Claro, sem problemas — olhou no relógio para disfarçar sua missão falha e se despediu do mais velho. — Então fica para um outro dia. Eu já vou indo — e com uma mesura, Chanyeol deu a volta e se foi, deixando Baekhyun pensativo para trás.


E se tivesse ido com o mais novo? Afinal de contas, era apenas um café. O que poderia dar errado?


Pensando nisso, uma semana depois daquele convite Chanyeol voltou a lhe chamar para um café, que após alguns minutos colocando todos os acontecimentos inofensivos que poderia passar com o Park, acabou por aceitá-lo.


E foi ali que seus problemas começaram.



•°*•°*•°*•°*•



O tempo foi passando, e os encontros na cafeteria foram se tornando frequentes. Chanyeol se mostrava uma pessoa cada vez mais interessante, deixando o Byun cada dia mais acostumado com a ideia de estar se encontrando com um aluno seu e esquecendo o limite aluno-professor. Tanto, que conheceram bastante um do outro nas diversas reuniões na cafeteria, e até mesmo sobre o divórcio com Taeyeon o Byun tinha falado, ouvindo outras muitas coisas sobre seu aluno.


Chanyeol tinha já seus vinte e quatro anos, e já era formado em outros dois cursos na área da tecnologia. Quando perguntado o motivo da mudança radical, ele apenas respondeu que queria ampliar seu conhecimento — isso, olhando no fundo dos olhos de seu atual professor; Baekhyun sentiu seu estômago formigar.


— Você veio a pé hoje, não? — o mais novo perguntou quando já se encaminhavam para fora do estabelecimento.


— Sim, meu carro está na oficina — respondeu com pesar, mal percebendo o sorriso que nasceu nos lábios alheios.


— Vem comigo, então. Te dou uma carona — Baekhyun viu Chanyeol destravar o veículo estacionado a frente da cafeteria já tão conhecida pelos dois. O professor se viu ponderando se deveria aceitar ou não. Ambos já haviam criado uma amizade, e não teria problema aceitar a gentileza do mais novo, certo? Afinal, não passava disso: uma gentileza.


— Tudo bem — foi tudo o que disse antes de entrar no conforto do automóvel pertencente a Chanyeol.


O caminho seguia silencioso, e até que estava confortável. Chanyeol dirigia seguindo as instruções de Baekhyun enquanto uma música baixinha saia do rádio. O problema começou quando enfim chegaram ao endereço do mais velho.


Uma tensão tomou o veículo, e o Byun se via tão perdido que até mesmo emudeceu por breves momentos.


— Então eu já vou-


— Baekhyun eu quero-


Ambos falaram juntos e se calaram juntos. Chanyeol olhava para o Byun, e Baekhyun engolia em seco. Sentia-se estúpido e imaturo com seu velho coração batendo descompassado dentro do peito.


O Park sorriu, respirando fundo e se virando para ver o mais velho melhor. Não poderia ser mentira todos os sinais de que seu professor também gostava de sua companhia, e Chanyeol também fazia uma certa questão de, sempre que possível, estar perto e demonstrar nos pequenos detalhes que estava interessado.


Porque Chanyeol esteve interessado em Baekhyun desde o momento em que colocou os olhos em si. Assim, reunindo toda a coragem que tinha, decidiu que era o momento propício para que declarasse seu fascínio.


— Antes de você ir, quero te falar algo — Baekhyun mal piscava, quase se assustando quando o maior ajeitou seu cabelo com um dos dedos. Estavam tão próximos. — Você me encanta — com os olhos arregalados, Baekhyun não soube o que responder, arrancando uma risada de Chanyeol. — Não se preocupe que não estou exigindo nada de você. Eu só precisava falar — ver Chanyeol ali, confessando seus sentimentos e sendo tão diferente do jovem sério que era em sala de aula, deixava Baekhyun a ponto de entrar em curto. Chanyeol sorriu. — Boa noite, Baekhyun.


— Boa noite — respondeu avoado, saindo do carro e entrando em sua residência sem olhar para trás.


Naquela noite Baekhyun não conseguiu dormir direito.


Seria loucura cogitar ardentemente dar uma chance àquilo tudo?



•°*•°*•°*•°*•



Os encontros continuaram a acontecer. E foi na despedida de um deles que o beijo aconteceu.


Baekhyun não esperava, mas quando Chanyeol se inclinou no estofado de seu carro e tomou os lábios do mais velho, o Byun não conseguiu resistir.


O selar evoluiu, ganhando profundidade e mãos bobas, até que os beijos de despedida se tornaram preliminares e os corpos passaram a se tornar um algumas vezes por semana. Entretanto, aquele relacionamento sem nome que ambos sustentavam nunca deveria sair do secreto; além de Baekhyun se recusar a assumir-se homossexual — no máximo, uma bissexualidade, agora gay era algo forte demais para alguém como o Byun se auto afirmar — existia também todas as outras barreiras além do preconceito.


E Chanyeol não viu problema no medo de Baekhyun no início, mas depois de alguns meses, ter de aguentar o estágio de negação — que nunca passava — do mais velho, começou a ser insustentável para si. Quando não era Baekhyun se negando a assumir-se gay, ele usava o fato de serem aluno e professor como motivo para continuarem às escondidas, e Chanyeol estava farto disso.


Os momentos que deveriam ser repletos de beijos, abraços e carinho, deram lugar à brigas e discussões. Sendo listados todos os motivos já conhecidos com a recente falta de tempo por conta das provas de fim de semestre.


O distanciamento se tornou inevitável quando nem para brigar os dois conseguiam tempo, e o que era para ser apenas um dia sem se falarem, acabou virando uma semana sem contato algum fora da sala de aula.


O Byun se sentia péssimo com a situação atual. Não conseguia relaxar quando chegava em casa e também não estava dormindo muito bem a noite. Sentia falta de Chanyeol e já estava na hora de mudar aquilo.


— Amanhã vou falar com ele sem falta — murmurou para um dos gatos antes de apagar a luz e dormir.


A cama ficava tão vazia sem Chanyeol ali.



•°*•°*•°*•°*•



Baekhyun finalizou a correção da prova e dispensou os alunos. Viu que Chanyeol seguir para fora e ajeitou seus papéis depressa, saindo para encontrar com o mais novo ainda no corredor.


O professor tinha os passos apressados; quanto antes se resolvesse com o maior, antes poderiam voltar ao que eram. Mas, ao ouvir a risada do mais novo junto a de um outro aluno, seu cenho se franziu imediatamente. O gosto amargo do ciúmes ardeu na boca de Baekhyun quando Oh Sehun agarrou o braço do mais alto, passando a andar pendurado em Chanyeol. E seria claramente só uma demonstração de amizade se o Oh não fosse assumidamente gay.


Baekhyun teve os olhos nublados pela desconfiança.


Então o tempo todo que estava sofrendo, todas as noites mal dormidas e toda a culpa pelo medo de assumir um relacionamento com o Park haviam sido em vão? Ora, Chanyeol estava muito bem sem o ter ao seu lado, só quem estava sentindo falta do que tinham era Baekhyun.


Frustrado, dirigiu rapidamente para casa, colocando em sua cabeça que era grandinho o suficiente para não agir como um adolescente obcecado, já que muito provavelmente os dois eram apenas bons amigos.


Para se distrair, abriu uma das redes sociais — o que não foi lá uma boa ideia — voltando a sentir a ira correr por suas veias ao ver a primeira foto no feed.


Na publicação estavam dois pares de meias embolados do lado de fora de um cobertor com um balde de pipocas e o logo da Netflix na televisão com a luz do ambiente na penumbra. Na legenda tinha um coração e dois bonequinhos homens lado a lado.


“Netflix n’ Chill ❤👬”


Teria nada demais se a postagem não fosse de Chanyeol com Sehun marcado.


Na cabeça de Baekhyun aquilo já era prova mais que suficiente de que estava sendo trouxa sem motivo, e ainda por cima por alguém que nem estava errado em fazer aquilo. Os dois não tinham um relacionamento para que algo fosse exigido. Baekhyun sabia disso e Chanyeol também.


Entretanto, isso não impediu Baekhyun. O Byun sentia-se tão raivoso e enciumado, que só parou o percurso até o bar mais próximo ao trombar com alguém e se surpreender ao ver Taeyeon ali.


— Oi — a feição do mais velho suavizou no mesmo instante, só percebendo a grande quantidade de tempo que não via a ex-esposa quando ela lhe sorriu. Seus cabelos estavam loiros, ao invés de morenos. — Que coincidência te encontrar.


— É mesmo — os dois riram juntos, provando de uma nostalgia da qual não estavam preparados. Coisa que veio ainda mais forte quando passaram a caminhar lado a lado até estarem de volta à casa em que viveram juntos durante tanto tempo. — Quer entrar? Os gatos sentem sua falta — a mulher sorriu, aceitando.


Como imaginado, os felinos não demoraram a começar a roçar nas pernas da antiga dona, e Taeyeon não esperou muito para pegar no colo um pouco de cada vez os bichanos.


Conversa vai, conversa vem, o assunto foi se colocando em dia enquanto dividiam as latinhas de cerveja que Baekhyun tinha na geladeira. Em meio à risadas, os assuntos do presente iam sendo substituídos por lembranças do passado, arrancando deles um riso saudoso ao relembrarem os tempos de casados. A cerveja já os deixava mais soltos.


— Se nossos pais soubessem desse nosso encontro, com certeza ficariam no nosso pé de novo — a mais nova riu, bochechas já rosadas por conta do álcool ingerido. Baekhyun não estava muito diferente quando a acompanhou na risada.


— Sim! Minha mãe ainda tem esperanças de nós dois reatarmos — o Byun soltou um riso soprado, negando com a cabeça ao encarar Taeyeon que também ria.


— Acho que isso é impossível de acontecer, mas eles ficariam muito felizes — a mulher passou a encarar Baekhyun, e o outro tentava lembrar quando a ex-esposa havia se tornado tão bonita.


Não foi necessário muito para que os dois se beijassem e parecia que a falta de sexo era algo afetando os dois lados, já que com apenas um beijo Baekhyun estava duro e Taeyeon montada em seu colo ofegante.


Uma coisa levou a outra, e mesmo que a intenção não fosse terminar a conversa amigável daquela forma, eles não param até chegarem ao fim.


Diferente de como era o casamento frio, Baekhyun se satisfez. E no quarto de Chanyeol o cenário não era muito diferente.



•°*•°*•°*•°*•



Parte do Byun era arrependimento e a outra parte culpa, porém ambas foram soterradas ao ver Chanyeol sorrindo e feliz com Sehun nos dias que se seguiram.


Nos primeiros dias tudo parecia insuportável, mas assim que aquilo tomou a proporção de semanas — que vieram a se tornar meses —, Baekhyun estava acostumando-se. Chanyeol parecia feliz, e aos seus olhos parecia correto que fosse assim.


Era o momento de colocar um ponto final nisso tudo.



•°*•°*•°*•°*•



Quando completou dois meses que os dois não se falavam e Baekhyun decidindo que estava tudo bem com isso, viu uma publicação que o deixou pensativo.


Era outra foto postada por Chanyeol. Nessa ele estava sozinho, e olhava para além da janela. Pela posição era óbvio que a foto foi tirada por outra pessoa, e na legenda tinha um balãozinho de pensamento.


“E se as coisas tivessem sido diferentes…? 💭”


E se as coisas tivessem sido diferentes? Talvez os dois ainda pudessem estar juntos?


Talvez a única coisa necessária fosse deixar o orgulho de lado e se desculpar, dizer que sentiam saudade e mostrar a falta que o outro lhe fazia. Não era difícil, era?


E se… e se deixasse todo o orgulho de lado? Poderiam, sim, recuperar o tempo perdido.


Num ímpeto de coragem, Baekhyun se colocou de pé, pegou um casaco, ajeitou os sapatos e respirou fundo. Iria até Chanyeol, conversariam, se resolveriam e ficariam juntos. Tudo estava planejado em sua mente, e a possibilidade de tal ideia dar certo, o enchia ainda mais de coragem e certeza de que aquilo era o correto.


O Byun caminhou até a porta e a abriu, entretanto não esperava ver Taeyeon ali, com uma expressão abatida e os olhos fundos e vermelhos.



•°*•°*•°*•°*•



— Sabe, Yeol… acho que você deveria engolir esse orgulho todo. Por vocês dois — Sehun conversava com o Park enquanto este estava com a cabeça deitada em suas pernas. — Foi legal sair com você nos últimos meses, mas eu percebo que você nunca está cem por cento comigo — Chanyeol passou a encarar o Oh nos olhos, até mesmo se levantando para que assim pudesse o ver melhor. Sehun sorriu antes de prosseguir. — Seja quem for ele, não deveria desistir tão fácil. Eu não desistiria, se fosse você.


— Você, talvez, tenha razão — Sehun riu e negou suavemente com a cabeça.


— Talvez? Chanyeol, por Deus! O quê você está esperando?


O que ele estava esperando, afinal de contas?


Sem muitas palavras de adeus, Chanyeol correu para fora da casa do Oh e pegou o primeiro táxi até o endereço de Baekhyun. Eles poderiam, sim, se acertarem e voltarem a ficar juntos. O Park aceitaria até mesmo se nada mudasse e os dois continuassem escondidos naquele mundo só deles.



•°*•°*•°*•°*•



Com uma pressa exacerbada, Chanyeol saltou do carro após pagar a corrida e não demorou a apertar a campainha daquele que gostava de forma desesperada. O sorriso no rosto denunciava o quanto estava esperando para que tudo desse certo. Chanyeol queria Baekhyun com todo o seu corpo e alma.


A porta não foi aberta, mas pelas luzes acesas, sabia que ele estava em casa. Como já estivera ali diversas vezes, não se importou em pegar a chave debaixo do tapete e entrar. Não precisou procurar muito para encontrar o Byun. Ele estava sentado no sofá da sala, a televisão estava desligada e o silêncio tomava todo o ambiente.


— Baek? — chamou, sentando-se ao lado do mais velho, vendo-o encarar o nada com os olhos perdidos. Chanyeol franziu o cenho, tomando liberdade para tocá-lo no ombro. Fazia tanto tempo que não tinham contato físico, que até mesmo seu coração acelerou. — Baek, o que foi? — perguntou, ganhando a atenção alheia pela primeira vez desde que havia chegado. A feição de Baekhyun se anuiu em uma triste, os olhos marejando e a boca franzindo em palavras não ditas.


Baekhyun apenas encarava Chanyeol, como se quisesse gravar em sua memória todos os detalhes do mais novo antes que o perdesse de vez. Precisava perdê-lo.


— Baek, eu… eu sinto tanto! Não queria ter me afastado e ficado longe de você durante todo esse tempo — o Park queria resolver aquilo logo, mas ao ver o Byun negar com a cabeça e evitar seus olhos, soube que deveria ter feito tudo aquilo antes. Sehun estava certo. — Nossas brigas quase nos destruíram, mas eu quero deixar isso no passado e voltar a ser como éramos. Eu não me importo se não nos assumirmos, eu só quero continuar contigo porque eu acho que te a-


— Chanyeol — Baekhyun o interrompeu, apertando uma de suas mãos. — Não podemos ficar juntos. Foi um erro desde o início — Chanyeol o encarou com os olhos aumentando de tamanho e o coração batendo forte. Aquilo definitivamente não estava em seus planos.


— Como assim? Eu achei que você e eu, nós…


— Não existe mais um ‘nós’, Chanyeol; e isso não é de agora — Baekhyun mordeu o lábio, segurando-se para não ser fraco. — Vá embora, não temos mais nada.


— Não temos? Baekhyun, por quê está dizendo essas coisas? Eu amo você — Baekhyun negava com a cabeça. Seu peito doía tanto ao ouvir tais palavras que era difícil suportar. — Fica comigo, Byun — o mais novo pediu, sentindo o coração partir aos poucos. Para alguém orgulhoso, era difícil implorar.


— Eu… não posso. Não mais — Chanyeol tentava entender, mas não conseguia.


— Por que não? — seu tom era desolado, assim como o olhar que recebeu de Baekhyun. Mais uma vez o Byun vagava os olhos por todo o rosto do mais novo, decorando-o antes do adeus.


— Eu vou ser pai.


Os olhos de Chanyeol perderam o brilho e as palavras morreram em sua garganta. De repente sentiu-se o pior e mais egoísta de todos os homens que existiam por pensar que Baekhyun estaria sozinho e se lamentando enquanto ele se embolava nos lençóis com Sehun. A culpa era sua, mas a realidade de Baekhyun reatando com a ex-esposa era dura demais até mesmo para si. Um filho? Isso era algo que ele não poderia se intrometer.


O silêncio tomou conta do ambiente novamente, e dessa vez nem mesmo Chanyeol teve coragem de intervir.



•°*•°*•°*•°*•



Chanyeol faltou às aulas de Baekhyun durante um tempo. Era melhor se distanciar um pouco do mais velho. Mesmo que os dois nunca tivessem tido um relacionamento, o aluno gostava muito do Byun e sabia que era recíproco. Ele sempre soube.


Quando Chanyeol voltou a frequentar as aulas, estava diferente. Seu semblante ainda era triste por conta da situação que ambos tiveram de se situar, e aprender a conviver novamente atrás da linha era algo um tanto quanto difícil e doloroso.


Baekhyun tentava não encarar demais o aluno, mas até mesmo seus colegas de trabalho tinham notado que o Byun andava para baixo nas últimas semanas. Era como se a notícia do filho que estava para vir, não fosse exatamente algo planejado pelo pai. Realmente não era, mas o pequeno que estava a caminho não tinha culpa de nada.


Mesmo que Baekhyun e Taeyeon não tivessem voltado a ser um casal, o Byun se comprometeu a ser um pai presente e o mais velho sempre cumpria com suas promessas.


Eles nunca deveriam ter ultrapassado o limite aluno-professor, pois lá no fundo sempre souberam ser uma relação fadada ao fracasso. Às vezes as coisas não eram para ser e um amor daqueles não havia nascido para durar.


O tempo passaria, Baekhyun cuidaria de seu filho e Chanyeol seguiria com a sua vida. Baekhyun lembraria do Park como o excelente aluno que foi para si, enquanto Chanyeol teria o Byun apenas como seu querido professor.


Seria como se o limite jamais tivesse sido ultrapassado.



Alguns anos mais tarde…


O dia mal havia começado e os Byun já estavam de pé. Enquanto Baekhyun preparava o lanchinho do mais novo, Baekyong tagarelava sem parar comendo seu cereal.


Aquela rotina já se repetia há quase sete anos.


Quando Baekyong nasceu, foi decidido que o garoto passaria quinze dias do mês com a mãe e os outros quinze com o pai. No começo foi muito difícil que o pequeno entendesse que, diferente de seus coleguinhas da escola, os dois pais não moravam juntos. Entretanto, agora ele já estava mais acostumado com a separação e divisão da guarda.


— Vamos? Sua aula começa daqui a pouco — o menino assentiu e não demorou a segurar a mão do mais velho, caminhando para fora e se apressando a entrar no carro. O caminho não era muito longo.


— Papai, o senhor nunca vai namorar de novo? — por sorte estavam parados em um semáforo, caso contrário, Baekhyun poderia perder o controle do automóvel.


— De onde você tirou isso?! — o menino deu de ombros.


— O namorado da mamãe é muito legal, e quando eu perguntei, ela disse que eles se gostam muito. Papai, você não gosta de ninguém? — Baekhyun engoliu seco. Fazia tanto tempo que não saía com alguém, que até mesmo se esquecera que a vida continuava e que as pessoas se relacionavam entre si em cunho romântico.


— O papai não tem tempo, meu anjo.


— Ah… — o pequeno soltou um muxoxo meio descontentado, mas o Byun mais velho até mesmo sorriu mostrando que estava tudo bem. — Mas se o papai quiser namorar com alguém, eu não vou ficar triste, tá bom?


Baekhyun riu e assentiu antes de desligar o carro recém estacionado na frente da escolinha onde o Byun mais novo estudava. Parece que foi ontem que Baekhyun o trouxera ali pela primeira vez… O tempo realmente passava depressa.


Saiu do carro e abriu a porta para o seu pequeno, logo voltando a unir as mãos enquanto caminhavam para a entrada do lugar. Baekyong se jogou nos braços do pai o abraçando forte e deixando o mais velho de coração acelerado. Amava tanto aquele pedaço de gente que não conseguia medir.


Separou o contato e viu seu pequeno com o cenho franzido — isso acontecia bastante quando ele estava curioso sobre alguma coisa. O menino nem esperou que Baekhyun perguntasse, foi logo abrindo a boca e apontando para além do pai.


— Pai, por quê aquele cara alto tá olhando pra cá? — o mais velho estranhou, mas se virou para ver onde seu filho apontava. Baekhyun quase caiu para trás ao ver Chanyeol ali.


O Park estava tão diferente. Os anos realmente passaram para ele e agora Chanyeol tinha um ar ainda mais adulto dentro da roupa social, entretanto os olhos ainda continuavam do mesmo jeito que se lembrava.


Baekhyun sentiu as pernas bambearem quando o mais alto passou a caminhar até onde estava. O Byun se levantou, mal percebendo o olhar de curiosidade que seu pequeno lançava ao estranho.


— Byun Baekhyun? — Chanyeol estava surpreso, jamais esperaria reencontrar seu antigo professor ali, na escolinha de sua sobrinha. Baekhyun engoliu em seco antes de se propor a responder.


— Olá, Chanyeol. Quanto tempo… — o mais velho sorriu, provando de um sentimento que não sabia definir; algo entre a surpresa e a agonia.


— Sete anos, para ser exato — Baekhyun novamente passou a captar cada detalhe do rosto alheio, coração apertando forte dentro do peito. Tão distraído que não percebeu quando o olhar do maior desviou para a figura pequena ao seu lado. — É seu filho, certo? Ele é a sua cara — sorriu para o menor, vendo a miniatura de seu antigo professor dar um passo à frente e esticar o bracinho para um aperto de mão. Baekhyun tentava não olhar demais para o sorriso no rosto do Park.


— Oi. Eu sou Byun Baekyong — Chanyeol sorriu mais largo ainda, achando o pequeno Baekhyun uma criaturinha adorável.


— Olá Baekyong. Sou Park Chanyeol, antigo aluno do seu pai — o menino arregalou os olhos, maravilhado.


— Isso é verdade?! Meu papai já deu aula?! — a feição de Chanyeol foi anuindo, até se fazer confusa. Porém, antes que pudesse perguntar qualquer coisa, o sinal da escolinha soou, deixando o baixinho atordoado. — Ai, eu tenho que ir — no calor da emoção abraçou Chanyeol pelo pescoço, e puxou a camisa do pai para baixo, repetindo o processo com a adição de um beijo. — Tchau papai! Tchau tio Chan! — e com um acenar, correu para dentro da escolinha.


Quando o menino sumiu de vista, Baekhyun quis se virar e correr. Parecia que a paternidade o havia feito perder o jeito para conversar com as pessoas — isso, ou era somente o efeito de Chanyeol em si depois de tanto tempo.


— Não leciona mais? — a pergunta de Chanyeol o trouxe de volta a realidade. Baekhyun sorriu sem real humor.


— Já faz uns anos — respondeu enquanto se afastava do portão de entrada da escola.


— Não imaginei que fosse te ver de novo. Como está o casamento? — Baekhyun até mesmo estagnou momentaneamente antes de prosseguir com seus passos. Chanyeol fora direto, sem rodeios.


— Não tem casamento. Eu e Taeyeon nunca voltamos — respondeu simples, tateando os bolsos em busca das chaves. Ver o Park novamente o deixava à beira do pânico de tão estranho que era.


— Não? — Chanyeol afrouxou a gravata. — Então por quê me dispensou?


Os olhares finalmente voltaram a se encontrar, deixando a atmosfera rarefeita e o clima cada vez mais tenso. A mágoa de Chanyeol era tão perceptível quanto a angústia de Baekhyun.


O Byun foi o primeiro a desviar, suspirando sem saber como responder àquilo. Diria o quê? Que não queria envolver o mais novo naquilo? Nem mesmo Baekhyun sabia responder àquela pergunta sem palavras confusas.


Chanyeol bufou, vasculhando o bolso do terno até encontrar um cartão para o estender a Baekhyun.


— Seja como for, eu não me importo — o mais velho pegou o papel com o cenho levemente franzido. — Aí tem meu número — suspirou mais uma vez, sorrindo fraco e olhando para o Byun com afeto. — Você pode achar tolice, mas eu acredito que te encontrar aqui hoje não foi só uma coincidência — um bolo se formou na garganta do mais velho, sentindo seus olhos lacrimejarem. — Eu contei todos os dias longe de você, Baek… você não faz ideia do tamanho da saudade que eu senti.


— Chanyeol… — murmurou se segurando para não abraçá-lo.


— Ele é um menino lindo, Baek… se ele foi o motivo, você me julgou muito errado — a mágoa no tom de Chanyeol era demais para Baekhyun. — Eu também sei que errei com você; muito — a culpa era nítida nos olhos do mais novo, porém o Byun não teve forças para responder. — Vou esperar sua ligação — e sem aviso prévio, o maior se aproximou selando os lábios na testa do mais velho. O ar se perdeu por um momento, e no instante seguinte Chanyeol já estava caminhando para longe de si.



•°*•°*•°*•°*•



Muitos dias se passaram e o cartão com o número de Chanyeol estava guardado na gaveta do criado mudo de Baekhyun.


Sempre, antes de dormir, o mais velho o tirava de lá e encarava o papel tantas vezes que já o tinha decorado. Grunhiu em frustração, notando somente naquele momento que não estava sozinho e Baekyong o encarava curioso.


— Não consegue dormir, filho? — o mais velho sorriu, chamando o menor para sua cama.


— O que você estava fazendo, papai? — para especificar ainda mais, apontou para o criado mudo.


— Não é nada importante, meu amor. Só uma coisa que o papai tem de resolver — apertou o pequeno nos braços.


— Tem a ver com o tio Chan? — na mesma hora o mais velho franziu o cenho. — É que no papelzinho que você olha todo dia tá escrito o nome dele… — Baekhyun cerrou os olhos, vendo o pequeno se encolher. — Desculpa papai… eu só não quero que você fique triste — Baekyong era esperto demais para a pouca idade.


— Tudo bem, só não mexa de novo sem me falar antes, ok? — o menino assentiu.


— Chama o tio Chan pra vir brincar com a gente qualquer dia — Baekyong bocejou, já se entregando ao mundo dos sonhos. — Ele parece ser legal — e com isso o menor caiu no sono, deixando Baekhyun sozinho e muito bem acordado para trás.



•°*•°*•°*•°*•



Depois de muito pensar, Baekhyun finalmente ligou para Chanyeol. Mas mesmo depois de se falarem e combinarem de se encontrar, a única coisa que se passava pela mente do Byun era ir embora dali por conta do nervoso. O pé já não aguentava de bater repetidamente no chão.



Poucas horas antes…


O Byun encarava o cartão com o telefone tomando coragem para discar os números e falar com o Park de vez. Depois da conversa com Baekyong, na noite anterior, pensou que conseguiria.


Muitos minutos se passaram até que Baekhyun teclasse os números, e mais outros até que conseguisse pressionar o botão de chamar.


Quando a voz grossa ecoou, outro batucar ritmado começou em seu peito.


— Oi, sou eu.


Baekhyun?


— Sim, Chanyeol.


Achei que não fosse ligar nunca… já faz quase um mês.


— Eu sei. Só… não consegui ligar antes — o Byun suspirou, sentando na cama arrumada.


Não tem problema — um curto silêncio se fez presente. — Temos muitas coisas para conversar, não acha?


— É, tem razão.


Mas não quero que seja por telefone. Você pode me encontrar na cafeteria? — Baekhyun sentiu o falhar de uma batida. Ele ainda se lembrava? — Baekhyun?


— Sim, eu posso. Quando?


Agora. Não vou me perdoar se adiar isso por mais tempo…


— Tudo bem. Eu… te encontro lá.


Certo! Combinado então — o tom de Chanyeol era repleto de uma alegria que Baekhyun jamais imaginou sentir tanta falta.


— Até.


Foi então que o nervosismo começou, e agora que estava sentado na mesa onde os dois costumavam se encontrar, estava ainda mais ansioso.


Quando o sininho da porta soou, seu coração bateu descompassado outra vez.


Ali o limite já não mais importava.

25 de Junio de 2018 a las 20:35 1 Reporte Insertar 3
Fin

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Lari Fem, 23yo, BR. Toda uma vida baseada em crises existenciais, animes e yaoi.

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Stela Matos Stela Matos
meu jesus cristo eu tô muito massacrada
5 de Marzo de 2019 a las 00:22
~