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crazyclara Crazy Clara

Existe amor em uma verdadeira amizade. Para ele, todo o afeto sempre foi uma grande prova de amor fraternal, até que outras sensações ganham espaço. Com elas, não sabe até onde está dando tudo de si e onde está se limitando para evitar mais um desastre.


LGBT+ No para niños menores de 13. © Todos os personagens e o enredo são de minha autoria

#bissexualidade #colegial #romance #amordefrases #yaoi #gay #fluffy
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Um terço


Os olhos estavam fechados, podia sentir de perto o cheiro de tequila e o gosto de guarda-chuva na boca. Tinha certeza de que havia bebido acima do limite, porque não conseguia se lembrar onde exatamente estava dormindo.

Festa na casa do amigo rico, piscina, Rose dançando ao som de Artic Monkeys… Imagens ótimas, até lembrar de si mesmo rolando pela grama e gritando que queria ficar nu porque estava quente.

Respirou fundo, determinado a encarar a própria vergonha. Sua cabeça lhe alertou de que havia mesmo passado do limite e que precisava se hidratar logo, não antes de esvaziar a bexiga.

Abriu os olhos devagar. Brilho demais, dor demais e… aperto demais?

Tinha diante de si lençóis e uma parede, nenhum deles seus. Quando tentou se afastar, o aperto aumentou e sentiu uma respiração quente em sua nuca. Tão logo um rosto se aconchegou em seus cabelos.

Tornou-se ainda mais urgente se lembrar do fim da noite. Queria tirar as roupas, riram e o convenceram a não para não passar vergonha na frente de Rose. Depois era uma confusão de cômodos e braços e o fato de se sentir cansado demais para tomar banho. Estava com os amigos, então deveria ser um deles. Talvez…

— Will? – chamou baixo para o caso de haver mais alguém no quarto.

Sentiu e ouviu um novo suspiro que fez sua nuca se arrepiar com o roçar de lábios. Foi puxado para mais perto e envolvido por um corpo maior e mais forte que o seu. Espiou para baixo e encontrou braços com claras linhas de cicatrizes antigas. Sim, era Will.

Zombaria do amigo pelo resto do ano por puxá-lo como um ursinho. Poderia piorar o quadro dele se falasse com Taylor. A namorada do amigo o ajudaria com apelidos, com certeza. Provavelmente ganharia um também, mas valeria a piada.

— Will, acorda. – murmurou com a voz arranhada pelo sono. – Preciso ir ao banheiro.

Mais um suspiro.

— -ay… – ouviu o sussurro contra sua nuca.

Se havia uma coisa que não esperava naquele momento era ser confundido com a namorada do amigo enquanto uma ereção roçava em sua bunda.

— Will? – chamou de novo, talvez houvesse ouvido errado e bastava que Will tivesse certeza de que era ele.

Mas no lugar de ser solto, Jamie teve a blusa erguida e uma mão lhe acariciou a barriga. Will também gemeu baixo, o que lhe emitiu um imediato alerta de que, fosse o que ele estivesse sonhando, com certeza não era com ele sendo um ursinho.

Deu um beliscão no braço que o envolvia, resultando em outro gemido. Xingou até a décima geração da família do amigo com aquele lado masoquista em apreciar dor. Não bastasse, ainda sentiu que ele se esfregava em si. Esticou a mão para trás para lhe dar tapas no ombro com urgência.

— Will! William!

Ele parou de se esfregar e a mão parou de abrir caminho por sua pele. Houve um resmungo e foi solto de repente.

A súbita ausência de calor seguida do som de algo caindo lhe indicaram que Will havia caído. Sentou-se a tempo de ver o amigo levantar alarmado e tonto pelo sono, com direito a camisa desalinhada e cabelo revirado. Seria adorável, não fosse a visível ereção despontando a cueca como uma arma.

Seu olhar fez o de Will também se abaixar e, incrivelmente, ficando mais arregalado.

— Eu fiz algo estranho?

Jamie foi falho em sua tentativa de conter o riso. Suas bochechas inflaram e explodiu em uma risada. Ouviu Will resmungar e rir também. Logo gargalhavam juntos, com Will caindo sentado e Jamie deitado na cama.

A porta foi entreaberta em algum momento e a cabeça de Harry se colocou para dentro, observando os dois com uma cômica expressão de confusão.

— Está tudo bem aqui?

Tentou concordar, mas seu riso não parava. Sentia que explodiria com a vontade de urinar.

— Eu não sei onde tô! – disse Will entre as gargalhas.

Harry arqueou as sobrancelhas e também riu.

— Na minha casa. Vou deixar vocês e… Tem café. – ele acenou e tornou a fechar a porta.

Precisou de um minuto para acalmar o riso e conseguir se sentar. Quando foi visto se arrastar para fora da cama, Will se levantou rápido, ainda rindo, e tropeçou para o banheiro do quarto.

— Eu primeiro! – falou enquanto fechava a porta.

Jamie não podia esperar, então não se preocupou em colocar calças ao sair do quarto e seguir para o banheiro do imponente corredor de uma residência da classe A.

Diante do vaso, porém, notou o problema que atrapalhava seu alívio de enfim urinar.

Franziu o cenho. Quando havia ficado excitado?

A memória da voz sussurrando em sua nuca enquanto sentia a ereção de Will sendo esfregada em si fez seu pênis pulsar. Estendeu uma mão para a parede enquanto sentia o sangue sumir de seu rosto.

Will era seu amigo desde os 8, quando Jamie havia se mudado para New Jersey e se matriculado na mesma escola. Jamie era recluso, acostumado ao ensino dentro de casa até então, enquanto Will era o típico garoto popular que era legal com todos e a todos conhecia. Foram apresentados para que Will lhe mostrasse a escola e os interesses em volta de esportes acabaram os aproximando definitivamente.

Will fazia a escola parecer fácil, mesmo que tudo apontasse que deveria ser difícil para ele. A começar pelos pais. Jamie logo descobriu que Will, apesar de possuir uma família rica, tinha pais que pouco se importavam a quantas andava ou quais notas conseguia, vivendo sempre em viagens ou brigados. Segundo, nasceu com um tumor que se revelou um câncer aos 2 anos, e precisou de tratamento até os 7 quando esteve finalmente curado. Terceiro, o atropelamento que sofreu aos 11 que lhe rendeu profundas cicatrizes por todo o corpo. Will costumava dizer que ele era o cara mais azarado do mundo e que ninguém conseguia ser mais sortudo que ele. Por pior que fosse a situação em que se metia, sempre voltava para contar história.

O High School¹ foi marcado com trapalhadas interações das quais Jamie guardava com muito carinho na memória. Will passava mais tempo na casa de Jamie do que na própria, tinham uma rotina unida em cada fim de aula e apenas emergências os separavam aos fins de semana. Ou compromissos com Taylor, namorada de Will desde os 12 anos. Faltavam dois meses para o fim das aulas e os dois já haviam recebido as cartas de aprovação para a Universidade de Indiana com bolsa integral por basquete como a dupla dinâmica.

No pacote daquela amizade estava um carinho desmedido com o qual eles não se preocupavam. Jaime Santos tinha descendência brasileira com costumes de abraçar para cumprimentar e despedir, ter algum contato corporal enquanto conversa e todo o tipo de piada com beijos no rosto para demonstrar carinho. Will se adaptou rápido aos seus costumes e mostrou-se muito adepto deles. Algo no fundo de Jamie dizia que a ausência dos pais e o inicial desgosto pela própria aparência o haviam deixado carente de contato.

Porém, nunca havia reagido daquela forma com Will. Embora também nunca houvessem se aproximado àquele ponto. Ou sussurrado um na nuca do outro.

Deixou o banheiro apenas quando seus dois problemas foram resolvidos, o que lhe custou alguns minutos e água gelada.

Ainda estavam na casa de Harry e, a julgar pelos sons, as pessoas acordavam aos poucos. Voltou para o quarto do qual saiu e não encontrou suas calças. Esgueirou-se pela casa, chamando por Harry aos sussurros, até quase bater de frente com Rose que virava o corredor.

Os dois deram um passo para trás, os olhos igualmente surpresos direcionados um ao outro. Ela devia ter acabado de acordar também, com a maquiagem borrada e o cabelo com curvas dos cachos que perderam o tratamento da prancha. Continua sendo a garota mais linda que Jamie já havia conhecido.

Enquanto isso, ele não estava com calças e foi analisado da cabeça aos pés. Tentou bloquear a visão com as mãos, mas só pareceu deixá-lo ainda mais engraçado para Rose. Um lindo sorriso, diga-se de passagem, adornou sua face. Ainda assim um sorriso destinado ao seu embaraço.

— Noite boa?

— Nãim… – limpou a garganta. – Sim. – sentia o rosto quente e formigando. O olhar dela era sempre intenso e estar tão exposto diante dele não ajudava em sua recomposição. – Sabe onde está o Harry?

Ela sinalizou com o polegar para o corredor de onde havia vindo. Assentiu e começou a contorná-la evitando lhe dar as costas. Ao mesmo conservaria um pouco a dignidade de seu traseiro.

— Obrigado. – soltou quase sem voz e fugiu corredor adentro.

Humilhação. Vergonha. Derrota. O fracasso de sua vida amorosa com a garota pela qual tinha uma queda desde o primeiro dia do High School. Tinha certeza que ela o achava um desastre como pessoa. Que tipo de jogador da equipe de basquete conseguia ser tão envergonhado quanto ele? Todas as vezes que tentava trocar um par de palavras com ela perdia todo o fio da meada e encarnava o Yoda.

Encontrou Harry na sala de estar e não se importou de ser visto sem as calças por ele e os outros dois caras do time. Eles pareciam ler em seu rosto o que havia acontecido.

— Eu sou uma negação. – resmungou e ganhou um coro de risadas.

— Ela está de saída, Jay. – disse Harry para lhe acalmar. – Pode relaxar a pose.

Não ficou calmo de imediato, mas ao menos ficou grato em não precisar encará-la novamente depois do encontro pelo resto do dia. Harry lhe emprestou calças novas enquanto o paradeiro da sua era um mistério. Pelo menos para ficar junto do restante do time que acordava aos poucos e se reuniam na sala. Christopher, Robert, Harry, Anderson, Tom, Diego, Archie e Ryder.

Os empregados já faziam a faxina, que não era pouca, pois adolescentes conseguiam fazer uma senhora bagunça se colocassem álcool e música juntos de casa grande e piscina. Havia café e se serviram enquanto reviam vídeos da noite anterior. Maldito fosse aquele que havia inventado o celular. Jamie foi obrigado a se ouvir cantando A Thousand Miles em cima da mesa tendo uma plateia para si que incluía Rose de maiô.

Will se juntou a eles em suas próprias calças e sentou-se ao lado de Jamie, o puxando para o costumeiro abraço.

— Olha olha, essa parte! – disse Robert, apontando para a TV onde a vergonha de todos era exibida agora em uma roda de bancos. Na gravação, Jamie discursava algo ainda difícil de se ouvir pela distância. – Você começou a falar em brasileiro, entendi merda nenhuma.

— Português, Rob, não brasileiro. – corrigiu Christopher.

— Não lembro de falar isso. – franziu o rosto para a tela a medida que o cameraman, Archie, se aproximava até finalmente ser capaz de entender. – Ah, é um texto.

— E o que quer dizer? – perguntou Anderson olhando em sua direção.

— Algo como… – precisou de um segundo fazendo a melhor tradução que conseguia. – “Vem. Mas vem com tudo. Vem inteiro. Com as memórias, as cicatrizes, as qualidades e os defeitos.”² – olhou para a TV que agora exibia Ryder tentando xavecar Enya sem nenhum sucesso. – É um texto sobre um relacionamento, de não se dar parcialmente, mas aceitar tudo o que vier junto do parceiro. Sem desculpas ou meias palavras. Quando se percebe que não é apenas paixão, mas sim amor verdadeiro.

Levou alguns segundos até perceber que a sala estava em silêncio. Quando olhou para os lados, notou os colegas de time lhe encarando, incluindo Will que parecia a um passo de chorar. Abriu a boca para questionar, mas Will começou a lhe dar rápidos beijos na bochecha e o apertar em um abraço.

— Precioso demais para esse mundo! – disse Will antes de voltar aos exagerados beijos.

— Caralho. – falou Diego enquanto Jamie tentava afrouxar o abraço que recebia. – Por que você não namora ainda mesmo? Aposto que se eu soltasse uma dessas para qualquer garota da escola, ela sairia comigo num estalar de dedos.

— Ele está comigo, shiu! – Will lhe puxou pelo ombro finalmente encerrando os beijos. – Eu, Jay e Tay somos um trio.

— Lembraram de avisar a Taylor? – perguntou Robert sem esconder o riso.

— Depois que eu e ela voltarmos ao normal, contamos. – Will abanou a mão livre na direção do colega, ao que o grupo tornou a rir.

Jaime riu, mas, no fundo, algo lhe dizia que não deveria. Porque, por mais que fosse muito amigo de Will, ainda havia um limite de amizade que não deveriam ultrapassar.

Algo que, talvez, ele houvesse feito naquela manhã.



¹ – High School é quase o equivalente ao ensino médio do Brasil. Preenche 4 anos de estudo dos alunos entre os 14 e 18.

² – Frase por Bruna Vieira.

15 de Junio de 2018 a las 02:35 4 Reporte Insertar 12
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Yamanaka  Sweet Yamanaka Sweet
Eu amei a sua estória! ❤
14 de Julio de 2019 a las 15:54
Ayzu Saki Ayzu Saki
GIVE ME MOOOOREEEEE <3 Eu quero saber como continua, como termina....diz que vai ter mais?
22 de Junio de 2018 a las 09:50
E C E C
Que delicia esse original. A cena inicial é incrível, Jamie acordando em local desconhecido e apertado por alguém? Eu amei, ainda mais que tinha algo bem acordado entre eles hehe Como sempre você é maravilhosa e eu fiquei muito surpresa que era um original. Adorando, vou para o próximo.
20 de Junio de 2018 a las 10:39
Tali Uchiha Tali Uchiha
EU TO JOGADA, TO MUITO JOGADA, EU AINDA NÃO SEI O QUE TEM MAIS PRA FRENTE, BUT, EU ADORARIA LER 50 CAPÍTULOS DESSA HISTÓRIA
18 de Junio de 2018 a las 18:05
~

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