Entre Páginas e Palavras Seguir historia

nathymaki Nathy Maki

Sai apenas desejava ter coragem suficiente para desejar que aqueles momentos durassem para sempre. Porém, desejos, às vezes, podem ser facas de dois gumes, e o que ele queria de coração podia vir a ter uma realização muito mais trágica. No fim, tudo permaneceria em sua memória e sempre seria lembrado.


Fanfiction Anime/Manga Todo público.

#crackship #universo-alternativo #sai-sasuke #inkdisney #naruto #sai #sasuke #angst
Cuento corto
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Capítulo Único. I'll always remember you

Música Escolhida: I'll Always Remember You, da série Hannah Montana Forever.


O relógio badalava 5 horas. Apressado, Sai atravessou as ruas correndo. O ar condensava a sua frente formando uma névoa branca graças ao frio que tomava conta do clima. Virou a esquina já ofegando pela corrida, apertando o passo. Precisava chegar logo ao topo da colina das cerejeiras. Temia que pudesse perder o encontro daquele dia por ter se distraído pela conversa incessante de uma garota. Sasuke iria ficar bravo, e, embora não demonstrasse, Sai sempre sabia. Ele odiava atrasos.

Felizmente havia pouco trânsito pelas ruas de modo que logo se encontrava subindo a encosta com esforço. Suas palmas suavam pelo simples fato de estar indo se encontrar novamente com ele, fato que vinha se tornando cada vez mais comum com o decorrer dos anos e que só contribuía mais para aumentar o seu nervosismo. Não sabia quando a amizade passa a ser insuficiente para si, apenas, um dia, notou as reações que seu corpo possuía quando estava perto dele. Desde então, passou a desejar estar cada vez mais perto. Parou a poucos metros de distância de duas pedras achatadas que mais pareciam bancos - e, de fato, eram usadas com tal propósito - para recuperar o fôlego e diminuiu o ritmo das passadas, como se estivesse chegando lá despreocupada e casualmente. Embora tentasse passar o clima de descontraído, sabia que o Uchiha não se deixaria enganar então se preparou mentalmente para o sermão que receberia.

Mal podia acreditar que um dia, naquele mesmo lugar, estivera chorando escondido até o momento em que um garoto, vestindo roupas escuras, aproximara-se e começara a conversar com ele, zombando de suas lágrimas. Ficara tão envergonhado que evitara aparecer por alguns dias, mas, quando finalmente tomou coragem para subir até o topo outra vez, encontrou-o novamente lá, sentado em uma das pedras e encarando o horizonte com os olhos incrivelmente escuros como se este pudesse responder todas as dúvidas que possuía. Naquele momento, nada parecera mais belo para Sai do que aquela silhueta escura banhada em luz dourada do sol, luz e trevas se entrelaçando em uma perfeita dança sincronizada. Seus dedos haviam coçado com a vontade de ter nas mãos o caderno e o lápis de desenho, o coração martelava no peito pelo medo de se aproximar e estragar todo aquele cenário maravilhoso. E então a silhueta, como se sentindo sendo observada, virou-se e lhe lançou um sorriso zombeteiro.

- Então você voltou. – Disse, erguendo uma das sobrancelhas, o sorriso ainda parecendo escarnecer dele. - Veio chorar mais um pouco? Desde que não faça muito barulho, eu não me importo.

Sai voltou a sentir a vergonha que o assolara na primeira vez e pensou em fugir dali novamente, porém, algo nos olhos dele o fizera ficar. Desde então, sempre que vinha a colina para se esconder, ver o pôr do sol ou simplesmente deitar e desenhar a dança das pétalas de cerejeira sendo levadas pelo vento, Sasuke Uchiha se encontrava lá.

Sentou-se em uma das pedras lançando um olhar rápido para o lado afim de conferir se ele havia notado sua chegada. A expressão não demonstrava nada, mas Sai já estava acostumado com os longos silêncios e as expressões que não deixavam transparecer mais que uma pontada de irritação ou sarcasmo. Estava reunindo as palavras para se explicar quando ele quebrou o silêncio.

- Aquela garota de novo?

Sai engasgou com a surpresa.

- Como você sabe? - Sasuke teve a ousadia de rir.

- Como não saber se está estampado na sua cara? - Sai passou a mão pelo rosto, discretamente, como se isso pudesse apagar o que quer que ele afirmasse estar escrito em sua face.

- Tudo bem, você venceu. - Não via motivos para esconder coisa alguma, no fim o Uchiha sempre acabaria descobrindo. Não existiam segredos entre eles. Ou melhor, existia, mas esse Sai vinha se esforçando para reunir coragem e contar. - Sherlock Holmes perderia feio para você. - Brincou. Sasuke lhe lançou o seu costumeiro olhar zombeteiro o qual Sai já havia se habituado a ver.

- E então, como foi? - Era possível ouvir o sorriso em sua voz, algo nela demonstrava que já sabia o que seria dito antes mesmo das palavras saírem de sua boca. Sai deu de ombros, indiferente.

- Não foi nada demais, se é isso que está insinuando. Ela só queria me perguntar sobre um trabalho que estamos fazendo juntos.

- Acredito muito nisso. - Ele ainda estava sorrindo. - E você, todo educado como sempre, apenas a convidou para sua casa, não foi?

- Quem está dizendo isso é você. - Sai apontou.

- Então você não convidou? - A sobrancelha voltou a se erguer.

- Bem, convidei. - O sorriso voltou ao rosto do Uchiha como acontecia quando ele acertava algo. - Mas não com nenhuma das intenções que você pode estar pensando. - O sorriso aumentou fazendo o rosto de Sai queimar de vergonha. Tantos anos depois e ele ainda tinha o talento para deixá-lo envergonhado.

Suspirando, puxou o caderno da mochila e mergulhou no mundo de traços, linhas e formas. Fingia estar concentrado na complexa visão da cidade quando, na verdade, estava desenhando os traços bem definidos do Uchiha: a linha rígida da garganta, a mão apoiada na bochecha, os olhos semicerrados contra a luz. Olhos esse que o estavam encarando.

- O que foi? - Perguntou temeroso que ele houvesse percebido o que estivera fazendo.

- Não pode fugir para sempre, você sabe. - As palavras o atingiram fundo. Mesmo que o Uchiha não pudesse ver a confusão que se encontrava em seu interior, algo em seu tom o fazia pensar que ele sabia mais do que deixava transparecer.

- Não faço ideia do que você está falando. - Mentiu, descendo os olhos para a página meio preenchida agora.

- Bom, você quem sabe.

***

Não tinha o costume de chegar cedo na escola, porém, acordara cedo por culpa um pesadelo e voltar a dormir parecia uma missão impossível. A frequência com que aquilo acontecia vinha aumentando, tanto que ele já não aguentava mais ver Sasuke estender a mão para si e então se estilhaçar bem diante de seus olhos. Como um vidro delicado que ele havia deixado cair. Por vezes se perguntava se os sonhos não seriam uma espécie de previsão lhe avisando que, em breve, Sasuke o abandonaria.

Balançou a cabeça para se livrar desses pensamentos agourentos e dos resquícios do sonho e passou a mochila sob o ombro, verificando com cautela se o zíper estava devidamente fechado e todos os seus pertences se encontravam guardados. Tendo assegurado que tudo estava em ordem, passou a caminhar com mais calma em direção à escola. Não tinha pressa alguma, na verdade, quanto mais tempo demorasse a chegar, melhor. Lidar com aquela cacofonia de vozes, as conversas sobre amenidades ou as regaladas de risinhos e olhadelas; estar confinado a quatro paredes longe das formas e do jogo de luzes e sombras que o ambiente ao ar livre lhe proporcionava, era como estar amarrado a grilhões. Por ele, mataria as horas da manhã ao lado de Sasuke, porém, este insistira que não o fizesse, alegando que "Se você não os encarar agora, vai fugir deles e ser assombrado para sempre." Sai se comovera com a preocupação dele para consigo, mas tal hipótese foi quebrada quando ele completou: " Bom, não que eu me importe, não mudará nada para mim." Suspirou, ele era sempre assim.

- Saaai! - Uma voz entoou, entusiasticamente, no momento em que ele se aproximava do portão. Fechou os olhos, derrotado, sabia muito bem o que estava por vir. Um furacão feroz e obstinado que insistia em segui-lo nos últimos meses. Não deu outra e logo os passos acelerados e a respiração entrecortada se aproximaram de si. Passou a mão pelos cabelos, pedindo paciência para o que viria a seguir. O braço se enlaçou ao seu e ele sentiu os corpos se chocarem com o impulso do ritmo que ela mantinha antes de alcançá-lo. - Bom dia! Chegou cedo hoje.

- Ino. - Disse curtamente. Ela sorriu, apresentando uma fileira de dentes brancos bem alinhados, e piscou um dos olhos azuis.

- Mas que mau-humor é esse logo pela manhã?! Se continuar assim nunca vai conseguir uma namorada. - Um biquinho irritado se formou em sua boca, mas ele sabia ser um mero capricho. Ao ouvir essa palavra, sua respiração travou no peito por meio segundo antes de voltar a se normalizar. Ela não notou, absorta demais no que dizia para reparar no arrepio que percorreu seu corpo. - Então, está tudo certo para terminarmos o trabalho hoje? Assim que as aulas acabarem, vou direto para a sua casa. Sabe que o professor Asuma só tem a cara de preguiçoso, mas vai querer uma apresentação muito bem-feita ou pode esquecer aquele churrasco que ele prometeu no fim do mês.

Ele assentiu, mecanicamente, apenas para mantê-la falando. Entraram na recepção juntos, recebendo alguns olhares enviesados por conta da posição que se encontravam, e subiram as escadas em direção à sua sala de aula.

Ao passarem pela porta, um braço de pele muito branca agarrou Ino pelo cotovelo, puxando-a para longe de Sai. Os cabelos rosados de Sakura se misturaram aos fios loiros de Ino enquanto esta se desequilibrava, tropeçando em uma cadeira e fazendo com que a cabeça das duas se chocassem.

- Ai! - Ino reclamou esfregando o local do galo.

- Ai digo eu, sua loira desastrada!

- Ué, mas foi você quem me puxou do nada!

- Foi mal Sai, mas será que você pode me emprestar a Ino um instantinho? - A rosada ignorou o que a amiga dizia e voltou seus olhos verdes para encontrar os negros do garoto, o olhar sendo prontamente evitado. Ela suspirou, havia muito que tentava fazê-lo se abrir e sair um pouco daquela casca isolada em que vivia, todavia parecia que nada que fizesse adiantava.

- Ei, Sai! - Naruto gritou, acenando do outro lado da sala. Antes que Sai pudesse formular uma resposta, Sakura o empurrou em direção ao loiro que sorria abertamente para o amigo.

- Vai lá, aproveita que o Naruto está te chamando enquanto eu converso com a Ino. - Ele abriu a boca para retrucar que não se importava nem um pouco que ela retivesse a atenção da loira e que não estava a fim de conversar com ninguém no momento, mas a insistência da rosada superava sua má vontade e ele acabou aceitando, ciente de que aquela era a maneira mais rápida de acabar logo com essa situação.

Sakura assentiu para si mesma ao vê-lo caminhar em direção a Naruto e voltou sua atenção para Ino que enrolava uma mecha do cabelo nos dedos, sorrindo.

- O que foi? - Perguntou, desconfiada, ao ver aquele sorriso.

- Nada. - Os olhos azuis brilharam, misteriosos, cheios de segredos ocultos. - Você se importa muito com ele, não é?

- Não me faça usar uma daquelas piadas de loira burra. - Ino fechou a cara ao ver o olhar que ela lhe lançava. - Não é nada desse jeito. - A rosada suspirou, escorando-se em uma mesa e puxando o corpo para cima. - Eu e o Naruto conhecemos o Sai desde o fundamental e ele sempre foi esquisito assim. Mas, não sei... ultimamente, ele parece estar cada vez mais distante. - Ela mordeu os lábios, preocupada. - Tenho medo que aconteça algo ou até que ele se isole completamente.

- Hmm... - Ino ponderou, avaliando as palavras. - Não se preocupe tanto, eu vou dar um jeito nisso. - Assegurou, também subindo em uma das mesas e balançando as longas pernas.

- Logo você? - Sakura a encarou, a sobrancelha erguida. - Se nem o Naruto conseguiu, por que logo você conseguiria? - Perguntou, descrente.

- Por que a ele falta poder feminino. - Respondeu Ino, piscando e voltando a enrolar o cabelo no indicador.

- Você sabe de alguma coisa, não é? - A rosada estreitou os olhos.

- Sei que os segredos dos outros não devem ser contados e que é muito feio ficar bisbilhotando. - Pontuou. Sakura entendeu muito bem aquilo, era um "Não vou contar nada, mesmo que me implore." Suspirou, dando-se por vencida e voltou os olhos para observar a conversa dos garotos.

***

Sai não podia acreditar em como aquele trabalho estava rendendo. Seria a segunda vez que Ino iria a sua casa e o desenvolvimento não passava da metade. Bom, ao menos dessa vez ele tinha certeza que Sasuke não o mataria do coração aparecendo do nada no corredor. Estava servindo o suco e os salgadinhos na cozinha que ela pedira - agradecendo mentalmente por Sasuke tê-lo lembrado de fazer compras, quando o Uchiha desceu as escadas perguntando sobre um mangá que havia esquecido ali. Seu coração congelou no peito para então voltar a bater com força redobrada e a mão que segurava a garrafa vacilou, derramando o suco em cima da mesa.

- O que está fazendo aqui? E como entrou? - Perguntou ao mesmo tempo que largava o que estava fazendo e tentava empurrá-lo de volta escada a cima antes que Ino os visse.

- Pela janela, como sempre faço. - A expressão não indicava uma gota de arrependimento.

- Não acredito que ainda faz isso. - Reclamou. - Éramos crianças quando você começou!

- Velhos hábitos demoram a morrer. - Sasuke sorriu, não deixando dúvidas que pretendia continuar fazendo, Sai gostando disso ou não. - Além disso, para onde eu iria quando matasse aula?

- Você mesmo me disse para nao fazer isso. É esse o exemplo que quer passar? - Haviam chegado no quarto. Sasuke escapou da mão de Sai que o arrastava e caminhou até a janela, passando uma das pernas para fora e sentando no parapeito. Diabos, Sai pensou, como ele consegue ficar descolado até numa hora dessas? Mordeu os lábios e cerrou os dedos para manter a concentração no que estava fazendo.

- Não tenho culpa se você tem medo da escola. - O sorriso que parecia rir dele surgiu. - Eu posso matar aula porque aquilo é um tédio e sua coleção de mangás é muito mais interessante.

Sai revirou os olhos e acompanhou enquanto ele passava a outra perna para fora e se lançava para o gramado. Correu para a janela, temendo que pudesse ter quebrado algum osso ao bater contra o chão, mas ele aparentava estar inteiro e em plena forma. Lançou um aceno para Sai e correu pela rua, sumindo ao dobrar a esquina.

O moreno voltou para a cozinha, respirando aliviado agora que ele se fora. Pegou os salgadinhos, limpou o suco que havia derramado e voltou para a sala onde Ino o aguardava. Ela aparentava estar concentrada na leitura do texto que tinham que avaliar de modo que Sai se sentiu mais tranquilo. Com certeza, ela não havia ouvido nada.

Infelizmente, para sua decepção, ela ouvira os barulhos abafados de conversa e fora, pé ante pé, espiar de onde vinham. Acabou vendo toda a cena que se passara e entendera tudo. Na verdade, entendera muito mais.

As horas se passaram, vagarosas e arrastadas para Sai, mas como um raio para Ino. Nesse tempo ela havia montado um plano e agora imaginava como iria colocá-lo em prática.

- Acabamos! - Exclamou, aliviada, estendendo os braços acima da cabeça e arqueando junto a coluna para se livrar da tensão de ficar em uma mesma posição por muito tempo. Os ossos estralaram como se estivessem voltando para o lugar e ela se voltou para Sai com um sorriso.

- Sim, finalmente. - Ele concordou, aliviado. Enfim aquilo havia acabado e logo ele poderia voltar a passa e seu tempo livre com Sasuke.

Organizaram o material e separaram a parte que usariam na apresentação do dia seguinte. Sai encaminhou-se para a cozinha, colocando a louça suja na pia para depois, se tivesse disposição, lavar. Voltou a sala e, para sua surpresa, encontrou Ino enxugando as lágrimas que desciam pela bochecha.

- O que aconteceu? - Recuou assustado. Sasuke uma vez lhe dissera que não havia nada mais assustador do que uma mulher chorando e Sai não estava muito ansioso para descobrir se a afirmação era verdadeira.

- O meu pai acabou de me mandar uma mensagem avisando que não vai poder me acompanhar na consulta amanhã. - Ela mordeu os lábios e cerrou os olhos com força. - Eu não quero ir sozinha...

- Consulta? - Repetiu sem entender. Ela voltou os olhos azuis e o encarou, triste.

- A verdade é que.... Eu estou doente. Muito doente. - O olhar caiu para o colo e permaneceu lá. - Amanhã tenho uma consulta para receber os resultados dos exames e, não sei... não quero ir sozinha... é assustador. - Lágrimas voltaram a encher seus olhos, mas ela as enxugou antes que pudessem voltar a cair.

Esse seria o momento que ele se ofereceria para acompanhá-la, como um perfeito cavalheiro faria. Mas, a verdade é que ele também não gostava de hospitais. Não havia beleza ou algo que merecesse ser retratado. Eram lugares opressores e melancólicos, alimentados pelas lágrimas daqueles que lá sofriam. Lembrava-se de ter ido várias vezes ao hospital quando criança, e costumava odiar esses momentos.

Observou Ino reunir suas coisas, guardá-las na mochila e dirigir-se até a porta, o olhar triste e assustado ainda presente no rosto. Imaginou-a como ele quando pequeno, indo a um lugar que detestava apenas para ouvir o que pareciam ser más notícias. Sentiu uma pontada de culpa, mas permaneceu calado, vendo-a sair.

***

No dia seguinte, a apresentação dos dois aconteceu sem problemas e ambos receberam uma boa nota. Entretanto, para Sai, Ino ainda parecia estar um pouco deprimida. Não havia tentado arrastá-lo para conversar nenhuma vez na manhã inteira. Não que ele sentisse falta, mas aquilo demonstrava o quão abalada ela estava.

Ao fim das aulas, observou-a sair silenciosamente. Sakura, notando o seu olhar, foi até lá e o empurrou na direção que Ino havia seguido.

- Vamos lá, vai atrás dela, não se deixa uma garota assim sozinha. - A rosada notou que ele ainda hesitava então resolveu simplificar. - Ou você vai ou vamos ter uma conversinha amanhã.

Ele assentiu, demonstrando que havia entendido. Sabia o quanto Sakura podia ser assustadora e, nessas horas, era melhor prevenir do que remediar. Conteve o suspiro enquanto caminhava até Ino, alcançando-a somente diante da entrada do hospital a qual ela fitava com receio.

- Você veio! - Ela parecia radiante ao vê-lo.

- Não por vontade própria... - murmurou, seguindo-a para o interior. As paredes brancas e o ar esterilizado pareciam sufocá-lo e ele se forçou a não sair dali correndo. Pegaram o elevador até o segundo andar, atravessaram um corredor e pararam em frente à uma porta na qual havia uma placa escrito Dra. Tsunade Senju. Ino bateu é um fraco "Entre." veio de dentro. Lançando um último olhar para Sai, ela abriu a porta e entrou.

- Ino! Que bom te ver! - A mulher sentada na mesa retirou os óculos que usava e sorriu. Loira, alta e com um busto avantajado, levantou-se para abraçar Ino calorosamente. - Espero que esteja bem.

- Sim, estou ótima, Dra. Tsunade. - Por cima do ombro de Tsunade, viu Sai lhe lançar um olhar confuso e soube que agora era hora de apressar as coisas, antes que ele juntasse os fatos e percebesse que ela havia mentido. - Esse é meu amigo Sai. - Apresentou. - Lembra que ontem eu disse que ia trazê-lo para uma consulta?

- Sim, sim, estou ciente. - Recolocou os óculos e lançou a Sai um olhar sob as lentes, avaliando, antes de estender a mão para cumprimentá-lo. - Muito prazer, Sai. Sou a Dra. Tsunade, psicóloga.

- Psicóloga? Mas... - ele olhou confuso de Tsunade para Ino e então entendeu. Ela havia mentido. Toda aquela história de doença grave era uma mentira para arrastá-lo até ali. Engoliu em seco, sentindo o frio do ar condicionado penetrar fundo na pele. - Sinto muito, acho que houve algum engano. Eu não preciso de um psicólogo.

- Ficaria surpreso se soubesse o número de pessoas que passaram por essa sala e dizem exatamente a mesma coisa. - Tsunade fechou a porta pela qual eles haviam entrado, deu a volta na mesa, sentando-se, e indicando uma poltrona para que ele também sentasse. - Fique à vontade.

Ino escorou-se em um canto e lá permaneceu, o olhar baixo e sempre voltado para o chão. Não queria correr o risco de encarar Sai e ver a raiva e a acusação em seus olhos. Havia feito a coisa certa. Até Sakura concordara em ajudar! Mas ele, claro, não veria dessa forma.

- Eu me sentiria mais à vontade longe daqui. - Retrucou, grosseiro, permanecendo em pé exatamente onde estava. Agora não era hora para cortesia. Tudo o que desejava era sair daquele lugar o quanto antes. Não passaria por aquilo novamente. Nunca mais.

- Ino me contou que você tem o costume de conversar com um tal de Sasuke.

- Ino contou muitas coisas pelo visto. - Lançou um olhar irritado a garota que havia escolhido àquela hora para erguer a cabeça. Ela sustentou o olhar e ele se viu incapaz de quebrar aquele muro de certeza. Voltou a encarar Tsunade que parecia perfeitamente calma e composta com a situação.

- E como é esse Sasuke?

- Ele é só meu amigo. - Disparou. - O único amigo que tenho desde criança.

- Certo, é claro. Ino disse que ouviu vocês conversando na cozinha outro dia. - prosseguiu.

- Ele havia esquecido um mangá. Só isso. - Sentiu que estava respondendo defensivamente. Mas não haviam motivos para tal. Nada havia acontecido.

Tsunade inclinou a cabeça, como se aquele gesto pudesse acrescentar mais ênfase ao que ia dizer.

- Ela também me disse que, quando foi olhar, só viu você, falando sozinho. Mas de alguma forma parecia estar discutindo com alguém e tentando empurrar algo invisível escada a cima. - Sai a encarou, confuso.

- O que? Não, o Sasuke apareceu sem avisar pela janela, uma mania que eu acho muito irritante e que por isso ele continua fazendo. - Antes que percebesse, desatou a falar o que havia acontecido, dente dentre outras coisas. O olhar de Tsunade parecia incitá-lo a prosseguir. - Eu não estou louco. - Concluiu, a respiração ofegante.

- Não, não está. - Tsunade concordou, reclinando-se na cadeira e cruzando as mãos sob o colo. - Mas certamente já ouviu falar de amigos imaginários. - Sai recuou um passo, não acreditando no que estava ouvindo. Procurou com a mão a maçaneta da porta, desejando apenas sair dela lá o mais rápido possível. - Na infância é uma coisa muito comum de acontecer e até certo ponto da adolescência é tolerável, mas quando persiste até a fase adulta passa a ser um distúrbio que pode vir a evoluir para algo muito mais sério.

- Não, não é nada disso. Você está errada! - Seus dedos encontraram o que procuravam e ele abriu a porta.

- Sai! Espere! - Tsunade levantou ao vê-lo correr porta afora. - Não é algo grave, pode ser facilmente tratado... – porém, ele já havia saído.

Disparou veloz pelo corredor e desceu os dois andares pela escada. Ino o seguiu, sabendo que ele precisava escutar até o fim ou então nada mudaria. Do lado de fora, alcançou-o algumas ruas longe do prédio e o forçou a para diante de si e conversar.

- Você não vê? Está apaixonado por alguém que nem existe! - Ela gritou.

- Não! Isso não é verdade! - Não ia acreditar naquilo. Ela era uma mentirosa, como aquele médico. - Você inventou tudo só para me enganar!

- Se tem tanta certeza, então me beije aqui e agora e prove que estou errada! - Declarou. Sai engoliu em seco, as palavras e o corpo travando na posição que se encontrava. Então, antes que pudesse reunir coragem suficiente para responder ou sair correndo, percebeu com o canto do olho o movimento de um casaco preto desaparecendo na esquina. O que ainda havia de calor em seu corpo se esvaiu totalmente, deixando apenas o gelo a percorrer suas veias.

Não podia ser. Não tinha acontecido. Era apenas sua imaginação. Repetiu as frases para si mesmo tentando se convencer de que aquilo era a verdade. Porém, seu coração pulsava, nervoso, amedrontado, certo, enviando mais do gelo para as veias. Fechou os olhos lentamente, experimentando as imagens que passavam sob suas pálpebras. As cenas do sonho tomaram sua mente, fazendo seu coração pesar por saber que, em breve, elas poderiam se tornar realidade.

Seus pés se moveram, atendendo ao comando dado pelo cérebro antes que este fosse percebido por Sai, e logo ele se encontrava percorrendo as ruas sem o mínimo de cuidado. Não ligava mais para o que poderia lhe acontecer, ainda mais agora que via tudo que prezava, tudo que sonhara, ir por água à baixo.

Correu colina acima como nunca tinha feito na vida. Podia sentir o suor escorrendo pelo pescoço e os músculos das pernas queimando e os tendões repuxando, mas nada disso o impediu. Chegou ao topo, ofegante e tossindo, tentando ao mesmo tempo articular as palavras que vinha ensaiando há tanto tempo. Porém, diferentemente das outras vezes, Sasuke não se encontrava sentado na pedra a fitar o horizonte. Estava de pé, escorado no grosso tronco da cerejeira com o olhar atento ao garoto que acabava de chegar esbaforido.

Os olhos negros estavam insondáveis e o rosto contraído em uma expressão séria diferente da que lhe era típica. Sai engoliu em seco, sentido novamente a dificuldade de expressar as palavras que precisava dizer. Colocar sentimentos em palavras era difícil e ele sabia que não era exatamente a pessoa mais indicada para tal ação.

- Sasuke, eu... o que você viu... eu nunca faria isso.... Eu... eu... - o outro interrompeu o gaguejar inconstante com um gesto.

- Você foi feliz? - A pergunta pareceu cair como uma bigorna sobre Sai. Se tinha sido feliz? Tanto que mal podia expressar. Pigarreou, tentando encontrar a voz, e respondeu:

- Sim. Mais do que eu poderia ter sido sozinho.

Sasuke sorriu. Aquele sorriso que às vezes escapava de seus lábios e que Sai sabia ser verdadeiro. Caminhou lentamente em direção a ele, como se pudesse assustá-lo caso fizesse movimentos bruscos demais. Por outro lado, o Uchiha se afastou mais em direção a borda da colina. Sai o seguiu e eles pararam frente a frente. Estendeu os dedos tentando alcançá-lo, porém Sasuke sacudiu a cabeça pedindo que esperasse.

- Não vá. - Pediu sai. Um nó de emoções se encontrava preso em sua garganta.

- Eu preciso. E agora você sabe o porquê. Precisa viver sem mim, não posso estar sempre aqui para trocar suas fraldas. - Seu costumeiro sorriso zombeteiro repartiu seus lábios.

- Pelo menos me deixe ir com você...

- Você não pode. Seu lugar é aqui, nesta terra, nesta realidade.

- Eu preciso ir. Eu.... Eu te amo! - Sasuke ergueu a sobrancelha como se o desafiasse a repetir. - É isso, eu te amo. - Uma risada escapou dos lábios dele. Sai sentiu o rosto esquentar, agora não era a hora de ficar com vergonha. Era hora de ser firme.

- Me desculpe, eu só não aguentei. - E riu mais uma vez. - Eu sabia o tempo todo, mesmo assim você deixou para falar uma coisa dessas nesse momento? Precisa trabalhar mais esse timing.

- É isso que você tem a dizer? - Sai reclamou, um misto de vergonha e irritação exposto no rosto. - Eu acabei de falar eu te amo e você vem reclamar do meu timing?!

- Pareceu necessário. - Sasuke deu de ombros. - Quanto ao resto o que eu posso dizer? Nada que você não saiba. - O olhar se tornou triste. - Você não me ama. Se apaixonou pela versão que criou de mim. Isso não é real! Nada disso é real! Eu existo apenas na sua cabeça como uma desculpa para você não ter que encarar o mundo. E já está na hora de abandonar essa fantasia e viver a realidade. Não pode se esconder dela para sempre.

Sai negou, balançando a cabeça com força. Lágrimas teimavam em cair dos olhos. Voltou a esticar os dedos para tocá-lo e, dessa vez, o Uchiha permitiu. Os dedos se entrelaçam, iluminados pela luz dourada gerada pelo pôr do sol.

- Está na hora. - Quando sai se manteve calado, Sasuke continuou. - Precisa me deixar ir e viver. Isso não é um adeus. Viva sem arrependimentos e um dia nos encontraremos novamente. Então você poderá me contar tudo o que aconteceu. E nesse dia estaremos juntos mais uma vez.

Sasuke sorriu e beijou as mãos entrelaçadas separando as suas das de Sai com delicadeza, porém resolução. Com um último sorriso zombeteiro, pôs-se a caminhar em direção aos últimos raios de sol, a cada passo parecendo ficar cada vez menos visível, até que a única coisa que Sai via através das lágrimas cristalinas que se acumulavam em seus olhos era o horizonte se tornando estrelado.

***

Apoiado no tronco da cerejeira, Sai fechou o caderno de desenhos. Tinha lágrimas nos olhos e o coração ferido por aquelas últimas linhas traçadas e pelas últimas palavras escritas. O final havia chegado e, daqui para a frente, viveria uma vida sem arrependimentos para que um dia pudesse encontrá-lo novamente e contar tudo que fizera, exatamente como faziam quando crianças. Sorriu para o céu, certo de que aquele não era o fim propriamente dito, e sim o começo de uma nova história. O vento soprou, trazendo consigo a melodia de uma música que há muito havia escutado e que, agora, parecia descrever perfeitamente o momento.

And it's so hard to say goodbye

But yesterdays gone

We gotta keep moving on

I'm so thankful for the moments

So glad I got to know you

The times that we had I'll keep like a photograph

I'll hold you in my heart forever,

I'll always remember you

- Eu sempre lembrarei de você. - Sussurrou para o nada, esperando que o suave vento que arrastava as folhas também levasse sua mensagem até ele. Em qualquer lugar que estivesse agora. Um dia, estariam novamente juntos. Até lá, aquele caderno seria uma preciosa recordação dos seus momentos juntos.

12 de Junio de 2018 a las 22:17 1 Reporte Insertar 1
Fin

Conoce al autor

Nathy Maki Leitora voraz desde que tenho idade para segurar um livro em mãos. Sagitariana e um poço de emoção e muuita indecisão. Amo um clichê bem escrito e um suspense que te prende, mas fantasias e ligações são especialidade. Sou fã daqueles finais inusitados. Até mesmo os tristes! Lema: Colecionar sonhos, ideias e magia e depois transformá-los em palavras é o que torna bela a vida.

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Olá! Nossa, que plot twist no final! Eu desconfiava de várias coisas, achei que a Ino fosse sei lá alguém do mal que queria separar ele do Sasuke, que ela queria sequestrar ele (acredita?), mas a possibilidade do Sasuke não existir? OK, isso foi demais pra mim *mindblowing* a música que você escolheu também hein? Consegui imaginar ela tocando enquanto eles se despediam e o Sasuke sumia no vento mds vou chorei, felizmente o Sai tem bons amigos do lado dele pra ajudar ele a passar por isso, por que deve ter sido difícil, ainda mais que o Sasuke, pelo visto, era MUITO importante pra ele. E a pessoa que você ama não existir? Nossa. isso é uma coisa insana. Só achei que você deixou o Sasuke e o Sai um pouco OOC, por exemplo, o Sasuke não sendo aquela pessoa de poucas palavras e introvertido e até um pouco mais rude, na infância ele ainda estava, mas depois ele meio que fugiu disso, assim como o Sai todo choroso não faz parte da personalidade dele. Mas fora esses detalhes sua história me surpreendeu muito mesmo, acho que era a intenção, então parabéns por ter conseguido, por que eu nunca esperaria. E obrigada por ter participado <3
23 de Junio de 2018 a las 12:04
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