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[SeBaek] Quando Baekhyun chega na casa dos tios para passar dois meses na companhia de um primo que até então ele mal conhecia, a última coisa que ele poderia esperar é que a falta de comunicação pudesse ser o menor dos problemas.


Fanfiction Bandas/Cantantes Sólo para mayores de 18.

#baekhyun #sehun #hunbaek #sebaek #exo
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Cachecol Vermelho

Eu ainda lembro daquele dia.

O céu estava nublado, porque setembro estava chegando pra trazer as chuvas e instalar o frio na cidade, e o ar dentro do veículo era gelado, porque o motorista não gostava de aquecedores, então nós sempre passávamos frio ao viajar com ele.

Eu buscava calor no cachecol vermelho ao redor do pescoço, presente de aniversário para o meu irmão, que eu furtei por saber que ele nunca usaria uma coisa horrível daquelas. Era feio, sim, bem esquisito e cheio de fiapos de lã pra todo lado, mas era vermelho brilhante e quentinho, e eu gostava dele. Sempre gostei das coisas mais incomuns.

A viagem de carro não durou muito. Enquanto o veículo se deslocava, eu via as árvores altas e curvas dando lugar a vegetações mais baixas, mas igualmente verdes, que margeavam a estrada e me faziam ter a certeza de que, se abrisse a janela, o cheiro delas seria o mesmo que o dos perfumes florais que os empregados espirravam pela casa.

As gotículas de chuva escorriam solitárias pelo vidro da janela, e eu ficava constrangido toda vez que olhava no espelho retrovisor, porque meus cabelos haviam sido tingidos de loiro – confesso que contra a minha vontade – recentemente, e cortados de um jeito que deixava minhas orelhas maiores e eu só conseguia pensar que eu parecia muito com uma criança para alguém de dezessete anos.

O carro finalmente parou, alguns minutos depois, em frente a uma construção modesta de madeira e pedra. Eu estava acostumado com as casas ridiculamente grandes das redondezas e do bairro onde eu morava, mas aquela ali, pequena apesar de ter dois andares e um telhado em V, de repente me pareceu bem mais bonita que as que eu havia visto a vida inteira. Não por ser simples, mas porque ela realmente era bonita, a madeira num tom escuro e as luzes amareladas e fracas lá dentro passando a sensação de ser um lugar confortável pra passar as férias.

Eu não esperei o motorista rabugento abrir a porta para mim. Desci com minha mochila nos braços e os joelhos trêmulos, ainda me sentindo nervoso demais para alguém que já deveria ter se acostumado com a ideia de passar alguns meses longe de casa.

O motorista abriu o porta-malas e me ajudou a tirar a bagagem de lá. Eu não havia trazido muita coisa comigo, porque minha mãe tinha mandado para ali o que era essencial para eu ficar confortável por toda a extensão da minha estadia, então era só uma mala de rodinhas e outra mochila com algumas coisas.

Não havia ninguém na porta para me receber, e como as marcas de pneus afundavam as pedrinhas do chão em frente a garagem, imaginei que meus tios tivessem saído. Mesmo assim, bati na porta, o vidro tremendo de leve sob a junta dos meus dedos. Ninguém se pronunciou, então eu simplesmente girei a maçaneta e entrei no hall.

Os tacos escuros do chão estalavam sob meus pés, e me lembro de pensar que seria um caos se eu sentisse fome à noite e quisesse atacar a geladeira, porque a cozinha era logo ao lado, e com todo aquele barulho a casa inteira acordaria antes de eu conseguir comer um biscoito.

— Olá? — Minha voz era meio trêmula de nervoso, e ecoava pela casa de um jeito esquisito, como se a madeira a abafasse. Ainda nada.

Andando pelo corredor, em direção às escadas, levei um susto ao passar pelo vão que dava para a sala de estar e ver alguém sentado em um dos sofás. Fiquei constrangido de pensar que havia invadido a casa dos meus tios, que eu não via desde que era um bebê, mas depois fiquei corado de vergonha ao pensar que não era bem-vindo, para ter sido ignorado daquela forma.

O garoto sentado no sofá estava descalço, com os joelhos flexionados e próximos do peito, os pés apoiados na pontinha do assento. Ele lia um livro em silêncio, e não parecia muito interessado em mais nada além dele.

Eu sabia quem ele era, e admito que fiquei um tanto quanto surpreso de saber que havia crescido tanto. Meu primo Sehun, que eu só via por fotos e dificilmente, porque meus tios sempre foram muito reservados com tudo, e, de acordo com minha mãe, evitavam nos manter informados.

Nós nunca nem fomos a um dos aniversários do Sehun, mas, se eu estivesse contando certo, pelo que me lembrava ele tinha quinze ou dezesseis anos. Era mais novo que eu, e não nos conhecíamos diretamente, porque, repito, os pais dele eram muito reservados. Era um dos motivos de eu estar ali; eles fariam uma viagem para comemorar os vinte anos de casados, e quando minha mãe descobriu que Sehun ficaria sozinho ela achou que era uma ótima ideia de eu me enturmar com alguém da família além do meu irmão.

— Hum… oi? — Decidi começar de novo. Ele me ignorou quando bati na porta, mas não poderia me ignorar agora.

Pelo menos era o que eu pensava, porque continuei sendo ignorado.

De repente, Sehun ergueu os olhos do livro. Sua expressão tranquila se transformou em susto quando seus olhos me focaram, e ele pareceu mais constrangido do que eu, se é que era possível.

Me encolhi perto do arco do vão quando ele se levantou, porque estava esperando um comentário estúpido ou qualquer coisa do tipo, mas ele não disse nada, optando por caminhar na minha direção e estender a mão em um cumprimento educado.

Ele continuou em silêncio, e eu não sabia como quebrá-lo sem nos mergulhar num constrangimento maior, então fiquei quieto também, agradecendo educadamente quando ele pegou na alça da minha mala e seguiu pelo corredor em direção a escada.

Fui atrás, esperando que ele me mostrasse o quarto onde eu poderia dormir pelos longos dois meses que se seguiriam.

Levei minutos para perceber que Sehun era ótimo em ignorar a presença das pessoas e depois se assustar com elas, porque eu o segui por toda parte, e ele só reparou em mim duas vezes, quando estava ajeitando minha mala no canto do quarto, para ocupar menos espaço, e quando fechou a janela para o vento gelado não entrar, e nas duas foi só porque ele se distraiu correndo os olhos pelo cômodo. Os pontos de interrogação que brotavam em suas expressões me faziam imaginar que ele silenciosamente perguntava por que eu ainda estava ali.

Isso me constrangeu horrores, porque, tudo bem, eu não esperava uma recepção de gala e superfestiva, mas também não esperava ser tratado como se eu simplesmente não estivesse lá, por alguém que eu teria de ver todos os dias, ainda por cima.

Meus tios não demoraram muito pra chegar.

Minha tia Hana era uma mulher alta e morena, que eu não me lembrava muito bem do rosto, mas como o cabelo dela era parecido com o da Sia, era o detalhe que eu gravava. Meu tio Minho era elegante como ela, mas geralmente tinha um olhar mais sério, apesar dos sorrisos gentis.

Ouvi os saltos de Hana ecoando sobre os tacos da escada e me levantei da cama às pressas, esperando estar apresentável para ela. A porta do quarto estava aberta, então ela não teve dificuldade em vir até nós, um sorriso enorme em seus lábios e as mãos com unhas longas pintadas de vermelho esticadas em direção ao meu rosto, que ela segurou entre os dedos antes de encher de beijos.

Hana era o tipo de pessoa naturalmente analítica, mas que gosta de todo mundo, uma cópia da quase gêmea dela, minha mãe. Elas só não eram confundidas porque, além da minha mãe ser chinesa, por fora elas eram relativamente diferentes.

Minho veio me dar um abraço também, apesar de ser mais contido que Hana. Eles avisaram que haviam trazido o jantar e me disseram para descer que ele já ia ser servido.

Minhas meias escorregavam pelo chão de madeira, e eu quase caí no caminho até a sala de jantar, mas Sehun, que estava logo atrás, segurou meu braço e me ajudou a ficar de pé. Agradeci, ficando constrangido de novo quando ele não disse nada.

No fim da noite, meus tios já estavam com as malas na porta, prontos pra partir. Sehun estava sentado no mesmo sofá da sala em que estava quando cheguei, lendo o mesmo livro, e minha tia conferia se as coisas estavam no lugar enquanto me explicava o básico do que eu precisava tomar conta enquanto eles estivessem fora. Se eu esquecesse, não tinha problema, porque Sehun geralmente deixava tudo mais ou menos no lugar.

Na porta principal, depois de já ter se despedido do filho, ela parou e me olhou com um sorriso gentil.

— Você sabe libras? — questionou ela, acenando para Minho, que já colocava as coisas no porta-malas do carro.

Juro que tentei não parecer um completo idiota ao negar, mas a forma como as sobrancelhas dela se franziram mostrava que eu provavelmente era a criatura mais imbecil do mundo.

— Baekhyun… — Hana contraiu os lábios, como se precisasse de uma pausa antes de continuar. — Bem, tem um livro de sinais no meu quarto, você pode pegá-lo.

— Por que eu…

As sobrancelhas dela se franziram mais ainda – se é que isso era possível – quando chegou a conclusão do que era a minha pergunta não proferida.

— Sua mãe não contou pra você? — quis saber, os olhos expressando preocupação.

— Contou o quê? — Eu acho que sempre fui meio idiota demais para ligar os pontos sozinho.

— Baekhyun, Sehun é surdo.

11 de Junio de 2018 a las 16:59 0 Reporte Insertar 2
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