Lights Out Seguir historia

oursfany Mari Campos

“Tudo bem, essa não será a última vez que você irá chorar. Também não vai será a última vez que irá se sentir completamente só e sem saber o que fazer. Não será a última vez que irá querer sumir. Mas sabe, tudo bem não estar bem", falou vendo mesmo concorda consigo enquanto secava os olhos e abria um sorriso; e enquanto Jongin virava as costas para preparar o chocolate quente, Taemin percebeu que eles nunca iriam ser iguais como seu amigo gostava de falar. Jongin iria sempre ter um coração mais forte do que o de Taemin.


Fanfiction Sólo para mayores de 18.

#exo #shinee #taemin #oneshot #jongin #taekai
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Capítulo Único;

Parte I – A tristeza caindo do céu;


Seus pés afundavam na neve fofa que cobria a rua, seus cabelos descoloridos e recém cortados sendo cobertos pela toca grossa e carregava nos ombros um sobretudo pesado e a mochila com os livros antigos, mas ainda usava preto das cabeças aos pés. Olhava para os pés, observava os sapatos pretos sumirem na imensidão branca que cobria a calçada, sentia o vento frio bater contra o seu rosto descoberto enquanto as mãos cobertas por luvas eram escondidas dentro dos bolsos da calça.

Sentia o peso dos livros nas costas, mas era a primeira vez que saía de casa sem ser obrigado a isso, então o peso dos livros não incomodava, na verdade, nada o afetava mais. Angústia, tristeza e solidão. Dentro dele todos esses sentimentos estavam misturados, mas uma hora ou outra precisaria seguir em frente.

Nunca imaginou que quando tomasse coragem para sair de casa, toda a neve que não caiu do céu desde o começo do inverno resolvesse cair naquela noite.

Conseguia sentir os pequenos flocos de neve batendo contra o seu rosto, via eles grudando na sua roupa e cabelo, estava pouco se importando, na verdade, achava aquilo uma coisa bem bonitinha. Achava bonito como os flocos pareciam dançar enquanto caiam do céu, como eles pareciam bonitos sobre as luzes dos postes enquanto a noite começava a parecer, achava bonito como a neve poderia ser tão fria, mas ao mesmo tempo tão bela.

E ali estava ele, triste mais uma vez. Era incrível como tudo deixava-o triste naqueles dias, exatamente tudo estava o fazendo ter a sensação estranha que a tristeza causava. A dor no peito, os olhos se inundando de lágrimas, o choro preso na garganta e a fraqueza, mas aquilo não era uma coisa tão forte, não como estava a semanas atrás, aquela tristeza que sentia poderia ser comparada a tristeza de saudade agora, não mais a tristeza de perda.

Talvez quando se perde uma pessoa, a tristeza vira uma das mais fiéis companhias. Na verdade, a tristeza é aquele sentimento que lhe vai fazer sentir tudo o que sentia pela aquela pessoa que partiu, desde a mágoa até a felicidade, tudo em uma grande mistura que sai em lágrimas e soluços do seu corpo, que se deixa se mostrar fraco por estar cansado demais de não conseguir aguentar toda aquela realidade.

A tristeza não é de fato uma coisa ruim, ela é bonita igual a esses flocos de neve que estavam caindo do céu, mas também é incrivelmente fria igual a neve. Estava triste por sentir saudade da companhia do amigo, que estaria, nesse exato momento, começando uma guerra de bolas de neve para esquentar o momento frio que estava, tanto o momento de clima, que era a neve que caía, como o momento de tempo, que era aquele que todos estavam sentindo dentro do peito.

Mas como tinha prometido, estava na hora de tentar seguir em frente, mesmo a saudade sempre se mostrando presente em qualquer coisa que fizesse. Então enquanto andava sozinho pela rua, passou a se imaginar como estaria se ele não estivesse partido. Tudo estaria normal, um normal como agora, com as pessoas andando apressadas dentro de seus grossos casacos enquanto ele somente iria trocar seus livros na biblioteca de sempre. Tudo estaria exatamente como estava naquele momento, mas talvez ele estivesse mais feliz, e era isso que Taemin estava tentando imaginar; um pouco de felicidade.

Mas não poderia imaginar para sempre, seu amigo não estaria mais ali, não estaria mais com ele e todos uma hora ou outra teriam que seguir em frente, essa era a promessa que fez quando leu a carta deixada pelo amigo. Uma promessa que somente pedia para que ele fosse forte e que seguisse em frente quando as lágrimas já estivessem se secando, e essa era uma promessa que tinha que ser cumprida. E era isso que ele estava tentando fazer naquele exato momento.

Já conseguia ver a antiga biblioteca da cidade à medida que avançava, as luzes amarelas que atravessavam a janelas, as paredes antigas de madeiras se destacando no meio de tanto cimento e a neve cobrindo todos os lugares possíveis daquela casinha que era conhecida por ser uma das mais velhas bibliotecas da cidade; para falar a verdade, a melhor biblioteca da cidade.

Com um longo suspiro continuou a andar, só que agora olhava para frente vendo a neve cair delicadamente, cobrindo o céu negro com o branco enquanto as luzes das casas iluminavam a rua junto aos postes velhos, parecia ser uma cena triste, onde a neve deixava tudo pior, portanto pela primeira vez tentou não pensar isso como uma tristeza e sim imaginar que aquilo que caia do céu fosse uma coisa diferente da neve, talvez pudesse até ser tristeza, mas aquilo era bonito demais para o deixar mais triste.

Sentia a neve entrando pelo sapato enquanto se aproximava da biblioteca, conseguia ver as janelas embaçadas da mesma, mostrando como deveria estar quentinho lá dentro. Estava com frio e sentia que seu nariz estava congelado, nunca tinha pensado que estaria tão frio. A noite já se mostrava no céu que estava mais escuro e a neve começava a engrossar, fazendo a rua ficar cada vez mais branquinha e dificultando cada vez mais os passos do loiro, que afundava os pés na neve, tentando se aproximar da porta vermelha que a biblioteca possuía.

A carta do amigo estava amassada quando tirou uma das mãos do bolso para empurrar a porta, ouvindo perfeitamente o sininho ecoar por toda a biblioteca, mostrando-se um local confortável e aconchegante que a mesma era. Incrível como os anos podiam passar e aquele lugar parecia o mesmo de quase vinte anos atrás. Agora entendia perfeitamente o motivo de seu amigo ter lhe pedido o favor de devolver os seus livros a biblioteca, já que aquele era um dos seus lugares preferidos.

Era uma quantidade de livros inexplicável, era uma casa diferente, onde por todo o lugar existia livros, desde os mais antigos até os lançamentos, e isso de um certo modo, fascinava a todos que entravam ali. Taemin caminhava entre as estantes, vendo os livros de capa dura, eram os mais velhos e ficavam logo na entrada da biblioteca, era como se ele estivesse entrando em um mundo diferente.

Tirava as luvas enquanto olhava os nomes de alguns livros, percebendo os romances antigos, os nomes dos mesmos quase se apagando por causa do tempo, deixando os livros mais bonitos, seu amigo tinha alguns desses, sempre o via com um livro de capa vermelha enquanto corria para o trabalho, falando que estava atrasado. Com toda a certeza, aquela era a sessão de livros preferidos dele.

Tirou a touca da cabeça também, puxando um dos livros, vendo o livro marrom no meio de tantos vermelhos. Os miseráveis era um dos livros que mais ouvia falar, já tinha visto seu amigo com o mesmo exemplar que segurava, e talvez aquele fosse o único livro que tinha uma curiosidade, amava o jeito que ouvia a história contada com toda a empolgação do mundo pelo seu amigo.

“O novo exemplar é muito mais bonito que esse”, a voz grossa masculina soou em toda a biblioteca, fazendo o loiro se assustar e derrubar o primeiro exemplar. Taemin olhou o livro caído no chão, sentindo o coração disparado enquanto fechava os olhos e tentava controlar a respiração por causa do susto. “Desculpa, não achei que iria te assustar”, o garoto voltou a dizer, sua voz ecoando por toda a casinha, mostrando que a mesma estava praticamente vazia, somente os livros preenchiam os espaços. O loiro se agachou pegando o livro, guardando-o no mesmo lugar e terminando de atravessar o corredor, parando em frente ao garoto que tinha os óculos embaçados por causa do vapor de seu chocolate quente.

O cachecol com ursinhos desenhados estava em volta de seu pescoço enquanto os cabelos castanhos estavam bagunçados. O loiro o olhou, analisando-o, vendo a blusa preta de mangas compridas dobrada no meio dos braços, enquanto um exemplar de Anjo da Morte estava fechado, marcando a página que ele tinha parado a sua leitura.

“Não precisa se desculpar”, Taemin disse ainda olhando para a capa do livro que o atendente da biblioteca lia. “Gosta do gênero? ”, o loiro ouviu a voz rouca do atendente novamente, tirando os olhos do livro, olhando para o mesmo que tirava os óculos. “Para falar a verdade, eu não sou muito fã de livros”, disse sorrindo.

O garoto atrás do balcão sorriu para Taemin de volta, logo em seguida levantando uma de suas sobrancelhas, como se estivesse confuso. “Então o que faz aqui? ”, o atendente perguntou, vendo o sorriso do loiro sumir de seu rosto enquanto voltava a olhar ao redor. “Vim devolver alguns livros”, Taemin disse, vendo o moreno concordar, pegando a sua xícara e o livro que lia, dando as costas para Taemin, deixando-o confuso por alguns instantes.

“Não irá me ajudar? ”, Taemin perguntou, enquanto via o moreno sumir por uma porta. “Não me apresse! ”, ouviu o atendente responder ainda no outro cômodo. Seu amigo sempre comentava como as pessoas que trabalhavam na biblioteca eram divertidas e até um pouco estranhas, Taemin achava engraçado como ele contava de um funcionário meio maluco que trabalha no final da tarde, ele sempre fechava a loja, e por acaso era a pessoa que sempre o atendia.

Ele falava que aquele atendente era muito parecido com Taemin em muitos aspectos, mas ao que tudo parecia, o loiro não se achava nada parecido com o atendente que o amigo tanto gostava. Nem um pouco parecido. Talvez aquele atendente fosse estranho demais para parecer com o loiro, era isso que ele pensava.

Mas não era isso que estava escrito na carta amassada em seu bolso.

Parte II – Caderno de livros que precisam ser devolvidos;

O moreno assoprava a xícara com o chocolate quente pela terceira vez naqueles quinze minutos que já tinham se passado, a neve tinha engrossado e com isso o frio pareceu se fazer mais denso dentro da pequena biblioteca, não que isso não fosse um problema, ele gostava do frio, na verdade gostava mais de usar seus óculos e eles não escorregarem no nariz por causa do suor e os cachecóis que a dona da biblioteca costumava dar de presente.

Ele realmente gostava do frio e naquele momento, enquanto se apoiava no balcão junto ao seu chocolate quente, via perfeitamente a neve cair do outro lado da janela enquanto as luzes dos postes iluminavam os pequenos flocos que às vezes até grudavam na janela que estava embaçada pelo calor gostoso que fazia dentro da biblioteca.

E como ele gostava daquele lugar, trabalhava nele já havia um bom tempo e desde pequeno sempre gostou muito daquela biblioteca. Se lembrava de quando vinha pequeno junto com a sua irmã mais velha, os dois ficavam a tarde inteira na biblioteca enquanto nevava do lado de fora. Se lembrava das histórias que a sua irmã leu para si enquanto eles estavam sentados naquele lugar quentinho que se escondia entre a sessão de fantasia.

Talvez aquela biblioteca fizesse parte da sua infância e adolescência, e como ele se orgulhava em dizer que quem o ensinara a ler o primeiro livro foi a dona daquela antiga biblioteca da cidade. Nunca imaginou que anos depois estaria trabalhando na mesma, arrumado os livros, varrendo o chão, recebendo os livros novos e fazendo cadastros de novos clientes, realmente nunca imaginou isso.

Se imaginava de qualquer outra forma, trabalhando em um lugar muito movimentado, onde as pessoas falavam alto, onde iria conhecer muitas pessoas novas e quem sabe até aprender coisas novas com elas. Mas percebeu que aquele trabalho na biblioteca era melhor do que qualquer outro. O silêncio o agradava, as pessoas que entravam ali eram educadas e sempre pediam a sua ajuda com os livros que procuravam, além disso, todos que entravam ali costumavam sempre deixar um pouco deles com o moreno, que acabava se lembrando de cada face que já tinha passado pela biblioteca.

Era estranho falar isso, mas ele sempre gostou de conhecer um pouco das pessoas, sempre foi curioso o suficiente para se interessar por aquilo que as pessoas gostavam de ler, pois o seu gosto literário às vezes pode dizer muito sobre você. Então enquanto as pessoas passavam por aquela porta, o sininho tocando, ele já imagina qual seria o livro que ela iria escolher. Na maioria das vezes ele se surpreendia, e talvez seja por isso que acabou gostando tanto de trabalhar ali.

Conhecer um pouco sobre as pessoas, mesmo sendo a mínima coisa, deixava ele feliz, ele não entendia muito bem o motivo, e talvez nem precisasse saber. Era como se todas aquelas pessoas fossem personagens que saiam um pouco de seus próprios livros para descobrir um universo novo; pois como a dona da loja sempre lhe contou, é que livros são muitas vezes uma forma das pessoas saírem das suas histórias tristes. E mesmo isso não tenha feito sentindo naquela época, hoje era a coisa mais real que já tinha escutado. Pois alguns livros tem o universo perfeito para aquela pessoa que só queria um final feliz no momento.

O moreno sorriu com a lembrança, tomando um gole do chocolate quente, queimando a língua logo em seguida. Um grande fato de Jongin, era que desde de sempre era uma pessoa desastrada, se lembrava dos vasos quebrados na casa de sua avó, se lembrava de quantas vezes já tinha caído na rua por não prestar atenção no caminho e nas várias vezes em que a dona da biblioteca o encontrava caído no chão, a escada na sua frente e os livros espalhados no chão.

Nunca teve um acidente grave - só a vez em que seus óculos foram esmagados pelo exemplar de capa dura de Nárnia - mas isso não importava mais. Então enquanto fechava o livro que lia, não se esquecendo de colocar o marca página daquela vez, e deixando a xícara de lado, Jongin pulava no lugar enquanto tinha a língua de fora. Essa era uma cena bem comum na biblioteca, principalmente à noite, pois quase ninguém entrava em uma biblioteca a noite, então o moreno não tinha vergonha de fazer essas coisas, e ficar pulando enquanto sua língua está para fora não é de todo um mico; mico foi a vez em que teve que sair correndo, enquanto arrancava a blusa por causa que tinha derrubado refrigerante na mesma e uma borboleta grudou nela, nessa época ele ainda trabalhava em um horário que a biblioteca era bastante movimentada.

Depois desse acidente, a dona decidiu que o mesmo iria começar a trabalhar mais tarde na biblioteca, com a consequência de ser responsável por fechar a mesma todos os dias. Não era um problema, principalmente ele nunca mais passando micos como aquele na frente de várias pessoas, as poucas que viam já eram o suficiente. Mas naquele começo de noite, a neve caía grossa do céu e Jongin já imaginava que teria que arranjar um jeito para dormir na biblioteca.

Voltou a se encostar, agora de costas no balcão, ainda sentindo a língua queimada, quando ouviu o sininho da porta tocar. O moreno se virou tão rapidamente que pensou por um momento que tinha derrubado a sua xícara, mas por sorte continuava inteira.

Agora com a língua dentro da boca e o corpo quase que por inteiro em cima do balcão, Jongin observava o garoto que estará na biblioteca. Estava vestido das cabeças aos pés de preto e carregava uma mochila azul nas costas, ele era novo na biblioteca, pelo menos naquele horário. Nunca tinha visto o garoto de cabelos descoloridos que quase pode dizer que estavam mais brancos que uma folha novinha de um livro. O garoto não era muito alto pelo que parecia, e olhava cuidadosamente a estante de livros, como se estivesse vendo um livro pela primeira vez.

Não podia negar que o tinha achado bonitinho, pois ele tinha achado, mas o que mais deixou o moreno encantado no garoto que segurava o primeiro exemplar de Os miseráveis era como seus olhos pareciam viajar por memórias bonitas que já teve. “O novo exemplar é muito mais bonito que esse”, comentou enquanto saia de cima do balcão, ouvindo o barulho do livro caindo no chão de madeira e a respiração forte do loiro. “Desculpa, não achei que iria te assustar”, o moreno disse voltando a tomar mais um gole do seu chocolate quente que nem estava mais tão quente assim.

Jongin ouviu os passos do loiro e tentou se arrumar o máximo, ajeitando o cachecol de ursinho que usava naquele dia, voltando a apoiar no balcão quando o mesmo pareceu na sua frente, a expressão fechada, encarando o moreno como se o julgasse. “Não precisa se desculpar”, o loiro disse encarando o exemplar do livro de terror que lia, a voz do mesmo era diferente das outras que já tinha ouvido naquela biblioteca, mesmo sendo proibido falar dentro da biblioteca.

“Gosta do gênero? ”, Jongin perguntou, se arriscando a puxar uma conversa com o loiro que ainda encarava a capa colorido do livro e viu o mesmo levantar o olhar assustado, o moreno tirou os óculos que usava, vendo a visão na sua frente embaçar um pouco antes de se focar novamente. “Para falar a verdade, eu não sou muito fã de livros”, o loiro respondeu abrindo um pequeno sorriso, fazendo o moreno sorrir de volta sem conseguir pensar antes na ação.

Jongin se amaldiçoou pelo sorriso espontâneo, fazendo uma careta nada bonita antes de voltar a perguntar, “Então o que faz aqui? ”, perguntou vendo o sorriso que o mesmo ainda sustentava sumir do seu rosto, “Vim devolver alguns livros”, o loiro disse olhando ao redor antes de voltar a olhar para o moreno. Jongin concordou com a cabeça, vendo o fazer o mesmo, não sabia mais o que fazer dali, a não ser pegar o caderno que gostava de anotar os nomes das pessoas que precisavam devolver os livros.

Pegou a sua xícara que já estava pela metade e o livro que tinha que terminar de ler e se virou, caminhando apressado para dentro da pequena cozinha que tinha escondida na biblioteca, bebendo em quase um gole o resto do chocolate quente e jogando o livro de qualquer jeito em cima da sua mochila.

“Não irá me ajudar? ”, ouviu a pergunta do loiro ao longe, soltando um suspiro enquanto se abaixava para pegar o livro em um dos pequenos armários, tirando o pequeno caderno já bem usado, abrindo o mesmo e vendo os mais diversos nomes, “Não me apresse!”, o moreno disse enquanto se levantava e pegava uma caneta que estava jogada por ali.

Voltou para o balcão, vendo que o garoto mexia em alguns marca páginas enquanto sua mochila estava em cima da bancada. Se aproximou, abrindo o caderninho e tirando a tampa da caneta. “Me diga o seu nome”, Jongin disse colocando a tampa da caneta na base da caneta, vendo o mesmo coçar a nuca, como se pensasse o que faria dali em diante.

“Taemin”, disse baixinho, olhando para a letra escrita no caderninho, vendo a letra em garrancho que preenchia a folha. “Mas tenho certeza que não irá encontrar meu nome aí”, voltou a falar, levantando os olhos, encontrando os olhos castanhos de Jongin. Era estranho olhar para os olhos do loiro, o moreno gostava sempre de descobrir um pouco das pessoas e o jeito que sempre descobria um pouco de suas vidas eram pelos livros, mas existia um outro jeito que ele descobria um pouco das pessoas que frequentavam a biblioteca; os olhos.

Desviou os olhos do loiro, mexendo nas folhas meio amareladas, percebendo que realmente nunca iria encontrar aquele nome na listinha, já que aquela era a primeira vez que encontrava com o loiro, e pelo que viu em seus olhos, ele não estava fazendo uma coisa que o deixava feliz. Em um gesto rápido, Taemin esticou a sua mão, fazendo Jongin parar de virar as páginas, delicadamente ele apontou para um nome, indicando os vários livros que ele precisava devolver já fazia um bom tempo.

“Nossa, faz um bom tempo que eu não o vejo”, o moreno levantando o olhar para o loiro que tinha um sorriso forçado no rosto. “Ele morreu mês passado”, Taemin disse baixinho, se direcionando para a sua mochila, abrindo a mesma.

“Sinto muito”, Jongin disse mais para si mesmo do que para o loiro.


Parte III – Tempestade;


Taemin encarava o balconista enquanto o mesmo verificava todos os livros que carregava na mochila, seus cabelos pareciam extremamente naturais, em sua visão aquele balconista parecia ter acabado de completar seus dezesseis anos, não só pela aparência ser muito nova, mas pelos gestos e movimentos que ele fazia, parecia uma criança brincando com os livros.

Não é todo um fato ruim, ele mordia o lábio inferior enquanto conferia o livro no computador antes de preencher a ficha do mesmo, os dedos pareciam que já estavam acostumados com as folhas finas e nem se importavam quando o papel os cortava. O cachecol de ursinho balançava toda vez que o mesmo se mexia e os cabelos morenos acompanhavam o movimento do cachecol, tudo nele fazia Taemin imaginar que era muito mais novo que ele próprio, isso não era um problema, pelo menos ele trabalhava, bem diferente do loiro que nem ao menos tinha a capacidade de estudar duas matérias para uma prova.

“Quantos anos você tem?”, Taemin perguntou baixo desviando os olhos do moreno, olhando para os próprios dedos, percebendo que o mesmo não tinha parado de trabalhar para lhe responder, “Vinte e quatro”, respondeu levantando o olhar para o loiro que não o olhava. “Por que a pergunta? ”, perguntou para o loiro que o olhou de volta.

“Parece ser mais novo que isso”, Taemin disse o que realmente pensava, tudo bem que ser um ano mais novo que que ele não era grande coisa, mas que foi uma surpresa para ele foi, pensava que pelo menos seus vinte anos redondo ele teria, e não ser um ano mais novo que si. “Mas é só um ano mais novo que eu”, o loiro voltou a dizer ainda olhando o moreno que já puxava outro livro para fazer o longo processo de antes. Jongin sorriu enquanto abria a versão de capa grossa de Romeu e Julieta.

“Então quer dizer que tem vinte e cinco? ”, o moreno perguntou enquanto digitava o nome e a edição do livro no computador, confirmando que o mesmo estava de volta para a biblioteca e pegava uma das pequenas folhas para preencher o formulário obrigatório que a biblioteca exigia. “Poderia jurar que era mais novo”, disse enquanto começava a escrever, conseguindo sentir o olhar do loiro sobre si.

“Acho que as aparências enganam”, Taemin disse pegando um marca página aleatório e o lendo como se estivesse muito interessado naquilo. O silêncio voltou a reinar sobre o ambiente quanto Jongin terminava de preencher o formulário e fechar o livro, colocando o mesmo na pilha de livros que se formava ao seu lado. Puxou mais um livro e ouviu o loiro a sua frente se mexer desconfortável, “Está tudo bem?”, Jongin perguntou olhando para o mesmo.

“Está”, ele respondeu seco, nem ao menos olhando para o balconista que segurava o livro, era o penúltimo e era um dos mais grossos, mas alguma coisa no livro estava irritando o loiro ou o simples fato de estar demorando para fazer as coisas… Não sabia, mas o fato dele estar perdendo a paciência estava ficando óbvio. “Se estiver cansado e já quiser ir para casa, fique à vontade, só falta mais um livro”, o balconista disse digitando o nome do livro e sua edição no computador, já puxando a folha para preencher.

Taemin guardou o marca página no lugar, voltando a olhar o moreno que já voltava a escrever a ficha daquele livro, ele fazia as coisas com uma grande facilidade e quando percebia já estava terminando de preencher a ficha e puxava o último livro. Tudo bem que Taemin entediado de estar na biblioteca, ainda mais naquele horário da noite. Mas o fato de começar a se sentir irritado era porque o garoto à sua frente lembrava seu amigo. Irritava-o o fato de como o amigo parecia gostar do moreno e de como as melhores noites dele foram passadas ao lado do balconista.

“Eu preciso pagar alguma coisa? ”, Taemin perguntou depois de um tempo, percebendo que o moreno já estava terminando de preencher a última ficha, colocando o livro no em cima da pilha. “Não se preocupe com isso”, Jongin respondeu, guardando as fichas preenchidas no seu pequeno caderno e o guardando em baixo do balcão, “Se quiser, já pode ir embora”, ele falou, se afastando um pouco do balcão, tirando o cachecol do pescoço e puxando mais as mangas da blusa antes de pegar a grande pilha de livros.

Taemin estava fechando a mochila e a jogando sobre os ombros quando o moreno passou ao seu lado, equilibrando os livros e andando na direção contrária da entrada da biblioteca, se aproximando as grandes janelas. “Foi um prazer ajudá-lo”, JongIn disse enquanto caminhava, percebendo que o loiro já caminhava até a porta.

“Obrigada por ter feito companhia a ele”, Taemin disse mais baixo, mas o balconista conseguiu ouvir perfeitamente, parando no lugar, se sentindo triste pela primeira vez depois da notícia da morte do mesmo, nunca tinha passado por sua cabeça que em algum dia da sua vida, pararia de ver aquele que mesmo não sendo um amigo para todos os momentos, foi uma boa companhia para todas as noites que pensou que iria passar sozinho; é uma coisa estranha receber a notícia que nunca mais irá ver aquela pessoa.

Taemin suspirou parando em frente a porta de saída, colocando a touca na cabeça e as luvas, segurando na maçaneta gelada e a virando para poder sair, mas não passou daquilo.

Ele tentou diversas vezes, tentando usar uma forma que sabia que não tinha, tirou até a luva para tentar forçar a porta com mais facilidade, mas nada estava fazendo a mesma virar. Talvez ela tivesse congelado, ou a tranca tenha congelado, mas alguma coisa tinha acontecido para ela não estar abrindo. O loiro se afastou bufando alto, sentido a mão arder pelo esforço quando ouviu o estrondo alto de onde o balconista estava.

Nem ao menos pensou quando tirou a mochila das costas e correu em direção do barulho, encontrando o moreno sentado no chão enquanto uma das grandes janelas estava aberta e lotava o chão de neve, tirando o fato do moreno estar cheio de neve também. “Você está bem?”, Taemin perguntou olhando para o mesmo que tirava a neve do rosto, o vento forte que batia contra o corpo aquecido dos dois garotos já denunciava a tempestade que acontecia, e isso não era uma boa notícia.

“Estou bem sim”, Jongin respondeu olhando para a janela toda aberta, não tinha feito nada demais, estava em cima da cadeira guardando o último livro quando esbarrou o seu joelho na mesma e a janela abriu, jogando ele para longe com muita neve em cima. Os garotos ainda olhavam para a janela quando um sopro forte de vento atingiu o corpo dos dois, fazendo mais neve entrar e cobrir o chão, deixando a biblioteca extremamente gelada.

Os dois se olharam antes de Jongin se levantar e quase levar outro tombo por causa do chão molhado, fechando a janela antes que mais neve entrasse, se virando para Taemin que olhava assustado para o moreno. “Por que ainda não foi embora?”, o balconista perguntou vendo o loiro coçar a nuca desconfortável.

“A maçaneta congelou por causa da tempestade”, Taemin disse vendo os olhos arregalados do moreno.


Parte IV – O fato de passar a noite em uma biblioteca;


Jongin só faltava se pendurar na porta na tentativa de fazê-la abrir, mas aquilo parecia uma missão impossível, fazia tanto esforço que até suava e mesmo estando molhado por causa da neve, parecia passar calor cada vez que tentava a todo custo virar a maçaneta, mas aquilo não adiantava em nada. Já Taemin estava parado logo atrás dele, olhando como o mesmo se esforçava à toa, já tinha feito tudo aquilo, tentará até aquecer a mesma, mas ela não estava congelada só do lado de dentro, mas a tranca do lado de fora estava congelada também, e olha que aquela era uma das portas mais fáceis de se abrir.

“Para com isso, cara”, Taemin disse tirando a touca, vendo o moreno limpar a testa e depois as mãos suadas na blusa, se preparando para tentar girar a maçaneta mais uma vez, mesmo que aquilo já se provasse impossível. “A tranca está congelada do lado de fora”, o loiro voltou a dizer vendo que o balconista já segurava a maçaneta, “Você é idiota? A gente está preso aqui e não tem como sair, se conforma!”, disse um pouco mais grosso, vendo o moreno se afastar da porta.

“Porra”, Jongin disse relaxando os ombros, desistindo de vez de tentar sair da biblioteca. Já tinha ficado preso na mesma várias vezes da sua vida, mas sempre ficava sozinho e quando percebia, já tinha arrumado um jeito de sair, mas daquela vez, ele estava preso com outra pessoa; pessoa essa que já o queria bem longe, só pelo jeito que o ficava olhando.

Jongin sempre foi uma pessoa pacífica, mas quando uma pessoa fica encarando-o por um tempo a mais do que o permitido, ele já começava a se sentir desconfortável com a pessoa, e esse desconfortável incluía o fato de querer bater com a cabeça da pessoa em uma parede; isso porque o moreno se denominava tranquilo.

“Mas que merda!”, Jongin disse mais alto, se virando para Taemin que o olhava tranquilamente, os braços cruzados e um olhar de deboche que fez o moreno se irritar, mesmo que nada estivesse acontecendo. Com uma respirada forte, ele encarou o loiro antes de passar por ele, deixando o seu ombro trombar no mesmo e nem ligando para a reclamação que bem provavelmente ele estava fazendo. Estava molhado, passando frio e era sexta feira, iria passar o final da noite com os seus amigos, mas pareceu que tudo tinha que dar realmente errado para ele.

“Você por acaso está nervoso, por quê?”, Taemin perguntou mais alto, percebendo que Jongin nem ao menos ouvia ele. Jongin passou para o outro lado do balcão entrando dentro da pequena cozinha e deixando Taemin falando sozinho novamente. Tudo bem, Taemin poderia até ter achado o moreno bonitinho logo assim que o viu, mas com certeza ele não parecia uma pessoa interessante como seu melhor amigo sempre dizia, não parecia mesmo. “Você está me ignorando por qual motivo mesmo?”, perguntou novamente passando para o outro lado do balcão.

Jongin bufava alto enquanto tirava a camiseta molhada, podendo ouvir os passos de Taemin que se aproximava. Não sabia o motivo de estar tão nervoso, talvez passar mais uma noite na biblioteca não fosse o que ele planejava, ainda mais com outra pessoa; estava nervoso por tudo o que tinha acontecido, mesmo não sabendo exatamente o que já tinha acontecido e o que estava acontecendo.

“O que eu fiz para você? E qual é seu nome mesmo?”, Taemin perguntou parando assim que entrou na cozinha, ela era pequena e simples demais, mas parecia ter tudo o que uma cozinha normal precisava, mesmo que esse todo fosse minúsculo. Jongin mexia dentro da própria mochila procurando por uma nova camiseta enquanto sentia que os olhos do loiro secavam as suas costas. “Você não fez nada… e meu nome é Jongin”, o moreno respondeu olhando por cima do ombro, percebendo que os olhos de Taemin o analisava de cima a baixo, “Eu só não pretendia ficar preso aqui com alguém”.

Taemin descruzou os braços assim que ouviu a resposta do moreno, olhando para o os olhos escuros do mesmo que o encaravam. “Eu estou todo molhado e passando frio, meus amigos queriam fazer uma festa de despedida para uma amiga que vai se mudar e eu não vou poder ir, e além de que eu acabei de descobrir que a única pessoa que passava as noites comigo aqui nesta biblioteca está morta”, ele disse puxando o tecido fino da blusa branca de dentro da mochila enquanto ainda olhava para Taemin, que agora estava encarando os próprios sapatos.

“Eu estou nervoso por isso”, ele voltou a dizer, vestindo a camisa, pegando o seu moletom e o vestindo por cima, tentando se aquecer de todo o jeito, mesmo estando com os cabelos molhados e o corpo gelado. “Foi mal”, Taemin disse ainda olhando para os sapatos, ouvindo o moreno suspirar cansado.

“Não precisa pedir desculpas, sei que deve estar na mesma situação”, ele disse enquanto coçava a nuca, se sentindo arrependido pela raiva que estava sentindo da situação sendo que o outro não tinha lhe feito nada. “Na verdade, acho que eu ainda não estava pronto para sair do dormitório ainda”, o loiro disse mostrando os olhos cheios de lágrimas para o moreno que ficou sem reação. “Sinto que deveria ter tomado mais coragem antes de seguir em frente, mas parece que essa força nunca vai chegar”, voltou a dizer chacoalhando a cabeça em uma tentativa de afastar as lágrimas.

“Sinto como se estivesse faltando uma coisa muito importante na minha vida”, Taemin falava, as palavras saindo de sua boca sem controle, foi o único dos amigos que quando recebeu a notícia da morte, resolveu se isolar do mundo, esperando que a solidão lhe fizesse conforto, mas ele nunca imaginava que um dia precisaria jogar fora toda aquela tristeza que ele estava guardando somente para si. “O pior é que eu sinto que eu tinha essa coisa importante e agora eu sei que nunca mais vou tê-la”, o loiro disse em um suspiro olhando para os olhos de Jongin que sorriu para si, mesmo surpreso com o tal desabafo do nada.

“Ele era o seu melhor amigo, não é mesmo?”, Jongin perguntou ainda encarando os olhos do loiro que tentava a todo custo não ser tomado pelas lágrimas. Taemin concordou com a cabeça, vendo o moreno confirmar para o nada antes de abrir os braços em sua direção, fazendo o loiro o olhar desconfiado. “Já perdi alguém importante na minha vida também”, o moreno disse ainda com os braços abertos, mas olhava em outra direção, como se estivesse constrangido pela atitude que estava tomando, “Sei como é se sentir perdido e vazio”, voltou a falar enquanto olhava a xícara em cima da pequena pia, “E já que vamos passar uma noite inteira sozinhos nessa biblioteca, acho que não seria de todo o mal eu lhe confortar por um breve momento”.

Taemin encarava o moreno com os olhos molhados, sentia o coração doer pela tristeza que carregava pela perda do melhor amigo, mas naquele momento, entendeu o porquê da carta e do pedido para que se aproximasse do balconista que fizera as noites de seu amigo serem mais leves; Jongin era como se fosse um polo positivo, e os opostos sempre se atraem, mesmo quando a tristeza for uma coisa compartilhada.

Jongin virou novamente o rosto na direção de Taemin, encarando os olhos molhados dele como se pedisse para que não se prendesse mais, e Taemin entendeu, desistindo de lutar contra a sua tristeza sozinho, aceitando uma ajuda depois de tanto tempo.

Jongin envolveu o mais velho em seus braços, o abraçando com força, e mesmo não percebendo, ajudando Taemin como mais ninguém poderia ajudar.


Parte V – Uma parede lotada de livros;


Normalmente as pessoas são acostumadas que para se viver melhor com as outras, elas precisam ser fortes e saberem lidar com os próprios problemas sem envolver outra pessoa, pois na maioria das vezes, essa outra pessoa não vai lhe ajudar com os seus problemas, pois ela já tem os dela. Mas quando se para pensar nos seus problemas e nos problemas dos outros, às vezes o nosso não passa de um pequeno grão de arroz comparado aos problemas dos outros.

Jongin sempre pensava assim, não se importava de esconder os seus problemas e ignorar essa regra idiota, ele desde criança foi uma pessoa que não demonstrava demais para não machucar os outros, mesmo ele estando completamente destruído. Ele sempre preferiu ajudar as pessoas ao seu redor ao invés de se auto ajudar. Talvez seja por esse motivo que ele sempre conquistava todos aos poucos; todos se sentiam confortáveis com ele, mas ele nunca se sentia confortável com ninguém, até Taemin aparecer na biblioteca pela primeira vez.

Se lembra quando ele foi o único a notar que talvez a pessoa ao outro lado do balcão precisasse de uma ajuda, mesmo não sabendo do que se tratava. O melhor amigo de Taemin foi a primeira pessoa a perguntar se Jongin estava bem, ele foi a primeira pessoa a ver a saudade que Jongin sempre escondia e agora ele nunca mais veria nada disso. É um choque para todos quando percebemos que algo não irá mais estar na nossa vida; o sorriso, os olhos, as lágrimas.

Mas quando Taemin se mostrou fraco naquele momento de ódio de Jongin, o moreno percebeu o porquê de ter sido amigo daquele que só deveria ser mais um cliente. Ele sentiu o seu moletom molhar com as lágrimas salgadas do loiro que parecia desabafar, que parecia aceitar a perda de alguém realmente importante na sua vida; Jongin conseguiu entender o que ele sentiu quando foi abraçado pelo melhor amigo do loiro a dois anos atrás.

Jongin não sabia o que fazer exatamente enquanto sentia o corpo menor que o seu se agarrar com força ao seu, os dedos se enroscando em seu moletom enquanto o mesmo tentava a todo o custo não deixar um soluço escapar; Taemin mostrava pela primeira vez para outra pessoa que não estava bem, e Jongin parecia entender perfeitamente.

O balconista apertava o corpo de Taemin, pensando em como fazer o mesmo se sentir bem, do mesmo jeito que o melhor amigo dele tinha feito com ele. Não sabia especificamente o que fazer, mas sabia que aquele abraço já era um grande começo. “Tudo bem, essa não será a última vez que você irá chorar”, Jongin disse em um sussurro, sentindo Taemin afundar a cabeça mais contra o seu peito, “Também não vai será a última vez que irá se sentir completamente só e sem saber o que fazer”, voltou a sussurrar, esfregando as mãos nas costas do loiro, “Não será a última vez que irá querer sumir. Mas sabe, tudo bem não estar bem”, Jongin disse mais alto daquela vez, passando suas mãos delicadamente pelos braços de Taemin, o empurrando para frente, deixando o seu rosto molhado e inchado amostra, “Ele me disse isso quando fez exatamente um ano que a minha irmã tinha morrido”, disse passando a mão pelo rosto do mesmo, secando as lágrimas, se sentia tão íntimos dele como se a dor dele fosse a mesma que a sua.

“Sei o que está passando”, Jongin disse vendo o loiro se soltar das suas mãos e se afastar um pouco do seu corpo, “E uma das coisas que eu mais gostava de fazia muito quando estava triste era comer”, disse rindo, vendo Taemin soltar uma risada baixa, “A única coisa que tenho aqui é um pacote de cookies e chocolate quente, então se você aceitar, eu posso preparar o chocolate e a gente divide os cookies enquanto fica olhando para o nada”, falou vendo mesmo concorda consigo enquanto secava os olhos e abria um sorriso; e enquanto Jongin virava as costas para preparar o chocolate quente, Taemin percebeu que eles nunca iriam ser iguais como seu amigo gostava de falar. Jongin iria sempre ter um coração mais forte do que o de Taemin.

[...]

As duas xícaras que antes estavam cheias de chocolate quente estavam vazias ao lado do pacote vazio de cookies, os dois estavam sentados lado a lado enquanto a neve caia fraca do lado de fora, a janela meio embaçada por causa do calor que a biblioteca estava, os dois estavam encostados em uma das estantes enquanto olhavam a neve cair do lado de fora. Estavam no silêncio, não um silêncio constrangedor, mas um silêncio gostoso para se pensar.

Jongin se mexia desconfortável no seu lugar, de vez em quando olhando para Taemin que ainda tinha os olhos inchados e vermelhos, se não soubesse que ele estava mal, poderia dizer que o mesmo tinha usado uma boa quantidade de drogas, mas com certeza aquele não era o caso. “Pare de me olhar”, o loiro disse ainda olhando para a janela enquanto mudava de posição sentando de perna cruzada.

“O que você queria ser quando era criança?”, Jongin perguntou enquanto voltava a olhar para a janela, vendo os flocos de neve grudando na janela deixando a mesma molhada. “Que pergunta é essa?”, Taemin perguntou agora olhando para o moreno. “Não gosto do silêncio”, ele explicou, soltando um suspiro, tentando não olhar para o loiro mais uma vez. “Entendi”, Taemin falou voltando a olhar para frente, vendo que a neve parecia cair mais fraca.

“Dançarino”, Taemin respondeu depois de um tempo em silêncio, fazendo o moreno se assustar. “Oi?”, Jongin perguntou confuso, vendo o loiro soltar uma risada gostosa, como se o fato de Jongin ter esquecido da pergunta que fez a minutos atrás foi o fato mais engraçado. “Quando eu era criança queria ser dançarino”, Taemin voltou a responder, vendo a expressão facial do garoto ao seu lado suavizar, como se estivesse se lembrando da pergunta, “Sempre amei dançar, fiz aula quando era criança e poderia até parecer idiota na visão dos meus pais, mas eu preferia uma aula de ballet do que a de futebol que meu pai queria que eu fizesse”, começou a falar voltando a olhar a neve caindo do lado de fora da biblioteca, sentia perfeitamente os olhos de Jongin percorrerem o seu corpo, analisando como se fosse um especialista em dança que o analisava agora.

“E você, o que queria ser quando era criança? ”, Taemin perguntou se virando na direção do moreno, olhando para os olhos do mesmo que encaravam os seus. Taemin não tinha mais lágrimas nos olhos e a vermelhidão dos mesmos sumiam aos poucos. “Acho que era ser astronauta mesmo”, respondeu desviando os olhos do loiro que sorriu para si, “Tinha o sonho de conhecer as galáxias e quem sabe viajar com um cachorro como companheiro”, disse puxando as canecas e o pacote de cookie para perto, se arrumando para levantar. “Mas acabou perdendo a graça com o tempo”.

“Sério?”, Taemin perguntou vendo o moreno se levantar, levando junto consigo as xícaras e o pacote vazio. “Depois do primeiro livro que minha irmã leu para mim, eu acabei me apaixonando pelas letras e não teve mais volta”, disse rindo enquanto atravessava a biblioteca. “Mas, e você, continuou a amar a dança? ”, Jongin perguntou em quase um grito enquanto entrava na pequena cozinha.

“Eu faço faculdade de dança”, Taemin respondeu em um outro grito, rindo ao final quando viu o moreno se inclinar e fazer uma cara surpresa para si. “Você está brincando?”, Jongin perguntou ainda com a cabeça inclinada, conseguindo ver que o mesmo ria divertido, achando graça da situação. “Não, ano que vem me formo”, respondeu rindo, vendo Jongin voltar correndo.

“Não brinca comigo”, Jongin disse se sentando ao lado do loiro, quase que colado ao mesmo que ainda ria. “Não estou brincando, irei me apresentar semana que vem em um musical”, Taemin disse encarando o mesmo, vendo que o mesmo o olhava ao mesmo tempo. Talvez aquele fosse o único momento em que os dois estiveram tão próximos assim; e aquilo não estava estranho, mas isso começou a incomodar os dois.

“Qual musical irá fazer? ”, Jongin perguntou se afastando um pouco do loiro, ainda olhando para o seu rosto que parecia ser interessante do que aquela biblioteca inteira. “Os miseráveis”, Taemin disse com um sorriso, vendo o olhar incrédulo do moreno. “Por isso ficou curioso com o livro”, Jongin disse vendo o Taemin afirmar com a cabeça. “Mas se não gosta de ler, porque aceitou fazer esse musical? ”, Jongin perguntou, vendo o loiro quebrar o contato visual que tinham, se sentindo desconfortável com a pergunta, como se aquilo fosse algo que o machucasse.

“Era o livro preferido do meu melhor amigo”, Taemin respondeu se arrumando no chão, abraçando as pernas contra o peito, “Fiz o teste a dois meses atrás. Ele me influenciou a fazer o teste, disse que eu já estava pronto para um musical”, contava, vendo a neve cair do lado de fora, a tempestade já tinha passado e talvez aquilo poderia ser um ótimo motivo para se sentir feliz, mas parecia que estava mais confortável dentro daquela biblioteca do que em seu quarto do dormitório. “Quando fui aceito ele quase fez uma festa, nunca o vi tão orgulhoso de mim”, Taemin disse soltando uma risada fraca no final, “Pena que no final ele não irá poder me ver em cima de um palco”.

O silêncio voltou a reinar entre os dois, o clima triste voltando a preencher o peito dolorido de Taemin que ainda queria que tudo passasse voando, mas o tempo parecia brincar com o fato de estar tão triste e perdido. Jongin voltou a se aproximar de Taemin, passando delicadamente os seus um de seus braços pelo ombro do mesmo que tinha os olhos fechados, como que somente naquele momento percebia que a saudade não seria momentânea e a tristeza se faria presente quando menos imaginava.

“Posso lhe pedir para fazer uma promessa comigo?”, Jongin perguntou, puxando delicadamente o corpo menor que o seu para perto, conseguindo sentir a respiração pesada que o mesmo soltava, como se controlasse para não voltar a chorar. A perda de Taemin era recente, bem diferente da de Jongin que já fazia um bom tempo e mesmo assim doía, a dor dele estava aberta e não iria julgá-lo por causa disso. “Irei ao seu musical”, Jongin disse apoiando a sua cabeça na de Taemin, que se assustou com o ato.

“E quando fizer o agradecimento final, irá levantar a cabeça e me ver lá”, o moreno disse vendo o outro chacoalhar a cabeça, se afastando minimamente de Jongin, olhando nos olhos dele sem se soltar do abraço. “Como irei o encontrar? ”, perguntou vendo de perto o sorriso bonito do moreno, “Você irá me encontrar, vou usar o meu cachecol de ursinho”, respondeu rindo, vendo Taemin fechar os olhos negando.

“Mas voltando a nossa promessa”, Jongin disse puxando novamente o loiro novamente, voltando a apoiar seu queixo nos fios loiros, ficando em uma posição que não parecia nada confortável, mas que estava muito aconchegante. “E quando levantar a cabeça, irá me dar um sorriso, e quando sorrir, irá estar me fazendo a promessa de que irá esquecer a dor”.

Taemin se afastou mais uma vez de Jongin, olhando para o mesmo, que mostrou a sua mão para o loiro, o dedinho levantado esperando que o de Taemin fosse entrelaçado ao seu, selando a promessa. Eles não tinham toda aquela intimidade, mas por mais incrível que pareça, estavam se sentindo próximos, como se já se conhecessem a anos, e isso era reconfortante.

Taemin entrelaçou seu dedinho ao de Jongin, selando uma promessa que provavelmente, teria a obrigação de seguir, mesmo que o balconista não aparecesse no dia de sua apresentação. 


Parte VI – Apague as luzes;


Taemin acabou adormecendo naquela posição enquanto Jongin contava sobre um livro que tinha lido a um tempo atrás, no começo o loiro até que estava interessado, mas mesmo que o moreno não percebesse que fazia um singelo carinho nas costas de Taemin, o interesse foi se perdendo e o fato de já ter passado da meia noite piorava tudo. Quando Jongin percebeu que Taemin dormia, não se mexeu, estava confortável naquele momento, se sentia confortável com o loiro nos seus braços, a respiração leve batendo contra o seu pescoço e o ressonar preenchendo agora a biblioteca que estava incrivelmente quieta.

Não nevava mais quando Jongin se deixou adormecer naquele chão duro, o corpo do novo amigo foi se ajeitando melhor ao seu. Talvez nunca esteve tão confortável como estava naquele momento, era estranho dormir com outra pessoa em um chão de uma biblioteca, mas enquanto dormiam, os dois garotos nem se importaram com isso, nem ao menos se importaram que tinham acabado de se conhecer.

[...]

A senhora forçava a porta da biblioteca que parecia estar enferrujada, com os cabelos cinzas cobertos de neve e o cachecol vermelho que cobria metade do seu rosto, as mãos guardadas em luvas grossas empurravam com toda a força a porta vermelha, esperando que a mesma abrisse, pois sabia que seu funcionário tinha dormido ali, a nevasca era um motivo e as luzes acesa ainda denunciavam o ato.

As pessoas corriam apressadas no meio da neve que derretia por causa do sol fraco da manhã, estava tudo normal, até uma das funcionárias parar ao lado da senhora que tentava abrir a porta da biblioteca. “O que está tentando fazer, senhora Kim?”, a jovem perguntou para a senhora, fazendo a mesma se afastar em um pulo da porta.

“A porta está emperrada, talvez tenha congelado durante a nevasca”, a senhora Kim disse voltando a empurrar a porta, “Acho que Jongin dormiu aí, as luzes estão acesas”, disse enquanto empurrava a porta. A menina dos cabelos vermelhos tirou a mochila das costas, ajudando a senhora e dona da biblioteca a empurrar a porta vermelha, que deu um sinal que abriria.

“Caralho, a porta está congelada mesmo! ”, a jovem disse se afastando da porta, recebendo um tapa da senhora Kim logo em seguida. “Aí, o que eu fiz dessa vez? ”, ela perguntou esfregando o braço, vendo a senhora rir da sua expressão. “Sabe que odeio palavrões”, a senhora Kim disse voltando a empurrar a porta, “Não vai me ajudar Soojung? ”, a senhora perguntou, vendo a jovem voltar a empurrar a porta junto a si.

Não demorou muito tempo até que a porta fosse aberta, o sininho soou alto no meio da biblioteca que estava em silêncio. Eram exatamente oito horas da manhã, Jongin dormia tranquilamente enquanto abraçava o corpo de Taemin, que também dormia tranquilamente, mas com o barulho alto do sininho, os dois levantaram em um pulo, olhando a cara amassada que estavam.

Jongin olhava assustado para os lados, tentando acordar direito enquanto Taemin se levantava; ou tentava. A senhora Kim entrava na loja sendo acompanhada por Soojung, que tirava o cachecol pesado que usava. “Jongin? ”, a senhora perguntou alto, olhando entre os corredores enquanto caminhava sem pressa alguma para o balcão, esperando encontrar o menino lá.

“Posso passar na sua frente, senhora Kim? ”, Soojung perguntou vendo a sua chefe negar com a cabeça. “KIM JONGIN!! ”, a ruiva gritou, ouvindo logo em seguida o barulho de livros caindo, “Acho que eu já sei onde ele está, senhora Kim”, Soojung disse parando de andar, vendo sua chefe fazer o mesmo. Largando a mochila no mesmo lugar, a ruiva passou pela senhora Kim, entrando em um dos corredores, parando em frente a enorme janela de vidro, encontrando Jongin ainda sentado enquanto um rapaz loira recolhia os livros que provavelmente tinha derrubado.

“Achei! ”, Soojung gritou, olhando para o moreno que coçava os olhos. “Quem é esse?”, ela perguntou para Jongin que olhou para o loiro, que tentava arrumar os seus cabelos, os dois garotos estavam totalmente destruídos e a aparência deles era a comprovação disso. “Ele veio devolver alguns livros e quando percebemos, estávamos presos”, disse com a voz rouca pelo sono, se levantando com calma.

“Jongin, meu querido, você está bem?”, a senhora Kim disse passando pela ruiva, abraçando o moreno com toda a força que tinha, verificando se ele estava bem depois. “Estou ótimo”, ele disse rindo enquanto tirava o resto de neve que tinha nos cabelos cinzas da senhora.

“Mas eu preciso ir embora”, ele disse sentindo a sua chefe se afastar. “Mas tem certeza que você está bem meu querido?”, ela voltou a perguntar, segurando o rosto do garoto e o puxando para perto do seu rosto. “Eu preciso de um banho”, ele falou rindo enquanto sentia as mãos pequenas da senhora Kim apertarem as suas bochechas.

“Eu também preciso”, Taemin disse baixinho, chamando a atenção da senhora, que olhou com os olhos arregalados. “Ele passou a noite aqui com você? ”, ela perguntou para Jongin ainda olhando para o loiro que coçava a nuca, “Vocês não fizeram nada, não é?”, ela perguntou se virando para o moreno, apertando mais a suas bochechas, que começavam a ficar vermelhas, não só pelo aperto, mas pelo constrangimento também.

“Me deixa ir para casa, senhora Kim”, Jongin pediu, vendo a senhora rir e largar o rosto do jovem. “Depois a gente conversa, entendeu mochinho”, a senhora Kim disse para o moreno, que massageava as bochechas. Taemin também parecia estar constrangido com a cena, principalmente com a insinuação que a velhinha fez.

Os dois saíram apressados da biblioteca, Jongin com o seu cachecol de ursinho e Taemin terminando de enfiar a touca em sua cabeça. Saíram ao mesmo tempo da biblioteca, a neve caindo fraca sobre a cabeças dos garotos, agora eles não estavam mais dentro da biblioteca, mas parecia que nada tinha mudado como eles pensavam que iria acontecer.

“Eu vou lhe mandar o ingresso”, Taemin disse depois de um tempo que passaram se olhando, Jongin concordou com a cabeça não sabendo o que fazer. “Até logo”, o loiro disse se preparando para ir embora, mas foi impedido por Jongin, que lhe prendeu em um último abraço antes de sair correndo na direção contrária.

Mas Taemin não saiu correndo como Jongin; ele ficou parado por um tempo, pois não estava se sentindo tão triste e só como se sentia antes de entrar naquela biblioteca na noite passada.





Eu adormeci nos seus braços, não quebre tudo assim, eu irei voltar essa manhã. No final da solidão, para que você possa se consolar. Apague as luzes hoje”.

Exo; Lights Out.

6 de Junio de 2018 a las 17:28 0 Reporte Insertar 0
Fin

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