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kokorotsuki Kokoro Tsuki

Os dias de recesso da faculdade eram os piores, na opinião de Victor, sempre tediosos. Mas o novo vizinho e seu teclado podiam fazê-lo mudar de ideia. | Victuuri | Significado das flores | Cravo Branco |


Fanfiction Anime/Manga No para niños menores de 13.

#Significado-das-flores #victuuri #VictorxYuuri #yuri-on-ice
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Notas para o coração


Coletânea significado das flores: https://coletaneas-on-ice.tumblr.com/

Créditos da arte de capa:

Pixiv ID: 60169984
Member: 青燁|お仕事募集中

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Victor sempre achava tedioso olhar para o teto branco de seu apartamento no meio de um sábado e não ter nada a fazer. Maccachin estava sobre seu colo, dormindo tranquilamente como se nada pudesse atingi-lo naquele momento. O lugar estava tão silencioso naquele dia que Victor podia jurar que conseguia ouvir as gotas de água pingando de sua torneira — ou ele estava ficando louco pelo tédio, não duvidava nada disso.

Suspirando de maneira cansada, ele pegou o celular para conferir se havia alguma atualização que o interessasse, não encontrando nada que lhe desse vontade de levantar porém. Pensou seriamente em ligar para Chris e perguntar ao outro que tinha alguma ideia do que poderia fazer naquela tarde tão bonita quanto parada, mas ao mesmo tempo imaginava que o melhor amigo estivesse… Bastante ocupado com o namorado.

E pior que estar entediado, era estar com preguiça. O tédio ele podia espantar muito bem levando o cão para passear, por exemplo. Mas não, seu corpo parecia querer continuar em repouso sobre o sofá extremamente confortável de seu apartamento.

“Victor Nikiforov você não pode ficar derrotado para sempre.” disse a si mesmo, ainda que não tivesse feito lá um efeito muito notável. “Vamos, o dia está lindo lá fora!

E bem, não é necessário ser um gênio, ou mesmo conhecê-lo para saber que Victor não moveu um músculo. Oh céus, o sábado estava passando lentamente por seus olhos e não fazia a mínima menção de fazer algo. O ingresso que havia comprado para uma festa que aconteceria a noite jazia ali, jogado sobre sua mesa de centro. E se fosse sincero consigo não estava com vontade nenhuma de ir àquela boate barulhenta a noite.

Os olhos azuis, dessa vez, repousaram sobre o notebook, também na mesa de centro, ainda aberto em um artigo que mal tinha escrito a primeira linha, e faltava pouco tempo para o prazo final de entrega. Seria aquele o primeiro trabalho que não entregaria em seu último ano de medicina?

Parecendo pensar um pouco, Victor se viu incapaz de tomar essa decisão, dominado pela preguiça. Na verdade, foi Maccachin quem decidiu por ele, quando pulou de seu colo e correu em direção a porta. As vezes o cão fazia isso, de súbito resolvia que queria por que queria passear. E bem, quem era Victor para negar um pedido de seu queria poodle gigante?

Derrotado ele finalmente se levantou do sofá, o corpo ainda dolorido pelo tempo em que havia permanecido deitado, e foi pegar a coleira de seu cachorro enquanto Maccachin resolvia simplesmente arranhar a porta de seu apartamento.

“Sorte a sua que este não é um lugar caro, mocinho.” ele resmungou, quando, finalmente, encontrou a coleira cor-de-rosa e o óculos de sol que usava para desfilar com seu cão pelas ruas de Detroit.

Assim era Victor Nikiforov afinal, o cara mais popular de todo o campus da universidade, considerado o melhor aluno de medicina que os professores já viram em muito tempo. E bastante desejado pelas alunas — e alunos —, não sendo difícil identificar o porquê.

Bem, vamos começar por aquele um metro e oitenta, por aquele corpo que, quem já viu jura que é uma coisa dos deuses — e Christophe Giacometti pode confirmar. Não podermos esquecer daquela pele que parece feita de porcelana e de seus cabelos estranhamente platinados que Victor jura de pé junto que são naturais, a franja cobrindo um de seus olhos maravilhosamente azuis e por coincidência também a testa que era… Um pouco maior que o convencional, digamos assim.

E assim, colocando a coleira em seu grande companheiro e os óculos, ele saiu de sua atual moradia, onde passara os últimos seis anos em direção ao corredor, e, logo depois, ao térreo.

E foi aí, exatamente aí que o dia de Victor passou a ser um pouco menos tedioso.

Detroit recebia todo o tipo de gente, vindo de todos os lugares do globo, mas Nikiforov nunca tinha visto alguém como ele e suas bochechas gordinhas, um pouco coradas. Seus cabelos negros, escorridos sobre a testa e seus puxados, mas expressivos olhos castanhos.

Ele falava com o porteiro, trazia consigo algumas malas e, pelo jeito, um amigo que não parava de tagarelar, também junto de um pouco de bagagem.

Os dois estavam viajando? Se mudando para lá? Ou apenas pararam para pedir informação?

Victor normalmente mao era curioso, mas.levando em conta que havia acabado de ver um anjo ele poderia acrescentar curiosidade à sua lista de defeitos.

Quando viu alguém que trabalhava no prédio se oferecer para levar as malas daqueles dois para cima, e ambos se voltarem para conversar, ele quase se prontificou para oferecer sua ajuda.

Quase porque Maccachin praticamente o arrancou dali, correndo para fora ao ver um gato passando pela portaria. Victor choramingou, tentando controlar o cão que pareceu ficar ainda mais animado por estar do lado de fora, “livre”.

“Poxa Macca.” resmungou, fazendo um.pequeno bico ao se recompor. Seu cachorro agora o guiava pelas ruas bastante movimentadas. “Nós podemos ter perdido a oportunidade de conhecer seu outro papai.”

O poodle, no entanto, não pareceu dar muita importância, enquanto a Victor restou fazer o mesmo. Bem, de qualquer forma aquilo não passaria de um crush passageiro mesmo…

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Cerca de uma hora e meia depois os dois estavam de volta, com o Nikiforov se perguntando de onde aquela bola de pelos tirava tanta disposição. Cumprimentou as pessoas que trabalhavam em volta e viu Isabella entrar, a jovem estudante de psicologia que botava muitos profissionais no chinelo. Victor gostava de conversar com ela sempre que se encontravam, e não era surpresa para ninguém que o conhecia o quanto se distraia fácil: talvez por isso, não tivesse o rapaz que lhe chamou tanta atenção mais cedo sair com o amigo.

E bem, quando Victor parava para conversar ele perdia a noção do tempo. Estava tão acostumado a estar sempre cercado de gente na faculdade que nos fins de semanas se sentia um tanto quanto… Solitário. Na época de recesso, como era o caso, tudo tendia a ficar pior.

Sua conversa com Isabella só foi interrompida quando se lembrou que tinha um artigo para terminar. Os dias em casa estavam acabando — finalmente! — e seu tempo para enrolar também. Victor despediu-se da canadense e junto a Maccachin subiu as escadas com pressa rumo a seu apartamento. Estava determinado a, assim que entrar, terminar seu trabalho.

… Não sem antes comer algo, claro. Depois se dedicaria integralmente a seu compromisso.

Ledo engano quando, antes de comer preciso servir ração a Maccachin e trocar sua água. Além de que, ao buscar alguns livros para a consulta se viu obrigado a arrumar seu quarto. Victor odiava bagunça e ver qualquer coisinha fora do lugar já lhe era motivo para fazer tudo outra vez.

E foi apenas cerca de meia hora após pisar os pés novamente dentro de seu apartamento que Victor se sentou junto a seu notebook, seus livros e seu inseparável cachorro para terminar aquilo de uma vez, sem que nada o atrapalhasse.

A não ser aquelas notas que começaram a ressoar baixinho — ou teria ele só notado agora? —, gostosas de se ouvir. Uma melodia doce, tocada com maestria. Victor sentia que conhecia aquela música de algum lugar.

Mas mais importante que isso, quem estava tocando?

Não parecia estar muito longe, e pelas notas provavelmente era um teclado ou um piano, ambos instrumentos que ele apreciava o som, apesar de não saber tocar.

Mais uma vez naquele dia sua curiosidade foi atiçada, e Victor sentiu que deveria dar uma de vizinho intrometido só daquela vez. De certo não seria um grande problema.

Deixando o notebook de lado novamente e se pôs a sair uma outra vez, com o cachorro em seu encalço pelo corredor moderadamente largo. Não foi difícil, porém, achar o lugar de onde vinha a música. Na verdade, era apenas a dois apartamentos de distância do seu, o que estava livre há cerca de uma semana, e mais de perto era possível ouvir melhor. Ele sentia, naquelas notas tão singelas e doces, um amor indescritível. Em primeiro lugar, era possível sentir aquilo em relação a uma música? Se não fosse, faria ser.

Levantando a mão para bater na porta, ele hesitou por um momento. Em primeiro lugar, o que estava fazendo ali? Em segundo, o que iria dizer? Victor não queria parecer um vizinho que não respeitava a intimidade alheia, ou mesmo um stalker. Seria terrível se aquela pessoa que sequer conhecia tivesse ideias erradas de si. Ainda assim, queria apenas elogiar o talento desse desconhecido ou desconhecida.

Ele estava em dúvida, e bem, iria seguir seu lema de sempre: na dúvida, faça.

Foram três batidas sobre a madeira, seguidas de um latido animado de Maccachin. Victor riu do fato de seu cachorro parecer tão animado quanto ele em conhecer quem tocava. A música parou quase que instantaneamente, e uma movimentação pareceu começar ali dentro.

Phichit, pode abrir a porta?” aquela voz suave era linda, na opinião de Victor. Um inglês bem falado com uma ponta de sotaque. Ele só não sabia de onde.

Eu abri da última vez, Yuuri!” houve um minuto de silêncio, seguido de som de passos. Logo a pessoa do outro lado estava mexendo na maçaneta da porta.

Isso é muito injusto! Não é só porque você abriu da última vez que…” E a porta finalmente foi aberta. Victor quase deu um pulo para trás. “Ei, espera! Não teve última vez!

Era seu anjo!... Quer dizer, crush.... Quer dizer… Bem, era o rapaz que havia chamado sua atenção mais cedo, e que agora levantava aqueles olhos castanhos para lhe encarar, suas bochechas lentamente ganhando um tom avermelhado. Era tão… Tão adorável.

“É…” foi a única coisa que deixou os lábios dele. Não era tão menor que Victor, talvez alguns poucos centímetros e parecia ser bastante tímido. Por cima de seus ombros, ele podia ver que o apartamento ainda estava bastante desorganizado — isso quase lhe causava coceira —, algumas malas jogadas sobre o chão e sobre o sofá. E um teclado montado no meio da sala. “... Em que eu posso ajudar?” a voz soou quase como um sussurro, mas foi o suficiente para que Victor voltasse sua atenção para o rapaz novamente.

“Ah, desculpe!” pediu, rindo baixo enquanto coçava seus cabelos prateados. Enquanto isso Maccachin resolveu cheirar os pés do outro homem ali. “Eu sou Victor Nikiforov, sou seu vizinho, eu ouvi sua música e…”

O rosto do rapaz pareceu corar mais ainda, e ele começou a gesticular as mãos de maneira engraçada.

“A-ah! Ela estava atrapalhando? D-desculpe é que o Phichit pediu para eu tocar e…” ele parecia um pouco confuso com suas próprias palavras, e os óculos quase escorregaram de seu rosto. “Se estiver incomodando posso parar e…”

“De forma alguma!” Victor sorriu de maneira aberta, seus lábios quase pareciam formar um coração. “Eu estava achando linda, precisava elogiar. Eu é quem devo estar atrapalhando vindo aqui.”

A expressão no rosto do outro pareceu suavizar um pouco e ele sorriu. Victor até então não acreditava em amor à primeira vista, mas talvez pudesse abrir uma exceção para aquele sorriso — o mais bonito que já havia visto em sua vida.

“Obrigado, mas eu ainda preciso treinar muito. Stammi Vicino nem sempre fica bom tocado com um instrumento só.” agora ele parecia um pouco mais solto, mas as maçãs de seu rostos continuavam bem vermelha. Foi quanto Maccachin latiu, apoiando suas patinhas nas pernas do rapaz, que riu baixinho, antes de se abaixar para fazer carinho no pêlo marrom. Agora Victor se lembrava onde já tinha ouvido aquela música: no casamento de seus pais, na valsa do casal. A diferença é que esta foi tocada a violino. “Ah, eu esqueci de me apresentar. Me chamo Yuuri. Yuuri Katsuki.”

“Oh, você é japonês!” exclamou. De lá vinha aquele sotaque, e aqueles adoráveis olhinhos puxados. Victor sorriu quando Yuuri assentiu, e o observou acariciar Maccachin. “Parece que Macca gostou de você.”

“Fico feliz que sim.” foi a única coisa que Yuuri respondeu antes dos dois caírem no silêncio, o que era um pouco constrangedor. Foram poucas vezes em sua vida que Victor não sabia exatamente o que dizer, então, por um tempo, se deixou apenas olhar a interação entre seu mais novo vizinho e seu cachorro, enquanto tentava pensar em algo.

E foi quando o outro rapaz apareceu, com sua pele escura e seus cabelos tão negros quanto seus olhos. Certamente, era asiático como Yuuri e trazia consigo o celular em mãos.

“Yuuri, por que está demorando tant-” assim que chegou na porta, ele parou, encarando Victor de forma quase atônita. “Wow! Há que devemos a visita de Victor Nikiforov? Yuuri, seu espertinho!” ele riu, batendo de leve sobre as costas do japonês que tornou a corar, desta vez, de forma violenta. Victor arqueou uma sobrancelha, estranhando o fato dele saber seu nome e ao mesmo tempo sentindo que o conhecida de algum lugar.

“Phichit!” Yuuri resmungou, visivelmente constrangido ao esconder seu rosto em suas mãos. Maccachin pareceu não entender quando parou de receber atenção.

“Prazer, eu sou Phichit Chulanont. Somos da mesma universidade.” Phichit estendeu a mão, e Victor soltou uma exclamação de entendimento. Então era de lá que ele o conhecia. Sorrindo, apertou a mão do outro. “Faço Publicidade, o Chris me conhece. Tiramos umas fotos semana passada.”

“Oh, bem que eu senti que te conhecia, deve ter sido do Instagram do Chris.” o russo sorriu, soltando a mão do rapaz que parecia um tanto mais novo. Parando para pensar, Yuuri também parecia.

“Não quer entrar?” Phichit ofereceu, e nisso viu uma oportunidade de pedir para Yuuri tocar novamente. Mas ao mesmo tempo havia aquele sentimento de que, talvez, não deveria forçar uma intimidade tão cedo.

“Phichit, está uma bagunça lá dentro!” tirando as mãos de seu rosto, Yuuri interveio, acariciando uma última vez a cabeça de Maccachin. “Desculpe Victor, nós nos mudamos hoje para poder dividir o aluguel e o apartamento ainda está uma zona. Nós mal guardamos nossas roupas.” disse, puxando nervosamente as mangas do suéter creme. “Podemos… Deixar para amanhã?”

Oh.

Oh.

Yuuri queria convidá-lo. Então Victor não podia fazer nada senão abrir seu largo sorriso de coração e aceitar.

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Era quase onze horas quando Victor já estava pronto para ir ao apartamento de Yuuri e Phichit, almoçar com os dois. A situação parecia um pouco estranha, na verdade, os dois eram seus vizinhos novos, pessoas que nunca vira em sua vida — mas que aparentemente estudavam no mesmo campus que ele — e ainda assim estava indo comer com eles sem sequer considerar que os dois poderiam ser assassinos em série disfarçados de bons garotos.

Ele riu consigo mesmo, enquanto se abaixava para colocar mais comida no potinho de Maccachin. Aquele pensamento, além de louco, certamente não condizia com a realidade. Yuuri mal conseguir lhe olhar sem ficar completamente vermelho, como mataria alguém? O japonês era a perfeita definição de bolinho.

Balançando a cabeça de modo a espantar essas divagações, Victor parou para pensar se deveria levar algo. Não fazia a menor ideia do que seus vizinhos costumavam comer, e não se sentia seguro o bastante para levar algo feito por ele mesmo — afinal, todos tinham seu “calcanhar de Aquiles” e o de Victor era a cozinha. Ele podia ter nascido para tudo, menos para cozinhar.

Suspirando, resolveu por pegar uma das garrafas de vinho que tinha guardadas há um tempo. Não sabia se os dois bebiam, mas como ambos eram universitários e com certeza maiores de idade resolveu arriscar.

Criando coragem, o Nikiforov saiu de seu próprio apartamento e junto a companhia de Macchanin rumou para a moradia dos recém-conhecidos.

Assim que estava em frente à porta repetiu o ritual do dia anterior, dando três leve batidas e, em seguida, o cão latiu, parecendo bastante ansioso para brincar com Yuuri novamente. Desta vez, porém, quem abriu a porta foi Phichit, com um sorriso largo em seu rosto e o celular novamente em mãos, parecendo responder alguma mensagem.

“Ah Victor, ainda bem que você chegou!” ele exclamou, e o russo arqueou uma sobrancelha. “Acredita que o Yuuri me obrigou a faxinar esse apartamento de cabo à rabo? Eu não faço uma faxina desse nível desde… Desde que eu deixei de morar com meus pais!”

Victor riu, interiormente agradecido por Yuuri ter tomado essa atitude, mas resolveu não dizer nada. Phichit os convidou a entrar, e Maccachin sequer fez cerimônia, adentrando o lugar e cheirando cada canto que lhe parecia agradável.

O apartamento dos dois era o padrão daquele prédio, não muito grande porém confortável. Os móveis quase iguais ao seus, por já estar mobiliado antes dos moradores chegarem, a cozinha ligada a sala, um único quarto — que Victor acreditava ser tão espaçoso quanto o seu para caber dois adultos — e um banheiro. Perfeito para estudantes que não tinham lá todo o dinheiro do mundo para gastar.

Ele também podia notar o quanto estava limpo. O chão branco brilhava e todo o lugar tinha um cheiro agradável de lavanda. Se perguntava o quanto os dois haviam trabalhado para acabar com a sujeira de uma semana em um dia. Mas bem, o que mais chamou sua atenção foi novamente o teclado no canto da sala, e um desejo de ouvir Yuuri tocar, e desta vez de perto, de acendeu.

“Fique à vontade. Yuuri foi tomar um banho e já está saindo.” a voz de Phichit o tirou de seus devaneios. “Espero que goste de comida japonesa, porque é a especialidade de Yuuri Katsuki.” piscou, e Victor resolveu não dizer que não era um grande adorador de sushi.

“Muito obrigado” Victor agradeceu, sorrindo e pareceu se lembrar do vinho só naquele momento. “Ah, antes que eu me esqueça, trouxe um vinho. Vocês dois bebem. não bebem?”

“Mas é claro!” Chulanont exclamou, pegando a garrafa e já se colocando a olhar o rótulo da bebida. “Hm, vamos ver, doze por cento de álcool… Melhor deixar isso bem longe do Yuuri.”

O russo o olhou sem entender, mas resolveu não questionar, afinal, não era de sua conta. Talvez o Katsuki tivesse algum problema no fígado ou algo assim.

Sentando-se sobre o sofá para acompanhar a conversa animada de Phichit, ele notou em cima da mesa de centro um vaso de vidro com algumas flores o decorando. Cravos brancos, bonitos, parecendo bastante bem cuidados e Victor achou que eles combinavam perfeitamente com aquele apartamento.

Sua mãe era florista, e ele havia passado toda a sua vida em meio a flores de todos os tipos, e não raramente ouvia a doce senhora Nikiforova falando sobre o significado de cada uma delas. Os cravos brancos, por exemplo, traziam consigo o talento, a inocência, o amor puro, e Victor não conseguia deixar de ligar tudo aquilo a Yuuri, ao seu talento naquele teclado, aos seus inocentes olhos castanhos, e ao sentimento que talvez, só talvez, podia estar começando a nutrir pelo jovem japonês.

Nesse ponto, sequer prestava atenção ao que Phichit dizia, sorrindo com ternura enquanto os olhos azuis continuavam focados naquele vaso. Chulanont pareceu notar, e riu sozinho da expressão que tomava conta do rosto de Victor. Riu mais ainda quanto Yuuri apareceu na sala, os cabelos negros molhados e penteados para trazer. Ele o olhou sem entender, e deu de ombros.

“Bom dia Victor” disse, sem resposta. “Hm… Victor?”

Victor se virou em um sobressalto, apenas naquele momento se dando conta que Yuuri estava ali e abriu um sorriso amarelo. Maccachin veio correndo em direção ao dono, parando antes para tornar a cheirar Yuuri, incrivelmente animado.

“Oh, desculpe.” ele pediu, um pouco envergonhado. “Eu estava distraído. Bom dia Yuuri.”

“Tudo bem.” o japonês gesticulou, antes de abrir um sorriso tímido. “Está com fome? Espera que goste de katsudon.

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Depois de ajudar os dois na cozinha e provar o tal de katsudon Victor resolveu repensar sobre comidas asiáticas. Aquilo parecia um manjar dos deuses, afinal, se perguntava que tipo de curso Yuuri havia feito para ter uma mão tão boa para a cozinha.

Se ofereceu para lavar a louça, o que foi quase dispensado pelos dois amigos, mas Victor insistiu. Eles já estavam sendo gentis o bastante para lhe receber em sua casa.

Com os pratos lavados, os três — e Maccachin — foram se sentar na sala, iniciando uma conversa gostosa e nada convencional. Bem, nem a amizade dos três havia começado de maneira convencional, afinal de contas.

Victor descobriu que Yuuri e Phichit tinham vinte e um e vinte anos respectivamente, moravam juntos há dois no antigo apartamento que compartilhavam. Phichit cursava Publicidade, enquanto Yuuri cursava dança, e segundo as palavras do outro era um exímio bailarino — o Nikiforov passara a sentir vontade de vê-lo dançar apenas para si.

Ficaram ali, cerca de uma hora conversando, antes de Chulanont fazer o pedido que Victor desejava fazer: que Yuuri tocasse um pouco. O japonês corou, ajeitando os óculos envergonhado.

“Phichit, você sabe que eu não sou muito bom e…”

“Está brincando? Yuuri, você não faz a música, você é a música! É maravilhoso!” Victor não podia concordar mais.

“Não exagere…” o japonês resmungou, e naquele ponto Nikiforov se viu obrigado a interferir.

“Bem, eu concordo com Phichit. Toque um pouco para nós, Yuuri.”

Sendo sincero, Victor achava uma graça a maneira que o Katsuki corava, sempre facilmente e mais e mais a cada vez. Aquelas bochechas tão vermelhas eram simplesmente as coisas mais adoráveis que já havia visto.

Yuuri suspirou, derrotado, e se levantou do sofá para sentar no teclado. Estalando os dedos, ele parou para pensar sobre que música deveria tocar. Stammi Vicino novamente?

“Que tal In Regards to Love?” Phichit sugeriu antes mesmo que ele se virasse para pedir alguma dica. Yuuri sorriu.

Ágape?”

“Na verdade, eu estava falando de Eros.”

Victor olhou de um para outro, sem sequer entender do que eles falavam. Ambos se encaravam e enquanto Phichit tinha um sorrisinho presunçoso, Yuuri parecia tenso. Foram alguns segundo assim, antes do japonês se voltar novamente para o instrumento.

As notas que soaram a seguir quase fizeram o Nikiforov pular em seu lugar no sofá. A música lhe lembrava de certa forma uma “virelai”, mas ao mesmo tempo possuía algo diferente… Uma sensualidade, se assim poderia dizer. Era até estranho falar aquilo de uma música tocada por mãos tão talentosas, mas não conseguia imaginar qualquer outros coisa. Seria essa a intenção de Phichit?

Restava-lhe apenas apreciar a melodia, fechando os olhos para melhor a experiência. Victor estava apaixonado pela música de Yuuri, e cada vez mais se convencia de que amor a primeira vista existe.

Afinal, era só olhar para aquele rostinho line de Yuuri, concentrado nas teclas brancas do teclado. Quem não se apaixonaria?

Quando a música acabou, Victor estava batendo palmas de maneira animada, com um largo sorriso “de coração” em seu rosto.

“Wow! Isso foi… Foi simplesmente incrível, Yuuri! De onde vem tanto talento?”

“A-ah, não é tão bom assim!” o Katsuki gaguejou, coçando os cabelos envergonhado. “Eu só… Treino bastante.”

“E esse treino tem rendido muito, estou impressionado!” para Victor, nem todos os elogios eram suficientes para por pra fora o que tinha sentido. “Se continuar assim, vou acabar me apaixonando por você.” isso é, se já não estivesse apaixonado.

Os outros dois riram, Phichit um pouco mais alto que Yuuri, como se estivesse se deleitando, e Yuuri de forma tímida, contida. Victor só conseguia pensar que queria vê-lo sorriso para sempre.

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Era pouco mais de quatro horas quando Victor voltou para seu apartamento com Maccachin, e foi Phichit quem o acompanhou até a porta, com um sorriso enigmático antes de fechar a porta atrás de si e voltar-se para Yuuri, este que virou o rosto, envergonhado por saber que tipo de conversa seu melhor amigo iria começar.

“Eu ainda não acredito que o seu crush da faculdade estava aqui e você sei lá, nem deu um beijinho nele!” Chulanont exclamou, praticamente se jogando sobre Yuuri. “Onde está o meu Yuuri que conquista a todos no pole nas festas da faculdade, hein?”

“Isso foi só uma vez!” ele respondeu choramingando, Phichit apenas tornou a rir. “Eu estava bêbado, você sabe disso e… E eu não acho que o Victor queira me beijar. Ele só estava sendo gentil com a gente porque acabamos de nos mudar.”

Phichit parou de rir, revirando os olhos. “Ele disse que estava apaixonado por você, Yuuri.”

“Disse que poderia se apaixonar, é diferente.”

O tailandês suspirou, indo até a cozinha para pegar bebidas para ambos. Apenas naquele momento percebeu que esqueceram do vinho de Victor, mas resolveu deixar esse detalhe de lado, pegando duas latas de refrigerante, e voltou para a sala em seguida.

“Yuuri, você sabe que é o estudante mais bonito daquela universidade, certo?”

“E você sabe que é o estudante mais exagerado daquela universidade, certo?” Yuuri retrucou, e Phichit gesticulou divertidamente.

“Eu não concordo com isso, mas já que Yuuri Katsuki, o rei do baile, está dizendo.” Deu de ombros, e o japonês, constrangido com o apelido dado depois da primeira festa de faculdade em que ele literalmente havia dado um famoso “PT”, dançado durante toda a noite e só não fez um striptease no meio de todos por Phichit ter lhe tirado de lá. Felizmente — ou infelizmente —, Victor não estava naquela festa. “Mas que você é o melhor dançarino e tecladista de lá, você é.”

“Você continua exagerando! Lá tem muitas pessoas melhores que eu e...”

“Yuuri, eu vou jogar minha lata na sua cabeça se você continuar com isso.” Katsuki conhecia o amigo há tempo demais para saber que não era uma simples ameaça. “Vai dizer que você não viu o brilho de admiração nos olhos dele? Era tão óbvio! Já posso até imaginar vocês dois sendo o casal mais amorzinho daquela faculdade, todos querendo ter um relacionamento como o de Victor e Yuuri e... Ou melhor! Victuuri! O nome de casal de vocês não é perf-”

“Phichit pelo amor de Deus!” o japonês o interrompeu, e Chulanont parou de falar. “Nós não somos um casal... E não vamos ser um casal, okay?”

O tailandês deu de ombros, claramente derrotado.

“Tudo bem, não vamos falar mais disso por enquanto.” Phichit levantou ambas as mãos em sinal de rendição. “Então... que tal comermos o que sobrou do katsudon?”

Yuuri sorriu e concordou, ainda que soubesse que aquilo não sairia de sua cabeça tão cedo, talvez fosse bom se distrair um pouco. E sua maior distração sempre foi a comida.

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Desde o sábado em que conheceu Yuuri, os dias pareciam passar mais alegres e menos tediosos para Victor. Visitar o apartamento ao lado, ouvi-lo tocar e conversar com ele tornava sua rotina mais leve de se levar, e não raramente sentia vontade de sentar-se ao seu lado e repousar a cabeça sobre seu ombro e apenas ficar ali, apreciando sua presença. Era isso que Chris chamava de paixão? Se sim, agora Victor tinha certeza de que o sentimento era bom.

As aulas haviam acabado de retornar, e por um milagre conseguiu entregar o artigo que passou a última semana enrolando para escrever. E para seu desprazer, era quase impossível encontrar tanto Yuuri quanto Phichit em meio aquele mar de alunos. Foi apenas no quarto dia em que vira os dois, sentados perto do jardim da universidade. Yuuri sorria de forma doce para o amigo, rindo baixo vez ou outra. Os cabelos negros bem arrumados e os óculos sempre decorando seu rosto, mas havia algo a mais que Victor notou ali: o Katsuki estava sentando em baixo de um pé de cravos brancos, as flores quase tocando seus cabelos enquanto eram balançadas pelo vento.

Victor não conseguia achar que era apenas uma coincidência. E muito menos deixar de sorrir diante da cena.

Agarrando com força a alça de sua mochila, se aproximou dos dois amigos, que apenas o notaram quando já estava bem próximo.

“Bom dia garotos.” cumprimentou, e foi recebido por dois sorrisos radiantes. “Eu não encontrei vocês aqui nos últimos dias, quase achei que tinham mentido sobre estudar aqui.”

“Como se nós fossemos mentir pro cara mais popular da faculdade, né?” Phichit retrucou e riu. “Oh, eu tenho compromisso em cinco minutos, vou ter que abandoná-los.”

“Oh, sério?” Victor arqueou ambas as sobrancelhas, e Yuuri olhou o amigo. Phichit não tinha dito que tinha algum compromisso, e não o estava deixando só por que Victor estava lá? Phichit não estava fazendo isso, certo? “Pode deixar que eu cuidarei bem do Yuuri.”

“Confio minha vida nisso!” o estudante de Publicidade respondeu e piscou para o Katsuki. Oh Deus, Phichit realmente estava fazendo aquilo e agora Yuuri não sabia o que sentir em relação aquele traidor, apenas o observando se afastar.

E depois que o rapaz se afastou, os dois que continuaram ali caíram em um silêncio estranho. Não chegava a ser incômodo, mas ainda assim não era confortável. Era como se quisessem dizer algo um ao outro, mas não achassem palavras boas o suficiente. Victor se sentou ao lado de Yuuri, procurando algo para dizer. Yuuri foi mais rápido.

“Estou trabalhando em uma música original.” Disse, e Victor pareceu surpreso por ele ter iniciado a conversa. “Ainda não está bom o bastante, mas bem... Você deve ter ouvido alguma coisa do seu apartamento nos últimos dias. Só espero não estar atrapalhando os vizinhos.”

“Isso é incrível, Yuuri!” o futuro medido exclamou, os olhos parecendo brilhar. “Tenho certeza que ninguém se sentiria incomodado com você tocando, é tão lindo.” Bem, talvez houvesse alguém que não gostava, mas Victor nunca viu ninguém reclamar. “Eu poderia ouvir?”

“Bem, eu não sei... Phichit não vai estar em casa hoje e...”

“Eu particularmente não me importo em ficar sozinho com você, Yuuri.”

Ah.

Talvez fosse um pouco cedo demais.

Yuuri desviou o olhar, desta vez não só as bochechas, mas o rosto completamente tomado pelo rubor. Ele queria mostrar sua música para Victor, mas ficar sozinho com a pessoa que havia lhe feito sentir borboletas no estômago desde a primeira vez que pisou naquele campus não parecia uma idéia tão boa.

“Desculpe Yuuri, estou parecendo intrometido não é?” o Nikiforov riu, balançando as mãos. “Podemos esperar outro dia, quando Phichit estiver em casa. Eu não me importo.” Sorriu, passando a mão sobre os cabelos negros do outro. Yuuri sentiu seu corpo inteiro formigar com o toque.

Era suave, cuidadoso, e acima de tudo, era bom.

Oh céus, aquilo estava saindo de controle. O que Yuuri tinha por Victor era apenas um crush — de três anos, mas isso era detalhe —, e nada mais do que isso, não poderia passar disso. O russo sempre estava cercado de pessoas, e de pessoas tão bonitas, nunca olharia para ele e…

“Pare de pensar nisso, Yuuri!” disse para si mesmo, um pouco mais alto que gostaria, e notou que Victor o encarava, confuso.

“Pensar em que?”

“A-ah... É... Na prova de semana que vem!” uma meia verdade, afinal, ele realmente tinha uma prova para a próxima semana. “Não se preocupe, não é nada de importante, eu estou só preocupado. E... Você pode ir ao meu apartamento hoje... Me ver tocar.”

Victor sorriu e seu rosto inteiro pareceu se iluminar. Yuuri não conseguia parar de pensar no quanto aquele homem era bonito.

“Eu vou adorar!” quase gritou, abraçando o japonês num impulso. Katsuki também se controlou para não gritar, mas não pode deixar de notar o quanto o corpo de Victor era quente, gostoso de se estar. “Estarei lá Yuuri, pode contar isso!”

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Victor era muito exagerado às vezes, e ninguém duvidava disso. As roupas que ele usava eram um grande exemplo disso, para ir à faculdade, ele parecia ir a um desfile, mas ainda assim, estava surpreso consigo mesmo por ter passado numa floricultura. Não havia por que comprar flores para Yuuri, aquilo não era um encontro, ele apenas o ouviria tocar, nada além disso.

Não era um encontro.

E ele não iria beijar Yuuri.

Mas ele queria, ah como queria.

Ajeitando sua camisa, ele rumou novamente para o apartamento dos dois amigos, dessa vez, sem Maccahin. O cão estava dormindo e não tinha coragem de acordá-lo, ainda que achasse que Katsuki se sentiria mais confortável com o poodle ali.

Mais uma vez em frente aquela porta, deu três batidas. Era sempre assim quando ia até ali. Não precisou esperar muito para que Yuuri, do outro lado, dissesse que estava aberta e que Victor podia entrar. Nikiforov suspirou, girando a maçaneta e adentrando o lugar. O cheiro agradável de lavanda foi aspirada assim que se viu no inteiro.

Yuuri acenou, sentado no banco próximo ao teclado. Victor sorriu, se aproximando.

“Eu trouxe para vocês.” Disse, estendendo as flores. Yuuri o encarou, para encarar as flores em seguida e encará-lo novamente, antes de aceitar. “Eu vi que tinham cravos aqui, e você estava sentado embaixo de uns na faculdade, imaginei que gostasse.”

“V-Victor.” Yuuri sibilou, pegando as flores com as mãos trêmulas. Um sorriso terno surgiu nos lábios finos e Victor se perguntou se fazer um pedido de casamento naquele momento soaria muito invasivo. “São minhas flores favoritas, obrigado!”

“Fico feliz que tenha gostado, Yuuri.” Ele observou o outro se levantar, cheirando-as antes de colocar em um vaso vazio, na cozinha. Yuuri parecia feliz, radiante com o presente. “Comprei porque elas combinam com você. Cravos brancos significam talento, inocência.” Bem, Victor resolveu ocultar a parte do amor pura. Não tinham motivos para ir rápido demais.

“Não seja exagerado, você está parecendo o Phichit.” Katsuki riu, voltando a se aproximar no teclado e se sentando. Ele olhou Victor de pé e pareceu pensar um pouco. O banco era longo, afinal de contas... “Por que não senta aqui comigo? Acho que você poderia ouvir melhor.” Se Phichit estivesse lá, com certeza estaria orgulhoso — e talvez fotografando.

Victor ficou sem reação por um momento, antes de sorrir abertamente e se sentar. Era um pouco apertado com os dois juntos, mas ainda assim, ali, ele podia sentir o calor do corpo do Yuuri. Era confortável, bom estar ao lado dele. E pensou que iria surtar, quando Yuuri retribuiu seu sorriso.

“Surpreenda-me, Yuuri.”

“Eu irei.”

Yuuri se voltou para as teclas, deixando a pontas de seus dedos dançarem por cada uma delas antes de começar a tocar. As primeiras notas soaram tímidas, para depois se tornarem uma melodia sólida, bonita. Victor fechou os olhos, apreciando a música a cada segundo, ele sentia que poderia chorar a qualquer momento, levando em conta a carga sentimental que sentia em cada toque de Yuuri sobre as teclas.

Já Yuuri seguiu o exemplo de Victor, fechando os olhos enquanto seus dedos deslizavam sobre as teclas. Era sua primeira música autoral, e ainda que soubesse que tinha muito a melhorar, sentia-se pleno em ter alguém além de Phichit ao seu lado, apreciando sua música.

E quando ele finalizou, tinha a certeza que havia feito um bom trabalho — essa certeza era rara, e, por isso, muito importante para Yuuri. Sorrindo, se voltou para Victor que tinha uma lágrima presa em cada olho. O japonês quase pediu desculpas por isso, antes de ser, novamente, abraçado com força pelo mais velho. Aquilo o pegou de surpresa, mas não era uma surpresa ruim.

“Yuu-ri, isso foi lindo demais!” o russo choramingou. “Havia tanto amor em cada nota, eu... Eu simplesmente adorei!” continuou, se afastando para olhá-lo nos olhos.

“Obrigado, é muito importante para mim que tenha gostado, de verdade.” Katsuki riu baixo, coçando os cabelos. “E bem, havia amor sim, a música é sobre isso, afinal de contas... Sobre os tipos de amor que senti durante a minha vida.” Revelou, e Victor pareceu subitamente mais interessado. “Estive pensando em incluir um violino, mas sei lá...”

Ah, Victor sabia tocar violino. Não o fazia desde que entrou na faculdade, mas sabia.

“Eu sei tocar, posso te ajudar.” Ele se ofereceu, e Yuuri arregalou os olhos, entre surpreso o inclinado a aceitar. “Isso seria ótimo, mas eu não gostaria de te atrapalhar e...”

“Não tem problema nenhum Yuuri, eu adoraria te ajudar. Claro que estou meio enferrujado.” Victor riu, e tornou a se aproximar do japonês. Ele não de afastou, para a felicidade de Nikiforov. “Mas se eu fosse sincero, gostaria que você me adicionasse a essa música.” Falou, e o outro pareceu congelar por um momento, com os lábios entreabertos. Mas ainda assim, manteve-se perto. “Se não for um problema, claro.”

“Talvez... Talvez não seja.” Yuuri respondeu um pouco hesitante, seu coração batendo descompassado dentro de seu peito. Seu corpo estava quente, mas não era ruim. “Na verdade, seria um prazer, Victor.” sorriu.

Aquele sorriso estava se tornando a perdição de Victor, e ele queria beijar aqueles lábios rosadinhos. Mas preferia não parecer, exatamente, invasivo. Queria dar a Yuuri todo o tempo que ele precisasse.

“Meu violino deve estar no meio das minhas tralhas, posso ir procurar agora mesmo.” O russo fez menção de se levantar, mas Yuuri segurou a barra de sua camisa. Se voltou para o japonês, este que parecia novamente tão vermelho quanto um morango — e ele gostava de morangos.

“Não precisa ir... Não agora.” Sussurrou, e Victor se sentiu incapaz de dizer não para aquele pedido.

“Yuuri, definitivamente eu vou acabar me apaixonando por você desse jeito.” Victor se riu, e o Katsuki, ainda que envergonhado, o acompanhou. Como se ele já não estivesse apaixonado.

E novamente os dois estavam lá, um ao lado do outro em silêncio. Desta vez, porém, bastante confortável. Não era como se quisesse dizer algo e não soubessem o que, era mais como se não houvesse nada a ser dito. O silêncio, no entanto, não chegou a durar muito, sendo quebrado por Yuuri.

“Não seria ruim.” Murmurou, e Victor arregalou os olhos azuis antes de seu rosto ser decorado por uma expressão extremamente satisfeita.

“Wow!” Victor exclamou, o sorriso de coração estava lá. “Yuuri, você me fez ter vontade de te beijar aqui e agora!”

O coração de Yuuri bateu ainda mais rápido, e ele suspirou profundamente. Victor Nikiforov, o homem que, desde que viu pela primeira quisera conhecer, ter um contato mais íntimo, queria beijá-lo. Yuuri definitivamente não estava preparado para isso, mas ainda assim, poderia ser sua primeira e única oportunidade — mas sinceramente, esperava que isso se repetisse.

“Eu não veria problema.” Respondeu com um sorriso tímido em seu rosto, para sentir em seguida Victor tocar suas bochechas. As mãos dele eram frias, mas Katsuki simplesmente não se importava.

Quando Victor se inclinou, Yuuri fechou os olhos, sentindo o hálito doce do outro contra seu rosto antes dos lábios se unirem com cuidado, e principalmente, carinho. Aquilo não era mais que o selinho, e dos dois tinham consciência disso, mas não conseguiam explicar a sensação que percorreu seus corpos com nenhuma palavra senão extraordinária. Eles se separaram assim que acabou, e ainda assim continuaram ali, de olhos fechados, com as testas coladas e os rostos bastante próximos.

Victor foi o primeiro a quebrar o silêncio, com um riso baixo.

“Isso foi bom.” Disse, baixinho. “ E eu adoraria poder me acostumar.”

Yuuri também riu, um pouco mais tímido. Se Victor estivesse com os olhos abertos, verias os lábios dele se movimento em um “eu também” mudo, antes que ele se afastasse. Só aí os olhos azuis do Nikiforov voltaram a ter contato com a luz. E apesar de não ter ouvido o outro dizer algo bom em relação ao beijo não se sentia decepcionado. Cada pessoa tinha seu próprio tempo, e ele saberia respeitar o de Yuuri.

“Então...” Yuuri começou. “Que tal começar a pensar onde entramos com o violino?”

Victor sorriu.

“Quando você quiser, Yuuri.”

3 de Junio de 2018 a las 01:46 1 Reporte Insertar 3
Fin

Conoce al autor

Kokoro Tsuki Apenas uma mina que escreve, escreve e escreve e nunca termina nada.

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Machadorisos . Machadorisos .
Aaaaaa eu tô muito fora de mim! Como assim acabou na melhor parte? Eu não quero! Eu não vou aceitar! Já tava imaginando várias coisas e a fic acabou, e u juntando meu coração quentinho com a vontade de guardar o Yuuri em um potinho, é muito nenê esse bolinho, gente! Eu amei a fic! Descreveu bem os personagens, seus sentimentos e personalidades! E eu adoraria ler mais de seus trabalhos sobre eles!
3 de Junio de 2018 a las 10:11
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