Sob as estrelas Seguir historia

kokorotsuki Kokoro Tsuki

Midorikawa não tinha quase nada, mas aquilo que ele tinha lhe era importante. Tatsuya também não tinha quase nada, mas ele tinha amigos. E ver as estrelas com Midorikawa fazia sentir como se ele tivesse tudo. | HiroMido | One-Shot | IE Ares |


Fanfiction Anime/Manga Todo público.

#Inazuma-Eleven #Ryuuji-Midorikawa #Tatsuya-Kiyama #HiroMido
1
4.8mil VISITAS
Completado
tiempo de lectura
AA Compartir

Eu prometo de dedinho que veremos as estrelas juntos

Tatsuya observou a maneira que Ryuuji dormia, ressonando baixinho em sua cama, virado de lado enquanto um fino filete de baba deixava seus lábios. Uma mão sobre a pele descoberta da barriga, sua camiseta verde-musgo levemente levantada, enquanto a outra se encontrava jogada contra o rosto de Osamu que sequer se mexia.

O ruivo o achava bonitinho quando estava dormindo, o biquinho que se formava em seus lábios quando ele murmurava alguma coisa inteligível durante o sono. O amigo havia ido dormir chorando aquela noite, depois das insistentes provocações de Hiroto. Suspirando, ele acariciou os cabelos curtinhos e esverdeados do outro.

Aos oito anos de idade, Tatsuya não conseguia entender como uma criança conseguia ser malvada com a outra. Mas crianças com pais costumavam ser assim, por algum motivo, então Tatsuya Kiyama prometeu a si mesmo que, se um dia tivesse um papai e uma mamãe ele jamais zombaria de quem não tem. Porque dói não ter.

Um dia eles seriam tão amados quanto qualquer criança deveria ser. Hitomiko havia dito isso um dia, e essas palavras grudaram em sua cabeça e não sairiam mais.

Tocando com as pontas dos dedos nas bochechas gordinhas de Midorikawa, ele viu o outro abrir os olhos negros lentamente, depois de piscar algumas vezes. Kiyama se desesperou levemente com isso.

— Tatsuya…? — o outro perguntou, sua voz soando baixinha enquanto ele esfregava os olhinhos com sono. — Que foi?

— Eu não queria te acordar… — ele respondeu, levantando ambas as mãos em um sinal de defesa. Ryuuji riu, se sentando sobre o colchão.

— Tudo bem, acontece. — respondeu, bocejando em seguida. Os dois eram os únicos acordados ali, os roncos de Nagumo bastante audíveis no quarto. — Não consegue dormir?

— Eu tô sem sono. — encolhendo os ombros, ele disse em um tom baixo, saindo de seu próprio colchão para se sentar junto ao amigo. — E você tá bem?

Ryuuji piscou mais algumas, como se tentasse se lembrar do motivo da pergunta, ou como se a pergunta em si o incomodasse. Desviando o olhar, ele pareceu pensar.

— Eu não ligo pro que ele diz. — disse em resposta. Mentira, estava completamente estampado em sua cara que ainda estava magoado.

Tatsuya inflou as bochechas, bufando. Ele deu um peteleco na cabeça do outro.

— Mentiroso! — resmungou, e Midorikawa riu, um pouco mais alto que deveria, tendo a boca tapada por Tatsuya em seguida. Eles não queriam acordar ninguém e levar uma bronca depois.

Quando o ruivo retirou a mão da boca do amigo, os dois estavam sorrindo de forma silenciosa, quase como se pudessem ler os pensamentos um do outro.

— Vamos ver as estrelas? — o ruivo sibilou, bem baixinho para que ninguém além dos dois ali ouvisse. Ryuuji abriu um sorriso ainda mais largo, se é que aquilo fosse possível.

Aquele era um segredo dos dois. Bem, antes de Midorikawa chegar era apenas de Tatsuya.

O Kiyama estava ali desde que nasceu, um pequeno bebê abandonado ao relento, sem amor, sem carinho em uma noite fria qualquer de novembro. Ele cresceu no orfanato do sol, conhecia cada mínimo detalhezinho daquele lugar que estava acostumado a chamar de casa, e, um belo dia, ele resolveu ver as estrelas. Claro, Tatsuya era apaixonado pelos astros desde que ainda mal andava sozinho, mas, naquela noite, ver uma estrela cadente cruzando os céus decorado por pequenos pontinhos aumentou seu amor.

E ele fez um desejo, ter um amigo. Uma semana depois, Midorikawa chegou, os olhos negros esbugalhados, assustados, alguns curativos em seu rosto e um braço engessado, um órfão chorão que não conseguia dormir. Até que em uma noite em particular, Tatsuya o convidou para rir até o teto, escondidos de todos. E mesmo desconfiado, o garoto aceitou.

Foi a primeira vez que viram as estrelas juntas. A primeira de muitas que ficaram encantados com aquele brilho que decorava o céu escuro, e que as mãozinhas se tocaram mesmo sem querer. Três anos se passaram desde aquilo, e mesmo assim a magia parecia a mesma.

Tatsuya sempre pensava no quanto os olhos de Ryuuji brilhavam como se fosse a primeira vez, nas exclamações alegres dele, e como queria vê-lo daquela maneira todos os dias de sua vida.

— Um dia… — o ruivo começou, e Midorikawa o fitou. — Nós vamos ter uma casa beeeem grande com uma varanda enorme, e um telescópio! — ele dizia, animado. — E vamos poder ver o universo inteiro!

— Inteiro? — Ryuuji riu, e lá no fundo, não tão no fundo assim, o outro amava esse riso. — Você promete?

Promessas eram coisas muito importantes — Hitomiko havia dito — e não podiam ser quebradas. Você só poderia prometer algo se fosse cumprir, essas palavras nunca sairiam de sua cabeça.

Mas aquela Kiyama tinha a certeza de que iria cumprir.

— De dedinho. — Tatsuya disse, estendendo o mindinho para Ryuuji entrelaçar o seu, o que foi feito sem demora. Eles não disseram uma única palavra, mas a promessa estava selada ali.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

Ryuuji suspirou, colocando a última caixa de papelão cheia de livros — de astronomia — sobre o assoalho de madeira do casarão, olhando em volta para toda aquela bagunça de mudança. Ele nem queria pensar em mexer nas demais caixas empoeiradas ou nos móveis sem montar. Preferia deixar aquilo para o dia seguinte, já estava tarde, afinal de contas.

Ele secou um pouco do suor de sua testa, os fios verdes um pouco colados contra a pele branca. Estava cansado, mas observar a cada nova fazia tudo valer a pena.

— Amanhã nós vamos ter muito trabalho, pelo jeito. — Midorikawa sorriu para o ruivo que se aproximava com algumas malas. — Masaki vai ter que nos ajudar. — disse, e fitou o garoto de cabelos azuis que vinha ao seu lado, uma mochila nas costas e os braços atrás da cabeça.

Aham. — o garoto respondeu, depois se voltou para Ryuuji. — Papai, o pai quer me fazer de escravo.

Midorikawa piscou alguma vezes, antes de começar a rir.

— Ajudar seus pais não é fazer trabalho escravo, Masaki. — ele disse, e o adolescente resmungou alguma coisa. — Agora é melhor você ir tomar um banho mocinho.

— Pra vocês se pegarem? — Masaki perguntou, fazendo cara de nojo. Os dois adultos coraram. — Credo. — resmungou, ainda que tivesse obedecido.

Assim que o filho saiu de vista, eles se encararam, rindo com a ousadia daquele garoto. Masaki Kariya estava com eles já a cinco anos, mas era como se fosse uma vida toda.

Talvez fosse.

Tatsuya se aproximou, depositando um leve beijo sobre os lábios do esposo, que foi correspondido sem hesitação alguma. Demorou — uns dezesseis anos —, mas ele cumpriu a promessa, porque agora eles tinham uma casa grande, com uma varanda enorme e um telescópio que os deixava observar cada detalhe daquele céu noturno. Cada mínima estrelinha que parecia abençoar aquela união e aquela família.

Naquela noite, sob as estrelas, Tatsuya prometeu que iria amar os dois para sempre.

3 de Junio de 2018 a las 01:33 0 Reporte Insertar 0
Fin

Conoce al autor

Kokoro Tsuki Apenas uma mina que escreve, escreve e escreve e nunca termina nada.

Comenta algo

Publica!
No hay comentarios aún. ¡Conviértete en el primero en decir algo!
~