stefs Queen The Vampire

Clara nunca esqueceu das palavras da melhor amiga. Nunca deixou de lado o sentimento de culpa ao ver os olhos de Brandon se fechando. Mesmo que ele estivesse sorrindo, ela sabia que aquilo jamais poderia ser esquecido. Sabia que aos olhos da sociedade, sua família perfeita passava pelo luto, mas a verdade era outra. Nada poderia escapar da impunidade conhecida como pai, do desespero relacionado à sua mãe, além da tristeza fixa em seu coração. Crédito da imagem: Kuvshinov Ilya https://www.patreon.com/posts/window-1695466



Cuento Sólo para mayores de 18.

#drama #amizade #friends #angst #song
Cuento corto
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Lágrimas não são argumentos

Notas do capítulo: Trechos da música que aparece ao longo do capítulo: Youth - Shawn Mender(feat. Khalid)

Spin-off pertencente a história Contos nada aleatórios, todos de minha autoria.


ALERTA: MENÇÃO DE SUICÍDIO, PROBLEMAS EMOCIONAIS, DEPRESSÃO E TRISTEZA.


"As devastações me consomem mais uma vez, meu coração está partido, mas continuo seguindo em frente

Dói, mas não vou deixar que se transforme em ódio

Não, eu não vou deixar isso me mudar
Nunca perderei de vista quem eu sou por dentro
Agora eu sei disso
Sim, eu sei

Você não pode levar minha juventude embora
Essa minha alma nunca vai se quebrar
Enquanto eu acordar para um novo dia..."


Eu nunca superei aquela noite, até hoje tenho pesadelos que me levam aos gritos e talvez se eu tivesse chegado antes, se tivesse percebido aquela imensa falha, só por um segundo ele ainda estaria aqui. Funguei mais uma vez deitada em minha cama, há exatos treze dias que não consigo sair desse quarto, o enterro, fora última coisa que vi e a última vez que tive contato com os meus amigos.


— Clara, por-favor me deixa entrar... -– a voz de Meg ecoou pelo meu quarto escuro.


— Vai embora, eu quero ficar sozinha! – bradei com o pouco de força que ainda me restava no peito no fundo, eu queria morrer, queria me juntar ao meu adorado irmão. Brandon possuía a força e a esperança que eu nunca tive, quando mais novo ignorou as obrigações e o futuro premeditado criado por nosso pai e simplesmente laçou-se ao mundo em questões de dias o meu irmão havia sumido de Alamed o que deixou todos preocupados afinal ele era um Hudson e o herdeiro principal do império materializado por nosso pai. Lembro-me como se fosse hoje o desespero estampado na face do meu progenitor ao encontrar a carta descrita como até um dia desses, família. Quem diria que agora essas palavras que um dia me encheram de esperança agora me faziam chorar.


— Clara, por-favor, eu não vou deixá-la. Você é como uma irmã pra mim. – Meg sussurrou e eu não me mexi, ao invés disso abracei apertado os pertences que meu irmão havia deixado para mim, fechei os olhos e lembrei de suas últimas palavras:

"Minhas escolhas me trouxeram até aqui, por-favor não cometa os mesmo erros Clara, a sua liberdade depende apenas de você."


Eu corri desesperadamente ao ouvir aquilo e vê-lo em cima da grade da ponte me fez gritar em desespero, Brandon não me escutou, fechou os olhos e lançou-se nos braços da morte e naquela noite as estrelas ganharam mais um irmão, o sorriso em sua em face denunciava sua paz de espírito e o remorso novamente invadiu minha consciência.


"Porque Brad, por que você não me esperou?" -- Funguei novamente e senti meus olhos arderem conforme as lágrimas umedeciam meu travesseiro. Desde a morte do meu irmão eu tentei me matar diversas vezes e sei que, no fundo, o que sinto é medo e por isso continuo de pé, pois sou uma covarde. Respirei fundo e fechei meus olhos, eu precisava dormir nem que fosse por algumas horas, já que eternamente seria tão impossível quanto esquecer do sorriso tranquilo e da face serena de Brandon.


[...]


A brisa gélida fez com que eu me encolhesse na cama, porém mantive meus olhos fechados, na verdade, não lembro qual foi à última vez em que abrir as janelas desse lugar, senti meus fios curtos serem alisados e meu coração acelerou em minha mente fadigada a projeção do espírito de meu irmão e sua companhia me fez sorrir, levei minha mão sobre a sua e não pude deixar de me sentir protegida suspirei meio a sorrisos com uma possibilidade tão ingênua e ao respirar profundamente um perfume amadeirado com fundo de bergamota invadiu o local e delicadamente abri meus olhos, eu conhecia aquela essência como ninguém.


— Tay, o que faz aqui? –- Encarei o sorriso no rosto do moreno de pele clara, Taylor ao invés de me responder deitou-se ao meu lado e me abraçou com força.


— A Meg e a Susan acamparam do outro lado da porta e por mais que você diga que não quer companhia, eu não me importo, eu sei o quanto está sofrendo Clara -– a voz dele soou como uma melodia em meus ouvidos, eu não queria demonstrar mais fraqueza do que demonstro normalmente Taylor respirou fundo sob meus cabelos enquanto acariciava meu braço esquerdo. -– Há quanto tempo você não toma um banho?


— Tay, por favor, me deixa em paz –- sussurrei.


— Sinto muito, mas não posso fazer isso e sei que Brad odiaria te ver assim, ele não arriscou tudo para te libertar dessa relação abusiva em que vive com seus pais para você definhar sobre essa cama. Então Clara Hudson acho melhor você levantar dessa cama e tomar um banho do contrário os hambúrgueres que eu trouxe vão esfriar. —- As palavra de Taylor soaram como o mais profundo nada, eu me sentia vazia e sem esperanças ou vontade de fazer qualquer outra coisa que não fosse chorar, meu amigo suspirou e me olhou nos olhos, não havia pena em seu olhar e sim um misto de fúria e indignação. -- Clara Hudson, eu não escalei essa porra dessa varanda à toa, muito menos me arrisquei para você ficar deitada nessa cama com pena de si mesma.


— Eu não te pedir para vir até aqui – por mais duras que fossem minhas palavras, eu não queria ficar sozinha, Taylor se afastou e passou as mãos pelos cabelos, me encarou novamente, sorriu com malícia antes de se aproximar novamente.


— Tudo bem, quer saber? Foda-se! Eu acho bom mesmo que o Brandon tenha morrido, só assim ele não se depara com esse estado ridículo em que você está. Aposto que ele deve estar sentado no colo de satã resmungado algo do tipo: "Porra Clara, foi só eu partir para você virar essa criancinha desesperada por atenção, antes eu tivesse deixado você se jogar da ponte e voltar para minhas ações *gângster..." -- Taylor deu uma leve gargalhada enquanto proferia palavras tão cruéis o que me encheu de raiva, ele conhecia a trajetória do meu irmão, sabia da verdade por trás de todos os nossos problemas e ainda assim estava tirando sarro! Como ele conseguia ser tão cruel? Como pode dizer tais palavras sabendo de tudo o que passei e ainda passo nessa casa? Respirei fundo ao enxugar minhas lágrimas enquanto sentia um misto de fúria e frustração toar conta de mim.


— Sai daqui Taylor, você é um maldito que só se preocupa com você! -– juntei as minhas poucas forças e me levantei da cama, meu amigo manteve-se encostado na parede direita do quarto próximo à varanda, caminhei até ele e olhei-o com raiva no fundo, a minha vontade era de arremessá-lo para fora do meu quarto.


— Você está com raiva, não está? -– Perguntou com um ar travesso e eu assenti -– Ótimo, finalmente consegui despertar alguma coisa em você, agora vamos tomar um banho -– Taylor não esperou pela minha reclamação, apenas me jogou sobre o ombro como um saco de batata e caminhou até o meu banheiro ao acender as luzes senti meus olhos arderem, ele me colocou no chão e me segurou pelos ombros me forçando a ficar de frente para o espelho -– Essa não é você Clara, Brandon fez as próprias escolhas e por mais que doa e que você o ame incondicionalmente precisa entender que a culpa não foi sua e que uma hora terá que seguir em frente ao invés de continuar definhando.


Taylor me largou ao meu próprio reflexo que consistia em uma aparência abatida, suja e vergonhosa, encheu a banheira e trancou a porta com calma meu amigo tirou a jaqueta jeans que vestia, dobrou a calça até o topo da panturrilha segurou em minha mão e com toda a calma do mundo me guiou até a banheira, conforme fui afundando naquela água quente senti como se um peso saísse de minhas costas.


— Por que você está fazendo isso depois de tudo o que passamos? -– Sussurrei ao lembrar de nossas últimas desavenças, eu e Taylor havíamos nos envolvido, porém eu estava confusa demais com meus sentimentos por Meg em minha cabeça eu não poderia amar a ambos, então resolvi por um fim em tudo, o problema foi que eu o magoei e quando percebi o tamanho da besteira que fiz já era tarde demais.


— Você lembra do que eu te disse quando estávamos na sua cama naquela fatídica noite? -– Assenti e ele continuou. -– Eu deixei claro que independentemente do que acontecesse, eu estaria aqui para você -– ele segurou em meu vestido molhado e levemente manchado e pediu para que eu o tirasse, Taylor puxou o pequeno laço das costas e eu terminei de me despir.


— Eu sinto muito – sussurrei novamente ao olhá-lo nos olhos.


— Não sinta, no fundo, eu precisava daquilo -– ele sorriu amavelmente e afagou meus fios novamente. -– Quando minha mãe morreu eu me transformei naquele que tanto odeio e ouvir dos seus lábios a confirmação me fez perder, lembro que naquela noite eu corri desorientado pelas ruas de Alamed até parar num beco escuro e cheio de pessoas sorrindo a verdadeira casa do sexo, drogas e abatedouro, eu tirei do meu bolso a carteira e paguei para que me dessem uma boa surra eu só queria morrer e nem com todo o sangue que jorrou do meu corpo foi suficiente. –- Taylor pegou a esponja-de-banho e ensaboou minhas costas, eu encostei minha cabeça na ponta de sua coxa esquerda e por alguns segundos resolvi fechar meus olhos deixando as lembranças de Taylor totalmente destruído invadirem a minha mente.


— E depois você veio parar na minha cama ensanguentado e sorrindo –- completei sua frase.


— E você cuidou de mim, Clara, podia muito bem ter chamado meu pai a ambulância ou simplesmente me mandado pro inferno, mas não, simplesmente cuido de mim. Então me deixe fazer o mesmo por você, eu vou buscar uma roupa pra você. -– Taylor saiu do banho e eu continuei dentro d'água, me livrei do resto das roupas íntimas e banhei-me tranquilamente, percebi que ele estava demorando demais para retornar e peguei meu roupão pendurado no gancho da parede e vesti, saí da banheira e caminhei até meu quarto.


— Tay? -– Meu quarto estava aceso e as portas do meu closet estavam fechadas, dei alguns passos até lá e abri a porta.


— Desculpa Clara, mas elas se importam com você tanto quanto eu –- olhei para o meu amigo que sorri abraçado as minhas fiéis companheiras, do lado esquerdo estava Susan com seu olhar vago e entristecido e do lado direito Meg, seu rosto levemente inchado e cheio de culpa. -– Eu sei que sou o suficiente, mas não vou deixar que sua dor se transforme em ódio. -– Taylor sorriu e antes que eu pudesse dizer alguma coisa, os abraços vieram até mim e ao sentir o carinho de todos por mim, eu compreendi que nunca estaria sozinha e mesmo quebrada eu tinha pessoas ao meu lado na mesma situação e que estavam dispostas a dividir seus fardos, estavam dispostas a me perdoar e a me ajudar a se reerguer. Saímos do closet e eu não me preocupei em me vestir, ao invés disso permaneci naquele roupão limpo sem me importar, só senti meu estômago roncar evidenciando a fome que até então estava adormecida há 10 dias, nos sentamos na cama e comemos os hambúrgueres que Taylor trouxe a porta do meu quarto agora estava destrancada e minha tia Mira nos encarava encostada na parede ao lado direito da porta.


— A senhora não quer se juntar a nós? –- A voz de Susan saiu um pouco mais aguda que o normal e minha tia sorriu, pude enxergar em seu olhar a emoção, talvez por eu não estar mais sozinha ou simplesmente porque se colocou no lugar de cada um de nós, pessoas emocionalmente destruídas e afetadas por famílias desequilibradas.


— Eu não quero estragar a diversão de vocês, na verdade, eu vim agradecer. Muito obrigada por ficarem ao lado dela – todos sorriram ao olhar para minha tia. -– A juventude é a melhor época e enquanto vocês tiverem uns aos outros sei que poderão caminhar lado a lado.


Minha tia saiu do quarto e fechou a porta e enquanto conversávamos eu discretamente olhei para cada um deles, cada rosto que por mais que esbanjasse sorrisos escondiam sua dor e seus problemas, estávamos quebrados e tentando seguir em frente, nossos problemas não se equiparavam a nossa idade e apesar de tudo tentávamos não deixar nossa juventude para trás.



"Você me atingiu com palavras
Que eu nunca ouvi sair da sua boca
Para ser honesto
Eu não quero isso, não"



*Gângstar - é um termo usado pelo personagem no livro, e por falar nele, foi retirado para correção e quem sabe um dia retorne.

18 de Enero de 2024 a las 00:33 0 Reporte Insertar Seguir historia
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Fin

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Queen The Vampire Sejɑ bem vindɑ ɑ tempestɑde, ɑcostume-se com ɑ loucurɑ e descobrirά que elɑ pode ser muito mɑis fάcil e tolerάvel do que ɑ monotoniɑ - Queen the Vɑmpire

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