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Bleeding out

Bakugou x Uraraka


Bakugou Katsuki estava puto, de uma forma, que nem mesmo Deku conseguia deixá-lo. Corria com todas as forças que lhe restava, e embora não fosse muita, teria que ser mais do que suficiente, para que conseguisse procurar ajuda, e ainda por cima, falar algumas merdas àquela maldita garota. A cidade estava um caos, destroços para todos os lados, helicópteros sobrevoando pelo céu, pessoas correndo para longe do incidente, e uma infinidade de herois que se espalhavam pelas ruas, tentando controlar a multidão, e ajudar no que fosse necessário.

Conforme percorria os obstáculos, Bakugou sentia as próprias roupas umidecerem, e não se tratava de seu suor, e sim, do sangue de Uraraka Ochako, que lenta e assustadoramente, ganhava cada vez mais terreno. O loiro trincou os dentes, xingando-a mentalmente de um milhão de nomes, enquanto decidia-se entre continuar olhando para frente, concentrado no trajeto, ou, checar o estado da garota em seus braços. A respiração dela estava tão irregular quanto a dele, contra seu pescoço; a diferença era que enquanto a Bakugou era ruidosa e irritadiça, a de Ochako estava superficial. Ele apertou-a com mais força, como num pedido silencioso de que aguentasse, de que ficaria tudo bem; ele se responsabilizaria por isso, pois, que tipo de heroi seria ele, se não conseguisse salvar a garota que o salvou?

A simples lembrança daquele momento fez seu sangue ferver, onde a breve distração dele, o colocou ao alcance do vilão, e ainda que estivesse pronto para receber o dano, Uraraka apareceu como num passe de mágica em meio ao golpe, usando de sua habilidade para tirá-lo do alcance, e for fim, resultando naquele ferimento horrível, recebido por causa dele. Ainda que seu corpo fosse treinado para batalhas, e estivesse habituado a mover-se livremente, pela primeira vez em meio a uma luta, Bakugou não soube como reagir; apenas ficou observando-a cair em câmera lenta, inerte, com a roupa tornando-se vermelha. Seus ouvidos pareceram fechar-se para o mundo, e para aqueles que gritavam seus nomes; seu olhar ficou vidrado em Ochako, até que ela moveu-se quase imperceptivelmente, e Bakugou, sem um segundo de hesitação, tomou-a nos braços, dando as costas a toda comoção, que ele, sinceramente, estava pouco se fodendo agora.

Podia até mesmo imaginar a expressão de todos eles, chocados pelo papel de idiota que havia feito, sendo salvo por uma garota, justo aquela bendita garota.

Estava prestes a virar numa esquina, quando um idiota qualquer que vinha em disparada, cegado pelo desespero, acabou por esbarrar em Bakugou. Por mais que um choque como aquele dificilmente o afetasse, mesmo que quisesse negar, estava debilitado devido ao prolongamento da luta, e sem poder evitar a queda iminente, tudo que restou fora proteger Uraraka com seu próprio corpo. Bakugou trouxe a cabeça pela para o próprio peito, curvando-se sobre ela, a fim de seus músculos absorverem todo impacto.

— Mas que inferno… — chiou entredentes, do chão, querendo arrebentar quem quer que fosse o responsável, que naquele momento, já estava longe. Porém, tão cedo a ideia passou por sua cabeça, sua atenção foi desviada para a mão que se apertava na gola de seu uniforme.

— Baku-gou-kun…?

Bakugou Katsuki arregalou os olhos, elevando-se rapidamente, ainda que com um cuidado ao qual não estava habituado. Afastou-a ligeiramente, apenas para que pudesse encará-la. Os olhos estavam semiabertos, parte do cabelo se colava ao pescoço, numa mistura de sangue e fluídos corporais.

— P-Por que está aqui? Deveria estar lutando…

A voz dela não passava de um sussurro, que percebeu ele, saia com algum esforço. Devagar, Bakugou colocou-se sobre os joelhos, ainda segurando-a junto de si.

— Eu deveria mesmo, se uma garota idiota não tivesse entrado no caminho.

Ochako sorriu levemente, franzindo o cenho para algo que apenas ela poderia dizer.

— Desculpe por isso… Mas, você precisa voltar… Os outros precisam de você.

Bakugou poderia explodir naquele momento, uma raiva inominável percorria suas veias ao ouvi-la falar daquela forma, como se ela não valesse o esforço. O loiro cerrou os dentes, levantando-se, e voltando a fazer o caminho ao qual estava empenhado.

— Cale essa maldita boca e me deixe fazer o meu trabalho.

Não houve resposta alguma por parte de Uraraka, a mão dela já não se prendia ao seu uniforme. Katsuki a lançou um olhar inseguro, a mão de Uraraka havia escorregado para o próprio tronco, relaxada de uma forma quase anormal, parecia até mesmo… Bakugou não terminou o pensamento, se negou a completá-lo, porque a simples ideia de algo assim o assustava. O loiro grunhiu em alto e bom som, correndo pelas ruas como um raio, até que finalmente, como uma miragem, encontrou um dos postos de atendimento aos feridos. Avançou com tamanha determinação nos olhos, que fez com que todos que ao menos cogitaram aproximar-se para ajudá-lo, desistissem da ideia.

Em questão de instantes, Recovery Girl veio ao seu encontro, guiando-o até a instalação apropriada. Bakugou colocou Ochako sobre a cama, conforme instruído, e deu um passo para trás, nada mais, nada menos.

— Vá se tratar garoto, você já fez o suficiente.

Bakugou a ignorou completamente, focado no rosto de Uraraka; agora, muito mais pálido que antes.

— Bakugou…

— Cumpra com a droga da sua função, velha.

Recovery Girl sabia que seria inutil continuar a tentar persuadi-lo, e talvez mesmo dez herois profissionais não fossem o suficiente para fazê-lo se mover. Tendo ciência de que a vida de Uravity estava em perigo, ela se pôs a prestar os devidos cuidados.

Durante todo o período de tratamento, Bakugou esteve ali, sem mover-se um centímetro, atento a todos os procedimentos, até o momento em que Recovery Girl lhe informou ter feito tudo que podia, e que agora, era com Uraraka Ochako; mas embora seu estado fosse delicado, ela ficaria bem.

Depois de sabe-se lá quanto tempo — minutos, horas, ele não saberia dizer —, Uraraka abriu os olhos, lentamente, gemendo baixinho. Foi o suficiente para que Katsuki cobrisse a distância até a cama, agarrando-se ao metal da lateral, e a encarasse, a seriedade estampada na face. Levou alguns segundos para que a garota se focasse nele, mostrando-se levemente surpresa. Ambos se encararam em silêncio, ainda que muito houvesse para ser dito. Quando Ochako afastou os lábios, Bakugou interviu — rosnou.

— Nunca mais faça essa merda novamente, ouviu?

A garota piscou, uma, duas vezes, até que os olhos se enchessem de lágrimas não derramadas. Ochako mordeu o lábio inferior, procurando manter-se firme.

— Você me ouviu? — reforçou ele entredentes, a raiva inflamando sua fala.

Uraraka moveu a cabeça em afirmativo, deixando que uma lágrima rolasse.

Com um aperto de mãos irritado no metal da cama, acompanhado de um grunhido, Bakugou deu as costas a Uraraka, saindo para o corredor pisando firme, enquanto mandava todos sumirem de seu caminho, furioso, mas ainda sim, aliviado.

2 de Mayo de 2018 a las 00:34 0 Reporte Insertar 2
Fin

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Liz 25 anos || Ariana || INFP || Ficwriter || Multshipper

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