Com amor, Lee Seguir historia

inial_lekim Inial Lekim

Kakashi nunca desejou ter filhos, não era realmente um sonho que tivesse. Mas ele fez isso por Gai, para fazê-lo feliz. E não havia um único dia em que se arrependesse dessa decisão.


Fanfiction Anime/Manga Sólo para mayores de 18. © Os personagens de Naruto pertencem ao Kishimoto.

#naruto #universo-alternativo #fluffy #família #rock-lee #fns #KakaGai
Cuento corto
18
5.6mil VISITAS
Completado
tiempo de lectura
AA Compartir

O que se é especial...

   N/A.: Essa fic foi escrita exclusivamente por culpa da Ariane Munhuz, essa arrombadinha do meu coração que jogou ele plot diretamente na minha cara e foi o anjo que betou a fic. Os personagens de Naruto não me pertencem; e a Nori, personagem original que aparece na fic, é criação da Whatapanda e da InsaneBoo, as lindas donas da minha alma <3

   É isso, espero que gostem.


***


   Kakashi se sentia cansado. Os músculos estavam tensos e o corpo estava tão pesado que tudo que ele mais queria era jogar-se na cama e dormir até o dia seguinte.

   A tela em branco à sua frente parecia estar zombando de seu desejo. O cursor que piscava sem parar prendia sua atenção, mas não o inspirava a escrever as palavras que passavam por sua mente. E, pela primeira vez em muito tempo, Kakashi sentiu vontade de deixar de lado o relatório de um atendimento, mesmo sabendo que isso era extremamente contraindicado, ainda mais para quem tinha tantos pacientes com problemáticas tão diferentes.

   Forçando-se a tomar mais um gole do café já morno que tinha em mãos, suspirou resignado, passando a digitar lentamente cada fato ocorrido e narrado por seu mais novo cliente.

   Sua atenção desviava-se, fazendo-o passar longos minutos encarando a parede de tons claros, a estante de livros do lado oposto da sala, os retratos de família que Gai havia espalhado por todo seu o local logo que havia montado aquele consultório, dizendo que Kakashi ficaria melhor tendo-os ao seu lado durante as longas horas que passava ali quase que diariamente. E Gai tinha razão, mesmo que Kakashi nunca tivesse lhe dito que sempre que se sentia mentalmente esgotado após uma sessão, ele ia até seu escritório e passava alguns minutos olhando a imagem sorridente de sua família nas fotografias. E mesmo agora, ele sabia que estava sorrindo como um tolo, da mesma forma que Gai fazia, completamente coberto de areia, na fotografia da última viagem que fizeram à praia.

   Outra vez, Kakashi se forçou a se concentrar no arquivo que digitava, sendo motivado pela forte vontade de ir para casa e ter os braços de Gai rodeando seu corpo, depois de convencê-lo de que um banho de banheira era mais estimulante que os exercícios que ele com toda certeza estaria fazendo.

   Cada fato mencionado pelo jovem Utakata em sua primeira sessão era transcrito minuciosamente, com todos os detalhes percebidos por Kakashi durante sua narrativa. E foi pouco mais de uma hora depois que o último ponto final foi colocado em seu relatório. Mais vinte minutos foram necessários para imprimir o documento e colocá-lo no prontuário do jovem, guardando-o junto aos outros.

   E, finalmente, ele poderia ir para casa sem qualquer preocupação.

   Àquela hora da noite, as ruas de Konoha estavam calmas, sem a movimentação excessiva de carros que o irritava pela manhã. Haviam até mesmo pouquíssimas pessoas caminhando pela área central da cidade, embora isso talvez se desse mais pelo tempo frio que se iniciava do que pelo horário, visto que a grande maioria das pessoas que viu pelo caminho eram casais excessivamente agasalhados, corajosos o suficiente para sairem de casa mesmo com a leve nevasca que se iniciava. E isso o fez pensar em quando havia sido a última vez em que Gai e ele saíram sozinhos, ou mesmo com um grupo de amigos... Ambos vinham estando tão ocupados que o programa mais interessante que haviam feito nas últimas semanas havia sido assistir a um novo filme sobre cachorros que, vergonhosamente, o fez chorar.

   Realmente, ele não se importava com esses programas familiares, em assistir animações da Disney quase em uma base diária – e, inclusive, conhecer cada uma das músicas infantis já criadas –, mas, às vezes, ele se pegava pensando em como as coisas eram antigamente. Quando Gai e ele não precisavam se importar com roupas que precisavam ser compradas regularmente, porque crianças crescem rápido demais, com consultas periódicas a pediatras e com doenças comuns da infância. Eles podiam sair em uma madrugada qualquer durante a semana se sentissem vontade, e não viam qualquer mal em transarem na mesa da cozinha se sentissem vontade.

  Era uma rotina boa, a falta de uma rotina. Mas, apesar de tudo, das preocupações e do trabalho extra, Kakashi não mudaria em nada a vida que tinha agora.

   Sentiu parte do cansaço de seu corpo se dissipar ao chegar a conhecida rua e estacionar seu carro em frente a exótica casa verde musgo rodeada de brinquedos infantis que, mais uma vez, Gai havia esquecido de recolher. As luzes todas apagadas o fizeram descer do carro e se dirigir à residência de tons claros do outro lado da rua, tão repleta de brinquedos quanto a sua própria; Gai também havia esquecido de guardar os de lá.

   Mesmo sabendo não ser necessário, tocou a campainha, escutando o som ressoar dentro da casa e passos apressados correrem em direção à porta, que foi aberta com certa violência, até que a proprietária da casa visse quem estava tocando sua campainha às dez horas da noite.

   “Papai!” Lee, que até então se escondia atrás das pernas de Nori, correu em sua direção, jogando-se em seus braços.

   Nori cruzou os braços e lhe deu espaço para entrar dentro da casa, fechando a porta logo que Kakashi passou por ela.

   “Tenho quase certeza de que você toca essa maldita campainha porque sabe que eu odeio o barulho”, reclamou Nori, logo atrás dele. Kakashi acomodou Lee em seus braços de forma mais confortável e se virou para Nori, sorrindo diante do expressão irritada em seu rosto. “Argh! Eu te odeio, sabia disso?! Ande logo, Gai está colocando os pratos na mesa, estávamos esperando você chegar!”

   A expressão assustada no rosto de Lee o fez sorrir ainda mais.

   “Mamãe, não!” Lee agarrou-se com força em seu pescoço, como se temesse que Kakashi fosse soltá-lo. “Não pode odiar o papai Kashi!”

   A junção da expressão incrédula de Nori e o adorável bico de Lee o fizeram rir, o que causou o aparecimento de Gai, usando um avental cor de rosa, repleto de pequenas flores azuladas.

   “Oe, a mamãe está brincando”, Nori disse, com as bochechas levemente avermelhadas diante do olhar inquisidor de Lee. “É claro que eu não odeio o papai”.

   Lee olhou de um para o outro, confuso. E então se virou para Gai, que ainda olhava a cena sem entender.

   Controlando sua risada em um sorriso travesso, Kakashi olhou para expressão pensativa no rosto de Lee.

   “Está vendo, a mamãe não odeia o papai”, ele o balançou um pouco, fazendo-o rir. “Agora, vamos comer!”. Lee fez um som de animação, como se tivesse esquecido o que havia acabado de acontecer.

   E então ele começou a caminhar em direção a cozinha, passando por Gai, perplexo, parado no mesmo lugar, enquanto ria baixinho dos resmungos sussurrados por Nori.

   “Vocês dois não vêm...?” Kakashi gritou da cozinha, enquanto colocava Lee em sua cadeira.

   Às vezes Kakashi pensava no quanto sua família era incomum. Ao ter Gai sentado ao seu lado e Nori sentada ao lado de Lee, esse foi um pensamento que passou por sua mente.

   Lee, com sua típica animação, contava a Kakashi cada detalhe de seu dia na escolinha e como ele havia conseguido subir ainda mais alto nos brinquedos do parquinho – para o grande desespero de Kakashi –, ao mesmo tempo em que se lambuzava com o molho do macarrão que ele sabia ter sido preparado por Gai, só pelo excesso de tempero utilizado, ainda que em quantidade menor se comparado à forma como ele preparava as refeições antigamente.

   E então Nori tomava para si a tarefa de limpar o rosto de Lee, enquanto mencionava alguns pontos interessantes do seu dia no tribunal, fazendo-o parecer mais emocionante do que realmente era, impressionando Lee e fazendo seus olhinhos brilharem. Kakashi sempre se surpreendia com como os olhos de Lee e Nori era idênticos, com a mesma cor e o formato arredondado.

   Gai, então, falava sobre a escola na qual começara recentemente a dar aulas. Ele falava sobre os alunos adoráveis que tinha e como ambiente jovem o deixava cada vez mais animado, especialmente durante as aulas práticas de Educação Física. Exaltando cada pequeno aspecto de uma escola que se pudesse imaginar.

   Entretanto, diferente deles, Kakashi não falava de seu dia. Nem Gai ou Nori insistiam em saber como foram os atendimentos que fazia ou como eram seus clientes, e Kakashi era profundamente agradecido com isso. Mas, como sempre fazia, Gai pegou em sua mão, acariciando-a delicadamente.

   “Está tudo bem?”, ele perguntou, como sempre fazia, especialmente depois da última crise de estresse que Kakashi teve há alguns anos atrás.

   “Ah... Sim”, Kakashi respondeu. E, de fato estava.

   O restante do jantar foi calmo, com um ou outro comentário feito por Gai de algum assunto que ele achava interessante, e com Lee cantando para eles a mais nova música que havia aprendido.

   Foi logo que terminou de jantar que Lee começou a bocejar, piscando os olhos lentamente e aparentando esforçar-se para se manter acordado, o que não surpreendia Kakashi, já que Lee havia passado e muito de sua hora de dormir. E dessa vez foi Gai quem o pegou no colo para que fossem embora.

   Nori se despediu deles, ficando na porta até que eles atravessassem a rua e entrassem em casa.

   Kakashi acendeu as luzes da sala de estar logo que entrou, se deparando com uma imagem semelhante a que havia do lado de fora – brinquedos espalhados por todo o local, peças de lego jogadas em um canto, uma confusão de papéis e lápis de colorir tomavam conta de mesinha de centro. Se não se sentisse tão cansado, Kakashi poderia incomodado pela bagunça que Gai deveria ter arrumado, mas não arrumou. Mas agora, a única coisa que queria era um bom banho quente e deitar em sua cama macia.

   “Papai...” A voz sonolenta de Lee chamou sua atenção, fazendo-o virar-se para Gai, vendo os bracinhos esticados em sua direção. “... soninho...”, murmurou, jogando seu corpo para frente para que ele o pegasse.

   “Ei, vamos, você não quer que o papai Gai te coloque na cama?” Gai o puxou de volta contra seu corpo, sabendo o quanto Kakashi estava cansado naquele momento. Mas Lee ainda era uma criança como qualquer outra, que se debateu em seus braços, tentando jogar-se nos braços de seu outro pai.

   Kakashi estendeu seus braços, pegando-o no colo de forma automática, mais uma vez ignorando todo o cansaço de seu corpo para acomodar o peso Lee consigo.

   Ele estava agradecido por Gai tentar poupá-lo do trabalho que Lee sempre dava quando iam tentar fazê-lo dormir, mas não era a primeira vez que se viam naquela situação e, com certeza, não seria a última. E o que Kakashi menos queria, era ouvir o choro de Lee por não tê-lo colocado na cama.

   “Kakashi...” Gai o olhava levemente preocupado.

   “Ah... Tudo bem”, sentiu Lee ajeitar-se de forma mais confortável em seus braços e deitar a cabeça em seu ombro. “Vou colocar esse garotão pra dormir rapidinho”.

   Então Gai sorriu, emocionado. Acariciou os cabelos de Lee, que o olhou por um momento e logo voltou a esconder o rosto em seu ombro.

   “Vou deixar a banheira preparada”, disse Gai, tocando os lábios de Kakashi levemente com os seus.

   Kakashi o viu indo em direção ao quarto dos dois, então foi com Lee para o quarto em frente, decorado com uma mistura de ninjas, cachorros e tartarugas.

   Ele colocou Lee entre os lençóis verdes, repleto de pequenos cactos. Lee ainda tentava manter-se acordado, e segurava Kakashi pela mão para mantê-lo por perto, mas, felizmente, em menos de vinte minutos ele acabou por adormecer, e Kakashi se viu livre para finalmente tomar seu tão esperado banho.

   Saiu de lá lentamente, sem fazer qualquer barulho, migrando para o próprio quarto, fechando a porta e soltando um suspiro cansado. Era como se toda tensão do dia finalmente se abatesse contra si.

   A porta do banheiro estava entreaberta, sendo possível escutar o som da banheira enchendo. E, devagar, Kakashi caminhou até lá, começando a tirar as roupas preguiçosamente.

   Gai estava sentado na beirada da banheira, inclinado, remexendo na água para misturar os sais e óleos que havia acabado de jogar ali. Kakashi encostou-se no batente da porta, completamente nu, admirando a imagem de Gai, os fios de cabelo que caiam sobre seu rosto sério, a expressão de quem não tinha certeza se deveria colocar mais algo na água quente.

   “Acho que já está bom”, comentou, fazendo-se ser notado. Gai endireitou seu corpo, sorrindo para ele.

   Kakashi nunca se cansaria do calor presente no olhar de Gai, sempre que olhava para si.

   Mergulhar seu corpo cansado na água quente e o cheiro levemente amadeirado, fizeram-no relaxar quase que instantaneamente, mas nada se compararia ao corpo forte de Gai às suas costas e suas mãos ásperas massageando suavemente os músculos tensos de seus ombros.

   Kakashi inclinou seu corpo contra o dele, sentindo as mãos deslizarem por sua pele, massageando cada parte de seu corpo. Fechou seus olhos, deitando sua cabeça no ombro de Gai, sentindo seus lábios deslizarem delicadamente por seu pescoço, sem qualquer conotação sexual, apenas uma demonstração de carinho, uma forma de sentirem-se próximos. Deixou que Gai o banhasse, como não o fazia há muito tempo. E foi apenas quando a água tornou-se morna, que eles saíram da banheira. Kakashi se deixou ser levado, sentindo Gai passar a toalha felpuda por seu corpo, secando-o dos pés a cabeça.

   E, finalmente, pôde deitar-se na cama, pousando sua cabeça sobre o peito de Gai, sentindo os braços fortes rodearem seu corpo, puxando-o para ainda mais próximo de seu corpo.

   “Boa noite, Kakashi”, escutou, pouco antes de fechar seus olhos e deixar-se ser levado pelo sono.

*

   Seus olhos se abriram, tentando acostumar-se com a escuridão do quarto. Sentia a boca seca, e uma grande e confortável fonte de calor a suas costas.

   Gai ressonava suavemente, abraçando-o firmemente. Tirando os braços de sua cintura, Kakashi se levantou, sentindo o ar frio contra sua pele. Vestiu uma camiseta de Gai, que estava jogada contra a poltrona no canto oposto do quarto.    É claro, ficou grande demais em seu corpo, mas pelo menos o protegia minimamente do frio. Colocou as pantufas felpudas que Nori deu a eles de presente no último dia dos pais, e saiu de forma silenciosa do quarto.

   Empurrou a porta entreaberta do quarto de Lee lentamente, vendo-o dormindo profundamente, agarrado a seu ursinho de pelúcia, ressonando baixinho da mesma forma que Gai fazia.

   Sentindo-se mais calmo por ver seu filho tranquilo em seu sono, caminhou até a cozinha, evitando fazer muito barulho ou mesmo pisar em algum brinquedo largado pela casa.

   E qual não foi sua surpresa ao acender a luz da cozinha e ver uma grande folha colorida grudada na porta da geladeira.

   O desenho, claramente uma das atividades de Lee na escolinha, estava intitulado com a conhecida caligrafia de sua professora como “Minha Família”. Haviam quatro pessoas desenhadas. O menor deles era obviamente Lee, com seu conjunto de moletom verde musgo e o cabelo idêntico a maior figura do desenho, que claramente era Gai, com as sobrancelhas excessivamente negras e grossas, o corpo amplo e um grande sorriso em seu rosto. Papai ensina as crianças, dizia logo acima do desenho de Gai. Segurando uma das mãos de Lee, havia Nori. Com seu atual e excêntrico tom de cabelo verde azulado, um vestido amarelo vibrante e uma maleta preta, semelhante a que ela usava. Mamãe defende as pessoas, Lee escreveu acima dela. E, segurando na outra mão de Lee, segurando também a mão de Gai, havia ele. O cabelo prateado desenhado em tons de cinza, a máscara que ele usava diariamente cobrindo metade de seu rosto e até mesmo a cicatriz em seu olho foi representada no desenho. E havia um sorriso em seu rosto, quase tão grande quanto o de Gai. Papai ajuda as pessoas a ficarem melhor, escreveu. Mas havia algo estranho, uma pequena figura que o lembrava de um cachorro. A grande questão é que eles não tinham nenhum cachorro e, a não ser que Nori houvesse escondido um em sua casa, ela também não o tinha.

   Kakashi sorriu, imaginando que Lee deveria ser mais parecido com Gai do que apenas a aparência.

   Abrindo a geladeira, ele pegou uma garrafa d’água, bebendo diretamente dela, grandes goles, saciando a sede que sentia.

   Apoiado contra a bancada da pia, Kakashi admirava o desenho de Lee e, talvez tenha sido algo ao acaso, desviou sua atenção para um pequeno envelope sobre a mesa. Kakashi não costumava ser uma pessoa excessivamente curiosa, mas às três e meia da manhã, qualquer coisa lhe parecia interessante.

   Deixando a garrafa vazia dentro da pia, Kakashi sentou-se à mesa, olhando o envelope em busca de qualquer remetente, encontrando apenas Lee, escrito em grandes letras verdes e garrafais. Tratava-se, pensou, de algum recado que não tinha visto anteriormente, ou mesmo alguma atividade que não haviam lhe dito ainda.

   Retirou um pedaço de papel verde claro de dentro do envelope. Haviam pequenos desenhos nas laterais, decorando a folha. Notou ser uma pequena carta escrita por Lee para, segundo o enunciado, uma pessoa especial.


Eu tenho muitas pessoas especiais. Tem a mamãe, o papai Gai e o papai Kashi. Todos eles são especiais pra mim e eu sou especial pra eles. E eles também são especiais um pro outro. A mamãe sempre diz que eu sou um presente e que meus papais me queriam muito. O papai Gai sempre diz que me ama e que eu sou a pessoa mais importante na vida dele. O papai Kashi sempre tá muito ocupado, mas brinca comigo e me conta histórias quase todas as noites e assiste todos os filmes de super heróis. A mamãe disse que ele faz isso porque me ama também.

Eu sei que acham que minha família é estranha, porque a mamãe não é casada nem com o papai Kashi nem com o papai Gai e ela não mora com a gente, mas eu gosto da minha família do jeito que ela é e eles são muito importantes pra mim.

Com amor, Lee.


   Pela primeira vez em muito tempo, Kakashi sentiu seus olhos se encheram de lágrimas.

   Mesmo agora, ele se lembrava da primeira vez em que Gai tocou no assunto de filhos. Eles já moravam juntos há algum tempo e tinham um relacionamento a mais tempo ainda. Kakashi havia acabado de se formar na faculdade e ainda estava tentando construir seu nome como terapeuta, enquanto Gai dava aulas em uma escola pública para turmas de ensino fundamental.

   Ele se lembrava da forma como o corpo de Gai movia-se contra o seu naquela noite, o suor de sua pele que mesclava-se ao seu, cada expressão que passou por seu rosto. E, no fim, o corpo cansado e saciado descansando sobre o seu.

   “Conversei com Asuma hoje”, Gai começou a dizer, como quem não quer nada. Kakashi o olhou, acostumado com os assuntos fora de contexto que Gai sempre trazia quando estavam na cama. “Kurenai e ele estão tentando engravidar”.

   E foi assim que começou, com um singelo e inocente comentário.

   Então vieram os filmes, repletos de crianças correndo sem razão alguma, bebês rechonchudos e pais transbordando alegria. Gai parava para admirar lojas infantis e artigos de bebês sempre que saiam para jantar fora, comentava cada vez mais sobre as crianças de sua escola e sobre a continuidade da juventude de um homem se dar através dos filhos.

   Gai não era nem um pouco discreto.

   Kakashi nunca havia realmente pensado sobre ter ou não filhos. Não era um sonho ou mesmo um desejo que tivesse em sua vida. Mas, assim que parou para pensar sobre o assunto, a primeira coisa que pensou foi em seu próprio pai. A imagem ainda gravada em sua mente do vermelho escuro que rodeava seu corpo quando o encontrou em uma manhã, com os olhos ainda abertos encarando fixamente o nada, e uma expressão calma em seu rosto.

   Mas era óbvio o desejo de Gai em ter uma criança. A forma como seus olhos brilharam quando, pela primeira vez pronunciou essas palavras em voz alta, sem se esconder atrás de qualquer coisa.

   Gai falava sobre como sempre havia sonhado em ter filhos, vê-los crescer e poder ensinar as coisas que sabia sobre os mais variados assuntos. Ele falava sobre seu pai, e como queria passar adiante os ensinamentos que recebeu dele.

   E, naquele momento, Kakashi aceitou. Por Gai. Porque realizar aquele sonho o faria feliz. Então eles pensaram em adoção.

   Kakashi sempre soube que processos de adoção eram demorados, mas, depois de três anos, ele resolveu dar um basta. Ele queria pensar que era algo que se resolveria com o tempo, que talvez fosse algo de sua mente a forma como olhavam para eles sempre que chegavam a um orfanato. Talvez Gai fingisse não notar, mas Kakashi sabia como ele ficava decepcionado a cada negativa que recebiam.

   Naquele meio tempo, Kakashi começou a se acostumar com a ideia de uma criança. Não que ele de repente houvesse virado um adorador de crianças e planejasse ter um verdadeiro time de futebol em casa, mas, agora, a ideia de ter um pequeno ser humaninho correndo por aí não lhe parecia mais tão assustadora.

   Foi Yamato, seu amigo e terapeuta, quem lhe deu uma alternativa para esse assunto.

   Até então, nem Gai ou Kakashi haviam pensado sobre inseminação artificial. Era um processo relativamente caro e eles sequer conheciam alguém que se disponibilizaria a carregar uma criança por nove meses.

   Kakashi procurou tirar todas as dúvidas que pudessem ter, antes de conversar com Gai sobre essa possibilidade. Ele verificou o quanto de dinheiro tinham guardado e se poderiam realmente arcar com as despesas que todo o processo custaria.

   E quando ele viu que as coisas realmente poderiam dar certo dessa forma, ele contou a Gai.

   Levou um tempo para que, de fato, ele optassem por essa ideia. E, no fim, só lhes restava uma mulher que lhes dispusesse o útero.

   Qual não foi sua surpresa quando, em uma noite bebendo com os amigos, Gai mencionou sobre a ideia deles de tentarem inseminação artificial, mas que ainda não tinham ninguém que os ajudasse, Nori disse que aceitava.

   No início, Kakashi achou que ela poderia estar brincando, levemente confusa pelo álcool ingerido, mas, no dia seguinte, ela apareceu na porta de sua casa reafirmando sua decisão em ajudá-los.

   A primeira importante decisão a ser tomada, foi qual esperma seria usado para inseminação. Nori sugeriu tirarem na sorte, assim, seria o destino a fazer a escolha. Então ela desapareceu por um segundo e voltou com duas varetas em sua mão, uma maior que a outra. A ideia era simples – quem tirasse a vareta maior, seria o doador.

   Kakashi estava de olhos vendados quando tirou sua vareta – mais uma ideia de Nori, para dar mais emoção ao momento. Ele sentia a longa vareta em sua mão e soube que havia tirado a maior, mas, lembrando do forte desejo de Gai, partiu sua vareta pela metade, mesmo sabendo que Nori via qualquer ação sua.

   Logo que viu a emoção estampada no rosto de Gai, Kakashi soube que tomou a decisão correta. Nori sorria, mas em seu olhos lhe dizia que sabia o que tinha feito.

   O processo acabou sendo mais demorado do que Kakashi imaginava. E tão desgastante quanto as tentativas de adoção.

   Foram longos dois anos com Nori tentando engravidar. Quatro alarmes falsos. E muitas noites nas quais precisava ser um ponto de apoio para Gai, e muitas vezes para Nori, que passou a ser tão afetada quanto eles.

   O dia em que Nori apareceu em sua casa, exalando animação, nem mesmo Kakashi conseguiu disfarçar a emoção que sentia.

   Foram meses complicados. E, mesmo que sem querer, eles acabaram se tornando uma família. Uma bem incomum, mas ainda sim uma família. Tanto que, no nascimento de Lee, Kakashi não conseguia pensar em Nori como qualquer outra pessoa que não a mãe do seu filho.

   “Kakashi...?” A voz de Gai, sonolenta, o tirou de suas lembranças. Ele ainda segurava a adorável carta de Lee em suas mãos.

   Gai surgiu na porta da cozinha vestindo apenas uma calça de moletom, com os cabelos tão bagunçados quanto sabia estar os seus próprios.

   “... Você demorou para voltar pra cama...”, continuou ele, esfregando os olhos.

   Um sorriso surgiu em seu rosto ao ver o que Kakashi tinha em mãos, e sentou-se ao seu lado, lendo mais uma vez a carta juntamente com ele.

   “Nós temos um filho adorável, não?” Kakashi perguntou, olhando nos olhos escuros e brilhantes de Gai.

   Gai passou um braço por sua cintura, fazendo-o se aproximar, e deitou a cabeça em seu ombro.

   “Kakashi... Eu estive conversando com a Nori...”, Gai começou a falar. “Você sabia que crianças se desenvolvem melhor e são mais felizes quando têm pelo menos mais um irmão?” Os dedos de Gai apertavam sutilmente sua cintura, e o ar quente de sua respiração fazia cócegas em seu pescoço. “Ter cachorros também”.

   Realmente, Gai não sabia ser nem um pouco sutil.

30 de Abril de 2018 a las 22:39 10 Reporte Insertar 7
Fin

Conoce al autor

Inial Lekim 22 anos. Pisciana. Escritora. Sonhadora. Fotógrafa e Desenhista quando surge inspiração. Vocês já ouviram a palavra de KakaGai hoje?

Comenta algo

Publica!
Boo Alouca Boo Alouca
Ok, levantai irmãos da igreja para esse momento sagrado, em que coroamos essa autora, como a rainha do fluffly de família KakaGai e embaixadora do Lee neném. Eu demorei mais de trinta minutos pra ler, porque eu li degustando cada linha. Eu nunca vou me cansar de elogiar o quanto eu adoro a sua escrita. Digna de publicação em livro físico, eu pagaria tranquilamente. Eu adoro o quando você é acertiva em nos fazer sentir a atmosfera da história, imergir e visualizar as cenas, sem precisar se alongar ou ser massiva, isso é de um domínio absurdo das palavras. Sem exagero, eu te admiro como autora PRA CARALHO! (Porque palavrão é a melhor forma de demonstrar intensidade sim. Me deixa! U.U) Eu não vou nem falar do quanto seus plots são incríveis, justamente por serem tão singelos e do quanto eu amo a maneira como você eleva a magia do cotidiano. Eu tô muito grata mesmo por ter podido ler essa maravilha! Eu tô explodindo fluffly, tomara que eu morra disso! Gai é tão sutil como um murro direto na boca hauahsushsh EU AMO UMA FAMÍLIA AAAAAAAAAH
10 de Julio de 2018 a las 14:33

  • Inial Lekim Inial Lekim
    AI MEU DEUS EU TE AMO, QUER O MUNDO EU DOU <3 22 de Septiembre de 2018 a las 12:54
JPStyle ! JPStyle !
O berro que eu berrei com esse final sidbidbduhr Adorei a história, muito tocante, quase explodi de fofura. Adoro a forma como vc escreve com calma, detalhando cada detalhe único, que dá um tom tão real a história <3 Obg por escreve-la e compartilhar conosco!
5 de Mayo de 2018 a las 17:14

  • Inial Lekim Inial Lekim
    Mulier eu desenvolvi um amor nesses plot família que se não tem noção. Até hj não creio que fui capaz de escrever algo tão fofo quanto essa fic <3 22 de Septiembre de 2018 a las 12:50
Políbio Manieri Políbio Manieri
Patriciaaaa eu to quentinha eu to nenem. Mas que fanfic mais deliciosa meu paaaai. Eu li 3x me emocionando em todas 3! Olha essa família bicho, olha esses amores. Meu deus eu amo tanto que dói! Como é bom ter registros felizes desses preciosos! To me sentindo no dever cumprido em ter incentivado uma brincadeira que acabou resultando nessa coisa mais maravilhosa da vida! aaaaaa como eu to feliz! É tanto amor que não cabe mais em mim!
1 de Mayo de 2018 a las 21:23

  • Inial Lekim Inial Lekim
    Eu tô muito apaixonada nessa família, tu nem tem noção. Tô tendo pelo menos um plot diferente por dia com tantas situações diferentes sobre eles, que só não escrevi porque estou tentando terminar as vinte que já foram iniciadas e que estão lá paradas na pasta desde o início do ano huehuheuehuehe MAS VAI TER CONTINUAÇÃO COM TENTEN E NEJI SIM! Inclusive, to até inspirada pra terminar o capítulo do Metal em Coisas de família e lançar aquela bendita fic logo! 4 de Mayo de 2018 a las 14:41
Tatu Albuquerque Tatu Albuquerque
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA O LEE NENÉM É O MELHOR LEE DE TODOS OS TEMPOS E PODEMOS PROVAR OLHA QUE COISA MAIS LINDA E MARAVILHOSA E NENÉM E FOFA E NENÉM AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA EU QUERO ENCHER O LEE NENÉM DE AMOR E CARINHO.
30 de Abril de 2018 a las 21:12

  • Inial Lekim Inial Lekim
    EU TO TÃO APAIXONADA NESSE LEE NENÉM QUE METADE DOS PLOTS QUE EU TO TENDO TEM ELE ENVOLVIDO! EU TO TÃO CHEIA DE AMORZINHO NESSE LEE QUE VOU ATÉ FAZER UMA CONTINUAÇÃO DESSA FIC (eis o motivo da fala do Gai no final huehueuheuehuehue). LOVI Ú <3 PS.: Quero mais capítulo de Guetto <3 4 de Mayo de 2018 a las 14:42
Mandy Mandy
PATRÍCIA EU TO CHORANDO SUA VACA COMO ASSIM VOCÊ ME TACA UM FLUFFY DESSES EU TE AMO DESGRAÇA
30 de Abril de 2018 a las 19:27

  • Inial Lekim Inial Lekim
    VOCÊ TEM QUE ME AMAR POR ESCREVER UM FLUFFY DESSES SUA ARROMBADA <3 OLHA ESSE AMOR, OLHA ESSE LEE FOFINHO, OLHA ESSE MOMENTO LINDO DO GAI COM O KAKAHSI NA BANHEIRA AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA GRAÇAS A ISSO NINGUÉM PODE VIR ME XINGAR QUANDO EU LANÇAR AS OUTRAS FICS! TE AMO <3 4 de Mayo de 2018 a las 14:38
~