O peregrino Seguir historia

ayzu-saki

Naruto é atingido por um jutsu espaço-tempo incompleto e acorda em uma plantação de arroz, em um mundo desconhecido. Tudo o que ele mais deseja é voltar para casa, mas nada é simples assim.


Fanfiction Anime/Manga Sólo para mayores de 18.

#suicídio #estupro #violência #sasunaru
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O peregrino

Notas do Autor

Então, essa fic é baseada em algo que li há muito tempo atrás, e sempre quis escrever algo do tipo. Em como seria estar preso entre realidades, mas com um tempo limitado de estádia.

Ela é um pouco angustiante em algumas partes, então atentos as tags.

Beijo e espero a opinião de vocês! 

..............

"É dito que o bater de asas de uma borboleta, pode criar um tufão do outro lado do mundo.”

Efeito Borboleta


Ele não se deu conta de imediato na primeira vez. E quem poderia o culpar, afinal? Tinha que admitir que nunca fora o mais brilhante de todos. Estrategista em batalha? Sim, afinal, no seu caso, isso era uma questão de sobrevivência quando menino.

Sua vida sempre fora uma batalha constante.

Então, ele não percebera de imediato. Estivera em uma missão solo quando fora atacado por um grupo de ninjas mercenários.  Algo simples, na verdade.  Comparado ao que tinha passado durante a guerra um ano atrás aquilo não era nada.

E foi por pensar nisso que relaxou, não percebendo o jutsu de um dos ninjas que havia derrubado. Apenas notou a luz forte, e dor. E então escuridão total. Por um momento pensou que tivesse perdido a visão. Sentia-se flutuando na escuridão por segundos, ou minutos, ou horas agonizantes, até perder a consciência.

Seu último pensamento antes disso foi de que Kakashi iria ficar muito irritado quando soubesse que havia morrido de forma tão estúpida o deixando novamente sozinho.

Quando abriu os olhos, no entanto, percebeu que não estava morto. 

Acordara em meio a uma plantação de arroz. A mente confusa, o corpo dolorido. E sozinho. Caminhara por muito tempo até encontrar uma vila e pedir informações, apenas para se deparar com uma língua completamente desconhecida. 

..............

Naruto Uzumaki fora atacado nas proximidades de Kiri, e atingido por um jutsu incompleto de espaço-tempo. 

O jutsu falhou. 

Até o final de seus dias seus amigos nunca deixaram de procurá-lo.

Eles nunca o encontraram novamente.

.............

Naruto era um ninja. Cabeça duro e imprevisível as vezes, mas um ninja. Que havia vencido uma guerra e entrado para a Anbu aos 17 anos. Os detalhes se alojaram em sua cabeça em algum tempo. Por exemplo, perceber que o único chakra que conseguia sentir era o seu. E ao olhar em  um mapa dado por um dos homens que o acolhera viu que a configuração era totalmente diferente da que lhe fora ensinado por Iruka. 

As vilas não existiam. 

Sua língua não existia. 

Não existiam jutsus

Bastou meditação e uma conversa com a raposa dentro de si, para chegarem ao consenso que qualquer jutsu que os tenha atingido não apenas deixou Kurama fraca como um gatinho, mas os havia jogado em outra realidade. E tinha que se adaptar até encontrar um caminho de volta para casa

..............

Três meses depois estava saindo da China. Sem nome, sem documentos, ilegalmente. Apenas agradecia ter ainda seu chakra e poder usar henge. Um homem o ajudara a sair, e lhe dera um nome no Japão e um contato.

Japão era o mais próximo do que conhecia como um lar. Se alguém sabia como mandá-lo de volta, seria lá.

...............

Dois anos depois, em um bar beira de estrada na América do Norte, Naruto se olhou no espelho e se deu conta que não havia envelhecido um dia se quer dos seus 17 anos desde que fora atingido.

Ele não conseguira dormir naquela noite.

.....................

Três anos depois estava nos EUA, quando sentiu a dor. Atravessava  Times Square quando sentiu a mesma sensação de quando fora atingido pelo jutsu. Foi invadido pelo medo, e pelo excitamento. 

Estava voltando para casa!

Alguém gritou ao seu lado, pessoas ao redor fitando o adolescente convulsionando no meio da rua. Uma pessoa ligou para a ambulância e quando a luz explodiu do corpo no chão acabou jogando os que estavam ao redor longe.

Quando a comoção terminou, o corpo havia sumido.

..........................

Naruto abriu os olhos em uma plantação de arroz. Caminhou até a vila mais próxima. Dessa vez ele conhecia a língua: chinês.

Ele não havia voltado para casa.

Porém, também não havia retornado para o mesmo lugar.

O Japão havia sumido do mapa. Bomba nuclear. Cidades costeiras haviam sumido.

O mundo estava em guerra.

.......................

Naruto vira o primeiro rosto conhecido três anos depois, quando era levado com alguns refugiados pela fronteira. Mudava de henge sempre que podia, entrando nos campos de batalha. Estava machucado, exausto e faminto. Fraco demais depois da exposição a radiação para  Kurama o curar na rapidez com que se feria. 

Fora removido do carro nos braços de um soldado a ao abrir os olhos encontrou azuis bondosos o fitando.

Demorou segundos para processar que estava nos braços do quarto Hokage.

...................

Um ano depois estava na barraca com os outros soldados feridos quando sentiu a dor. Esperando a explosão, correu, mesmo com alguém gritando para que retornasse. Ao redor bombas eram jogadas.

Quando desapareceu a última coisa que viu foram os olhos do seu pai o fitando desesperados.

...............

Naruto acordara em uma plantação de arroz e caminhou até a vila mais próxima. 

Eles não falavam chinês.

Jutsus existiam. 

Havia ninjas. 

Por um momento a alegria o invadiu.

................

Retornou a Konoha. 

Os rostos cravados na montanha não eram os mesmos.

Aquele não era o seu mundo também.

..............

Na sexta vez, ele viu Kakashi. Estava andando em Londres como um peregrino quando o viu passar. Naruto o seguiu até em casa, e ficou do outro lado da rua, olhando pela janela. O quarto hokage estava ali, e uma mulher ruiva com uma criança loira no colo.

Naruto não sabia como, mas ele apenas sabia que aquela criança era ele.

................

Quatro mundos depois e ele encontrou Sakura e Sasuke. Estava no Peru, havia encontrado pistas sobre como voltar para casa. Ou ao menos achara que havia encontrado alguma coisa. 

Eles estavam mais velhos. Sasuke o notara o olhando de longe enquanto fotografavam a paisagem. E eram os mesmos olhos desconfiados que lembrava. Da última vez que o vira, ele estava morrendo em seus braços, meses depois da guerra. Não fora um shinobi que matara Sasuke. Não fora a guerra, Madara, Kaguya e não fora Naruto. Fora a doença, a mesma que levara Itachi.

Naruto começou a chorar. Não entendia a razão. Não chorara desde quando vira sua mãe brincando com o bebê Naruto do outro lado da calçada, querendo tanto se aproximar, mas com medo demais de fazê-lo.

Naruto chorara, e algumas horas depois estava em um restaurante com seus dois melhores amigos em versão mais velha, os ouvindo contar sobre a viagem que faziam pela América do Sul, tentando coagi-lo a falar o que um adolescente fazia ali sozinho.

Por que ele segurava a mão dos dois com tanto pesar?

Quando eles continuaram a viagem, eles o levaram junto. 

......................

Daquela vez, quando sentira a dor, estava sentado de frente a uma lareira, com Sasuke dormindo em uma poltrona por perto.

......................

Seu pai era um professor em Stanford. Sua mãe era médica. Os dois acreditaram nele depois de algum esforço. 

Naruto só não queria mais ficar sozinho.

Eles não conseguiram achar seu caminho de volta, mas lhe deram uma família que o amava. Descobrira o gosto de ter pais lhe esperando quando voltava.  Descobrira o que era ter um irmão quando segurara a si mesmo nos braços, saboreando tudo o que devia ter tido na vida, se as coisas não tivessem dado tão errado. Vira esse Naruto crescer tendo abrigo, amor. Sem as surras que sofrera quando criança, a rejeição e o horror que nenhuma criança devia enfrentar.

E dessa vez, foram dez anos, tempo o bastante para ele acreditar que ficaria ali. Passou a usar um henge mais velho por tanto tempo, que não precisava pensar para mantê-lo. Se apaixonara pela vida mais uma vez, tinha um trabalho. Tinha os almoços nos fins de semana com os pais, e os abraços do seu irmão na porta quando chegava. 

Naruto estava feliz.

Quando a dor veio, ele queria morrer.

..............

Naruto pulara de um penhasco no mundo seguinte. 

Ele acordara em uma plantação de arroz.

………..

Para o garoto que o que mais queria na vida era formar laços, os formar não era mais uma opção. 

Não quando sabia que inevitavelmente iria os perder, quando menos esperasse.

.............

Kurama sempre dizia que Naruto era teimoso e masoquista.

Um dia a frase parou de ser com escárnio, e sim com piedade e tristeza.

..................

Um dia Naruto estava andando no deserto em Marrocos. Parara quando uma tempestade de areia fora avistada, e se refugiara nas pedras. Quando a noite caíra, montara acampamento, alimentara o camelo e deitara pra ver as estrelas, a voz de Kurama quietamente lhe acompanhando, falando sobre o sábio dos seis caminhos, sobre as outras bijuus. Sobre o primeiro hogake, Madara, Mito e sua mãe. 

Sobre como em alguma realidade, um garoto havia vencido uma grande guerra shinobi junto a seu melhor amigo e se tornado hokage. Uma realidade da qual tinha ecos de alguma contraparte. 

Uma realidade em que esse menino havia formado uma família. Que não estava mais sozinho.

Naruto dormira com um pequeno sorriso no rosto, percebendo que não estava sozinho. 

Tinha Kurama.

Ao menos tinha um amigo.

.........

Ás vezes Naruto sonhava com outras realidades. Realidades das quais não visitara, mas que Kurama conseguia sentir. 

Ele os via de vez em quando.

Boruto, Himawari. Hinata, e seu sorriso doce e cheio de entendimento.

Outras vezes Sakura, e uma criança loira o esperando na porta. Os olhos verdes como os da mãe cheios de fogo e travessura. Uma menininha de cabelos rosados correndo pela casa, e um garotinho de cabelos vermelhos como Kushina.

Outras vezes os braços de Sasuke ao redor de si em um acampamento e um beijo afoito e urgente. E na primeira vez que vira isso ele havia ficado em choque, as risadas da Kurama lhe tirando do sério quando acordara de um pulo. No entanto, fazia algum sentido. Eles nunca foram apenas amigos, quando parava para pensar.  

Tantas realidades. Se ajustando, se movendo ao redor. 

Ele não fazia parte de nenhuma delas. Não realmente.

Ele era um peregrino apenas. Um viajante vagando entre mundos, sem pertencer a nenhum deles. Aprendendo, evoluindo, e ao mesmo tempo estagnado. Não importa se houvessem passado tantos anos que nem tinha ideia. Sabia que havia passado dos dois dígitos já. Ainda assim, ao olhar no espelho, o mesmo rosto o fitava sempre.

Ainda assim, ainda era o mesmo menino olhando do outro lado da rua sua família. Tão perto, e ainda assim longe demais.

................

Ele não tinha certeza sobre o que havia mudado naquele mundo.

 Ele não sabia que o simples ato de Obito Uchiha ter sobrevivido tempo o bastante para Minato tê-lo tirado dos rochedos antes de Madara ter o corrompido havia transformado tudo.

Nunca existiu um ataque da Kyuubi contra Konoha.

Minato estava vivo. 

Nunca existiu a ideia de uma rebelião Uchiha, os aldeões não os culpavam, pois nunca houve um ataque para se ter um culpado.

Naruto os observara apenas por um dia. Tinha bom senso o bastante para saber que não era uma boa ideia ficar perto da sua mãe, quando ela tinha Kurama também selada. 

Então, ficara apenas o bastante para ver o sorriso no rosto de Sasuke e daquele Naruto enquanto treinavam. Ver o rosto de seu pai e de sua mãe mais velhos. Ver uma vila em paz.

Aquilo lhe enchia de alegria, e ao mesmo tempo tristeza. Era a primeira vez, ironicamente, que tinha uma visão do que poderia ter tido.

.............

Ele encontrara Jiraya no país do arroz. Por um acaso, realmente. Havia sido atacado e o homem estava por perto, quando se dera conta eles lutavam lado a lado.

Naruto não entendia o que o levara a contar tudo a ele.  Com os anos, aprendera a ser mais calado, paciente. O conhecimento que vinha adquirindo o tornando mais e mais parecido, segundo Kurama, com seu pai. 

Ainda assim, Naruto ainda queimava por companhia. Mesmo com Kurama ali, ao ver Jiraya, ao vê-lo ali, ele apenas removera seu henge. Ele apenas contara tudo. 

Claro que ele não acreditara de imediato. 

Naruto não ligava. Ele sabia que não importava o que acontecesse, tudo acabaria igual.

Ao menos conseguira alguns meses com alguém que considerava família. Tivera Jiraya – mesmo que não fosse o mesmo ero-sanin que amava – de volta.

..................

Hinata estava sentada no parque na Espanha quando a vira. Ela lia um livro e observava uma menina brincando perto. 

Os dois conversaram sobre o tempo, sobre arquitetura, sobre música. Seu estômago deu saltos quando ela sorriu.

Um ano depois eles estavam andando de mãos dadas em Madri quando ele sentiu a dor. Ela não havia percebido nada. Por isso ele apenas virou para um último beijo, pediu desculpas e se afastou em direção oposta de seu rosto confuso e magoado.

Quando ele acordou na plantação de arroz daquela vez, suspirara e ficara deitado olhando céu.

Kurama sentiu que o coração dele havia se partido mais um pouco.

.............

Ele beijara Sakura em um ano novo em Hong Kong, com dragões de papel flutuando ao redor dos dois.  Ele se viu hesitante, mesmo quando ela  lhe sorrira.

 Ele sabia que seu coração iria sangrar.

Ele sabia, mas não conseguia, não quando ela sorria daquela forma, a mão dela o puxando em meio ao rua em direção ao hotel.

Ele voltara para Londres com ela.

...................

Não era a primeira vez que ele via um deles morrer, mas era a primeira vez que se sentia aliviado quando a dor vinha. Ali, naquele beco, com o corpo da sua melhor amiga, sua companheira de time, a primeira menina que amara, sangrando lentamente pelo tiro depois do assalto. 

Havia chegado atrasado, como sempre.

Ali, quando ele se sentiu ser puxado, nem mesmo resistiu.

.........................

Se mudara para um apartamento pequeno em um subúrbio em Paris. Passara a trabalhar em uma biblioteca. Para sobreviver, e para obter conhecimento sobre aquele mundo em que caíra meses atrás. Dinheiro não era difícil pra ele. Não quando tinha conhecimento e dons que os outros não possuíam. Os clones então, melhores ferramentas possíveis.

Quando voltara para casa naquela noite ouvira um som de violino no apartamento ao lado.

Ao levantar pela manhã, o encontrara no corredor. A mesma idade do henge que utilizava. Os mesmos olhos escuros, tristes e desconfiados. Sabia que era uma má ideia. Devia passar direto, fingir que não o via.

Mas desde quando agia racionalmente perto de Sasuke?

…………..

O beijo era como lembrava naquele flash em alguma realidade distante. O olhava andando pela casa, a música tocando no rádio. O cabelo dele bagunçado, o rosto sonolento enquanto fazia café.

Bebia aquele sorriso quando o encontrava esperando na saída da biblioteca com um café na mão, o rosto corado pelo frio de dezembro.

Por vezes imaginava o que ele pensaria se descobrisse que aquele homem que via era uma ilusão por baixo de um corpo de 17 anos e uma mente que já passava dos 200 anos. Se pegava rindo com esse pensamento, encontrando uma sobrancelha fina erguida com isso, e um rolar de olhos. 

E aquele sorriso.

Aquele maldito sorriso que o fazia desejar mais que todo uma coisa que parecia tão simples ao resto: ficar.

...........................

Quando a dor viera, ele começara a chorar, ao imaginar o que Sasuke pensaria ao chegar em casa e não o encontrar mais.

Por quanto tempo ele o procuraria. Se ele pensaria que ele havia sido mais uma pessoa que havia o abandonado.

Nem mesmo Kurama conseguira o consolar dessa vez.

.................

Por vezes era Hinata, em outras Sakura, em outras Sasuke. Uma conexão, alguma coisa. Mesmo que seu coração sangrasse cada vez quando tinha que ir. 

Mesmo que cada beijo o fizesse se partir um pouco mais. Cada vez que os encontrava, e não havia nenhum brilho de reconhecimento ali. Quando apenas dias antes, para ele, Sakura havia lhe dito que o amava, e agora o olhava sem saber quem ele era. Quando Sasuke havia levado aquela granada por ele meses atrás, e agora estava ali naquele café, com uma mulher e uma criança. 

Quando deu um tiro na própria cabeça pela terceira vez, apenas para acordar em uma plantação de arroz em meio a chuva, Kurama o convenceu a parar.

.............................

-Naruto?

Aquele nome. Há anos, tantos anos ninguém além de Kurama o chamava assim. Por um momento achou que havia se enganado e caído em uma realidade em que um Naruto existia ali, mas sabia que não.

Sua cabeça doía. Sua mente estava em um turbilhão. Não era a primeira vez que acabava preso. Havia passado por isso algumas vezes antes de conseguir esconder os dons que possuía. Preso em bases militares. Experimentos. Uma vez, tortura e estupro em uma base no meio do deserto por um grupo terrorista.

Naruto brincava que já sabia todas as formas de morrer. 

Então, ele estava esperando morrer ali naquela base. Havia durado tempo demais, mas mesmo com Kurama só havia tanto que um corpo poderia aguentar abuso, mesmo que não estivesse tentado resistir muito a prisão.

Ele não esperava alguém lhe chamar por aquele nome. Tinha certeza que não havia o dito a ninguém há anos. 

Abriu os olhos e viu a cena mais inesperada. Um olho vermelho com um padrão familiar, e outro roxo com vários círculos ao redor. 

-Oi Sasuke.

................

Ele não lembrava de muita coisa, até acordar em uma cama macia e encontrar o rosto de seu melhor amigo – e amante, e namorado, e inimigo – o fitando daquela forma em branco que tanto lembrava.

Ninguém o culparia por começar a rir como um lunático.

.................

-O rinnegan me permite viajar por outras realidades. Estou procurando rastros da Kaguya. Senti o chakra no deserto, foi o que me atraiu.

Assentiu, ele sabia disso. Seu Sasuke havia feito isso também. Antes da doença o levar, claro. Havia pesquisado sobre o rinnegan anos atrás, por esse mesmo motivo, mas não podia fazer muito sem um em mãos. 

Era a primeira vez que se deparava com um desde seu mundo. 

Havia contado toda sua história, sabendo que quando fosse embora, não faria tanta diferença. Não é todo dia que se é resgatado de uma base militar no meio do nada por seu melhor amigo, que aparentemente também é um viajante.

Pelo menos ele podia ir e vir quando bem entendesse, pensou resignado.

Sasuke o olhava firmemente, esperando uma reação por toda a história. Já sabia de tudo aquilo, ainda assim era diferente de ouvir de outra pessoa que não fosse Kurama. Uma realidade em que havia vencido a guerra sem ter perdido Sasuke, Hinata e Sakura. Uma realidade em que Sasuke não ficara doente.  

Aquele Sasuke também havia visto uma guerra apenas um ano atrás. Aquele Sasuke havia visto um Naruto morrer, como Naruto havia visto seu Sasuke morrer. Aquele Sasuke era de uma Konoha em que Kakashi era hokage, e que o próximo em linha seria outra pessoa, pois não havia mais Naruto lá.

Naruto estava morto. Havia morrido como um herói.

Naruto estava morto, e havia deixado Sasuke para trás.

Aquele Sasuke não estava procurando Kaguya apenas por dever a sua vila. 

Ele estava procurando redenção.

Estava procurando seu melhor amigo.

E havia o encontrado.

........................

Eles viajaram juntos por alguns meses. Sasuke dizia que procurava Kaguya, mas Naruto não sentia chakra nenhum naquele mundo além dos dois.

Ainda assim ele nunca dizia isso em voz alta.

.................

Eles planejaram, e pesquisaram por muito tempo até Naruto decidir arriscar. O coração esperançoso, mas cheio de medo. Sentiu os braços ao redor de si, e o olhou nos olhos quando ele ativou o rinnegan. Segundos antes de ser sugado ergueu o queixo e beijou seu melhor amigo suavemente.

Apenas por precaução.

...............

Naruto acordou em uma plantação de arroz. 

Sozinho.

...................

Estava em uma floresta no Canadá quando ele apareceu. O rinnegan o fitando de forma indecifrável. 

Em segundos havia o derrubado no chão antes que pudesse reagir em um abraço desesperado demais.

Chorava, mas Sasuke não comentara nada. Apenas o amparara.

Ele havia viajado por dez mundos até o encontrar.

..................

Não importava para onde fosse quando era levado, Sasuke sempre o encontrava.

Não importava se em minutos, dias, meses, alguns anos.

Ele sempre o encontrava.

...................

-Você vai envelhecer um dia.

-Hn

-E morrer.

- Naruto...

-E eu vou ficar sozinho novamente.

- Eu sempre vou te encontrar.

-Como?

O rinnegan o fitou, os dois em silêncio por um minuto inteiro. Apenas o som do motor do carro quebrava o silêncio. Sentiu a mão livre da direção agarrar na sua. Sasuke ligou o rádio na estação, enquanto o campo de arroz em que acordara ficava para trás.

O sol da tarde vinha pela janela, e não importava o balanço do carro, ou o vento frio. Não importava que tivessem que atravessar a fronteira de alguma forma, em um país que estava novamente em guerra.

Sasuke estava ali. Não estava mais sozinho. Ainda era um peregrino entre os mundos, preso em um ciclo que não tinha a mínima ideia de como quebrar.

Porém Sasuke estava ali.

Sasuke era um lar.

-Eu sempre vou te encontrar.

A voz foi suave, mas definitiva. O fitou firmemente, enquanto ele o olhava de canto de olho. Sorrindo.

E contra tudo, acreditou em cada palavra.

.......

Notas finais

No próximo - e último, Sasuke.


23 de Abril de 2018 a las 23:51 3 Reporte Insertar 10
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KL Kitsune Lyra
De eu ler fez vezes essa fic, dez vezes ela me destrói, mas ela é tão maravilhosa que eu venho ler a décima primeira pra morrer de novo <3
23 de Febrero de 2019 a las 18:32
Alice Alamo Alice Alamo
Olá, Ayzu, tudo bom? É agora ou depois que mordo suas bochechas? Seguinte, sua história foi colocada "Em revisão" por alguns apontamentos: 1) conjugação incorreta em alguns momentos no uso de pretérito mais que perfeito e pretérito perfeito (algumas vezes, o uso está correto, mas outras não. Por exemplo “Acordara em uma plantação de arroz”, está correto, mas isso torna a sentença anterior que fala do Naruto acordando errada, porque também deveria ser no Mais que perfeito. 2) Alguns pequenos erros de pontuação, vírgula na maioria dos casos, acho que resolve fácil lendo o mesmo de novo. 3) Tem umas palavras com grafia incorreta; 4) Alguns erros com o verbo “haver” como em “Papéis voavam pela janela da sala aberta, e haviam móveis caídos pela sala” (haver com sentido de existir é impessoal) 5) Tem umas crases que precisam ser revistas, tem um "As vezes" por exemplo sem o acento. A história tá maravilhosa, mas, para verificarmos, tem que dar uma olhadinha nesses apontamentos aqui. O seu texto não tem nada de erro grave, são coisas bem simples de arrumar e acho que você mesma dando uma revisada é o suficiente para deixar no jeitinho <3 Parabéns pela história e, assim que corrigir (se quiser tbm porque você não é obrigada), basta me avisar aqui no comentário que venho checar de novo para Verificar ;)
27 de Noviembre de 2018 a las 18:42
Ellie Blue Ellie Blue
eu to meio paralisada ainda, por isso num vou comentar algo tão ALGO aqui, certo? Vamo pro próximo.
20 de Noviembre de 2018 a las 21:08
~

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