amanda-kraft1664221938 Amanda Kraft

Após o encontro em uma taverna com um velhote, que dizia ter pertenciado à tripulação de Ponce de León, Luva Negra sente o ímpeto de sair em busca do maior segredo da humanidade: A Imortalidade. Conseguirá ele encontrar os ingredientes secretos e se tornar um imortal? Hummm... Esta capa foi presente do grande Giovanni Turim, amigo e escritor da Inkespired. Amei. Amei. Amei.


#9 en Aventura Todo público.

#piratas #bruxa #sereia #naviopirata #amissaopirata #poncedeleón
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Luva Negra e a Imortalidade

Ponce de Léon fora incumbido de pelo Rei da Espanha, Fernando II, a explorar o restante do Mar do Caribe, mapeando as ilhas Herrera y Tordesillas, outrora descoberta por ele. Após partir com três embarcações, descobriu em meio a elas, o arquipélago das Ilhas Bimini no ano de 1512. Ao travar contato com os nativos tomou conhecimento da milagrosa fonte natural capaz de recobrar a juventude, porém sem obter sua exata localização.

Destemido, e com uma vontade férrea, acabara por encontrar a Fonte da Juventude no ano de 1520, em terras até então inexploradas, batizando-as de Flórida, devido à sua flora abundante. Contudo o segredo da juventude eterna não estava apenas nas águas milagrosas, mencionadas pelos nativos de Bimini, mas sim na junção de ingredientes inusitados que levariam o homem à imortalidade, gerando perigo a quem os obtivessem de forma errada. A fórmula, conseguida de maneira nada ortodoxa, fora anotada em seu diário e guardada em uma caverna na própria Flórida, antes de ele ser expulso por indígenas hostis. Sem poder retornar, Ponce morre anos mais tarde levando consigo a localização da tal caverna.


***


Trovões ribombavam no céu do entardecer, misturando-se aos canhões que atingiam a pequena embarcação inglesa que retornava da Índia repleta de especiarias, ouro e prata. O capitão Luva Negra gritava ordens ao seu imediato, enquanto assistia sua tripulação saltar dos mastros do Caveira, munidos de facas e espadas, no convés do Santa Helena. A guerra não era bonita, mas necessária. Em breve tudo terminaria e ele teria seus cofres cheios mais uma vez.

Assistiu, com olhos empedernidos, o afundar da embarcação nas águas revoltas, sem se importar com a chuva que lhe molhava as vestes. Seus homens festejavam no convés, enquanto ele se dirigia à cabine. Logo que o dia raiasse levaria consigo homens de sua confiança e adentraria à pequena ilha, onde esconderia o fruto daquele saque. Uma praxe normal na vida que escolhera para si. Deitado na cama, embalado pelo som da tempestade, sonhava com o continente pouco explorado de que tanto ouvira falar nos últimos tempos. De início não dera ouvidos ao velho esquelético que vivia na taberna La Plata, enchendo o bucho de vinho e contando sobre seus tempos na tripulação de Ponce de Léon.

O velhote jurara, entre um trago e outro, que o velho explorador havia escondido algo em uma gruta naquelas terras sem, no entanto, saber o quê. Não devia ser ouro e nem nada do tipo, já que entrara naquele lugar de mãos vazias. Contudo ele tinha certeza, pelo olhar satisfeito do homem, que Ponce deixara algo lá. Luva Negra guardava no bolso do colete o pequeno mapa que o bêbado desenhara. Sabia que não deveria confiar, entretanto, a sorte poderia lhe sorrir mais uma vez.

Antes do sol nascer e a tripulação acordar, entrou no bote levando consigo Carranca, Olho Furado e Seis Dedos, que carregavam um caixote com o furto da embarcação inglesa. Decorara o pequeno mapa, guiando seus homens, enquanto abria a vegetação com sua espada. Sabia onde procurar as marcas de que o velho falara e quando encontrou a primeira letra P, sorriu radiante, imaginando estar no caminho certo.

Caminharam por quase toda a manhã sem se importar com a fome que lhe assomava, já que a adrenalina da empreitada suplantava qualquer desconforto. Faltava apenas uma última letra e então, viraria à direita e encontraria a caverna. Seus homens não ousavam reclamar, pois o Luva Negra era temido até mesmo pelas autoridades que buscavam capturá-lo.

Não esboçou nenhuma reação quando viu a grande pedra, marcada com a letra N. Mandou seus homens esperarem a alguns metros dela, certificando-se de desbastar a vegetação até encontrar a entrada. Não precisou procurar muito. Logo viu o único lugar onde algo poderia estar escondido. Havia uma grande pedra chata no final da caverna. Erguera-a, sem se importar com o bicho que correra em desembalada, revelando o pequeno livro de couro. Abriu-o ali mesmo, sob a luz da lamparina. Suas mãos tremiam ao se deparar com a letra inclinada do Ponce.

Luva Negra ordenou aos seus homens que escondessem o ouro naquela gruta e partiu apressado para o Caveira. Na alta hora da madrugada passou a ler o instigante relato do antigo explorador em busca da imortalidade. Prendeu a respiração ao verificar os ingredientes da fórmula, franzindo o cenho ao notar que algo no rodapé começara a ser escrito, porém interrompido de maneira brusca, restando apenas folhas brancas. Voltou os olhos sequiosos para a fórmula:

— Água da fonte termal

— Cascalho macerado da estrada de Atlântida.

— 20 gotas de sangue de sereia.

— Lágrima de Bruxa.

Mal fechou os olhos naquela noite, ansiando por seguir os passos de seu antecessor. Adentraria ao mar, assim que o sol raiasse, seguindo em direção à Bimini. Ali conseguiria o primeiro ingrediente e, se tivesse sorte, talvez encontrasse a Sereia encantada que protegia aquelas águas.

Dispensou sua tripulação assim que aportaram, levando consigo seus fiéis marujos, explicando o que fariam naquela missão secreta de exploração. Seguiu o mapa traçado no livro, sem se importar com a densa neblina que passou a cercá-los, enquanto se afundavam na mata. O som de água correndo os orientava, embora passassem a ouvir um canto inebriante. Luva Negra sentia o frenesi a dominá-lo. Tratou de tapar os ouvidos, conforme orientado, pedindo que Três Dedos seguisse o som das águas. Apertaram o passo e logo se depararam com um lago cristalino onde havia uma Sereia sentada em uma pedra, banhando-se, em meio à neblina que dissipava. Seus homens ficaram atordoados com o canto. Deixou que entrassem nas águas quando ela mergulhou, após encará-los com olhos perversos.

Luva Negra encheu uma bolsa de couro com aquela água, mergulhando atrás de seus homens quando viu a mulher peixe dançando ao redor deles, pronto para conduzi-los à profundeza. Levou sua faca à boca, vendo o rabo de peixe ir para frente e atrás, enquanto ela estendia a mão para o Olho Furado que a encarava abobalhado. Ao se aproximar lhe feriu as costas, que passou a avermelhar as águas. Seu canto cessou dando lugar a um guincho de dor. Antes que fugisse, segurou-a por trás, colhendo seu sangue, no momento em que seus homens saíram do torpor, horrorizados.

Deixou-a livre e passou a nadar ferozmente até a margem. Sem nada dizer, conduziu seus homens, que o encaravam desconfiados, à cidade abandonada a poucos metros de distância. Sabia onde ficava a formação rochosa, que se parecia com uma estrada, dentro do mar. Os antigos diziam ser o caminho que levava ao reino perdido de Atlântida. Mergulhou nas águas claras, levando novamente a faca na boca. Enquanto tentava tirar uma lasca de rocha, um tubarão passou a cercá-lo. Carranca não pensou duas vezes. Pulou no mar disposto a salvar o capitão. Luva Negra, após conseguir seu intento, vê o pirata erguer a espada em direção ao predador, que passou a investir contra os dois com a bocarra aberta. Carranca chegou a rasgar a barriga do peixe, contudo, este virou e investiu novamente, arrancando o braço que brandia a espada. Aquela batalha estava perdida para ele. O capitão salvara-se por pouco.

Voltaram ao navio, calados, pranteando a morte do amigo. Contudo Luva Negra, obcecado, não tinha tempo a perder. Ainda precisava da lágrima de bruxa e sabia bem onde encontrá-la. Naquela noite mal pregara os olhos. O dia raiou e já estava mar adentro. Em breve chegaria a Havana. Assim que aportou, dirigiu-se ao coração da floresta. Ali havia uma clareira e nela, a velha bruja Asunción. O que ele não havia atinado, tal qual sua obsessão, é que essa bruxa já não mais existia. Setenta anos se passaram desde que Ponce estivera ali, contudo, um casal se arraigara naquelas terras. Uma descendente da velha Assunção. Não tardou a ordenar que Olho Furado e Três Dedos avançassem para o marido da jovem, aprisionando-o. Ela implorou para que não lhe fizessem nada, enquanto proferia palavras em um dialeto estranho.

Luva Negra, amedrontado, amordaçara-a enquanto seus homens cravaram um punhal no jovem que se debatia. Lágrimas rolaram pela face da moça que, após ser colhida, atirou-se aos pés do marido. Ela ergueu a cabeça e conjurou palavras, entretanto, antes que terminasse, o capitão atravessou seu coração com a adaga.

Naquela noite, ensandecido, preparou a poção conforme descrita. Bebeu-a, gargalhando, oferecendo-a após, em um brinde aos dois comparsas que a beberam sem nada entender, diante de seus olhos ávidos. Pouco depois, Luva Negra sacou sua espada e a cravou nos amigos. Seus olhos arregalaram, ao entender que a morte viria buscá-los, para depois se apagarem.

O Capitão gritou em fúria, ao ver o sangue dos amigos mortos. Uma luz intensa, avermelhada surgiu no canto da cabine e a Bruja Asunción saiu por ela.

— Você jamais deveria ter colhido uma lágrima de bruxa à força. Agora virá comigo e viverás dias de tormento — proferiu com voz rouca e profunda, agarrando-o e o guiando para a escuridão. Seu último pensamento foi a frase interrompida de Ponce de León em seu diário.

14 de Septiembre de 2023 a las 20:20 11 Reporte Insertar Seguir historia
12
Fin

Conoce al autor

Amanda Kraft Participo com mais de oitenta contos em diversas antologias de várias editoras. Contos narrados em podcast: Creepy Metal Show e Malditocats. Possuo alguns livros lançados: Somente eu sei a verdade; Traição; Uma Segunda Chance; A Noiva da Neblina e o Segredo de Lara.

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Samuel Palmeira Samuel Palmeira
A parte que ele prepara a poção e a coisa toda dá errado me deixou com o coração na mão. E o final, com a bruxa aparecendo e levando ele, foi um toque de mestre. Mostra que nem sempre a busca pelo poder dá certo, né?
December 25, 2023, 15:05

  • Amanda Kraft Amanda Kraft
    Com certeza, amigo. Mto obrigada, pelo comentário. December 25, 2023, 19:54
Marcelo Farnési Marcelo Farnési
Parabéns, Amanda! Mais do que merecido estar aqui. Uma estória realmente cativante. Como sempre, né?
November 07, 2023, 10:13

Le Loustic Hop Le Loustic Hop
Voltando para te parabenizar pela vitória, Maga!! Parabéns, uma história incrível mesmo 🥰
September 18, 2023, 13:25

  • Amanda Kraft Amanda Kraft
    Mto obrigada, meu amigo. Mas acho que a sua deveria ter ganhado. September 18, 2023, 19:12
  • Le Loustic Hop Le Loustic Hop
    Ah, que nada. Ganhou a melhor 🥰, mas obrigado pelo carinho, Maga. September 18, 2023, 23:26
Le Loustic Hop Le Loustic Hop
Que história demais, Maga! Cara, você sempre consegue passar a vibe perfeita, e é de uma criatividade fora do comum. Eu amei. Quando eu estava pensando numa história, cheguei a escrever uma na qual um dos ingredientes também era "sangue de sereia", acredita? Que coincidência auhauh eu só não postei essa porque não consegui passar tudo o que eu queria dentro do limite de 1.500 palavras. Cheguei a fazer a capinha auhah, mas aí preferi escrever aquela outra, a que você leu. Parabéns, Amanda!
September 14, 2023, 21:25

  • Amanda Kraft Amanda Kraft
    Muito obrigada, meu querido. Realmente passar tudo o que pensamos nesse limite é um trabalho Hercúleo. kkk. Mas eu amei a sua estória do que jeitinho que escreveu. Uma belíssima aventura. September 14, 2023, 21:40
Luiz Carlo's Luiz Carlo's
Amiga que trabalho excelente, muito bem redigido, história muito boa. Parabéns 🎊
September 14, 2023, 20:48

  • Amanda Kraft Amanda Kraft
    Fico muito feliz que tenha gostado. Mto obrigada, amigo. September 14, 2023, 21:38
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