Almas gêmeas Seguir historia

lady_giovanni Lady Giovanni

Desde criança, Ryuho ouvia as histórias sobre os cavaleiros lendários, mas não sabia que um deles estava destinado a mudar sua vida por completo. *Idades dos personagens foram modificadas.


Fanfiction Anime/Manga No para niños menores de 13. © Todos os direitos reservados.

#Ryuho-Shun #romance #yaoi #cdz #saintseiya #omega
Cuento corto
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Destino

Sentado em frente a cachoeira de Rozan, meditava para tentar manter o pouco de controle que ainda restava em minha mente. Meu pai, que também é meu mestre, me ensinou tudo que seu mestre lhe ensinara um dia. A parte que mais gostava de meus treinamentos era esta: Meditar. Conseguia ter um pouco de paz nesses momentos, já que sempre deixei bem claro para todos o quanto eu não gostava de lutar. A razão de ter me tornado cavaleiro foi pelo meu pai. Sofria por vê-lo sem seus sentidos e prometi a mim mesmo que faria de tudo para que conseguisse ajudá-lo.


Olhando para o passado e lembrando de minha juventude, me recordo da primeira vez em que o vi. Foi nesse mesmo lugar, meditando, que pude sentir seu cosmo gentil se aproximando. Abri meus olhos ao sentir o toque de sua mão sobre meu ombro. Olhei para ele e vi aquele sorriso tão doce e como era ainda muito jovem, não pude compreender o que se passava comigo. Eu simplesmente paralisei. Não pude deixar de olhar para seus olhos. Nunca havia visto olhos mais belos. Tão graúdos… tão verdes. Verdes, como duas peças de esmeralda.


— Você deve ser Ryuho, não? — se agachou e sorriu para mim de olhos fechados.


Nunca me esquecerei desse dia. Nunca me esquecerei de seu rosto… de sua expressão. O amei desde a primeira vez que o vi, mesmo não tendo conhecimento do que era o amor.


Ouvi a voz de minha mãe, chamando pelo seu nome e senti meu coração bater forte. Shun? Era esse o seu nome? Admirava muito meu pai, mas dos cinco cavaleiros lendários, o que mais me identificava era ele: Shun de Andrômeda. E, naquela noite, lá estava ele… bem a minha frente.


Ouvi muitas histórias sobre os cavaleiros lendários, mas não os conhecia. Minha mãe sempre me dizia que a constelação de dragão brilhou intensamente na noite do meu nascimento. Não sei se era só seu lado romântico de como via as coisas falando mais alto, mas ela sempre contava a mesma história antes de eu dormir. E, claro, eu adorava.


Sua visita foi breve, pois no caminho para cá passou por um vilarejo muito pobre e prometeu que voltaria para ajudá-los com o que podia. Quando o vi se aproximando de mim para se despedir, senti um grande vazio dentro de mim.


— Foi um prazer conhecer você, jovem dragão. — sorriu docemente. — Você ainda vai ser muito forte, assim como o seu pai. Posso notar a grandeza de seu cosmo.

— Prazer, Sr. Shun. E, obrigado. — disse e abaixei a cabeça entristecido. Havia tantas coisas que eu queria saber, mas já não havia mais tempo. Seu tempo livre era curto, infelizmente.


Senti o toque das mãos de minha mãe em meus ombros e olhei para ele uma última vez antes de vê-lo partir. Meu coração apertou.


— Boa noite, Shunrei. O jantar estava maravilhoso, como sempre. E, cuide bem desse mocinho. — tocou a mão em minha cabeça. — Ele terá que ser forte, se um dia quiser ir à Palaestra. — sorriu.

— Sim, falta pouco tempo para isso acontecer. Meu bebê cresceu tão rápido. — riu.

— Mãe! — olhei para ela envergonhado.

— Você sempre vai ser meu bebê, meu filho. — beijou minha cabeça. — Obrigada por vir, Shun. Sempre que passar por Rozan, será bem vindo em nossa casa.

— Obrigado. — se curvou e foi embora, acompanhado de meu pai.


Depois daquela noite, nunca mais fui o mesmo. Tinha esperanças de um dia revê-lo, mas essas foram diminuindo, conforme os anos passavam.


Já na Palaestra, pude aperfeiçoar ainda mais minhas técnicas com a ajuda dos professores. Também aumentei meu domínio sobre meu elemento, apesar de ter muito de meus treinamentos interrompidos por conta de minha saúde. Eu era muito esforçado e sempre mantinha meu objetivo em mente, sempre focando em me tornar melhor a cada dia. Faria meu pai ter orgulho de mim, assim como no dia em que conquistei a sua antiga armadura. Eu faria de tudo para ver meu pai totalmente recuperado, nem que pra isso, eu tivesse que me sacrificar. Seria ironia do destino? Até nisso, éramos parecidos.


A segunda vez em que o vi, fui pego de surpresa. Abri os olhos ainda confuso, pois me lembro que estava com Kouga e os outros ao sermos atingidos pelo cavaleiro de ouro de touro. Estava deitado sobre uma cama e olhei em volta, vendo que estava em um vilarejo. Sentei na cama e me senti um pouco zonzo ao sentir a presença de alguém. Olhei para a porta e entreabri os lábios. Era ele. Iluminado sob os raios do sol, daquela tarde quente, mais parecia um anjo. Se aquilo fosse meu “Post Mortem”, estaria realizado.


Ele se aproximou de mim e se sentou ao meu lado, tocando a mão sobre minha testa. Olhei para ele, por um instante, e vi sua expressão preocupada. Desviei o olhar sem jeito e suspirei.


— Como está, Ryuho? Se sente melhor?

— Ah, sim. Só estou um pouco zonzo.

— Imagino que sim, você sofreu uma pancada muito forte. Ainda bem que achei você. — disse e retirou a mão.

— E, os outros? Estão bem? Onde eles estão?


Shun se levantou e caminhou até a mesinha que tinha próxima à janela e olhou para fora, como se estivesse sentindo algo. Passou as mãos sobre os braços e notei que ele puxava as mangas. Ele estaria escondendo algo de mim?


— Eu só achei você lá. Não havia sinal dos outros.

— Ah… — baixei o olhar. — Espero que esteja tudo bem com eles.


Ele se aproximou de mim e tocou a mão em meu ombro, o que fez com que eu olhasse. Encarei novamente aquelas orbes esverdeadas e senti meu peito apertar. Em meio a tanta coisa acontecendo, fora o tempo que estava longe da China, me senti só e ele era a única pessoa que estava ali. Aquele foi um mau momento para deixar que a carência falasse mais alto.


— Vai ficar tudo bem... — sorriu.


Suas poucas palavras foram suficientes para que eu o abraçasse forte. Escondi meu rosto em seu peito, sentindo o calor de seu corpo pela primeira vez. Inspirei seu perfume e fechei meu olhos, deixando uma lágrima cair. Poderia morrer naquele momento que não ligaria para mais nada. A sensação de estar nos braços de quem mais ama é simplesmente maravilhosa. Os pêlos de meu corpo foram se arrepiando, assim que seus dedos deslizaram pelos meus cabelos, encontrando meu queixo e levantando-o. Corei intensamente e senti sua mão afastando as lágrimas que caíam de meu rosto.


— Sei como se sente…

— Sr. Shun…

— Sr.? Não me trate assim tão formalmente... Me sinto ainda mais velho do que já sou. — riu.

— O Se… Você não é velho. Pelo menos, não aparenta.

— Obrigado. — sorriu.


Trocamos um olhar que durou bem mais do que esperava e o vi se afastar. Parecia sem jeito e imaginava o porquê. Somente um tolo, como eu, era capaz de pensar que um dia ele me notaria. Por mais que estivesse a ponto de completar minha maioridade, ele sempre me olharia como seu eu fosse um moleque. E, o pior: filho de seu amigo.


Shun serviu duas canecas com refresco e me entregou uma delas. Agradeci e continuei observando-o calado. Olhei para seu rosto angelical e acabei me lembrando das noites que dividia o quarto com meu falecido amigo. Tantos momentos que compartilhamos nossas alegrias, tristezas, frustrações. Estas que se resumiam praticamente em duas: Conseguir completar os meus treinamentos para devolver os sentidos ao meu pai e um dia ver Shun novamente.


Tentei arrancá-lo de minha cabeça diversas vezes, mas sua imagem sempre retornava sem o menor dos esforços. Sentia, por mais que não o via, que de alguma forma ele estava perto de mim. Era estranho, mas essa conexão entre nós aumentava, conforme foram nossos encontros com o decorrer da guerra contra Marte.


A cada despedida, meus sentimentos por ele aumentavam, assim como a dor de vê-lo partir e nunca mais o encontrar. Queria que tudo fosse mais fácil, mas nada na minha vida era assim. Nunca pude fazer de fato o que eu gostava. Estava preso ao destino de ser um cavaleiro de Atena, ainda que fosse contra a minha vontade. Eu realmente não gostava de lutar. Eu só queria viver em Rozan em paz, com as pessoas que eu amo, ao meu lado, mas eu não tive escolha.


Pensei por inúmeras vezes, que se eu ficasse vivo até o final da guerra, eu poderia enfim cumprir meu destino, a minha maneira, mas não foi o que aconteceu. Me senti mais vazio do que nunca. Não tive mais notícias de meus amigos e Shun… bom, eu não tive mais notícias dele.


Passei dias e noites, meditando em frente a cachoeira, causando uma certa preocupação em meus pais. Eles sabiam que havia algo de errado comigo, mas nunca me questionaram o porquê de estar fazendo aquilo. Até porque eu já era um homem. Minha mãe, seguindo seu instinto materno, sempre procurava estar ao meu lado para cuidar de mim. Toda noite, trazia uma manta e me cobria com ela, deixando uma cestinha com algumas frutas para me alimentar. Eu era grato por isso.


Foi vendo toda essa preocupação, que tomei a decisão de sair de casa e seguir o meu caminho. Minha mãe, novamente, sofreu muito com minha partida, mas me manter por perto já não estava mais ao seu alcance. Sofri da mesma forma, pois era muito ligado a eles, mas ficar só tiraria sua paz e eu não queria mais isso. Já estava mais do que na hora de eu agir e tomar meu rumo.


Comecei a trabalhar na fundação Kido e com o dinheiro que ganhava, pude pagar meus estudos. Me formei anos depois como professor e passei a me dedicar a ajudar os mais pobres. Assim como Shun fazia. Sua compaixão me inspirava, sua vida servia de modelo para a minha. Se não pudesse tê-lo, faria algo para que o mundo fosse melhor. Daria esperanças para os desacreditados, fazendo-os ter uma outra perspectiva das coisas. Eu realmente havia achado o meu caminho e estava feliz com isso.


Algum tempo se passou e, desta vez, eu o encontrei. Meu peito se encheu de alegria assim que o vi conversando com algumas crianças e notei que seus cabelos esverdeados agora possuíam algumas finas mechas grisalhas que se misturavam ao resto. Abaixo dos olhos, algumas linhas que denunciavam o avanço da idade, mas os olhos… Ah, esses continuavam os mesmos. Brilhantes, tão verdes... Como os amava.


Toquei em seu ombro da mesma forma que sempre fazia comigo e vi aquele sorriso que fazia meu coração bater forte. Ele envolveu suas mãos sobre meu rosto e me abraçou forte. Retribuí o gesto e nos afastamos em seguida.


— Ryuho! Como você está? Olhe pra você... Já é um homem! — sorriu radiante.

— É. Um dia, eu teria que me tornar um, não é mesmo? — soltei um riso.

— Está certo. Venha… Eu preciso falar com você. — segurou minha mão e me puxou.


Senti meu coração bater forte e retribui o gesto. Após andar alguns metros, entramos em uma pequena casinha e assim que ele fechou a porta, me permiti ousar. Eu não aguentava mais a espera de provar daqueles lábios, que por anos sonhei tanto beijar. O pressionei contra a porta e me aproximei, vendo-o seu rosto enrubescer. Sorri e lhe beijei, mas ele logo me afastou. Seguiu até a mesa, onde apoiou o braço e suspirei, pensando que tinha posto tudo a perder por causa de uma idiotice minha.


— Me perdoe. Eu… não devia.


Ele se curou, olhando para mim e se aproximou, parando em minha frente.


— Ryuho, você não tem noção de quanto tempo eu esperei para que o reencontrasse.

— Como? Que papo,é esse? Você sabe que estive em Rozan por algum tempo após a guerra terminar. Por que não foi até lá?

— Você sabe o porquê.


Ergui uma sobrancelha e cruzei os braços.


— Olha, já resolvi muitos enigmas na minha vida, mas de todos, você está sendo o pior.


Ele riu e continuou fazendo seus mistérios.


— Eu sou um enigma? Não me diga que sou assim tão difícil de decifrar.

— Pois eu digo, que sim! Primeiro, você disse que queria me ver e agora diz que não poderia ter ido a Rozan por sabe lá qual motivo. Não pode ser direto e acabar com minhas dúvidas?

— Tão libriano…— soltou um sorriso e se afastou, parando de frente para a janela.

— O que isso tem a ver? — me aproximei e o virei pra mim.


Ele olhou para mim e abaixou sua cabeça.


— Queria reencontra-lo, para dizer o quanto te amo. — disse e olhou para mim.


Fiquei surpreso diante de sua revelação e não consegui abrir a boca pra dizer nada.


— O que foi? Não fui direto, o bastante?

— S-sim…

— Que pena… Se me pedisse pra ser mais direto, teria que partir para o “plano B”.

— Plano B?

— Sim. — se aproximou. — lhe beijar. — disse e envolveu seus braços em meu pescoço, selando seus lábios nos meus.


Retribuí, sentindo toda a intensidade dessa nova sensação e ficamos algum tempo abraçados, até que resolvi quebrar o silêncio:


— Me diga que isto não é um sonho…

— Não é. E agradeço aos deuses por isso. — sorriu.


Sorri e lhe dei um selinho, passando as mãos pelos seus cabelos.


— Eu sempre te amei. Sempre.

— Eu sei. Eu não sei em que momento passei a amar você, mas sofri muito, pensando que você poderia me rejeitar. Você sabe... Agora estou virado em um velho, enquanto você está no auge de sua juv...


Coloquei o dedo em seus lábios e o silenciei.


— Não quero saber desse papo… Olha, a diferença nem é tanta. Pelas minhas contas, você tem 43. E, eu estou com 25.

— Como sabe minha idade? — colocou as mãos em meu ombro cintura.

— Eu sei de muita coisa sobre você… mais do que imagina. — abracei sua cintura, trazendo-o para perto.

— É… mas a idade agora não é mais um empecilho. O problema é com seu pai. — disse e soltou um suspiro.


Levantei seu queixo e olhei para ele.


— As minhas escolhas, quem faz sou eu. Agora, eu posso dizer isso.

— Eu sei, mas…

— Mas nada! Ninguém vai se opor a isso e se isso acontecer, ficarei ao seu lado de qualquer forma.

— Ryuho…


Acariciei seu rosto e beijei sua bochecha.


— Eu te amo, Shun.

— Eu também, meu anjo. Eu também.


Nos beijamos e selamos nossa união ali, decididos a compartilhar nossas vidas juntos sem que nada mais nos separasse. 

7 de Abril de 2018 a las 17:02 0 Reporte Insertar 1
Fin

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