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Laís Organa


Lancaster é a cidade perfeita para pessoas perfeitas. As flores nos jardins estão sempre vibrantes, as garotas desfilam com seus saltos altos e toda família viaja para o exterior pelo menos uma vez ao ano. Eles possuem um sorriso brilhante em seus rostos e todos vivem suas vidas incríveis e perfeitas na tranquilidade que a cidade oferece. Para um grupo de cinco garotas, perfeição significa manter as aparências. Passeios no shopping, piadas internas e uma popularidade inatingível. Nada poderia ser mais perfeito para December, Jessica, Lilly, Selena e Sophia, que agradecem todos os dias por terem sido escolhidas para o grupo seleto de Caroline O'Connor! Mas isso não durará por muito tempo, porque segredos são desenterrados e seria melhor que eles permanecessem a sete palmos de terra.


Ficción adolescente No para niños menores de 13.

#gay #teen #adolescente #lgbt #bissexual
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Capítulo 1



—Diga “xis”! — O flash da câmera me cegou por alguns segundos. Pisquei várias vezes e distingui a forma da garota à minha frente. Melissa tinha seu cabelo violeta em um coque, com vários fios rebeldes escapando. Ela tirou a foto da polaroid — Essa ficou boa!

Mel ajeitou seus óculos e sorriu para mim. Não pude evitar sorrir de volta.

—Melissa está te incomodando de novo? — Ouvi uma voz atrás de mim. Melissa estremeceu. Olhei para o lado e Carol colocou a mão na cintura.

Caroline O’Connor. A garota mais bonita e mais popular de Lancaster High. Todos os garotos queriam namorar Carol e todas as garotas queriam ser Carol. Ela tinha um poder tão grande que toda a atmosfera do lugar mudava quando seus scarpins tocavam o chão. Seus cabelos loiros caiam sobre suas costas, formando cachos delicados na ponta. Seus lábios finos sempre tinham um meio sorriso, brilhantes pelo gloss cor-de-rosa que ela usava.

Carol era perfeita em todos os aspectos. Sua família tinha um ótimo relacionamento, seu rosto estava sempre livre de espinhas, suas roupas eram da última coleção e o seu trono na escola nunca era ameaçado.

E por algum motivo, Carol resolveu ser minha amiga. Não só minha, mas de quatro outras garotas.

—Ela só estav-

—“Deixe me tirar uma foto sua!” — Cat imitou o sotaque francês de Melissa e deu uma risadinha. Mel olhou para sua câmera e murmurou alguma coisa antes de correr pra fora da sala de aula — Idiota.

O sinal havia batido há pouco tempo e a maioria das pessoas ainda estava na sala, arrumando seu material ou tagarelando sobre o último episódio de alguma série. Coloquei a mochila pink sobre os ombros e me apressei para acompanhar Carol, que já estava fora da sala.

—Você sabe em quem vai votar pra ser rainha do baile de formatura? — Ela ajeitou sua camiseta lilás e acenou para alguns garotos que passaram na nossa frente — Eu sei que ainda estamos em setembro e maio está longe, mas-

—Em você, claro — disse. Ela suspirou aliviada e sorriu. Mas logo sua expressão endureceu novamente.

—Sabe, Demi, você até poderia competir se fizesse uma dieta. —Ela manteve o olhar, mas eu não consegui. Passei a encarar minhas mãos — Ninguém quer uma rainha com coxas gordas.

Meus shorts pareceram diminuir mais ainda de tamanho. Carol tinha toda a razão. Por que alguém votaria em mim? Eu não era magra e nem bonita como ela.

Na verdade, minhas bochechas eram grandes demais. E eu sempre tive nariz de batata. Meu cabelo loiro-sujo nem se compara com os fios dourados de Carol. Meus olhos castanhos eram chatos e sem graça perto dos azuis cristalinos dela.

Algumas líderes de torcida passaram rindo. Engoli em seco.

—Eu não sei, Char. — O pesado sotaque inglês chamou minha atenção. Levantei a cabeça, tentando esquecer as palavras de Carol. Ou o olhar dela que ainda pesava sobre mim.

Vindo em nossa direção, estava Lilly. Suas madeixas ruivas acompanhavam seus movimentos enquanto ela conversava com a segunda garota, Charlotte Goldstein.

—Tenta adiar pra amanhã. Assim a gente tem mais tempo de formular um argumento. — Lilly disse, quando parou ao nosso lado. Charlotte assentiu e dispersou em direção às escadas. Lil balançou a cabeça e virou-se para nós — Bobagens da corrida.

Lilly Watson, a mais nova do nosso grupo de amigas, mas a mais madura. Eu não conseguiria assistir ao tanto de classes que ela assiste. Ou tentar concorrer à presidência de classe, que é o maior sonho de Lil. Com seus 1,78m de altura, Lilly chama a atenção onde passa.

—O que houve? —perguntei. Carol começou a digitar em seu iPhone.

—A campanha tá bem acirrada. — Ela torceu a boca — Elizabeth realmente está se esforçando. No último debate ela foi incrível.

—Elizabeth incrível em algo? Conta outra, Lilly. — Carol desdenhou — Ou você é fraca demais pra ela?

Lilly rolou os olhos azuis.

— Ah, acabei de lembrar que eu tenho coisas úteis a fazer. Não passo o dia inteiro encarando minha manicure. — Lil disse e Carol a mediu de cima a baixo — Até mais, December.

Você não precisa ser muito esperto pra entender o relacionamento de Lilly e Carol. As duas eram amigas, mas viviam discutindo. Uma resposta atravessada aqui, outra indireta ali. Elas viviam em pé de guerra.

—Você já almoçou? — Cat me perguntou. Ela rumava sua bolsa em busca de algo, sua carteira talvez. Pensei nas garotas rindo no corredor. E em hoje mais cedo, meu esforço para entrar nos shorts que usava.

A gola da minha camisa começou a pinicar e eu puxei as mangas para baixo, tentando cobrir todo o meu braço. Cocei os pulsos.

Despertei dos meus devaneios com Carol estralando os dedos na minha face. Ela grunhiu e disse que estava com fome.

—N-não vou comer agora. — Ela só fez uma pergunta, Demi. Sem maiores intenções. Cat é sua amiga e quer seu bem. Ela não quer que você morra de inanição. Fique calma.

—Vem comigo, então. — Cat disse e virou as costas para mim, desfilando até o refeitório. Fiquei alguns segundos plantada no lugar, observando a silhueta da minha amiga.

[…]

—Lasanha? — Carol levantou o garfo. Neguei.

Estávamos sentadas na nossa mesa de costume, bem no meio do refeitório. Carol dizia que gostava da maneira que a luz entrava pela janela e refletia em suas pulseiras. Mas conhecendo ela como conheço, tenho certeza que é só para que todos tenham uma melhor visão dela.

O refeitório estava lotado. Quase ninguém passava a hora do almoço, era tipo uma hora sagrada. Se você não estava comendo, pelo menos estava com seus amigos. Em uma mesa próxima, algumas pessoas do clube de música entoavam um jazz. Em outra, os artistas brincavam com suas batatas fritas, fazendo obras na bandeja azul.

—Você não vai comer nada mesmo? — Carol me perguntou e eu demorei um pouco antes de negar outra vez. Ela olhou para algo atrás de mim por um bom tempo, antes de retornar sua atenção — Divide comigo, por favor!

Cat tinha acabado de dizer que minhas coxas eram gordas e me recomendar uma dieta e agora ela estava fazendo biquinho e implorando pra que eu comesse? Mas é claro, é apenas o jeito dela de cuidar de mim. Ela não quer que eu fique gorda, mas ela também não quer que eu passe fome.

Sorri e assenti. Peguei o garfo da mão dela e parti a lasanha em dois. Coloquei um dos pedaços na minha boca. Aquilo estava tão bom que eu não podia acreditar que Carol ainda tinha coragem de reclamar.

—Ei, Demi, cuidado pra não se engasgar. — O garfo escapou da minha mão e ouvi uma risadinha. Me virei rapidamente. Elizabeth Moores, a co-capitã das líderes de torcida, me encarava. Seu cabelo loiro preso em um rabo de cavalo e seu braço entrelaçado com a melhor amiga, Megan Schneider.

—Para com isso, Lizzie — Megan passou a mão por seus cabelos castanhos, em um corte Chanel — December nunca se engasgaria com comida. É tipo, o passatempo favorito dela.

Meu estômago revirou e por pouco eu não botei tudo pra fora. Minhas bochechas esquentaram. Olhei para Carol, mas ela estava ocupada demais para se importar, mexendo em seu celular.

—Engraçado você dizer isso, Elizabeth. Você precisava ver a cara que o Zack fez no último treino, quando tava te levantando. — Uma terceira garota se juntou e empurrou o ombro de Elizabeth.

Selena García. Capitã das cheerleaders. Talvez a segunda garota mais bonita de toda a escola. Ela conseguia conquistar a todos com sua simpatia. O uniforme vermelho do time de torcida parecia ter ido feito sob medida para seu corpo. As pontas do cabelo de Selena estavam tingidas em um recém-retocado ombré.

—Ele parecia carregar uma bigorna. — Sel cruzou os braços. Elizabeth abriu a boca para retrucar, mas desistiu, dando meia volta. Megan seguiu a amiga.

Eu voltei a encarar minhas mãos. Brinquei com o anel em meu dedo. Elizabeth e outras pessoas viviam tirando sarro de mim. Eu sempre tentava ignorar, mas algo sobre o dia de hoje não me permitiu de fazer isso. As palavras de Carol, no corredor, ainda ecoavam na minha mente.

Ninguém quer uma rainha com coxas gordas.

—Você tá bem? — Selena colocou a mão no meu ombro. Seus olhos cor de mel tinha um quê de pena. Aquilo só fez o meu estômago revirar com mais intensidade. Arrastei minha cadeira e saí em disparada.

Escorreguei em alguma coisa no chão, mas continuei correndo até alcançar as portas. Eu queria sair dali. Eu queria ir pra minha casa. Eu queria ir pra um lugar bem longe, fora do alcance de todos.

Empurrei a porta com força e acabei batendo em alguém. O impulso me fez parar e eu funguei.

—Ei, olha por onde anda! — A garota mais alta berrou. Notei a camiseta do time de futebol — Espera, Demi?

Limpei meus olhos.

Sophia Washington e Jessica Willow. As únicas que faltavam para fechar o grupo.

Sophia fazia parte do time de futebol americano. A única garota, na verdade. E ela se orgulhava muito disso, apesar de ter passado a maior parte da temporada no banco. Porém, no último jogo, o wide-reciever acabou se machucando e ela entrou em campo. E fez um touchdown!

Sophia se aproximou de mim, seu cabelo negro preso em trancinhas e sua pele bronzeada reluzindo com o sol.

—D-Demi? Tudo bem?

Encarei Jessica. A mais tímida e fechada. Mas a mais próxima de Carol. Jessica era parecida com Cat na aparência. Seu cabelo também era loiro, porém liso. Seus olhos eram redondos e azuis. Jessica também era alta e tinha postura de bailarina, já que era uma. Mas Jessica era uma garota doce e sensível. Duvido que ela sairia falando o que pensa para os sete ventos.

Balancei a cabeça e ignorei as duas, continuando meu caminho. Corri às cegas pelo corredor, tentando me movimentar pelo que sabia de cabeça. Minha visão estava totalmente embaçada pelas lágrimas e meus soluços faziam meu corpo todo tremer.

Eu não sei o quanto eu corri. Sei que logo estava em casa, no meu banheiro. Exausta, mas ainda chorando. Ajoelhada, no box. Fazendo aquilo de novo.

Meus pulsos ardiam. A água do chuveiro contra o piso abafava meus soluços. Tudo que eu via era vermelho. Meu peito doía. Minha garganta arranhava. Mas eu não parei.

Por que garotas são tão cruéis?

1 de Abril de 2018 a las 02:37 0 Reporte Insertar 3
Continuará… Nuevo capítulo Todos los sábados.

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