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alicealamo Alice Alamo

Alguns pesadelos passam a ser quando se está acordado, ou melhor, online..


Drama No para niños menores de 13.

#drama #angst
Cuento corto
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Capítulo Único

  

Eu não consigo mais...

As palavras ferem. Não são como agulhas no coração, não, elas estão mais para facas com serras a rasgar a carne e criar um rombo na minha sanidade.

As minhas mãos tremem ao digitar, o tremor alcança quase a frequência do meu coração assustado, que bate no peito como um louco aprisionado em uma jaula junto a um predador prestes a devorá-lo. A respiração é confusa, ela tropeça no caminho até minha boca e nariz, enrola-se na traqueia e volta aos pulmões me sufocando e fazendo com que eu comece a soluçar.

As palavras do ódio alheio estão arquivadas, pastas e pastas empilhadas em minha mente. E então o choro rompe, uma vã tentativa de fazer com que esse ódio todo recebido saia da minha cabeça, como se olhos fossem as torneiras a permitir a vazão dessa crueldade armazenada em meu crânio.

O frio me atinge, como se o sangue se recusasse a continuar seu caminho em minhas veias, quase como se quisesse que eu perdesse a consciência para fugir dessa realidade.

O pânico me assola.

Meu estômago se contorce, e quase consigo visualizá-lo se contraindo mais e mais, expulsando do meu corpo o veneno das mentiras ditas.

Não há o que fazer, não há o que dizer... a trama de falácias é longa, um fio se enrosca ao outro, um nó impede que se chegue ao próximo, e a verdade ao fim é um objetivo inalcançável.

O coração continua no peito infelizmente, e tudo o que mais se quer é que ele pare de fazer tanto escândalo, é retomar as rédeas do próprio corpo e não se deixar abater pelas palavras ácidas, pelos xingamentos maldosos, pelos julgamentos pre concebidos, pelas conclusões precipitadas e equivocadas. Mas não dá...

De repente, o que achava que estava sob controle escorrega entre os dedos, e o caos se faz visível, tão claro quanto o sol a romper no amanhecer.

Encolhida, deitada na cama com os olhos fechados e o corpo ainda a tremer pelos soluços teimosos que não se calam, só me cabe esperar que os minutos se arrastem, que o frio passe, que meu estômago termine de me fazer vomitar cada injustiça e que minha mente finja apagar cada ofensa.

E, quando isso acontece, não me mexo, permaneço inerte como se o menor movimento pudesse quebrar a falsa harmonia recém estabelecida. Durmo, porque é uma forma fácil de fugir de tudo. No dia seguinte, ao acordar, finjo que nada aconteceu, mantenho a mente ocupada, cumpro minha rotina e ignoro a vontade de pegar o celular. Contudo, é inútil, eu sei, eles sabem, todos sabem, uma hora ou outra eu vou abrir o navegador, o aplicativo, o que seja, e a internet fará o seu papel de me levar novamente ao mesmo pesadelo do dia anterior...

27 de Marzo de 2018 a las 02:33 2 Reporte Insertar 6
Fin

Conoce al autor

Alice Alamo 23 anos, escritora de tudo aquilo em que puder me arriscar <3

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Nathy Maki Nathy Maki
Somente duas palavras: Minha nossa! Foram preciso duas leituras ora assimilar tudo que foi dito em tão poucas palavras escritas. Gosto muito de histórias com um tom mais psicológico, Mas a sua escrita é muito muito boa! Excelente mesmo! Já li tantos livros mas somente alguns conseguiram passar essa sensação de realmente adentrar a consciência da pessoa. Tenho alguns contos nesse estilo mas sempre tive vontade de publicar, mas agora quem sabe? :3 Beijinhos ♡
28 de Marzo de 2018 a las 15:12

  • Alice Alamo Alice Alamo
    Oii Eu gosto bastante de puxar o lado psicológico para as histórias, acho que uma história que não desenvolva o psicológico dos personagens fica uma lacuna muito grande na trama. Fico feliz que a minha escrita tenha agradado, é lindo saber que a gente consegue tocar os outros com algumas palavras <3 Publica sim! Vai ser muito bom ter mais textos do tipo no site ;) Obrigada pelo comentário Beijoss 28 de Marzo de 2018 a las 16:03
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