De Xero a Tudo Seguir historia

zephirat Andre Tornado

Um jovem músico vai fazer uma audição para integrar um grupo que procurava por um vocalista. Esta era a sua última oportunidade para seguir o seu sonho. Se falhasse, o seu caminho terminaria… Bem, já tinha terminado há muito tempo, mas ele acreditou no poder das estrelas!


Fanfiction Bandas/Cantantes Sólo para mayores de 18. © Linkin Park não me pertence. História escrita de fã para fã.

#Música #Sonho #Linkin Park #Chester Bennington #Mike Shinoda #Xero #Primeira audição #Banda #Grupo musical #Feliz Aniversário Chester #Happy Birthday Chester
Cuento corto
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Capítulo Único


Abriu a porta com um pontapé. Irritado, furioso, muito lixado!


Fodido mesmo.


As suas mãos tremiam quando ele as passou pelo cabelo.


- Que merda…


Não era para estar a acontecer assim. Nunca pensou que tivesse deixado tudo para trás para fazer parte daquela palhaçada ridícula. Não fora isso que lhe tinham prometido. Não e não.


Prendeu o ar nos pulmões, mordeu os lábios.


- Merda! – gritou, entredentes, pontapeando o chão. – Foda-se!


Estava numa viela que dava para um beco, caixotes por todo o lado, uma lixeira. Saíra por uma porta lateral, não queria que o tivessem visto a sair ou provavelmente quisera escapar-se sem testemunhas da desilusão que lhe ardia no sangue. Era isso. Não queria ver ninguém, só lhe apetecia enfiar-se num buraco e fugir… Fechou os punhos e colou-os às pálpebras fechadas. Escuro. Ele continuava a resmungar.


Na verdade, não lhe tinham prometido nada, ele é que tinha escolhido largar tudo e fazer-se à estrada. Tinha tido um pressentimento, uma daquelas sensações arrepiantes de que aquilo é que era… Estava ali, a sua oportunidade! O estômago contraíra-se, arrefecera, as palmas das mãos ficaram geladas. Era a porra do Destino e ele devia segui-lo.


Abandonou a festa surpresa que lhe tinham feito por ocasião do seu vigésimo terceiro aniversário e foi para um estúdio gravar a sua voz por cima da demo que o Jeff Blue lhe tinha enviado pelo correio, um dia antes. Num telefonema entusiasmado, a roçar o histerismo, Blue dissera-lhe do que se tratava, no dia em que fazia anos. A fechar o milénio e o século. O ano, 1999. Ele contava vinte e três. Um sinal? Ele respondera que estava numa festa, que não podia falar, a sua mulher ficaria aborrecida se ele ligasse mais ao que lhe tinha para dizer do que ao raio da festa que tinha sido preparada para ele, mas Blue insistira, mandara-o calar, implorara que o escutasse. Perguntava-lhe se tinha recebido a cassete, ele dizia que sim à pressa, o outro dizia-lhe que tinha encontrado o grupo ideal para a sua voz, que era mesmo aquilo. Os Xero! Já tinha ouvido falar? Não, nunca, um grupo amador, portanto… Ele argumentara que tinha decidido acabar com a sua carreira musical, não estava a dar em nada. Blue voltara a mandá-lo calar. Era aquilo, só podia ser aquilo. Ele que fosse em frente! Os Xero eram o início. Xero diz-se Zero? Se é zero… Começa-se do zero, contara Blue.


Foi então que ele teve o pressentimento. Uma coisa esquisita, assim como uma revelação divina. Não podia ignorar, nem por causa do raio da sua festa de anos! Um sinal, definitivamente.


Agarrou na cassete, foi para o estúdio, fez o que Blue lhe pedira.


- Canta essa canção como se fosse tua. Adiciona a tua voz, como achas que devia ser cantada. Podes inventar uma letra nova, um outro refrão. Faz qualquer coisa! Tens de impressionar esses tipos! Os Xero! Lembra-te do nome… Sim, porra, tens de saber para quem vais cantar!


Havia um pequeno problema – os tipos estavam longe, em Los Angeles. Outro estado, outra cidade. Ele falou com a Samantha, a mulher, e disse-lhe, a agitar a cassete nas mãos, já com a sua voz gravada por cima, que era aquilo, baby, era mesmo aquilo. Iria viajar para LA, iria deixar Phoenix, no Arizona, para ir atrás… do seu sonho. Tinha-se despedido do seu emprego reles de assistente na empresa de serviços digitais e iria fazer aquilo para que tinha nascido. Música! Porque estava ali a oportunidade que ele sempre procurara. Samantha apoiou-o. Com um beijo e um vai em frente, se achas que é mesmo isso que queres, que tens o futuro nas tuas mãos, e falava na cassete e em tudo o que esta continha, desde a voz, a canção até uma carreira, vai em frente.


E ele foi.


Chegou a Los Angeles para a audição. Blue dissera-lhe que queriam escolher o vocalista com uma audição. OK, ele percebera. A cassete não bastava. Ele compreendia. Podia ter havido truques com a voz, uns loops aqui e ali, uns efeitos manhosos. Os tipos queriam escutá-lo ao vivo. Sem problema. Ele fora genuíno na gravação. Era mesmo assim que ele soava, a sua voz era aquela. Rouca e bestial, conseguia também ser suave e harmoniosa, lamurienta, carente, tocante. Sem problema. Ele mostrava que cantar ao vivo e na gravação era idêntico. Sem problema…


Não tinha muito dinheiro. Aliás, não tinha dinheiro nenhum. Crédito esgotado, uma família para sustentar. Fora para o estúdio onde o grupo ensaiava e onde iria decorrer a audição sem comer nada. Estava nervoso, mas também estava confiante. Sabia que era aquilo… Sabia que estava a fazer a coisa certa!


Subiu ao palco, começou a cantar. Rude e natural. Fechava os olhos e não via que havia gente a assistir. Pediram que interrompesse a atuação. Porquê? Disseram-lhe que havia outros. Outros? Sim, era uma audição. Iriam ouvir mais do que um candidato e depois faziam uma escolha. Porra!


Ele deixou o palco. Deixou o estúdio e saiu porta fora com um pontapé, para o beco. Entre o lixo. Ele era lixo! Já devia estar habituado, mais um engano. Estava na merda, outra vez. Sem emprego, sem dinheiro, sem crédito, sem nada… Zero. Pois, zero. A ironia…


O seu orgulho estava ferido, ele estava magoado.


Ele era o que eles precisavam. Não precisava de competir com outros, não precisava de provar o seu valor! Havia a cassete, ele estava a cantar igual ao que fizera na cassete.


Um lixo…


A porta, que se tinha fechado com um estrondo metálico, abriu-se novamente.


- Ei, onde pensas que vais?


Voltou-se num rodopio, baixou os braços. Era o fundador da banda, uma espécie de líder. Bem, era efetivamente o chefe daquela merda toda e seria dele a palavra definitiva que escolheria o próximo vocalista. Mais valia não o confrontar, nem o ofender, mas ele estava elétrico, o seu bom senso tinha voado para longe e ele não iria ser bem-educado. Explodiu:


- Vocês devem estar a brincar comigo, porra!


- A brincar contigo? Não, man… O que se passa?


Ele bufou. Expulsava o ar dos pulmões violentamente, rosnou, tornou a bufar.


- Pensava que eu era o escolhido.


O outro sorriu-lhe, mas não era a fazer troça, era até um sorriso bastante amigável. Condescendente? Ele não precisava de paternalismos, precisava de um emprego.


- Chester. Certo?


- Sim…


- Sou o Mike.


- Eu sei que és o Mike.


- Gostámos de ti. Gostámos bastante de ti.


- Então, para que precisam dos outros?


- Para ser uma audição como deve de ser. Sabes… Exigências.


- Exigências de quem? Que eu saiba, não têm nenhuma editora a fazer pressão.


Mike ficou sério.


- Minhas. Exigências minhas. Quero ter o melhor vocalista para a minha banda.


- Ah… certo. E eu estou fora. Então… bye.


- Tu não estás fora! – apressou-se Mike a dizer.


- Riram-se de mim.


- Eu não.


- Os outros.


- Não foi ninguém. – Deu-lhe um soco amigável no braço. – Cantaste como a porra de um animal. Gostei disso. Não estás fora. És o melhor candidato, man.


- Certo.


- Não estejas na defensiva! – E Mike riu-se. – Acabaste de ficar com o lugar de vocalista dos Xero e estás a agir como…


- Como o quê?


- Como a porra de uma primadona!


- O que é uma primadona?


Mike perguntou, cortando a conversa:


- Vieste através do Jeff Blue, não foi?


- Yeah.


- Ele gosta de nós. Sabe que temos potencial. E se te recomendou, é porque acredita que tu também tens potencial. Eu confio no Jeff.


- Certo.


Ele enfiou as mãos nos bolsos das calças de ganga surradas. Mike deu-lhe uma palmada nas costas. Gestos amistosos, de proximidade. Era estranho… Mas ele sentia-se confortável na presença dele. Mike Shinoda, era o nome dele. Os outros… havia um Brad qualquer coisa e o baterista chamava-se… Merda! Não se lembrava.


- Voltamos para dentro?


- Vais anunciar a tua decisão? De que serei eu o vocalista? – indagou reticente.


- Não é uma decisão só minha. Será do grupo. Os outros também gostaram de ti.


- E riram-se.


- Somos divertidos. E tu também és divertido.


- Ah ah…


- Vá lá, Chester. Um pouco de fé?


- Yeah… Ok, Mike. Fé. Se não tivesse fé, não estava aqui…


- Estás a ser aceite na banda e estás com essa atitude toda.


- Como uma primadona.


- Uma verdadeira primadona.


- Que porra é essa? Vais dizer-me, ou quê?


Depois de conseguir o lugar de vocalista na banda musical Xero, ele e os seus novos amigos foram comer pizza numa loja próxima da UCLA. Era a Universidade onde Mike estudava, contou-lhe. Queria continuar com os seus estudos, mas também gostaria de singrar na música. Um plano alternativo se tudo falhasse. O Mike não teria problemas, era inteligente. Ele era diferente. Sentia mais do que refletia. Era bestial, como o era a cantar… Iria dar-se mal se não tivesse um plano de contingência. Que se lixasse! Ele não queria plano nenhum, queria cantar, queria viver da música. Os anos estavam a passar.


Voltaram a apresentar-se. Joe, Brad, Rob, Dave, mas gostava que o tratassem por Phoenix. Phoenix, eu venho de Phoenix no Arizona. Isso foi engraçado, quebrou o gelo, uma gargalhada depois de uma piada estúpida, tão estúpida que ele se esqueceu do que disse.


Falaram sobre o futuro, sobre o que queriam fazer. Ele estava mais à vontade e contou-lhes sobre as suas ideias. Eles gostaram. Ele gostou de estar com eles, depois da merda da audição e da frustração que sentiu. Estava a comer pizza, era saborosa, estava com fome, qualquer coisa que comesse ia saber-lhe a caviar ou o raio.


Afinal, o pressentimento tinha sido bom e ele precisava daquele pequeno sucesso. Duas verdades que ele não iria rebater naquele momento em que acreditava numa espécie de futuro. Seria a tal fé? Crença naquilo. A música era tudo, por isso ele acreditava.


Queriam escrever canções diferentes. Canções que irritassem os seus pais. Foi mesmo assim que verbalizaram a coisa – vamos fazer canções que irritem os nossos pais, que não seja para eles ouvirem, pronto. Aquela geração precisava de uma voz que contasse sobre as suas aflições depois da morte do grunge. Algo assim grandioso, como acontecera quando tinham aparecido os Nirvana. As suas canções haveriam de lixar quem as ouvisse se fosse mais velho, haveriam de inspirar quem fosse mais jovem, como eles. Amores estraçalhados, desânimos, escuridão. Guitarras selvagens, bateria inóspita, linha do baixo frenética, sons eletrónicos a criar a atmosfera apocalíptica. Tudo em doses brutais.


Ele tinha as suas trevas pessoais, mas isso não lhes contou, aos seus novos amigos. Eles iriam descobrir ou nunca iriam descobrir. Que se danasse! Ele cantava quando lhe pedissem para cantar e pronto. Ele tinha era de cantar, não de se deitar no divã do psiquiatra. Cantar a sua loucura, cantar as suas dores, vomitar o veneno que o corroía.


Ele também escrevia música, tinha canções escritas. Mike queria ouvi-las. Era bom, era muito bom pertencer a alguma coisa em que se acreditava. Canções depuradas das discussões dos seus pais antes do divórcio. Cála-te quando estou a falar contigo! Tu, tiraste o melhor de mim, vai-te embora! A pior parte de mim és tu! Sim, seriam canções para irritar os pais, todos os progenitores incompetentes do mundo! E Mike queria ouvi-las. Sim, era mesmo muito bom.


Mais tarde a banda mudou o nome de Xero para Hybrid Theory.


Não gostaram e não ficou.


Escolheram o nome Linkin Park.


E foi como Linkin Park que gravaram o seu primeiro disco.


E foi como Linkin Park que conquistaram fãs, prémios, o mundo, as estrelas.


A eternidade. 

20 de Marzo de 2018 a las 17:54 0 Reporte Insertar 2
Fin

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Andre Tornado Gosto de escrever, gosto de ler e com uma boa história viajo por mil mundos.

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