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Só mais um verão em família


Mais um ano passou e mais uma vez estava eu viajando no verão com minha família. Mais uma vez eu queria apenas não existir.

Minha família não era nenhum exemplo de harmonia, mas também não era das piores. Porém eram pessoas que eu sentia vontade de manter longe. Desejava isso mais do que tudo.

Eu sou o mais velho de três irmãos, aos 16 anos eu deveria apenas pensar em garotas, sexo e álcool, mas ao invés disso apenas penso em ficar sozinho no mundo. Penso apenas nos meus próprios problemas, sou incapaz de me sentir atraído pelo sofrimento alheio. Depois que meu pai morreu, o monstro ocupou o lugar dele, e parece que todos estavam satisfeitos. O cara era legal, gente fina, pessoa de negócios, boa índole, família bem reconstituída, era um pai para meus irmãos, mas eu, e somente eu vi sua verdadeira face e eu o odiava.

Minha mãe? Ela achava que era apenas a fase da rebeldia. Mas só eu sentia na pele a tortura que era telo por perto, só em minha cama e em meus pesadelos aquele monstro atormentava e me arrastar para seu inferno.

Quem se importaria com o problemático aqui?

Por mais que eu gritasse, todos continuariam dormindo tranquilamente em suas camas.

Só eu vejo o monstro...

Quando o sol brilhar...

Chegamos a uma pequena praia meio deserta, havia poucas famílias reunidas o sol ainda estava nascendo e esperávamos o quarto do hotel ficar pronto. Foi então que vi, a sereia dos meus sonhos, a luz no fim do meu túnel, a deusa de um mundo solitário e somente meu. Os cabelos encaracolados e negros, a pele mulata, os olhos redondos e lábios carnudos. Era ela a mais linda criatura já vista.

Ela sorriu...

Mas não foi para mim, e sim para meu irmão, um ano mais novo. E claro, ele aproveitou esse sorriso.

Quem se importa com o problemático aqui?

As horas continuaram a passar e os dias das férias continuaram ao longo do sol, vento, mar e água. Parei sozinho sobre o penhasco para observar a vista de seu brilho se esvair sobre as águas salgadas, parindo desse meu mundo solitário.

E lá novamente estava ela... A deusa em forma humana. Ela sorriu e desta vez foi em minha direção, se aproximou balançando os quadris lentamente para os lados, os cabelos encaracolados ao vento, sua expressão divina. Linda! Simplesmente linda. Ela pediu a bola de tênis que caiu próximo a mim e eu nem percebi. Idiota! Pensei comigo mesmo.

Ela me chamou para participar do seu jogo, eu fui. O que poderia fazer? Recusar e apenas olhar para aquele quadril balançando enquanto ela joga a bola para o outro lado da rede? Participei de seu jogo e pela primeira vez em anos me senti feliz.

Eu estava no paraíso... Até que o monstro me arrastou para seu inferno novamente. Eu queria morrer. Tudo o que eu via em minha frente era meus pesadelos me atormentar, suas garras me machucar, seu reflexo no espelho e seus dedos sufocar minha garganta e por mais que eu gritasse, esperneasse e pedisse ajuda ninguém me ouvia. Por algum momento eu pude ser resgatado pela deusa divina e ela sorriu pra mim.

Na manhã seguinte eu queria ver seu quadril balançar novamente, sua pele mulata bilhar no sol. Eu a procurei sem cessar. E mais uma vez me vi no paraíso, mas desta vez escapei do monstro com a deusa em meio ao mato, ela sorria pra mim, e eu passei aquele momento com ela. Pela primeira vez eu senti sua pele na minha, senti seu cheiro se misturar com o meu, senti sua respiração ofegante. Pela segunda vez eu estava feliz.

Acordei no meio do mato no outro dia, uma garrafa vazia com cheiro forte e alguns panos manchados de terra, e aquele colírio estava ao meu lado da mesma forma que veio ao mundo. Linda! Simplesmente linda.

Voltei para o inferno, mas ele estava mais como o paraíso. Estavam todos em volta de uma mesa cantando para mim. Não me lembro de fazer aniversário aquele ano. A deusa mulata segurava a minha mão feliz, ela sorria, ela sorria para mim. Minha mãe e meus irmãos sorriam também, isso era mais que do eu poderia imaginar, até mesmo o monstro havia trocado a mascara para anjo. Pela terceira vez eu estava feliz.

Não tive pesadelos aquela noite, não fui arrastado para o inferno como de costume, não fui ferido como sempre. Estava bem, e pela quarta vez estava feliz.

A mulata mais uma vez veio em minha direção e me chamou para seu aposento, era estranho, era escuro, era húmido, mas eu estava lá, por vontade própria, eu queria estar ali com ela.

No dia seguinte, o sol não brilhou para mim. Tudo o que eu via era escuridão, ouvia alguém gritar, acho que era minha mãe. Ouvir alguém pedir calma, acho que era meu irmão. Ouvi alguém pedir ajuda, acho que era minha irmã. Eu vi alguém me puxar, era o monstro, lutei contra ele e quase perdi. Afundei mais para o escuro me afastando da luz frágil, seguindo o sorriso da deusa mulata, ela sorria pra mim, lá eu me senti mais seguro. E pela quinta vez eu estava feliz.

12 de Marzo de 2018 a las 00:53 0 Reporte Insertar 0
Fin

Conoce al autor

Rose Oliveira Eu amo ler fic e originais. Sempre que eu leio uma história, gosto de deixar meus coments. Eu elogio quando precisa e aponto as falhas quando vejo. Feedbacks ajudam os escritores a continuar a melhorar e criar obras ainda melhores. Acredito que cada pessoa tem seu potencial e deve ser apreciado.

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