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satsukimari

Após anos dedicados unicamente a sua carreira, Naruto se vê descobrindo o significado do amor romântico após conhecer uma mulher vinte anos mais jovem, e ao lado dela, ele percebe que sua genialidade não se compara ao que ela poderia lhe ensinar.


Fanfiction Sólo para mayores de 18. © Obra feita de fã para fã sem fins lucrativos. Personagens pertencentes ao autor original da obra que serviu de inspiração.

#desafiodamulherfns #FNS #Naruto/Hinata #Naruto #fanfic
Cuento corto
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Único

Por nenhum segundo meu olhar desviava-se do dela. Enquanto seu corpo se movimentava freneticamente sobre o meu, enquanto cavalgava e gemia alto se deliciando com o prazer que lhe proporcionava, era impossível tirar os olhos daqueles orbes perolados e únicos que pareciam refletir o luar em uma noite sem estrelas. Eram em situações como essa – quando me encontrava completamente embriagado pelo sexo – que Hinata provava ser a mulher da minha vida, além de outros momentos em que ela claramente demonstrava seu amor durante os anos que estivemos juntos.

Ela surgiu em minha vida num momento que parecia tão monótono como qualquer outro, sem chamar atenção alguma para si, como qualquer outra mulher, permitindo que eu fosse conhecendo-a e descobrindo-a aos poucos, me encantando e me apaixonado cada vez mais.

**

Decidi ainda jovem que não perderia meu tempo com romances supérfluos, que isso não me levaria a lugar algum. Optei por dedicar cada momento dos meus dias aos estudos, e assim fui aceito com honra para o curso de direito na mais prestigiada universidade de Tóquio, e logo ao me formar, era o primeiro colocado para iniciar o mestrado, assim como o doutorado, e logo depois fui aprovado em primeiro lugar para o cargo de promotor de justiça federal, mas isso não foi o suficiente para mim e, alguns anos depois, aceitei o convite da faculdade onde me formei para lecionar.

Era o meu quinto ano como um dos mais renomados professores do curso de direito da Universidade de Tóquio, e foi em uma das classes que lecionei que a conheci.

Estava no auge de sua vida, com dezenove anos, alegre por ser aceita depois de tanto dedicar-se aos estudos preparatórios, foi o que ela contou para os colegas de classe, quando propus uma breve apresentação de cada um e seus interesses relacionados à carreira que gostariam de seguir. Ela contou que sonhava em ser juíza e pretendia se especializar em direito da mulher. Honrável, eu pensei, mas nunca fui o tipo de professor que acreditava em seus alunos calouros, mas ela em especial me surpreendeu de diversas formas.

Hinata começou a roubar minha atenção quando notei que diferente dos colegas, ela não se preocupava com tradições festivas de calouros. Sempre estava a minha procura, assim como de outros professores em busca de conhecimento. Nunca fui o tipo de professor afetuoso que se deixava criar amizades com os alunos, mas ela tinha um jeito inexplicável de lidar com as pessoas, que tornava quase impossível não se afeiçoar. Era discreta e ao mesmo tempo extrovertida, sempre agradável e até mesmo nos dias mais difíceis estava sorrindo para todos. Rapidamente foi escolhida como representante de sua classe, e foi então que nos aproximamos. Ela era a aluna representante, e eu o professor. Teríamos um longo trabalho em parceria durante os cinco anos que viriam.

Hinata era sempre pontual em nossas reuniões reservadas, era sempre muito gentil e agradável, mas se tornava uma mulher feroz quando precisava lutar por um direito de sua classe. Confesso que, mesmo com todos os anos de trabalho e vários casos que passaram em minhas mãos, eu nunca havia conhecido ninguém com uma habilidade argumentativa semelhante à de Hinata, e como consequência disso, eram raras as vezes que dizia não para ela, que sempre sorria abertamente ao conseguir o que desejava. Eu não havia notado nessa época, mas já estava completamente hipnotizado por ela.

Ficamos cada vez mais próximos e nossa relação sequer parecia com a de um professor e aluno. Nossas reuniões tradicionais eram realizadas na cafeteria favorita dela algumas vezes, depois que descobrimos que morávamos no mesmo bairro, o que facilitava nossos encontros. Algumas vezes, inventava assuntos para que pudesse vê-la, e apesar de saber que havia algo de estranho em meu comportamento, não queria aceitar que estava sentindo atração por ela. Era absurdo demais. Hinata era minha aluna, o que tornava as coisas impossíveis até que ela se formasse, mas isso não me incomodava tanto quanto a diferença de idade discrepante que existia entre nós. Ela tinha dezenove anos e eu trinta e nove. A ideia de me relacionar com uma garota que poderia ser minha filha era algo fora de cogitação para mim, mas ela era muito mais que um jovem rostinho bonito, Hinata era completa, e mais do que ninguém, ela me completava, e eu só me arrependo de ter levado tanto tempo para perceber e aceitar isso.

O primeiro beijo aconteceu em nossa última reunião do ano letivo. Tratávamos dos últimos detalhes para a feira de empreendedorismo profissional organizada pela faculdade ao fim de cada ano, e todas as turmas apresentavam um determinado projeto. Havíamos nos reunido para discutir os detalhes finais de sua turma no café após as aulas do dia. Terminamos ao anoitecer, e fomos surpreendidos por uma forte chuva repentina. Me senti na obrigação de levar Hinata até sua casa, e no momento que me despedi dela, fui retribuído com um beijo. Em hipótese alguma esperava que aquela atitude partisse primeiramente dela; não que eu estivesse pensando em fazê-lo em algum momento, pois mesmo desejando aquilo, eu jamais o faria, em nome de minha ética profissional e também por relutar em me fazer acreditar que isso era algo passageiro. Mas não foi, e o beijo que recebi naquela noite chuvosa, foi à prova de que eu já estava completamente rendido por ela. Naqueles poucos segundos em que nossos lábios se tocaram, milhares de coisas se passaram pela minha mente: meus anos de estudo e dedicação, meus empregos, minhas conquistas, minha moral impenetrável, e num piscar de olhos tudo desapareceu. Em minha mente, a única imagem que se formou foi de um grande céu estrelado, tomado pela escuridão da noite, iluminado apenas pela lua cheia que se assemelhava aos olhos de Hinata.

Quando ela se afastou, seu olhar se manteve fixo ao meu, esperando que eu fizesse algo, que eu dissesse algo, o que não aconteceu. Despedi-me dela e pedi que entrasse, sem nem ao menos comentar o que havia acontecido. Sei que nunca mais me esquecerei do olhar que ela me lançou naquele momento, os grandes orbes lua cheia me analisaram com uma profundidade assustadoramente triste. Vi Hinata engolir em seco e desviar o olhar rapidamente, em seguida deixando o carro. Foi a primeira e única vez durante esses três anos que a vi fugir de algo, e ela fugiu para que não a visse em um momento de fraqueza, porque ela nunca confirmou ou admitiu, mas tenho a plena certeza de que a fiz chorar. Fui para casa com um gosto amargo tomando todo meu paladar e minha garganta. Por mais que desejasse retribuir o gesto, e beijá-la desesperadamente como cada célula do meu corpo implorava, eu consegui usar a razão. Aquilo era loucura demais, e eu deveria ter consciência de todo o risco que estaria expondo Hinata se continuasse com aquilo, e foi ai que decidi que não permitiria que isso voltasse a acontecer. E mais uma vez, eu estava errado sobre ela, e sobre meus sentimentos.

Durante a última semana de aula, trocamos pouquíssimas palavras, sendo essas sobre assuntos cruciais do evento que viria ao findar das provas. Hinata estava distante, muito distante, e aquilo parecia cravar um buraco gigantesco em meu peito. Doía, doía muito vê-la se afastar de maneira tão cruel. Era como se a pessoa que sofrera com rejeição naquela noite tivesse deixado de existir. O meu céu estrelado já não estava mais ali, tudo que restava era uma noite nublada e com sua luz completamente ofuscada pelas nuvens negras.

O evento viria a ser realizado na sexta-feira daquela mesma semana, tudo estava organizado de acordo com o planejado e já não havia mais o que tratar com Hinata sobre. Após a última aula do dia anterior, todos deixaram a sala, enquanto Hinata permaneceu concentrada fazendo suas anotações. Permaneci na sala apenas a observando, enquanto minha presença ali era completamente ignorada. Após cinco minutos a sós e perdidos em tamanho silêncio, ela suspirou e reuniu seus pertences para deixar a sala, foi então que tomei coragem e chamei por seu nome.

Ela que já se posicionava com a mão sob’ a maçaneta da porta, recuou e direcionou seu olhar para mim. Era intenso, mas ao mesmo tempo frio. Meu céu que antes era nublado, começava a mostrar um pouco de sua luz com a lua minguante.

Perguntei se havia algum problema entre nos e ela negou. Suspirei pesadamente, sabia que estava fazendo tudo errado desde o momento em que recebera aquele beijo, e pela primeira vez em minha vida não fazia absolutamente a menor ideia de como deveria agir diante de uma situação como aquela. Era irônico que o homem que possuía um PhD não tivesse a mínima noção de como se portar diante de uma mulher. E foi assim que me culpei por ter me privado tanto de relacionamentos mais sérios durante minha juventude.

Sem dizer nada mais, ela voltou a dar as costas e chegou a abrir a porta, quando novamente chamei por seu nome. Ela perguntou ríspida, o que eu tanto queria, e mais uma vez eu não soube o que fazer. Já esperava que ela voltasse a caminhar e batesse a porta atrás de si, me deixando sozinho com minha frustração, mas não foi o que aconteceu. Hinata realmente fechou a porta, mas de forma que nós dois continuássemos ali a sós. Ela caminhou em minha direção com um olhar sério, parou em minha frente e sem dizer uma única palavra, e me beijou. Permanecemos por alguns segundos com os lábios colados, e quando ela se afastou, olhou dentro de meus olhos e perguntou se eu não sentia o mesmo que ela em relação aquilo, e se minha resposta fosse não, ela nunca mais voltaria a falar sobre aquilo comigo. E foi dessa vez que decidi mandar minha razão para o inferno. Eu estava rendido a ela, estava vulnerável a ela, e sabia que, se a deixasse partir, passaria o resto de minha vida arrependido por isso. Minha resposta foi dada quando puxei-a de forma ansiosa pela cintura, e mais uma vez selei nossos lábios em um beijo, e este foi ainda mais intenso.

Permiti que minha língua explorasse cada parte de sua boca, sua deliciosa boca. Hinata era tão doce e embriagante, e estar em contato com ela daquela forma, me fazia desejá-la mais e mais, de corpo e de alma. Cessei os beijos e permiti que meus lábios explorassem outras partes de seu corpo, com seu pescoço, sua orelha, seus ombros, e pela primeira vez, a primeira de muitas, ela foi minha, da forma mais carnal e deliciosa que eu poderia desejar. Consumamos nosso amor – antes mesmo de saber que era amor – pela primeira vez naquela sala.

No dia seguinte, as coisas pareciam muito mais leves para ambos. Hinata estava deslumbrante, preparada para seu grande momento. Juntamente com os colegas de classe, apresentaram um grande projeto e assim receberam uma crítica extremamente positiva dos avaliadores, e também conquistaram o primeiro lugar na classificação de melhor projeto empreendedor. Decidi premiá-los com uma grande comemoração por minha conta, e essa foi a primeira vez que Hinata se juntou à classe em uma festa, o que surpreendeu a todos. Vê-la ali festejando com seus amigos foi algo que me causou uma alegria imensa, maior até mesmo do que receber o prêmio juntamente com sua classe. O fato era que muitas vezes via em Hinata o aluno que era na faculdade. Dedicado demais ao profissionalismo e de menos a vida pessoal e pequenas coisas que realmente importavam, como minha mãe sempre me dizia quando se referia a mim.

Com o fim das comemorações da classe, iniciamos a nossa comemoração particular. Foi à primeira de muitas vezes que Hinata se fez presente em minha casa, e ali, me sentia completamente seguro para apreciar o momento ao seu lado, sem medo de sermos descobertos, sem preocupações com o que viria a seguir. Aquele seria o nosso espaço secreto, onde viveríamos nossa liberdade para entregarmo-nos um ao outro por completo, e assim nós fizemos. Hinata era maravilhosa em todos os sentidos, e tendo-a nua em meus braços completamente entregue foi uma das razões para que eu me esquecesse por completo dos detalhes supérfluos que eu teimava em usar como desculpa para negar o que sentia. Nada daquilo importava mais, eu desejava apenas ter o melhor dela e proporcionar o melhor para ela. Se dependesse de mim, meu céu estaria sempre estrelado.

A relação que estava criando com Hinata aos poucos não viria a ser algo perigoso. Uma das características que nos fazia perfeito um para o outro era nossa inteligência e descrição. Apesar do desejo de matar a saudade de nossa primeira vez, nunca mais voltamos a repetir o ato na faculdade. Nossa relação continuava a mesma que sempre foi e nunca houve um rumor sequer sobre uma possível relação entre aluno e professor. Nossos encontros se limitavam ao meu apartamento onde vivia solitário, que sempre ganhava uma aura mais leve com sua presença.

Sem que percebesse, Hinata já fazia parte de minha rotina. Estávamos cada vez mais conectados e os sentimentos que nutríamos um pelo outro se tornou mais evidente.

Eu fui o primeiro a dizer “eu te amo” e como retribuição, recebi o mais belo sorriso que já havia visto em minha vida. Ela disse sentir o mesmo, e com aquilo meu mundo passou a ter mais sentido e mais cor, muito mais do que já possuía quando começamos a nos relacionar.

Com o passar dos anos, eu acabei ficando ansioso e inseguro em vários aspectos. Hinata era linda, jovem, carismática, cheia de energia e sempre estava cercada de pessoas por ser tão influente entre seus colegas de classe e outros acadêmicos. Aquilo me deixava enciumado e amedrontado, eu já estava anos a sua frente e não era mais parecido com os rapazes jovens que sempre a cercavam. Eu fiquei chateado, me senti abandonado em alguns momentos, e quando eu decidi expor para ela o que sentia, esperava sua compreensão e consolo, mas não foi bem assim que ela reagiu.

Hinata não ficou nada feliz com meu comportamento. Ela questionou minha confiança, questionou se eu estava infeliz com o fato de ela ter amigos. Eu garanti que jamais havia desconfiado dela, e então ela me repreendeu. Suas palavras foram duras, me acertaram em cheio como bofetadas, mas foi graças a isso que eu aprendi um pouco mais sobre Hinata. Ela era uma mulher madura, honesta e que havia provado de diversas formas a intensidade de seus sentimentos por mim. Mas eu deixei que a insegurança falasse mais alto, e o medo de perdê-la para alguém que parecesse mais indicado para se relacionar com uma jovem como ela me assombrou. Eu acabei sendo impulsivo e lhe cobrando algo que sequer era de meu direito, mas ela, com toda sua firmeza e postura, que era algo que me encantava, bateu de frente comigo, me questionou e mostrou que eu estava errado sobre pensar daquela forma, além de mostrar que o meu erro ia muito além de estar inseguro, e sim de pensar em cobrar dela uma postura diferente apenas para me agradar. Hinata foi direta com suas palavras.

– Você me conheceu assim, se apaixonou por mim assim. Agora, se quer continuar essa relação, terá que me aceitar assim. Não posso mudar de atitude com as pessoas a minha volta porque você se sente inseguro. Você tem que parar de enxergar coisas onde elas não existem e olhar apenas para mim. Eu amo você e não existe ninguém nesse mundo que irá mudar isso, e é nisso que eu quero que você foque a sua atenção. Mas se você se deixar permitir que uma insegurança sem fundamentos interfira no que temos, é melhor encerrarmos isso aqui, antes que isso cause sofrimentos maiores para ambos.

Essa não foi à única vez que Hinata mostrou a mulher forte que ela é, mas foi uma das vezes que mais me marcou, e que me tornou ainda mais apaixonado por ela, a mulher forte que conheci e que me atraiu por ser assim.

Nossa relação se estendeu por mais tempo, e a cada mês, a cada semana, eu me sentia mais ansioso. Eu já não queria mais viver uma relação às escondidas, e sabia que Hinata também não. Estávamos ansiosos para que ela pudesse se formar e logo assumíssemos nosso amor para o mundo.

Eu queria fazer uma surpresa para ela. Com toda angustia que nos rondou por não termos liberdade para viver o nosso amor, eu tomei uma decisão que parecia drástica, mas acreditava que seria o melhor para nós.

Procurei o melhor joalheiro que conhecia e comprei o maior e o mais bonito anel que encontrei. Queria surpreendê-la com o melhor que podia lhe oferecer, porém, mais uma vez me esqueci da essência real da mulher que eu amava. Me deixei levar pelas aparências e pensei que lhe agradaria com bens materiais, e mais uma vez eu descobri que as ambições de Hinata iam muito além de uma joia cara.

Esperei que as festividades da formatura se passassem. Por mais que desejasse comemorar cada uma delas ao seu lado, sabia que ainda não era o momento e que deveria respeitar isso. Com tudo mais tranquilo, convidei-a para jantar. Estava ansioso e radiante, pois em quase quatro anos de relacionamento, aquele seria nosso primeiro encontro. Por ser uma data tão especial para ambos, tratei que tudo fosse perfeito, reservando o melhor lugar no melhor restaurante.

Nossa noite estava maravilhosa. Ela falava alegre sobre as comemorações com sua família, sobre os tios e primos que vieram de fora apenas para prestigiá-la e de como estava feliz com todo o reconhecimento que vinha recebendo. Eu também estava feliz por ela, mais do que ninguém, acompanhei de perto todo o esforço feito por Hinata para que conseguisse chegar aonde chegou, e mais do que ninguém, conhecia seu potencial e acreditava cegamente em tudo que aquela grande mulher seria capaz de alcançar em sua vida profissional, e eu desejava estar ao seu lado dando todo o apoio necessário.

Anunciei a ela que tinha uma surpresa. Respirei fundo enquanto encarava seu rosto angelical que me fitava com um olhar sereno de curiosidade. Retirei de um dos bolsos do meu casaco uma pequena caixa em veludo de cor preta, abri delicadamente, revelando o extravagante anel e estendi para Hinata.

Falei sobre tudo que senti desde o dia que havia a conhecido, e de como estava realizado por vê-la chegar aonde chegou. Falei sobre o amor que sentia por ela, assim como o meu desejo de firmar esse sentimento que ela sempre demonstrou ser mútuo.

Ela abriu um sorriso singelo, um sorriso delicado e lindo, assim como seus traços angelicais. Apanhou a pequena caixa sobre a mesa, analisou-a por alguns segundos e em seguia a fechou, estendendo-a de volta para mim.

Os minutos que vieram a seguir, naquele instante, foram os piores da minha vida. Eu precisei de algumas semanas para refletir e por fim compreender tudo que Hinata havia me expressado quando recusou meu pedido, mas instantaneamente, meu coração foi feito em mil pedaços.

– Sinto muito Naruto, não posso aceitar seu pedido. – Ela suspirou pesadamente. – Ainda não é o momento.

– Eu não entendo... – Minha voz estava embargada. Ela transmitia o desespero e o medo que tomava conta de mim. – Pensei que era isso que você queria, tanto quanto eu. Esperamos tanto tempo por esse momento...

– Naruto... – Ela estendeu sua mão e a depositou sobre a minha delicadamente. Sua voz era um sussurro tão baixo que quase me hipnotizava. – Tenha certeza de que eu amo você, mais do que tudo, e é com você que eu quero passar o resto da minha vida, e construir uma família. Porém, eu não estou preparada para isso agora. Eu acabei de me formar e consigo ver a imensidão do mundo que me espera. Eu quero explorar esse mundo Naruto, eu quero desvendar minhas curiosidades e realizar cada sonho meu, quero colocar em prática cada objetivo de vida que eu sempre tive quando decidi seguir esse caminho. Talvez eu esteja sendo um pouco egoísta, mas um casamento agora não entra nos meus planos e eu sinto que se eu aceitar, estarei tomando uma decisão precipitada e temo viver uma vida infeliz e te fazer infeliz, e eu não quero nada disso. Por isso, hoje eu não posso aceitar seu pedido Naruto, me perdoe. – Seu olhar deixava que a angústia em seu coração transparecesse. Era evidente que Hinata não desejava me magoar, mas ela tinha plena certeza do que desejava para si e sabia que aquela decisão era a melhor que poderia ter tomado. Eu só me sinto um tolo por não ter notado isso antes.

– Eu realmente não entendo. – Afastei minha mão da dela, enquanto respirava profundamente tentando encontrar calma. – Depois de todos esses anos, depois de tanta dificuldade, eu pensei que quisesse ficar comigo...

– E eu quero, tenha plena certeza disso! Mas um casamento agora é um passo precipitado demais para a minha vida, Naruto. Eu tenho sonhos, eu quero realiza-los, e enquanto eu corro atrás dos meus sonhos eu me preparo para ser a esposa que você tanto merece. – Por mais que a tristeza em seu olhar fosse tão perceptível, suas palavras permaneciam firmes, e aquela irredutibilidade em não me priorizar em sua vida foi o que me mais me feriu.

Milhares de coisas passaram por minha mente naquele momento. Eu fiquei magoado, me senti traído e deixado como segundo plano. Não conseguia compreender que nosso amor não pudesse ser priorizado. Na minha cabeça havia milhares de respostas para aquilo, mas a minha consciência me alertou que, se eu usasse alguma delas, poderia colocar tudo a perder. Então eu apenas suspirei, uma vez, duas vezes, três vezes, até que conseguisse falar o que era possível.

– Eu preciso de um tempo para pensar sobre tudo isso. – Foi à última coisa que disse antes de deixar a mesa.

Hinata assentiu e também não voltou a se pronunciar. Ela era inteligente, muito mais do que eu, e havia compreendido tudo que eu estava sentido após aquela rejeição. Mas ela preferiu dar o tempo que eu havia pedido, porque ela acreditava em mim, muito mais do que eu mesmo, e ela sabia que eu compreenderia seus desejos e a sua decisão. E o fato de que eu precisei de um empurrão e um puxão de orelha muito bem dado para isso despertou um sentimento de estupidez muito grande em mim.

Passamos algumas semanas sem nos falar. Eu não a procurei assim como ela também não me procurou, o que aumentou ainda mais minha decepção. Ela havia me magoado e sequer estava preocupada em se redimir. Eu não esperava que ela batesse em minha porta dizendo que havia mudado de ideia e que queria se casar, mas ao menos uma mensagem ou uma ligação perguntando se eu estava bem eu esperei, e nada disso aconteceu.

Concluí que precisava de um tempo para relaxar um pouco mais. Fiz minhas malas e busquei o meu maior refúgio para os momentos de sofrimento. Fui em busca da única pessoa para qual confiava meus segredos, meus medos e meus sentimentos, a única pessoa para o qual havia contado sobre meu relacionamento com Hinata, minha doce e ao mesmo tempo temperamental mãe.

A primeira atitude de Kushina, que mesmo sendo uma viúva de idade avançada, foi me repreender por horas por não ter levado Hinata para conhecê-la. Após ser obrigado a ouvir suas lamúrias consegui explicar o que havia acontecido e o motivo de minha visita repentina.

A conversa com minha mãe me fez recordar um dos motivos de eu tanto admirar mulheres fortes como Hinata. Eu havia sido criado praticamente sozinho por uma.

Meu pai morreu repentinamente quando eu ainda era uma criança. Minha mãe deu o seu melhor para me criar. Nunca mais voltou a se relacionar, por medo de colocar uma pessoa que não fosse boa para mim dentro de casa. Sacrificou sua juventude e um pouco de sua saúde realizando trabalhos pesados e intensos, apenas para que eu pudesse frequentar boas escolas.

Se eu sou quem sou hoje, tudo isso é graças a ela, que abriu mão de viver para que eu pudesse viver com tudo do bom e do melhor. Por isso sempre me dediquei e me esforcei tanto, abrindo mão de relacionamentos ou de diversões atrativas para jovens. Escolhi dar o meu melhor em tudo que fizesse para que no futuro, que hoje é o nosso presente, essa mulher que tanto fez por mim pudesse finalmente relaxar enquanto se orgulhava do que eu viria a me tornar.

Desabafei com minha mãe sobre o que havia feito, e como havia me decepcionado com a rejeição de Hinata. Abri meu coração sobre o que estava sentindo e como estava confuso com a forma que lidaria com isso quando fosse o momento. Por algum tempo, minha mãe apenas me aconselhou e esperou que eu entendesse suas palavras, para logo em seguida, voltar a ser a rabugenta Kushina de sempre que parecia sentir prazer em beliscar minha orelha.

– Ela diz que me ama, mãe, e eu não duvido disso. Mas é difícil não questionar esse amor quando ela rejeitou meu pedido.

– Naruto meu filho, você é um homem tão inteligente e que me encheu de tanto orgulho. Por favor, não me decepcione, não agora.

– Mas eu não sei do que a senhora está falando... – Franzi o cenho enquanto tentava decifrar o olhar de reprovação que me era direcionado.

– Pense bem Naruto. – Ela suspirou pesadamente antes de falar. – Você viveu boa parte de sua vida pensando apenas na sua carreira. Você mal se divertia com os poucos amigos que tinha porque queria estudar, você teve poucas namoradas e todas elas só ficaram ao seu lado por meses, porque você não queria ter impedimentos para o seu futuro. Você viveu mais de vinte anos da sua vida em função da sua profissão e de crescer na carreira que escolheu. Você abriu mão de muita coisa para isso até conseguir chegar aonde chegou, e eu tenho um orgulho imenso de você por isso meu filho, afinal, esse sempre foi o seu sonho não é mesmo?

– Claro que sim mãe. – Respondi com uma certeza de que tudo que ela havia dito era o óbvio.

– Então por que diabos você está fazendo todo esse drama estúpido quando a mulher que você ama está apenas querendo realizar os sonhos dela? Por acaso só os seus sonhos importam agora? Só porque você já é bem sucedido significa que ela deve jogar todos os anos que ela dedicou no lixo apenas para se casar e te agradar?

Por alguns minutos eu fiquei em silêncio após levar aquele soco no estômago. Enquanto eu julgava Hinata, acreditando que ela estava sendo egoísta por não priorizar nossa relação, o verdadeiro egoísta sempre fora eu. Mas eu ainda precisava de mais alguns puxões de orelha para que isso ficasse totalmente claro.

– Mas eu nunca pedi que ela desistisse, mãe. – Tentava me justificar. – Eu jamais a proibiria de fazer o que quisesse, eu só queria que ela se casasse comigo. Isso jamais a impediria de fazer o que deseja.

– Você é tão inteligente e ao mesmo tempo tão burro meu filho. – Ela rolou os olhos e suspirou. – Primeiro, se em algum momento da sua vida você se achar no direito de proibir alguma mulher de fazer algo, eu juro que te castro! – Engoli em seco com a ameaça absurda de minha mãe, mas que transmitia uma leve pontada de verdade. – Segundo, como você pode saber que ela vai conseguir fazer tudo que quer mesmo se casando? Olha Naruto, eu fui casada com seu pai por quinze anos, foram os melhores da minha vida e eu jamais amaria alguém como eu o amei. Mas como mulher, eu sei como a nossa vida muda da água para o vinho depois do casamento. As responsabilidades são outras, a prioridades e os compromissos só aumentam, e sem notar, aos poucos vamos abrindo mão de uma coisa ou outra para fazer algo que faça bem ao casal, você entende? Eu fico chateada que as coisas tenham sido tão ruins para você, mas não deixo de tirar a razão da Hinata. Ela tem o direito de viver tudo que ela deseja, é o momento dela, ela é jovem e precisa realizar os sonhos dela, assim como você realizou os seus.

– Mas e se isso demorar, mãe? E se eu ficar muito velho e ela... – Fui interrompido por minha mãe e suas palavras que me marcaram para sempre.

– Naruto, preste bem atenção. Se essa mulher já disse que te ama inúmeras vezes, por que diabos você ainda tem dúvidas disso? Amor não se baseia em idade ou aparência, se ele é real, ela vai permanecer ali até que os dois não estejam mais nesse mundo. Eu amo seu pai e esse amor irá comigo para o túmulo, Naruto. Será que agora o meu filho com PhD conseguiu compreender algo tão simples?

Passei mais alguns minutos refletindo sobre aquilo, e finalmente a ficha de que a minha postura não era adequada finalmente caiu. Eu havia conseguido compreender com a ajuda de minha mãe os sentimentos de Hinata quanto a seu futuro, e dessa forma amadurecer e melhorar para que ao invés de choramingar porque as coisas não saíram do meu jeito, eu pudesse estar ao lado dela e apoiá-la em todas as suas decisões. Finalmente, o homem com vinte anos a mais que sua namorada, estava maduro o suficiente para ser o companheiro que ela tanto merecia.

Deixei a casa de minha mãe com um peso a menos em minha consciência, mas eu só me sentira leve por completo quando falasse com Hinata e demonstrasse todo o meu apoio a ela, em qualquer que fosse sua decisão.

Bati em sua porta, e ela me atendeu com uma expressão aflita, como se estivesse esperando por aquilo ansiosamente. Impulsivamente eu a abracei, com todas as minhas forças, e a beijei, com todo o amor que havia em meu coração. Pedi desculpas pelo meu comportamento e ela a aceitou sem sequer questionar minha mudança de opinião. Também decidi não tocar mais no assunto e apenas seguir nossas vidas.

Eu queria estar ao lado dela e concluí que eu o faria, mesmo que não fosse da forma que eu desejava. Estando com ela, minha felicidade já estava plena, então nada mais justo do que deixá-la viver sua vida da maneira que queria, e mesmo que eu precisasse esperar cinco, dez, quinze ou vinte anos para tê-la como minha esposa, eu esperaria.

Quando tudo entre nós estava resolvido, ela não conseguiu conter as lágrimas e confessou que aqueles haviam sido os piores dias de sua vida. Ela disse que não queria mais ficar longe de mim, e tudo que eu consegui fazer era lhe prometer que eu sempre estaria ao seu lado, apoiando todas as suas decisões e correndo junto dela em busca de seus sonhos.

O sorriso que se abriu em seu rosto foi de longe o mais belo que já havia visto, e eu não resisti e voltei a beijá-la. Nosso beijo se intensificou e mais uma vez após uma tempestade em nossas vidas, nossa calmaria se fez presente enquanto fazíamos amor, e mais uma vez eu me perdia no prazer, na beleza de seu corpo nu, e principalmente naquele olhar que tanto me hipnotizava.

Eu continuava a ser o sol, o centro, mas descobri que nada seria sem que houvesse em minha volta aquele céu estrelado, que me preenchia e que jamais permitiria que minha luz se apagasse. 

9 de Marzo de 2018 a las 02:51 3 Reporte Insertar 2
Fin

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Ellen Chrissie Ellen Chrissie
confesso que entendo mais o lado do Naruto do que o da Hinata... vinte anos de diferença pesam sim... entendo a insegurança, a pressa, a decepção... não sei se teria essa tal maturidade pra esperar o momento... isso me faz uma má pessoa? uma egoísta? talvez... ou talvez seja alguém que esperou com ansiedade para viver plenamente com quem me importava... saber que não estávamos na mesma sintonia é perturbador e incômodo, capaz de abalar internamente e fazer se questionar: será que é isso mesmo que eu quero? o exemplo da kushina não é válido, pois ela casou com o Minato quando os dois tinham uma idade similar e viveram experiências juntos... o próprio Naruto afirmou que abriu mão de muita coisa pela carreira. achar a Hinata e se envolver com ela foi um passo enorme pra ele, então, novamente, sinto mais empatia com ele do que com ela...
9 de Marzo de 2018 a las 23:29
Danielle Botelho Danielle Botelho
Mari, ahhhhhh, eu adorei. Sinceramente, essa sua história me pegou de jeito. Intensa, nem detalhada, maravilhosa... Eu adorei o fato de você ter abordado um relacionamento com idades diferentes. Isso ficou surpreendente, viu? Amei esse Naruto, queria ele pra mim 😏. Amei Bjosssss Dani
9 de Marzo de 2018 a las 03:34

  • Mari Satsuki Mari Satsuki
    Ai Dani, que comentário mais lindo! Eu já tinha mencionado com você minha vontade de abordar essa diferença de idade entre eles, essa one foi minha primeira experiencia para ver como é a aceitação heheh, e já recebendo seu feedback eu já fico muito feliz em saber que atingi minhas expectativas. Fico muito feliz que tenha gostado, escrevi essa fic com muito carinho. Um grande beijo! 9 de Marzo de 2018 a las 18:29
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