Delírios na Madrugada Seguir historia

emily-christine8811 Emily C Souza

– Sas, tá acordado? – Hm? – Eu vou roubar um banco, cê vem?


Fanfiction Anime/Manga Sólo para mayores de 18. © Todos os direitos reservados

#aventura #gay #Sasuke #Itachi #Comédia #Yaoi #NaruSasu #SasuNaru #Naruto
Cuento corto
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Capítulo único


– Caralho Dobe, o que merda tu pensa que tá fazendo?

O grito que Sasuke soltou assustou Naruto. O carro derrapou na curva sinuosa e, por pouco, o louro conseguiu realinhar o volante. Mais um pouco o carro teria derrapado, o que acarretaria em um capotamento desfiladeiro abaixo, o que não seria nada bonito.

– Não faz assim, teme! Eu quase mato a gente agora por causa desse seu desespero.

O rosto do moreno mostrava pura descrença. Quase os matou?

– Porra nenhuma, seu bosta. Você quase matou a gente mil vezes desde que saímos de casa.

Sasuke deixou um grunhido exasperado sair de sua garganta. Estava estressado, o carro em alta velocidade o incomodava, sem falar que Naruto não era um motorista tão bom assim.

Naruto, no entanto, riu desavergonhado. – É pela aventura Sas, pela aventura.

Os olhos negros queimaram em fúria. Porque ainda seguia aquele maldito Usuratonkachi por aí? Sempre soube que acabaria ferrado por causa disso.

E, agora, ali estavam eles, fugindo em alta velocidade em uma estrada cheia de curvas perigosas e enormes desfiladeiros por todo lado.

Isso tudo porque Naruto teve mais uma das suas brilhantes ideias: Roubar um banco as duas da manhã.



Doze horas antes



Estava a vinte minutos esperando aquele maldito louro e nada dele. Nunca, ele nunca chegava no horário combinado. E, como sempre, Sasuke se perguntou o porquê diabos ele esperava aquele maldito Dobe.

Em bem da verdade, sabia sim o motivo de continuar a esperar por ele; seu coração trouxa escolheu logo aquele poço de desastre pra se apegar.

Conheceu a causa da sua insanidade mental no começo do ensino médio. Naruto acabara de chegar na cidade de Konoha; seu pai foi eleito prefeito e todos os Uzumakis o seguiram.

O louro era o ser mais espontâneo, radiante e extrovertido que já conhecera, e não demorou com que ele ficasse popular.

Ate os dias atuais, Sasuke não sabia o que em si havia chamado a atenção dele, a única coisa que sabia era que um dia depois que ele começou na sua escola ele já era seu incômodo pessoal.

Sim, incômodo. Sasuke não gostava de barulho, nem agitação e muito menos bagunça. Naruto, por ironia do destino, era justamente tudo isso e mais um pouco.

Tentou se livrar dele de todas as formas possíveis; o tratou mal, o humilhou pelas notas baixas e pela lerdeza, insultou a sua aparência estranha – mesmo que o louro fosse muito bem apessoado –, e chegou no auge de maldade em namorar Sakura, uma garota irritante que Naruto estava muito apaixonado na época.

Nada que fizesse espantava aquele idiota, ele continuava lhe seguindo, fazendo tudo na escola ao seu lado.

E, sem mais alternativas, depois de dois anos nessa tortura, Sasuke aceitou sua derrota e passou a atura-lo.

Não demorou pra que Sasuke percebesse o quanto era divertido ter o Uzumaki ao seu lado. Era divertido jogas no vídeo game e jogos em geral, era divertido discutir e depois cair na gargalhada, era divertido irrita-lo e sair aos socos de mentirinha. Tudo ao lado dele ficava divertido e Sasuke se sentiu grato por ele ser o Dobe mais teimoso que conhecia.

Eles eram praticamente inseparáveis, e Sasuke gostava disso. Gostava muito.

Observando aquele Dobe andar em sua direção com um sorriso tímido e coçando a cabeça, sinal de vergonha, Sasuke percebeu que naquela brincadeira ambos já eram melhores amigos a cinco anos.

Realmente o tempo passava rápido.

– A madame decidiu dar o ar da vossa graça? – perguntou cínico.

Naruto mordeu os lábios, engolindo um xingamento. A culpa era sua, de qualquer forma, não era novidade o tanto que o amigo detestava atrasos.

– Foi mal teme, meu chefe tava um demônio hoje, quer dizer, mais do que ele normalmente é.

O moreno revirou os olhos.

– Isso porque ele obviamente quer seu corpo nu e vosmecê se faz de desentendida.

Naruto fez uma careta de desagrado, repudiando totalmente a ideia.

– Nem brinca com isso Sas.

Tudo o que recebeu de volta foi um sorriso ladino do moreno.

– Cretino. – murmurou, enquanto se sentava.

Os olhos se encontraram e, segundos depois, ambos estavam rindo.

Ali estava; aqueleaquela cumplicidade, a conexão, a intimidade construída em base solida de amizade e companheirismo. Não precisavam abrir a boca, não precisavam falar nada, apenas um olhar era o suficiente para que se entendessem.

Esses eram Naruto e Sasuke, Sasuke e Naruto; melhores amigos e muito mais.

Seu sorriso esmoreceu e olhos negros abaixaram.

Pensar no 'muito mais' sempre causava um reboliço dentro do seu peito (e da sua mente). Estavam naquele 'muito mais' a dois longos anos e Sasuke se sentia perdido; perdido dentro da sua mente, perdido dentro das sensações que Naruto lhe causava, perdido no meio daquela relação incerta.

Perdido dentro daquele sentimento que tinha muito medo de rotular.

– Já pediu alguma coisa? – Naruto perguntou.

Sasuke negou com um aceno, os olhos ainda abaixados. Sabia que Naruto leria seu olhar, e não queria que ele visse suas dúvidas e seus temores.

– Estava esperando a celebridade resolver aparecer.

Naruto resmungou; Sasuke nunca mais pararia de fazer essas piadinhas ridículas sobre seu atraso.

– Concentra na comida e para de ser retardado.

Mais uma reviradas de olhos e Sasuke já estava bem o suficiente para jogar uma olhada mortal na direção do louro.

Deixando o comentário do idiota a sua frente, passou os olhos rapidamente pelo cardápio, mas decidiu que era perca de tempo; sempre pediam o mesmo prato desde que foram ali pela primeira vez.

Sasuke chamou a garçonete. Ela veio tímida, o rosto vermelho, os olhos claros colados no louro.

Sasuke fez uma careta, impondo a voz um pouco mais do que o aceitável:

– Traga dois rámen de porco.

A garota estremeceu, o rosto ainda mais vermelho anotando os pedidos com os dedos trêmulos.

Naruto o fuzilou com o olhar. As vezes Sasuke era realmente assustador, não precisava falar com tanta seriedade e mal humor com a menina!

– Não precisa descontar seu mal-humor nos outros teme. – ralhou com o moreno, mas este apenas deu de ombros, sem se importar com a bronca. – Não ligue para ele, Hina-chan, você está uma graça nesse uniforme, como sempre.

Sasuke lançou um olhar magoado em direção ao louro. Era sempre assim! Ele jogava charme para toda e qualquer pessoa mais bonitinha que encontrava, e quando a pessoa caia nos encantos dele, Sasuke poderia esquecer do louro, ele só voltava a dar sinal de vida um dia depois.

Massageou as têmporas, cansado. Aguentava aquela situação a dois anos e já estava de saco cheio.

– Gostaria que fizesse sua função, estou com fome e o cozinheiro não vai preparar minha comida se você não levar meu pedido.

Curto e grosso. A garota de assustou com o tom raivoso, e andou de pressa em direção ao balcão de pedidos. Queria ficar o mais longe o possível dele. Pena que Naruto só aparecia ali com aquele homem assustador.

– Qual seu problema? – Naruto esbravejou. Estava mesmo com raiva do amigo agora, – Não se fala com uma garota assim, especialmente se forem tímidas como a Hinata é.

Sasuke não pode impedir a risada zombeteira que escapou de seus lábios.

– Tenho certeza que 'você está uma graça com esse uniforme, como sempre' também não é forma de se falar com uma garota tímida, especialmente quando ela está totalmente caidinha por você.

O tom venenoso do moreno fez com que o cenho do louro franzisse. Alguém poderia, em nome de qualquer divindade existente, explicar o porquê do moreno estar com aquele olhar mortal?

– Do que diabos tu tá falando, seu estranho?

Os ombros do moreno caíram, e Sasuke negou com a cabeça. A lerdeza do louro, as vezes, o deixava a beira de um ataque de nervos.

O silêncio pairou na mesa, mas Sasuke sentia os olhos azuis do Naruto em si. Não olhava para ele de propósito. Não sabia o que seus olhos transpareceriam agora.

Hinata deixou o pedido na mesa e saiu em seguida, praticamente correndo. Naruto suspirou, sabendo que ela estava com medo do teme.

Logo hoje que pensava seriamente em chamá-la para sair.

– Tô falando porque cê anda mega estranho ultimamente. Juro que no outro dia você rosnou pro Neji, você rosnou.

Sasuke apertou o hashi com força, impedindo de outro rosnado sair só com a lembrança.

– O cara tava praticamente te comendo Naruto, de roupa e tudo, tu que é tapado e não percebe o quanto ele quer te traçar.

A sobrancelha loura subiu e Naruto pareceu genuinamente confuso.

– E isso era ruim por que...?

O semblante do moreno se fechou completamente, e dessa vez Sasuke quebrou o hashi.

– Você e essa maldita lerdeza. – murmurou. Se debruçou na mesa, chegando mais perto do louro. – Ou será se tu faz isso só pra me ver desse jeito, Dobe?

Naruto analisou seu rosto. Na verdade, por muitas vezes, ficava perdido nas conversas que tinha com Sasuke. O maldito sabia que não era lá muito inteligente e vivia com esse joguetes de palavras.

– Você faz isso só pra me humilhar né? Cê sabe que eu não entendo esses jogos de palavras, teme.

Sasuke piscou algumas vezes, percebendo o que tava fazendo. Estava mesmo fazendo jogo de gato e rato quando na verdade Naruto não entenderia.

Voltou a recostar na cadeira, a mandíbula travada. O nervosismo o atingiu como uma bala e precisou respirar fundo três vezes para não surtar.

– Porra Naruto, a gente tá transando tem dois anos, cara. Tá na hora de resolver essa merda.

Foi a vez do louro piscar várias vezes, os hashis esquecidos na mesa. Passou a torci, a garganta fechada.

– O... o q-que?

Ainda estava em choque. O que o teme queria dizer com 'resolver essa merda'?

Sasuke, então, pareceu bem entediado.

– Não faz a desentendida pro meu lado não, tu sabe bem que eu tô falando de a gente tá fodendo e você também estar fodendo com só Deus sabe mais quem.

As bochechas ficaram vermelhas e Naruto olhou ao redor, ficando aliviado com o fato de ninguém estar prestando atenção neles.

– Fala baixo cara, ninguém precisa saber da minha vida sexual.

Os olhos negros brilharam perigosos e Naruto sentiu medo do rumo daquela conversa.

– Sua vida sexual? Agora eu só mais um buraco que tu entrou é só mais um pau que te fodeu?

Naruto engoliu em seco; – Não...?

Sasuke soltou uma risada dura. Levantou com pressa e saiu quase que correndo do restaurante.

A merda do restaurante em que percebi o quanto o Dobe era bonito, na merda do restaurante que deixou sair sem querer um 'não de esse sorriso pra mais ninguém, Usuratonkachi', na merda do restaurante em que as mãos se tocaram não mais como de melhores amigos e sim como de amantes, a merda do restaurante que saíram com pressa para ficarem aos beijos no carro, e então agarrados na cama.

Sasuke não se importou com os passos apressados atrás de si. Entrou no carro e deu partida, sem olhar para trás em nenhum momento.

Os olhos negros lacrimejavam enquanto o moreno assistia Titanic pela milésima vez.

Sasuke sempre assistia Titanic quando estava na fossa. E como detestava todo e qualquer doce, se afogava em tomates bem cortados e bem temperados, o maior copo da sua casa cheio de refrigerante; já que também detestava o gosto do álcool.

E era assim que curtia sua dor de cotovelo. Ora, escutar do cara que você está apaixonado praticamente dizer que você é só mais um na cama dele, isso ainda que você estava com ele a dois anos praticamente vivendo como casados, não estava na sua lista de 'melhores coisas que podem acontecer no meu dia'.

Já estava na cena em que a velhinha jogava o colar no mar e Sasuke prendeu a respiração. Sempre era doloroso ver os olhos fechando e então lá estava ela de volta ao navio com Jack e todos os outros, que representava o céu de Rose.

Os segundos seguinte se passou com Sasuke se desmanchando em lágrimas murmurando coisas como 'você finalmente se encontrou com o seu Jack', 'ele não deveria ter morrido', 'ela morreu de velhice e mesmo assim é tão triste',

Estava deitado em posição fetal quando a porta da sala foi aberta com pressa. Em primeiro momento se assustou, mas então lembrou que a única pessoa que poderia entrar daquela forma na sua casa tinha nome e sobrenome.

Não que quisesse vê-lo tão cedo.

– O que faz aqui Dobe? Não tem ninguém na sua cama, e ai você lembrou do idiota aqui? – Sasuke riu, o nariz escorrendo e a voz embargada pelo choro compulsivo. – Faz sentido sabe?! Eu sou facinho né? Melhor do que ter o trabalho de distribuir charme.

Naruto seguiu em passos vacilantes para o sofá onde o Uchiha estava jogado, encontrando-o em condições que seriam consideradas humilhantes se não fosse o seu Dobe ali.

– Não faz assim teme, cê sabe que você sempre vai ser único pra mim, desde que eu bati o olho em você eu senti que estaríamos pra sempre juntos.

Sasuke concordou, mas soltou um gemido sofrido.

– Eu sou único pra você, mas não sou o único na sua vida, não sou o único na sua cama e posso ate ter toda sua atenção, mas seu coração não é meu.

Naruto se ajoelhou, acariciando o rosto vermelho pelo choro intenso e, depois, passou a acariciar os fios negros.

– Sasuke eu sempre te vi como um melhor amigo, e então a gente entrou nessa 'amizade colorida' aonde o sexo é o melhor, mas você nunca me pediu exclusividade e nunca demostrou querer algo mais sério ou que se incomodava com minhas saídas, então me explica teme, onde foi que você achou que eu deveria saber o que cê tá passando?

Sasuke chegou mais perto do louro, se aconchegando como um gatinho manhoso.

– Você sabe que eu não sei demonstrar essas coisas.

Naruto então riu.

– E você sabe que não consigo manter a atenção muito tempo em uma coisa, quiçá perceber algo assim.

Sasuke, por sua vez, limitou-se a assentir, os olhos pesando de sono.

Naruto sorriu com carinho, pegando o corpo (bem pesado por sinal) do melhor amigo nos braços e o levando para o quarto.

O colocou na cama, deitando-se ao lado do moreno.




Sasuke acordou com uma movimentação estranha na cama.

– Sas, tá acordado?

Sasuke não se mexeu, estava com preguiça e sua cabeça latejava por causa do choro.

– Sas...?

– Hn? – Soltou um meio gemido.

– Eu vou roubar um banco, cê vem?

Demorou alguns segundos para que a fala do louro fosse filtrada, e então Sasuke pulou da cama, completamente acordado quando compreendeu a besteira que Naruto tinha dito.

– Que merda...?

O quarto estava escuro e precisou piscar algumas vezes pra se acostumar com a escuridão.

Encontrou o louro mexendo no seu closet. Parou no vão da porta, os braços cruzados, o cenho franzido.

Naruto estava se esticando para pegar alguma coisa na parte mais alta das prateleiras. Ali ficavam suas malas, e Sasuke andou até ele em passos rápidos, porque estava óbvio que aquilo não era brincadeira e que aquele louro burro ia mesmo fazer merda se não impedisse.

– Que merda tá passando na sua mente, seu lunático? Endoidou de vez? Roubar um banco? Da onde tu tirou isso?

Sasuke segurou ambos os braços dele e o sacodiu, tentando pôr algum juízo naquela cabeleira loura.

Naruto riu, o que comumente fazia quando Sasuke estava histérico e puxou a mala de vez.

Ela caiu com um baque, é só então o moreno percebeu que já tinha mais duas no chão.

– Eu tava vendo uns vídeos no YouTube e apareceu esse que o cara roubava o banco no meio da noite e simplesmente fugia. Ele nunca foi pego.

Sasuke soltou uma risada incrédula. Só podia ser brincadeira com a sua cara.

– No YouTube? Caralho, Naruto. Provavelmente o vídeo era falso, e mesmo que não fosse, esse cara com certeza planejou o assalto por anos.

Naruto deu de ombros, como se nada do que o moreno falou tivesse importância, e voltou para o quarto.

Quando ele acendeu a luz, Sasuke pode ver as luvas, máscaras e macacões alaranjados na cama.

Suas mãos foram para seus fios negros e ele os puxou em desespero. Porra!

– Naruto, olha pra mim. Vai Dobe, olha pro seu Sas. Não faz isso, tu vai foder com a sua vida, cara.

Naruto já colocava o macacão, mas parou para gesticular.

– Que nada teme. É fácil, a gente vai lá no banco, usa essas máscaras que compramos no Halloween, esse macacão horrível que o Tachi-nii comprou combinando só pra nós zoar, nossas luvas de inverno, e pegamos o dinheiro. Depois a gente vaza. Pronto.

Sasuke estava a ponto de chorar. Será que teria que internar Naruto no hospício? Porque ele só podia estar louco!

Segundos depois Naruto seguia porta a fora com a mascara cobrindo os frios louros, as luvas nas mãos e as malas penduradas nos ombros.

Sasuke andava de um lado para o outro na sala de estar. O que fazer? Com ou sem ele Naruto iria pra aquele banco. Não podia ligar pra polícia, o que diria? 'meu futuro namorado viu uma merda de vídeo e agora acha que pode roubar um banco?' nem pensar! No mínimo, iriam interna-lo no hospício.

Andou até seu celular pronto pra ligar pra dona Kushina e pedir uma intervenção...

Mas desistiu dá ideia porque a mãe de Naruto já não era mais tão nova e poderia morrer de desgosto, ou mata-lo, o que realmente era o mais provável.

Pensou em ligar pro Itachi, mas ele iria rir e depois iria desligar, porque quem diabos levaria a serio que o namorado do irmão decidiu roubar um bando de madrugada?

Parando pra pensar, Sasuke percebeu que nem sabia que horas eram. Ligando o visor de seu celular, viu as horas e quis mais do que tudo esganar Naruto.

Eram duas e vinte horas da manhã. Caralho, não dormiu nem cinco horas e agora tinha que dar conta da súbita loucura dele.

Qual castigo estava pagando?

Ouviu o carro ligar e saiu correndo, quase tropeçando no tapete.

– Dobe, seu merda, me espera! – gritou.

Naruto deu ré, a cabeça saindo pela janela.

– Cê vem?

Sasuke respirou fundo. Porque mesmo tinha se apaixonado por aquele cabeça de vento?

– Deixa só eu me vestir.

Correu para o quarto e se preparou. Suas pernas tremiam enquanto entrava no carro.

– Deixa eu ver se eu entendi, a gente vai roubar um banco com o meu carro, sem nenhuma arma, ou como abrir as malditas portas?

Naruto o olhou horrorizado.

– Tá doido? Claro que não! Eu vou passar em casa pra pegar as bombas que o Deidara, lembra dele? Louro delícia que fez o ménage com a gente? – Sasuke assentiu, – Então, ele me deu umas dez bombas que ele disse que não serviam pra colocar nas esculturas, e então vou roubar uma van.

– Porquê diabos você aceitou bombas dele?

Naruto deu de ombros mais uma vez, – Achei que poderia precisar um dia.




Ao contrário do que Sasuke pensou, eles não tiveram problema em chegar até o banco central de Konoha com um carro roubado.

Estava com tanto medo que pensou, sinceramente, que a polícia estaria na cola deles assim que entrassem no carro alheio.

Tinha um vigia perto fazendo ronda dentro do banco, além, claro, do alarme em toda a estrutura. Abriu a boca para tentar conversar Naruto de voltar atrás de toda aquela loucura, mas antes mesmo de pensar em dizer alguma coisa, Naruto já tinha jogado a bomba na lateral oposta a que eles estavam.

– Puta que pariu Naruto, tu acabou de chamar eles pra prender a gente!

Naruto tampou a boca do moreno, fazendo sinal para que ele ficasse calado.

Os três guardas saíram alarmados, rodeando o banco. Naruto correu para dentro do local, Sasuke o seguiu mal conseguindo respirar.

– Naquelas gavetas, dentro dessas divisórias, tem dinheiro. Eu pego os da direita e você os da esquerda – Naruto sussurrou.

Sasuke fez um esforço tremendo para não gritar.

– Você está louco, cara. Os guardas vão voltar e nos pegar aqui, ou você acha, nessa cabecinha desmiolada, que aquela explosão vai prender a atenção deles para sempre? – devolveu aos sussurros.

Naruto caminhou para as divisórias, – Eu tô jogando bombas desde o momento em que chegamos em um raio de 2 quilômetros do banco, elas vão explodir uma por uma em dois minutos, ou seja, temos quinze minutos antes que percebam o truque.

Sasuke piscou perplexo.

– Pra fazer coisa errada você é inteligente, né seu puto?

Naruto piscou confuso, mas descartou a ideia com um gesto na mão direita.

– Foi exatamente isso que o cara fez no vídeo.

Sasuke suspirou. Aquilo sim fazia sentido.

Naruto jogou um bolo de dinheiro na sua cara e Sasuke percebeu que tava perdendo os preciosos minutos. Correu para as divisórias da esquerda e abriu gaveta por gaveta.

Ao longe podiam ouvir a sirene do carro da polícia.

Ambos juntaram as malas e saíram correndo do banco. Entraram na van e Naruto acelerou.

Não demorou para que um carro da polícia os seguisse, pois Naruto estava andando a cem por hora em uma via com limite de sessenta.

O louro, no entanto, não se abalou. Continuou seguindo, cortando caminho em algumas ruas, mesmo estando na contra mão.

Sasuke olhou no retrovisor e quase teve um ataque cardíaco ao ver três viaturas atrás deles.

– Caralho, caralho, caralho.

Naruto desviou o olhar para ele, mas logo se voltou para frente.

– Que foi?

Sasuke segurou o banco onde estava sentado com todas as suas forças.

– Tamo fodido vey, eles vão nos pegar com certeza.

Naruto olhou rapidamente para ele, o cenho franzido.

– Do que tu tá falando?

Sasuke devolveu o olhar em um misto de preocupação e raiva da lerdeza dele.

– Eles tão bem atrás da gente, seu puto. A gente já era.

Naruto fez um 'ah' e depois deu uma risadinha.

– Tranquilo, rapidinho eu despisto eles.

Sasuke gemeu infeliz.

– Porra, minha mãe vai me matar, e sua mãe vai ressuscitar a gente pra nós matar de novo.

Naruto gargalhou, – Mamãe vai adorar o colar que eu vou dar pra ela.

– Você só pode ser louco mesmo.

Naruto jogou uma piscadela pro moreno, e a mão bronzeada deu um tapa na coxa dele.

– Eu sou o seu louco, Sas. E a gente vai transar como namorados em cima dessas notas de cem.

Sasuke torceu pra que acabasse assim mesmo. Não queria acabar transando na cela da prisão.

Naruto subiu o meio fio e girou o carro, derrapando. Passou entre as viaturas, quase batendo de frente com uma delas, entrou na estrada de chão a direita e então seguiu morro a cima.

– Dobe, pra onde você está indo?

– Para o monte.

– E porque tu tá indo pra lá?

– Sas, eu vou descer pelas estradas estreitas do desfiladeiros pra Suna.

Sasuke se virou para ele, exasperado.

– Tem polícia na entrada de Suna, assim como em todas as entradas das outras cidades. Com certeza já tem mandado de prisão com a placa dessa van.

– Não vamos entrar em Suna, Sas.

– Então pra que tamo indo pra lá?

Naruto apontou para o seu celular.

– Quando chegar o momento pra virar pra entrar em Suna, eu vou jogar essa van desfiladeiro a baixo, e programar a última bomba pra explodir.

Sasuke tentou mesmo entender pra onde estava indo o raciocínio dele, mas não conseguia acompanhar.

– E como vamos voltar pra casa?

Naruto sorriu malicioso.

– Você não percebeu que meu carro não tava na sua casa, como deveria estar?

Sasuke olhou para as curvas, xingando quando Naruto derrapou e o carro ficou apoiado só nas duas rodas do lado esquerdo.

– Caralho Dobe, o que merda tu pensa que tá fazendo?

O grito que Sasuke soltou assustou Naruto. O carro derrapou na curva sinuosa e, por pouco, o louro conseguiu realinhar o volante. Mais um pouco o carro teria derrapado, o que acarretaria em um capotamento desfiladeiro abaixo, o que não seria nada bonito.

– Não faz assim, teme! Eu quase mato a gente agora por causa desse seu desespero.

O rosto do moreno mostrava pura descrença. Quase os matou?

– Porra nenhuma, seu bosta. Você quase matou a gente mil vezes desde que saímos de casa.

Sasuke deixou um grunhido exasperado sair de sua garganta. Estava estressado, o carro em alta velocidade o incomodava, sem falar que Naruto não era um motorista tão bom assim.

Naruto, no entanto, riu desavergonhado. – É pela aventura Sas, pela aventura.

Revirou os olhos, – E onde está seu carro?

– Com Tachi-nii.

Sasuke soltou um gritinho assustado, encarando Naruto com os olhos arregalados.

– Naruto, diz pra mim que você não contou pro Itachi-nii que ia roubar um banco?!

Naruto o olhou duvidoso, – Como assim? Claro que contei, é o Tachi-nii, Sas, cê sabe que eu sempre conto as coisas pra ele.

Sasuke ficou em silêncio por um tempo, digerindo a informação.

Tudo bem que, depois que Naruto colou em si na escola, ambos conheceram os pais um do outro. E acontece que Itachi adorava a forma que Naruto lhe tirava do sério, então meio que por convivência, Naruto adotou Itachi como irmão mais velho, já que sempre fora filho único. Itachi enchia muito seu saco, mas sempre tratou o louro como irmão mais novo também.

Para o bem, ou para o mal, Itachi estava no meio deles intercedendo entre um ou o outro, era como o terapeuta do casal.

Sasuke já brigara muitas vezes com o louro por esse mal hábito de tá sempre contanto tudo pro Uchiha mais velho, sempre pedindo conselhos. Mas, como sempre, Naruto não o ouvia, então Sasuke, por sua vez, ouvia bronca e mais bronca do irmão porque Naruto é seu protegido.

Sasuke não sabia se ficava com ciúmes do seu irmão mais velho dando mais atenção ao seu melhor-amigo-quase-namorado do que para ele, ou do seu melhor-amigo-quase-namorado que preferia conversar com seu irmão mais velho do que consigo.

De qualquer forma, tavam fodidos agora que o louro deu com a língua nos dentes.

– Naruto, você tem alguma ideia do que fez?

Naruto balançou a cabeça com pressa, o carro deslizando pela pista e quase virando pela milésima vez.

– Não sei do que tu tá falando, Sas.

Sasuke respirou fundo, querendo muito se jogar do carro desfiladeiro a baixo.

– Você nos condenou a uma morte lenta e dolorosa, porque é óbvio que a essa altura Itachi já contou pra nossas mães. Tia Kushina deve tá esperando a gente pra arrancar nossa pele fora.

Naruto o olhou como se tivesse crescido uma cabeça a mais nele.

– Da onde cê tirou isso? Foi o Tachi-nii que me mandou o vídeo.

A boca de Sasuke quase caiu.

– Mesmo que ele tenha te enviado, eu duvido que ele sequer pensou que tu seria louco o suficiente em tentar roubar um banco do nada.

Naruto gargalhou:

– Foi ele que deu a ideia, Teme.




Estava esperando no local combinado à alguns minutos.

Ao longe ouviu o estrondo, que imaginou ser da bomba, e ligou o carro.

Minutos depois, Sasuke e Naruto apareceram em seu campo de visão. Guiou o carro até eles, e ambos não perderam tempo em entrar no carro. Depois de ter as portas fechadas, e os vidros escuros tampando a visão de quem estava dentro, Itachi jogou uma pequena mala para ambos, e então seguiu para a via principal que ligava as quatros cidades do estado.

Houve uma movimentação incomoda no seu banco, mas Itachi não ligou; sabia que eram os rapazes se trocando.

– Coloquem os macacões, as máscaras, as luvas e os sapatos nessa mala.

Por um longo tempo, ninguém disse nada. Naruto estava exausto agora que a adrenalina passou, e Sasuke ainda estava em estado de choque com tudo que ouviu (e fez) naquela madrugada.

Passaram pela guarda na entrada da cidade sem problemas, Naruto era filho do prefeito afinal, sem contar que ambos, Itachi e Sasuke, são filhos do importante empresário Uchiha Fugaku.

E, assim que passaram com segurança pelos policiais de prontidão, Sasuke finalmente soltou aquele grito preso na garganta.

– Que porra tá acontecendo aqui Itachi?

Itachi soltou uma risada sarcástica; – Estou dirigindo para casa do Naru, não percebeu ainda?

Sasuke chutou o banco dele.

– Não brinca comigo agora caralho, se não eu me jogo desse carro e conto tudo pro primeiro policial que eu ver na minha frente.

Itachi revirou os olhos para seu irmãozinho, os olhos brilhando maliciosos.

– Não te estressa, otouto. Pode parecer uma insanidade momentânea, mas ao contrário do que o Naru fez parecer, esse roubo foi muito bem planejado.

Sasuke riu em descrença.

– Da onde que mandar um vídeo pro Dobe e dizer 'vamos fazer igual, vai que dá certo' é planejamento?

Itachi deu uma piscadinha pro irmão; – Eu decidi chamar o Naru porque eu sabia que ele iria sem fazer muitas perguntas, e se ele for você vai.

Sasuke enfiou a cabeça entre seu irmão e o louro, que também estava sentado no banco da frente.

– ‘Decidiu chamar o Naru'...? – ficou calado por uns instantes e voltou a se encostar no banco do carro. – Desde quando você está pensando em fazer algo tão errado?

Itachi soltou uma risadinha maldosa.

– Eu tô planejando isso a meses; fui eu que armei pra que o Naru e você conhecesse o Deidara na boate, fui eu que mandei ele dar as bombas pro Naru, porque eu sei que ele nunca nega nada de ninguém e sempre guarda seus presentes, fui eu que pedi pro Nagato fazer a montagem do vídeo que eu mandei pro Naru, fui eu quem deu a ideia pro Naru roubar o banco e ainda me ofereci pra ser a fuga, sim, eu sei que sou foda.

Sasuke deu um soco no braço do irmão, totalmente contrariado.

Odiava saber que seu irmão conhecia seu quase namorado tão bem, mais até do que ele próprio conhecia e odiava saber que seu irmão era tão observador que sabia, sem dúvidas, que ele seguiria o louro, e ainda mais, não alertaria ninguém da 'insanidade' momentânea dele.

Bufou, os braços cruzados, quase fazendo birra.

– O macacão era pra isso também, né, seu cachorro?

Itachi gargalhou.

– Não, foi pra zoar vocês mesmo.

8 de Marzo de 2018 a las 20:37 1 Reporte Insertar 16
Fin

Conoce al autor

Emily C Souza Não posso dizer que sou tudo aquilo que escrevo, mas tudo aquilo que escrevo tem um pedacinho de mim

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Barry A. Barry A.
ISSO AQUI É UM TUTORIAL DE COMO ACORDAR A CASA TODA PQ NÃO TA CONSEGUINDO PARAR DE RIR Eu vou levar essa fic no meu coração pro resto da vida ❤
18 de Mayo de 2018 a las 22:59
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