Vermelho - sangue Seguir historia

rav Raven Black

"E durante toda a primavera estive guardando esperanças para minha cura e a sua imagem passando pelos corredores melancólicos daquele hospital. Tomando coragem todos os dias para te dizer ao menos um "bom dia", sorrindo sem jeito e um tanto desengonçado."


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#personagens originais #amor #Original #romance
Cuento corto
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Capítulo Único

Oi amor!


Se estiver lendo estas palavras, significa que Hope é uma ótima amiga! E, que eu não estarei ao seu lado para te apoiar em meus braços como fazia quando você chegava cansado do trabalho e chateado por um dos seus pacientes terem ido para um lugar melhor e que infelizmente, eu, agora provavelmente saberei como ele é. Mas não preocupe, ficarei bem.


Nem sei ao certo por onde começar, você significa tanto para mim que nem palavras podem expressar tudo o que sinto por ti. Mas, preciso me despedir de você e sei que quando for me ver, não encontrara nada além do meu túmulo e algumas flores secas.


Você se lembra da primeira vez que nós nos virmos? Eu estava caminhando por um dos corredores do hospital, havia chegado cedo demais para a quimioterapia e quando passei pela ala infantil, te encontrei conversando com um garotinho choroso. Você, paciente como sempre foi, estava tentando o convencer que tirar sangue era algo natural e que existiam vários “soldadinhos vermelhos” querendo o dizer um “oi”. Acabei por continuar parado em frente à porta, fiquei curioso demais para saber onde aquela história iria acabar.


Depois de muita insistência, o garotinho acabou rendendo-se a sua simpática. Ele chorou um pouco no final, mas, acabou ganhando um abraço seu — que mais tarde, descobri que entre seus braços é o melhor lugar onde se pode estar— e um ursinho azul claro, muito fofo, aliás. Então você levantou a cabeça em direção à porta e me encontrou.


Juro que tentei parecer natural, porém, seus olhos verdes não estavam ajudando muito.


“Posso ajudar?” sua voz era tão macia, se fosse algo, com certeza séria uma nuvem.


“Sim, é que eu estou procurando a ala de quimioterapia e estou perdido... tenho que encontrar com uma amiga” menti descaradamente, o que eu podia fazer? Havia me encantado instantaneamente por ti.


Você sorriu, ajeitando uma mecha loira atrás da orelha.


“Tudo bem, vou ajuda-lo.” Não sei se havia percebido a minha mentira — você sabe que sou um péssimo mentiroso — mas mesmo assim, colocou toda sua generosidade em me “ajudar”.


Li seu nome em seu crachá várias vezes. Liam, Liam, passei adorar não apenas seu nome, mas sim, tudo em você!

Conversamos durante o breve percurso até a minha ala, tentei absorver cada detalhe sobre ti. Desde das covinhas em suas bochechas até sua risada estranha e ao mesmo tempo fofa. Meu Deus, como você é lindo!


Quando cheguei, Hope me olhou com certa impaciência, colocando suas mãos em sua cintura.


“Por onde você esteve? Estava quase pensando que havia desistido do tratamento!”


Percebi a surpresa em seu olhar quando ouviu aquilo, acho que não é fácil para ninguém descobrir que a pessoa a qual acabou de conhecer estava morrendo por causa de um câncer. A única coisa que consegui naquele momento, foi sorrir para você um tanto sem jeito, fingindo que tudo estava bem e que não me importava com o fato de que a leucemia estava me matando cada dia que passava.


“Bem, ele estar entregue.” Disse, sorrindo uma última vez antes de voltar para sua rotina corrida do hospital.


“Obrigado.” Respondi frustrado. Por um momento era como se todo o medo que me acompanhava desde do descobrimento da leucemia havia sido substituído por seu sorriso, e agora, você se afastava de mim cada vez mais naquele corredor. Foi um choque em tanto de realidade.


Senti com pesar aquela agulha furando uma de minhas veias, enquanto o que deveria me curar parecia me matar ainda mais. Não que o tratamento não seja eficaz, é que combatia o que estava matando meu corpo, não minha alma...


E durante toda a primavera estive guardando esperanças para minha cura e a sua imagem passando pelos corredores melancólicos daquele hospital. Tomando coragem todos os dias para te dar pelo menos um “bom dia”, sorrindo sem jeito e um tanto desengonçado.

Porém você realmente “prestou atenção” em mim, quando cheguei com um sangramento nasal que parecia infinito. Juro que tentei ficar calmo, porém toda vez que olhava para minhas mãos e as via com o liquido escarlate em meus dedos, o pânico tomava conta de mim.


Você me acalmou dizendo que estava passando por um caso de epistaxe, que precisava me acalmar, pois, tudo ia ficar bem. Não foi nada legal ficar com pedaços de algodão no nariz, porém, você estava prestando atenção em mim e no final até que não foi tão ruim assim.


Quando finalmente ganhei alta, foi você que veio me dar a notícia e aproveitei o momento para chamá-lo para sair. — Nunca descobri de onde tirei coragem para isso — E para a minha completa surpresa, tive um “sim” como resposta.


Nossa, acho que nunca fiquei tão nervoso como estava naquela primeira sexta-feira de verão. Cheguei dez minutos adiantados na cafeteria aonde iríamos nos encontrar, minhas mãos tremiam sobre a mesa e eu mordia meu lábio inferior impaciente.


Mas tudo pareceu perder o foco quando você entrou, vestindo uma camisa branca e uma calça caqui. Você era o homem mais bonito da cidade! Lembro perfeitamente do primeiro toque que tivemos, quando meus dedos envolveram sua mão e eu senti como se tivesse uma corrente elétrica passando cada fibra do meu corpo.


E nós conversamos e riamos muito. Adorava falar palhaçadas, só para ouvir sua gargalhada. Nem percebemos as horas passar, éramos apenas dois jovens, cada um com sua própria história trágica, se esquecendo por um momento delas para ter um pedacinho do que os poetas dizem ser felicidade.


Como momentos bons passam rápido! E quando percebemos, já era meia noite e meia. Foi com pesar que me despedi de você, recebendo um cumprimento simples e um abraço apertado. E naquele instante, que nossos corpos se afastaram e você entrou no táxi, jurei a mim mesmo que gostaria de passar o restante do que me restava de vida ao seu lado.


E as sessões de quimioterapia se tornaram suportáveis e as flores do meu jardim se tornaram mais perfumadas, pois, eu falava com você, te via passando pelo corredor e sempre recebia um sorriso doce teu.


Só de relembrar o nosso primeiro beijo sinto meus lábios formigarem. Naquela rua vazia, em frente a sua casa amarelada desbotada, seus lábios tinha gosto de vinho e suas mãos estavam frias. Você riu todo vermelho depois, pedindo desculpas por estar sendo tão “atrevido” às uma da manhã. A única resposta que consegui lhe dar naquele momento, foi te beijando, beijando e beijando, até que formos parar nus e suados debaixo do seu edredom, escutando Lana Del Rey e conversando sobre a vida.


E depois daquela transa inesperada que começamos a criar a nossa história juntos. Você passou a fazer parte da minha vida, como o oxigênio em meus pulmões.


Quando meus pais descobriram sofre nós, você foi o único que continuou ao meu lado, enfrentando todos os preconceitos e lágrimas.


Quando não havia mais jeito para meus cabelos, foi você que levantou meu astral, falando que eu continuava sendo um “gato” mesmo estando careca.


Quando tinha minhas recaídas e ficava internado, você que estava ao meu lado. Reconfortando-me em seus braços e ajudando-me e me erguendo novamente.


E quando descobri que estava no estado terminal da doença, que teria pouco tempo de vida, você estava ao meu lado e chorou comigo no silêncio do meu quarto...


Não sei o motivo que o fez ficar ao meu lado durante todo o percurso até aqui, Liam, você poderia ter partido, me deixado sozinho e se esquecido de mim. Porém, você continuou ao meu lado, me apoiando e me fazendo feliz na medida do possível.


Esses últimos três anos que passei ao seu lado foram os melhores da minha vida. Vivi cada dia como se fosse o último, aproveitando o máximo sua companhia, seus beijos e teu corpo quente contra o meu; sua risada estranha e ao mesmo tempo fofa, seus abraços apertados e nossas reconciliações depois de brigas bobas.


Eu não sabia onde pertencia e por menos tinha um lugar para que pudesse chamar de “lar”, mas ao seu lado descobrir tudo isso e um pouco mais.


Por isso quero que você continue a encorajar crianças medrosas a tirarem sangue, que continue com sua gargalhada diferente e suas manias incomuns. E principalmente: continue sendo essa pessoa maravilha que é. — E claro, o enfermeiro mais sexy daquele hospital!


Eu sei que vai encontrar um novo amor — é para pelo menos tentar! — você merece ser feliz e espero que “ele” possa te dar o dobro de amor que eu sinto por ti. — Algo difícil... Só para constatar!


Eu te amo amor, tanto, que meu peito chegar a doer só de pensar em te deixar. Se eu pudesse, voltaria no tempo, só para viver novamente todos os momentos que tivermos...


Sempre estarei ao seu lado, é só olhar para as flores na primavera que enfeitaram o jardim que eu fiz para você na nossa casa. Serei a maior e a mais bela e te darei meu perfume como conforto nos momentos tristes e enfeitarei tua face linda com um sorriso.

Com amor

Jason

P.S: Cuide bem do nosso “filhote”, sempre se lembrando que o motivo dele rasgar o sofá ou comer seus chinelos é porque como eu, ele te ama. Por favor... Diz isso para o nosso Teddy por mim, ok?


P.S2: Eu te amo! Muito, muito, muito...


*

notas da autora: essa oneshot também foi postada no spirit. ^^

espero que tenham gostado!!

beijos e até mais *-*

3 de Marzo de 2018 a las 00:45 0 Reporte Insertar 0
Fin

Conoce al autor

Raven Black Sou apenas um ser, querendo escrever algo que preste, enquanto tem umas crises existenciais e come marshmallow, ningu�m muito especial e por menos, que tem animo de falar de si mesmo. Minhas hist�rias tamb�m est�o dispon�veis no Nyah! Spirit e Wattpad.

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