Revolução Seguir historia

lua-lullaby Lua Lullaby

Você desistiria da pessoa predestinada a você para fazer aqueles que ama felizes?


Fanfiction Todo público.

#Drama #NaruHina #Omegaverse #NaruSasu #MenSasu
Cuento corto
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Revolução

Havia despertado tarde, finalmente. As aulas de etiqueta eram entediantes e papai preferia que nos comportássemos como ômegas que possuem um renome, embora ele apoiasse a causa que estava tomando conta do pensamento de cada cidadão do país. Ômegas, até então, era tratados como seres baixos e sem muita serventia, a não ser abrir as pernas pra qualquer tipo de alfa. Era muito obvio que meu gênero era totalmente subjugado pelo outro, porém eu também sabia que éramos capazes de ser bem mais do que ser simples sacos de carne parideiros.

O pensamento me aborrecia.

– SASUKE – gritou Hanabi, que chegava em meu quarto totalmente descabelada.

Ela se jogou na cama, colocando todo seu peso em cima do fino cobertor que me cobria. Embora a cama fosse grande, minhas irmãs sempre davam um jeito de se jogar exatamente no “meu lugar”, fazendo com que eu as amaldiçoasse todas as vezes que tal coisa acontecia, ou seja, sempre que me acordavam.

– Eu não havia arrumado seu cabelo de manhã? – perguntei, suspirando.

Pelos deuses, essa garota não aprende.

– Ah bom, os coques estavam apertados... Eu não conseguia aprender nada com a cabeça doendo... – ela respondeu, olhando para baixo, achando o cobertor vinho extremamente interessante.

Normalmente eu nem falaria nada mas, era dia do baile do inicio do inverno. Ela poderia ser mais cuidadosa, não?

– Sei... Bom, ainda são... – olhei para a janela e o sol estava quase se pondo.

Oh, merda.

– Quatro e alguma coisa...

– Droga... – me levantei rapidamente, fazendo com que ela resmungasse com a rapidez na qual tirei-a de cima de mim. Eu ri, indo diretamente para o armário – Vou tomar um banho, vá tomar também e depois nos arrumamos no quarto da Hina.

Ela concordou e correu para fora, me deixando para escolher a roupa de gala do ômega primogênito.

– Vamos Hina, – comentei sorrateiramente – você está ótima e eu estou lindo. Vou nem comentar a velocidade na qual tive que me arrumar...

– Eu já pedi desculpas. Os exercícios hoje foram cansativos e eu dormi tanto quanto você – ditou, retocando o batom no espelho de sua penteadeira.

Hanabi estava nos esperando lá em baixo mas, impressionantemente, Hinata sempre dava um jeito de atrasar e eu ficava para ajudar.

– Certo, certo... Estava pensando em Hanabi. Essa não é a primeira vez que ela vai, mas sempre escolhe as piores pessoas pra se socializar – comentei, vendo-a se levantar. Comecei a andar para perto da porta, sabendo que a mesma me acompanharia.

– Deixe-a, Sasuke, ela é nova ainda.

– Ela tem dezessete, Hina. Logo terei que casar e você, provavelmente, também terá, precisamos ensiná-la enquanto é tempo.

– Sim, mas isso não nos limita, você sabe.

– Ainda limita, mas não por muito tempo. Com essa revolução, talvez consigamos ser livres. Sei que temos sorte por termos nascido em família rica e influente mas penso nos outros que possuem o mesmo gênero que nós. Só de imaginar o que esses ômegas passam diariamente...

Uma coisa que nos foi ensinado desde muito cedo, era nosso lugar na sociedade. Alfas, como papai, têm bons status e normalmente, são ricos e poderosos. Eles também podem escolher seus parceiros e ter mais de um, se assim desejarem. Ômegas, como eu e minhas irmãs, são os mais disputados e frágeis, pelo menos é nisso que nos fazem acreditar. Entendo que nós temos cios incontroláveis e odores que atraem todo e qualquer tipo de alfa maluco em tempos de cio, mas isso pode muito bem ser evitado com alguns supressores e inibidores. Sem falar que somos obrigados a casar assim que completamos a maioridade, até pra evitar que aconteçam estupros.

– Não vamos falar mais sobre isso, temos uma festa pra ir – ela disse, modificando totalmente seu rosto, que outrora estava preocupado com o que disse. Não era comum ômegas se expressarem assim, ela sabia que um dia eu pagaria pela minha boca.

Me pegou pelo braço logo em seguida, guindo-nos para a escadaria.

Hinata era extremamente gentil e ela sabia como esse tipo de assunto era triste embora importante pra mim. Eu nunca me contentaria com a vida dos ômegas, da maioria deles pelo menos. Isso era um tanto problemático, Hiashi era a favor da revolução, mas nem todos os alfas queriam aquilo. Nasceram pra comandar, nasceram para verem ômegas sendo subjugados... Porque iriam querer algo diferente?

– Certo, vamos lá.

Como todos os outros bailes, assim que entramos, alguns alfas nos fitaram com certa exasperação. Coisa que me da muita raiva. Eles se “matavam”, quase literalmente, para falar conosco ou para nos desferir seus gracejos. Diferente de minhas irmãs, que eram um tanto quanto tímidas e aceitavam coisas de cabeça baixa, eu não fazia isso.

Alguns me tiravam pra dançar, mas nunca, jamais, tentavam passar dos limites. Eu não deixava. Acima de tudo, sempre fui muito orgulhoso e minhas respostas afiadas, fizeram minha fama de pessoa sociável, mas difícil de se conquistar. Isso era ainda pior. Alfas tem um senso de liderança e de caça, quanto mais difícil mais fascinante.

Certamente que, após ouvir tal besteira, eu tive que provar por mim mesmo e comecei a ser mais “liberal”. Dançava com todos que pediam para dançar, não os recusava embora ainda mantivesse suas mãos longe de minhas coxas. A procura por mim continuou alta nas festas e eu apenas desisti. Me divertia nas festas da maneira que eu queria mesmo, haviam dias que eu os recusava e dias nos quais eu dançava com quem queria... Era melhor ser assim do que extremamente radical pra algum lado da balança, estava funcionando.

Dancei com dois alfas, uma mulher e um homem. Ambos belos, embora o conteúdo intelectual não fosse de meu agrado. Ainda tentei dar uma chance, foi impossível. Ambos me chamavam de “ômega”, embora eu tivesse dito meu nome e realmente tivesse um bom sobrenome na sociedade, o que me fez pensar o quanto ômegas “comuns” sofriam lá fora, nesse mundo que mal conheço. Perdido em meus pensamentos, foi dessa maneira que eu a pessoa que mudaria minha vida completamente. Cabelos loiros e exóticos, olhos intenso, seus movimentos corporais eram diferente da maioria dos alfas. Talvez eu o tenha notado por estar discutindo abertamente sobre a revolução ao redor de tantos alfas que, claramente, eram contra mas, o mais provável, é que eu o havia notado porque ele estava vindo em minha direção.

– Boa noite – ele fez uma reverencia que foi totalmente esquecida por mim. Pela primeira vez, em todos aqueles bailes, eu havia me esquecido do que fazer na frente de alguém.

Segundos depois, segui seu comprimento, optando por silenciar-me. Era mais fácil, talvez ele desistisse e fosse para junto de seus amigos. Coisa que, obviamente, não aconteceu. Ele continuou a me observar, sem realmente se importar com meu comportamento pouco peculiar. Ele sorriu e, novamente, eu perdi o ar. Não sabia o porquê de ele sorrir, mas sabia que, a partir daquele momento, eu poderia considerar que havia achado quem, involuntariamente, eu tanto procurava naqueles bailes.

– Me concede essa dança? – Perguntou, num tom contidamente provocante. Ele estava me desafiando. Ora, ora, parece que tenho um sedutor aqui.

– Porque não? – Sorri e aceitei sua mão posta.

Fomos até a parte de dança do salão, não exatamente no centro. A dança era suave e, por conta de toda conversa a nossa volta, dava pra se trocar algumas palavras sem ter a atenção posta em cima de nós, embora ainda tivesse um ou outro alfa olhando atentamente.

– Não se cansa disso? – ele perguntou, fazendo-me focar em seus lábios.

– “Disso” o que?

– Os olhares de cobiça que lançam pra você. Devo dizer que com toda a razão, já que estou dançando com o ômega mais lindo de toda a festa.

Olha ai, a palavra mágica que todos falavam. “Ômega”. Reduzir-me ao meu gênero era uma das coisas que mais detestava que alfas faziam e, provavelmente, isso ficou visível em meu olhar.

– Não sei do que está falando, ponha-se em seu lugar e continue conduzindo – disse com brusquidão, perdendo o pouco de encanto que eu havia posto em cima dele.

– Acalme-se, sim? Não sou um alfa, embora me pareça muito com um. – Ele sorriu, não ligando para a maneira como lhe respondi anteriormente e nem para a dor de ter um de seus pés esmagado por mim, propositalmente. – Sinta meu cheiro, Omega.

Eu cheguei um pouco mais perto e, realmente, ele não era um alfa, era um beta. Eles passam despercebidos em lugares como esse, é como se eles “usurpassem” um pouco do cheiro dos alfas, se mascarando em meio a eles. Diferente dos alfas, betas eram a maioria da população e conseguiam viver mais pacificamente que ômegas. Ser um beta não era sinônimo de status e nem de inferiorização, eles eram o “gênero comum”, os normais.

A musica foi trocada por uma de ritmo pouco diferente. Ele me habituou a ela, trazendo-me mais para perto.

– Entendo.

– Não quis lhe ofender e me desculpe se pareceu isso – falou, me rodopiando uma vez, acho que fiquei tonto só não entendia se era por conta das palavras ou do dito rodopio fora de hora – Posso não lhe entender, mas sigo ao lado de meus amigos, idealizando um mundo mais igual para todos. Ser um ômega pode até ser ruim, mas apenas porque alguns alfas são idiotas e se comportam de forma animalesca.

– Nos rebaixando a simples pedaços de carne que podem gerar filhos e cuidar da casa?

Oh merda, falei em voz alta. Olhei ao redor mas não vi ninguém olhando para nós, que sorte. Olhei de volta para o loiro que me olhava aparentemente intrigado. Ele sorriu contido.

– Quero ter a oportunidade de mudar isso.

Fiquei em duvida se o “isso” era o meu comportamento peculiar ou se foi o que eu havia perguntado.

– Por quê?

Ele me olhou e eu senti que estava ficando envergonhado. Sinceramente, não sei o porquê de ter me sentido daquela forma.

– Talvez porque eu seja extremamente empático – ele sorriu, mostrando que o motivo era bem mais profundo que aquilo.

Ah, eu adoraria descobrir esse segredo e, talvez, muitos outros que ele queira compartilhar comigo. Sorri com o pensamento, esquecendo momentaneamente que estava sendo observado.

– Insatisfação.

– Está insatisfeito?

– Você está.

– E você também.

Ignorei essa troca de palavras, era nítido que ambos estávamos insatisfeitos com tudo aquilo.

– Sasuke Hyuuga – falei, cortando totalmente o clima estranho que havia ficado anteriormente entre nós.

– Naruto Uzumaki.

– Prazer conhecê-lo, embora nunca tenha ouvido falar de sua família.

– Há! Isso não importante, eu tenho muitas coisas a fazer e sei que meu sobrenome será conhecido algum dia. Apenas espere e verá.

Fascinante. Eu, definitivamente, acreditava nele e conseguia me ver ao seu lado, impulsionando seus ideais, seu nome e discutindo suas decisões.

– Ora, ora, deixe o Omega dançar com outros, amigo – um alfa, extremamente imbecil, chegou perto de nós, retirando prontamente minhas mãos dos ombros de Naruto.

Obvio que fiquei irritado e, pela expressão corporal dele, eu pude ver que ele também havia ficado, mas se reteve. Ele pegou minha mão com certa elegância e a beijou, dizendo que havia se divertido bastante.

Eu sorri, demonstrando que também havia me divertido.

Ele repassou minha mão ao alfa e saiu de perto, me fazendo sentir mal por não ter respondido nada pro maldito alfa de nome Haruhiko que, como os outros, fez suas gracinhas achando que eu me interessaria por ele.

Patético.

Dancei com ele, como manda o protocolo e com mais alguns alfas, embora minha mente estivesse longe... Bom, não tão longe assim. Naruto a ocupava e eu esperava ter uma folga para chegar em minha irmã e dizer-lhe que havia escolhido quem poderia ficar comigo.

Era um beta.

Sem família de renome.

Provavelmente, alguém que estava ali para nos conhecer e se impulsionar.

Mesmo assim, mesmo com essas coisas contra ele, havia me conquistado. Sua mente, sua ideia de revolução e igualitarismo, sua bravura e determinação, seu interesse em mim, que não era da mesma maneira nojenta no qual os alfas faziam parecer, me deixaram maravilhado. Eu não o conhecia mas algo em mim dizia que havia acabado de me apaixonar por ele.

Finalmente, a dança havia acabado e eu dispensei o ser que estava comigo.

À medida que eu ia chegando perto, eu percebia que Hinata estava parada, olhando para um ponto cego e totalmente vermelha. Até mesmo imaginei que ela poderia ter achado um alfa interessante, seria uma extrema sorte, embora a questão do dinheiro ainda fosse um problema que, sinceramente, eu não estava querendo pensar naquele momento.
Ela com seu alfa e eu com meu beta. Era bom demais pra ser verdade.

Realmente. Era bom demais pra ser verdade.

Cheguei perto dela, olhando para o mesmo local e eu só conseguia ver uma pessoa. Naruto.

– Vou conquistá-lo... – ela disse, envergonhada – De algum modo, eu sei que vou.

Ele, alheio aos nossos olhares, se servia de uma taça de champagne. Ele olhou em volta, mas seus olhos pararam exatamente em mim, fazendo com que meu corpo se incendiasse. Olhei para o lado, vendo minha irmã ficar exatamente da mesma maneira que eu. Ela achava que ele a estava olhando, que merda.

Injustiça. Foi o que senti naquele momento. Eu sabia que, se eu falasse que havia gostado dele, ela sorriria e diria que estaria tudo bem, que ficaria a cargo de assumir o meu lugar de ômega mais velho e se casaria com algum alfa rico, tudo para deixar nosso status lá em cima.

Hinata não era tão fria assim. Eu sabia, ela jamais conseguiria. É complicado casar com alguém que não se ama, mesmo achando que o amor poderá vir com o tempo. Ela sempre foi tão positiva e leal...

Olhei novamente pra ele e sorri, indo a sua direção.

Em meu coração, eu sentia que aquilo deveria ser feito.

– Olá, novamente – eu disse, me ponto ao seu lado.

Ele me olhou, talvez surpreso demais por me ver tão amigável. Ri internamente, pegando em seu braço, levando-o comigo.

– Pra onde estamos indo? – ele perguntou de maneira divertida.

– Estou prestes a mudar sua vida – respondi e sorri.

– Oh, já que é assim, me guie

E eu o guiei, direto para Hinata. Que nos observava com olhos ávidos e pacientes. Paramos em frente a ela e eu lhe fiz um sinal que nós dois conhecíamos muito bem. O sinal para que ela se apresentasse pra ele, pois ele era uma boa pessoa.

– Boa noite, sou Hinata Hyuuga – ela disse, fazendo uma leve reverencia.

– Hyuuga? – ele perguntou, talvez imaginando o porquê de eu tê-lo levado ali.

Ele sabia de nosso status, casar-se comigo ou com Hinata não era de grande importância. Ele queria nossa influencia.

– Minha irmã – respondi, retirando meu braço do dele – Vou deixá-los sozinhos.

Eles conversaram por cartas e logo Naruto havia sido convidado para um jantar em nossa casa. Normalmente, eu fazia as tarefas mais rapidamente que minhas irmãs e dormia um sonho profundo a tarde, já que sempre acordávamos as seis da manhã mas, dessa vez, não foi assim. Ele estava vindo e eu gostaria de revê-lo.

Eu sei que isso era ruim. Eu já havia desistido dele, mas...

– Chegando num horário em que sabe que o papai não está em casa – falei enquanto descia a escadaria, pegando-o de surpresa.

– Olá, Sasuke... Bom revê-lo – ele sorriu, fazendo meu coração palpitar mais rápido.

– D-Digo o mesmo, – respondi cordialmente, mesmo falhando levemente a primeira palavra, e acenei para que Kakashi, o mordomo-babá, saísse do local. Ele olhou atentamente para nós, mas acenou prontamente com a cabeça e subiu para cuidar dos estudos de minhas irmãs. – Hinata está terminando os estudos junto com Hanabi.

– Oh, certo. Eu havia avisado que viria falar com vosso pai...

– Logo chegará, não se preocupe. Ele é muito pontual, embora você tenha vindo cedo e, pelo perdão da palavra, com aparente nervosismo – olhei-o afiadamente.

– Bom, sabe pra que vim aqui, não?

– Claro que sei – sorri, demonstrando todo meu entendimento. Muitos já haviam pedido a meu pai a minha mão mas, diferente do que todos achavam, quem decidia esse tipo de coisa era eu e, sendo sincero, eu estava pouco interessado em cumprir meu dever de filho mais velho, até aquela noite... – Tenha postura, cabeça erguida e não gagueje. Sei o que você é Naruto, conheço tipos como você e, se quer realmente algo com minha irmã, tem que mostrar ser melhor que qualquer alfa, mesmo não tendo um tostão no bolso. Entendeu?

– S-Sim – ergui a sobrancelha direita, achando engraçado ele ter ficado desconfortável com tal afronta.

O barulho da porta foi ouvido e eu corri pra cima, não sem antes lhe piscar e desejar boa sorte. Eu sabia que ele conseguiria e ele conseguiu.

Eu o vi conversar com nosso pai sobre a revolução e sobre como os betas e alguns alfas de alto escalão concordavam com suas palavras e ações. Eu o vi se apaixonar por ela e esquecer totalmente da minha existência, a não ser para coisas importantes como qual presente dar para Hina, qual vestido ela gostaria de ganhar e que passeios gostaria de fazer.

Uma das empregadas, Tenten, havia acabado de trazer o jornal e, novamente, eu estava fazendo sala para Naruto. È burrice, não se preocupe em me alertar, eu sei.

– O que me fala sobre tudo isso, Sasuke? – ele perguntou, apontando para o jornal.

Peguei a folha e li por cima sobre a discussão publica de alguns alfas, betas e ômegas que eram totalmente contra esse negocio de “revolução” ou remodelação de leis.

– Porque eu deveria achar algo?

Era obvio que eu tinha minha opinião formada mas, como sempre, éramos calados caso não falássemos o que a maioria dos alfas gostariam de escutar.

– Ora, você é um ômega, não? Estou lutando pelo seu futuro também... Eu quero te escutar.

Não queria, juro que não, mas fiquei constrangido. Pela primeira vez alguém, além do meu pai, queria me escutar. Eu dei um longo suspiro e me sentei ao seu lado, colocando rapidamente minha mente para funcionar. Naruto queria uma resposta e eu o daria.

– O problema, em si, não está apenas nos alfas – respondi, me sentando prontamente ao seu lado. – Quando era mais novo, foi me ensinado a abaixar a cabeça para alfas e aceitar seus galanteios, pois meu pai escolheria meu marido.

– Isso é-

– Ora, você não acha mesmo que eu abaixei a cabeça, certo? – Sorri, lembrando de algumas surras que minha “professora” beta me deu por conta do mau comportamento. – A questão é que isso engloba toda a sociedade. Os ômegas, em sua maioria, se contentam com a vida que tem, os betas, por sua vez, não querem se envolver pois eles não são diretamente atingidos e os alfas usufruem de seu poder com liberdade.

– Você há de convir que nem todos são assim.

– Ora, longe de mim falar que todo alfa é ruim com seu companheiro mas, o poder de subjugamento que a natureza deu para eles, é um tanto viciante. Se um alfa subjuga seu ômega uma vez, ele pode continuar a fazer isso por toda a vida e o ômega, mesmo que não queira, aceita calado pois foi-lhe ensinado assim.

– Onde meu gênero entra nisso tudo?

– Hum... Vocês, assim como outros gêneros que descobrem sobre tal violência, seriam aqueles que vêem as coisas acontecendo, mas não fazem nada pra mudar. Não ajuda, não denuncia. Um ômega denunciando abuso a outro ômega... Você sabe que isso não dá certo. Para a lei, nem existimos.

– As leis-

– Protegem os alfas e, por conta disso, elas devem ser mudadas... Só precisamos de alguém que trabalhe ao nosso lado. Que nos ajude.

– Eu estou, Sasuke. Você sabe disso. – Ele falou, pegando na minha mão e a segurando confortavelmente.

Claro que sabia. A noticia sobre os “rebeldes” circulava pelos jornais. Por vezes vi o rosto de Naruto e de seus amigos em palestras e ajudando ômegas a denunciar seus agressores/companheiros alfas para as autoridades, mesmo não tendo sucesso. Eu sabia que era questão de tempo para que o governo modificasse as leis, embora não houvesse realmente nenhum representante da causa lá.

Tempo. Em toda a história, quarenta anos não eram nada, mas para nós, as pessoas que estão vivendo essa revolução, quarenta anos é muito tempo... Muito... E, pelo que vi, Naruto não é de esperar. Ele poderia até mudar mas quanto tempo essa mudança duraria? Será que, quando morrermos, nossos ideais se perderiam...?

Todas essas mudanças... Será que...

– Será que é suficiente? – falei, perguntando mais pra mim mesmo do que pra ele.

Naruto, junto com seus amigos e muitos outros, estavam lutando contra o sistema, sendo considerados rebeldes que, um dia, quem sabe, conseguiriam com que meu gênero fosse mais bem aceito.

Sua motivação? Novamente, acho que jamais saberia.

– Naruto... – Hinata falou, fazendo com que ambos nos afastássemos e eu retirasse minha mão da dele. Demos a conversa por encerrada. Ela chegou perto, olhando-me interrogativamente – Aconteceu alguma coisa?

Abri um sorriso sincero, me levantando logo em seguida.

– Só estava falando para Naruto sobre sua cara de apaixonada quando recebeu sua carta, semana passada – provoquei, vendo-a ficar envergonhada.

Eu ri e observei Naruto pegando em sua mão, acalentando-a, da mesma maneira que havia feito comigo antes. Realmente, é um galanteador. Eu ri, sabendo o que deveria fazer em seguida.

– Se papai perguntar, diga que fui lá em cima apenas por um momento. Você sabe que ele não quer que vocês fiquem sozinhos, mas eu confio no Naruto e em você também, Hina – passei minha mão em cima da sua e sai. Eles precisavam desse momento.

Certa noite, uma noticia abalou a todos. Um dos membros de uma família importante havia encontrado seu irmão em um dos ultimo bailes de primavera. Descobrimos dias depois que era de Naruto que estavam falando.

Naquela noite, eu ri e chorei ao mesmo tempo. Ri da minha desgraça, pois havia tomado uma decisão precipitada apresentando Naruto para Hinata e chorei porque se tivesse esperado, como ele havia me dito, poderíamos estar juntos. Seu status social havia acabado de se igualar ao meu e, mesmo sendo um beta, ele seria totalmente aprovável.

Minha mãe, diferente da mãe de Hinata e Hanabi, era uma beta pobre e que acabou chamando atenção de Hiashi. Todos, sem exceção, falaram para meu pai largá-la porque, o que mais um beta quer, é se casar com um alfa e “ser a principal”. Hiashi teve duas esposas, uma ômega e uma beta, sua favorita. Ambas morreram antes de completar cinco anos mas a mancha de ter sido o primeiro filho a ser concebido pela beta e, ainda por cima, ser um ômega, ficou por boa parte do tempo na família.

Quando fui apresentado para Menma, quase não notei a diferença entre ele e Naruto. Tirando os cabelos negros, até mesmo a personalidade era igual, embora ele fosse um pouco mais fechado e, estranhamente, um alfa.

Ele nos foi apresentado alguns dias depois, em um jantar. Foi interessante e estranhamente intrigante também. Menma sempre olhava para a interação de Naruto e Hinata quando achava que ninguém estava olhando. O mais problemático de tudo isso é que eu percebi em Menma os mesmo olhos que eu via todos os dias no espelho, os mesmos olhos que viam Naruto todas às vezes e que tentava disfarçar de alguma maneira. Menma estava apaixonado.

De inicio, imaginei que ele gostava de Hinata, pois sempre que ele a via, algo brilhava em seus olhos... Só fui entender que era inveja depois de pensar sobre isso por noites a fio. Todos os finais de semana eu via a mesma reação, o mesmo brilho só que a intensidade aumentava cada vez mais, ele ia explodir em algum momento.

Eu ainda ia recebê-los antes da Hinata e conversava bastante com Menma, já que acabei ficando realmente de olho em Hinata e Naruto, logo após Kakashi abrir sua enorme boca para o papai, na primeira vez que veio em casa. Eu não sei se ele suspeitava desses sentimentos conturbados mas o que sei é que Hiashi confiava em mim. Ele sabia que eu jamais feriria minha irmã.

Os olhos de Menma ainda me perturbavam. Embora sua atitude continuasse a mesma, a perfeita calmaria, os olhos eram intensos... Definitivamente, aquilo só indicava uma coisa e, pelos deuses, era ainda mais complicado que meu amor impossível.

– E então... Vai me contar? – perguntei, vendo Naruto e Hinata um pouco mais a frente, no próprio mundo deles.

Havíamos saído de casa para aproveitar o dia de sol. Hinata sugeriu um piquenique perto de casa e eu gostei da ideia, os dois apenas foram nos acompanhar, como bons cavalheiros que são.

– Sobre o que? – respondeu em automático, fitando o casal que cada vez se distanciava mais.

– Você sabe muito bem do que estou falando, Namizaki.

– Percebeu que, em todos esses meses de conversa, você nunca me chamou pelo nome? – ele me olhou de soslaio, fazendo com que eu ficasse em duvidas sobre o que responder exatamente.

Clareei a garganta e disse:

“Bom, isso é o normal a se fazer com um alfa, certo?”

– Você não faz isso com o Naruto e sei muito bem que não tem nada a ver com o gênero dele.

– Há! Que tolice você está falando?

– Sabe muito bem do que estou falando – ele disse, parando de caminhar e me olhando intimidadoramente.

Recuei. Não que estivesse com medo dele, mas ser confrontado com a verdade dessa maneira era como levar um tapa. Como ele ousou dizer isso de uma maneira tão...?

– O que está acontecendo aqui? – escutei Naruto perguntar. Eu o olhei e também vi Hinata segurando em seus braços de maneira forte. Será que eles haviam escutado a insinuação?

– Nada – voltei para o lado de Menma e segurei em seu braço – Não era nada mesmo, não se preocupem.

Olhei para Hinata, tranqüilizando-a com o olhar e novamente para Naruto.

– Estávamos apenas-

– Perguntei a Sasuke se ele gostaria de namorar comigo – ele disse, fazendo com que minha cabeça entrasse em combustão.

Assumi o controle sobre minhas emoções rapidamente e sorri envergonhado, da maneira na qual me ensinaram a fazer mas, por dentro, eu queria matá-lo. Até mesmo apertei seu braço por tamanha audácia, como ele pode falar aquilo?

– Oh, entendo – Hinata falou, sorrindo. – Acabamos atrapalhando eles. Sasuke deve ter ficado apenas envergonhado e eu sei bem como ele não sabe demonstrar seus sentimentos de uma maneira mais natural.

Mas que tipo de comentário afiado foi aquele?

Nem me dignei a olhar porque, pela primeira vez, eu fiquei triste com minha irmã. Porque falar aquilo? Parecia até que ela estava tentando...

– Sim, deve ser isso. Não se preocupem conosco, vão caminhar mais um pouco – Menma falou, mas os olhos de Naruto ainda não saíram de mim, eu percebi isso. Só não entendia o que aquilo significava.

– Vamos, querido. Ainda quero achar um bom lugar para aproveitarmos o dia – minha irmã falou, fazendo com que ele “despertasse” e saísse de perto de nós.

Retirei meu braço brutamente do de Menma e o fitei com raiva.

– Era um teste.

– O que você pensa que está fazendo? Droga, Menma. – Respondi, irritado.

– Ele gosta de você, mas prefere a Hinata – ele respondeu simplesmente, segurando novamente meu braço. – Vamos, ficar aqui não vai ser bom para nós dois.

A certeza de que havia escutado aquelas palavras ainda martelava minha mente. Ele gostava mesmo de mim? Isso era terrivelmente doloroso. Menma era horrível e eu tinha o desprazer de ficar ao seu lado, tentando segurar as lágrimas que guardava sempre para a noite, quando não tinha ninguém olhando.

– Pode chorar, eu vou entender.

Não chorei, apenas firmei o pensamento de meses atrás em minha mente e respondi, não sabendo realmente se havia feito certo:

“Eu aceito.”

Nós também nos correspondíamos por cartas e, no final das contas, os irmãos Hyuuga estavam comprometidos, pelo menos era isso que se espalhara por ai e quem sou eu pra desmentir.

Um alfa rico. Eu o consegui. Consegui também alavancar o nome Hyuuga ainda mais, isso contribuiria para os negócios de meu pai e também para a Revolução, por mais contraditório que fosse.

Eu deveria ficar feliz, mas não estava.

Acho que jamais estaria.

Alguns meses depois, o anuncio de noivado de Naruto e Hinata foi feito. Aquela foi a primeira e ultima vez que vi Menma chorar. O baile havia sido perfeito, eles estavam perfeitos, mas Menma... Ele estava transtornado.

Eu o conhecia há pouco mais de um ano, conseguia ver por debaixo de sua mascara de alfa recatado e bom que ele estava sofrendo tanto ou mais que eu. Jamais perguntei-lhe diretamente, nem precisava.

A calamidade que eu via em seus olhos era tão intensa, como ele consegue se segurar?

Eu era o único que ainda estava de pé, ao seu lado, ajudando-o a suportar uma dor que era igualmente minha. Aquela foi a primeira vez que nos beijamos.

O casamento foi no final daquele mesmo verão. Estava esfriando mas o dia, em si, era belo. Menma ficou cada vez mais por perto de mim. O mais engraçado é que acabamos realmente nos tornando amigos depois de tudo. Sabíamos das coisas um do outro, nos entendíamos e amávamos o inadmissível. Era uma parceria que não iria terminar tão cedo, até me acostumei com a ideia do casamento. Não seria ruim. Ruim seria o que veríamos a seguir.

A troca de alianças entre Naruto e Hinata me fez chorar e Menma me abraçou, sentindo toda a dor e compartilhando-a comigo, da maneira dele. Ninguém entendia melhor do que nós mesmo, éramos como dois corações quebrados que continuavam batendo mesmo tentando expulsar esse amor impossível.

O baile que se seguiu foi um sonho. Jamais havia imaginado uma festa tão bela o problema é que eu não conseguia me concentrar, minha aura estava péssima e eu me sentia cada vez mais triste. Tanto tempo pra se acostumar e, mesmo assim, eu não conseguia. Não conseguia olhar a felicidade de ambos, não conseguia não sentir inveja, não conseguia ignorar todos os meus sentimentos.

Fui obrigado a sair do salão e ir pra sacada. Ela ficava um tanto longe, embora ainda conseguisse escutar o barulho das risadas e da comemoração conjunta. Não senti que havia sido seguido, mas aquilo era um tanto obvio... Se tratando de quem era.

– Enxugue seu rosto. O que pensarão de você, Sasuke? – o alfa disse, chegando perto e olhando para o céu.

O local era quase no centro da cidade, mas quase não se escutava barulho dos cavalos ou de carros, talvez por ser um local cheio de arvores, sem uma boa visibilidade das lojas em si. Se bem que, naquele horário, era difícil mesmo ter algo aberto.

Ele estava triste, impossível não perceber.

– Certamente, nada que chegue perto da verdade... – respondi, sorrindo de lado e respirando fundo.

– Estão esperando, seja breve.

Menma estava prestes a sair porém o segurei, pedindo mentalmente que esperasse.

Nosso retorno ao salão, aparentemente, estava sendo aguardado. Menma me acompanhou até o local do brinde, transmitindo forças que, até aquele momento, eu não sabia que precisava.

Hinata estava linda, irradiando felicidade. Naruto estava igualmente feliz, embora estivesse um tanto mais contido, o normal dele. Aquele casamento seria socialmente benéfico, mas não se poderia dizer que não existia amor ali e era isso que me deixava mais triste. Menma apertou minha mão, sussurrando que tudo logo acabaria. Uma taça de champagne refinado foi deixada em minhas mãos e ele se afastou um pouco.

Aos poucos, todos começaram a silenciar seus burburios e a prestar atenção em mim, esperando para verem meus votos aos noivos.

Que tortura.

– Um brinde ao noivo... – ergui minha taça, fazendo com que todos acompanhassem – e a noiva, minha querida irmã. – Eu sorri, demonstrando uma felicidade forçada que, eu percebia, ninguém notava. Apenas Menma. – Um brinde as vossas vidas novas, um brinde ao que vem pela frente e as coisas que vocês deixaram pra trás, pois, graças a elas, vocês chegaram aqui. Um brinde a união e à esperança de que prosperem. Que vocês sempre estejam satisfeitos... Aos noivos...

– Aos noivos – em uníssono, todos gritaram, me deixando aliviado e, ao mesmo tempo, com o em pedaços.

Recebi uma carta de Menma, convidando-me para ir até sua casa. O noivado havia sido oficializado no dia anterior e tanto Hinata quanto Naruto, haviam parado sua lua de mel para virem nos felicitar. A partir daquele momento, eu já viveria com ele. Era assim que funciona com alfas, ele poderiam “provar” de ômegas, apenas porque eles podem. Era a lei.

Era um tanto obvio que eu detestava tal regra e até mesmo Menma disse que isso não era necessário mas, guiado por meu pai que sabia mais da vida que nós dois juntos, ele pediu-lhe que cumprisse com o maldito ritual. Só mais uma coisa que eu gostaria que fosse mudada de nossa sociedade... Uma entre tantas.

Em pensar que se faziam quase dois anos que eu havia conhecido Naruto. Quase dois anos de amor platônico e, nesse exato momento, se eu pudesse... Mudaria tudo.

Talvez, por ironia do destino, quem eu menos queria ver apareceu em minha frente.

– Não precisa ir, se não quiser – disse a voz melodiosa atrás de mim. As arvores se mexiam juntamente com o vento. Era um teste divino.

Eu estava olhando, pela ultima vez, para uma das paisagens que mais gostava dentro do terreno de casa. O jardim, composto de várias flores que, pelas palavras de Hiashi, minha mãe adorava e um pequeno lago feito de pedras, que davam um ar belo ao local. Obviamente, eu cuidava daquele local como se fosse algo sagrado... Só esperava que Hanabi cuidasse com o mesmo zelo que eu fiz por tantos anos.

– Porque falas isso, Naruto?

A sombra da arvore ocultava seu olhar, mas pude ver sua boca tremer.

– Você é um ômega que luta contra tudo isso, porque abaixar a cabeça?

– Porque você ainda não modificou as leis... Talvez, daqui uns anos, ser ômega seja mais fácil mas, nesse momento, mesmo com a aprovação de Menma, ele ficaria mal falado e nossa família também.

– Grande merda, Sasuke... Eu achei que você não se importava com tudo isso. Parece que me enganei ao seu respeito.

Eu soltei um riso de deboche e o olhei firmemente.

– Eu não me importo, mas ainda existem outras pessoas nas quais eu devo me importar. Meu pai, Hanabi, Hinata, Menma e você... – olhei para o horizonte, não queria que escutasse a falha que existia em minha voz ao falar dele.

– Sasuke...

– Você sabe... – Sorri tristemente, sabia que não deveria falar, mas... – Eu sempre te amei, desde a nossa primeira dança, desde nosso primeiro momento juntos, desde a primeira vez que te vi...

Preferi não olhá-lo, o horizonte a frente era grande de mais e, se eu me virasse e enxergasse o mínimo de incerteza em seus olhos, sei que eu acabaria ficando, acabaria lutando uma guerra que eu não poderia vencer... Não mais.

Achei que nesse momento eu choraria, que as memórias de algo que nunca aconteceu voltariam e fariam com que eu implorasse por um pouco de amor, mas não foi isso que aconteceu. Talvez o peso de ter carregado isso por tanto tempo, tenha acabado de ser dividido novamente.

– SASUKE – gritou Hanabi, do alto da sacada.

Eu sabia que ela desconfiava, ela sempre foi muito intuitiva. Sem falar que aquele era o sinal para minha recomeçar minha vida, em outro lugar. Longe dele.

A carruagem estava a minha espera. Eu poderia ser rápido e roubar-lhe um beijo... Só um. Não o fiz. Pela segunda vez, eu desisti dele.

Passei por Naruto, indo direto para a entrada da casa. Não olhei para trás, não escutei-o sussurrar meu nome, também não vi quando sua mão tentou me alcançar, mas acabou se retendo no ultimo instante.

Simplesmente, não era pra ser.

1 de Marzo de 2018 a las 01:32 0 Reporte Insertar 0
Fin

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