Cappuccinos e Guardanapos Seguir historia

fuyukahideki Fuyuka Hideki

São três da tarde. O sol está brando, pelo menos um pouco mais do que quando ainda é meio dia. Nada que não me faça procurar por sombras enquanto ando em direção ao meu destino, uma lanchonete que fica a alguns minutos de onde moro atualmente. Foi a primeira qual visitei desde que me mudei para cá, e desde então tem sido a favorita. — Alguém do estabelecimento me pediu para lhe entregar isso. — tirou do bolso do avental branco um guardanapo dobrado. E esse foi o primeiro bilhete escrito em um guardanapo que recebi.


Fanfiction Sólo para mayores de 18.

#SasuNaru
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Flerte à moda antiga

São três da tarde. O sol está brando, pelo menos um pouco mais do que quando ainda é meio dia. Nada que não me faça procurar por sombras enquanto ando em direção ao meu destino, uma lanchonete que fica a alguns minutos de onde moro atualmente. Foi a primeira qual visitei desde que me mudei para cá, e desde então tem sido a favorita. Talvez seja a decoração ou o atendimento. Não, não. É com toda a certeza o cappuccino servido. Sasuke, o garçom de pele pálida e cabelos negros que sempre me serve, faz um maravilhoso com a quantidade certa de canela. Não que o resto não seja importante, porém isso é uma das coisas que me fazem voltar lá sempre. Pelo menos três vezes na semana e nos finais dela, exceto o domingo que não está aberta.

Quando empurro a porta o sino sobre ela faz barulho avisando a minha entrada. Passeio os olhos naquele espaço razoavelmente grande, vendo que várias cadeiras estão vazias. Bem, eu sempre venho nesse horário é o de menor pico, me faz ficar a vontade, conto umas quinze cabeças além da minha. Sentei numa mesa pouco reservada ao fundo, nela há praticamente o meu nome, já que sempre estou lá sentado. Não demora muito até que o moreno de quem citei anteriormente venha até mim com aquela típica cara de quem não considera ninguém.

— E aí, Sasuke. — começo com um sorriso.

— Oi, Naruto. — ele nem tira o bloquinho de papéis do bolso. — Vai só com o de sempre?

— Por enquanto sim.

— Okay, volto logo.

Dando meia volta, acompanho sua andada até atrás do balcão; eu admiro a decoração daqui, num tom avermelhado, mas nem forte e nem muito fraco. Com um pouco de branco aqui e ali. E muita madeira. Seja nas mesas, no chão ou nos balcões. Gosto desse contraste. Além do cheiro que sempre exala, algo entre o café forte com leite e bolo de morango.

Mudei para cá faz oito meses, meus pais compraram o apartamento e me presentearam no meu aniversário de vinte anos. Não moram muito distantes de mim, por volta de meia hora de carro, quando o trânsito facilita as coisas. Ainda não sou financeiramente independente, o que me faz ter certa vergonha, olhando por alguns ângulos. Mas por outros é até vantajoso não precisar se preocupar com questões de como administrar o meu dinheiro. Sei que isso não vai durar para sempre, porém por que não aproveitar até quando estiver em minha disposição?!

Nesse tempo em que venho até aqui já pude presenciar o moreno fazer a minha bebida, isso depois de muita insistência, e digo que não vi nada de especial em seu modo de preparo. O que me fez questionar o porquê de ser tão bom.

Quando a xícara pousa em minha frente e que a levo nos lábios, não deixo de aspirar à fumaça e sentir aquele cheiro gostoso.

— Delicioso, como sempre, Uchiha.

— Não me chame assim.

— Okay. — sorriu de leve, mas ele sabe que farei outras vezes. — Senta, não quer conversar? Está vazio.

Revirando os olhos, senta na cadeira vazia em minha frente; ele me olha, os orbes grandes e escuros. Não somos grandes amigos nem algo assim. Conversamos apenas quando venho até aqui, o que é constante, então digamos que sejamos quase amigos, já que nunca nos encontramos de fora. Hahaha. Assim como eu o Sasuke não precisa estar trabalhando, porém faz para não ter que depender dos pais. É muito responsável e admirável. Um completo oposto de mim. Quase nunca dá um sorriso, e fala soltando ironias aos quatro ventos. Mas tem boa aparência, talvez seja por isso que ainda não foi demitido. Um rostinho bonito garante o ganha pão, mesmo que no caso dele isso não seja uma realidade extrema de se exibir. Ficamos em silêncio antes que ele tomasse à dianteira.

— Alguém do estabelecimento me pediu para lhe entregar isso. — tirou do bolso do avental branco um guardanapo dobrado.

— O que é isso? — peguei nos dedos, desdobrando.

"Seu sorriso. Ele é lindo."

Era o que diziam as letras desenhadas. Senti as bochechas esquentarem. O coração bateu forte.

— O que foi? — o moreno franzia a testa.

— Quem te deu?

— Sinto muito, me pediram sigilo. — sorria de lado.

Olhei por cima do seu ombro, encarando aquelas pessoas que conversavam entre si, ou estavam sós com seus celulares e fones de ouvido. Todos podem ser suspeitos.

— Me diz, por favor.

— Ah, de maneira alguma. — apoia o cotovelo na mesa, descansando a cabeça na mão. Parece divertido para ele me ver desconcertado.

Sei que não vou conseguir convencê-lo. É difícil fazer. Ainda mais quando a situação é propícia a lhe arrancar alguns risos.

— Isso não é justo. — choraminguei.

— Hahaha, você não sabe de nada.

— Claro que não, você não me disse nada.

— E não direi. Vou voltar para o trabalho. — a porta fez aquele barulho de aviso.

— Sasukee…

— Até mais, Uzumaki. — acenou com as costas da mão, indo em direção a pessoa que havia se acomodado.

Voltei a olhar para aquele guardanapo, e novamente para aquela gente. Ninguém… Não há uma pessoa aqui a quem eu conheça, além de não ter a memória boa suficiente para dizer se algumas delas frequentam tanto quanto eu. Ou nos mesmos momentos, pelo menos. Ah... Suspirei fundo, voltando a tomar do café em minha frente. Pretendia que hoje fosse um dia normal e não que um possível admirador secreto viesse me passar esse bilhete. A curiosidade esta mais do que aflorada. E não há nem como persuadir o Sasuke a me contar quem seja o remetente.

Chamei o outro novamente pedindo um pedaço de torta de morango, ele veio a mim com aquela cara de quem ainda esta achando graça na situação. Quase fiquei irritado com isso. Quase.

— Então, já descobriu? — depositava o prato sobre a mesa.

— O que acha? — fui irônico.

— Acho que não vai descobrir jamais, a não ser que essa pessoa venha até aqui.

— E você sabe que tem razão. — revirei os olhos. O acompanhei sentar de novo junto comigo.

— Desista, antes mesmo de tentar me convencer a dizer qualquer coisa. — ergue a sobrancelha em aviso.

Bufei em frustração. Depois de terminar de comer, redobrei aquele guardanapo que recebi e o guardei com cuidado no bolso. Colocaria em algum lugar seguro dentro de casa quando chegasse. Não é todo dia que recebemos uma pequena paquera via garçom. Algo tão antiquado para os dias de hoje que me fez sentir até uma grande pitada de sentimentalismo e romantismo vindo dessa pessoa. Gostaria de saber quem foi. Não canso de pensar em como devo fazer para descobrir. Talvez trocar algumas mensagens da mesma maneira que ele faz comigo? Não, ainda não. Pode ser que essa seja a primeira e última, então vamos somente deixar acontecer. Caso algumas acompanhem esse tempo, irei responder. Mesmo que apenas com um obrigado, vai que isso o faz sentir na obrigação de continuar mantendo contato com comigo. Aquela típica coisa de visualizar e responder. Vamos ver se funciona. Mas primeiro somente vamos deixar em aberto.

Como de costume quando me despedi do moreno pedi um cappuccino para viagem. Tomo depois do jantar, mesmo que não esteja mais tão quente quanto antes o sabor ainda é impecável; já em casa tirei aquele papel peculiar do bolso traseiro e o depositei dentro da gaveta. Não antes de sentar na cama e o admirar por no mínimo dez minutos. Toda a caligrafia desenhada, a frase que ainda depois dessas horas passadas deixam as minhas maçãs avermelhadas, além de um esboço de sorriso. Estou assim diante apenas de um pedaço do que usamos para limpar a boca, imagina cara a cara. Não teria nem a mínima decência de reagir de maneira adequada. Por fim o guardei, indo logo para o banheiro. Após o jantar e novamente com um copo da cafeteria na mão liguei para minha mãe, como não visito muito os meus pais estou sempre me comunicando via algum meio que não seja o pessoal, e levo bronca por isso. Já que não moramos tão distantes um dos outros. Passarei o final de semana com eles, uma coisa que fora decidida pela Kushina, minha mãe, sem me consultar, para variar um pouco. Hoje é apenas segunda feira.

Dormir tarde e acordar tarde é rotina em minha vida. Acredito que de qualquer um que não tem qualquer preocupação como estudos ou trabalho. Uma digna vida de rei. Não é algo que quero me desfazer tão cedo. Pode chamar de preguiçoso e mimado, não é uma verdade a qual vou negar, já que tenho noção da mesma.

Não houve nada de demasiadamente interessante na terça que deva ser ressaltado, e agora na quarta estou indo novamente até a lanchonete. Um friozinho na barriga me acompanha, não que eu esteja na expectativa de receber qualquer coisa de alguém lá dentro. Não, não é isso. Acho que está mais para o fato de pensar que alguém me observa e nem percebo. Para receber uma mensagem daquela isso não vem de ontem ou de hoje, com certeza não. É um pouco vergonhoso, essa pessoa já me viu em diversas situações com o Uchiha, fosse quando fiz o papel de adulto e responsável ou simplesmente quando encenei a criança mimada por algum motivo fútil. Ah, que vergonha, pelos céus; quando minha mãe perguntou das novidades e se elas haviam não mencionei em momento algum que isso aconteceu. Seria interrogado e era até provável que a ruiva achasse que poderia ser algum maníaco. O que é bem a cara dela. Mantive em segredo, não preciso compartilhar detalhes de uma possível vida amorosa, quem sabe quando encontrar com algum amigo possa citar a situação e pedir algum conselho. Mas por enquanto vamos deixar entre mim e o Sasuke. AH, claro, o Uchiha! Devo pedir algum conselho a ele caso receba outra mensagem? Conversamos bastante sobre diversas coisas, então talvez tenha alguma liberdade entre nós para falar disso também.

O sino convidativo soou quando adentrei o espaço. Sasuke que atendia uma dupla de garotas numa mesa do canto ergueu o olhar para visualizar quem entrava, sorrindo de leve a mim, retribui com um aceno de cabeça. As meninas pareciam flertar com ele, rindo e demorando em escolher o que desejavam; sentei em minha cadeira, olhando para o moreno trabalhando, mesmo que sorrisse de onde eu o via não me agradava o sorriso, era visivelmente forçado somente para não tratar aquelas damas com alguma ignorância. Vendo de fora é até cômico. Não fui atendido por nenhum outro que trabalha aqui, eles sabem pela minha preferência pelo que o Sasuke faz. E por isso não me importo de esperar um pouco mais até ser abordado, e não posso perder a chance de fazer alguma piadinha sobre suas novas clientes. Sei que ele vai pedir que outro entregue o pedido, já visualizei a feição de decepção delas ao não ver mais o moreno lhes dedicar atenção. Ele nem mesmo passou aqui para saber o que eu gostaria, e quando começou a caminhar em minha direção já trazia aquele copo entre os dedos.

— Toma. — deslizou pela mesa. Sentando-se na outra cadeira, passeou os dedos na testa.

— É bom ser assediado dessa maneira? Suas amiguinhas parecem completamente caídas por você. Deveria fazer o favor de entregar seus pedidos, faria a felicidade delas do dia. — o clima está frio, tirei as luvas para sentir a quentura na ponta das digitais quando segurei o copo com as duas mãos.

— Ah, claro, marcamos de nos encontrar na esquina. Não é necessário entregar seus pedidos, faremos coisas melhores que beber café e comer torta. — ergueu uma sobrancelha, o encarei de olhos semicerrados.

— Divirtam-se. — ironizei.

— Isso não será um problema. Mas não fique chateado, tenho algo para você também. — tirou do bolso novamente outro guardanapo. Esqueci até porque estava levemente bravo.

— Não estou chateado. — peguei o papel dobrado na expectativa do que estava escrito desta vez.

Seus olhos. São lindos também.”

Fiz aquela mesma movimentação de olhar por cima dos ombros do outro e tentar descobrir quem poderia ter sido o autor daquele mínimo bilhete.

— Isso é... Desconcertante. — ainda olhava aquela mesma caligrafia. — Acha que devo responder? Responderia se estivesse em meu lugar?

— Talvez.

— Isso não ajuda em muito.

— Se fizer isso quem sabe as suas chances de conhecer a pessoa aumentem. — jogou os ombros para cima.

— Okay. — tirei do porta-guardanapo uma folha. — Pode emprestar a sua caneta? — ele a ergueu a mim. Escrevi com cuidado, mesmo que não houvesse decidido antes o que iria falar. No fim das coisas, saiu apenas um Obrigado junto a uma carinha feliz. — Por favor, entrega isso para mim. — dobrei e entreguei a ele, com a caneta.

— Virei pombo correio de flerte à moda antiga agora? — encaixou tudo no bolso.

— Bem melhor do que o que aquelas exibidas faziam com você. — ele segurou um riso, mas ainda continha surpresa em sua expressão pela minha resposta.

Talvez não fizesse tanto sentido, quanto eu acho, estar tão irritado pelo fato dele ter sido tão sarcástico com aquele negócio das garotas. Ainda mais porque fora eu quem o provoquei dizendo o que disse sobre o assédio. Prensei um lábio no outro. Quer saber, que se dane. Não vim até aqui para ficar irritado com uma besteira dessas. Ainda mais com esse pequeno nervoso gostoso que me deu na barriga por estar respondendo ao anônimo. O Sasuke não respondeu, somente continuou a me encarar, os olhos negros sem muita expressão. Parecendo frios demais.

— Há algum problema? — experimentei do cappuccino pela primeira vez sentindo um pequeno calor correndo ao longo da garganta.

— Não. — limitou-se, ainda me encarava da mesma maneira.

— Então?

— Estou voltando ao trabalho. — empurrou a cadeira com as costas dos joelhos e seguiu adiante, nem tentei protestar dizendo que não havia trabalho a ser feito, sei que não surgiria efeito algum. Com isso somente acompanhei sua caminhada até atrás do balcão.

Ainda tenho a sorte de que ele avisou que estava partindo de volta para o serviço. Já que não foram poucas às vezes em que fiquei a ver navios quando ele simplesmente levantou e saiu me deixando sem respostas; suspirei fundo uma e mais outra vez. Soltando um resmungo para mim mesmo. Imprevisível. Deveria colaborar com essas suas atitudes. Voltei o olhar para o conteúdo do copo, vendo aquela cor marrom claro quase amarelo, alguns traços do leite aqui e ali, pouca fumaça subindo para o ar.

O tempo que levei para voltar ao apartamento e que fiquei dentro do ambiente da lanchonete ninguém mais chegou. Parti sem me despedi, e não estava nem mais ansioso ou curioso sobre o anônimo do guardanapo e sua possível resposta. Só sentia levemente desolado por tudo o que havia acontecido nesses últimos longos minutos que se passaram lá dentro. É tanto que nem mesmo pedi o rotineiro segundo cappuccino ou sequer terminei o primeiro. Estou ainda aqui com ele em minha mão envolta em luva, bebendo em goles desinteressados. Apesar do tempo de quase um ano de amizade ainda não sei se sou capaz de lidar com todas essas mudanças repentinas do Uchiha. Sua instabilidade é irritante.

Tirei do bolso o pequeno bilhete que recebi. Encarando aquela frase e as letras que faziam parte, tão desenhadas e cuidadosas. Me senti um pouco constrangido pelo fato de somente ter agradecido. Mas também não vejo como poderia dar uma resposta mais encorpada. Coloquei sobre o outro que estava dentro da gaveta. No final das contas nem esperei tanto tempo para ir lá e dar alguma coisa para ele. Talvez o que o Sasuke disse sobre esse assunto tenha influenciado. Apesar de ainda não saber se quero de fato conhecê-lo. Estou curioso, é óbvio. Mas ficar cara a cara é outra ideia. Uma ideia que me deixa desconcertado.

Na noite depois do jantar quando fui procurar por meu costumeiro cappuccino lembrei que acabei não o comprando por pura infantilidade de minha parte. Não que eu tenha saído de lá batendo os pés e fazendo birra, mas vamos categorizar que minha atitude em si não foi lá muito adulta. E o Uchiha também não colaborou dando aquela resposta. Okay, foi um desentendimento pequeno e desnecessário, principalmente partindo de minha parte sobre fazer aquela pergunta sobre as garotas que estavam dando em cima dele. O moreno poderia ter sido um pouco mais conivente e medido as palavras que iria me dar como resposta. É, Naruto acho que você esqueceu que ele não está nem aí para o seu redor quando se trata de responder a alguma coisa. É um belo dom. Um dom com a capacidade de me deixar irado pelo seu sarcasmo e gozação. Eu deveria era estar acostumado a isso. De fato estou, mas ainda assim às vezes me pega desprevenido e acabo me deixando levar pelo poder da frase. Devo parar com isso se não quiser continuar a sair correndo de lá a cada vez que levo uma resposta mal educada dele.

Minha ansiedade aumenta gradativamente enquanto caminho a passadas largas e rápidas até a lanchonete. O clima está igual ao último dia em que estive aqui, sendo hoje uma sexta feira por volta das três e meia da tarde, senão graus a menos. Mas não há nenhum sinal de que vai nevar. Uma pena, eu gosto de neve. Assim como do sino que avisa a minha entrada na lanchonete quente e de cheiro aconchegante, quentura essa que deve me fazer tirar o casaco em breve. Não sento na cadeira que estou acostumado, mas em uma próxima. A minha está ocupada por um casal jovem, se fosse alguém solitário eu poderia arriscar dizer que é o meu admirador querendo fazer um contato direto, uma cena dessas me deixaria tenso. Avisto de onde estou o Sasuke de costas fazendo cappuccino para alguém, ele ainda não sabe que estou presente. Mas isso não dura muito tempo, já que alguém do balcão o cutuca e indica o meu assento com o queixo. O moreno me olha, aceno com os dedos enluvados, ele me retribui com um sorriso sem dentes, curto demais, voltando em seguida para seu trabalho. Demora um pouco até que seja a minha vez, porém não me importo, nunca venho até aqui com pressa alguma.

— Está de mau humor? — pergunto quando ele aproxima-se empurrando o copo em minha direção sobre a mesa.

— Me diga quando estou de bom e te direi se sim ou não. — sentou-se desleixado na cadeira, passeando os dedos na testa.

— Aconteceu alguma coisa?

— Nada que mereça atenção dobrada.

— Ah, não é bem isso que me parece. — assoprei o cappuccino antes de levá-lo aos lábios pela primeira vez. — Se eu lhe dizer que o café está mais do que maravilhoso isso te fará ter um sorriso no rosto? — dei uma golada maior no líquido.

— Te direi que é um viciado, Naruto. E que sempre me diz isso. — ainda assim tentava conter o breve sorriso que vi.

— Não vou negar nenhuma das duas, acredite nisso.

— Sei que não. — enfiava a mão no bolso. — O seu admirador deixou algo para você.

— O que seria?

— O que acha que é? — rolou os olhos já começando a se divertir com a situação.

— Eu sei, isso soou muito idiota. — não contive meu riso. — Mas então?

— Toma. — tirou a mão do bolso do avental com o guardanapo dobrado.

— Isso sempre vai estar em seu bolso?

— Sei mais ou menos as horas que vem, então sempre mantenho aqui, para entregar assim que lhe ver. — deu de ombros.

— Faz sentido.

— Óbvio que faz sentido. Agora, vamos, entretenha-me, Uzumaki. — sorria com os olhos, começando a se divertir com a situação apresentada.

— Te entreter, ah, claro. — rolei os olhos. — Farei o meu melhor.

Não quero ficar nervoso com o que me for apresentado, mas cá entre nós, só o fato de ter os olhos vibrantes do Uchiha sobre mim já é um fator que causa ansiedade.

"Não agradeça. É apenas verdade. Então, continue fazendo o que faz e me deixe assisti-lo. É encantador te ouvir rindo."

— Não estou acostumado com essas coisas.

— Prefere uma abordagem direta?

— Não é isso. Receber elogios dessa forma. É delicado e tão... Bonito. — meus olhos ainda estavam no papel. — Não tenho como responder a isso. Fico imaginando o quanto que foi vago quando respondi.

— Ajudaria se eu dissesse que essa pessoa ficou feliz?

— Depende se está dizendo para me animar e cobrir a decepção por ter lido somente um obrigado com carinha feliz.

— Não faça essa cara. Quem escreve isso quer te ver sorrindo, deve ser por isso que faz. Então faz um favor pra nós e abre os dentes.

— Me mostra como fazer aí. — somente nessa frase não consegui segurar o riso. Ele me acompanhou do jeito dele. Meio tímido, meio reservado. — Você é tão sério, Sasuke. Não quer me contar os seus segredos?

— Eles seriam demais para uma cabeça como a sua. — deu um peteleco em minha testa. — Não force seus poucos neurônios tentando descobrir quem é o autor.

— Isso dói. — esfreguei os dedos no local que possivelmente estava vermelho. Recordando sobre outra coisa. — Não virei aqui amanhã.

— Por que não?

— Casa dos meus pais. Exigência da minha mãe.

— Ah, claro. Divirta-se no playground.

— Meu Deus, como eu não havia percebido o quanto você é irritante?!

Ele somente sorriu sem mais falar nada. Tomei mais um pouco da bebida. Acompanhei seu trabalho de longe, suas idas e vindas das mesas que aos poucos iam se enchendo. O cheiro de café no ar estava mais forte, e era bom senti-lo. Deixando o ambiente mais aconchegante e confortável.

Pelo assunto da mensagem que recebi na manhã de sábado minha mãe tem coisas a falar sobre relacionamento. O que ela quer, hein? Eu já disse que não estou com vontade nenhuma de me relacionar com ninguém que ela acha que vai ser boa para mim. Não é assim que funciona a vida amora. Pelo menos não a minha. E espero fazer com que ela compreenda a minha completa falta de interesse.

— E posso saber qual o motivo? A Hinata é uma garota adorável.

— Pode ser, mas isso não significa que eu a quero como namorada.

— Naruto. — ela encarou firmemente os meus olhos. — Quer dizer o que esta me escondendo?

— E por que acha que estou lhe escondendo algo?

— Essas suas recusas e desculpas estão muito enraizadas. Tem que haver alguma coisa por trás. Está gostando de alguém ou até mesmo namorando e não nos disse nada?

— Não, nada disso.

— Então está decidido, você vai sair com a Hyuuga e daí pode tirar suas conclusões. Tenho certeza que vão se dar muito bem.

— Mãe.

— Não. Nada de discutir. — apontou o dedo para mim, me calei.

Somente pude suspirar diante disso. Estava decidido, pela ruiva e não por mim. Uma droga. Sair com ela. Sair. Com. Uma. Garota. Que. Não. Quero. Talvez eu esteja gostando de alguém e talvez esteja escondendo alguma coisa... Talvez.

Logo após essa bomba de que teria de sair com a Hinata, veio à segunda, no domingo, quando eu já estava me preparando para ir embora. Minha mãe sabia que eu iria querer protestar e que aquele era o melhor momento para dizer qualquer coisa.

— Amanhã irei levar a Hina até sua casa. E quero que a leve naquela lanchonete que tanto fala. Quero que a leve para tomar um cappuccino que gosta tanto.

— Como? Levá-la na lanchonete? Não, isso não!

— E por que não? Está decidido. Eu avisei. E nada melhor do que compartilhar algo que você gosta. Ela vai adorar, tenho certeza.

— Mãe, você não esta entendendo. Não posso levar a Hinata lá!!

— E por que não? Já perguntei e não houve resposta. Estarei lá no final da tarde. E a pegarei por volta das seis. Divirtam-se.

Essa foi à deixa para que eu fosse embora. E assim fiz.

Sasuke…! Soquei o volante, fazendo a buzina soar; fiquei tenso durante a noite a ponto de não pregar os olhos durante longas horas. Somente depois das três é que finalmente pelo cansaço isso aconteceu. As horas passaram rapidamente, uma droga. E não demorou para que meu telefone tocasse com uma ligação de minha mãe, avisando que já se encontrava na portaria, e que eu deveria descer para atender. Nenhuma das duas subiria, e de lá ela nós levaria.

— Olá, Naruto. — a morena me recepcionou timidamente.

— Oi, meu filho. — abraçou meu corpo.

— Oi, mãe, Hinata. — acenei com a cabeça para a outra, mas não procurei contato visual.

— Irei embora agora, venho pegar você mais tarde. Vocês irão andando até o estabelecimento, lembro-me de não ser muito distante. — entrava no carro. — Até mais. — acenou e partiu.

Quase não conversamos no caminho, meu coração batia rápido, de uma maneira totalmente desesperada. Era horrível a sensação. Meus pensamentos eram somente em como Sasuke iria reagir a me ver com uma garota. Falando desse jeito até parece que temos algo. Deixei um risinho escapar, fui questionado. Não respondi com a verdade, claro.

Respirei profundamente quando estávamos defronte para o estabelecimento. O barulho do sino não foi nada convidativo, na verdade só me deixou mais tenso. Sasuke olhou em minha direção. Sorri minimamente, o vi franzir a testa. Caminhei àquela mesa que é de meu costume sentar, desta vez estava vazia, e me deu leve alívio isso. Hinata sentou a minha frente, o Uchiha logo veio me atender, estava mais neutro que geralmente é.

— O que vão querer?

— Oi, Sasuke.

— Oi. Já escolheram?

— O mesmo de sempre. E você, Hinata?

— Gostaria do mesmo.

— Não vai me apresentar a sua amiga?

— Não sou amiga do Naruto. — ela sorriu de leve. — Sou sua namorada.

— Oe!

— Ah, é verdade? Ele não havia me dito que tinha uma. — a encarava, me ignorando.

— Fui pedida em namoro no final de semana.

— Claro que foi. — sorriu de leve. — Irei trazer os seus pedidos já.

Ele saiu de nossa mesa.

— Por que fez isso? Eu não namoro você, Hinata!!

— Fiz algo de errado?

— Claro que fez!! — estava me controlando para não gritar. — O que pensa que está fazendo?

Quem trouxe o nosso lanche não foi o Uchiha, mas um dos outros funcionários do local. Não achei estranho o acontecido, sabia que depois do que ela havia dito, isso era possível. Respirei fundo. Tentando acalmar os turbulentos pensamentos que chegavam sem parar dentro da minha cabeça.

Tomei o meu cappuccino, aparentemente fora o próprio que havia feito. Pergunto-me se o da minha companheira também. Eu a olhava. Estava com raiva, mas por algum motivo não conseguia culpá-la por ter dito o que disse.

Foi a primeira vez que o Sasuke não falou comigo durante todo o tempo em que permanecemos. Meu peito estava apertado. Kushina ligou para dizer que dentro de quinze minutos estava chegando a meu apartamento, paguei a conta e começamos caminhar de volta para lá.

— Você tinha razão, o café é uma delícia. O bolo também.

— Sim, realmente é... — falei sem muito ânimo.

— Me desculpe, pelo que disse lá dentro, para o seu amigo... — a encarei. — Você se calou depois do que fiz.

Me mantive em silêncio.

— Tenho certeza quê... — fechei os olhos. — Que você acabou com — parei de andar.

— Você gosta dele, não é verdade?

— Eu. — a encarei. Não consigo formular qualquer coisa.

— Ele também. Acredite.

Se gostasse como diz não me serviria de bilhetes de anônimos. Continuei andando em direção ao meu lar.

— Não, ele não gosta. — encerramos o papo aí.

Chegamos até a porta do nosso destino. Encostei contra a grade, mãos no bolso, estávamos esperando minha mãe para que a Hinata fosse embora.

— Por que diz que ele não gosta?

— Porque é o normal. Um cara como aquele não gosta de homens, Hinata. — a encarei. — Chega de falar sobre isso.

— Então por que não o esquece? — aproximou-se. — Vai ser melhor para você. Sabe disso. — ergueu de leve seu corpo nos pés, quase encontrando seus lábios nos meus. Pus o dedo indicador entre nós. Seus olhos se abriram. — Nos conhecemos há tanto tempo, Naruto. Achei que seria possível haver algo entre nós. Não podemos nem tentar...? — ouvimos uma buzina antes que uma resposta me deixasse. — Até mais, Naruto. — acenava do banco do fundo.

Minha mãe também acenou. Subi para o elevador. Eu deveria ir até a lanchonete. Deveria mesmo. Esclarecer tudo, resolver as coisas. Porém não tem tanta coragem dentro de mim assim.

Segui para lá na quarta como faço sempre. Se havia algo do meu admirador o Sasuke não entregou, não sentou para conversar, apenas fez seu serviço de deixar o cappuccino ou qualquer outro pedido em cima da mesa. Não sei que horas seu turno acaba, mas estou disposto a ficar de pé aqui, do outro lado da rua, esperando que ele saísse. Precisamos conversar, não vou aguentar ficar mais tempos e tempos sendo ignorado como estou; por volta das oito da noite o vi saindo. Usava um casaco grosso por conta do frio. Estou tremendo um pouco.

— Sasuke! Ei! — acenei. Ele olhou pra mim por uns segundos seguindo o andar até seu carro. Corri em sua direção. — Não me ignore mais. — segurei seu cotovelo.

— E por que não? — puxou o membro de meu aperto. ─ Na verdade, eu nem quero saber, só me deixa em paz. Vai para casa colocar uma roupa de frio adequada e pronto. Sua namorada deve estar preocupada.

─ Ela não é minha namorada!! ─ cerrei os punhos.

─ Não foi isso que ela disse. E você não se opôs.

─ Tentei falar, mas vocês não me deram espaço.

─ Okay. Era só isso? Ficou esse tempo todo me esperando somente para dizer isso?

─ É... ─ suspirei. ─ Desculpa tomar o seu tempo. Eu vou indo. ─ dei meia volta, escutei a porta do carro bater. Em seguida buzinas. Olhei para trás.

─ Venha, eu te levo para casa. ─ vi a porta do passageiro ser aberta. ─ Anda, não fica apenas olhando.

─ Obrigado pela carona. ─ falei baixo.

─ Tudo bem.

(...)

Não que tudo tenha ficado as mil maravilhas, mas digo que melhorou muito. Não conversamos tanto, mas batemos um papo quando ele me serve. Até recebi um bilhete do meu admirador, e estou aqui na cama sentado e o encarando. Nem liguei para a bronca que recebi da minha mãe, por ela dizer que fiz a Hinata chorar quando a recusei, e que não deveria ter escondido que gosto de alguém. Logicamente ela não sabe de quem esse alguém se trata. Dei graças a Deus por isso.

Estou contente de estar vendo o seu sorriso outra vez.”

Desta vez respondi perguntando quando o iria conhecer. Ainda estou na espera da resposta, o que me deixa mais ansioso a cada segundo que passa. Se a resposta for sim, oh, deuses, irei ficar mais do que nervoso. Quero ao menos ser amigo dessa pessoa, sabendo que não conseguirei retribuir os sentimentos dela, não de imediato.

Podemos nos encontrar em breve. Só preciso estar preparado para lhe encarar sem a máscara anônima.”

Fiz aquele mesmo movimento de quando recebo o seu bilhete, inclinando para o lado e procurando em meio ao pequeno aglomerado de pessoas ali presente quem pudesse ser. Encarei novamente o Uchiha. Ele tinha um sorriso curto entranhado no rosto, os olhos brincavam. Desde que brigamos sem realmente ter brigado, que ele não mostrava essa face brincalhona. Ele é contraditório. Não ficou contente em saber que eu estava namorando, mas continua a me entregar folhetos de outrem.

─ Então, feliz com a nova mensagem?

─ Você certamente está. ─ dobrei colocando dentro do bolso.

─ Suas caras e bocas são realmente cômicas. Não tem como não rir ou sorrir com isso.

─ Ah, claro que não. ─ rolei os orbes. ─ Me diga você, caro Uchiha, como anda as admiradoras não tão secretas assim?

─ Não comece. E não me chame assim.

─ Isso não responde a minha pergunta. ─ sorri um pouco mais largamente quando o vi bufar e franzir a testa, claramente indignado. ─ Tudo bem, eu não preciso saber da sua vida particular. ─ abanei a mão na frente do rosto. ─ Se bem que quando se trata daquelas que você atendeu na mesa outro dia, não é tão privada assim.

─ Ah, que coisa irritante. Vou trabalhar que ganho mais ao invés de ficar escutando seus falatórios inúteis.

Ainda lembro-me da primeira vez em que fui atendido por ele. Sasuke sorriu para mim, perguntando calmamente o que eu gostaria de comer ou beber. E assim se seguiu durante pelo menos duas semanas. Não imaginei que aquilo era uma fachada do seu verdadeiro jeito de ser. Ah, ainda acho que prefiro a esse com quem convivo, o Sasuke que atende aos clientes me parece superficial demais. Foi somente quando começamos a conversar durante os períodos que me servia quando me apaixonei por ele. Vê-lo é um dos motivos que me faz vir aqui sempre, mesmo quando estamos chateados um com o outro, como quando sobre a Hinata ou somente quando falei das suas clientes. Apesar disso não tenho o mínimo de coragem de falar o que sinto, parece irreal demais ser retribuído, e sou fraco quando o assunto é decepção. Não consigo aceitar muito bem esse tipo de acontecimento. Com isso, vamos manter do jeito que está, me faz satisfeito, por isso fiquei tão desesperado quando fui abandonado por apenas alguns dias.

“Encontre-me amanhã aqui.”

Amanhã é terça e não um dia que costumo vir no café. Mas é o dia em que meu admirador pediu pelo encontro. Já estou nervoso de agora, enquanto escrevo uma resposta; agora quando piso do lado de fora de casa até penso em desistir, porém admiro a coragem do meu admirador desde começar a mandar pequenos bilhetes até concordar em marcar um encontro dentro do estabelecimento. Aqui estou, e agora vou entrar. Ah. O sino fez barulho e minha mesa está vazia. Não localizei o Sasuke e por isso fui até o balcão para perguntar onde estava o Uchiha. Recebi a notícia de que hoje era dia de folga dele. Merda. Agora é que não terei nenhum apoio emocional. Sentei a mesa. Olhando qualquer que fosse a manifestação ao meu redor de que alguém estava vindo até aqui, ou olhava freneticamente para a porta esperando pela pessoa que iria entrar e vir em minha direção. Não aconteceu. São três e meia da tarde, talvez eu devesse ir embora. Finalizei o cappuccino, não tão bom quanto de costume, em minha mão e enquanto encarava o copo outra pessoa entrou. Era o Sasuke! Sorri de orelha a orelha. Ele caminhava em minha direção, quando chegou perto o suficiente foi abordado por outro funcionário.

─ Ei, Sasuke, o que faz aqui no dia de hoje, não está de folga?

─ Ah, tenho outros motivos aqui dentro.

─ Claro que tem. ─ deu alguns tapinhas no braço dele, seguindo com a bandeja até a mesa próxima.

─ Desculpa a demora. ─ sorria curto, parecia envergonhado.

─ Demora de quê? Por quê? Estou nos nervos aqui. Acho que fui abandonado. A pessoa que estou esperando ainda não chegou.

─ Larga de ser besta. Vem comigo, vou te levar em um lugar.

─ Mas eu estou esperando alguém. ─ fui levantando, ele rolou os olhos.

─ Vem logo. Te explico tudo quando chegarmos lá. — olhou brevemente à mesa, encarando-me em seguida. ─ Isso foi à única coisa que você tomou?

— Sim, foi.

— Okay. — ele foi até o balcão, falando algo com quem estava no caixa voltou. — Vem. — tomou minha mão na dele, pensei que essa era a primeira vez que tínhamos algum contato como esse. Dentro do carro fomos calados, até chegarmos em uma praça há mais ou menos meia hora.

— Ainda não entendendo o porquê de estarmos aqui. — sentamos num banco mais reservado.

— Você é burro ou o quê? — me olhava com as sobrancelhas erguidas.

— Hãn?

— Sou eu, Naruto. Eu escrevi aquelas mensagens no guardanapo para você. — desviou os olhos dos meus.

28 de Febrero de 2018 a las 20:20 2 Reporte Insertar 4
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AB Ana Banana
É lerdo mesmo esse loiro kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
March 21, 2018, 04:37

  • Fuyuka Hideki Fuyuka Hideki
    Mais lerdo que ele, só o Uzumaki mesmo ashsauhsuhaus March 22, 2018, 02:28
~

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