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basquiart ailüj

Quando se fala em fim do mundo sempre se pensa em catástrofes naturais ou guerras homéricas causadas pela ambição e ganância humana. Se pensa em morte, destruição, explosões, feridos, desabrigados, miséria e infelicidade geral. Algumas pessoas podem associar o fim do mundo a um conceito religioso e achar que se trata do juízo final ou algo do tipo. De qualquer forma o fim das coisas está sempre relacionado ao caos total. [ jikook!centric | término!au ]


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#oneshot #término #jikook #angst #BTS #yaoi
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.o apocalipse de cada um


Quando se fala em fim do mundo sempre se pensa em catástrofes naturais ou guerras homéricas causadas pela ambição e ganância humana. Se pensa em morte, destruição, explosões, feridos, desabrigados, miséria e infelicidade geral. Algumas pessoas podem associar o fim do mundo a um conceito religioso e achar que se trata do juízo final ou algo do tipo. De qualquer forma o fim das coisas está sempre relacionado ao caos total.


Caos.


Caos do latim chaos s.m.: estado de completa desordem, confusão de ideias; amontoado de coisas que se misturam; desorganização mental ou espacial.


Desordem. Bagunça. Confusão.


Era assim que as coisas estavam para Jeon Jungkook. Um verdadeiro caos no sentido mais amplo e vulgar da palavra. Tudo estava desencaixado, fora do lugar, um aglomerado de rotinas cinzentas e inundadas por apatia.

Indiferença.


As peças estavam quebradas, as janelas sujas e as paredes descascadas. A alma de Jungkook se encontrava assim, como uma casa abandonada, fria e mal assombrada. Constantemente visitada por lembranças doces e distantes de um passado recente que ainda o perturbava e que ele sentia que pra sempre o perturbaria.


Tudo o lembrava daqueles dias dourados e quentes. Aqueles dias com cheiro de grama molhada e café passado. E aquela música alegre que tocava ininterruptamente no seu celular. Ou aqueles passos de dança desengonçados no chão da sala. A pequena guerra de travesseiros travada no universo que era o seu quarto. E também tinha aquele sorriso, aquele maldito sorriso.


A infinitude que aparentava ter os momentos de amor. Aquela eternidade contida dentro de uma gargalhada seguida por um olhar apaixonado. Isso rondava a cabeça de Jungkook o fazendo sentir-se sufocado com todas as memórias tão vivas, mas que agora jazem enterradas no seu passado.


Ele tentava livrar-se de todas as marcas, todas as cicatrizes, tudo aquilo que o lembrava dessas situações. Ele tentava com todas as suas forças, de uma forma descomunal e quase desumana. Mas a dor era maior, mais forte e vinha rasgando sua pele descontroladamente o fazendo lembrar que ele jamais o terá de volta. Que as coisas não vão tornar a serem as mesmas. Que aquele sorriso apaixonado que ele tanto amava agora foi substituído por lágrimas e olhares vazios.


Isso machucava Jungkook. Machucava da pior forma possível se tornando a pior dor que já sentiu. Ele preferia que tivesse sido cortado, arranhado, socado, chutado, espancado. Ele preferia qualquer uma dessas merdas. Ele suportaria qualquer uma delas contanto que tivesse tudo de volta ou que aquele olhar sem vida jamais fosse dirigido a si.


Nada pode doer mais que a rejeição e a indiferença. Jungkook estava sentido isso em cada milímetro da sua pele e isso o fazia chorar todas as noites e todos os dias. Chorar compulsivamente e pedir clemência. Ou pele menos ele queria implorar pra que isso fosse arrancado dele, mas na verdade ele não queria. Ele não queria porque isso significaria perder todas as lembranças ternas que aqueciam seu coração para logo após jogá-lo numa imensidão escura, triste e solitária.


Solidão.


Solidão s.f.: estado de quem está só, retirado do mundo; isolamento, ermo; lugar despovoado e não frequentado pelas pessoas.


Jungkook sempre ouviu dizer que o maior medo do ser humano é sentir-se só. Ele, particularmente, nunca teve esse problema, nunca viu nada de errado em ficar sozinho e sentir-se assim. Nunca, até agora.


A solidão por querer estar só é completamente diferente da solidão compulsória que vem junto da consciência de que a pessoa que você quer estar junto não quer estar com você. E quando Jungkook entendeu isso ele compreendeu o que as pessoas queriam dizer.


O que ele faria agora nas tardes de sábado? Como ele iria até aquela cafeteria que sempre iam juntos se agora estavam separados? Com quem ele dividiria os vídeos engraçados que via durante a madrugada? Quem apreciaria suas músicas preferidas consigo? Com quem ele debateria suas teorias sobre os alienígenas, o surgimento do universo e qualquer coisa aleatória? Com quem ele compartilharia o cobertor numa noite chuvosa? Porra, com quem ele desabafaria suas tristezas e alegrias? Pra quem ele ligaria após uma boa notícia? Pra quem ele levaria aquela droga de bolinho de banana com cobertura de canela? Quem ele faria gargalhar até ficar sem ar?


Jungkook sabe que pode fazer isso com qualquer outra pessoa, mas ele não quer. E é justamente isso que o dilacera da cabeça aos pés. Ele não quer outra pessoa ele quer Jimin e apenas Jimin.


Nenhuma outra pessoa saberia saborear o café da cafeteria que iam às tardes de sábado. Ninguém acharia graça dos vídeos que via. Ninguém gostaria das músicas que ouvia. Ninguém conseguiria argumentar consigo sobre suas teorias, muito menos o ajudaria a formular novas. Ninguém deixaria o cheiro de sabonete de bebê no seu cobertor. Ninguém seria um bom ouvinte para seus desabafos. Nenhuma outra pessoa aceitaria os bolinhos de banana com cobertura de canela, porque droga! Quem gosta de bolinho de banana com canela?! E ninguém, absolutamente ninguém o olharia da mesma forma que Jimin o olhava logo após rir de alguma das suas piadas.


As coisas não estavam mais fazendo sentido para Jungkook e ele sequer lembrava quando elas deixaram de fazer. Ele nem recorda quando exatamente o perdeu ou começou a perdê-lo e pensar nisso o deixa mais triste ainda. Pensar nisso destrói Jungkook por completo. Como ele pôde deixar com que Jimin escapasse sem ao menos notar? Como ele pôde deixar as coisas chegarem ao fim?


Fim.


Fim s.m.: circunstância que termina outra; interrupção de; cessação; perda da existência; morte, desaparecimento: sentir chegar o fim.


Jungkook ainda conseguia ouvir a risada de Jimin. Ele ainda podia sentir seus dedos pequeninos tocarem sua pele arrepiada apenas por estar próximo a ele. Seus lábios ainda sentiam o gosto adocicado de Jimin e se ele fechasse os olhos podia jurar ouvi-lo sussurrar que o amava da forma como ele gostava de fazer.


A cama está desarrumada e a fragrância do sabonete de bebê permanece impregnada pelo cobertor azulado. O quarto de Jungkook ainda é um universo, o universo que ele e Jimin criaram pra si onde tudo o que quisessem fazer seria permitido. Aquele era o infinito deles, o mesmo infinito encontrado dentro dos lindos olhos de Jimin.


O espaço que antes era colorido e radiante hoje aperta e comprime Jungkook. Esmaga cada pedacinho de esperança e sanidade que ele possa ter o jogando contra as próprias emoções e o fazendo perceber que nunca terá nada daquilo de volta. Nunca terá Jimin de volta. Mas tudo, absolutamente tudo sempre o lembrará dele.


O fogo que arde dentro de si queimando sua mente é tão vermelho quanto a boca e os cabelos de Jimin. A lua minguante brilhando através da janela e que lembram os olhos do Park quando o mesmo ri. Um anime que passa na TV nesse exato momento e era o mesmo que Jimin acompanhava. O moletom que ele deixou na casa de Jungkook na primeira vez que dormiram juntos e que ele esqueceu de pegar de volta. A maldita música que não sai de sua cabeça e fica entoando como um mantra da destruição.


O mundo seguiu indiferente quando Jimin deixou Jungkook. O fluxo da humanidade seguiu como se nada tivesse acontecido, como se a espécie estivesse a salvo e de fato está. Nenhum prédio foi explodido, nenhum exército metralhou o inimigo, não houve baixas, nem feridos, nem desabrigados ou famintos por conta de uma guerra. Não houve furacão, tsunami, terremoto ou enchente. Nenhum país rompeu ligações diplomáticas com outro. Nada disso aconteceu, mas Jungkook não se sentia assim.


Os alicerces da sua alma estavam destroçados e ele sente que sua mente é um campo de batalha do lado perdedor com inúmeros mortos e feridos. Quando ele anda pelas ruas de Seul é como se as construções tão bonitas não estivessem em pé porque Jungkook não está. Ele arrasta-se por entre as avenidas rezando pra que essa guerra acabe pra que sua própria guerra acabe.


Não é o fim dos tempos. Só chegou ao fim o mundo de alguém. E ainda que um dia esse mundo se reconstrua, por ora ele é o apocalipse de Jungkook. 

27 de Febrero de 2018 a las 14:02 0 Reporte Insertar 2
Fin

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