Rejeição Seguir historia

rosenrot Idolem

"[...]Eu sentia um gosto amargo. Um gosto amargo de derrota: o chocolate quente de rejeição, decorado com uma cereja de complexo de inferioridade, bem em cima do creme de desgraça."


Cuento No para niños menores de 13.

#drama #rejeição #tragédia #ironia
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[Único] - Lanchonete

Qual o sentido de rejeição?


Uma mamãe panda que odeia seus filhotinhos e os devora impiedosamente; dilacerando seus ossos recém-formados; bebericando o sangue doce das crias novinhas. Uma adolescente tímida, que se aproximou a um grupo de garotas extrovertidas, mas não conseguiu seguir a conversa, pois era considerada “funesta” demais; “pessimista” demais!


Comigo não foi nem um pingo diferente do último exemplo. Entretanto, foi tão dolorido quanto sentir seus ossos sendo mastigados pela própria mãe.


Após ter levado um pé na bunda d’um cara que “estava a fim de mim” — é claro que não tinha nenhum interesse, de fato, em minha pessoa e aposto que, agorinha mesmo, deveria estar rindo com sua panelinha de amigos malvados, cruéis e ridículos que nem a minha paixonite —, eu resolvi pedir chocolate quente, só para não pensarem que eu levei um bolo do garoto que gosto—gostava.


Mesmo a substância líquida e quente, originalmente doce, passar por minha garganta dolorida pelo choro manhoso e quieto que soltava ao canto da lanchonete; eu sentia um gosto amargo. Um gosto amargo de derrota: o chocolate quente de rejeição, decorado com uma cereja de complexo de inferioridade, bem em cima do creme de desgraça.

Estava feito, eu levei um pé na bunda.


— Você ‘tá sozinha, garota?


Em meio do meu vendaval interno de pensamentos ruins e paranoias obscurecidas, eu o escutei. E era como se fosse um helicóptero procurando sobreviventes de um naufrágio, ou a voz do próprio Deus chamando a Samuel; eu senti esperanças novamente. Esfreguei a costa da mão em minhas lágrimas tormentosas e ergui o olhar, fazendo contato visual preciso e sendo correspondida por um jovenzinho que aparentava ter minha idade. A coisa que mais me chamou atenção em seu rosto ossudo fora o par de olhos castanhos — mais precisamente o mel, puxado para um chocolate —, que passaria despercebido n’uma multidão normal e cheia de pessoas com características castanhas.


Mas havia algo naquelas íris.


Será que tinha? Ou era eu mesma mergulhando nas minhas fantasias e criando uma especulação “otimista” de que o destino reconsiderou o meu caso desgostoso e me trouxe um rapaz bem mais atencioso que o tal que me chutou que nem lixo?


— Sim, eu ‘tô — falei, a voz esganiçada e absurdamente magoada, reafirmando a resposta com um manear soturno.


— Ah, sim.


Eu o vi puxar a cadeira que estava à minha frente e, meu Jesus, eu prometo que nunca mais iria desrespeitá-lo ou dizer o Teu nome em vão. Uma labareda cósmica e aquecida se acendeu dentro de mim; uma alegria súbita acariciou o meu estômago; um desejo de parar aquele desconhecido que viu alguma coisa em mim, e lhe dar um abraço...


... Quando ia abrindo um sorriso radiante, eu parei no mesmo momento.


Meio segundo depois, o sentimento DEVASTADORAMENTE APRAZÍVEL se tornou mais outra desgraça em minha vida social. Voltou-se a melancolia, minha tão amiga — e inimiga.


— Eu vou pegar essa cadeira aqui, ‘tá? — sorrindo para mim com seus dentes organizados em uma fileira perfeita, e reluzentes como diamantes, o desconhecido piscou para mim e sumiu do meu campo de visão, levando consigo (e de vez) a minha autoestima, esperança e a evidência de que ele, o rapaz que me deu um pé na bunda ou qualquer outro infeliz, preencheria o espaço vazio à minha frente.

27 de Febrero de 2018 a las 13:32 0 Reporte Insertar 1
Fin

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Idolem Não faço a mínima ideia do que estou fazendo com a minha vida, mas gosto de escrever umas contradições de vez em quando.

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