Te vejo às seis Seguir historia

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Sasuke e Naruto tinham tudo para se odiar. Eram dois alfas, opostos como o dia e a noite. Mas existe um momento do dia em que ambos se encontram e, talvez, o entardecer seja realmente mágico. ABO| Omegaverse| Alfa x Alfa


Fanfiction No para niños menores de 13. © Todos os direitos reservados

#Yaoi #Naruto/Sasuke #Naruto
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Crepúsculo

Quando o viu pela manhã, às oito, tinha certeza que não se dariam bem.

Era o primeiro ano do Ensino Médio e fazia poucos meses que haviam descoberto seus segundos gêneros. Mesmo tendo mudado de escola, uma cidade como Konoha não era grande o suficiente para que tivessem opções demais. Por isso, a maioria dos amigos estava reunido na sala de aula do primeiro ano falando sobre como foram seus exames e a reação de seus pais.

O único que vinha de uma escola diferente, era ele. Uchiha Sasuke.

Konoha, pequena como era, tinha duas escolas principais: A municipal, onde a grande maioria estudava, e centro educacional particular, onde só ficavam os que tinham uma condição financeira melhor. Era comum que os que estudavam na escola pública seguissem para o Ensino Médio em uma das escolas estaduais. Os “riquinhos” fariam ensino particular ou tentariam entrar em escolas bem conceituadas de cidades vizinhas. Isso quase nunca mudava, mas lá estava ele.

O Uchiha estava sentado sozinho no fundo da sala, bem no canto da janela sem falar com ninguém. Enquanto estavam todos engatados nas conversas sobre o que fizeram nas férias, brincando sobre suas presenças ainda fracas demais pra serem expostas, Sasuke nem ao menos desviava o olhar do quadro.

Talvez tenha sido exatamente isso que levou Naruto a encarar.

O que ele seria? Alfa, beta ou ômega? Isso não fazia muita diferença pra si, na verdade, mas estava curioso. Estava certo de que ele continuaria a encarar o quadro quando os olhos negros viraram-se em dua direção. A testa pálida vincou enquanto as sobrancelhas se franziam, como se estivesse perguntando sem palavras o que Naruto tanto olhava. Os olhos azuis se desviaram.

Antipático. Tudo bem que estava encarando, mas ele poderia ter reagido de diversas formas e aquele jeito, em particular, dizia a cada parte sua que não gostaria dele.

No entanto, isso não foi o bastante pra que não acabassem sentados um perto do outro, irremediavelmente. Lado a lado, na verdade. E mesmo que a primeira impressão não tenha sido muito boa, Naruto tentou mais uma vez.

Às dez da manhã, teve mais certeza ainda que aquele cara era um pé no saco.

Tinha tentado puxar assunto pelo menos uma dúzia de vezes, mas tudo que recebeu foi aqueles olhos negros encarando-o irritados, como se quisesse silêncio. A professora chamou atenção uma vez, o que fez o loiro descobrir seu nome e vice versa, mas aquilo pareceu deixar o moreno ainda mais aborrecido. Naruto entendeu. Armou um bico no rosto e ficou com ele pelo resto das primeiras aulas.

Ao meio dia, descobriu o segundo gênero de Sasuke.

Estava andando apressado e desatento pelos corredores e não percebeu que o senhor irritadinho estava no caminho. O esbarrão que deram foi o suficiente pra que os primeiros xingamentos fossem trocados. Em meio a comoção, a presença recém descoberta se desprendia dos dois.

Alfas. Ambos alfas.

E Naruto havia ouvido falar tanto sobre a inconstância e intensidade do gênero que acreditou que aquele era o motivo para terem se entranhado tão rapidamente. Só podia ser, certo?

Às uma e meia da tarde, Naruto sabia que aquela tensão boba se transformaria em algo mais, durante a aula de educação física. Estavam jogando basquete e sabe-se lá como uma partida simples se tornou uma disputa pessoal. Pouco tempo depois e parecia que não havia mais ninguém na quadra. Só os dois. E embora nenhum dos dois tenha ganhado nesse dia, era óbvio que ainda não tinha acabado. Aquela competitividade parecia ter criado vida. Estava além de seu controle.

O dia parecia ter acabado, porque era assim que se sentia ao fim das aulas. Mas o sol ainda estava alto no céu, no meio da tarde e Naruto aproveitava aquele período como se ele fosse todo um extra. Não esperava, no entanto, encontrar Sasuke numa cafeteria.

Trabalhando.

Viu-o pelo lado de força, notando o corte de cabelo engraçado e o semblante desinteressado que havia visto o dia todo e estranhou. Estranhou que alguém como ele estivesse ali, porque sabia que ele devia ter boas condições… Então porque?

Ficou esperando numa loja em frente o lugar, sabendo que aquilo não era normal, mas não pôde evitar. Já era quase noite quando viu o garoto sair da cafeteria. Ajeitava a mochila nas costas e o vento espalhou os fios negros no ar. Naquele momento entendeu porque tantas meninas estavam falando tanto sobre ele na escola.

Viu o garoto entrar numa sorveteria. Entrou também. Fingindo estar distraído, escolheu um sorvete e foi até perto do moreno que já estava perto do caixa com o próprio potinho. Viu quando o Uchiha começou a procurar algo nos bolsos da mochila, sem êxito para encontrar. Abriu cada pequeno compartimento e Naruto podia sentir o odor alfa marcante escapando dele enquanto ficava nervoso.

Tirou a própria carteira do bolso e pagou por dois sorvetes antes que o Uchiha sequer visse e pegou o pote empurrando-o contra a barriga do moreno.

Vamos – disse, sem esperar a resposta do outro.

Só quando já estava do lado e fora, sentiu seu braço ser puxado e a voz grave do outro se dirigindo a si.

Eu não te pedi nada – o outro cuspiu.

Naruto olhou para as mãos, vendo que ele segurava o sorvete mesmo assim. Sorriu de canto.

Deixa de ser grosso com alguém que foi gentil com você.

Nem vem. Eu não quero ficar devendo nada a você.

A graça da gentileza é que a gente não espera nada em troca, teme – rebateu, irritado – Eu hein. Vem logo, vamos comer isso de uma vez.

Recomeçou a andar e mesmo sem esperar pelo Uchiha, percebeu que este o seguia. Estavam rumando pelo mesmo caminho até Naruto parar sob uma árvore grande perto da praça. A maior movimentação, no entanto, era um pouco distante daquela área.

Sasuke o havia seguido sem entender o motivo e entendeu menos ainda quando se sentou perto dele debaixo daquela árvore. Terminaram o sorvete e ficaram ali, sem dizer nada.

Você está no primeiro ano e já trabalha? - Naruto perguntou.

Sasuke o encarou com aqueles olhos negros ainda meio irritados.

Como sabe?

Ah, eu… Te vi – confessou, coçando a nuca – É meio cedo, não?

Sasuke deu de ombros. Não achava que era cedo, nem tarde. Era a hora que ele precisava e pronto. Parecia um estranho karma que tenha se encontrado com Naruto tantas vezes num só dia. Tentou se livrar de sua presença irritante desde cedo, mas isso não estava funcionando. Lá estavam os dois, sob uma árvore no parque depois de terem comido sorvete.

Eu vou te devolver o dinheiro amanhã – avisou o moreno, se levantando.

Eu já disse que não…

Não me importa. Me encontre aqui amanhã no mesmo horário – avisou.

Naruto olhou para o relógio de pulso, suspirando, resignado.

Certo, então… Te vejo às seis.

No dia seguinte, embora Naruto tenha tentado falar com Sasuke, não mantiveram muito contato até o entardecer. Naruto esperava sob a árvore e viu o Uchiha se aproximar rapidamente já tirando o dinheiro da mochila. Em vez de aceitar, Naruto ergueu os olhos, encarando-o antes de entortar os lábios num sorrisinho.

Você sabe cálculo? - perguntou.

E, inicialmente, Sasuke achou que ele estava dando o valor errado de dinheiro.

Sei, por que?

Me ensina? Eu tive só uma aula hoje e já sei que vou me sair mal se não tiver ajuda.

Você tem um monte de amigos, pede pra eles.

Aquilo foi uma prova clara de que, do mesmo modo que Naruto observava Sasuke, este também vinha o analisando.

Eles são chatos. Poxa, eu te paguei um sorvete.

Você não disse que era gentileza, dobe?

E era, mas não custa nada.

Não – respondeu, entregando o dinheiro de uma vez.

Naruto fez um novo bico, chateado com o falta de coração do Uchiha. Poxa vida, será que era tão impossível assim ajudá-lo uma horinha por dia?

Eu vou ter que arrumar as malas e sair de casa porque vai ser muito vergonhoso reprovar. O que dirá minha querida mãe? - Naruto fez drama – Meu adorado pai?

Deixa de ser babaca.

Deixa você. É só uma ajudinha…

Sasuke fez a besteira de voltar a encarar o loiro. Os olhos azuis brilhantes tinham alguma coisa. Alguma coisa perigosa e ele deveria ter tomado mais cuidado ao fazer contato visual.

Argh. - revirou os olhos – Me encontre aqui, seu… Usuratonkachi.

Ok – Naruto se desfez numa risada tão gostosa e sincera que Sasuke piscou, atordoado – Te vejo às seis.

As aulas de cálculo aconteciam todo dia.

De repente, a ajuda em uma matéria se estendeu a outras cinco e aquilo não parecia tão ruim. Nos meses seguintes, Naruto descobriu que Sasuke havia começado a trabalhar no último ano pra cobrir despesas da casa depois que a firma do pai faliu. Foi uma época difícil e estava sendo ainda pior pra se acostumar, por isso não queria se distrair com bobagens. Precisava estudar e trabalhar e estava indo bem. Descobrir ser um alfa não foi uma surpresa. Aquilo, na verdade, foi uma das poucas coisas que o fez sentir que as coisas não estavam tão diferentes assim.

E mesmo que Naruto costumasse mais implicar do que conversar naturalmente com ele, não podia negar que o admirava a cada dia mais. Era engraçado que não se sentisse mal ou aborrecido perto dele. Cresceu ouvindo histórias de como a presença alfa incomodava outros alfas, mas não se sentia assim ao lado de Sasuke. Podia dizer até que gostava da essência forte que se desprendia dele e de como sorria com o canto dos lábios, e de tirava os cabelos negros do rosto, e como parecia saber sobre o que estava falando, e como sua boca de lábios finos e vermelhos se movia de um jeito bonito enquanto ele ditava cada matéria. O jeito como os olhos negros o encaravam e jeito despretensioso como se sentava.

Sasuke era tão… Não sabia como explicar.

Suke – chamou pelo apelido mesmo que o outro fingisse se irritar com isso – Acha que pares destinados só podem ser alfa e ômega?

Por que essa pergunta agora? - virou um pouco o rosto, recostando-se ao tronco da árvore.

Não tinham que aprender nada aquele dia, mas o costume de se encontrar todos os dias no mesmo horário permanecia mesmo assim.

Não sei – deu de ombros.

Não faço ideia. Não sei se acredito em destino, também – virou pra frente outra vez – Se eu quiser ficar com alguém, não vou me importar com isso, eu acho.

Eu também acho.

Então pronto – jogou um pedaço de grama no loiro – Quem liga pra essa merda?

Naruto riu. E o sorriso dele era sempre tão caloroso. Sasuke sempre acabava encarando tempo demais, mas como evitar? Ele era tão insistente, espaçoso, espirituoso. Sempre tão cheio de luz que quase não percebia quando começava a anoitecer. Naruto virava o sol mesmo depois do crepúsculo.

Os ombros estavam colados agora. Sentados lado a lado, os dois encostavam a cabeça no tronco da árvore, se encarando. Silêncio. As roupas pesadas de inverno era tudo que separava suas peles. O olhos azuis esquadrinharam o rosto pálido, notando o nariz vermelho do moreno pelo frio. Ele devia estar do mesmo jeito.

Quer ir a festa de dia dos namorados comigo? - perguntou, sem se dar conta do que pedira até que saísse dos lábios.

Sasuke levantou um pouco a cabeça, confuso.

A festa da escola?

É – o loiro se desencostou da árvore, rindo e fugindo do olhar do outro – Tipo, como amigos. Vai todo mundo em par, mas eu não ‘tava a fim de chamar ninguém. E eu sei que você nem ia, então…

Pode ser – deu de ombros.

Sério?

Um-hum.

Ok, então – balançou a cabeça afirmativamente algumas vezes, vendo que começava a ficar tarde – Acho que temos que ir.

Levantou-se, estendendo a mão para o Uchiha, que aceitou e se ergueu também.

Então… - o loiro voltou a falar – A gente se encontra pra ir juntos no sábado.

Certo. Às seis?

Às seis.

Então nos vemos.

Ok.

Despediram-se com um aperto de mão. E por mais que aquilo não fosse incomum antes, naquele momento era o que parecia. Como se estivesse faltando alguma coisa.

Todos já sabiam que Sasuke e Naruto eram amigos. No decorrer do último ano aquilo havia ficado bem óbvio, já que os dois não saíam de perto um do outro na escola ou fora dela. No entanto, não estavam esperando ver os dois alfas surgindo juntos durante a festa de dia dos namorados.

Parecia óbvio que deveriam chamar alguém com quem você quer sair romanticamente, mas isso nunca tinha passado pela cabeça de ninguém até aquela noite. Os dois eram cobiçados por boa parte da escola, e vê-los juntos não seria tão surpreendente se não estivessem, deliberadamente, dispensado qualquer companhia que não fosse a do outro.

Entraram lado a lado, serviram-se, encostaram-se a uma parede, comeram e se sentaram sem sair de perto um do outro. Naruto dirigia cumprimentos educados aos colegas, mas logo sua atenção era novamente de Sasuke.

Quando uma música agitada começou a tocar, Naruto puxou as mão do moreno até a posta de dança, o que não o deixou muito feliz. Ficou parado, com uma cara cética enquanto via o loiro dançar energicamente e revirou os olhos quando sentiu o outro mexendo seus braços contra sua vontade.

Vamos, suke – a voz rouca proferiu e aquilo era tão irritantemente a cara de Naruto que nem mesmo conseguia ficar bravo.

Mas antes que pudesse acompanhá-lo, a música mudou. Uma mais lenta começou. Ainda estavam de mãos dadas e se olharam antes de decidirem que não sairiam da pista de dança. Não sabiam dançar aquela música, ainda mais porque eram dois meninos. Um braço de Naruto foi para o ombro de Sasuke e outro foi parar em sua cintura. Sasuke o imitou. Parecia um abraço… Um abraço esquisito. Chegaram mais perto e o loiro deu uma risadinha pela situação. O cheiro se desprendia um pouco mais forte, ou talvez fosse o fato de estarem tão perto do pescoço alheio. Mas Naruto gostava de como Sasuke cheirava natureza, café e chuva e o moreno amava como o loiro tinha o odor do verão e de frutas cítricas.

E isso parecia tão estranho quanto certo.

Deviam gostar tanto da essência de outro alfa? Deviam gostar tanto de estarem próximos como estavam agora?

Naruto queria sentir mais. Aproximou mais o rosto da curva do pescoço e os lábios acabaram raspando a pele pálida. Sasuke sentiu um arrepio, sem coragem de se afastar. Um suspiro escapou dos lábios chegando aos ouvidos do loiro. Cada pequeno movimento agora parecia muito grande, cada brisa parecia uma ventania.

Quando os olhos novamente se encontraram, foi como se dois tornados batessem de frente, transformando-se em um. E para personificar aquela estranha analogia, deixaram que a distância se extinguisse ao mesmo tempo ao tocarem os lábios. O beijo suave era lento e foi dessa mesma forma vagarosa que as bocas se abriram, deixando que as línguas se saboreassem.

E naquele momento, mandaram ao inferno o destino.

Ouviram uma comoção próxima deles. Os amigos surpresos, um tanto abobados. Não importava. A música ainda não tinha acabado. O desejo de repetir o beijo surgindo enquanto tocavam as bocas novamente. E aquela noite inteira pareceu algo tirado de dentro de um sonho, como se o sábado tivesse dado algo especial a eles.

No domingo, no entanto, estavam novamente os dois meninos sob a árvore na praça. Um pedido de namoro oficial, no encontro diário de sempre. Eram dois rapazes alfas e não deviam se sentir daquele jeito. Deviam se repelir, diferentes como o dia e a noite, mas encontravam-se naquele meio termo.

E exatamente como o crepúsculo, eles se encontraram ali. No mágico entardecer das seis.

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Gente, essa foi uma one três em um. Houve desafios ABO em dois grupos e eu aproveitei pra fazer pro Valentine's day (que já passou, mas eu só to postando aqui agora uahuaha)

Espero que tenham curtido. Um beijo no kokoro e Ja nee

26 de Febrero de 2018 a las 17:54 1 Reporte Insertar 6
Fin

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KL Kitsune Lyra
Gente eu achei simplesmente linda essa one! Serio, vc trabalhou muito bem as diferenças entre eles, manteve as características dos personagens, contextualizou bem, a aproximação foi natural e o desenvolvimento do relacionamento também! Adorei <3
June 07, 2018, 02:21
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