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nolongerstella 96hime

...era como se os fantasmas de Dazai houvessem retornado para o assombrar; mas acho que sempre foi assim com ele, só que, diferente das outras vezes, ele não estava sorrindo.


Fanfiction Todo público.

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Adeus

Dazai entrou no bar.

Eu soube que era ele no momento em que pude ouvi-lo descendo as escadas. Soube porque os passos dele sempre faziam a madeira ranger da mesma forma, um pouco lastimosa – um choro lento, mas também firme. Firme porque, mesmo após sofrer atrocidades que nem ouso adivinhar, ele sempre mantinha uma postura inabalável; ou pelo menos era o que as pessoas acreditavam quando viam o membro executivo mais jovem da história da Máfia andar com toda a autoridade que dispunha da cabeça aos pés.

Sobre isso, eu só fingia que acreditava.

Mas as mentiras dele nunca me incomodaram, de qualquer forma. Dazai não é o tipo de cara que chora as mágoas que o torcem no peito e que eu sei que o torcem porque, para saber dessas coisas, não é preciso que se diga nada. E, de fato, ele não diz. Ele apenas fica sentado, toda a noite no mesmo lugar, sóbrio demais para viver e entediado demais para ficar bêbado.

A única certeza que tenho sobre Dazai Osamu é que dele nada conheço, mas quem pode, de verdade, conhecer outra pessoa? Acho que para nós, saber das preferências alcóolicas um do outro já está de bom tamanho, afinal, querendo ou não, informações simples como essas revelam muito mais de um homem do que as palavras podem sonhar em contar com todas as peripécias semânticas que as envolvem.

Agora, por exemplo, enquanto sentava-se ao meu lado e pedia ao barman uma dose de gim, ficava impossível conter a natureza que transbordava dos seus olhos escuros, escondidos sob a franja, ou dos suspiros alongados, que escapavam pelos seus lábios secos.

Um homem entrando no bar à noite, sozinho, em silêncio, pedindo uma dose de gim... um observador ingênuo poderia dizer que Dazai brigou com alguma mulher. “Ou talvez ele tenha levado uma bronca no trabalho”, alguém que não o conhece poderia chutar a partir dos ombros caídos dele e do modo com que ele se apoiava no balcão – cobrindo os olhos enquanto aguardava a bebida que, ao ser servida, foi liquidada em um gole e logo reposta calmamente pelo barman.

Era como se os fantasmas de Dazai houvessem retornado para o assombrar; mas acho que sempre foi assim com ele, só que, diferente das outras vezes, ele não estava sorrindo.

De qualquer forma, vê-lo pedir gim sem pestanejar me lembrou algo que ele disse algum dia desses, nesse mesmo lugar:

“O-D-A-S-A-K-U... você sabia que o gim foi criado para ser um remédio renal? Essa ideia não deu muito certo, mas, talvez, ainda sirva para aliviar algo... aquele tipo de incômodo que fica coçando as entranhas, sabe? Me pergunto se eu sofro dos rins...”

Ele estava bêbado (o que, por incrível que pareça, não acontecia com frequência), abusando dessas digressões que se tornavam inevitáveis sempre quando, anestesiado pelo álcool, ele tentava refletir sobre a utilidade das coisas, de si mesmo e da vida.

Com o tempo, percebi que cada bebida tinha um tipo de significado específico a depender das oscilações sentimentais de Dazai – como a tequila, que era para festejar (mesmo que eu tenha o visto beber essa pouquíssimas vezes); a vodka, servida antes de monólogos incessantes de reclamações; o whiskey, preferível para pensar sobre a vida e suicídios; e, por fim, o gim para essas dores..., mas isso é só teoria minha mesmo, fundamentada em achismos.

Não sei se ele está com dor agora. Eu não perguntei. Nem poderia perguntar já que para mim só resta o silêncio – seja o da voz ou o das ações – no fim, só nos resta o silêncio..., mas não falemos disso agora. Já é inútil.

Voltando ao que importa, por mais que a saúde dos rins do Dazai fosse um tópico interessante para divagar, a brecha para falar disso já havia se fechado.

— Sensei... como vai? — Ele falou com o gato, o que ele chama de sensei porque parece sábio, e o estendeu a mão depois da quarta dose de gim. O gato atravessou o balcão e aproximou o focinho da palma aberta e enfaixada de Dazai, encaixando a cabeça nos dedos dele de uma forma que eu nunca havia o visto fazer, mesmo depois de tanto tempo frequentando o Lupin.

O bichinho fechou os olhos e se entregou a Dazai mais sincero do que qualquer humano seria capaz. Eu tive um pouco de ciúmes, eu acho. Quer dizer, não de ser tocado por outro cara, mas de ter uma relação tão honesta com alguém, fosse um gato ou outra pessoa. Talvez fosse mais uma nostalgia do que ciúmes, na verdade; quase como saudades dos sonhos que eu abriguei e se desintegraram em explosão, infinitamente menos belos do que fogos de artifício, mas tão tristes quanto. Quando se trata de fogos de artifício, mesmo que tenham sido criados exclusivamente com o propósito de desaparecerem, ao menos eles brilham antes.

Eu não pude ver meus sonhos brilharem.

— Talvez você esteja com pena de mim, sensei? — ele falou com o gato de novo e os dois se encararam, eu acho, porque o tal sensei estava de costas para mim. De qualquer forma, parece que os animais realmente possuem alguma sensibilidade com humanos, apesar do contrário nem sempre ocorrer.

Depois disso, não sei se ele se incomodou com o gato ou se toda a bebida ingerida estava começando a lhe fazer mal. Ele apenas se levantou e colocou dinheiro na mesa, mais do que o necessário, aparentemente, e foi cambaleando até a saída.

— Espere, senhor. Pegue o seu troco. — O barman o alertou, mas, sem se preocupar em virar o rosto de volta para o balcão, Dazai o respondeu:

— Não tem troco. Use o resto para quitar a conta do Odasaku.

— Se assim deseja. Mas tudo bem sair assim? Os seus amigos não virão hoje? Eu posso lhe chamar um táxi.

— É... eu acho que eles não virão de novo. Não precisa se preocupar comigo. Ainda tenho um enterro pra ir amanhã, então vou ficar bem.

— Meus pêsames, senhor. Por favor, se cuide.

— Me cuido, afinal, ainda tenho uma promessa pra cumprir... — Antes de subir as escadas para fora, ele olhou para mim (para o banco onde eu costumava sentar, na verdade) pelo o que eu soube ser a última vez. Eu nunca mais veria o castanho alaranjado que eram os olhos dele quando sob as luzes do bar. Talvez eu nunca mais fosse ver algo de novo, mas agradeci por estar ali – por ver Dazai sorrir para mim mais uma vez antes de partir. Mesmo que ele estivesse com uma expressão tão triste no rosto, eu agradeci.

“Adeus.” Os lábios dele se mexeram como se dissesse, mas não saiu som algum.

“Adeus.” Eu o respondi, mas não acho que ele tenha me ouvido.

26 de Febrero de 2018 a las 05:29 1 Reporte Insertar 2
Fin

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96hime uma fujoshi sem salvação que propaga sofrimento através de personagens 2D

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ainda não sei o que sentir, mas dói um pouco.
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