Incompreensível Seguir historia

ohhtrakinas Sasah Trakinas

Roberto não era um garoto atento que percebia o que acontecia ao seu redor, por causa disso, não entendia seu pai, seus colegas, e o tal garoto estranho, na qual o chamava de Incompreensível.


Cuento Todo público.

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Fora para o colégio interno só para meninos contra a vontade. Seu pai, que vivia trabalhando na fabrica de automóveis, o pouco tempo que passava em casa, era duro consigo, e por causa de motivos que desconhecia, fora obrigado a ir para o tal colégio interno só para garotos.

A mãe, muito submissa e dona de casa, sempre fora gentil consigo, e lhe dizia com palavras doces, perguntas que não sabia responder:

-Por que és assim, meu filho?

A pergunta sempre acuava em sua mente confusa, questionando-se “o que” estava sendo que não agradava seu pai.

Lembra-se do dia que fora mandado ao colégio interno. Teu pai jogara as malas frente ás grades enormes e negras que guardavam o colégio, assim como os muros altos de tijolos de barro. A mãe chorava baixinho dentro do carro, evitando olhar para o filho querido que passaria boa parte do ano com desconhecidos.

-Ande! –Gritou o pai, apontando para frente –Sejas homem pelo menos para pegar as próprias malas e levá-las para dentro!

Engolira a seco, segurando o choro, pegando as malas pesadas que eram maiores que si e as arrastando para dentro do colégio, atravessando os portões e escutando o motor do carro soar para longe. Deu uma ultima olhada para trás, vendo apenas a fumaça que restara dos pneus.

Sentiu-se completamente abandonado pelo pai, mas a mãe, sabia que a mesma era contra, e por conta disso, não guardara mágoas, muito pelo contrário, sentia saudades.

O colégio era enorme, com grandes salas de aula, grandes corredores, grandes pátios... Os dormitórios nem tanto, mas ainda assim, confortáveis.

Roberto estava satisfeito com o lugar que fora mandado. Mesmo que tivesse passado vários meses desde o seu primeiro dia, não conseguira se enturmar com os garotos. Enquanto estavam nos pátios, livres, agiam como animais brutos, valentes e astutos, mas na sala de aula, completos santos.

Quieto do jeito que era, Roberto não conseguia acompanhar a energia dos garotos e mal tinha força para suportar os murros de brincadeiras que os mesmo desferiam. Já fora, inclusive, chamado de “mulherzinha” pelos mesmos, muito parecidos com seu pai.

De qualquer forma, pelo menos não estava em casa.

Sozinho passava os dias. Comportando-se como deveria, ganhando a confiança das professoras e irmãs, Roberto levava seus dias naquele colégio interno de forma pacifica, sem muitos conflitos.

-Bang!

O barulho feito com a boca de forma infantil chamara sua atenção.

Estava na sala de aula terminando de copiar a lição do quadro negro na companhia de um garoto estranho sentado no canto, afastado das carteiras, de frente pra parede, de castigo.

Sabia que seu nome era Augusto, e que sempre ficava de castigo depois da aula.

Era um garoto agitado, que gostava de chamar atenção. Muitos o julgava, fazendo brincadeiras maldosas, cujo o mesmo parecia não se importar, muito pelo contrário, estranhamente Augusto ria com os agressores, deixando-os sem graça, vendo-os se afastar.

Roberto as vezes o observava de longe, reparando que Augusto era mestre em conseguir companhias provisórias, sempre voltando a ficar sozinho depois de alguns minutos com as mesmas.

Ao contrário de Roberto, Augusto parecia não gostar muito de ficar sozinho, mas o mesmo parecia saber lidar com isso.

Incompreensível. Roberto não o entendia, por isso o achava um garoto incompreensível.

-Bang, Bang!

Os barulhos se repetem, fazendo Roberto mais uma vez interromper-se na escrita para encará-lo de novo. Levantou uma de suas sobrancelhas, perguntando o que diabos Augusto via naquela parede para se interessar tanto.

Formigas. Augusto se empenhava em matar formigas que escalavam a parede branca com a ponta do indicador.

Mais uma vez, incompreensível. Realmente, não o entendia.

Dando de ombros, resolvera voltar a tarefa.

-Ei.

Apertou o lápis com força, comprimindo os lábios. Levantou a cabeça e encarou Augusto.

-O que foi?

-O que copia?

Os olhos negros e grandes de Augusto lhe encaravam com curiosidade. Talvez esta seria mais uma das suas tentativas de se aproximar e puxar assunto com os estranhos.

-A lição –Apontou para o quadro negro.

-Oh, sei... –Olhou de soslaio para todas aquelas coisas escritas, não mostrando quais quer interesse. Levantou-se do chão, saindo de perto da parede e se aproximando de Roberto.

-Não pode sair do castigo... A irmã Bernadete pode brigar com você –Avisou.

-Não se preocupe, ninguém vai vir aqui mesmo –Deu de ombros –Qual o seu nome?

-Roberto. O seu é Augusto, não é?

-Oh, então você sabe –Sem pedir licença, sentou-se ao lado de Roberto, escorando-se na mesa, transparecendo o seu tédio.

-Na verdade, todo mundo sabe –Não fez qualquer objeção sobre a invasão de lugar.

Num suspiro por parte de Augusto, os dois ficaram alguns segundos em silêncio. Roberto por dentro se remoia, querendo tomar coragem para puxar assunto com o garoto problema.

Mais alguns segundos encarando o quadro negro sem qualquer interesse em voltar a copiar e terminar a lição, Roberto coçou a garganta, chamando a atenção do outro garoto.

-P-por que... As pessoas te tratam assim? –Amaldiçoou-se por ter gaguejado.

-Assim como?

-Oras... Fazem brincadeiras maldosas contigo e você apenas ri... –Desviou o olhar, levemente incomodado –E sempre está sozinho.

-Você também sempre está sozinho.

-Mas não estou falando de mim! –Elevou um pouco a voz, percebendo que Augusto parecera surpreso com a mudança de humor do outro. Roberto coçou a nuca levemente constrangido, comprimindo a boca –Desculpa...

-Na verdade, eu não sei do que está falando –Sorriu verdadeiramente, apoiando a cabeça nas mãos –Não é assim que os garotos daqui tratam os outros?

-Sim, mas... Com você parece ser diferente...

-Diferente é você –Disse, cruzando os braços –Nunca conversei por tanto tempo com alguém daqui do colégio como com você.

E Roberto engrandece os olhos, ficando sem palavras.

-Olha só, acabou o tempo do castigo... Estou indo –O garoto disse num leve acenar, afastando-se da carteira, saindo da sala de aula.

-Incompreensível... –Disse baixinho.

Logo, começara a arrumar seus materiais, saindo da sala de aula e passando a caminhar pelos corredores largos e vazios do colégio. Dava-se para escutar a gritaria dos alunos correndo e brincando pelo pátio, e numa das várias janelas de vidro dos corredores, Roberto encara todos aqueles garotos.

Francamente, era da natureza deles tratar uns aos outros maus, todavia, sentia que com Augusto era diferente.

Decidido não pensar mais naquilo, Roberto continua com seu caminho, descendo as escadas para atravessar o grande pátio e ir para o outro prédio onde ficavam os dormitórios.

Enquanto atravessava sem pressa o pátio cheio de garotos malcriados, assim que pisa dentro do prédio dos dormitórios, fora surpreendido por um empurrão.

Caiu no chão, com os materiais espalhando-se pelos azulejos avermelhados.

Levantou o rosto dolorido, vendo um dos garotos valentões que adorava mexer consigo.

-Ora, ora, se não é o garoto maricas.

Tal ofensa fora proferida com escárnio, e assim como todas as agressões que sofria, Roberto ignorava. Virou o rosto, procurando se levantar e continuar com seu caminho como se nada tivesse acontecido.

Todavia, o garoto briguento mostrara-se insistente, e agarrou-o pela gola da camisa branca de botão e o deu um soco no rosto, jogando-o mais uma vez no chão.

-Não me ignore, garoto maricas! –Gritou, com raiva.

De repente, os olhos marejados de Roberto perceberam um vulto empurrar o agressor com certa violência para fora do prédio.

Os dois corpos caíram do lado de fora, levantando a poeira enquanto trocavam murros e puxões, rosnando e grunhindo como dois cães, bagunçando e sujando o uniforme do colégio, machucando seus rostos e braços.

Roberto percebera que com quem brigava contra o agressor, era Augusto.

Impressionado demais, Roberto não pudera fazer nada, a não ser observar assustado a briga dos dois que passava despercebida pelos demais colegas que brincavam longe dali.

Um ultimo murro fora desferido por Augusto, afastando o agressor que levantava cambaleando.

-Vou contar para a irmã Bernadete, seu negrinho imbecil! –E saiu correndo.

Numa lufada dolorosa, Augusto vira-se para Roberto que o encarava surpreso, boquiaberto com toda aquela situação.

O sol forte iluminava as gotículas de suor que escorria por sua testa e contornava o rosto forte, pingando do queixo e morrendo ao sol. O peito forte subia e descia, cansado, percebendo o discreto tremer dos braços por causa da adrenalina.

Roberto percebia como aquele garoto incompreensível reluzia aos seus olhos, mostrando que oculto naquela personalidade esquisita, escondia-se alguém valente e destemido.

-Você está bem?

A pergunta de preocupação o pegara de surpresa, esvaindo-se dos devaneios e piscando algumas vezes para voltar a realidade. Levantou-se apressadamente, batendo nas próprias roupas para tirar a sujeira, esquecendo-se da dor do rosto por causa do soco.

-Por que fez aquilo? Vai se encrencar! –Talvez não era o certo a se dizer após receber uma grande ajuda, mas foi a única coisa que saiu.

-Ora –Deu de ombros, coçando a nuca, levemente confuso –Você não me deixou sozinho naquela sala...

Não sabia o que responder, sempre fora ruim em comunicar-se com os outros, e por causa disso manteve-se quieto por alguns segundos, rezando internamente para que aquele aquecimento que sentia nas bochechas não fosse o que estava pensando.

-Mas eu... -Entrelaçou os dedos, desviando o olhar enquanto sentia a boca entortar-se sozinha num sorrisinho tímido.

-Só estava copiando minha lição... 

25 de Febrero de 2018 a las 21:27 1 Reporte Insertar 1
Fin

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Sasah Trakinas Alcoólatra triste.

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Cammis Silva Cammis Silva
Nossa, eu amei essa one!!!! Bem ambientada e cativante, me deixou totalmente imersa e com gostinho de quero mais. Minha mente logo começou a imaginar uma continuação, imaginando a evolução dessa possível amizade do Roberto e Augusto. Meus parabéns!!! Você mandou muito bem!
24 de Noviembre de 2018 a las 17:48
~