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derran Ricardo Henrique Parra Felício

Red é sobre um garoto de 16 anos, que, como todo garoto, está passando por mudanças. Não apenas mudanças físicas, mas emocionais também. E durante essas mudanças, este garoto descobre quem ele é, e quem ele deseja ser. Acompanhe-nos numa jornada de descobrimento, com romance, piadas, músicas, dramas, amor.. E talvez alguma coisinha à mais.


LGBT+ Sólo para mayores de 18.

#transexualidade #comédia #original #lgbt #gay #romance
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Young, Dumb and Broke

"Yeah, we're just young, dumb and broke
But we still got love to give"


Essa é a letra da minha "música do momento". Sabe? Aquela música que você houve por semanas, até enjoar e nunca mais ouvir a música. Quer dizer.. Ouvir a música só de vez em quando. É uma música que realmente me representa, sabe? É! Finalmente começaram a fazer músicas que fazem os jovens se identificarem.. Fico feliz com isso.


Pois a música diz exatamente o que eu penso. Podemos ser jovens, idiotas e quebrados, mas ainda podemos amar. Não importa o que uma pessoa é, de que cor ela é, sexualidade, gênero. Ela ainda é uma pessoa, e assim como todos nós, ela pode amar. É muito broxante saber que ainda há pessoas que, em pleno "Século 2017", não sabem e não admitem que outras pessoas podem ter direitos. E isso me deixa muito triste.


É o que constantemente acontece aqui em minha casa. Eu vivo em uma casa modesta, não muito grande mas também não muito pequena. É meio antiga, já que foi construída no século passado. E apesar de ter passado por várias reformas, parece que.. A "velhice" da casa não vai embora. Isso me assusta.


Na minha casa, vivem quatro pessoas. Meu pai, um homem parrudo, com uma barba que mais parece um campo de espinhos. Lembro-me que, quando eu era criança, meu pai costumava passar a barba nas minhas costas, para me fazer cócegas. Era legal. Meu pai é branco, cabelos castanhos e olhos pretos como o céu à noite. Não é muito alto, mas também não é muito baixo. E é forte. Seu nome é Daniel, e ele tem trinta e seis anos.


Minha mãe é a pessoa mais especial para mim. Ela é a típica senhora batalhadora deste mundão-velho-sem-porteira. E eu não acredito que eu disse isso. Eu fiquei parecendo um velho caipira. Desculpem. Voltando.. Minha mãe se chama Cátia e tem trinta e sete anos. Ela é magra, e é uma pessoa agitada. Adora conversar, e tem uma risada maravilhosa. Seu rosto é bem sofrido, por isso que o chamo de "beleza natural". Ou "beleza traumática" às vezes. Podemos dizer que ela é a pessoa mais mente aberta da minha casa, quase sempre aceitando coisas novas, e é muito mais mente aberta que meu pai, que é o clichê do conservador: Fechado, que preserva as coisas que tem e que tem medo do "novo".


Claro que minha mãe também tem medo. Mas ela costuma ignorar isto e seguir em frente. Ela é realmente minha inspiração.


Minha irmã mais nova é a terceira integrante de nossa família. Costumo dizer que ela é uma fusão de meus pais: Por fora, é delicada, agitada e bonita como minha mãe. Mas tem o gênio do meu pai, apesar de também ser mente aberta, mas quase sempre concordando com meu pai em seus argumentos, inclusive com suas piadas homofóbicas. Acho engraçado que depois ela vem me contar de uma garota na escola que ela gosta. Estranho.


Enfim, ela se chama Júlia, e tem doze anos. Eu também amo muito ela, apesar de brigarmos constantemente. É mais por culpa dela mesmo.


E eu? Ah, eu sou complicado. Meu nome é Iago, e eu tenho dezesseis anos. Estou indo para o 3º Colegial, e desejo ser um cantor no futuro. Sempre foi meu sonho, aprendi à tocar violão aos dez anos de idade. Minha pele é branca. Não aquele branco normal, parece ser um tipo de "branco frágil". Sério, qualquer toque ou tapinha pode deixar uma marca ali, por dias.


Meus cabelos são castanhos, e meus olhos são azuis. Como meu pai é descendente de alemão, e minha mãe é descendente de francês, costumo dizer que eu sou "Alemancês". Eu sei, eu invento muitas palavras e termos. Eu sou viciado nisso.


Muitas pessoas dizem que eu possuo feições femininas. E eu acredito nisso. Claro que, não só apenas no rosto, mas no resto do corpo. Sei lá, minhas coxas não parecem coxas masculinas. Talvez eu esteja delirando.


Moramos numa cidadezinha chamada São José do Rio Preto. É uma cidade grande, comparada às cidades vizinhas. Eu gosto daqui, tem tudo o que preciso: Um Shopping, com cinema, lanchonetes, etc.. E outros lugares também. Ouso dizer que é uma cidade perfeita. E o melhor é que minha casa fica perto do centro, então eu passo quase todas as noites lá com meus amigos.


————————

09/01/2018 - 19:38


A noite era a mesma de sempre. O céu estava meio nublado e tapava a Lua. Quando eu era pequeno, acreditava que a Lua brincava de Esconde-esconde com o Sol, e por isso não aparecia de noite. Para ficar em seu lugar, as nuvens eram mandadas, para assim cobrir o vazio que ficava no céu. Claro que não acredito mais nisso, minha inocência ficou no passado faz tempo.


Estava no meu quarto. Era de tamanho médio, ficava no corredor que conectava a sala à cozinha. Era hora da janta, mas eu havia mandado ali pelo meu pai, pela razão de ter discordado com ele. Meu pai odiava ser contrariado, e por isso, enfrentava qualquer um que ousasse o contrariar. Geralmente, eu era aquele "qualquer um". Praticamente todos os dias, eu era mandado para o quarto, por discordar com meu pai. Dessa vez, tinha sido sobre uma das várias piadas dele. Eu apenas fiz balancei minha cabeça para os lados, simbolizando um "não", e BAM, aqui estou.


Estava deitado na minha cama, olhando para as paredes, enquanto os fones ocupavam o buraco nos meus ouvidos, com o celular aberto numa playlist qualquer do Spotify. Era o que eu fazia sempre que estava naquela situação, colocava meus fones, e viajava nos versos, no ritmo e nas letras das músicas. Às vezes, eu colocava músicas profundas, como qualquer música do Johnny Cash. Ou uma música de alguma das minhas bandas favoritas, como Imagine Dragons ou Fall Out Boy.


E às vezes, só ia num pop chiclete qualquer, apesar de eu odiar esse tipo de música.


O que fiz desta vez, foi apenas colocar numa playlist qualquer de Panic! At the Disco, e me perder na linda voz do Brendon Urie. "Os gemidos do cara devem ser ótimos", pensei. E corei na hora. Por que caralhos eu estava pensando nisso? Era melhor eu colocar uma música da Demi Lovato e imaginar ela gemendo. Pelo menos era com o que eu estava acostumado.


Fechei meus olhos, e comecei a imaginar coisas que não possuem resposta. Ou que possuem resposta, mas eu não sei porque sou muito preguiçoso pra procurar no Google.


"Por que o céu é azul?", "Por que sorvete é tão bom?", "Por que as batidas de funk são boas, mas a letra é uma merda?", foram algumas das coisas que pensei. Meus pensamentos foram interrompidos por uma batida na janela. Abri meus olhos e me deparei com Thomas ali.


Thomas é meu melhor amigo. É o típico "loirinho perfeito", cabelos loiros, olhos castanhos, um carisma grande e uma personalidade que deixaria qualquer garota caidinha por ele. Provavelmente deixaria alguns garotos também.


— O que tá fazendo, Ioiô? — "Ioiô" era como ele me chamava. Nunca entendi esse apelido. — Ainda tá ouvindo música daquela dupla de robôs?


— Primeiramente, não chame o Daft Punk desse jeito. — Eu disse, retirando os fones dos meus ouvidos. — E segundo, não tô fazendo nada. O que você tá fazendo aqui? Não tá assistindo aquele desenho besta de avô e neto?


— Besta é meu pau de óculos. Saiba que você precisa de um IQ muito alto para entender Rick e Morty, e.. — Ele faria um grande discurso, caso eu não tivesse interrompido ele.


— Tá, tanto faz. O que você tá fazendo aqui, mesmo? — Perguntei, voltando a olhar para o teto.


— Vim buscar alguém que se esqueceu da reunião.. — Olhei para ele após aquela frase, meio assustado. Percebi que o mesmo estava a fazer um biquinho muito fofo.


— Ah, é mesmo.. A reunião. — Eu disse, voltando a olhar para o teto, fazendo um grunhido de raiva. — Não posso sair, meu pai tá bravo comigo..


— Brigaram de novo? — Ele disse, cruzando seus braços e apoiando a cabeça neles, enquanto me observava.


— Eu só contrariei ele, não foi uma briga. Mas enfim, eu não vou poder ir para a reunião hoje. — Bufei logo após dizer aquelas palavras.


— Mas você nunca perdeu uma reunião antes, co-fundador da Gangue Delta. — As palavras saíram num tom de deboche que me deixou irritado.


A "Gangue Delta" foi algo que eu e Thomas criamos quando ainda tínhamos doze anos. Era pra ser uma pequena brincadeira de criança, mas, pelo menos para nós, acabou se tornando algo mais sério. Chamamos Melissa e Gabriela, nossas outras duas amigas, que atualmente, são duas fãs malucas de K-Pop que só sabem falar de seus "Idols" e essas coisas.. É um papo que me deixa confuso. E chamamos o Lucas, que na época, era nosso amigo apenas para podermos ir em sua casa e jogar no seu Xbox 360. Mas ele vendeu, então agora somos amigos de verdade mesmo, eu acho.


— Eu sei que não, mas.. — Parei minha frase para raciocinar. Minha mãe sempre encobria minhas merdas, então, talvez ela me ajudasse caso eu saísse. — Quer saber? Eu vou.


Após dizer aquilo, não dei tempo para que Thomas respondesse, e sai correndo até a porta, a abrindo discretamente e chamando minha mãe. Ela se aproximou, olhando para trás, para ter certeza que meu pai não estava vendo. Parecia que eu era um criminoso ou que estava doente e que ninguém podia chegar perto de mim.


— O que foi, Iago? Sabe que não posso conversar com você agora. — Ela disse de maneira seca, mas carinhosa ao mesmo tempo.


— Então, mãe.. O Tom tá aí, você sabe, Gangue Delta, reunião.. Tenho que ir. Me encobre? — Perguntei, sorrindo na maior cara de pau.


— Iago, você sabe que.. — A interrompi, antes que ela falasse o que aconteceria caso meu pai descobrisse.


— Eu sei, mãe, ele vai me deixar de castigo, mesmo eu já sendo quase adulto, blá, blá, blá. Por favoooooor! — Eu disse, sorrindo, mas desta vez, de uma maneira meio fofa.


Ela acabou por ceder, dizendo um "sim" que mais parecia forçado. Sorri e lhe dei um beijo na bochecha, fechando a porta e mandando Thomas se afastar da janela, dando um jeito de sair do quarto sem fazer barulho. Sorri ao sentir meus pés na grama do quintal, e olhei para Thomas, rindo baixo. Minhas feições femininas ficaram meio à mostra.


— Iago.. Algumas vezes, parece que você iria ser uma garota. Mas Deus te deu um pinto, e saiu o que saiu. — Ele disse, rindo. Eu apenas bufei e dei um soco no braço dele.


— Cala a boca. Onde vai ser a reunião da Gangue? — Perguntei, colocando as mãos no bolso da minha calça, enquanto observava o caminho na minha frente.


— Mesmo lugar de sempre, você sabe. Balcão abandonado. — Ele disse, mascando o chiclete que estava na sua boca. Só agora percebi que ele estava com uma camiseta do Ranger Vermelho. Thomas era viciado em Power Rangers. Cara estranho.


Decidi apenas ignorar aquilo e comecei a "apertar o passo". Queria ficar na frente de Thomas durante todo o percurso, era o que geralmente fazíamos. Não éramos tão competitivos com as outras pessoas, mas quando se tratava de nós dois, tratávamos qualquer coisinha como uma grande Copa do Mundo.


Thomas percebeu que eu havia aumentado a velocidade de meus passos, e também começou a fazer aquilo, deixando a velocidade igual a minha. Sorri de canto e comecei a correr, com Thomas fazendo o mesmo em seguida. O percurso era longo, mas com nós dois a correr, ficava parecendo apenas uma pequena estrada de terra.


E é claro que isso teria suas consequências. Chegamos ao balcão já cansados e suados. E como sempre, eu senti um arrepio na minha espinha ao ver apenas a frente do local. Eu sou um cagão, não estava nem lá dentro e já sentia medo. Mas a culpa não é minha, o local já era assustador. Janelas quebradas, sacos de lixo por todos os lugares, eu posso jurar que eu tinha visto um rato andando entre todos aqueles sacos. E eu tenho medo de ratos.


Apesar do medo, não hesitei a entrar no local. Lucas, Melissa e Gabriela não estavam ali na frente, por isso, deduzi que já estavam ali dentro. Dei um pequeno sorriso e não esperei Tom, entrando direto no local.


O local, logicamente, era mais assustador por dentro do que por fora. Ali costumava ser um balcão onde eram guardadas drogas, por isso que havia um cheiro estranho por ali. Claro que também haviam móveis quebrados, alguns manequins "desfigurados", o que quer dizer que eles estavam quebrados, e outras coisas assustadores que tenho preguiça de descrever.


Continuei a passar por mais coisas assustadoras até chegar a nossa "sala de reuniões". Era apenas mais um lugar assustador do balcão assustador, só que com uma mesinha e quatro cadeiras no centro. Como eu havia previsto, os três já estavam lá.


Melissa e Gabriela estavam no seu canto, mexendo em seus celulares e conversando. E é claro que ambas estavam utilizando blusas com frases em coreano, e utilizavam palavras ou termos coreanos a cada uma ou duas frases. Acho aquilo muito irritante. Já Lucas estava no seu canto, mexendo no seu celular e com um cigarro na boca. Olhei pra ele, fazendo um biquinho e erguendo a sobrancelha.


— Luh.. Eu já disse que cigarro é proibido nas reuniões da Gangue. — Eu disse, tentando manter uma imagem de líder, mas quase desmontando de tanta seriedade.


Ele sorriu e apagou o cigarro, o jogando fora, piscando para mim logo em seguida. Corei levemente com aquilo, mas apenas balancei minha cabeça. Lucas havia se tornado um bad boy já fazia 1 ano, e antes daquilo, ele só era mais um nerd como Tom. Fã de Star Wars, Star Trek e tudo com Star no nome. Mas, do nada, decidiu se tornar daquele jeito, deixando a barba crescer e seu cabelo também. Não sei porque, mas acho que ele ficou melhor assim.


— Então.. — Me aproximei de Tom, que respondia uma conversa qualquer no WhatsApp. — O que vamos fazer hoje?


— Bem.. Hoje vamos ter nossa vingança. — Ele disse, guardando seu celular. — Mas antes, meninas, podem ir. Só chamei vocês porque gosto de todo mundo nas reuniões.


Ambas sorriram e saíram dali correndo, com seus cabelos marrons, de Gabriela, e loiros, de Melissa, ao vento. Lucas puxou sua cadeira para mais próximo da mesa, enquanto Thomas se sentava em uma das cadeiras. Decidi me manter de pé.


— Vamos ter nossa vingança contra o Narote. — O "Narote" era um bully que encheu nosso saco até o 1º Colegial. Ainda bem que ele foi expulso da escola. — Soube que ele está morando perto do balcão, então vamos ter nossa vingança com isto.


Ao dizer "isto", Thomas se aproximou de um baú que havia ali perto. Era lá onde ficavam guardados relatórios de "missões" passadas, e outras coisas não importantes. Ele retirou do baú, três latas de tinta spray.


— Uou. Espera, nós vamos pichar a parede dele? — Perguntei, erguendo a sobrancelha. — Isso não é ilegal?


— Qualé, Iago. — Disse Lucas, chamando minha atenção. — Tá com medo?


Me senti desafiado por aquelas palavras, e olhei para Lucas, o fitando. Diminui levemente meus olhos, e dei um sorriso de canto.


— Não, não estou com medo. Só não quero ir preso. — Eu disse, mostrando a língua.


— Calma, pessoal. Não vamos ser pegos. Todos sabem que somos gênios do crime — Ele disse, usando o termo "gênios do crime" para disfarçar "garotos que jogam lixo no meio da rua e se acham criminosos". — Além disso, não vamos ser presos. Se formos pegos, usamos a desculpa que é graffiti.


Me parecia convincente. Thomas sorriu e me deu uma das latas, dando a outra para Lucas. Em seguida, olhou para nós dois.


— Prontos? — Ele perguntou.


— Pronto. — Lucas respondeu, sorrindo, enquanto "curiava" a lata de spray com as mãos.


Minha vontade era dizer que não, mas acabaria saindo como marica, e Lucas me zoaria pelo resto da semana. Então, fazer o que. Acho que tô pronto.

25 de Febrero de 2018 a las 23:51 0 Reporte Insertar 0
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