alexisrodrigues Alexis Rodrigues

Maristela é uma gatinha solitária, vivendo uma vida de marasmo com sua humana Julie. Quando sua humana começa a agir estranho e não percebe a coisa feia que está andando dentro de sua toca, cabe à Maristela resolver o problema.


Cuento No para niños menores de 13. © Alexis Rodrigues

#gato #magia #demônio #paralisia do sono #desafio 30 prompts de escrita de juliarietjens
Cuento corto
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Dia 1 - Escreva Uma Cena Sob A Perspectiva de Um Gato

Eu não me importava de ficar sozinha. Estava acostumada. Passei boa parte de meus anos na minha própria companhia, ou na companhia do assovio do vento frio à noite, ou do sol quente nas minhas andanças.

Antes de morar com a minha humana atual, Julie, eu tinha outra humana. Descobri que era tia dela, segundo ouvi a humana falar. Ela arranjou um peludo babão, que eles chamam de ''cachorro'', e de repente ela não tinha mais espaço pra mim. Não me incomodei de mudar de casa, mesmo sentindo falta da minha mãe, porque sabia que o babão não pularia mais em mim e me incomodaria com suas brincadeiras sem graça.

Quando Julie me trouxe para a sua pequena toca, tive medo de que ela acolhesse um peludo também, mas não aconteceu. Fiquei feliz por ser seu único filhote, e ela era uma boa mãe pra mim, sempre me comprava boas rações e bons petiscos, e me deixava dormir em seu ninho.

Mas Julie fazia coisas que eu nunca vi outros humanos fazendo...

Saía de manhã para o trabalho e só voltava à noite. Fazia o jantar, me dava comida, se lavava e então sentava no chão da sala de estar, rodeada daquelas coisas fedorentas que chamam de livros. Abria vários, às vezes lia em voz alta, e eu nunca entendia o que ela estava falando. Humanos eram estranhos, mas Julie era mais estranha que os outros.

Então ela começou a riscar o chão com estranhas formas e acender velas enquanto lia seus livros estranhos e eu não conseguia entender o que a humana queria fazer. Era isso que eles chamavam de ''estudar''?

Eu costumava ficar por perto, de olho, com medo de que ela fizesse alguma coisa idiota e acabasse se queimando com aquelas velas, mas em uma noite, depois de apagar todas as luzes e deixar velas acesas e incensos queimando, eu estava cansada demais para continuar de olho na humana.

Decidi que ela teria que se defender sozinha do fogo das velas, dei meia volta e caminhei, me espreguiçando no caminho, em direção ao quarto dela, para a cama.

Foi então que eu vi.

Eu vi aquela coisa feia.

Era muito grande, maior que Julie.

Não tinha braços, nem pernas.

Parecia a fumaça preta que queimava das velas dela.

Mas tinha olhos vermelhos e olhava pra mim e eu não gostei disso.

Assumi posição de ataque e rosnei para ele.

– Saia de perto da minha humana!

Ele se assustou e sumiu pela parede, e quando ele sumiu, Julie me olhou.

– O que foi, Maristela? Tá vendo alguma coisa que eu não tô vendo?

Pensei em responder, mas ela não me entenderia.

Não entendia o motivo dos humanos não verem aquelas coisas feias. Não era a primeira vez que eu via um, e não gostava deles. Eles não gostavam de mim, também. Só a nossa espécie conseguia vê-los e eles corriam de nós quando rosnávamos pra eles, ou os mini humanos.

Mas era nosso território, não das fumaças.

Queria dizer a minha nova mãe que ela deveria prestar atenção ao seu redor, mas ela estava muito ocupada. Vi quando ela pegou aquela coisa pontuda e começou a arranhar sua pele com marcas estranhas que faziam seu sangue sair. Miei para que ela me olhasse, mordi seu braço para que ela parasse de se machucar, mas ela não parou, apenas me afastou como se aquelas marcas esquisitas fossem mais importantes.

Isso me magoou, mas não pude fazer nada.

Quando Julie se cansou de seus riscos, seus livros e suas velas naquela noite, deixou elas acesas como estavam, amarrou um trapo em seu braço ferido e foi pro ninho. Não consegui dormir. Fiquei com medo da fumaça voltar, então fiquei acordada, vigiando nossa toca, triste porque ela não quis me ouvir.

Estava vigiando a porta da frente quando senti meus pelos se eriçarem.

Virei a cabeça para observar ao redor e não vi nada, então investiguei o ninho de parte em parte.

Foi quando cheguei no quarto que eu vi a fumaça de novo.

Julie estava deitada na cama com os olhos bem abertos, respirando alto. Estava com medo da fumaça e eu tinha que tirar aquela coisa de cima dela, então pulei na cama e rosnei pra ele, tentei atacá-lo com as minhas garras pra que deixasse minha humana em paz.

A fumaça foi embora de novo, mas eu fiquei com a humana. Ela estava com medo, estava chorando, então deitei ao lado dela, lambi seu rosto e fiquei de guarda. Era minha humana e eu cuidaria dela, por mais bobona que ela fosse.

Não deixaria fumaça nenhuma fazer mal à minha humana.

1 de Abril de 2023 a las 15:31 2 Reporte Insertar Seguir historia
9
Fin

Conoce al autor

Alexis Rodrigues no fim do dia, eu só tô tentando sobreviver. para os perdidos de plantão, a ordem de leitura das fanfics de universo interligado (Supernatural, Twilight, Sons of Anarchy, Sandman) é a seguinte: Wayward, Winds of Fortune, Don't Stop The Devil, Bad Company, Hell's Bells, Crucified, Bad Moon Rising. tem referências a uma personagem em Venom of Venus e futuramente talvez em Chosen.

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Anne Claksa Anne Claksa
Olá! É bem verdade, Gatos e cães conseguem ver coisas que nós não enxergamos, por exemplo, um espírito ou algo maligno. Por isso, agem tão estranho, pois, estão tentando proteger os seus donos de todo o mal. Texto muito interessante, parabéns! Até a próxima!!!
April 02, 2023, 01:05

  • Alexis Rodrigues Alexis Rodrigues
    oi, anna! fico feliz que tenha gostado! <3 obrigada por ler <3 April 02, 2023, 01:32
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