silva-pacheco1589114879 Silva Pacheco

A espiã L-22 foi chamada à sede do S.S.I. (Serviço Secreto de Informações) a fim de ajudar nos esforços contra um impecavelmente distinto general. Mas mesmo seus colegas vão perceber que até uma espiã pode ter exigências desconcertantes para o ofício...


Cuento No para niños menores de 13.

#espionagem #sedução #investigação #mistério
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Falando de Valores

Fevereiro de 1939


Depois de passar pelos Arcos da Lapa, o táxi estacionou. Lúcia desceu ali, em frente a um prédio colonial de paredes branquinhas. Após conferir o número do imóvel, ela se dirigiu para a pequena porta lateral, zelada por um enrugado caboclo de uniforme azul.


- Identificação! - exigiu o porteiro, examinando de cima a baixo a mulher de vestido branco e chapéu preto de aba larga diante de si.


- Não trouxe. Disseram-me que esperavam minha chegada – Lúcia tirou os óculos escuros: - Sou L-22.


O homem apertou um botão, e Lúcia pode ouvir uma grave campainha soar lá em cima.


- Pode subir! – disse o porteiro.


Lúcia o fez, chegando um corredor de piso de taco. Os corredores do lado de dentro eram bem diferentes da fachada, com paredes descascadas e portas pesadas de madeira, atrás das quais nada se ouvia.


A frente de uma das portas aguardava um senhor de terno simples, sem gravata e camisa desabotoada perto do pescoço. Caboclo como o porteiro, trazia uma caixa embrulhada para presente nas mãos.


- Bom dia. Sou José – apresentou-se, entregando a caixa para a Lúcia - Isto é para você.


Ela colocou a caixa sobre o parapeito de madeira, no corredor principal do segundo andar. Desembrulhou e abriu, encontrando dentro dela uma Beretta M1934 com munição extra. Com as mãos adornadas de singelas luvinhas brancas de passeio, ela destravou a arma, verificando que já estar carregada.


- Me acompanhe – pediu o José, após Lúcia simular mira em direção de uma das janelas, que também eram de madeira pesada.


Ela obedeceu, depois de guardar a pistola e os projéteis sobressalentes na pequena bolsa que trazia consigo. Os dois caminharam até a terceira das três portas do corredor. José a abriu, fazendo um sutil gesto de mão para que Lúcia entrasse. A porta dava em outro corredor, mal iluminado, onde havia salas das quais entravam e saiam outras pessoas. Caminhando por aquele corredor, Lúcia notou pelas portas entreabertas daquelas salas um homem experimentando ternos, e outro sujeito vestido farda do Exército, à frente de enorme espelho.


José a levou até a última porta. Abriu-a e pediu para que Lúcia entrasse, com o mesmo gesto discreto de antes. Lá, estava um rapaz magro, de cabelos negros brilhosos e gravata frouxa no pescoço. Ele aguardava abraçado num aparelho de reprodução de gravações, apoiado em cima da mesa.


José não apresentou ninguém a ninguém, e logo adentrou um homem alto, com a barba perfeitamente feita e uma farda que he cabia garbosamente. Lúcia reconheceu que era um dos homens que experimentavam uniformes lá atrás. No caso dele, uma farda de Capitão do Exército, Arma de Infantaria.


- Desculpem a demora. O que temos? – disse K-47, o homem fardado, após observar discretamente a cintura e os quadris de Lúcia, delineados no vestido justo que ela usava.


- Nada – respondeu o rapaz sentado à mesa, que falava num sotaque fortíssimo de origem não discernível – estou "acorrdado" há 48 horas “ecssaminando” as “ligaçiões” telefônicas dele. Não há “absolutamiente” nenhum podrrre para ser usado.


A chefia não vai ficar satisfeita com isto – retrucou José – esse caso virou prioridade total, acima de todos os outros. Na verdade, eu nunca os vi tão afoitos.


- Também percebi. Mas deram detalhes do porquê? A razão de tanta apreensão com relação a este general? - perguntou K-47.


- Não. Não questionei e, para ser sincero, parece que não querem dar detalhes – respondeu José – mas enviaram a L-22 para auxiliar na aproximação com ele.


- Eu já iniciei uma aproximação proveitosa no Clube Militar, a partir ontem - informou K-47 - E a senhorita?


- Pediram-me aproximação com a esposa e, se nenhum podre for descoberto, investir nela. Mas, se a Chefia está tão desesperada e se os grampos telefônicos não deram em nada, é tudo perda de tempo.


- Porque? - perguntou K-47.


- Ele está limpo. Li atentamente sobre o homem nos jornais. Herói do Exército, respeitado pela tropa. É honrado. Os grampos apenas demonstraram isso. E se não for, quanto tempo levará para que nos tornemos íntimos do casal e achemos alguma coisa?


- A Chefia vai ficar furiosa com esta demora! - lamentou José.


- Não se forjarmos o podre. - disse Lúcia.


- Vai se "encostar" nele? - perguntou K-47.


- Este tipo de jogo às vezes demora – respondeu Lúcia – e não nunca há garantias.


- Então o que pretende? – questionou José.


- Eu preciso ficar sozinha com ele, e de alguém por perto com uma máquina fotográfica.


Os três homens paralisaram diante da afirmação de Lúcia, proferida com a banal naturalidade. Se entreolharam logo após, coçando o queixo ou a cabeça.


- Espere! – disse José, voltando a si e erguendo o dedo indicador - D-11 relatou que ele faz consultas médicas mensais numa clínica em Copacabana.


- Já houve a consulta deste mês? - perguntou Lúcia.


- Eu posso verificar – respondeu José.


- Ok. Levante isto. Preciso de um uniforme de enfermeira, e de um bom fotógrafo.


- Milan é capaz com este tipo de equipamento também – disse José, apontando para o rapaz de sotaque forte sentado à mesa - Mais alguma coisa?


Lúcia tirou novamente os óculos do rosto...


- O senhor teria um "sossega leão"?


Dia seguinte, Copacabana.


- Bom dia – cumprimentou o homem de cabelos grisalhos, ostentoso de medalhas na farda, que havia acabado de chegar na recepção da clínica.


- Bom dia - respondeu Lúcia, angelicalmente dócil em trajes de enfermeira – o senhor deve ser o general Bragança, não?


- Sim. Eu recebi uma ligação ontem, dizendo para que eu retornasse devido a um problema na última receita – o general então franziu a testa diante de Lúcia – você é nova aqui?


- Sim, general.


-Percebi. E foi você quem me ligou?


- Foi sim, senhor.


- E por qual razão o Dr. Álvaro não me contatou pessoalmente?


- Desculpe, general. Mas eu apenas cumpri o que me foi mandado ontem. É meu terceiro dia de trabalho aqui.


- Tudo bem. Onde está o Dr. Álvaro.


Lúcia se levantou, com uma ficha médica à mão.


- Me acompanhe por favor.


O general seguiu-a até a sala de consulta, e Lúcia, segurando a ficha junto ao peito, gesticulou em direção à cadeira, para que ele se sentasse.


- O Dr. Álvaro foi lá embaixo resolver um problema e já está chegando. O senhor pode esperar uns minutinhos?


Sim – resignou-se o general, após respirar fundo e tirar o quepe, repousando-o sobre o colo quando, finalmente, se sentou.


Ele ouviu a porta bater e, no mesmo instante, sentiu a agulha penetrar-lhe o pescoço. A visão, turva não importava o quanto piscasse ou arregalasse os olhos, o impedia de ver entender o que se passava.


K-47 se desfez da agulha e pegou o grogue general. Colocou-o sobre o leito ao lado da mesa do médico, enquanto Lúcia adentrou na sala, seguida de Milan, que trazia a máquina fotográfica.


- Você vai ter que sair – disse ela para K-47, que hesitou em obedecer, sem, contudo, conseguiu manter contato visual com L-22.


Finalmente rendido, apesar de contrariado, ele saiu. Lúcia então retirou o uniforme, revelando a lingerie e meia-calça com cinta-liga preta que usava por baixo.


Diante da cena, Milan arregalou os olhos, com a boca semiaberta.


- A máquina fotográfica! - alertou Lúcia.


Milan voltou a si, e preparou a máquina. Ao mesmo tempo, o general era despido entre gemidos bovinos e letárgicas tentativas de se desvencilhar da moça, que, por sua vez, sentiu um volume estranho no bolso de Bragança.


Lúcia então se deitou sobre ele, beijou sua barriga e mordiscou sua orelha, tudo sob os flashes de Milan. Os gestos do pobre homem não eram suficientes para resistir, mas deixavam claro, nas fotos, não estar morto ou desmaiado.


Ao fim da sessão de fotos, e Lúcia vestiu-se novamente. - Vá, e me espere no carro - ela ordenou. Esperando o rapaz sair, Lúcia então pegou a calça do general, apalpando-a em busca daquele volume estranho, encontrando no bolso um caderninho repleto de anotações. Examinou-o, devotando cada vez mais intensa atenção ao que estava escrito, até finalmente encontrar...


“Então é por isso que a Chefia tem tanta pressa!” concluiu.


Lúcia pegou então a bolsa grande que havia trazido, guardou o caderninho e se trocou, pondo um insosso vestido cáqui para ir embora da clínica.


Milan terminava de revelar as fotos, dentro de uma sala sob intensa luz vermelha. Lúcia o esperava do lado de fora, sentada junto à mesa na mesma sala onde haviam se reunido no dia anterior.


- “Teriminei” - disse o gringo, entregando as fotos. A lingerie preta se sobressaia devido às paredes brancas do consultório, e Lúcia parecia dar intenso prazer ao general nas posições e closes captados. A cena forjada era a de um homem maduro entregue a doces carícias de uma jovem mulher.


Lúcia olhava foto por foto, enquanto o gringo falava:


- Se K-47 não coagisse “Doktor” Álvaro para remarrrcarrmos a consulta e usarrrmos a clínica, nem sei como fariamos.... bem...o que “achiou” das fotos?


- Ótimas, mas ainda precisamos de ajustes.


- “Ajiustes”? As fotos estão “perfectas”!


- Perfeitas demais. Meu rosto é "perfeitamente" visível...


- Você não me “pariece” ser do tipo que tem pudores!


Lúcia riu.


- Meu amor, vamos falar de valores – ela abriu a bolsa e tirou dali um cigarro – isso aqui é grande - ela acendeu o cigarro e o tragou - Muito grande. A Chefia vai usar estas fotos para “negociar” com o general. Pode vazar em todo o Clube Militar. Talvez até nos jornais.


O gringo recuou na cadeira e torceu o rosto como se fizesse uma pergunta com a própria face, verbalizando a dúvida logo após:


- Você...não "qiuer" ser "rrreconhiecida"?


Lúcia soprou fumaça no rosto de Milan.


- Oculte meu rosto com uma tarja preta em todas as fotos, está bem? – pediu ela.


Milan ficou parado diante de Lúcia, que lhe dirigia um olhar desconfortavelmente imperativo, porém temperado por diabólico sorriso.


- T-tudo bem – concordou Milan, voltando para o estúdio de revelação.

8 de Junio de 2022 a las 12:00 0 Reporte Insertar Seguir historia
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Conoce al autor

Silva Pacheco Sou um historiador e cientista das religiões apaixonado pelo processod e crianção de personagens e de contar histórias dos mais variados temas.

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