dragaodourado Claudio Roberto Assad Crudo da Silva

um conto que usa o plano de história fantasmagóricas pra ir a fundo em conceitos familiares


Cuento No para niños menores de 13.

#fantasmas #psicologico #traumas
Cuento corto
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A Casa assombrada

Num Bairro distante de uma movimentada cidade, uma muito antiga casa recém reformada é adentra seus terrenos por um carro pela primeira vez estaciona em sua nova garagem, o motorista desce do carro, mas em vez de usar a entrada da garagem, vai até a entrada da frente da casa onde um homem o aguardava com a porta aberta e apertando sua mão sorridente e diz:

- Meu Patrão terminamos a mudança conforme o esperado, vai ver que tudo está conforme o planejado tanto em limpeza quanto em arrumação.

- OK, entendi, vamos verificar antes de eu assinar que está tudo em ordem - diz o homem que acabará de chegar com um ar levemente cansado.

Uma casa razoavelmente grande, mas viu a nova cozinha planejada, as salas de estar e jantar parte com os móveis que já eram seus parte com os móveis novos combinados com a empresa que fez a mudança e a decoração, subiram pro segundo andar onde somente o quarto principal estava arrumado, os outros estavam vazios pois pra economizar e pra decidir depois o que fazer com eles, exceto um que abrigava toda a mobília antiga que ainda estava boa.

Satisfeito com a mudança ele sorri para o funcionário que o recebera.

- Excelente trabalho, sabia que seria um dinheiro bem gasto.

- Seu Márcio ficamos muito felizes com a sua satisfação, a Vapt Vupt Mudanças e Design preza muito pela satisfação de seus clientes.

Assinando e se despedindo do funcionário e pegar as chaves que tinha deixado com eles, Marcio pega algumas compras que havia feito coloca na cozinha enquanto o funcionário se despedia novamente com uma buzinada e acenos de mãos e cabeça de seu carro, Márcio volta para o seu carro pega as malas com suas roupas e as leva para seu quarto, após arrumar suas roupas nos armários e cômodas, desce novamente ansioso para experimentar a nova cozinha e ao adentra-la se depara com a ela toda bagunçada, suas compras todas destruídas e espalhadas no chão, as gavetas abertas , duas das oito cadeiras em cima da mesa uma em cima da outra.

Marcio se aproxima devagar da mesa olhando toda a cena bufa e grita.

- MAS QUE CARALHA DE MERDA ESTÁ ACONTECENDO AQUI PORRA!!!

Com raiva tira as pesadas cadeiras e põe nos devidos lugares, procura até achar um esfregão, vassouras e baldes de limpeza, e começa a limpar a bagunça e resmungando

- Caralho, paguei mó caro pra mudar já morando na casa, pra já chegar fazer uma janta legal ... pra o que sei lá o que foi estragar tudo ... deve ter sido algum bicho que entrou nessa desgraça... filho da puta... mó grana de mercado indo pro lixo... filho da puta bicho lazarento.

Ao terminar de fechar todos os armários que tinham suas portas bem pesadas e gavetas igualmente pesadas que não seriam fáceis de qualquer ser abrir mas com sua raiva da situação e forças nem percebeu esse detalhe, Limpou todo o chão e foi até a sala e mexendo em seu celular senta-se no sofá enquanto pede uma pizza no aplicativo que lhe deu o melhor desconto, e ligou a televisão e ficou zapeando pensando que se não tivesse perdido tanto tempo arrumando a cozinha, já tinha instalado seu vídeo game que acabou nem tirando do carro.

Quando chegou sua pizza, colocou algumas fatias no prato e foi na sala comer vendo um episódio novo que saiu em um serviço de stream em sua televisão, quando já tinha abocanhado umas fatias e já havia passado boa parte do episódio a televisão sozinha desliga, ele enraivecido achando que havia sentado no controle, o procurando o encontra na poltrona ao lado do sofá que ele estava, liga novamente e volta de onde parou, voltando também sua a refeição e empolgação com o episódio. Tempo depois, coloca os pratos na pia, e guardando o resto da pizza na geladeira, se higieniza e vai dormir pela primeira vez em seu novo quarto.

O tempo se passou e vários pequenos “acidentes” como esses voltaram a ocorrer, e alguns de seus amigos quando o visitavam até relatavam outros acontecimentos estranhos como portas fechando ou abrindo do nada, alguns até passaram a evitar a visitar Marcio em sua casa, em alguns solstícios chegavam até a ver um vulto branco, até um solstício de primavera, Marcio precisou acordar de madrugada para trabalhar, ao acordar por volta das quatro da madrugada ainda com os olhos embaçados vê um vulto esbranquiçado e ouve em alto e bom som.

- Vá embora

Mais que depressa, Marcio acorda se põe de pé num pulo, e não vê nada na porta ainda e pijama vai ao corredor e não vê nada, volta para o quarto depois vai ao banheiro, e toma banho e faz sua higiene matinal, volta para o quarto veste sua roupa e vê teu celular e logo se enraivece resmungando:

- Mas que porcaria, já de cedo reclamando, eu entro as 9h desgraça, vou estar as 6h hoje pra acompanhar a migração filho da mãe, ainda são quatro e meia, caralho!!!

Joga o celular do lado e termina de calçar os sapatos, pega-o novamente põe no bolso junto com seu fone de ouvido, pega sua mochila que deixou na cadeira, e sai do quarto olha no fim do corredor, um vulto branco descendo a escada, Marcio vai batendo os pés no corredor, desce as escadas e não vê nada, segue para a cozinha , onde chegando põe sua mochila numa cadeira, vai até a cafeteira , coloca agua , filtro, pó de café e liga quando se vira e vê entre a bancada e a mesa tem fantasma flutuando, era uma mulher , aproximadamente 1,58m , feições orientais , pele e vestes brancas azuladas e cabelos bem pretos com contornos azulados como se refletissem uma luz azul vinda de traz dela, os cabelos e as vestes esvoaçavam no ar como se estivesse no fundo de um lado calmo, e olhando diretamente para Marcio diz :

- Vá embora, esse lugar, é meu.

- Teu cú – Diz Marcio com os olhos meio serrado e cara de quem já está cansado de existir – eu herdei essa casa do meu vô, gastei uma baita grana na reforma, teu lugar é o cacete...

A Fantasma atônita sem acreditar na resposta, se recupera e responde:

- Eu vim aqui a quase cem anos, eu morri aqui, é meu.

- Foda-se, Fantasmas não tem direito a propriedade minha senhora – Marcio diz também prestando também no barulho da cafeteira que acabou de começar a passar seu café.

- Não acredito, não está com medo? não sou a coisa mais horrenda e assustadora que já viu? – Diz a fantasma ainda incrédula.

- Primeiro, eu tenho medo é dos vivos que podem de ferrar a vida do que dos mortos que o máximo que podem fazer é aparecer na minha frente pra me atazanar, tipo minha ex-esposa – Marcio dá um gole no copo de água que pegou enquanto respondia a fantasma – Segundo eu já vi coisa muito pior nessa vida, você é até a mulher mais bonita que eu já vi na minha vida, diga-se de passagem, sem brincadeiras ou eufemismos.

A Fantasma fica vermelha pois nem em vida ouviu essas palavras, Marcio terminado de beber a água e volta a falar:

- Qual o seu nome moça?

- Fumiko – responde a fantasma ainda sem jeito.

- Então dona Fumiko, essa casa e um dinheiro da herança foram as únicas coisas boas que a porcaria da minha família tóxica me deu porque cargas d’aguas você agora você quer que eu saia. – Diz Marcio se apoiando as costas na bancada enquanto ouve a cafeteira terminar de passar o café

- Quando vivia, eu não tinha muitos amigos e era sempre zombada por ser feia e esquisita, mas um dia me apaixonei por um rapaz chamado Arnaldo, e qual não foi minha surpresa quando ele me correspondeu – a Fumiko fantasmas fica vermelha e bota as mãos no peito onde em um ser humano vivente ficaria o coração.

- Arnaldo, Arnaldo, onde já ouvi esse nom.... caramba o pai do meu avô se chamava Arnaldo, mas pera ... – diz Marcio pegando o café colocando em uma caneca grande de uns 350 ml e colocando adoçante e Fumiko Retoma

- Saímos escondidos, pois nem meus pais nem os pais dele gostavam de nós juntos, até que um dia quando os pais dele tinham viajado, eu fugi de casa e fui a casa dele, lá nos entregamos aos nosso amor, e depois quando estava falando dos planos de fugir e casar em segredo nessa mesma cozinha, tudo se apaga, e quando percebo estou morta e Arnaldo em pé atras do meu corpo desfalecido com uma faca na mão, ele me enterrou no jardim. – Fumiko põe a mãos nos olhos como se fosse chorar, Marcio mexendo o café senta-se na bancada em frente onde Fumiko ainda flutuava e exclama:

- Caramba, meu avô sempre contava histórias de machão do pai dele todo orgulhoso, e eu o achava um grande babaca, mas ele era pior do que imaginava

Fumiko enraivecida continua:

- Pelo meu amor fiquei presa aqui e descobri, que Arnaldo já estava com casamento arranjado com a filha de um fazendeiro mais rico que eles pois plantavam café, e a família do Arnaldo plantavam trigo e faziam farinha e vendiam pelo brasil mesmo, então jurei que ia assombrar essa casa e perturbar todos os descendentes dele tornando a vida deles um inferno, então vou tornar a sua vida um inferno insuportável.

- Fumiko minha linda, você está atrasada uns trinta anos, já tem muita gente viva que já está nessa dedicação – Diz Marcio levantando a caneca de café como se fosse brindar e depois tomando um longo gole de café.

- Não ache que isso aplaca minha ira, seu bisavô tentou plantando uma pitangueira em cima de onde me enterrou, já que pitanga é minha fruta favorita, e não funcionou muito, me acalmou por um tempo, mas não me fez esquecer – Diz Fumiko

- Pera aquela pitangueira ali – Marcio pela janela uma arvore bem ao fundo do jardim uma certa distância da cerca viva

- Aquela mesma – retruca Fumiko ainda brava.

- Nossa eu amava aquela pitangueira quando era criança – Diz Marcio num tom saudosista – até brigava com meus primos para não mijarem nela para não matar as raízes

- Eu lembro disso, mas não vai se livrar da minha fúria por conta disso, terei minha justiça – Diz Fumiko nervosa ainda

- E de onde isso é justo? – Diz Marcio tomando mais um gole de café

- Ele era um monstro, ele acabou com minha vida, meu amor minha juventude, tirou tudo de mim, é justo que ele pague, que seus descendentes paguem – Vocifera Fumiko

- Meu Bisavô era um monstro, ele morreu nessa casa e não está aqui e pelo que meu avô me contou ele foi um escroto até o fim e deve estar no inferno pagando eternamente pelo que fez, e por mais escroto que meu avô que o admirava e meus pais e meus tios também fossem, porque é justo que eles paguem por um erro que não é foi deles – Diz Marcio a beira de perder a calma

- São de seu sangue, herdaram seu mal - Replica Fumiko ainda enraivecida

Marcio bate as mãos no balcão de e fica de pé e fala de forma mais emotiva:

- Desde que me lembro , meus pais são escrotos comigo, desde que me lembro, foram raras as vezes que minha mãe disse meu nome, era sempre idiota, inútil, fracassado, meus parentes sempre me faziam sentir como se eu não fosse pertencente ao meio deles, sempre pomposo e me humilhando por eu ser mais pobre do que eles, e quando finalmente achei alguém que queria casar comigo, e achando que ela me amava, não ela casou porque meu sobrenome era de uma família rica e ela queria por o boi na sombra, e quando viu que eu era da ala que tinha que trabalhar pra viver, ficou irada , e sabe o que ela fez quando eu incentivei ela a trabalhar pra não depender só de mim, ela me traiu como o dono da empresa que eu trabalhava e armou tudo eu ficar como errado e levar tudo que eu construir pra gente viver junto, e ainda me fez ser demitido...

Fumiko ficou estática, não achará os descendentes de seu assassino fossem serem cruéis com um dos seus, e Marcio Continuou depois de um respiro pra sua voz não embargar tanto nas lagrimas que derramava.

- Tive que voltar pra casa dos meus pais, me humilharam mais do que antes, e como estavam quase falidos o que fizeram, dividas no meu nome , pegaram empréstimos , e eu tive que pagar pois não consegui provar que a assinaturas eram falsas, e quando terminei de pagar conseguia monitorar as assinaturas o que tentaram fazer, tentaram me matar com uma facada nas costas que por sorte não pegou em lugar vital, pra salvar a minha vida que eu nem queria pra começo de conversa, eu tive que ir contra todos os meus princípios e agredir meus pais, e consegui indicia-los , não por que seria um escândalo na família, usaram todos ao amigos que podiam pra nem sequer deixar o B.O. continuar a existir, e levaram meus pais para tratarem das feridas, e nem perguntarem se eu estava bem, mal falaram comigo até a decisão da partilha da herança

.

Fumiko ainda flutuando, desaba como se ajoelhasse e nesse momento ela descobriu que fantasmas também choravam, o um quarto de caneca de café que estava ainda entre as mãos de Márcio no balcão já estava salgado das lágrimas que caiam de Márcio enquanto ele falava e tomando mais fôlego continua.

- Isso sem contar a ingratidão de centenas de pessoas que ajudei, os bullyings na escola e faculdade, dos chefes horríveis, das pessoas que roubaram meus créditos no trabalho e receberam promoções em meu lugar, e quando eu consigo uma coisa boa que foi essa casa e um dinheiro razoável, mas que nem é tanto assim, , achando que finalmente iria ter um pouquinho de paz e vem você Fumiko me dizer que mereço sofrer até a morte por um erro que nem cometi – Marcio já não tinha mais lágrimas, senta-se novamente no banquinho e com voz cansada e sem esperança - continua eu apesar de tudo sempre tentei o máximo ajudar, ser legal, me afastar de todo mal que minha família fez e é, me diz Fumiko eu mereço sofrer, é justo ?

Fumiko olha atônita para Marcio, tenta falar, mas mesmo de sua boca espectral não saem palavras, só queria chorar pois entendia a dor dele.

- Me diz, eu mereço sofrer mais, se sim me diz o porque pois seria mais uma razão pra eu amaldiçoar o dia que nasci – fala Marcio, olhando pro café dentro da caneca com os ombros na mesa – como se fossem poucas.

Fumiko olha, pra Marcio cheia de compaixão, e tenta falar e não consegue, e tenta mais e se esforçando muito diz:

- Não

Quando diz isso uma rajada emana de Fumiko, como se uma corrente espiritual houvesse se desfeito em energia, ela o olha pra ele e diz.

- Você deve odiá-los tanto quanto eu.

- Eu não os odeio - Diz Marcio com um sorriso no canto da boca

- Como não, e tudo que eles te fizeram? – Fumiko questiona sem entender nada

- Sim eles me feriram muito minha alma, e muitas dessas cicatrizes são duras e dolorosas de lembrar, mas eu já os perdoei, porque o ódio só ia deixar meu coração mais triste e pesado, percebi que a maldade deles é só reflexo de suas almas podres e odiosas, por isso me livrei desse ódio, e depois até sofrer é menos doloroso.

- Mas como perdoar tudo isso? – Fumiko questiona voltando a postura em pé mesmo flutuando no ar

- é até simples, é só dizer pra si mesmo, dane-se se eles foram maus oi ingratos, eu fiz o meu melhor na situação, busquei ser justo, dar o meu melhor, se me retribuem mal isso é podridão da alma dele não na minha – Diz Márcio com uma voz mais animada se pondo de pé de novo e indo até onde a alma de Fumiko

Fumiko ao ouvir essas palavras e conforme vai deixando ir o ódio e o rancor, a luz que refletia nela vai mudando de azulado para dourado, e Fumiko olha Marcio está bem perto de sua aparição espectral estava então ele sorri e pergunta:

- Quer um abraço?

Fumiko o abraça forte, e pela primeira vez em quase um século sorri, e desmanchando em luz o ectoplasma da Fumiko some ascendendo, e no instante que a última partícula som a cozinha volta a ficar escura iluminada somente pela luz da lua e da iluminação dos postes pela janela , e os braços de Marcio, ele continua um pouco com o rosto como se ainda estivesse no ombro da Fumiko, depois se endireita, olha a hora , eram cinco e meia , estava atrasado , e pensa “Ah foda-se” olha pra cima um pouco sorri e respira bufando e depois dizendo baixo pra si mesmo

- É tem que trabalhar.

Endireitando-se, Marcio acende a luz da cozinha e volta ao seu quarto tira a camisa molhada de lágrimas, vai ao banheiro lava o rosto, bota outra camisa e sai para o trabalho.

4 de Junio de 2022 a las 14:35 2 Reporte Insertar Seguir historia
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Fin

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Claudio Roberto Assad Crudo da Silva Um podcaster poeta e doido que as vezes escreve uns contos https://linktr.ee/dragaodourado

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Pensador Louco Pensador Louco
Rapaz, nunca pensei em xavercar fantasma como maneira de me livrar de assombração. Achei simplesmente ótimo, hahaha
June 05, 2022, 19:08

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