lucie Luciane Alves

O que pode quebrar uma maldição além de um amor verdadeiro? Mas o que é esse sentimento e como saber se é forte o suficiente para tanto? Aprisionada em seu castelo, era isso que Bella se perguntava. Como quebraria a maldição que a atormentava se não tinha certeza que algo tão genuíno realmente existia? Em uma pequena cabana distante, Allan tentava a todo custo dar uma vida decente à sua avó doente, mesmo que cada dia ficasse mais difícil. Dois jovens completamente diferentes, mas com o destino interligado apenas por uma simples proposta. História completa disponível gratuitamente no kindle todo dia 01 e 02


#44 en Romance #11 en Romance adulto joven No para niños menores de 13.

#romance #lobos #amizade #maldição #clássicomoderno
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Capítulo 1


O dia de Allan começa quando os primeiros raios de sol entram, sorrateiros, pelas frestas das paredes do quarto, despertando-o de um sonho repleto com as mais variadas aventuras. Ele levanta, troca de roupa, arruma seus cabelos escuros bagunçados e após jogar um pouco de água fria no rosto, sai para seus afazeres.

Sua rotina matinal era bastante monótona, mas, mesmo estando meio atrapalhado pelo sono, o rapaz ainda cumpre suas tarefas com a peculiar destreza de sempre. Trata as poucas galinhas com um punhado de grãos, busca água no poço e cata alguns gravetos secos para acender o fogo.

Sua mente vagava entre um fragmento de sonho e outro, sempre tentando ligar os pontos e criar uma história coerente e rica em detalhes, mas infelizmente, ele sempre esquecia seus sonhos pela manhã.

Voltando para dentro da cabana, ele se põe de joelhos na frente do fogão. Após um tempo, a chama brilhante se acende entre a madeira seca. Pondo uma velha chaleira com água para o chá sobre o fogo, ele levanta-se, batendo a poeira das calças surradas.

— Allan...?

A voz fraca de sua avó o chama de seu quarto. Ele segue para lá rapidamente, encontrando a velha senhora sentada na beira da cama, lutando para levantar-se.

— Vovó... — ele a ampara e ajuda a erguer o corpo frágil da cama. — Fique deitada. Eu trago sua comida aqui, se quiser.

— Não precisa, querido. — a voz tranquila dela o deixa mais confortável. — Está um dia bonito demais para ficar na cama.

— Mas...

Ela o corta com um gesto da mão e ele desiste. Aquela velha ainda era teimosa demais para se entregar fácil para o cansaço. Amparando- a com o braço, ele ajuda a idosa a chegar na cozinha e depois a acomodar-se sobre uma das duas cadeiras que haviam ali.

A cabana era pequena e composta apenas por dois cômodos. O quarto de sua avó e a área da cozinha, onde ficava o fogão feito de barro e tijolos, a mesa com duas cadeiras e uma estante feita com tábuas na parede, onde ficavam os utensílios de cozinha. O quarto do rapaz ficava num cantinho, separado por uma cortina de retalhos, onde havia apenas a cama, um baú pequeno com suas roupas limpas e uma bacia com água para lavar o rosto, esta, posta sobre uma mesinha improvisada, ao lado de seu precioso livro de contos de fadas.

— Está um dia quente hoje. Acho que estamos entrando na estação do calor. — a avó diz, olhando pela janela.

— Sim. — Allan concorda, pondo folhas secas de ervas na chaleira de água quente.

O cheiro cítrico das ervas logo se espalha pelo ambiente, fazendo o rapaz sorrir e inalar profundamente o aroma, que era um de seus favoritos. Após preparar o chá, ele o serve em duas canecas e entrega uma à sua avó. Remexendo nas prateleiras, ele pega dois pães meio ressecados e junto com um pote de mel, entrega um nas mãos enrugadas da senhora.

Os dois tomam seu desjejum em silêncio. A comida estava escassa nos últimos dias e as coisas não estavam fáceis. Mesmo assim, sua avó tentava manter um sorriso no rosto, mas também desejava o ver em seu neto, um rapaz tão jovem que merecia aproveitar sua vida de uma maneira melhor do que tinham ali.

— Eu vou até a cidade depois. Acho que consigo trocar umas galinhas por pão e outros produtos. — Allan fala, com a caneca de chá nas mãos.

— Tudo bem. — ela diz, com um sorriso afável.

— A senhora vai ficar bem enquanto eu estiver fora?

A velha sorri. Ele jamais deixaria de pôr as necessidades dela acima das suas. Isso a entristecia tanto por dentro. Ele merecia mais do que viver preso em uma choupana velha com alguém à beira da morte como ela.

— Não se preocupe, eu ficarei bem.

Nesse instante, batidas fortes se fazem ouvir do lado de fora.

— Quem será? — ela pergunta, olhando desconfiada para a porta.

Allan vai até a porta receosamente e a abre. Era o Doutor Davis.

— Bom dia. Como estão? — o homem baixinho de meia-idade já vai entrando mesmo sem convite. — Que dia bonito, hein, senhora Campbell?

— Sim, Carllos. Está um dia muito bonito hoje.

O homem se senta na cadeira antes ocupada por Allan e o mesmo serve uma caneca de chá para o doutor. Seu comportamento não era dos mais educados, mas isso se devia ao fato de ele, há quase cinco anos tratar da saúde da sua avó sem receber pagamento em troca. Por isso, Allan não se importava em ser deixado de lado naquelas visitas e nem de oferecer um pouco da escassa comida que tinham a ele. Sua avó também não se importava com os maus modos do médico, tanto que sempre o chamava informalmente pelo primeiro nome ao invés de dr. Davis, como os demais.

Deixando os dois conversando na cozinha, o rapaz se dirige ao seu quarto, onde pega seu livro e sai da cabana para ler.

As páginas já estavam amareladas pelo tempo e ele sabia a história de cor, mas a sensação de abrir o livro e mergulhar naquelas páginas conhecidas nunca mudaria. Ele amava ler. Sempre imaginava como seria viver todas as aventuras contidas naquelas páginas junto com os personagens fortes e destemidos. Era como conhecer o mundo sem precisar sair de sua própria casa.

— Sair da minha própria casa... — ele diz baixinho, escorando o corpo no tronco da velha árvore, onde por anos ele sentou-se à sombra para relaxar e ler um pouco.

Seu olhar repousa na pequena cabana. O lugar era extremamente simples, mas era o lar deles desde que ele se entendia por gente. Sair dali abriria várias portas para novas oportunidades, mas ao mesmo tempo a ideia o assustava um pouco.

Ao levantar o olhar para uma nuvem solitária pairando no céu, seu pensamento voa longe. Como seria viver algo diferente? Algo desconhecido e totalmente inusitado. Talvez uma fantasia? Ou um romance? Não, não. Romance era... Ele sente suas bochechas arderem com o pensamento. Romance era algo com o qual ele não poderia sonhar. Nenhuma moça da sua idade se interessaria por ele. Um rapaz simples, pobre e com uma avó doente. Não que pudesse usar sua avó como desculpa para isso, mas era a realidade.

Ele não tinha como deixá-la quando ela mais precisava dele. E os tempos eram difíceis em qualquer lugar do pequeno vilarejo. As pessoas se viravam como podiam. Os impostos eram absurdamente altos, o rei era um tirano e nada prosperava no reino a não ser o que ficava dentro dos muros do castelo.

Por isso ele apenas podia sonhar. Sonhar com um mundo onde pudesse viver e ser realmente feliz.

— Allan...? — a voz aguda do doutor Davis o tira de seus pensamentos.

O homem o chamava da porta dos fundos da pequena cabana. O rapaz, preocupado que pudesse ter acontecido algo à sua avó, levanta-se de imediato.

— Sim? — ele pergunta, entrando na casa.

— Sente-se aqui, querido. — sua avó diz, indicando a cadeira à sua frente.

O rapaz o faz, em silêncio. Ninguém diz nada por um tempo e aquilo intriga o jovem. O que estaria acontecendo ali que ninguém queria contar para ele? Era sobre a sua avó? O que mais poderia ser? Ele estava prestes a perguntar, quando o doutor fala primeiro:

— Você estaria disposto a deixar essa Allan?

A pergunta o pega desprevenido. Ele não estava esperando nada do tipo. O que o doutor estava dizendo? Aquele era o lar deles. A família Campbell sempre viveu ali desde que ele havia nascido. Por que aquela pergunta agora?

— Como? — ele balbucia, ainda perplexo.

— Eu recebi uma proposta, Allan. — o doutor diz, sério. — Na verdade, eu sou o mensageiro de alguém que resolveu propor algo irrecusável.

O tom sério do homem meio que o deixava desconfortável. Allan não estava acostumado a ver o doutor falando tão seriamente, sem um sorriso brincalhão nos lábios. De que proposta ele estaria falando? E o que aquilo tinha a ver com ele?

— Eu não estou entendendo. — ele diz, desconfiado.

— O doutor Davis foi procurado por alguém importante. — sua avó diz. — Alguém de fora do reino.

— De... Fora do reino? — o rapaz pronuncia as palavras pausadamente.

— Sim. — o doutor confirma. — Essa pessoa de fora quer contratar os serviços de um jovem. Alguém como você, Allan.

— Serviços? Em que eu seria útil? Não sou bom em nada. — ele indaga, sem entender como poderia trabalhar em algo fora de sua experiência, que no caso, era nula.

— Calma. Não é serviço braçal e nem nada necessário de experiência. Essa pessoa em questão apenas necessita de companhia.

— Não estou interessado. Não posso deixar minha avó aqui, sozinha. — ele diz, convicto.

— Allan... Apenas escute, sim? — sua avó sorri gentilmente.

Ele a encara, pensando em reclamar, mas sua expressão gentil o faz assentir e ele resolve dar uma chance para o homem terminar de falar.

— Acontece que essa pessoa é alguém importante. E com importante, eu quero dizer rica. Seu mensageiro me ofereceu cinquenta moedas de ouro apenas para encontrar alguém que melhor se adequasse ao serviço.

— Cinquenta moedas de ouro?! — o rapaz se surpreende.

— Sim. E isso não é tudo. — o doutor abre um enorme sorriso. — Essa quantia pode ser paga a cada semestre dependendo de por quanto tempo seus serviços forem requisitados.

— É muito dinheiro... — Allan murmura, mais para si mesmo.

— Sim. — o doutor esfrega as mãos.

— Mas... Vovó... — ele olha para a senhora miúda em sua frente.

— Eu vou ficar bem. — ela diz, com um sorriso. — Carllos me levaria para o vilarejo e me deixaria viver em sua casa. Com esse dinheiro, tanto a família dele quanto eu ficaremos bem.

Mas e eu?, Allan queria perguntar. Quando e para onde ele seria mandado em troca desse dinheiro? Mesmo assim... As condições deles melhorariam bastante. Sua avó poderia ser tratada com remédios adequados e até a família do doutor poderia ter uma condição de vida apropriada. Tudo dependia dele. Da sua decisão.

— Eu... — ele começa, amassando as bordas da capa do livro que continuava em sua mão.

O livro... A aventura. Era sua chance de desvendar o desconhecido e inesperado destino. Estava ali, à sua frente, apenas esperando que ele a aceitasse.

— Eu vou. — ele diz, por fim.

— Ótimo. — o doutor bate palmas de entusiasmo. — Então se apressem. Juntem suas coisas que partiremos ainda hoje.

Como não havia muito o que levar, eles partiram em poucos minutos. A carruagem alugada pelo doutor os levaria rapidamente ao vilarejo e logo após ao segundo destino, esse um pouco mais distante.

Allan estava em um estado estranho, como se tivesse sido hipnotizado e a pessoa tivesse esquecido de estalar os dedos para trazê-lo de volta. Ele estava saindo do conforto de sua casa para algo completamente desconhecido. Aquilo era tão assustador. E cada vez que olhava para sua avó, ela acalentava-o com um sorriso, como se entendesse a confusão estampada no rosto do neto.

E de fato, ela entendia. Essa parecia a benção pela qual ela rezava todos os dias. Bom, a segunda delas. A primeira sempre foi morrer logo para deixar de ser um peso para o rapaz, mesmo que ele negasse veementemente isso.

Mas agora aquele seria um novo começo para os dois. E ela torcia que fosse com um final feliz para ambos.

Nota da autora:

oioi ^^ fico feliz em saber que você escolheu entre tantas histórias maravilhosas daqui dar uma chance à minha. Então peço humildemente que curta ou me diga o que acha dela. Sei que aqui não é o Wattpad, onde tem uma interação mais aberta entre escritor e leitor, mas um coraçãozinho ou um comentário positivo ajuda da mesma forma. Obrigada.

20 de Septiembre de 2021 a las 14:06 9 Reporte Insertar Seguir historia
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Sabrina Andrade Sabrina Andrade
Olá, sou a consultora Sabrina. E trabalho para uma plataforma de livros digitais. Gostei bastante da sua história. Se estiver interessada em saber mais. Entre em contato comigo através do WhatsApp: 92984759876
June 25, 2023, 20:45
 Silva Silva
Oi Luciane! Acabei de ler o primeiro capítulo e gostei muito do que vi até aqui. O enredo rapidamente me fisgou e a leitura foi bastante agradável, fluida e quando dei por mim já tinha terminado o capítulo. Estarei acompanhando os próximos. Essa releitura desse clássico promete demais. Parabéns pelo texto! <3
December 23, 2022, 15:13

  • Luciane Alves Luciane Alves
    Oie ^^ Que bom que gostou da história, fico realmente muito feliz em receber seu comentário e elogios ♡ December 23, 2022, 15:31
Bernadette Burton Bernadette Burton
Nossa a história e muito gostosa de ler, e bem fluida quando vi o capítulo já tinha acabado kkkkkk.
October 25, 2022, 20:22

  • Luciane Alves Luciane Alves
    Ah obrigada ^^ fico muito feliz em saber que gostou :) October 25, 2022, 23:28
Caio Vinícius Caio Vinícius
Boa tarde Luciane, sou o leitor Beta. Adoro histórias de fantasia e o primeiro capítulo foi promissor. Um comentário instrutivo seria você deixar um pouco a imaginação do leitor compor o ambiente... Apenas para você não se prender muito na função de narradora descritiva. Mas, num todo eu gostei e vou acompanhar a leitura! Parabéns! 👏👏👏
October 23, 2022, 16:33

  • Luciane Alves Luciane Alves
    Oi Caio Obrigada por gostar da minha história. Vou seguir seu conselho e tentar trabalhar melhor a descrição. Que bom que gostou desse começo, fico muito feliz em tê-lo como leitor e obrigada por seu comentário ^^ October 24, 2022, 01:28
Mariana Pereira Mariana Pereira
eu adorei essa história quando vai sair o segundo livro?
July 20, 2022, 22:29

  • Luciane Alves Luciane Alves
    Oi, primeiramente muito obrigada por gostar ^^ Bom, é difícil dizer pois eu não deixei "pontas soltas" na história. Mas talvez eu compense alguns capítulos extras com o tempo ;) July 20, 2022, 22:51
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