happyshadowc Lukas Shadow

ALERTA: Por se tratar de uma distopia, esse livro pode conter cenas de extrema violência. Ao acordar em um lugar totalmente estranho, sem nem se lembrar de seu passado ou seu nome, 2070 descobre que está em uma prisão de alta vigília e junto de outros prisioneiros de sua ala ele começa a perceber vários sinais estranhos, quando alguns de seus companheiros de cela começam a desaparecer misteriosamente. 2070 decide, junto dos outros, descobrir a verdade por trás de todo aquele lugar e achar uma saída.


Ciencia ficción Distopia Sólo para mayores de 18.

#Distopia #Guerra
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O Último

Memórias eram flashs, apenas como flashs, faíscas de luz que cruzavam o limite da realidade entre a esperança. O frio constante fazia-o sentir apenas como uma casca, uma carcaça podre e abandonada pela sua própria humanidade. Porém o vento e a sensação de movimento despertavam novamente os seus cinco sentidos, por mais que a sensação fosse de um vazio enorme, os últimos resquícios de força o fizeram despertar.

Ao abrir os olhos, a primeira coisa em sua limitada visão era o céu cinzento, sem sinal algum do sol, porém também não havia nuvens, o céu estava simplesmente vazio. Diferente da floresta que o cercava, cheia de verde, porém escura e solitária. Ali perto não havia sinal algum de vida, nada com que pudesse simpatizar.

Com a pouca força que tinha, consegue se levantar lentamente e ao olhar para baixo, no lugar onde estava sentado, havia um círculo duro de metal que era rodeado por quatro lâmpadas vermelhas que piscavam sem parar. Uma sensação estranha o invadia, como se estivesse caindo para o lugar mais profundo possível, o que era cortado rapidamente quando percebia que ainda estava no chão.

Vira-se após ouvir alguns estalos e consegue visualizar algo estranho, algo que nunca tinha visto antes. Era transparente, mas ainda assim perceptível, pois algumas ondas de degradê passavam pela estranha parede toda vez que o vento fazia com que as folhas das árvores a tocassem. Tenta se aproximar da parede transparente, mas uma sensação de peso invade todo o seu corpo, o que o obriga a se afastar imediatamente.

Finalmente escuta um farfalhar vindo dos arbustos ao seu fedor, um único barulho o havia dado esperança para identificar o primeiro sinal de vida.

- O-Olá?! - ele chama, com um sorriso de esperança no rosto - pode me dizer onde eu est...

As palavras somem de sua boca quando começa a ouvir um barulho estranho, algo que te lembrava um rosnado. Foi então que percebeu que havia sim um sinal de vida ali ao redor, mas que não era nada amigável para si. O medo é o impulsivo que o faz começar a correr, saltando os arbustos e empurrando os galhos das árvores que tapavam o seu caminho e sentia esses mesmos galhos rasgarem a sua pele.

A sensação de estar sendo perseguido o fazia correr ainda mais rápido e a única coisa que o faz parar é uma raiz de árvore camuflada que o faz tropeçar e deslizar afrente no gramado e ao levantar a cabeça, consegue visualizar a gigantesca parede de pedra que havia em sua frente e um painel com um monitor preto desligado.

Percebe que a criatura furiosa que o perseguia já não estava mais atrás dele, pois não ouvia mais o barulho e nem sentia a sensação de perseguição. Com mais calma, se levanta e sacode a sujeira e poeira em sua roupa.

Quando se levanta e se aproxima do painel, algo em seu pulso começa a queimar e é aí que ele nota a pulseira preta que havia em seu braço direito. Girando o pulso, ele consegue notar todos os detalhes na misteriosa pulseira. A pulseira era quase parecida com um relógio de pulso, porém tua tela era retangular e o desenho de um olho vermelho com pupila branca piscava e brilhava constantemente. Ao levantar o pulso direito sem intenção nenhuma, em frente ao monitor preto, o olho vermelho é passado para a tela no painel e ele pisca e logo depois um aviso é passado na tela e uma voz robótica o anuncia:

"Seja bem vindo, 2070"

Depois disso, o monitor se apaga novamente e o painel começa a se afastar dando lugar a um corredor no qual as luzes no teto vão se acendendo conforme o painel vai para mais longe. Ele entra no corredor sem entender absolutamente nada, ao reparar ao seu redor, percebe que as paredes do corredor eram feitas de puro aço e as lâmpadas amareladas no teto davam uma sensação de calor. Não havia entendido porque a voz o havia chamado de “2070” nem se lembrava de quem era, não sabia se tinha um nome ou família e toda vez que tentava se lembrar, sua cabeça soltava umas pontadas, como se mil agulhas estivessem espetando o seu cérebro e flashs de memórias passavam pela sua mente.

A dor e os flashs em sua cabeça, não o deixaram perceber que já havia chego no final do corredor e agora estava em frente à um portão. No centro do portão de metal, havia um leme, ele tentou gira-lo, mas era impossível, estava emperrado. Mas ao olhar para o lado direito, viu um outro painel, com um tipo de leitor e como havia dado certo com o monitor, ele aproxima a pulseira do painel e ele pisca. Um estalo soa e logo em seguida o portão começa a se abrir. A luz que passa pelas frestas começam a cega-lo e é inevitável levar o antebraço ao rosto, para tapar os olhos.

Quando o portão é aberto por completo e seus olhos se acostumam à agressiva claridade que vem de fora, ele vê algo aterrorizante e ao mesmo tempo admirável. Era como uma prisão, havia várias celas empilhadas uma em cima das outras até o topo, nem conseguia enxergar todas, pois a claridade o impedia. Depois que abaixa a cabeça ele vê um homem uniformizado, trajando apenas roupas pretas e uma boina de polícia. Quando o homem chegou perto o suficiente, ele viu o broche que havia no seu uniforme, um olho vermelho com a pupila branca o mesmo que havia visto em sua pulseira, o mesmo que havia visto no monitor e na boina do homem também havia esse mesmo símbolo.

- Siga-me, prisioneiro! – ordena o homem

Ele carregava uma arma, uma metralhadora, então decidiu apenas obedecer e o seguiu até entrarem no prédio. Já no hall de entrada, ele percebe que parece uma sala de espera, um outro homem com o mesmo uniforme do outro estava atrás de um balcão onde havia várias prateleiras cheias de caixas brancas.

- Temos mais um! – diz o homem ao lado de 2070

- Mas já? – pergunta o homem atrás do balcão – é o quinto dessa semana já.

- Parece que não teremos mais descanso... – o outro responde

- Estenda-me o seu braço direito! – o homem atrás do balcão lhe diz

E ele obedece sem pensar duas vezes, coloca o seu braço direito em cima do balcão. O homem tira um dispositivo de baixo do balcão, que parecia ser um leitor e passa por cima da tela da pulseira de 2070. O dispositivo apita e o homem vê algo que o assustou, seus olhos arregalam e dá para ver que ele ficou até pálido, a cor vermelha abandona seus lábios.

- E-Ele é o último... – o homem atrás do balcão diz, por fim

- O QUE?! – o outro exclama, assustado – não pode ser, deixe-me ver isso aí!

- Veja com os seus próprios olhos! – o outro lhe entrega o leitor

O homem atrás do balcão entrega o dispositivo para o outro e a expressão de susto é passada para o homem ao seu lado. 2070 não entende nada do que está se passando por ali, mas pela expressão dos homens, ser o último parece que é algo bem ruim.

- Ele é mesmo o 2070... – o homem diz depois de ver o leitor – quer dizer que...

- Sim, vai começar o experimento! – o outro lhe responde

O homem atrás do balcão vira-se e tira uma das caixas brancas da prateleira e a entrega para 2070.

- Tome, vá ao banheiro e vista-se! – ele ordena

2070 pergunta ao homem onde fica o banheiro e ele lhe aponta a primeira porta do corredor em sua frente. O primeiro sinal que ele notou, é que estava em uma prisão mas não havia sido algemado em momento algum, o que era absurdamente estranho, como aqueles guardas sabiam que ele não tentaria fugir ou agredi-los? Quando entra no banheiro, ele já percebe logo de cara as quatro câmeras lá dentro, uma em cada canto no teto do cômodo. No banheiro havia apenas um vaso sanitário, uma pia e um espelho logo acima dela onde ele pode ver seu reflexo pela primeira vez.

Um homem preto, de cabelo raspado, lábios grossos, olhos pretos como duas jabuticabas. Ele toca o seu próprio rosto como se tivesse acabado de sair do ventre de sua mãe, como se estivesse se conhecendo agora, como se fosse um bebê olhando para o seu próprio reflexo no espelho. E olhando para o seu próprio rosto no espelho, ele tentava se recordar de seu nome, de seu passado, de sua história, mas nada, tudo o que havia lhe restado eram flashs, mas não conseguia conecta-los de modo algum.

Ele abaixa a tampa do vaso sanitário e coloca a caixa branca ali em cima e novamente vê o olho, estampado na tampa da caixa branca, aquele símbolo parecia estar em todo lugar, era como se alguém o estivesse vigiando todo o tempo. Quando abre a caixa, ele vê um conjunto de roupas vermelhas lá dentro e um tipo de carimbo em cima e em baixo do carimbo havia um papel dobrado. Ele pega o papel e o desdobra para ler o que havia dentro:

“Esse carimbo só poderá ter seu lacre retirado pelo porteiro, não o use de modo algum. O uniforme é necessário para a sua identificação dentro da prisão, então é completamente obrigatório o seu uso. Não será admitido o uso de qualquer outra vestimenta além desse uniforme e se há algum pertence em sua roupa o deixe na caixinha ao lado da pia”

Antes de se despir, ele olha para a caixinha transparente que estava fixa e presa na parede ao lado da pia e começa a verificar seus bolsos para ver se não havia nada. Tinha que ter pelo menos algo, que o ajudasse e se lembrar de quem era, algum documento que comprovasse sua identidade ou até a chave de sua casa, mas não, não havia nada em seus bolsos o que era literalmente impossível, já que nos dias atuais ninguém saía de casa sem celular ou seus documentos.

2070 vai se despindo até estar completamente nu e percebe que realmente não havia roupas de baixo na caixa, apenas o conjunto vermelho. Ele retira o uniforme vermelho da caixa e o veste e logo depois coloca suas roupas velhas dentro da caixa e logo depois de fecha-la com o carimbo e o bilhete lá dentro, sai do banheiro e volta para o balcão.

- Me dê a caixa! – ordena o guarda atrás do balcão – o carimbo fica com você – e lhe entrega o carimbo, depois ele volta à caixa na prateleira – pode leva-lo!

O guarda ao seu lado o pega pelo braço e o leva até o fim do corredor onde há um elevador. Eles param quando se aproximam de um outro guarda com o mesmo uniforme dos outros dois, sentado em uma cadeira.

- Dê-me o carimbo! – ele pede

É então que 2070 nota que ele é o tal porteiro do qual o bilhete se referia e entrega o carimbo ao homem. Ele pede para que 2070 lhe estenda o braço esquerdo e ele o obedece, o guarda retira o lacre do carimbo e o coloca no pulso de 2070 na horizontal e quando aperta o botão para carimba-lo, o prisioneiro sente uma dor repentina que para logo quando o guarda retira o carimbo de seu pulso e lá estão os números marcados: 2070 escrito e marcado nitidamente em sua pele, com um pouco de sangue escorrendo do número 2, ele passa o polegar pelo pulso para limpar o sangue e percebe que ao redor da tatuagem, sua pele preta está um pouco avermelhada.

- Podem subir! – o porteiro anuncia

O guarda empurra 2070 para dentro do elevador e depois que ele fecha a porta eles começam a subir. Não dá para dizer quantos andares eles sobem, mas parece que estão indo para os últimos, bem lá em cima. Finalmente o elevador para, a porta se abre e eles saem. O guarda leva 2070 pelos corredores e enquanto passam pelas celas, os outros prisioneiros começam a fazer barulho, batendo e se agarrando às grades. O guarda o faz parar em frente a uma das últimas celas daquele corredor, ele retira um molho de chaves de seu cinto e abre a porta de correr para que 2070 pudesse entrar

- Vocês têm um novo companheiro, encrenqueiros! – o guarda diz, empurrando 2070 para dentro da cela

- Não acredito que vou ter que aturar mais um desses idiotas... – uma prisioneira deitada na segunda beliche na parede reclama

- Sem chiar, 2053! – o guarda retruca, ele fecha a porta e vai embora

- Ei... – um garoto salta da outra beliche e vem cumprimenta-lo – E aí, tudo bem? Eu sou o 2068! – ele estende sua mão esquerda para 2070

Ele não consegue entender quem são todas aquelas pessoas, por que estão todos trajando aquele mesmo uniforme? Por que estão presos? O que era aquele lugar? Tinha tantas perguntas e poucas respostas.

- O-Onde estamos? – pergunta 2070 apertando a mão do garoto

- Bom... acho que não temos uma resposta para isso, meu caro... – Diz o garoto, tentando ver o número de 2070 em algum lugar – aliás... qual é o seu número?

- E-Eu... – ele diz, erguendo o seu pulso esquerdo – sou o 2070.

- O QUE?! – grita o garoto e a mulher até levanta da cama e um outro prisioneiro que estava dormindo acorda

- Você é o último... – diz a mulher, saltando da cama

- O último de quê? – pergunta 2070, assustado

- Você não se lembra... – o garoto diz, como se soubesse de tudo – mas logo irá se lembrar, as nossas memórias voltam conforme o tempo aqui passa. A 2053 é a prova viva disso, eu também!

- E vocês se lembram de seus nomes? – ele pergunta

- Tsc – 2053 lhe vira as costas – não temos essas memórias, estamos na mesma merda que você, não sabemos que lugar é esse, não sabemos quem somos. Tudo o que sabemos é que fazemos parte do projeto.

- Projeto? Mas que projeto é esse? – 2070 pergunta

- Há duas mil e setecentas pessoas confinadas aqui dentro... – 2053 conta – é o Projeto 2070!

17 de Septiembre de 2021 a las 23:05 0 Reporte Insertar Seguir historia
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