vict_ee 𝑽𝒊𝒄𝒕

Essa história foi feita baseado em uma cena que seria originalmente para o livro "Sangrentos: Destinos Cruzados", mas que acabei cortando do material final e editando para transformar em um conto que se passa no mesmo universo.


Post-apocalíptico Sólo para mayores de 18. © Todos os Direitos reservados

#apocalipse #mortos-vivos #zumbis #pandemia #infectados #sangrentos #sobrevivência
Cuento corto
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Capítulo Único

O outono em Finger sempre traz consigo um verdadeiro espetáculo de cenários durante todos os meses em que o mesmo dura. As árvores de todo o Estado ganham diferentes tons de laranja e amarelo, até que todas as suas folhas caiam e sejam cobertas pela neve do inverno. A temperatura ambiente é outra coisa que os moradores adoram, já que o frio é perfeito para que famílias se reúnam em torno de uma lareira. É exatamente assim que o Estado se encontra; com inverno já batendo na porta e um dos únicos lugares onde ninguém deseja estar nessa época do ano, certamente são nas rodovias que cortam todo o território regional.


Na Rota 36, uma das mais importantes rodovias de Finger — uma quilométrica margem rodoviária de duas pistas com três faixas cada — se encontra relativamente livre, com poucos veículos trafegando de ambos os lados, como pode notar o consultor financeiro Edwin Rock, ao volante da sua Land Rover Defender.


— Sim, mãe, eu tô quase chegando em casa — o homem responde à ligação enquanto escuta a mesma em um fone na sua orelha direita. — Sim, tô com o resultado do exame, mas ainda não abri. Tá na minha maleta... vou ler quando chegar em casa. — ele observa a pasta de couro no banco de trás. — Claro que é um resultado certo, mãe. Eu fui até Denverport procurar o melhor profissional do ramo. — Edwin fica em silêncio, ajustando a gravata azul com a canhota, enquanto observa alguns carros do outro lado da rodovia. — Eu sei que a senhora me pediu pra vir junto, mas eu tô bem, sério. — uma pausa para que ele escute sua mãe. — Certo, também te amo. Chego em casa daqui algumas horas.


— Você não devia falar enquanto dirige. É perigoso.


A voz feminina chega aos ouvidos de Edwin e o homem caucasiano, com cachos negros e uma barba por fazer olha para a sua direita, vendo uma mulher usando um vestido amarelo bem simples. Ele retribui o sorriso da morena de olhos verdes, que está com as mãos sobre as pernas.


— Andar sem o cinto de segurança também, querida.


— Eu sei que tô segura com você, meu bem. — o sorriso da mulher aumenta.


Edwin torna a olhar para a estrada, percebendo que está indo de encontro a um engarrafamento e reduz a velocidade da sua SUV, até parar no final da grande fileira de veículos. O homem tenta ver além do carro à sua frente, mas não consegue identificar onde o congestionamento começa e nem o que o causou.


— Droga... — Edwin olha o Rolex dourado em seu pulso esquerdo, marcando 17:53; horário local. — Eu vou chegar em casa perto das onze assim. — pelo retrovisor, ele pode ver outros carros parando logo atrás do seu.


— Tudo bem, querido. Pelo menos estamos juntos — diz a morena no banco do passageiro.


— Ah, Maria... não sei o que seria da minha vida sem você. — Edwin se inclina para a direita, na intenção de beijá-la.


Maria também se inclina, mas antes que o beijo se inicie, um forte som da buzina faz Edwin olhar para trás e o que o consultor financeiro pode ver é um pesado caminhão se chocar contra os carros atrás do seu, os fazendo capotarem ou invadirem a pista do outro lado. O homem não tem tempo para reação alguma a não ser tentar agarrar Maria para lhe proteger, mas antes que ele consiga encostar na sua amada, o caminhão da Volkswagen se choca contra a sua Defender, fazendo a traseira do veículo se erguer e capotar sobre o guard rail que separa as duas margens da rodovia, parando apenas quando, com as rodas para cima, se choca contra outros veículos acidentados.


***


Edwin acordar lentamente, como se tivesse e encerrado uma agradável noite de sono, mas logo seu corpo trata de lhe torturar com dores severas pelo corpo, principalmente na cabeça. Ao se lembrar do ocorrido que o fez ficar inconsciente, ele rapidamente se dá conta de que está de ponta cabeça, preso ao seu banco pelo cinto de segurança. O consultor então se solta do mesmo e cai batendo a cabeça e os ombros no teto do Defender e também sobre o air-bag já vazio.


— Maria? Maria?! — ele olha todo o interior escuro da SUV e não acha a mulher. Não nenhuma mancha de sangue no banco do passageiro.


Se arrastando, ele consegue deixar o veículo e nota que a noite já afundou Finger e o frio do quase inverno gerou uma fina neblina sobre a Rota 36, que agora é palco de um grave acidente, com dezenas de carros acidentados, faróis acesos e buzinas ativas. Porém, além de não saber onde Maria está, outro fato que preocupa Edwin é não haver um único socorrista atendendo os feridos, levando em conta o tempo que já se passou. Sua cabeça dói e gira devido a um corte no topo da testa, que fez um caminho se sangue seco até o queixo. Embora esteja zonzo, ele identifica Um odor pútrido que alcança suas narinas e o faz cobrir o nariz, enquanto os olhos lacrimejam. Ao olhar ao redor, pode ver uma silhueta cambaleante se aproximando.


— Maria?? — Edwin se afasta do Defender capotado e caminha até a silhueta, mas para ao ouvir um grunhido vindo do desconhecido, que parece estar com a boca cheia de água e conforme se aproxima, o consultor nota que trata-se de um homem usando uma blusa gola polo rosa e uma calça comprida branca, mas ambas as roupas estão sujas de sangue, proveniente de um grande ferimento no seu ombro direito e no tórax. Um pedaço do seu rosto também foi arrancado e os dentes vermelhos estão expostos, enquanto o homem fuzila Edwin com os olhos brancos e leitosos.


O consultor, ao ver o estado em que se encontra o outro homem, começa a andar para trás, mas acaba por tropeçar em um pneu que se soltou de um dos carros e cai sentado no asfalto frio e molhado, resmungando de dor. Seu barulho é seguido por mais grunhidos que vêm de várias direções e ele olha ao redor, com medo e quando se volta para o desconhecido mutilado na sua frente, vê que o homem está muito próximo e se joga sobre ele.


— Não! Não! Sai de perto de mim!! — Edwin tenta se defender com seus braços, mas o estranho monstruoso consegue se curvar e alcança seu ombro com a mandíbula aberta.


O homem cacheado grita ao sentir a mordida lhe arrancar um pedaço da blusa social branca e outro da sua carne. Enquanto a criatura se ergue para puxar a carne, Edwin aproveita para empurrá-lo e jogá-lo para a direita, ficando livre. Em estado de choque, o consultor se levanta enquanto sente o sangue jorrar do seu ferimento. Ele olha na direção da floresta à direita da pista onde trafegava e pode ver claramente uma mulher usando um vestido amarelo simples:


— Maria?? Maria, é você? — cambaleando, ele segue até o guard rail.


— Querido, pegue sua pasta! — a voz da mulher é alta. O desespero em seu rosto é evidente.


— O quê? — Edwin franze o cenho, confuso.


— Sua maleta, amor, depressa! — Maria insiste e ergue o olhar para a estrada.


Edwin então se vira e vê dezenas de silhuetas vacilantes surgindo da neblina e depois olha novamente para Maria, que agora corre até a floresta. Mesmo sentindo um forte medo, ele corre até o Defender capotado e se agacha na porta de trás, cuja a janela está destruída. Sentindo os cacos de vidro perfurando seus joelhos e mãos, ele visualiza a pasta marrom coberta de vidro e estica a mão direita, pegando a mesma. Quando ele se põe de pé, é surpreendido agora por uma mulher usando um suéter branco. Embora a aparência desta não seja tão horripilante quanto a do primeiro desconhecido, ela também ergue os braços e grunhe, só não alcançando Edwin pois ele projetou seu corpo para a esquerda, desviando da investida e fazendo a mulher cair de cara no asfalto.


— Maria! — ele então começa a correr, saltando o guard rail de metal, mas acaba tropeçando no mesmo e cai rolando pela grama. seu ombro lateja e mais sangue é expelido, mas tudo o que ele pensa nesse momento é em encontrar sua amada.


***


A mordida no ombro de Edwin lateja e espirra sangue conforme ele corre abraçado com sua maleta. Esbarrando em árvores de vez em quando, ele começa a sentir seu corpo queimar e um cansaço extremo o toma acomete, lhe fazendo se apoiar em um dos troncos. Ele tosse e ao ver que está cuspindo sangue, seu corpo começa a se tremer de pavor. Porém, suas forças para ficar de pé começam a se esvair e ele caminha mais alguns metros, até parar se sentando próximo de uma árvore, sob uma clareira.


— Maria... por favor, querida... onde você tá...? — sua voz sai fraca; a queimação consome seu corpo banhado de suor e a dor da mordida em seu ombro é surreal.


— Querido? É você? — Maria surge por entre as árvores e logo se aproxima dele, se agachando na sua frente.


— Maria... — Edwin sorri. — Você tá bem?


— Sim, amor. Eu tô sempre bem, assim como você me imagina. — a morena lhe exibe um sorriso reconfortante.


— O-o quê? Imaginar? — ele se encosta no tronco, olhando Maria. — Mas... você é real, você tá aqui, na minha frente.


— Não, Ed... não sou. Eu só apareço porque você quer que eu faça isso.


— Não, não... não... isso não pode ser verdade. — seus olhos começam a se encher de lágrimas.


— Abra a sua pasta, querido. Pegue o resultado do seu exame.


Ainda confuso, Edwin olha sua pasta de couro jogada no chão de terra e a pega, abrindo-a com as mãos trêmulas. Sujando os vários papéis com sangue, ele encontra o documento que procurava e começa a lê-lo, o pondo sob a luz da clareira. A primeira coisa que ele vê no papel é “Consutório de Psicologia Dr. Ferdinand Rodriguez”.


— “Após a realização de seções de com o paciente Edwin B. Rock, foi constatado que o mesmo possui Esquizofrenia, transtorno adquirido provavelmente após a morte da sua esposa, Maria B. Rock, em julho de dois mil e dezoito, em decorrência do câncer de mama. O paciente alega vê-la e conversar com a mesma várias vezes ao dia, mas em dados momentos, ele nega tal afirmação, como se nunca tivesse acontecido”... — ele encara Maria, que agora está de pé, na sua frente, chorando.


— Já fazem dois anos, Ed... mas isso está acabando. Nós vamos nos ver de novo. — com um olhar de pesar, Maria anda até a floresta.


Aos prantos, Edwin observa sua amada sumir em meio à floresta e, logo depois, o grupo de desconhecidos que o perseguiam desde a rota 36 surgem, agora parecendo um grupo ainda maior. Todos eles grunhem e rosnam enquanto bile e sangue pingam das suas bocas ou amputações. Eles erguem os braços e rodeiam o consultor financeiro.

12 de Mayo de 2021 a las 13:12 0 Reporte Insertar Seguir historia
1
Fin

Conoce al autor

𝑽𝒊𝒄𝒕 Escritor do gênero pós-apocaliptico. Não sou fã de muitas coisas, é difícil algo despertar meu interesse. Mas gosto de músicas de Rock.

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Sangrentos
Sangrentos

Um mundo onde os mortos se recusaram a permanecer caídos e se elevaram ao topo da cadeia alimentar, tendo como único objetivo após destruírem a sociedade, se banquetearem do que restou da população mundial. Mas os poucos sobreviventes farão de tudo para prevalecerem nessa era sangrenta. Leer más sobre Sangrentos.

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