miyushu Miyu Shu

Nina acordou com o cheiro de fumaça. Ela demorou para entender o que estava acontecendo, até que sua visão finalmente focou e ela viu a chama vermelha e viva espalhando-se pelo quarto. Alguns dizem que foi um problema na rede elétrica. Já Nina acredita que ela mesma causou aquele incêndio. De qualquer forma, nada voltou ao normal depois daquele dia. Aquele foi apenas o começo de uma cadeia de acontecimentos que fizeram sua vida virar do avesso. Com seu tio desaparecido e sua amiga sequestrada em algum lugar do Canadá, Nina se vê presa junto de Caleb e Miles, dois desconhecidos com um objetivo em comum: encontrar Even Colfer e descobrir a verdade sobre o mundo. Crônicas dos elementos | original | infantojuvenil


Ficción adolescente Todo público.

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Nina

Nina Malley observava atentamente o jogo de hóquei no gelo que se desenrolava na sua frente. Não era nada oficial, apenas um treino da equipe feminina, mas ainda assim era impressionante — além do mais, tudo que envolvia hóquei era emocionante para Nina. Ela viu quando o disco saiu do rinque, indo parar longe na arquibancada perto de si, e ouviu os gritos do sr. Larsson, o treinador, dizendo que não era para as meninas exagerarem, pois estava cansado de buscar os discos do outro lado do ginásio.

Ela se levantou, indo mancando até onde o objeto havia caído, e o atirou novamente para o gelo. O sr. Larsson, que no momento tinha as duas mãos na lombar, disse um obrigado, voltando a prestar atenção no jogo. Ele provavelmente estava tendo mais uma de suas crises de dores, que sempre sentia quando ficava em pé por muito tempo. — Estou muito velho — ele costumava reclamar, lamentando-se sobre a dor crônica que sentia na região.

Fazia dois anos que Nina praticava hóquei. Agora, com quatorze, estava na equipe da escola onde estudava. O sr.Larsson, inclusive, a chamava de “pequeno gênio”, dizendo que um dia ela acabaria nas Olímpiadas de Inverno, representando o Canadá. Nina sempre achou que ele exagerava demais, mas de fato não se achava tão ruim. Ela jogava como lateral direita, e era a principal atacante da equipe — responsável, inclusive, por metade dos gols do último campeonato escolar que participaram no ano anterior.

Hóquei era uma das últimas opções da sua lista de atividades extracurriculares. Ela procurava algo que a fizesse gastar toda sua energia acumulada, já que Nina era extremamente hiperativa e não conseguia ficar parada por muito tempo — talvez por isso encontrar algo para fazer durante o contraturno tenha se tornado uma prioridade. Ela passou por diversas modalidades, do ballet ao futebol, mas foi só no hóquei que realmente se encontrou.

Por isso era tão frustrante estar ali, sozinha, enquanto via todas suas amigas treinando.

Era para Nina estar jogando, também, mas estava ali somente como observadora. Havia torcido o tornozelo há três semanas, e o médico havia dito que ela precisava ficar no mínimo um mês sem praticar. Então, junto da bota quente e felpuda em seu pé esquerdo, havia uma bota ortopédica em seu pé direito. Ela já não aguentava mais ficar sem fazer nada, e talvez por isso estivesse chegando mais cedo nos últimos dias, procurando ao menos assistir aos treinos antes de ir para a aula, mesmo que isso significasse ficar sentada na arquibancada fria do ginásio.

Alguns minutos depois, o treino acabou. As garotas saíram uma a uma do rinque, tirando os patins e se concentrando no canto direito do ginásio para uma sessão de alongamento rápida — a parte que Nina menos gostava dos treinos, já que mesmo alongando quase todos os dias, ainda tinha dificuldades em encostar nos próprios pés. Nina se levantou, espreguiçando-se ao colocar os braços para cima e indo lentamente em direção ao vestiário, já que não conseguia andar rápido com aquela bota. Ela se encolheu um pouco, seu casaco preto não vencendo o frio que fazia naquele dia, e ajeitou o gorro preto na cabeça.

Seu ritmo era tão lento que sua pequena caminhada até a terceira porta à direita do corredor estreito foi suficiente para que todas as garotas já se encontrassem dentro do recinto. Ela pôde ouvir as vozes animadas, que conversavam sobre o próximo jogo que teriam em quatorze dias, algo que fez o estômago de Nina revirar por um instante. Além do mais, ela ainda não sabia se poderia participar.

A sensação, porém, diminuiu quando encontrou Sophia, que terminava de trocar de roupa. Ela estava de costas, e era possível ver sua musculatura forte, evidenciada desde que havia começado a treinar como goleira. Seus cabelos loiros encaracolados desciam como cascata em seus ombros desnudos, e ela cantarolava, em um murmúrio, alguma música de uma das bandas folks que gostava.

Sophia era sua melhor amiga de toda a vida. Nina a havia conhecido no primeiro dia de aula na Escola Primavera para Garotas, quando estava extremamente agitada por não saber onde ficavam as coisas e qual era sua sala. Além do mais, era a primeira vez que estudava em um local tão grande, então sentia-se perdida.

— Ei. — Nina se lembra de ter cutucado uma garota de cabelos curtos que mexia em seu armário. A desconhecida se virou, meio confusa, mas Nina soube imediatamente que elas seriam amigas, mesmo que não fizesse muito sentido. “Foi algo na sua cara de espanto”, Nina costumava tirar sarro. — Pode me dizer onde fica a sala 27?

Sophia pareceu meio contrariada por um instante, como se não esperasse que alguém fosse falar com ela — Nina descobriu com o tempo que Sophia era quieta e reservada, algo que ela foi perdendo na sua presença conforme ganhavam intimidade. Naquele instante, ela olhou brevemente para o chão e engoliu em seco; depois, apontou para a direita, sem dizer nada.

Apesar do silêncio, Nina viu muita gentileza nos olhos de Sophia. Talvez isso tenha feito ela começar a puxar assunto.

— Qual o seu nome? Você é nova aqui? Porque eu sou. Não conheço nada. Quer dizer, nova aqui na Escola. Eu moro em Burnaby, sabe, desde que nasci. Meu nome é Janina Malley, aliás, mas todo mundo me chama de Nina.

Nina jurava que ela não iria responder, mas Sophia sorriu — um sorriso pequeno, mas que já era o suficiente para dizer que ela não estava de fato incomodada —, e respondeu:

— Sophia. Na verdade, eu estudo aqui há dois anos. — Ela fechou o armário atrás de si, passando o cadeado. — Eu estou indo para o mesmo lado que você. Posso te mostrar onde é a sala…

Nina prontamente aceitou, e elas foram em uma caminhada lenta e silenciosa. Muitos diriam que a amizade não renderia, porque Sophia era o total oposto de si: era calma, fazia todas as coisas com delicadeza e sempre tinha tudo no controle. Enquanto isso, Nina era desajeitada e acabava destruindo tudo que encostava sem querer, quase combinando com a rebeldia dos seus cabelos castanhos e ondulados, que se recusavam a manter-se arrumados, principalmente em dias úmidos.

De alguma forma, as duas continuaram conversando nos corredores, até que Sophia se sentiu totalmente confortável com o jeito espalhafatoso de Nina, e elas se viram em uma amizade tranquila. Foi ideia de Sophia, inclusive, que elas começassem a praticar hóquei, algo que Nina recusou no começo — pois era péssima patinando —, mas acabou cedendo, já que era a primeira vez que a amiga sugeria alguma coisa.

Ao fim, ambas acabaram se apaixonando pelo esporte, e passaram a assistir os jogos dos Canucks na casa uma da outra, ao mesmo tempo que iam juntas aos treinos matinais l.

Enquanto esperava, Nina começou a ver as atualizações de seu celular. Não que ela recebesse muitas mensagens, mas ela simplesmente precisava arranjar algo para fazer. Encostou-se, então, na parede atrás de si, mesmo que ficar em pé fizesse seu tornozelo formigar. Ninguém havia notado sua presença ainda, talvez porque fosse uma das primeiras vezes que Nina de fato tentava ficar quieta, por não querer receber perguntas sobre como estava sua recuperação.

A verdade era que, mesmo em repouso, seu tornozelo não havia melhorado. Nina havia feito um raio x e uma ressonância magnética quando percebeu que tudo continuava igual, mas os exames apenas mostraram que não havia nenhuma fratura e nenhum rompimento de ligamento. Mesmo assim, por algum motivo, ele ainda inchava e parecia uma bola de tênis, e doía como no primeiro dia que havia o machucado.

Betty, uma garota grandona de cabelos tingidos em vermelho, que falava sempre muito alto, foi a primeira a notá-la, e anunciou a toda a equipe:

— Olha quem está aí! A garota que vai nos salvar no jogo contra as Cats.

Nina levantou os olhos do celular e viubo momento em que todos os olhos passaram a ficar sobre si. Sinceramente, ela não ligava de receber atenção. Na verdade, até gostava. Naquele dia, porém, ela sentiu seu rosto ficar vermelho como um tomate. Não queria saber do jogo contra as Cats.

— E aí — disse Nina, alto o bastante para ser ouvida por todas, tentando transparecer tranquilidade.

Sophia também a olhava com um sorriso brincalhão no rosto. Ela colocou mais um casaco, pois estrava extremamente frio em Vancouver naquele dia, e levantou sua bolsa do chão, colocando-a no banco mais próximo.

— Ei, Nina — falou Sophia, colocando uma touca rosa na cabeça e arrumando os cachos, olhando-se no espelho. — Se divertiu bastante da arquibancada?

Nina revirou os olhos, mas soltou uma risada abafada com a piada, relaxando um pouco os ombros, que não havia percebido que haviam ficado tensos. Não tinha nenhuma chance de Nina Malley conseguir se divertir ficando apenas como uma observadora — sua hiperatividade não deixava de jeito nenhum. Ainda assim, ela concordava que era melhor do que ficar em seu quarto.

— Claro. Foram as duas horas mais empolgantes da minha vida — respondeu ela, andando devagar e se sentando no banco que ficava logo ao meio do vestiário, ao lado da bolsa rosa de Sophia, que o separava em dois.

— Que droga que você ainda não melhorou — disse Sophia, dessa vez sem brincadeiras, porque de fato havia uma preocupação.

Clarisse, uma garota com bochechas rechonchudas de cabelos encaracolados e pretos, que jogava na defesa, disse:

— Você precisa se recuperar até o próximo jogo. Nós não somos nada sem você.

As outras meninas começaram a murmurar palavras de concordância, e Nina deu um sorriso culpado, a tensão logo voltando para seus ombros com um sentimento de culpa.

Nada disso teria acontecido se ela não tivesse inventado de patinar no gelo na pista de patinação do centro de Vancouver. Nina já precisava patinar todos os dias nos treinos, então por que foi querer ir em uma pista pública nas suas horas vagas? Ela também não sabia responder, já que isso só resultou em uma criança a empurrando e ela torcendo o tornozelo de maneira dolorosa.

— Não se preocupem, garotas — disse Nina, tentando soar confiante, embora ela mesma não estivesse mais tão certa sobre o destino do seu tornozelo. — Vou ao médico da família amanhã. Ele sempre resolve tudo.

Alguns murmúrios de “que bom!” e “espero que se resolva” foram ouvidos.

— Vai ver seu tio? — perguntou Sophia.

Nina então abriu um sorriso largo, enorme, concordando com a cabeça, pois apesar de tudo, sempre ficava feliz quando ia visitar seu tio. Ele era um homem muito inteligente. Formado em duas faculdades e com um pós-doutorado, ele era um ex-médico que agora trabalhava como professor do ensino médio, porém ainda atendia a família Malley informalmente. Assim, sempre que algo dava errado e um tratamento não funcionasse, ele a recebia de braços abertos. Even não era seu tio de verdade, ao menos não de sangue, mas era amigo próximo de sua mãe, que viu Nina crescer e a acompanhou durante toda sua infância. A verdade era que Nina o amava profundamente.

— Vou sim — falou Nina, animada, esquecendo-se por um instante do assunto do seu tornozelo. Por sorte, as meninas também pararam de olhá-la. — Vamos jantar. Legal, né?

— Que bom. Imagino que você esteja entediada de estar sempre fazendo as mesmas coisas — disse Sophia, fechando o zíper de sua bolsa após colocar todas suas coisas dentro, e a colocando nas costas.

De fato, ela estava correta: a única coisa que Sophia havia feito era acordar, ir para a escola, e voltar para sua cama no final do dia. Nada mais, nada menos, o que estava a deixando louca.

— Ai, Soph, eu não aguento mais. Ficar sentada o dia inteiro está me matando! — reclamou Nina.

Sophia riu, e em seguida começou a se despedir das meninas que ainda se arrumavam e, agora, falavam sobre garotos. Nina fez o mesmo, com um aceno de mão geral e um sorriso amarelo.

As duas saíram do vestiário, sendo recebidas por um vento frio. O ginásio de hóquei era gelado, não que fosse se pensar o contrário, já que havia uma pista de gelo enorme ali, mas naquele dia particularmente parecia estar em um dos seus extremos. Quando se dirigiram ao corredor central que dava para o refeitório, parecia que nem o aquecedor da escola vencia a gelidez, e Nina chutava que aquele dia seria considerado um dos mais frios do ano.

— Eu imagino — disse Sophia, cruzando os braços em uma tentativa de buscar calor. — Espero que os filmes que te emprestei estejam te fazendo companhia.

Sophia tinha uma grande coleção de filmes em disco. Ela sabia que era antiquado, e que agora tudo podia ser acessado pela internet, mas mesmo assim ela gostava de tê-los fisicamente, colocando-os em uma grande estante em seu quarto.

— Eu nunca imaginei que assistiria mais de um filme seguido — respondeu Nina, rindo, já que não era realmente fã de filmes e coisas assim. Seus passatempos envolviam se movimentar e praticar esportes. Isso era ainda pior com livros: Nina simplesmente os odiava, pois não conseguia se concentrar em mais de uma linha. — Foi uma experiência incrível.

As duas se dirigiram em direção ao refeitório em uma caminhada lenta, resultado da bota imobilizadora no pé de Nina. Ao chegarem, sentaram em uma mesa no canto direito, quase como seu lugar registrado. O local se encontrava vazio, visto que a aula só começava em vinte minutos. Elas, então, retiraram pequenos potes de suas mochilas e começaram a comer um lanche da manhã reforçado.

Seria uma manhã normal, mas aconteceu algo estranho. Sophia estava lhe contando um caso de uma briga que teve na sua sala de aula — pois embora estudassem na mesma escola, eram de salas diferentes —, quando Nina teve a impressão de estar sendo observada. Era uma sensação parecida com a qual tinha de quando estava fazendo algo errado e parecia que alguém estava olhando, como quando ela tentou pegar comida escondida no aniversário de três anos de sua prima, e parecia que todos do recinto estavam observando cada movimento seu. A diferença era que ali parecia um pouco mais sinistro, medonho, como se ela estivesse sendo alvo de um predador. Ela até se virou para trás, procurando por algo, mas encontrou apenas cadeiras vazias e poucos estudantes concentrados demais nos seus próprios lanches.

Ao perceber que não era nada, apenas deu de ombros e voltou a comer, também. A sensação logo sumiu, e ela se viu rindo quando Sophia lhe disse que, no meio da briga, a peruca de seu professor de ciências foi parar do outro lado da sala de aula.

7 de Mayo de 2021 a las 23:02 0 Reporte Insertar Seguir historia
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