ina18 Janaína Baraúna

Erick Martinez é um escritor muito famoso, com uma vasta publicação de livros de sucesso, então resolveu lançar um livro baseado em seu sonho. Contudo, muitos achavam que o autor estava maluco ao dizer certas coisas impossíveis, como ter feito uma viagem para dentro de um livro de sua amiga no passado. Erick tinha uma única certeza que, John Kerry, é sim sua alma gêmea.


Drama Sólo para mayores de 18.

#menção-ao-anime-Cavalheiros-do-Zodíaco #cheirodelivro #originais #guerra #lgbtqia+ #almas-gemeas #autor
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Capítulo único

O céu estava nublado e as nuvens denunciavam que logo cairia uma chuva forte, mas nada abalava o homem engravatado com seus magníficos óculos escuros. O acessório protege seus olhos dos flashes de paparazzis eufóricos que estavam fora do carro, pois logo mais iria começar a coletiva de imprensa.

Erick Martinez é muito bonito e alto, da pele morena e olhos castanhos-claros, devido ao seu porte atlético e cabelos ondulados negros que iam até seus ombros, o escritor esbanjava beleza por onde passava. Fãs diziam que ele ficava mais lindo com seus óculos de grau, por ser um dia especial, tinha que usar lentes de contato para não irritar a sua visão.

O grande dia de lançamento do livro mais aguardado de todos: “Almas Gêmeas Tendem Dizer Adeus” havia chegado. O escritor mais popular de todos os tempos não deixava de ficar nervoso, sempre que publicava algo, a ansiedade e o medo sobre as vendas deixavam-no inquieto. Teve que usar até maquiagens para cobrir as olheiras, devidas noites sem dormir de tanta ansiedade.

A obra mais esperada por seus leitores e críticos de plantão, estava a um passo de ser um grande sucesso ou simplesmente um fracasso. A mídia nacional e de alguns países estrangeiros estavam escalados para fazer a cobertura nas demais telecomunicações possíveis. Seria mais uma produção para alavancar seu reinado ou uma loucura de um esplêndido autor no ápice de seu sucesso?

Não era o primeiro e nem o segundo livro publicado por Martinez, mas todo esse alvoroçopor tratar-se de uma história especial. Muitos diziam que ele era um louco de pedra, mas para outros diziam com fé que se tratava de uma realidade paralela por conta de suas teorias e alguns julgavam que podia ser o destino a seu favor.

Erick desde sua primeira entrevista quando publicou sua obra pela editora — esta que não fez tanto sucesso assim —, falou de uma obra que havia lido há anos, no entanto, jurava de pés juntos que entrou na história de sua amiga e teve um romance com o coadjuvante. E toda vez que tocava no assunto, várias pessoas riam por não acreditar na história contada e indubitavelmente por ter escrito uma história sobre o seu romance imaginário.

Era loucura? Talvez, mas nada tirava da cabeça de Erick que uma hora iria encontrar a sua alma gêmea, por isso, estava disposto a publicar seu livro, onde relatava no passado dando desculpas para sua editora sobre que: "Não era a hora de mostrar ao mundo a minha fragilidade", sendo assim, frequentemente voltava com uma história diferente para os diretores, pois havia uma segunda opção para se trabalhar.

Claro que tudo que vinha de seu escritor valioso, os diretores não dispensavam, por este motivo, deixavam de lado sobre essa tal escrita que fizera no passado que o atormentava, porém, sempre relembrada quando algum repórter perguntava sobre qual obra tinha mais apreço e sempre tinha a mesma resposta: "Há um livro que normalmente falo que não foi publicado, tenho um apego muito grande. É sobre almas gêmeas, sonhei com ele, então essa é a minha obra preferida".

...

Erick veio de uma família humilde do interior de seu estado. A roça era sua diversão, assim como também o sustento de sua família. Não sabia ler até aos seus nove anos de idade. Quando sua mãe deu um basta no relacionamento abusivo que tinha com seu pai, saíram fugidos de madrugada para a capital.

O pequeno garoto sofreu muito nos primeiros dias vivendo numa praça com sua progenitora, pois a segurança ali não havia e nem comida, por isso temia por suas vidas, mas um padre os acolheu e lhe deu um novo lar.

O local era pequeno com apenas dois cômodos, mas para a pobre família, aquilo era tudo. O padre conseguiu com os fiéis de sua paróquia, faxina para mãe do garoto e para a criança, aulas e muitas palavras de Deus.

Foi dois anos morando e indo à igreja aos finais de semana, mas sua mãe teve uma proposta de emprego em outra cidade, assim foram morar em outro lugar.

Martinez obteve os seus estudos em casa, já que a patroa de sua mãe, — uma mulher muito influente na sociedade —, pagou professores particulares para ele, assim terminando o ensino fundamental um ano atrás dos demais garotos de sua idade.

O ensino médio foi feito em uma escola pública, já que a maravilhosa patroa de sua mãe havia falecido assim que terminou o fundamental, então a mais velha teve que sair do emprego e passou a vender lanches na rua, enquanto seu menino estudava o dia todo.

Erick não teve muitos amigos, pois não sabia como fazê-los, então passava a metade do tempo sozinho, quando conheceu Alice Bianchi, uma garota perspicaz e muito carismática.

Os adolescentes faziam tudo juntos e graças a mocinha ruivinha de cabelos cacheados, Erick gostou mais de sua adolescência. Todavia, Alice mudou de cidade no seu último ano letivo e mais uma vez, o menino dos olhos castanhos ficou sozinho. Foi aí que o moreno passou a escrever várias histórias aleatórias na última matéria em branco de seu caderno, fora as cartas que mandava para a pequena Bianchi que fazia questão de saber tudo que se passava na vida do garoto.

O inverno é a estação que o Martinez mais amava e como faltavam poucos dias para o fim das aulas, — apesar de ter passado —, tinha que ir à escola até cumprir a carga horária e no que resultava o dia todo no tédio. Apesar de que conversava com seus colegas, tudo era supérfluo, porque sua pequena Alice não estava ali com ele papeando por qualquer coisa ou até mesmo jogando algum jogo de tabuleiro. Ah, como ela fazia falta no seu cotidiano.

Os dias foram passando e por fim, as aulas terminaram. Erick só participou da colação de grau, já que para ele, não fazia sentido ter formatura, com o dinheiro gasto em um só dia, poderia deixar todas as contas em dia e com aprovação da mãe, o moreno optou ficar em casa com a querida genitora. A mulher fez um bolinho de cenoura com cobertura de chocolate, acompanhado de um suquinho de laranja para ambos comemorarem.

O ano seguinte foi tedioso, Erick estava em busca do primeiro emprego, então não pensava em uma faculdade específica, seu objetivo era apenas pagar as contas e se tudo desse certo, comprariam um terreno pequeno para dizer que era seu e de sua mãe, pois o aluguel de onde moravam estava cada vez mais caro.

Foi numa quarta-feira antes de ir para uma entrevista de emprego, o carteiro chamou por si. O moreno tinha duas certezas: ou era mais uma fatura para pagar, ou poderia ser mais uma carta de Alice que enviava toda semana sem falta, matando a saudade em letras bonitas com sentimentalismo exacerbado de sempre.

Ah, como amava sua fiel amiga.

A carta era bem grande dessa vez. A pequena ruiva além de mandar o envelope costumeiro, enviou um livro para o amigo, dizendo que havia publicado sua Fanfic pela primeira vez, contudo, como havia o problema dos direitos autorais do anime que usou para escrever, Bianchi apenas fez uma publicação de fãs para fãs, foi tudo impresso em uma gráfica local, onde tirou tudo do bolso para presentear alguns de seus leitores preferidos e Erick era um deles.

Erick deixou para ler depois que voltasse da entrevista e assim o fez.

A entrevista foi bem rápida, não tinha certeza se ficaria com a vaga de vendedor de sapatos, mas pelo menos tentou. Ao chegar em casa, tomou banho e deixou a água do macarrão no fogo, enquanto lia a carta da ruivinha que dizia estar feliz pelo seu livro, assim como estaria namorando um rapaz com a mesma idade que o amigo, — apenas um ano de diferença —, e perguntou do moreno se ele estava gostando de alguém, já que fazia três anos de amizade e o Erick nunca mencionou a respeito.

A pergunta veio que nem um baque para si, claro que sempre fazia essa pergunta: "Será que nunca vou gostar de alguém?", nem sabia se era hétero, só sabia dizer que gostava de pessoas, apenas isso, odiava a rotulação de um gênero, queria mesmo é ser livre e amar quem quisesse, nada mais que isso.

A ebulição indicava o ponto certo para sua macarronada, logo fez o seu almoço um tanto pensativo depois da indagação de sua amiga na carta. Poxa, estava quase com dezenove anos e nunca se interessou por ninguém, claro que achava alguns estudantes bonitos, porém, não passava disso. Então deixou para ler o livro após o cochilo e da procrastinação da tarde.

O livro não era tão grosso, assim como não era fino. Erick sabia que sua amiga escrevia Fanfics para algumas plataformas de autopublicação, mas nunca foi um leitor assíduo dela, gostava apenas das Originais, porém, quando se tratava de Cavaleiros do Zodíaco, a história mudava totalmente.

Era um romance hétero, cheio de doçuras e travessuras, havia personagens originais também, pela qual gostou de um: John Kerry. Ele é um soldado irritante e muito convencido, mas para o moreno, apesar de um simples coadjuvante, era muito melhor do que os protagonistas. Contudo, deixou isso de lado, até que aquilo aconteceu.

Era por volta das três da madrugada quando resolveu ler o livro pela terceira vez, como estava com insônia habitual, não seria mais justo reler algo que tanto gostou até cair no sono? Então foi isso que o jovem fez. Deitado bem e aconchegado, pegou o objeto de capa dura verde. O título do livro em dourado brilhante dizia: "Amor ou Guerra?", e em seguida dedilhou a primeira página e iniciou a leitura.

A narrativa tão conhecida por si, foi proferida quase em murmúrios, era a leitura que precisava no momento. A ventania do inverno fazia tremeliques em sua janela de vidro, os trovões um tanto assustadores podiam ser ouvidos até se estivesse abafando as orelhas com a almofada. O clima estava propício para o refúgio de sua alma, a conectividade que tinha ao ler era magnífica e quando a natureza lhe abençoou com um tempo chuvoso, nada justo em ser abraçado por um mundo totalmente fictício.

Seus olhos começaram a ficar turvos com o decorrer do tempo, pensou que poderia ser o sono e esfregou bem as pálpebras para tentar limpar a visão, mas nada funcionava. A chuva forte dava para ouvir ao fundo e sua cabeça girava, não só ela, tudo em sua volta também, quando tudo se apagou.

— Soldado, soldado, levante rápido! — Gritou alguém desconhecido.

Erick estava tonto, era muito barulho em sua volta, fora que tinha alguém puxando-o com brutalidade para levantar, mas este não parou de gritar consigo:

— Erick, você está me ouvindo? Acertaram o capitão, temos que ir até ele, precisamos pegar sua carta de despedida — o soldado à sua frente insistia em puxá-lo para cima e ele parecia muito familiar…

"John Kerry!".

Lembrou do personagem de sua amiga. O moreno estava muito confuso, contudo, deixou John guiá-lo, seja lá onde estava o capitão.

O soldado à sua frente estava igualmente descrito como sua amiga havia escrito. John Kerry era um pouco mais baixo que si, tinha olhos negros e cabelos da mesma cor, a pele levemente bronzeada, mas era mais claro que sua pele, tinha certeza que era um homem branco. Erick tinha em mente que estava dentro de um sonho, por estar perto do seu personagem favorito.

Olhou para o lado percebeu que estavam na praia, havia muitos salgados feridos em sua volta, assim como muitos mortos por todos os lugares. A água do mar se misturava com o sangue de uma pós batalha sangrenta e foi aí que a ficha caiu… Erick Martinez estava na guerra, igualmente a John Kerry que no final do livro foi embora para servir sua Pátria, deixando assim, a princesa Saori para seu melhor amigo Seiya.

— Não pode ser, estou na Guerra! Estou na continuação do livro!? — Indagava sem prestar a atenção no soldado que lhe repassava informações sobre o inimigo — não, não, isso só pode ser um sonho!

— Erick? Isso não é um sonho. Isso é uma guerra, já esqueceu? Ou foi por causa da bomba que caiu perto de ti? Você foi arremessado e quando caiu, bateu a cabeça violentamente nas pedras. — Parou de andar e tocou na cabeça do moreno. — Ah, não, está sangrando!

Erick não tinha percebido até o outro falar sobre. Tocou em sua cabeça e sentiu o líquido quente escorrendo, com isso a dor muito forte veio de supetão fazendo cambalear para trás. Sentiu-se fraco e agachou-se como se suas pernas fossem traí-lo e desse de encontro ao chão.

— John, por que estou ferido? — Perguntou gemendo de dor. John vendo a confusão nos olhos do seu parceiro de guerra, deu um suspiro prolongado e tentou dar uma breve explicação:

— Eu estava um pouco longe de ti, mas você estava tão obcecado em matar os inimigos, que nem prestou atenção nos Caças… Então quando lançaram as bombas, pensei que tinham te acertado! — Falou eufórico.

— Mas estou vivo — sorriu sem graça. — John, eu não quero te assustar, estou sangrando no peito também… cara 'tô todo lascado!

Erick passou a mão desesperadamente no peitoral por cima da farda. John explicou sem muito ânimo que Martinez havia o protegido antes das bombas serem lançadas entrando na sua frente, um ato impensado que fez questão de enfatizar.

— Okay, seu fracote, vou indo na frente e fique aqui me esperando. Vou atrás do corpo do capitão e logo busco a minha princesa para ser atendida na base provisória.

O moreno mostrou o dedo do meio e agradeceu o seu colega, que prosseguiu sem olhar para trás.

Martinez ao tocar a sua cabeça, sentiu a ausência de cabelo, já que sempre foi de ter cabelo maior do que os jovens de sua idade. O uniforme de soldado era pesada, talvez por estar molhada, porém não deixou de notar suas botas sujas de lama. Sua mão estava toda calejada e sua arma apoiada no seu ombro, não tinha notado ela até fazer uma vistoria em seu corpo.

O local era realmente um ambiente de guerra, homens gritavam de dores sendo puxados por seus colegas de combate. Outros estavam fechando os olhos dos combatentes que deram a sua vida ao país e em seguida pegavam as cartas ou qualquer acessório que havia em seus bolsos para dar às famílias enlutadas.

Era uma cena horrível nos olhos do moreno, que desejava acordar daquele terrível pesadelo. A dor que sentia era muito real para dizer que foi um simples sonho.

Algo estava muito estranho, Erick sentia que conhecia John Kerry há tempos, mas não conseguia lembrar de onde. Sua cabeça girava e parecia que seus pulmões estavam precisando mais de oxigênio, a dor no peito era pior do que sentia na cabeça. Foi então que resolveu desabotoar a sua farda. Para seu espanto, constatou ter levado dois tiros no peito esquerdo.

— Que merda. Preciso sair daqui.

Tentou andar, mas suas pernas estavam sem força e caiu lateralizado. Ao fundo, ouviu os gritos de John e junto dele, outros caras vinham ao seu encontro, a faixa branca com a cruz vermelha nos seus braços esquerdo indicavam que eram os socorristas.

Acordou com muita dor e ao olhar para o lado, viu John comendo sua comida enlatada. Ao perceber que o outro acordou, Kerry logo soltou a sua refeição em cima da mesa e em seguida deu um abraço desajeitado no amigo recém acordado.

— Você não faça mais isso comigo. Pensei que ia te perder por duas vezes só hoje! Para de ser fracote, senão não vamos morar juntos.

Para o espanto de Erick, John estava chorando.

— Morar?

— Também esqueceu disso? A gente prometeu que vamos sair da guerra vivos e iremos morar na roça… você realmente não se lembra disso?

O médico entrou em seguida, fazendo os dois se separarem rapidamente.

— Soldado Martinez, seus ferimentos ainda são graves, não faça muito esforço — ajeitou a bandagem na cabeça do ferido. — Você deu sorte, dois tiros acima do coração, como estamos drenando o líquido do seu pulmão desde que chegou na base, assim que for transferido, vai sobreviver.

Erick sentia muita dor, mas pôde ver o dreno que saia do seu tórax. O sangue saia através do tubo que caia numa espécie de frasco. A dor na cabeça era maior que aquela situação toda.

— Doutor, ele não lembra de nada que ocorreu depois que a bomba caiu perto dele. Isso vai ser para sempre?

— Erick, você não lembra de nada? — Perguntou, e viu o outro confirmar com um leve balançar de cabeça. — Nem seu nome?

— Lembro do meu nome e do John.

— Hum… isso é bom. O que mais?

— Lembro que estava em casa, lendo o livro que a minha amiga me deu, aí vim parar aqui! Ah, aliás, John era o coadjuvante na história dela.

Os outros dois entreolharam-se e em seguida o médico proferiu:

— Vou te dar um medicamento e você dormirá e quando acordar, estaremos em outro lugar pra fazer exame nessa cabeça aí.

O médico injetou algo no seu acesso venoso e logo foi tomado por um sono horrível. E antes de fechar os olhos, ouviu John dizer: "Erick, eu te amo, por favor, não se esqueça de mim…"

E se viu ser puxado para outra dimensão, o que achava ser.

Erick acordou com o barulho do galho da árvore batendo em sua janela. Tocou no seu peito e levantou a camisa apressadamente, constatou que era apenas um sonho, pois não tinha nada ali, mas quando sentiu o sangue escorrer pela sua face, os seus olhos arregalaram-se, estava realmente ferido.

Aquele mês foi difícil.

O moreno disse para sua mãe e sua amiga o que tinha acontecido, mas nenhuma das duas acreditaram. Alice passou dois dias na sua casa, preocupada. Contudo, levantou uma teoria que o jovem dos olhos acastanhados havia batido a cabeça na parede para se virar para dormir, mas foi tão forte que o jovem desmaiou, porém, não conseguia explicar sobre o "pesadelo" do amigo.

Sua mãe achava que seu filho estava ficando louco, isso a entristecia, com isso o moreno deixou de falar sobre o que tinha ocorrido naquela madrugada com ele na frente dela.

O tempo foi passando e nada tirava da cabeça de Erick que tinha realmente entrado no livro de Alice. A jovem persistia em dizer que não tinha nada para escrever sobre um mero personagem que nem era um antagonista em sua história, sempre enfatizava que seu amigo se apegou muito no John, por isso do sonho ou sei lá o quê que o amigo dizia para explicar toda aquela narração estranha.

Depois de cinco meses, Erick teve um sonho, que aliás, ele tinha certeza que era um sonho mesmo e isso o assustou. Da escala de zero a dez, com certeza obteve a maior pontuação.

Aline estava deitada na cama, feliz como sempre. Ela estava feliz porque seu amigo tinha conseguido um emprego em uma editora boa, claro que não era como escritor ou nada do tipo, seu trabalho era de limpar os escritórios e os banheiros, como a ruivinha amava sonhar alto, logo dizia que Erick poderia lançar um livro por lá se ganhasse confiança deles e o moreno destacou a possibilidade caso escrevesse algo sério futuramente. E na mesma noite, sonhou com John.

Ele não lembrava do sonho completamente, mas lembrou de ver o baixinho o abraçando e dizendo que ia ficar tudo bem. Davam beijos e abraços apertados e proferiram palavras de amor, no entanto, Kerry estava desaparecendo e antes de sumir, disse seu nome completo: John Kerry Milani.

Acordou naquela noite aos prantos no colchão no chão, Aline que dormiu em sua cama, acordou alarmada e pulou para o lado de seu amigo para confortá-lo, foi aí que ficou sem palavras ao descobrir o nome completo de John, já que na sua história só relatara o primeiro nome, isso perturbou tanto ela e assim como o mais velho. Ele sentia como se realmente tivesse perdido alguém, era visível ao observar as suas lágrimas caindo e a boca tremendo ao contar o sonho, a ruivinha constatou que aquilo poderia sim ser uma história de almas gêmeas.

E com isso o moreno escreveu sobre esse sonho, sobre a sua alma gêmea. Contudo, perdeu a coragem ao pedir para os funcionários da editora darem uma olhada, então escreveu algo sobre seres sobrenaturais e satisfez o diretor que o contratou. Apesar de que não fez tanto sucesso por ser novo no ramo, a sua segunda publicação obteve ótimos resultados, o patrocínio que recebeu devidas as publicidades que fez, decolou a sua carreira e assim como sua vida financeira.

O escritor milionário amava contar sua história. Teve até documentários de sua vida na época da roça, até agora no ápice de seu sucesso. Sua mãe vivia uma vida de rainha, assim como seu padrasto que entrou na vida deles, antes mesmo de o autor trabalhar na editora. Foi o pai que sempre quis e graças a esse relacionamento, Erick tem uma irmã já na fase da pré adolescência, sua princesa Elizabeth era muito mimada por ele.

Os relacionamentos amorosos do autor nunca foram duradouro, sempre discreto, a mídia mal sabia quem ele se envolvia, odiava a exposição exacerbada de sua vida privada. Ainda acreditava em alma gêmea e esperava por ela, tinha fé que logo encontraria alguém para amar de verdade.

Ao sair de seu carro, checou suas mensagens e sua família já estava o esperando. O lançamento de sua obra seria numa livraria bem antiga de sua cidade, foi uma escolha bem difícil de se fazer, pois amava todas, mas tinha que ser a primeira que vendeu todos os seus livros assim que começou no ramo.

Erick passou pelo tapete vermelho que o local havia colocado para ele passar. Os paparazzis sedentos não perdiam um clique sequer. No lado de dentro havia muitas pessoas, mas diferente de fora, todos ali eram repórteres e convidados. Sua família foi ao seu encontro antes da coletiva, e minutos depois começou o lançamento. Martinez pegou o microfone e deu uma palinha sobre o seu livro:

— Como havia falado há muitos anos, a história nasceu depois de uma aventura minha e em seguida tive um sonho que acarretou a essa história.

— Por qual motivo você quis postar a agora, depois de tanto tempo? — Perguntou uma repórter.

— Estou na casa dos meus trinta e poucos anos, então percebi que era a hora, simplesmente assim.

— Fale mais sobre o livro e seu ligamento com ela.

— O livro tem muito de mim, assim como deve ter um poucos de vocês. A história se baseia em um personagem, já conhecido por mim, mudei para James Louis, mas deixei meu nome Erick Martinez como seu parceiro na trama. Ambos são fuzileiros navais, vão muito além de uma guerra, eles vão contra a sociedade, de que sim, existem homens gays em todo lugar. Os homens por gostar de homens, não deixam de ser quem são, assim como fazem seus deveres como qualquer outro. É o melodrama naval, como sabem, eu raramente dou finais felizes, então nesse caso, saberão quando lerem…

E continuou a falar sobre o livro. O lançamento da pré-venda foi um sucesso, assim como a oficial.

No mesmo dia, um dos entrevistadores perguntou quem seria James Louis na vida real, ou sei lá o que. Em uma resposta direta proferiu o nome completo de John, e em seguida, fãs e mídias foram em busca desse ser. E em uma semana depois, descobriram quem era o cara que deixava Martinez pertubado, e deixou Erick atônito. Não quis saber na hora e nem saber mais nada sobre Kerry, só soube de antemão que ele foi real sim, porém, queria ele mesmo ir até o seu encontro.

O cemitério estava vazio, por ser cedo, achou melhor assim. O céu estava lindo, o Sol já predominava naquela parte da manhã um tanto triste para si. O que chegou nos seus ouvidos foi que John Kerry Milani jazia naquele local. Um leitor havia ido visitar o túmulo de seu avô e quando virou para a sepultura ao lado, deu de cara com o nome que o seu autor preferido havia falado. Claro que a mídia caiu em cima, descobriram também que o jovem morreu após uma guerra.

Ao encontrar o túmulo antigo, viu a foto de John Kerry, ele era igualzinho ao que tinha vivido naquele livro: os olhos negros, os cabelos da mesma cor e a farda que usava na guerra, apesar de ser uma fotografia muito antiga, parecia muito preservada.

As lágrimas caíam sem parar e seu coração acelerado denunciava o quanto estava mexido.

— O que foi aquilo? Aquele sonho que tive? Entrei mesmo no livro? Será que foi a minha vida passada que visitei? Eu não tenho mais resposta para isso, John… — Conversava com túmulo que estava se deteriorando com o tempo. — Íamos morar juntos mesmo?

Uma ventania se fez presente e Erick sentiu alguém atrás de si, um arrepio deu em suas costas e teve uma leve sensação de que estava sendo abraçado por alguém.

— Esperei tanto por você e você veio… — Murmurou John.

As lágrimas caíam sem parar e pela primeira vez, um autor rico em vocabulários ficou sem palavras.

— Obrigado por ter vindo, fracote! E não se apresse, logo mais iremos nos encontrar e iremos morar juntos. Nossos planos irão se concretizar, mesmo que tenha demorado uns setenta anos. Sabe o porquê te esperei por tanto tempo? O meu amor por você nunca morreu, assim como amor tem por mim... Almas gêmeas nunca tendem a dizer adeus Erick, por isso que você está aqui!



FIM



Edit: 23/04/2021 às 19:35 (horário local): Gostaria de dizer que pretendo postar um extra, se os embaixadores me permitirem, quero contar o lado de John Kerry, seria muito interessante se vocês quisessem também ♡

Escrevi para esse desafio em 24h, nunca pensei que fosse querer participar, mas como sou imprevisível e impulsiva acabei me metendo em algo que pensei que não poderia entregar a tempo, mesmo que não desse, ficaria feliz do mesmo jeito.

À proposta da história seria que você, que está lendo, imaginasse a cidade/país em que os personagens se encontram, assim como a guerra também, para quem leu a versão NÃO REVISADA, vai perceber que coloquei algumas palavras e assim complementei o final, pois é gente, a minha nota foi dada pelo primeiro comentário que tive, então os avaliadores viram os erros, pois não tive como revisar (tô conformada e não tô chorando T^T).

Sabe que já é punk escrever pelo celular, imagina revisar? Parece que a gente fica cego.

Só poderei fazer AQUELA REVISÃO DE TCC (risos) quando tiver um notebook (que não será tão cedo, o choro é livre).

Peço perdão pelos erros que persistem, mas já disse os motivos acima.

Obrigada pelo carinho de todos, foi muito bom ter participado, os embaixadores são maravilhosos e apontam os erros tão gentilmente que a gente fica: "DAREI O MEU MELHOR DÁ PRÓXIMA VEZ, SHINZOU WO SASAGEYO!"

Fiz uma capa nova também, assim como a sinopse ♡


Até o extra ~

24 de Abril de 2021 a las 02:59 8 Reporte Insertar Seguir historia
7
Fin

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Janaína Baraúna Apenas rabiscando uma folha sem fim...

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Olá, Janaína! Primeiramente, gostaríamos de agradecer a sua participação no #cheirodelivro! Ter vocês, autores, nos apoiando com suas histórias incríveis e participando ativamente deste desafio nos deixou realmente felizes. Confessamos que não esperávamos encontrar um romance surgido da aventura proposta pelo desafio #cheirodelivro e foi aí que vários autores nos surpreenderam, inclusive você. Acompanhar o desenrolar da história do Erick, como ele superou as adversidades e como encontrou o amor da vida dele foi realmente emocionante. Depois que vimos tudo o que aconteceu, já tínhamos perdido as esperanças e estávamos de coração partido pelo Erick, mas então você nos mostra aquele final lindo, explicando-nos o sentido por detrás do título da sua história, tocando nossos corações. A proposta do desafio era que o personagem entrasse dentro do seu livro e acabasse vivendo assim uma aventura e você trouxe isso de uma forma inusitada e surpreendente ao colocar um romance e até mesmo o fato de que ele chegou na história durante a guerra. A história se desenvolve, sobretudo, ao redor do personagem principal, Erick, e seu grande amor, que ele pensa ser um personagem fictício durante mais da metade da história. Contudo, os personagens secundários tem seu destaque na narrativa, ajudando-nos a construir melhor o perfil do protagonista, que desde o princípio mostra-se alguém recluso, que pouco acreditava no amor. John, a metade da laranja de Erick, também cativa o leitor com sua doçura, tecendo então o romance entre os personagens, equilibrando a realidade e a ficção. A narrativa consegue ambientar bem o leitor, apesar de não se aprofundar muito nos descritivos de cenário, não há confusão em relação ao tempo, sequer ao ambiente ao qual estamos sendo introduzidos, e essa é uma característica fundamental para que a história seja coesa. Com relação à gramática e ortografia, gostaríamos de aconselhá-la a acompanhar os artigos do blog Esquadrão da Revisão, no nosso perfil. Esse é um blog voltado à nossa língua e às regras gramaticais dele e temos certeza de que poderá te ajudar a crescer ainda mais na sua escrita. Você nos presenteou com uma aventura e romance de tirar o fôlego! A história de Erick e John nos toca, acendendo a centelha de esperança daqueles que já haviam desacreditado de almas gêmeas. Seu conto consegue resgatar essa essência adormecida envolta por romance, e nos deixa de coração quentinho com a cena final. Obrigada pela sua participação, foi muito bom poder contar com você neste desafio e esperamos que nos agracie com suas obras em outros. Os resultados serão divulgados em breve nas nossas mídias sociais. Fique de olho e boa sorte!
April 23, 2021, 22:31

  • Janaína  Baraúna Janaína Baraúna
    Eu preciso dar os meus parabéns pela equipe da embaixada brasileira. A motivação que vocês dão para os participantes, assim dão para os usuários em geral, é de suma importância, onde estamos em tempos difíceis e acabamos a ficar um poucos mais emocionados (?) Não conseguirei dar uma resposta tão maravilhosa por esse comentário magnífico ❤ Quem fez essa resenha tem que estar num pedestal, se não tiver, fica tranquilo(a) você está no meu ❤ Capitou TUDO! Fico muito feliz por a minha história ter alcançado várias coisas. Sei que a gramática que pegou muito na avaliação, eu não revisei nada, poderia ter feito sim no dia 22, mas a minha mente estava tão cansada, deixei para fazer no dia 23, mas também não foi AQUELA revisada, pois estou sem notebook... cansada dessa vida de pobre e que cada dia as coisas vão quebrando só porque estou desempregada T^T Vou seguir os blogs, eu já faço isso no meu outro perfil, vivo até comentando nas novas publicações, sério eu vivo com dúvidas e incrível que pareça já tenho mais perguntas a se fazer kkkkkkk Voltando... Eu fiz uma revisão, assim como mudei a sinopse e a capa. Até o diálogo final acrescentei umas coisinhas. Gostaria de saber se posso fazer um extra? Preciso MUITO falar sobre o John, falei muito de Erick, então preciso dar um final digno para a trama. Confesso que fiquei preocupada com várias coisas com a minha história por se tratar de Originais, sou acostumada com fanfics, então na Original pega muito, ambientação e características dos personagens, já que é novo pra eu lidar com isso. Quero muito aprimorar, então preciso praticar. Obrigada pela oportunidade, sou muito grata pelos feedbacks e toques para o meu aprimoramento, só tenho gratidão ❤❤❤ April 24, 2021, 04:32
amy 高 amy 高
Olá, Janaína! Tudo bem? ♡ Eu gostei muito da forma como você interligou Erick e John, verdadeiras almas gêmeas pelo que se prova no decorrer da história. Não somente John esteve no livro, talvez uma coincidência, talvez um golpe do destino, como foi uma pessoal real! Fiquei tão contente e surpresa com essa afirmação, e o final então... foi de derreter o coração feito manteiga na frigideira: perfeito! Fiquei toda docinha com a sua história, ai... Muito obrigada por ter participado do desafio #cheirodelivro! E meus parabéns pela sua história.
April 22, 2021, 23:23

  • Janaína  Baraúna Janaína Baraúna
    Amy, peço desculpas por você ter lido a história sem ter pelo menos sido revisada uma vez sequer. Fiz uma revisão e até completei o final (caso queira dar uma olhadinha *w*) Eles são realmente almas gêmeas ♡♡♡♡ Tipo, o livro de Erick fala que eles não tendem em se encantar, como se tivesse pulado uma geração, mas não é bem assim, John provou a ele que isso está cedo (lê-se ao título da história), não sei se pretende acompanhar, mas pretendo fazer um extra para falar do John e dar um final digno a história sem pressão nenhuma. Fico MUITO FELIZ DE CORAÇÃO PELO SEU COMENTÁRIO ❤ Sinto que meu esforço não foi em vão, apesar que não peguei nenhuma classificação, tô bem grata por ter escrito essa história ❤ E eu tenho que agradecer por ter lindo e principalmente comentando, anjo ❤❤❤ April 24, 2021, 03:51
Karimy Lubarino Karimy Lubarino
Gente, que coisa mais fofa essa história! Eu tô com o coração quentinho demais por causa desse final. Sem or hahahha Quando ele entrou no sonho, achei que ele ia acabar morrendo, cara, fiquei preocupada. E mesmo sem conhecer muito o John, a sensação que tive, depois do sonho, era de que ele esteve sempre na narrativa lado a lado do protagonista. Que loucura! Adorei ver a amizade da Alice, achei ela muito parceira. Tá uma delícia esse conto. Parabéns.
April 22, 2021, 14:57

  • Janaína  Baraúna Janaína Baraúna
    Apesar que tenho a minha primeira conta há um tempinho, ainda não sou muito assídua por aqui, acabei que cancelei a publicação do cap e publiquei novamente, enfim, eu só faço mer** Fiquei muito contente com o seu comentário, não sabe o quanto é importante para mim nesse momento, talvez eu tenha ficado entre os últimos, mas felizmente carrego no peito que: os últimos serão os primeiros U.u HAUAUAUUA Eu dei uma complementada no capítulo, assim como fiz no final (caso queira ver). Na verdade, eu queria uma coisa muito angst mesmo, choro para todos os lados, mas estamos em um período tão crítico que acabei mudando. Para ser sincera, queria ter matado o Erick no livro... mas na real, ele não morreu? (joguei no ar e saí correndo) Pretendo sim postar um extra, não sei se pode, quero dizer mais sobre o John. Eu amo tbm a Alice, ela é daquelas amigas do peito ♡ Obrigada pelo carinho, assim como os feedbacks por fora, assim fará eu crescer mais ainda ❤ April 24, 2021, 03:37
  • Karimy Lubarino Karimy Lubarino
    Eu amei a sua história. Achei que ela foi diferente e os personagens extremamente cativantes. Realmente espero ver você em outros desafios 💕. Com relação à mudança que gostaria de fazer, pode fazer, sim. Inclusive acho que você poderia deixar esse conto como um spin off pra uma história maior. Eu particularmente acho que esses dois mais do que merecem o final feliz deles. E PELO AMOR NÃO DIZ QUE ESSE NENÉM MORREU 😪. Não faz essa maldade comigo hahaha. Mil beijos 💖. April 24, 2021, 13:06
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