mari-tagarro Sandy Lane

Uma mulher vivendo em um casamento cheio de agressões e traições, está prostrada e sem esperança, mas talvez a vida possa voltar a sorrir para ela.


Cuento Todo público.

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Capítulo Único

Compras no supermercado em mais um dia de calor. Queijo, leite, carne, pão, legumes, frutas, tem de se apressar, o mercado está cheio, precisa chegar cedo em casa, ainda tem que preparar o almoço, o marido chega pontualmente ao meio dia e detesta atrasos.

Da última vez que ficou bravo, ela levou uma garfada na mão para ver se ficava mais atenta.

Apressada, ansiosa e aborrecida com a morosidade da caixa, ela paga e sai tão rápido que quase esquece de pegar o troco.

Muitas sacolas na mão, a mulher vai para casa, prepara automaticamente o almoço, não precisava caprichar, apenas alimentar um marido que mal prestava atenção nas coisas, ele só queria preencher um vazio no estômago, mas não sabia que certos vazios não se preenchem com comida.

Tudo quentinho e fresquinho, o marido não elogia, mas também não briga e nem castiga, o que é um alívio. Ele só reclama do chefe e ela finge que se importa com isso.

O marido continua a reclamar do trânsito, da fila no banco, do pouco salário que achava que recebia pra fazer muito, dos colegas de trabalho, de tudo. Ela segue mexendo com o garfo na salada, já aprendeu que o marido não tinha muita paciência para ouvir as opiniões dela, a voz dela frequentemente o irritava.

Olhando para o verde da alface e o vermelho tão bonito do tomate, ela pensa no porquê de ter se casado.

Está certo que há anos atrás, quando ela ainda era bonita, jovem e atraente, ele não a xingava, ofendia e lhe dava pontapés. Fora uma mulher capaz de atrair qualquer homem, ela sabia, ela via suas fotos antigas de vez em quando, mas agora ela só tinha um sorriso triste e um ar cansado para exibir. A sua vontade era de dormir, dormir e dormir, dormir até o infinito. Dormindo ela não tinha que usar roupas de mangas compridas e saias longas para esconder hematomas e sua maquiagem servia para realçar a sua beleza, não para ocultar um olho roxo.

O mundo dos sonhos era interessante, lá ela sorria, lá ela não perdia um bebê ao acidentalmente tropeçar e cair após levar algumas fortes sacudidas e alguns safanões. Nesse mundo, o marido não lhe dizia que fora até melhor, ela era muito burra para cuidar de crianças e ela precisava de todo tempo disponível para se dedicar à ele, àquele casamento, àquela casa.

O olhar dela volta ao presente ao sentir um perfume mais doce vindo do marido. Ele costuma ter outros cheiros femininos que não vem da esposa, mas nem isso a incomoda mais, só tinha uma única curiosidade: será que as mãos dele atingiam em cheio os rostos delas por ele precisar ensinar como uma mulher deve se comportar diante de um homem?


O marido sai correndo, não pode chegar atrasado no trabalho porque o maldito chefe conta os minutos, o que o punha fora de si, mas por sorte naquele dia ele não lembra de descontar na esposa as suas frustrações diárias. É um homem ocupado, afinal de contas.


Quando lhe contam a triste notícia, pelo menos triste para um consternado chefe de departamento, a mulher precisa segurar a vontade de rir.

O marido descera afobado do ônibus lotado, esbarrando em todo mundo, tropeçara no último degrau, caindo no chão e quebrando o pescoço. Assim. Do nada e instantâneo. Um dia estamos aqui e no outro não estamos.

E ela, de olhos fechados, com a mão comprimindo a boca com força, só pensa que foi um jeito muito idiota de morrer. Sabia que o marido achava que teria uma morte gloriosa, justo ele, o homem mais importante do universo. Infelizmente para ele, o Universo não compartilhava tal opinião.


E após o enterro, ela se olha no espelho, limpando todo o rosto, jogando a roupa preta no chão, olhando para o seu corpo nu e sorri, porque sabe que agora todos aqueles hematomas vão sumir e nunca mais voltar, porque ela jamais iria permitir que ninguém mais a tratasse assim.


A vida finalmente fizera uma aliança com ela.


fim



17 de Febrero de 2021 a las 01:24 0 Reporte Insertar Seguir historia
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Fin

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Sandy Lane Escrevo para não surtar.

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