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Um dragão de duas cabeças e dois pontos de vista diferentes, de dois cavaleiros distintos. Quem sairá vencedor? Ou terá algum vencedor mesmo?


Fantasía Sólo para mayores de 18.

#TheTwoHeadedDragon #theauthorscup
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Ademir

Está quente aqui. O calor que emana da lava torna tudo mais difícil. Meus movimentos estão limitados por conta do cansaço e calor, por esse motivo meu adversário parece estar se divertindo vendo minha derrota iminente. Certamente não foi uma boa ideia lutar dentro desta masmorra. Não sabíamos que ela ficava em cima de um vulcão que, até então, era inativo.

Com minhas últimas forças tentei bloquear as investidas de meu inimigo e, com o choque de nossas espadas, consegui empurrá-lo para trás. Agora que posso ver melhor, ele parece tão cansado quanto eu. Realmente esta luta está chegando ao seu fim. Um de nós sairá vivo, enquanto o outro queimará nas lavas deste lugar.

Quando tudo parecia estar caminhando para o fim, ouço um barulho alto. Aparentava serem passos de algo enorme, que fazia o chão tremer sob nossos pés. O que quer que seja, está furioso por estarmos aqui, pois seu urro com certeza assusta até o mais bravo cavaleiro.

Empunhando minha espada, virei na direção de onde ouvi o som. O homem com quem eu lutava fez a mesma coisa. Ficamos em guarda até conseguirmos ver a criatura. Um dragão de duas cabeças gigantesco; que chegava a esbarrar no teto, fazendo cair várias pedras no caminho por onde passava; com suas escamas acinzentadas; olhos amarelos como o ouro e asas enormes que esbarravam em todos os lugares por onde passava, surgiu na nossa frente.

“Parece que teremos que adiar nossa luta para mais tarde.”

“Sim. Vamos lidar primeiro com o grandão ali. Depois eu acabo com você.”

“Vai sonhando cara. Eu ia te matar se não fosse esse dragão horrendo.”

Paramos de discutir quando, de repente, uma das cabeças avançou contra nós, tentando nos abocanhar. Com o susto, demos vários passos para trás, a fim de evitar a nossa morte. Confesso que não foi uma ideia muito inteligente, afinal, um pouco mais atrás havia um lago de lava efervescente. Para ser honesto, não quero tomar um banho nesse lago.

Vi o outro homem avançar em direção a cabeça que nos atacou. Ele provavelmente está pensando que é fácil decepar a cabeça de um dragão. Ao observar melhor o cenário à minha frente, notei que a outra cabeça estava se movendo em direção ao meu inimigo. Não irei deixá-lo morrer para um dragão. Quem vai matá-lo sou eu! Com isso em mente, corri em direção a outra cabeça e o defendi; para que ele terminasse seu ataque.

“Eu não preciso de ajuda! Eu sei me virar sozinho!”, o homem atrás de mim vociferou.

“Não vou deixar esse dragão matar você. Quem vai matá-lo sou eu.”

“‘Tá se achando muito pra quem estava quase morrendo.”

“Só estava me aquecendo.”

Após dizer isso, empurrei a cabeça do dragão para longe, ficando em guarda para caso ele tentasse atacar novamente. Meu “amigo” conseguiu desferir o golpe na outra cabeça, machucando-a um pouco. O corte foi tão minúsculo, que não era possível enxergá-lo à distância. Pelo seu aspecto, isso não chegou nem a doer. A outra cabeça lambeu o lugar da ferida, como se fizesse um carinho. Seria fofo se não estivéssemos prestes a morrer por essa criatura.

Enquanto isso olhei ao meu redor, procurando algo que pudéssemos usar para dar fim ao monstro. Se não fizermos algo rápido, duas coisas podem acontecer: o dragão nos vencer e nos devorar; ou acabarmos cozinhando na lava. Nenhuma das opções são boas.

“Vai ficar aí parado só olhando?”

“‘Tá falando comigo?”

“Não, ‘tô falando com o dragão ali. Claro que é com você merda!”

“‘Tô pensando Jorge. Cala a boca e para de chamar a atenção do dragão!”

“Você pensa demais Ademir! Só precisamos matá-lo e continuar de onde paramos!”

“Ao contrário de você, meu amigo, eu quero sair vivo daqui.”

“Amigo é o caramba! Fica aí pensando então. Eu vou atacar e acabar com isso logo!”

Fiquei parado em meu lugar e não dei muita atenção ao que Jorge falou. Quando vi, ele estava de frente com o dragão balançando a espada de um lado ao outro. O quão energúmeno ele é, a ponto de encarar a morte de frente? Deve ser muita vontade de ir abraçar o capeta, só pode. Pensando nisso, uma ideia surgiu em minha mente. Poderíamos atrair a criatura cinzenta para perto da lava e, de alguma forma, empurrá-la para dentro do lago efervescente.

A fim de contar meu plano, fui em direção ao Jorge, que estava lutando novamente com uma das cabeças. A outra viu que eu me aproximava e, rapidamente, pôs-se entre mim e a luta que rolava logo atrás. Assim fica difícil um diálogo. O calor já estava afetando ainda mais meus movimentos, dificultando minha defesa contra as investidas do dragão. Jorge não aparentava estar melhor que eu, levando golpes que facilmente desviaria, se estivesse em local apropriado. Se isso demorar mais um pouco, nós dois vamos virar comida de dragão. Enquanto me defendia, tentei gritar o plano ao Jorge.

“Cabeça de minhoca! Eu tenho um plano!”

“Cabeça de minhoca é sua mãe! O que você pensou? Demorou pra caralho hein?”

“Olha a boca energúmeno! O negócio é o seguinte”, dei uma pausa para respirar um pouco e focar na defesa. “vamos atrair essa coisa para perto da lava e, quando tivermos oportunidade, atacamos e empurramos ela para dentro do lago!”

“Eu achei que você tinha pensado em algo mais mirabolante Ademir. É sério que você ficou parado esse tempo todo, só para vir com essa ideia? Isso eu já tinha pensado faz tempo porra!”

“Oras então por que ‘tá demorando pra executar o plano?”

“Tu é cego? Olha o tamanho desse bicho!”

Passei a ignorá-lo para focar em trazer o dragão para mais perto da lava. Com dificuldade, consegui fazê-lo dar um passo à frente. Ao meu ver, essa criatura não come há alguns dias, pois seus ataques se assemelham aos de um javali faminto, pronto para devorar sua presa. Isso vai ser mais difícil do que imaginei.

Olhei para Jorge para ter uma ideia de como ele estava e, para minha surpresa, seu aspecto havia se alterado um pouco. Por conta do calor, o homem estava fadigado e não conseguia atacar com cem por cento do seu poder. Ele é um ótimo esgrimista; e vê-lo assim me faz ter um pouco de pena dele.

Quando voltei a focar na cabeça que me atacava, levei um empurrão dela, que foi o suficiente para me lançar contra uma parede próxima. Isso doeu a ponto de me deixar sem ar por alguns segundos. Tentei recuperar meu fôlego o mais rápido possível, porque o dragão estava prestes a me atacar novamente. A dificuldade de juntar ar nos pulmões é grande por conta do calor, segurar a espada adequadamente era uma tarefa quase impossível também, pois ela escorregava devido ao suor.

Ao se mover, o gigante corpo do dragão esbarrou no teto da masmorra novamente, fazendo com que várias pedras se soltassem. Isso dificultava um pouco o plano, que já não estava sendo executado como deveria. Mais uma vez olhei para Jorge que, para minha surpresa de novo, havia conseguido abrir vantagem no ataque, por conta das pedras que acertaram a outra cabeça. Acho que não preciso me preocupar com ele, já que o cara tem mais sorte do que imaginei.

Voltei minha atenção à cabeça que avançava sobre mim. Ela aparentava estar realmente com fome, já que a enorme boca dela estava aberta e vindo em minha direção. Com dificuldade, consegui me jogar para o lado, evitando um ataque mortal. Tive um vislumbre dos dentes afiados e, se isso me acertasse, seria morte na certa. Com minha espada eu avancei. Decidi não ficar somente me defendendo, pois isso não chegaria a lugar nenhum.

“Ae cabeça de bagre, resolveu se mexer?”

“Não me perturbe Jorge, ‘tô ocupado!”

“Cara você ‘tá só o pó hein? Quer uma ajudinha?”

“Foque na cabeça que ‘tá te atacando. Eu sei me virar sozinho!”

“Ok então, já que insiste… Cuidado para não ser devorado! Quem vai te matar sou eu!”

“Não vou perder para nenhum dos dois.”

Após falar isso continuei avançando e, com as forças que me restavam, consegui desferir um golpe bem no olho direito. Isso fez com que a criatura se afastasse um pouco, indo em direção ao lado. O vapor estava tornando as coisas mais difíceis a cada instante, mas esse golpe me deu a esperança que eu precisava. Olhei de soslaio para Jorge. Seu semblante estava cansado, porém expressava raiva também. Acho que é por isso que ele continua firme e forte nesta luta. Quanto mais raiva ele tem, mais ataques ele consegue dar. Isso vai ficar interessante.

Enquanto eu divagava, não notei a presença da cabeça que acabei de ferir. Aproveitando minha distração, ela me golpeou novamente, me jogando para perto do lago de lava. Atordoado, não sabia o que fazer. Minha cabeça girava e girava, não dando tempo para raciocinar ou me mover. Pensando que este fosse meu fim, eu desisti de tentar fazer algo. Eu esperei a mastigada do dragão, que nunca veio. Quando abri os olhos, Jorge havia me defendido do golpe fatal do dragão.

“Seu idiota! Eu não falei que quem iria matar você sou eu?”

“Jorge? E a outra cabeça? ‘Tá ficando maluco?”

“Aquela já foi pro saco. Falta só essa daqui, que você não deu conta sozinho.”

“Eu ia conseguir vencê-la também, viu? Só precisava de mais tempo!”

“Claro, claro. Se desse mais tempo à você, viraria churrasco nas mãos desse dragão. Pare de ser orgulhoso e agradeça.”

“Não ‘tô sendo orgulhoso porra… Mas obrigado pela ajuda.”

“Você vai viver por mais algumas horinhas. Eu dou esse privilégio à você.”

“Virou algum tipo de deus agora?”

“Não. Só virei alguém que irá te matar com as próprias mãos.”

“Ok, ok. Vamos acabar logo com isso.”

Peguei minha espada e coloquei-me em pé. Com dificuldades, consegui uma postura e um ângulo que me possibilitava acertar o dragão com um golpe que o machucaria bastante. Não era forte o suficiente para matar, mas era o suficiente para deixá-lo cego do olho direito definitivamente. Peguei impulso e, sem pensar duas vezes, corri em direção a criatura.

Quando acertei entrei em choque. Ao invés de acertar o monstro, acabei acertando Jorge, que foi empurrado para trás bem na hora do golpe. Minha espada acertou em seu peito, fazendo jorrar sangue em mim e no dragão. Eu não conseguia fazer mais nada, pois Jorge estava caído no chão na minha frente, tentando ao máximo continuar respirando.

“Ei…”, ouvi o homem falando em um sussurro, com dificuldades para falar.

“Não diga nada por favor. Eu tenho um kit de ervas medicinais, tenho certeza de que você sairá vivo dessa.”

“Não fale abobrinha, seu cabeça de ameba. Agora… Me escute… Fuja daqui… Fuja enquanto pode…”

“Não vou fugir sem você. Lembra que prometemos duelar?”

“Você… Você já venceu… Não… Tenho muito tempo…”

“Não quero vencer desse jeito! Isso foi um acidente! Não quero que isso termine assim!”

“Não temos o… O que fazer Ademir. Só vá embora e me deixe aqui!”

“Jamais farei algo assim. Você é meu inimigo, mas sou um homem honrado. Não deixarei que morra aqui desse jeito.”

Dito isso me coloquei em posição de ataque novamente. Eu não vou deixar as coisas terminarem assim. Se for para matar Jorge, que seja através de uma batalha digna e honrada. Morrer nas garras desse monstro definitivamente não é digno. Preparei-me para dar outro golpe no olho esquerdo, fazendo assim essa cabeça ficar parcialmente cega. O outro olho estava ferido, mas não o suficiente para sua visão se extinguir. Suado, cansado e com raiva, avancei sobre a criatura com minhas últimas forças. Esse era o golpe definitivo. Preciso terminar isso logo para ajudar Jorge, antes que algo pior aconteça.

Quando fui aceitar o olho do dragão, a outra cabeça se levantou e, no último instante, arremessou-me para trás, me fazendo cair no lago borbulhante. Aquilo foi a sensação mais horrível que senti na vida: minha pele toda estava derretendo como se fosse queijo; o ferro da minha armadura grudava em mim, fazendo a sensação ficar pior ainda; minha voz já não saía mais, já que a lava queimou minhas cordas vocais também. A última coisa que vi antes de morrer, foi Jorge sorrindo fracamente para mim, enquanto uma das cabeças se aproximava de seu corpo. Não sei o que significa, mas com certeza nenhum de nós saiu vitorioso nessa batalha.

12 de Noviembre de 2020 a las 18:30 0 Reporte Insertar Seguir historia
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