missunofirework miss wei

O príncipe herdeiro, Jeongguk, fadado a ser hétero e feliz, conhece um garoto aos doze anos. Taehyung é um órfão, que devido à guerra, é designado pela Rainha a servir ao Clero. Será um padre, é seu destino. E Jeongguk, será rei. Naturalmente, precisa de uma esposa. Mas ao invés de procurar por uma, Jeongguk passa seu tempo livre perseguindo o padre de vinte e um anos pelo Palácio, tentando seduzi-lo. Os dois se amam e se odeiam ao mesmo tempo. Mas estão em uma situação mais complicada do que era para ser. Se conheceram aos doze anos, mas não conseguem se esquecer. shortfic | twoshot | tae bottom


Fanfiction Bandas/Cantantes Sólo para mayores de 18.

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Um de dois

Olá! Anos atrás doei este plot para um projeto taekook no Spirit, mas ninguém me deu feedback de que o plot iria ser desenvolvido, e nunca mais soube também sobre o que aconteceu. Enfim, se souberem de algo, fico grata se me avisarem. Mas o plot foi criado por mim. Ademais, deixo aqui duas explicações que achei melhor colocar antes de lerem:


- Eu uso aqui o termo Clero real, o que pode ser contraditório se levarmos em consideração a pirâmide europeia utilizada antes da Revolução Francesa. Ah, missunofirework, como assim europeia? Usei como inspiração~. Enfim, na pirâmide citada temos o Clero em primeiro lugar, depois a Nobreza, depois o "resto" (camponeses e servos). Essa pirâmide supõe que o Clero não deveria depender da Nobreza, como depende aqui, a não ser se falamos de um sistema de padroado. Mas não há muito segredo por trás. Criei meu próprio mundinho.


- Isso também se aplica ao contexto histórico da estória. Quem ler irá provavelmente se perguntar se estamos em algum século passado ou na atualidade. Nem a autora sabe. Criei, mais uma vez, o meu mundinho. Boa leitura.


tenues&sacris

Uma deixa. A missa privada da família real no domingo de manhã finalmente finda, quando Taehyung sai de mansinho para a traseira da catedral real para mudar sua vestimenta e se ver livre daquela tensão.


Os olhos contrastantes e felinos do príncipe herdeiro o encarando por duas inteiras horas do primeiro banco da igreja. É a memória que está lhe deixando irritado. E desconfortável. O fardo de ter de aguentar a pressão silenciosa que o comportamento inquietante de um membro da família real, aquela a quem serve, lhe causa. Por esse motivo, Taehyung não tem voz. Taehyung não pôde falar nada nos últimos anos quando o príncipe vinha e fazia-o sentir como uma presa. Quantos deles? Há quantos anos já? Nem mesmo ele sabe mais.


Taehyung ficou órfão aos dez anos com a Guerra da Lacuna. O país vizinho esteve em guerra por mais de sete anos com o reino dos Jeon, o que significava que desde que Taehyung se entendia por gente, havia a incerteza de se sobreviver ao dia seguinte. Fome em vários lugares. Mortes causadas pela guerra todos os dias. E sobreviventes, em qual categoria seus pais e ele se encaixaram até o último ano daquele inferno, quando sua aldeia toda foi aniquilada por inúmeras queimadas na madrugada.


Os poucos sobreviventes, cinco ao todo, incluindo duas crianças, uma mulher grávida, salva pelo esposo, um homem de meia idade e um jovem de cerca de vinte anos, foram resgatados pela guarda real e trazidos ao palácio. Taehyung era uma das crianças. Em retorno, todos passaram a prestar favores ao Rei e à Rainha. Dois deles foram designados para servirem ao Clero real. A mulher grávida e sua filha tiveram tratamento especial da Rainha, e ficaram sob seus cuidados até que a mulher pudesse trabalhar como alfaiata real, e sua filha fosse recebida como criada da princesa. O homem de meia idade passou a trabalhar como jardineiro. E o jovem, foi para a Cozinha do Palácio Tenues.


Servos. Resgatados e sobreviventes graças à boa ação do Reino Jeon. Isso era suficiente para que todos jurassem lealdade ao Rei.


E é exatamente por isso que o príncipe o irrita, apesar que Taehyung só pensa isso, e nunca seria capaz de realmente expressar tal sentimento ao príncipe. O príncipe sabe que Taehyung não pode fazer muito quando ele vem e o provoca com um mero contato físico, pois ele é leal ao Rei e à Rainha, leal ao Reinado Jeon, e os respeita, ou no caso do príncipe herdeiro, tenta fazê-lo. Portanto, Taehyung sabe que antes mesmo de sequer cogitar a ideia de insultar o príncipe, ele deve considerar seu lugar de subordinado e filho de Deus. Pessoas que pretendiam serem próximas das boas ações de Jesus Cristo não deveriam ter o pavio tão curto com ninguém, muito menos com um membro da realeza.


O príncipe é ousado e Taehyung odeia isso. Viver na área do Clero real por mais de dez anos lhe fez entender que as coisas por detrás dos panos eram muito diferentes do que ver cada um daqueles padres rezando uma missa. Taehyung conhecia histórias demais, e rezava por suas almas todos os dias ao se deitar, mas era especialmente por saber que não eram inocentes, e saber que se enquadrava nessa categoria de não inocentes junto ao príncipe, que ele suspirava nesse exato momento. Então sim, Taehyung rezava por si mesmo, principalmente.


Estou perdido, ele pensou. O príncipe vai me alcançar mais cedo ou mais tarde. Como me livro dessa? A Rainha cortaria minha cabeça fora caso contasse a ela o que anda acontecendo.


Vou morrer, ele pensou.


Não, não vou morrer. Deus decide meu destino. O príncipe não é capaz de me matar. O príncipe não é capaz...


Antes que pudesse completar sua frase, Taehyung foi pego de surpresa pelos passos que se fizeram audíveis ao seu lado. Seus olhos lotados, que se esforçavam tanto nos últimos anos para não serem notados pelo príncipe, foram reforçados em sua fúria e desgosto com a vista que teve.


"O que está fazendo aqui?" seu tom era mais cruel e ofensivo do que seu interlocutor estava esperando que fosse. Um sorriso divertido dominou os lábios de seu remetente.


"Vim ajudá-lo a organizar a igreja. Estava à toa." Yoongi se aproximou de seu amigo, colocando as taças de ouro dentro dos cofres reais.


Taehyung tinha algumas rugas na testa. Claro que seu amigo percebeu. Mas não perguntou sobre nada. Taehyung nunca falava sobre o que estava lhe incomodando, lidava com tudo sozinho. Perguntar algo a ele seria uma perda de tempo que Yoongi realmente gostaria de poupar.


"À toa... quero ser tão irresponsável quanto vocês na próxima vida para ser um padre real à toa." Taehyung quase rosnou. Yoongi estava surpreso, mas só riu.


"É só rezar menos. Fácil, fácil." o menor sorriu. Taehyung teve vontade de revirar os olhos. Mas no momento seguinte, percebeu todo seu desconcerto e parou por um instante para fechar os olhos e respirar fundo.


"Vou rezar um terço agora, acho que não tenho rezado o suficiente. Não me espere para o almoço." disse Taehyung, retirando sua batina branca e a colocando no cabide ao lado da porta. Mais tarde aquela roupa seria retirada e lavada pelas pessoas que trabalhavam para o Clero real.


Vendo seu amigo inquieto, realmente precisando de uma oração, Yoongi deu de ombros e se retirou da catedral. Em contrapartida, Taehyung pegou seu rosário em mãos, e desceu novamente para os bancos da igreja.


Na terceira fileira de bancos à direita, Taehyung encontrou seu lugar. Fez o sinal da Santíssima Trindade antes de se ajoelhar, e juntou suas mãos.


Fechou seus olhos e se pôs a rezar.


Os primeiros minutos foram tranquilos. Até Taehyung lembrar do que o trazia ali. Do príncipe. Da extrema astúcia do príncipe nesses últimos meses. Antes, Taehyung sentia que aquela simpatia de Vossa Alteza consigo mesmo era algo bom, e que o fato da Rainha permitir que brincassem no Palácio Tenues, o lugar em que dormiam, era um sinal de que confiavam em si.


Bem, ele só tinha doze anos na época. Logo depois o Seminário requereu que Taehyung dedicasse todo o seu tempo a Deus e às atividades da Igreja. Não houve mais brincadeiras de quem termina primeiro esse quebra-cabeça ou quem acerta mais o que o outro está desenhando, pois um príncipe e um garoto que veio da aldeia, salvo pelo Rei, e consequentemente em situação de servo, não poderiam ser amigos de verdade. Ambos tinham destinos diferentes.


Não se falaram propriamente mais, até que Taehyung se destacou nas aulas de latim aos quinze anos e conseguiu aprender uma língua primeiro que o príncipe. O rei achou que Taehyung poderia ajudá-lo, então lá foi Taehyung ao Palácio Tenues ensinar latim ao príncipe. No primeiro dia, não estudaram nada. O príncipe demonstrou tanto entusiasmo em ver Taehyung que ficaram conversando sobre música clássica e lugares secretos do Palácio, que Vossa Alteza havia descoberto, por duas inteiras horas. O padre em formação foi repreendido naquele dia pela própria Rainha, mas o principe realmente aprendeu latim depois. E os dois deixaram de se ver.


Taehyung não entendia porque o príncipe lhe diria sobre lugares até então secretos para si de repente. Não eram secretos mais. Levou menos de duas semanas para que Taehyung fosse explorar um dos cantos secretos do príncipe. Acabaram se encontrando. Conversaram, e sorriram, e brincaram nas árvores do jardim secreto até serem ouvidos pelo guarda oficial do príncipe, que lhe deu uma bronca pois sua roupa estava imunda e rasgada em alguns lugares.


Isso aconteceu uma penúltima vez antes da Rainha própria impedir ambos de se encontrarem novamente por um tempo. O teólogo real responsável pela tutela de Taehyung ouviu muito da Rainha. Seu comportamento não era digno de um futuro padre. E o comportamento de Jeon Jeongguk não era digno de um príncipe.


Mas, bem... me deixe contar qual foi esse último momento. Numa tarde, ambos se encontraram no pátio externo da Ala B do Palácio Sacris. O príncipe havia fugido das aulas de francês. Taehyung só estava respirando um ar no seu tempo livre depois de uma leitura conjunta de Tomás de Aquino, quando se surpreendeu com a vista do príncipe no seu cavalo, chegando no pátio da área do Clero, que ficava a aproximadamente dois quilômetros do Palácio Tenues, dentro da mesma área territorial, o Palácio dos Jeon.


Taehyung se lembra de toda a cena, e meio que sem querer, ali, ajoelhado na catedral real, ele começa a reproduzir aquele dia em sua cabeça.


"Vossa Alteza?" Taehyung, dezessete anos, se levanta do banco de concreto da fonte de água, reverenciando o príncipe, que desce de seu cavalo pela direita e o acaricia. O príncipe parece levemente cansado, abrindo um sorriso ao achar Taehyung, como se aquela corrida tivesse valido todo o tempo do mundo.


"Desculpe-me, Zoon. Por tê-lo feito correr tanto... beba essa água," o príncipe se aproximou da fonte, que estava atrás de Taehyung, sorrindo ao ver seu cavalo se hidratar.

Taehyung estava perplexo com a cena. O príncipe. Seu cavalo real. Bebendo água da fonte do pátio. No Palácio Sacris.


Jeongguk riu ao ver sua expressão horrorizada. Taehyung estava tentando se comportar como uma criatura imaculada por estar no recinto do Seminário e da Catedral. Era para ser o lugar mais sagrado de todo o Palácio Jeon, então não devia nem se atrever a pensar certas coisas. Bem... talvez fosse de fato sagrado, com o príncipe ali.


Taehyung, o de quatro anos atrás e o de agora, balançaram a cabeça ao mesmo tempo com esse pensamento.


O príncipe tinha o sorriso branco. Os olhos eram redondos e brilhavam, contrastando com a energia ousada e rebelde que ele às vezes transbordava quando o via. O príncipe era sempre assim, tão adolescente? Bem, só ouvira falar coisas boas sobre ele pelo Palácio. Que era um herdeiro ideal; sempre aprendia as coisas de primeira. O que era contraditório. Por que não havia aprendido latim de primeira também? Ou talvez... já soubesse e só mentiu?


Taehyung engoliu em seco ao ver o príncipe jogando a mecha que caiu de seu cabelo, tão bem arrumado e imaculado, para trás. Havia uma ou duas gotas de suor em sua testa. Era radiante e insultante ao mesmo tempo. O príncipe... uma figura que devia ser tão intocada e perfeita, na verdade é tão... tão... alcançável.


"Oi, hyung." o príncipe sorriu. Taehyung fechou a cara na hora.


"Vossa Alteza... - uma tosse forçada. - Não acha que é inapropriado que me chames assim?" Taehyung tremeu de medo naquele momento.


"Não? Por que acharia? Você é um ano mais velho que eu, não é?" o príncipe tinha um sorriso inocente. Taehyung não odiava aquele sorriso na época como odeia agora.


"Vossa Alteza... você é o príncipe. Vossa Majestade, vossa mãe, não deve gostar de te ouvir me chamando de forma tão íntima. Não devíamos ser amigos." Taehyung tinha a cabeça baixa, as mãos cruzadas em sua frente acompanhavam seu respeito pelo príncipe.


"Sim, é verdade que minha mãe não acha que sermos amigos é uma boa ideia, apesar de já ter pensado diferente. Mas você não disse que sou o príncipe? Acho que posso te chamar do jeito que quiser, não é?"


Taehyung ergueu seu olhar. O príncipe sorria com todos os dentes. Era claro demais. Deixou-o sem palavras.


"Ok, aceito isso como um sim. Agora, será que pode me mostrar algum lugar legal por aqui? De preferência algum que dê para eu amarrar Zoon."


Taehyung hesitou muito antes de dar o próximo passo. Mas levou o príncipe até seu lugar secreto. Um cantinho abaixo de um pessegueiro, ao lado de uma macieira, onde o príncipe conseguiu amarrar Zoon.


Estavam calados, deitados sob a grama enquanto encaravam o céu pela fresta que o ambiente coberto de árvores abria no alto. Um buraco entre as folhas.


Hesitando, Taehyung lançou um olhar discreto sob o rosto do príncipe. Ele estava focado em algo, parecia pensativo. De repente disse:


"Estou tentando entender o porquê que esse é seu lugar secreto sem te perguntar isso. Não seria legal se eu acertasse? Isso significaria que já te conheço um pouco!" seus olhos redondos e brilhantes encontraram os do mais velho.


Taehyung deu um sorriso sem dentes. Estava preocupado. Jeongguk provavelmente havia fugido de alguma responsabilidade e ambos levariam punições por isso. O príncipe com ele não era uma notícia boa para o Rei e a Rainha.


"Vossa Alteza... por que está aqui?" Taehyung quase sussurrou.


O príncipe não se moveu, só continuou encarando o céu. Depois de uns minutos, respondeu.


"Gosto da sua companhia, só isso."


"Não tem vários amigos no Palácio?"


Ambos estavam conversando em sussurros.


"Mais ou menos, não sei se te chamaria de amigo." um sussurro que perfurou os ouvidos de Taehyung como fariam as agulhas. O mais velho teve que fechar seus olhos.


"Vossa Alteza..."


"Pode me chamar de Jeongguk, hyung."


Taehyung balançou a cabeça, virando-se de barriga para baixo e encarando a grama verde e bem cuidada à sua frente.


"Não posso. Já que está sendo sincero comigo, Vossa Alteza, quero que saiba que hesito muito em te contrariar. Mas sei que devo priorizar as decisões do Rei e da Rainha antes das suas, e não podemos ser amigos, você sabe." sua voz estava baixa e aguda ao mesmo tempo. Taehyung se sentia estranho.


"Amigos?" o príncipe murmurou. "Amigos..." sentiu o gosto daquelas palavras. "Acho que minha mãe não quer que nos encontremos assim porque, no fundo, ela suspeita de mim."


Que tipo de assunto era esse? Eles nunca tinham falado sobre aquilo antes. Mas Taehyung entendia o que ele queria dizer.


"Bem, eu vejo isso de forma simples." O príncipe virou seu rosto para Taehyung, com um meio sorriso no rosto. Um jovem príncipe de dezesseis anos otimista com isso era raro de se ver. "Não pedi para nascer príncipe, e você não escolheu ser padre, muito menos nasceu para isso. Estamos cumprindo deveres que nos foram dados por outras pessoas. Não são o que realmente queremos."


Taehyung riu. O príncipe o olhou curioso.


"O quê?"


Logo depois Taehyung se desculpou por rir de Vossa Alteza, que em resposta só se aproximou mais, pedindo que fosse direto ao ponto.


Taehyung engoliu em seco.


"Você diz isso como se pudéssemos nos livrar desses deveres. Eu vejo mais como um destino. Vou morrer sendo padre e aceito isso. O Rei e a Rainha me salvaram. Só estou vivo por eles. Devo respeito e fiz um juramento que não me desviaria disso. Se você pensa diferente, é outra história. Você não deve nada."


Taehyung falou baixo. Sua frase supunha que o príncipe poderia se rebelar contra a família real. Isso era próximo a ele mesmo trair a família real. Se alguém ouvisse, ele poderia ser excomungado. Mas com o príncipe era diferente. Às vezes, ambos eram sinceros.


"Ah, e você acha que é bem-vindo no Seminário? Que interessante. Se estou bem lembrado, a Igreja Católica coloca a homossexualidade como doença e coisa do demônio. Você não é bem apto para ser um padre, hyung, com todo o respeito."


As bochechas de Taehyung estavam vermelhas. Seus olhos arregalados na grama.


"Isso é uma acusação grave, Vossa Alteza..." sua voz estava fraca. Jeongguk sorriu.


"Bom, estamos na mesma situação. Presos pelos Jeon. E agora você sabe o meu segredo. Não tem problema, eu guardo o seu e você o meu. Sei que nunca me entregaria mesmo se eu o entregasse, já que jurou lealdade e etc... então peço uma condição." foi audacioso o suficiente. Taehyung já negava, antes de ele dizer o que queria.


"Não confio em você."


"Uau, que evolução. - riu - Você não devia fazer tudo que peço?"


Taehyung teve que revirar os olhos.


"Um beijo. Só um. Juro que não boto a língua, vai ser tão rápido que nem Deus vai poder dizer se você cometeu um pecado ou não."


"Sem chance."


"Levanta."


"Sem chance, Jeongguk."


"Jeongguk? Hmm, estou curioso para saber o que mais você vai fazer se eu continuar te enchendo o saco."


Taehyung tampou sua boca logo em seguida.


"Vossa Alteza, é hora de você voltar ao Palácio, devem estar te procurando."


"Claro, voltarei. Mas levante primeiro."


Taehyung forçou um sorriso, se levantando calmamente, evitando o contato visual do príncipe.


"Com todo respeito, Vossa Alteza, mas não posso ter esse tipo de contato com ninguém. Estou no Seminário já com o propósito de me dedicar somente a Deus e só a Ele. Mesmo que não seja padre ainda, essas intenções não devem nem passar pela minha cabeça. Espero que entenda." e uma reverência.


Taehyung se surpreendeu ao sentir o toque de Jeongguk em seu ombro, pedindo gentilmente que se erguesse. Não entendeu porque engolia em seco com tão pouco. Era só... O príncipe herdeiro lhe abrindo seu sorriso branco e gigante antes de fazê-lo mudar de ideia.


"Todos sabemos que metade do Seminário faz isso, então você não vai ficar com a consciência pesada sozinho. E é só uma vez. Olha, já beijei garotas antes, um beijo não é grande coisa." abriu seu sorriso confiante. Taehyung recuou um passo hesitante, encarando a grama e o cavalo branco do príncipe ao seu lado.


"Vossa Alteza..." Sua voz estava fraca, já não conseguia formar argumentos sólidos. Mas eles existiam. Só não eram mais fortes que sua verdadeira vontade.


Taehyung não mentirá para si mesmo. Ele já imaginou esse momento uma ou duas vezes antes. Mas depois, ficou sem dormir pois rezou o dia e a noite inteiros.


"Ah, e claro... Sei que às vezes soo um pouco arrogante com esse papo de ser príncipe e você um subordinado do rei, mas você só deve fazer isso se quiser. Não quero motivos como tradição de celibato ou Deus envolvido no meio. Com todo o respeito, Senhor - ergueu os olhos e as mãos juntas para cima -, mas siga a sua vontade."


Sua última frase foi dita com os olhos grudados nos de Taehyung, que torcia o pé discretamente no chão, e sentia seus batimentos acelerados no peito.


Ele estava, nesse momento, pensando em tudo que seu sim implicaria. O desrespeito ao Senhor, o desrespeito ao rei e à rainha, a culpa que teria que carregar consigo mesmo pelo resto de sua vida de ter rompido com os juramentos do celibato e da virgindade com o príncipe herdeiro, ao qual no futuro serviria como Rei. Era uma péssima ideia. E se alguém descobrisse, ele estaria fodido.


Mas, se ele dissesse não... as consequências seriam mais simples, como seu arrependimento infinito que levaria consigo todas as noites. A chance de beijar o príncipe e enterrar um segredo tão vulgar como um futuro padre e o futuro rei que se beijaram em seu cantinho secreto. Era tentador. Seu lado adolescente e inconsequente se divertiria pelo resto da vida procurando essas memórias noite após noite em sua cabeça. Seria semelhante ao paraíso, andar sob as nuvens com aquela criatura viva, divertida e sincera que coincidentemente passou a ser a silhueta e o rosto mais belos que veria em toda sua vida tediosa de padre.


Taehyung queria aquilo. Demais. Se começasse a verdadeiramente cavucar suas emoções e trazê-las à superfície, desenvolveria um espírito rebelde que adoraria ter encontros secretos com o príncipe pelo Palácio nos próximos anos.


Mas ele está oferecendo um único beijo. Uma única vez. Ambos podemos nos beneficiar disso se não formos descobertos. O príncipe me deixa em paz e vai ter suas aventuras homossexuais com outros caras da Nobreza, e eu cometo o último pecado principesco com ele. Depois disso, me esqueço que esse dia aconteceu. Ninguém vai saber. E é um beijo... naqueles lábios finos, rosados e convidativos que ele tem.


Taehyung tinha assentido discretamente sem perceber, quando se surpreendeu com o passo que o príncipe deu em sua frente, e seus olhos determinados em sua direção. Taehyung recuou o máximo que conseguiu, enquanto o príncipe o guiava até uma macieira atrás de Zoon.


O futuro padre conseguiu notar que o príncipe tinha a sua altura, o que era injusto, já que ele era mais velho. E com o rosto do príncipe tão próximo de si, ele descobriu o cheiro mais agradável de todos. O perfume de Jeongguk era doce e tentador, nada exorbitante, e nesse momento se grudava nas entranhas de Taehyung para nunca mais se esquecer do quão irresistível era seu cheiro, mesmo depois de ter corrido dois quilômetros até aqui. Que irônico... sua mecha de cabelo pendurada que havia se despedido de seu bando arrumado na corrida, na verdade o deixava mais bonito. E aquela pinta que Taehyung descobriu abaixo dos lábios do príncipe dois anos atrás era um charme incomparável que ele tinha.


O tempo se passou em câmera lenta desde que Taehyung sentiu as mãos do príncipe em sua cintura, e sua testa se inclinando sob a sua. Seus olhos estavam abertos e Taehyung jurava que fosse infartar. Desde quando fiquei tão frágil? Sinto que minhas pernas podem ceder e que depois posso infartar. Conhecendo o príncipe, ele riria de mim, e eu seguraria minha vontade de enchê-lo de porrada... ou beijos, não sei. Que lábios inesquecíveis. Mas eles ainda nem me tocaram.


Taehyung sentiu uma mão do príncipe em suas costas, o amaldiçoando com seu toque gentil. Ele começou a se preocupar com seus planos de esquecer o que aconteceria em poucos segundos aqui, e fechou seus olhos, respirando fundo.


O príncipe está prestes a me beijar... Não estou acreditando nisso.


Primeiro, Taehyung sentiu um beijo na bochecha, como se o acordasse de seus pensamentos. Seus olhos foram abertos e ele pôde entender o que Jeongguk pensava. Está aí ainda? Era sua pergunta ousada. Estou... ou não, não sei de mais nada.


E foi quando o príncipe tomou sua iniciativa e selou os lábios do futuro padre num toque gentil. Era muito pouco, Taehyung pensou. Então ele segurou o rosto do príncipe, empurrando o pensamento de que nunca esteve tão próximo de clamar uma propriedade real, abrindo seus lábios nos seus.


Se não fosse pela árvore, Taehyung com certeza teria cedido no chão. Se não fosse pelas mãos do príncipe o segurando, Taehyung teria escutado aquelas vozes que diziam para que fugisse. Só que seu aperto era tão singelo e suave que ele poderia quebrá-lo em um instante. Mas não o fez. Taehyung teve a iniciativa de tocar a língua do príncipe primeiro, que imediatamente correspondeu a seu toque.


Era gentil. Taehyung passou a odiar essa palavra. Mas sabia que aquele gentil poderia matá-lo.


A boca do príncipe era macia, e sua língua sabia onde tocar. Se encaixavam. Taehyung nunca havia beijado antes, mas não se importou se aquilo não estava bom para o príncipe. Você que deu a ideia, idiota. Só estou... me divertindo.


Quando o ar faltou, os dois se soltaram. Taehyung se esforçou para se sentar calmamente no chão, deslizando pela árvore, e Jeongguk se afastou dois passos do corpo sagrado do futuro padre, colocando uma mão nos lábios e escondendo um sorriso.


"Você usou a língua..."


"Cala a boca." Taehyung respondeu. Jeongguk riu, tirando a mão do rosto e encarando o vir-a-ser beato. Sua silhueta estava encolhida, e o príncipe percebeu que alguém tentava esconder as bochechas rosadas.


Depois de uns segundos, Taehyung disse: "É um segredo nosso, ok? Meu e seu." enquanto se levantava do chão.


"Você quis dizer meu, seu e do Zoon." O príncipe sorriu. Taehyung passou a odiar aquele sorriso, numa proporção que crescia cada vez mais a cada ano, coerente quando analisada por Deus.


"Engraçadinho..." O mais velho evitou os olhos de Jeongguk, que o encaravam sem cessar. "Nos vemos por aí, Vossa Alteza." e se despediu com uma reverência.


Jeongguk pensou sobre essa frase. Era contraditória. Em muitos sentidos. Ele pensava que o futuro padre nunca mais quereria vê-lo. O que aquilo significava? Eles se veriam pois vivem no mesmo lugar ou se veriam escondido novamente? O príncipe não se importava. Ambas as alternativas lhe agradavam.


Porém, antes de se encontrarem novamente, o príncipe foi punido. Bem, ninguém saberia dizer se Taehyung comemorou ou achou ruim. O comportamento rebelde do príncipe herdeiro que surgia quando o assunto era aquele futuro padre seminarista de dezessete anos, mostrou ser uma ameaça para todo o Reino Jeon. A Rainha apenas decretou que fugir de suas aulas de francês eram demais; proibiu que o príncipe se encontrasse com Taehyung novamente por um tempo. Quanto tempo? Até ela notar que Jeongguk havia superado sua fase "quero decepcionar meus pais". Não era bem assim... Mas Jeongguk fez o que sua mãe queria. Fingiu que Taehyung não existia, até voltar do seu ano sabático três meses atrás, com todo um plano elaborado.


Taehyung, infelizmente, sabe qual é. Por isso está rezando nesse momento. Ele pede a Deus que afaste o príncipe de si. Por mais um ano sabático se necessário. Mas no fundo sabe que não será suficiente.


Em suma, se o Taehyung de anos atrásqueria ver o príncipe novamente, esse daqui não quer de jeito nenhum. Os anos que Jeongguk lhe deixara em paz foram os mesmos que colocaram Taehyung na linha novamente e lhe fez jurar que nunca faria nada parecido novamente. Até rezou pelo príncipe. Não lhe importava se seus casos com caras ao redor do mundo incomodassem seus pais, ele queria que ele mesmo não fosse incomodado. Que o príncipe encontrasse uma distração duradoura e o esquecesse, essa era a oração.


Taehyung tinha fé, muita fé.


Mas ao notar que tinha companhia na catedral, quando pensara que estava sozinho, seus dedos ficaram tensos ao redor do rosário. Deus sentiu sua agonia e ouviu sua prece. Bem, ouviu. Não atendeu.


Ao seu lado, estava seu pior pesadelo. O príncipe herdeiro; fazendo o sinal da Santíssima Trindade e se ajoelhando ao seu lado. Chegou a fechar seus olhos e se pôr em oração, ignorando a presença de Taehyung ao seu lado. Taehyung encarou a imagem de Jesus Cristo no alto da parede do altar, observando-o com seus olhos pedintes.


Mande-o embora daqui, Pai.


Jeongguk foi paciente e convencido o suficiente para levar bons minutos na sua oração. Taehyung o odiava. Ficara o encarando com aquelas intenções sujas na cabeça e na alma por duas inteiras horas mais cedo quando poderia ter rezado de verdade. Agora está aqui, fingindo inocência. Taehyung o odeia.


O padre reflete e pensa se deve deixar o príncipe herdeiro rezando sozinho ou esperar para que ele finalmente diga o que quer. Talvez assim ele o deixaria em paz. Taehyung se sentia horrível em saber que o talvez não existia.


Soltou um suspiro, pedindo socorro a algum santo.


Ao seu lado, viu pelo canto do olho o príncipe se sentar no banco. O padre ainda estava ajoelhado, encarando a imagem de Jesus.


O príncipe aguardou por uns instantes, sendo enganado, ou só fingindo que acreditava, na oração estendida de Taehyung. Mas foi o primeiro a falar.


"Não te encontrei no dormitório. Seu amigo me disse que estava aqui."


Taehyung logo pediu perdão a Deus pela intenção assassina. Mataria Yoongi? Quem sabe os dois.


"Não devia estar se preparando para o almoço com a família real, Vossa Alteza?" a batina preta que Taehyung usava e seus dedos envolvidos no rosário cor vinho obrigavam Jeongguk a esconder um sorriso. Não combinavam.


"Tenho uns minutos ainda, Dom Kim." O príncipe murmurou. Taehyung mordeu seu lábio. Os olhos em Jesus.


O padre reuniu forças e respirou fundo. "Em que posso ajudar, Vossa Alteza?" sua voz saiu fraca. Ele se odiou por isso. Jeongguk provavelmente não recuava por conta desses indícios corporais que não obedeciam às ordens mentais de Taehyung.


"Quero me confessar, Dom Kim. Podemos fazer isso agora?"


Taehyung fechou os olhos.


Escutou o corpo do príncipe se levantar do banco.


Não podia dar uma desculpa como "Não estamos em horário de confissões". Ele era o príncipe. Qualquer hora era hora para se confessar.


"O padre Klaus é uma melhor opção, Vossa Alteza." Taehyung engoliu em seco.


"Não precisa se preocupar tanto comigo, Taehyung. Te espero no confessionário." e saiu.


Taehyung não sabia se se sentia ofendido pela ausência de honorífico ou dava graças a Deus pelo príncipe não chamá-lo de Dom Kim. Dom Kim... vindo dos seus lábios não brilha, ele pensou.


O padre se levantou do banco e segurou o rosário com o máximo de decoro possível. Atravessou o corredor da área onde se celebrava a missa e seguiu até o confessionário. Um cubículo de madeira que cheirava à Igreja antiga e só cabia duas pessoas sentadas, uma de cada lado, sendo divididas por uma tela, igualmente de madeira. Um típico confessionário antigo.


O príncipe já estava lá. Taehyung respirou fundo algumas vezes antes de entrar. Ele não se interessa pela vida pessoal do príncipe, nem um pouquinho. Na verdade, ele tem medo de pensar sobre o que ele irá contar.


Os dois estavam sentados, finalmente. Taehyung estava um pouco mais seguro de encarar os olhos castanhos e perigosos do príncipe quando havia uma divisória sólida entre os dois. O príncipe não se atreveria a quebrá-la, certo?


"Em nome do Pai, do Filho..." Taehyung iniciou o tempo de confissão, fazendo com que ambos fizessem o sinal da Santíssima Trindade. "Bom, o que vieste confessar, pecador?"


Ser formal com o príncipe. Mas poder chamá-lo de pecador ao mesmo tempo. Taehyung escondeu o sorriso de satisfação.


"Estou pensando, padre. Nunca me confessei com você. Você terminou o Seminário há quase dois anos mas logo entrei no meu ano sabático e não pude vir. Fiquei muito tempo fora, e bem... explorei novas coisas, é claro. Segui o conselho discreto da minha mãe que pedia para que eu tentasse achar graça em alguma mulher. Ela ainda não toca explicitamente no assunto. E bem, me esforcei. O que acha de ter sexo fora do casamento para um príncipe como eu, padre? É pecado?"


Taehyung quis rir, mas se segurou. Ele com certeza o odiava.


"Sim, é. Independente de questão de gênero ou não, ou a sua posição, perante Deus, todos somos inferiores. Não é muito recomendado que você tenha relações sexuais com pessoas diferentes antes de se casar, Vossa Alteza."


"O problema é me casar. Meu pai começou a me encher o saco com isso. Só tenho vinte anos, não quero me casar. Mas se não posso ter sexo com pessoas diferentes, o que me recomenda, padre?"


Taehyung sentiu o cheiro da ousadia de Jeongguk entre a tela de madeira.


Vai se foder. Ele pensou. Mas é claro que não diria isso.


"Não faça sexo. Arrume uma esposa que agrade sua mãe e seja fiel a ela. Sinto muito que tenha que viver numa mentira, mas não tem muito a ser feito." e um sorriso forçado.


"Eu tenho uma curiosidade, padre. O que te orientaram no Seminário sobre os desejos carnais? Você não se masturba? Fico horas pensando sobre isso."


Taehyung fechou os olhos, mordendo o lábio e tentando recuperar a paz de sua alma.


"Vossa Alteza, exijo respeito."


"Perdão, mas falo sério. Não quis dizer que fico te imaginando se masturbar por horas, é só uma curiosidade geral."


Os olhos do padre se abriram, fuzilando os castanhos escuros tranquilos e aparentemente inocentes do príncipe.


"Jeongguk, você veio se confessar ou me provocar de propósito? Se for a segunda opção, vou te mandar se foder."


O príncipe riu contente. Conseguiu o que queria.


"Que isso, Dom Kim... Não faço por mal. Quer que continue me confessando? Ok, vou por onde? Quer que eu fale da tensão sexual que está entre nós desde que estava celebrando a missa? Me deleitei vendo sua cara, e me senti incrível em saber que só eu percebia o que pensava. Queria me matar, não é? Deus não gosta de intenções assassinas, principalmente vindo de padres como você. Mas devo di-


O príncipe parou a si mesmo ao notar Taehyung sair da cabine apressadamente. Seus passos percorreram o corredor novamente com a intenção de sair da catedral. Jeongguk podia ouvir seus bufos de frustração ao longe. Sua boa disposição física permitiu que alcançasse o padre rapidamente, antes que chegasse à porta principal, colocando-se em sua frente e barrando a sua saída.


"Saia da minha frente."


"Vamos conversar um pouco,"


"Não quero. Porra, não tenho o mínimo interesse! Por que você vive insultando minha vocação? Me deixe em paz, Jeongguk. Eu não ligo se você é gay ou o caralho que for, só me deixa em paz." Taehyung estava prestes a chorar de angústia.


"Ei..." a voz de Jeongguk era mansa. Seu olhar se tornara brando de repente, e seu corpo se aproximava com cautela de Taehyung, o envolvendo num abraço. "Não quis te fazer chorar." foi sincero, colocando o queixo no ombro direito do mais velho.


Taehyung só estava lacrimejando, mas se viu incapaz de afastar o corpo que o envolvia. Não por ser o príncipe. Mas por ser Jeongguk.


"Se eu for sincero, você vai me esquecer de vez? Se ouvir o que tenho a dizer, vai me deixar em paz? Não me importo se daqui a dez anos seus sentimentos forem os mesmos. Eu não posso te dar o que quer, só quero que entenda isso." Taehyung murmurou, ainda com os braços ao lado do corpo. Jeongguk demorou para dar uma resposta, mas assentiu.


Abriu o espaço que o mais velho precisava, vendo seus olhos nus em si. Não havia nenhuma barreira ali. Era o Taehyung sem restrições de um tempo que não o conhecia ainda, pois desde que Taehyung chegou ao Palácio, entendeu que tinha um dever. O celibato. A total redenção e dedicação a Deus. Não era para haver nenhum príncipe no meio dos seus planos. Jeongguk foi um acidente permanente em sua vida que deixaria marcas para sempre.


Os dois caminharam até um banco próximo, no fundo da catedral. O ambiente vazio e o cheiro de Igreja antiga eram a casa imposta de Taehyung. Ele não odiava, mas também não gostava. Era uma adaptação que teve que acontecer.


"Nem me lembro quando aconteceu, porque depois que deixamos de nos ver e meu tempo de estudos quadruplicar, quase não tive tempo de lamentar a ausência de um amigo na minha vida. Eu acreditava que Yoongi, que chegou ao Palácio comigo,podia completar essa lacuna. Não pensava em você de maneira muito especial aos doze anos. De vez em quando te via no pátio, jogando polo com seus inúmeros amigos da realeza, fadado a ser um príncipe com suas vestimentas sofisticadas. Mas você nunca me via. E era o quão simples as coisas funcionavam. Eu, um subordinado, você, o príncipe. Levei minha vida e aprendi coisas que alguém normal levaria décadas para aprender ao ler livros, o que acabou me colocando ao seu lado novamente aos quinze. Sempre suspeitei se você já não sabia latim, porque você não sabia tudo? - sorriram - mas não me importava em fingir umas aulas se fosse o caso, pois eu percebi que gostava do tempo que passava com você. Depois que você aprendeu, pela primeira ou segunda vez, nos afastamos de verdade. Eu não fazia mais nada no Palácio Tenues, nem compartilhava algumas aulas de língua com os filhos dos outros nobres. Já sabia falar quatro línguas, e estava mergulhando meu tempo relendo a bíblia pela terceira vez e evitando meus pensamentos sombrios. Às vezes, do nada, algo acontecia e eu me lembrava de você, a dois quilômetros de mim. Alguém do Seminário falava sobre Mozart, e eu me lembrava das conversas que tivemos sobre ele. Sempre que comíamos peixe, me lembrava que você odiava aquela carne. Minha cabeça começou a ficar uma bagunça, pois pensava em você o tempo todo. Até que comecei a ouvir histórias ao redor do Palácio, e entender que dois homens realmente podiam se amar. Foi a primeira vez que pensei sobre isso, e levou um tempo para entender que eu mesmo me enquadrava nessa categoria. Eu gostava do príncipe... foi a maior desilusão amorosa que alguém poderia ter, Jeongguk, é impossível esquecer um príncipe." os dois riram.


"Não é pra tanto."


"Você era pra tanto, sempre foi. Tinha uma individualidade que nenhum dos modeladores da realeza conseguiram apagar. Você era sincero e vivo. Não era uma cópia. Não se deixou ser doutrinado pelas ideias do Rei, e foi diferente porque todos ao meu redor foram doutrinados por alguma coisa. Passamos pouco tempo juntos mas isso foi suficiente para girar a minha cabeça. Passei tempo com o príncipe. O príncipe gosta da minha companhia, ele ri. Sou interessante assim?" sorriu.


"Não era pelo seu cargo, nem pelo seu berço de ouro. Era por você. Nossa, você nunca entenderia o que estou falando." ele riu.


"Acredite, eu entendo." O príncipe tinha um dos cotovelos estendidos em cima do banco, enquanto apoiava o punho fechado na cara. Seus olhos eram amáveis. Taehyung sorriu.


"Vai dizer que passou a gostar de mim não pelo meu cargo ou pelo meu berço de ouro, mas por mim?" os dois riram.


"Tenho fetiche em padres, não foi seu caso."


"Que babaca." Taehyung disse divertido, evitando contato visual.


"E depois? Quando te beijei anos depois? Ficou feliz quando soube que minha mãe tinha me proibido de vê-lo?"


"E ainda pergunta?"


O príncipe revirou os olhos.


"Você disse que ia ser sincero."


"Estou sendo." os dois sorriram. "Para não aumentar o seu ego, não direi detalhes. Mas sempre soube que seria assim. Pelo menos da minha parte, eu estava tentando me preparar para seguir a minha vida como padre silenciosamente apaixonado pelo futuro rei. Para sempre." mordeu seu lábio.


"Vou te beijar se continuar sendo tão... assim."


"Não leu o suficiente para ter tal palavra no seu vocabulário?"


"Tão estonteante, tão irresistível, tão fofo, tão destinado a ser meu."


Taehyung revirou os olhos, antes de tampar suas bochechas.


"Que simples..."


"Meus sentimentos não são simples, e não são passageiros. Acho que minha história é bem mais longa que a sua. Deve ter sido meu ego e minha sorte juntos que acertaram que você também sentia o mesmo por mim. Mas não teve um único dia nos últimos quatro anos que eu não pensasse naquele beijo, hyung. Foi a epifania mais deliciosa que tive e terei. Não pensei que fosse encontrar alguém tão doce."


Taehyung encarava suas mãos e o rosário. Acho que nem se Deus aparecesse em carne e osso ali na frente faria Taehyung mudar de ideia. Bem, Ele não tentaria.


"Te deixo me dar um beijo." quase sussurrou.


"Não vou parar nisso."


Taehyung já sabia disso.


"Ok..."


Houve silêncio. Jeongguk estava tentando digerir suas palavras e processar o que significavam.


"Mas não vai dar tempo agora, porque não almoçam sem mim. Mandariam alguém me buscar antes de começarmos alguma coisa. Então... vou te mandar ao Palácio usando o nome da minha irmã. Ela está aprendendo alemão ao ler Goethe, vou pedir que nos encoberte."


"Vou dar uma de professor?"


"Uhum, mas minha mãe não pode te ver de jeito nenhum. Não há truque no mundo que a engane."


"Ok..."


Jeongguk se aproximou de seu corpo, deixando um beijo em sua bochecha.


"Nos vemos mais tarde, garoto dos meus sonhos." com ambos narizes encostados.


Taehyung suspirou, tremendamente apaixonado. "Nos vemos mais tarde, Vossa Alteza."


O príncipe se levantou, seguindo até seu cavalo, que guardaria um segredo muito melhor que um motorista.


Taehyung, por outro lado, tentava parar de sorrir ao massagear as próprias bochechas. Ao encarar Jesus no altar, não sentiu que estivesse sendo julgado. Quem sabe compreendido.


Obrigado, ele disse.


Por não tê-lo levado para longe quando o pedi.


tenues&sacris


Quem trouxe a mensagem foi uma das criadas da princesa que veio de carro do Palácio Tenues. Não era Jeongguk, mas a própria princesa Jeonhye quem escrevera a mensagem.


"Olá, Dom Kim! Soube que você tem o alemão avançado e lê Goethe, poderia me ajudar com meus estudos por uns dias? Se sim, mandarei um motorista ao Palácio Sacris às quatro da tarde, para que estudemos até às seis, pois depois tenho um compromisso com a Rainha. Tudo bem para você? Você não precisa me mandar uma nova nota, só diga a resposta à minha criada, Sohye. Desde já, agradeço.


Jeonhye"


Uau, era realmente a princesa. A mesma irmã mais nova de Jeongguk que engajou na criação de uma ONG com uns amigos aos quinze anos e ganhou inúmeras medalhas de shows educativos. Era uma gênia, e poderia muito bem disputar o trono com Jeongguk se fosse da sua vontade. Mas pelo o que os boatos diziam, Jeonhye não era muito interessada em se tornar Rainha.


A resposta de Taehyung foi imediata, sabia que a nota era apenas uma burocracia improvisada caso Taehyung e Jeongguk fossem investigados mais tarde, o que deixava o mais velho ainda mais surpreso ao pensar que, agora, a princesa estava envolvida também. A Rainha definitivamente o mandaria para ser esquartejado pelo golpe, sem intenção de ser golpe, ao Reino Jeon.


Às quatro, Taehyung estava no Palácio Tenues, sendo acompanhado pela própria princesa, para não precisar ser escoltado até o segundo andar. Ela estava contente, e realmente falava sobre Goethe e línguas da família germânica ocidental, da qual o próprio alemão fazia parte, bem como o inglês. Era falante, e continuou assim até entrarem em seu quarto.


De repente, ficou calada. Lançou a Taehyung um olhar sincero. Seus olhos não eram redondos e gigantes como os de Jeongguk. Jeonhye tinha os olhos puxados da Rainha e o cabelo cacheado e preto do Rei.


"Espere um pouco." caminhou até a porta e bisbilhotou pelo corredor se não havia ninguém. "Livre. Vamos fazer um tráfico agora, ok?" antes que pudesse responder, pegou o pulso de Taehyung. "Segure a respiração," falou, antes de sorrir. "Estou brincando, o quarto dele é no fim do corredor."


"Obrigado, Vossa Alteza." e uma reverência.


"Ah, não seja tão formal. Vai lá dar a bunda, vai." enxotou Taehyung do quarto, que ouviu a porta ser fechada com os lábios abertos, sem saber o que falar.


"Como...?" mas seguiu até o fim do corredor, com um acento circunflexo divertido na testa. Bateu na porta do príncipe, que o recebeu com sua camisa branca extremamente bem passada, enfiada na sua calça preta e justa. Estava descalço, e abriu um sorriso incomparável para Taehyung, puxando-o para dentro e fechando a porta atrás de si depois de conferir que ninguém havia os visto.


"Gostou da princesa?"


"Bem, hm, ela é... incomparável?" Jeongguk riu.


"Aposto que ficou chocado com a boca suja que ela tem. É uma coisa em comum entre a gente que não veio de nenhum dos nossos pais, acho que do meu avô." Jeongguk sorriu, caminhando até sua cama e se sentando.


O quarto do príncipe era... claro, espaçoso e organizado. Claro pelas inúmeras janelas abertas que tomavam conta da parede em frente à sua cama, que provavelmente tinham algum efeito reverso que não permitiam que o lado de fora distinguisse o que havia aqui dentro. Sua cama era extensa, e gorda pela quantidade de lençóis e cobertores que lhe ofereciam as melhores noites de sono do Palácio. Suas paredes tinham papéis antigos, que não sofreram nenhuma reforma desde a sua construção, provavelmente. Mas era limpo. E cheirava a Jeongguk. Dava a Taehyung a vontade de se despir e deitar-se alegremente ao lado daquele jovem, como se não temesse ser visto completamente nu por alguém pela primeira vez em sua vida desde a morte de seus pais. Dava a Taehyung uma sensação de aconchego. O quarto de Jeongguk o recebia, e o alocava ali.


"O que achou do meu quarto? Não seja tímido, pode tirar o sapato e a parte de cima da batina e deixar na porta. Não sente calor com essa roupa? Deus, eu reclamo sempre do quão quente são minhas vestimentas, por isso vivo pelado no meu quarto." os dois riram.


Taehyung obedeceu, tirando seus sapatos vagarosamente e a parte de cima da batina, o vestido dos padres. Por baixo, em vez de sua camisa branca de manga longa de sempre, ele usava uma camiseta preta de manga curta. Era a primeira vez, desde os doze anos de Taehyung, que Jeongguk via seus braços.


Ao erguer o olhar e coçar sua bochecha sem saber o que fazer, Taehyung viu os olhos de Jeongguk em si, e notou a saliva sendo engolida pelo mais novo. Jeongguk indicou seu lado na cama, pedindo que Taehyung se aproximasse.


"Seu quarto é diferente do que tinha imaginado. Não parece muito com o resto do Palácio."


"E por isso o escolhi. Se pedir que um arquiteto opine sobre esses papéis de parede e os objetos históricos no quarto, comparando ao resto do Palácio, ele diria que é um pouco escandaloso. O excesso de janelas, as cortinas grossas e pesadas, o tapete vermelho antigo, e o suporte da cama que deve datar de três centenas de anos, combinam com o resto do lugar. Mas os objetos decorativos foram escolhidos pelo Rei Jeon III, na época que ainda era príncipe. Boatos rolam de que ele era bissexual. Seu lado bicha e seu gosto escandaloso por arte moderna ganharam meu respeito."


Taehyung se sentou do outro lado da cama de Jeongguk.


"Hmm, será que o rei Jeon III também trouxe algum padre para sua cama?" os dois se olharam. A pergunta vinha de Taehyung.


"Espero que não. Quero ser o primeiro membro real a realizar tal feito." ajoelhou-se na cama, se aproximando de Taehyung e colocando uma perna em cada lado seu. Jeongguk o olhava de cima, apoiando as mãos em sua cabeceira, atrás de Taehyung. Taehyung, sentado, erguia o queixo e ouvia Jeongguk.


"O pioneiro príncipe a tirar a virgindade de um padre real e se rebelar contra a própria família antes de se assumir gay." Taehyung mordeu seu lábio, encarando os de Jeongguk se curvarem num sorriso.


"Ainda não combinamos essa segunda parte..." abaixou-se, enterrando o nariz no pescoço do padre.


"Na verdade, nem fizemos a primeira." Taehyung suspirou, segurando a camisa de Jeongguk com força ao sentir seus lábios tocarem sua pele gentilmente.


Hoje pode ser o último dia que vivo, ambos pensaram.


"Você está cheirando a sabonete," Jeongguk murmurou na sua pele. Taehyung fechou os olhos com força. "É bom... me faz pensar em você no banho, se preparando só pra vir aqui." beijou sua orelha.


"Jeongguk... nunca nem me masturbei. Sinto que vou explodir só com esses seus sussurros no meu ouvido." Taehyung respirou fundo. Ouviu o riso camuflado de um segundo do príncipe no seu cabelo, que o cheirava por um instante.


"Você cheira tão bem..." Taehyung ouviu, apertando o lençol da cama em suas mãos.


"Jeongguk..." engoliu em seco.


"Me deixa te elogiar." tocou sua testa na do mais velho, encarando seus olhos castanhos.


"Mas..."


"Está com medo de gozar cedo demais? Não me importo. Temos duas horas, isso é o suficiente para que eu te faça vir mais algumas vezes."


Taehyung arregalou os olhos.


"É minha primeira vez..."


"Conte algo que eu não saiba." segurou seu rosto.


"Sou apaixonado por você."


Jeongguk teve que rir. Taehyung sorriu.


"Algo que eu não saiba, bobão." falou o príncipe, antes de beijar os lábios de seu amor.


Taehyung segurou sua cintura, imaginando que fosse um lugar apropriado para colocá-las. Fechou seus olhos e deixou que o príncipe guiasse aquele beijo. A cada vez que sua língua o tocava, Taehyung aprendia coisas novas sobre o mundo. 1) beijar é muito bom. 2) beijar Jeongguk é bom demais. 3) Jeongguk é muito bom demais. É, algo parecido com a lógica de Aristóteles, só que na lógica de Taehyung.


Segurar o rosto que tinha a pele de bebê do príncipe segundos depois foi natural, pois fazia Taehyung pensar que tinha um maior controle da situação. O príncipe estava em seu colo, respirando contra o beijo e às vezes xingando quando Taehyung mudava suas mãos de lugar.

"Prefere que eu feche as cortinas? Ninguém nos vê, mas se ficar mais confortável..." Taehyung assentiu imediatamente.


Ao voltar, o príncipe já estava beijando Taehyung novamente sem lhe dar tempo para pensar. Ficaram se beijando por um tempo, invertendo as posições na cama, ora Jeongguk em cima, ora Jeongguk embaixo. O fizeram até que Taehyung se sentisse mais confortável com todo aquele contato físico de uma vez.


"Ei, se preferir fazer isso outro dia, tudo bem, não vou-


"Shhhh," e Taehyung voltou a beijá-lo. Levou um tempo para que Jeongguk se sentisse confiante de aprofundar aquele beijo. Se Taehyung gemesse, ele morreria. Não teria tempo de escrever uma carta para a Rainha explicando o que aconteceu. Bem, como ele explicaria isso?


Oi, mãe. Provavelmente morrerei chupando o pau do Taehyung. Isso mesmo, aquele padre que você me proibiu de encontrar alguns anos atrás. Espero não te encontrar no inferno.


P.s: se eu não morrer, saiba que me casarei com ele. Algum dia, só preciso conversar com meu pai.


Era verdade. O rei era bem mais compreensivo que a Rainha. Passava a mão na cabeça dos filhos toda santa vez. São jovens, adolescentes de certa forma, podem errar enquanto podem.


O rei passaria a mão na cabeça de Jeongguk se ele assumisse que gostava de desposar padres de Deus? Um padre de seu reino? Hm, Jeongguk não sabe a resposta.


É quando Taehyung procura os botões da camisa de Jeongguk que ele volta à Terra. Como poderia viajar quando estava beijando a melhor boca do mundo? Perdão, Taehyung. Estou muito feliz, essa é a verdade. Aguardei por isso por toda a minha vida tediosa e planejada de vinte anos. Aguardei por você. É, não foi bem assim. Na verdade te persegui.


Jeongguk parou de beijá-lo, e encarou seus olhos, a poucos centímetros dos seus, quando Taehyung continuou a desfazer os botões. E depois sentiu os seus próprios lábios se abrirem ao ver e sentir o mais velho tirando sua camisa de seu corpo com toda aquela gentileza e cuidado. Foi por isso que mudou de ideia. Taehyung merecia ir devagar, não queria deixá-lo assustado.


"Vamos até determinado ponto hoje, ok?"


Antes que o mais velho pudesse protestar, Jeongguk o calou com um beijo. Depois, tirou sua camiseta preta de manga curta. Taehyung se tampou, fazendo Jeongguk abrir um sorriso terno.


O príncipe desceu um beijo até sua bochecha, sorrindo e acariciando seu cabelo.


"Me apaixonei por um ideal, mas ora, a realidade me aguardava além das minhas expectativas. Se houvesse pintado ouro, seria diamante. Ou melhor, esta pedra rara seria enfim catalogada pela primeira vez. Pensava que estava além da minha imaginação, mas na verdade entendi que está muito além da minha imaginação." Jeongguk murmura no seu ouvido. Taehyung cora levemente.


"O que é isso?"


"Um poema, acabei de inventar."


"Que romântico..." Taehyung revira os olhos.


"Você é a criatura mais linda que já vi no Universo. Meus cachorros te odiariam se ouvissem isso. Mas é a verdade. Você não tem noção do quão lindo é, mas não tenho problema em te lembrar disso todos os dias. Provavelmente algum pintor renascentista te pintou e te fez ser real com algum tipo de mágica. Ou se preferir, digo que Deus pintou sua melhor obra antes de se convencer de que nunca faria nada igual. Nunca mais. Eu estudo história, sei do que estou falando."


Taehyung teve que rir, dando um tapa amigável no braço de Jeongguk. Os dois se olharam. E Taehyung mordeu o lábio antes de deixar de se esconder.


"Lindo." beijou sua clavícula, fazendo Taehyung se estremecer abaixo de si. "Esplêndido." beijou o centro de seu peitoral. "Suntuoso." sua barriga. "Deslumbrante." soprou seu mamilo, antes de encarar Taehyung e chupar aquela região.


Taehyung mordeu o lábio com toda a força que tinha, apertando o corpo de Jeongguk com suas pernas e erguendo o pescoço no colchão. Jeongguk só estava chupando seu mamilo, enquanto brincava com o outro; deliciando-se ao descobrir que Taehyung era sensível naquele lugar. Descobrindo juntos.


Não demorou muito para Jeongguk sentir o volume de Taehyung, que tocava sua barriga. Jeongguk abaixou suas calças com cuidado, o deixando de cueca e encarando sua protuberância coberta.


Taehyung o olhou. Jeongguk o olhou. E ambos respiraram fundo antes de Jeongguk tocar Taehyung por cima do tecido, que estava molhado. Taehyung tampou a boca, arregalando os olhos e arrancando um sorriso do príncipe.


"Deus... Não vejo a hora de te ensinar umas coisas." murmurou, antes de tirar seu membro para fora, bobinando o cumprimento e espalhando o pré-gozo pela sua extensão;


Colocá-lo na boca;


Se engasgar enquanto seus olhos marejavam ao escutar Taehyung gemer no travesseiro.


Que barulhos são esses? Que coisa esquisita, Taehyung pensou. Mas não consigo parar. Meu Deus, não consigo.


Jeongguk acariciou os braços de Taehyung e passeou as mãos pelo seu corpo enquanto o tomava na boca. Era uma sensação indescritível. Ter seu primeiro boquete pela boca de um cara experiente resultaria em esperar que os próximos fossem melhores ainda. Bem, seriam. Com Jeongguk.


Taehyung não durou muito tempo, obviamente. Teve seu primeiro orgasmo e se chocou com a forma que seu corpo se movia e a intensidade daquele renascimento. Taehyung renasceu. Quando disse isso em voz alta, arrancou um riso de Jeongguk.


"É bom, mas nada se compara a entrar dentro de alguém. Sempre fiquei pensando sobre como seria fazer com alguém que gostava. Sinto que meu coração vai explodir." os dois sorriram.


"Ainda não acredito que engoliu aquilo...."


"Educação sexual, aula 1: gozo tem nutrientes. É bom pra saúde." Jeongguk disse, se deitando ao seu lado depois de cobri-lo com um lençol.


"Duvido."


"Juro, nunca mais gripei depois que comecei com esse costume. Não é comprovado cientificamente, mas em breve alguém virá com essa descoberta médica, você vai ver."


"Jeongguk, você tá falando merda demais." os dois riram.


"Eles dão educação sexual no Seminário? Essa é nova pra mim."


Taehyung virou suas costas, fechando os olhos e fingindo que foi dormir.


A cama se mexeu, e logo Taehyung sentiu mãos o envolvendo.


"Quer dormir? Tudo bem, te acordo daqui a uma hora." beijou seu ombro. Taehyung negou.


"Quero ouvir sua voz. Me conte qualquer coisa." Taehyung segurou suas mãos.


"Vou contar a história de como me apaixonei por você."


Taehyung sorriu.


"Começa aí."


"Era uma vez um príncipe, fadado a ser hétero e feliz. Não foi nenhum dos dois. Mas sentiu que poderia ser o segundo em certo dia de outono, ao reconhecer um novo habitante do palácio que já havia visto em algum outro lugar. Ah, se lembrou. Era o garoto que brincava consigo em seus sonhos."


Contos de fada. Às vezes existiam. Mas contos de fada tinham finais felizes. E nenhum dos dois saberia dizer se teriam um. Não fizeram nenhum plano além daquele dia, pois desejaram uma espontaneidade que não poderiam ter. Bem, algo teria que mudar. Um dos dois, ou ambos. Ou talvez a lei real, e temporal, que os proibia de ficarem juntos. Algo mudaria. Taehyung se perguntava o que poderia ser.


Jeongguk, em contrapartida, pensava diferente. Algo já mudou. Bem aqui. Essa é a mudança que eu sempre quis.


N/A: publico o próximo, e último capítulo, em breve.

26 de Agosto de 2020 a las 23:35 0 Reporte Insertar Seguir historia
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Conoce al autor

miss wei Escritora de fanfics no momento, mas escritora de outros livros no futuro.

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